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ENXUTO CAST #25 – OS NOVOS 52 títulos da DC comics

Caros devotos, aproveitando o lançamento do famigerado reboot da DC comics em Terra Brasilis, o Santuário foi convidado com muito orgulho pelos goodfellas do O Baile dos Enxutos para discutir sobre esses novos títulos: os que valem a pena conferir, os que não valem tanto a pena assim e mais uma penca de coisa que vocês só saberão ouvindo essa viajem nérdica, basta clicar na imagem abaixo.

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DIABLO III – Domine seu medo!

Resenha de Diablo: Espada da Justiça # 1

Por Rodrigo Garrit

- ESTE ARTIGO CONTÉM SPOILERS -

Existe uma guerra primordial entre o Alto Paraíso e o Inferno Ardente. Anjos e demônios se digladiam sem nunca encontrar um vencedor. Diante da equivalência de poder entre as partes, foi estabelecida uma trégua, e criado um novo mundo separando Céu de Inferno com neutralidade. Eles chamaram esse lugar de Santuário.

Como ato de boa fé, uma dádiva foi entregue na forma de uma pedra mística, àquela que deu à luz ao Santuário, guardada no Monte Arreat, e cujo poder é incomparável.

E foi estabelecido que enquanto houver o Santuário, haverá equilíbrio. Mas esse equilíbrio sempre existiu de modo delicado, pendendo nas mãos de anjos, homens e demônios, apenas aguardando o momento certo de invadir esse lugar sagrado e tomar o poder, vencendo a guerra de uma vez, ou simplesmente destruindo tudo o que existe.

Um jovem forasteiro ouve atentamente as palavras de um velho vidente cego que conta histórias sobre a criação do Santuário e dos terríveis forças do bem e do mal envolvidas numa guerra profana que se arrasta por séculos, numa contenda onde os maiores prejudicados sempre são os homens. Não bastasse isso, as profecias dizem que o equilíbrio está para ser rompido e uma grande desgraça não tardará a se abater sobre todos.

Esse jovem, Jacob, parte em uma jornada em busca da pedra mística, “Worldstone”, uma estrela que caiu do céu e pode ser a resposta para os mistérios que se ocultam nas sombras do reino.

Durante sua trajetória, ele tem vislumbres de seu passado, onde são reveladas suas origens, um passado de realeza e tragédias.

Diablo: Espada da Justiça é uma minissérie em cinco edições da DC Comics, com roteiro de Aaron Willionms e arte de Joseph Lacroix e Dave Stewart. Ela vem na onda do sucesso do recém lançado jogo Diablo III, e serve de aquecimento para os fãs dessa franquia, embora a história do gibi se passe no contexto do jogo, não acompanha o mesmo momento nem os mesmos personagens (pelo menos nessa primeira edição). A história funciona de forma independente, mas quem está jogando a nova versão de Diablo vai reconhecer ali vários elementos do game. O personagem Jacob tem uma bagagem histórica bem rica a ser explorada e parece interessante vê-lo atravessar cada capítulo dessa história como quem passa de fase, lidando com os perigos do Santuário.

Uma boa pedida para os fãs de longa data da série de games, mas também uma opção interessante para aqueles que gostam de uma boa aventura medieval.

A arte da série lembra muito o clima sombrio das histórias do Hellboy de Mike Mignola, não por acaso, Dave Stewart é um colaborador frequente dessas histórias, tendo arte-finalizado muitas delas.  Convenhamos, o estilo Mignola é perfeito para esse tipo de história.

Caso você tenha estado fora do planeta nos últimos anos ou acabou de despertar de um coma profundo e não saiba do que se trata, assista o vídeo abaixo e conheça Diablo, com as bênçãos do Santuário…

O mapa oficial do Santuário, o mundo onde se passa a história do game e do gibi.

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HOMEM ANIMAL # 9 – Olhos Sangrentos

Resenha de Homem Animal # 9 de Jeff Lemire (roteiro) e Steve Pugh (arte).

Por Rodrigo Garrit

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Já sentiu tanto ódio a ponto de enxergar tudo vermelho? Já viveu aquele momento em que uma fera toma conta do seu corpo e tudo o que você deseja é apenas sangue?

Alguma vez já foi mais ANIMAL do que HOMEM?

O Monstro do Pântano, o Homem Animal, e todas as coisas vivas têm um inimigo em comum: O PODRE.

Mas ele não é exatamente o que se pensa. Não é a encarnação da morte. O Podre não quer destruir a vida, ele precisa dela. Precisa que exista vida, para que ela MORRA, APODREÇA e lhe conceda poder. Ou até mesmo em forma apurada, apodreça em vida.

O Podre é uma das forças primordiais que regem o universo. Essas forças vivem em harmonia e isso é bom. É bom para nós, do nosso ponto de vista, é o que sustenta a nossa existência. Mas do ponto de vista elementar, o Verde prefere um planeta onde as plantas estejam no topo da cadeia alimentar, em confortável e inabalável posição. Já o Vermelho certamente gostaria de que os seres de carne prevalecessem, não necessariamente como acontece hoje, mas de forma totalmente independente de outras forças, que poderiam continuar existindo… apenas para servir.

Esse equilíbrio mantém a natureza funcionando de forma a privilegiar não tão lealmente todas as partes, já que algumas têm mais vantagens que outras, mas de forma geral, todas têm seu lugar e sua vez. Mas só isso não basta. Para nenhuma delas.

O Podre não deseja exterminar a vida, mas ele não está feliz da forma como o equilíbrio natural acontece. O Podre ama a vida. Mas em vez de um planeta repleto de coisas vivas, vermelhas, verdes ou de outras cores, que nascem ou brotam, crescem se desenvolvem, se reproduzem e morrem, para só então apodrecer, Sethe, o senhor do Podre, almeja uma desconstrução desse ciclo vital, substituindo o longo caminho do ciclo da vida até o apodrecimento por uma vida inteiramente podre… um planeta inteiro apodrecendo, mas ainda assim, onde eventualmente ocorra o milagre da vida… uma vida distorcida e miserável.

O Podre não deseja silenciar a vida. Ele quer ouvi-la gritar.

As hordas do Podre continuam seu avanço pela Terra. Seu maior objetivo é destruir Maxine Baker e Alec Holland, respectivamente os avatares do Vermelho e do Verde. Maxine tem quatro anos de idade e é filha de Buddy Baker, o herói conhecido como Homem Animal, que recentemente descobriu que recebeu seus poderes dos Totens do Vermelho com a finalidade de ser o protetor da jovem avatar. Papel que ele não tem tido muito sucesso em cumprir, apesar de seus esforços desesperados. Felizmente, a menina é tão poderosa que consegue não apenas se proteger como encarar os agentes do podre e causar grande preocupação em seus mestres.

Num ato de pânico, Buddy enfrentou sozinho uma cidade inteira de criaturas dominadas pelo Podre… centenas de animais semidecompostos possuídos. Ele lutou com todas as forças, mas por fim, acabou sendo derrotado e morto.

E morto, tornou-se uma marionete do podre.

Anos atrás, um certo “escocês magrelo e intenso”, vulgo Grant Morrison, teve a coragem (ou a cara de pau) de escrever algumas cenas surreais quando assumiu o título do Homem Animal, tornando-o o personagem cult e reverenciado que é hoje. Não fosse isso, até hoje ele estaria relegado aos confins sombrios do limbo do esquecimento dos leitores (que por sinal também foi abordado por Morrison, mas isso é outra história). A cartada final do escocês foi aparecer “em pessoa”, na frente de Buddy, e se apresentar como seu roteirista.

Com essa edição de Homem Animal, Jeff Lemire reverencia o trabalho de Morrison, e com muito cuidado, relembra esse momento, o que foi sabiamente evitado por todos os escritores que se seguiram. Afinal, conduzir essa situação de forma errada poderia descredenciar todo o mérito de Morrison e também soar como falso e artificial demais. Mas não foi o caso. Lemire retorna à fonte de onde Buddy Baker renasceu, para delírio dos fãs. Então, não tenha mais dúvidas… Buddy lembra-se de tudo o que houve, embora encare como um “sonho”. Considerando que ele poderia ter mudado tudo, Lemire incorpora o passado as suas histórias, e avança, criando uma nova mitologia tendo como base tudo que se passou.

E ao mesmo tempo… ele mudou tudo!

A história se passa em três momentos: num deles temos o conflito familiar de Ellen Baker, esposa de Buddy, a bordo de um trailer dirigido por sua mãe, que odeia o genro e tenta encontrar um lugar seguro para Maxine onde ela possa levar uma vida normal, longe de tantos eventos sobrenaturais e inexplicáveis. Porém, Senhor Meias, o gato falante da garotinha acredita que eles não terão sucesso nessa busca.

Temos então mais duas cenas revezando a narrativa: Buddy Baker morto e possuído pelo Podre, devorando entranhas de cachorro repletas de vermes, e a essência do verdadeiro Buddy Baker no plano espiritual… ou melhor, nos subúrbios do Vermelho, tentando uma audiência com os grandes Totens a fim de que possam oferecer alguma ajuda… porém, Buddy não é o avatar escolhido, apenas um “mero guardião” como tantos outros, e é tratado com indiferença, até encontrar o “Pastor” que havia guiado Maxine anteriormente e se propõe a ajuda-lo. Um detalhe interessante: impossível não deixar de notar as semelhanças dos Totens com os personagens de “Sweet Tooth”, premiada série da Vertigo, também escrita por Jeff Lemire.

E enquanto Buddy passa o diabo para tentar pedir ajuda a esses totens, o seu corpo “apodrecido” planeja se aproximar de Maxine, enganá-la e leva-la ao centro do reino do Podre, onde poderá ser morta…

Ou, mais uma vez, surpreender a todos.

Resenhas anteriores? Mergulhe no Vermelho clicando aqui! Mas, se sua cor é o Verde, então pule aqui

E para quebrar um pouco esse clima tenso, não deixe de assistir as divertidas vinhetas do Homem Animal produzidas pela DC Nation!

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LIGA DA JUSTIÇA: TERRA 2 – o dia em que o multiverso voltou

Por Venerável Victor  ”Anti-tratador de macacos”  Vaughan

“O mal existe, mas nunca sem o bem, tal como a sombra existe, mas jamais sem luz.”
Alfred de Musset

JLA: Terra 2 é a edição especial de Grant Morrison e Frank Quitely que conta a história de uma anti Liga da Justiça conhecida como o Sindicato do Crime da América. Eles não são personagens novos no universo DC, tendo o grupo primeiro aparecido na Era de Prata dos quadrinhos (1956-1970).

Frank Quitely & Grant Morrison

O Sindicato vem da antiga Terra 3 onde tudo é o oposto da nossa própria Terra. Um Colombo americano descobriu a Europa, o bem é o mal, Chuck Norris é um grande merda que não sabe lutar, o guaraná Dolly tem os melhores comerciais e por aí vai…

Então em 1985 veio a  maxi série da DC comics conhecida como Crise nas Infinitas Terras, que seria a primeira grande iniciativa de reorganizar o universo da editora, tão confuso para novos leitores. Com isso as infinitas Terras paralelas foram descartadas e apagadas da cronologia – o que significa que “em teoria” o universo inteiro teve um novo início – e o multiverso teve o seu fim, com todos os personagens que habitavam as diversas versões paralelas do nosso planeta convivendo em uma única Terra. Portanto não existia mais uma Terra 3 para se usar? Ah! Mas isso nunca impediria Grant Morrison.

Primeira aparição do Sindicato do Crime nas páginas da LJA #29 & LJA: Earth 2 de 1999

Na nova ordem mundial – da editora – a dimensão paralela conhecida como Terra-3 existe no universo de anti-matéria onde você dificilmente por mais que reclame da sua vida aqui gostaria de viver. O coração das pessoas fica no lado direito do peito e Gothan City é dominada pelo chefão do crime, Gordon.

Através do espelho…

Quando o bom Alexander Luthor descobre nossa nossa Terra e escapa para a nossa realidade com o intuito de conseguir a ajuda da nossa Liga da Justiça para consertar o seu mundo, foi apenas questão de tempo para o Sindicato do Crime vir também. E todos acabam aprendendo a lição do quanto é melhor que cada um fique do seu lado da “cerca”.

O Sindicato do Crime é composto por: Ultraman (que precisa estar perto da sua anti-kryptonita para se manter poderoso), Super-Mulher (que nessa realidade é a Lois Lane); Homem-Coruja (o que aconteceria se Bruce Wayne culpasse seu pai – agora o comissário de polícia – pela morte de sua mãe?); Johnny Quick (que precisa se drogar para ter supervelocidade) e Anel de Poder (não exatamente o oposto, tão babaca quanto Hal Jordan).

A arte de Frank Quitely nunca foi a mais linda do mundo, os personagens costumam ser extremamente feios e todos tem a mesma cara, até mesmo a Mulher Maravilha (que deveria ter a beleza de Afrodite, não?), mas é apaixonante a quantidade de detalhes que ele adiciona em seus trabalhos. Basta dar uma olhada na Fortaleza de Ultraman para percebermos as piadas plantadas no cenário.

O tempo todo a história deixa clara a visão do autor sobre a mecânica humana, o mal se opondo ao bem e o fato de não se poder mudar a natureza de uma pessoa. A primeira “Crise” é homenageada com planetas colidindo e o Flash correndo até que seus pulmões comecem a queimar, Jimmy Olsen aparece sendo um viciado (uma homenagem clara ao arco de histórias do Arqueiro Verde descobrindo que seu parceiro mirim era usuário de heroína), algumas cenas clássicas de escatologia, que Morrison sempre arranja um jeito de inserir, também influencias visuais desde Star Trek até Watchmen, um pouco de sexo entre super heróis, abusando do fetiche em couro e sadomasoquismo entre o Homem–Coruja e a Super-Mulher, tudo aqui funciona como uma homenagem do autor aos clássicos  momentos da editora.

Uma coisa precisa ser valorizada acima de todas as outras na obra desse autor, nossos “justiceiros” são muito poderosos! Isso é uma das características mais importantes do trabalho de Grant Morrison a frente do título da Liga da Justiça, é inegável. Ele não poupa espaço para deixar claro o quanto os “Sete magníficos” são icônicos e deuses entre os demais mortais. O Lanterna Verde envolve a Lua com mãos verdes gigantes, o Flash se torna o maior detetive do mundo por poder pensar a uma velocidade de setenta mil quilômetros por hora, o Aquaman é forte e eficiente e o Caçador de Marte dele é uma criatura insuperável. JLA: Terra 2 já valeria o preço de capa só pela maneira como J’onn J’onzz derrota o arrogante Ultraman.

“Cacador de Marte - Isso não é um combate, você já estava derrotado no momento que decidiu me enfrentar.”  

No fim de tudo, a Liga da Justiça nunca poderia vencer na sua “Terra paralela” pelo simples fato de que o bem nunca triunfa lá, exatamente como o mal nunca triunfaria aqui e apenas fazendo as coisas de forma errada, do ponto de vista de caráter e moral, que eles teriam alguma chance de vitória. Mas não se preocupe, jovem devoto do Santuário, o escocês Morrison flertando sempre com a esperança, sua velha companheira de diversos outros memoráveis contos, nos deixa ao fim dessa história, a satisfação de saber que existe uma Gothan City, que é o exato oposto da do nosso mundo.


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Fabulosos X-men & Capuz Vermelho e os Fora da Lei – “Entre tapas e beijos, é ódio, é desejo…”

Por Venerável Victor “Príncipe tratador de Símios” Vaughan

Red Hood and the Outlaws #9     SPOILERS

Roteiro: Scott Lobdell Arte: Kenneth Rocafort

Por mais que um crossover seja bem feito, eles todos são produzidos por um motivo principal: fazer você ler um determinado título que normalmente não se importaria. Para muitos, Capuz Vermelho é esse exemplo de título. Mesmo que Scott Lobdell não seja um escritor de todo ruim ou a arte de Kenneth Rocafort seja algo que cativa nossos olhos ao primeiro contato, muita gente simplesmente não “engole” Jason Todd, ou não aceita sua volta do mundo dos mortos. Existe uma legião de fãs que acreditam que ter  o ex Robin de volta a vida, invalida uma parte importantíssima da cronologia do Homem Morcego, apesar dessa volta ter sido feita de forma genial…

Outro conflito desse título para alguns é conseguirem se identificar com mais um “bad boy” que resolve fazer coisas boas para os outros. Aqui, nesse capítulo da saga da “Noite das Corujas” Jason recebe uma missão do seu antigo mordomo “Alfred” e que é um verdadeiro “chute no traseiro”, fica difícil acreditar que o Capuz Vermelho no antigo universo DC ajudaria a Bat-família, mas aqui Lobdell tenta satisfazer as exigências de nossa inteligência de leitor, com a explicação de que ele aceita a “missão” por amar Gothan, a cidade que nasceu e foi criado (talvez o lugar ideal para ter morrido) e que agora mais do que nunca precisa de toda a ajuda possível.

O conflito aqui é visível, afinal o senhor Todd não é conhecido como uma pessoa que acredita que criminosos e assassinos deveriam ter uma vida “longa e próspera”, agora ele tem que salvar o Senhor Frio?

Nessa edição, Victor Fries o vilão conhecido como: Senhor Frio, é o alvo da Corte das Corujas e nós descobrimos qual a relação do picolé com essa centenária sociedade secreta de assassinos que agora o considera um grande incômodo, que precisa ser eliminado. O Capuz Vermelho segue as instruções que lhe foram dadas e vai ao auxílio de Victor, para salvá-lo do “garra”- nome dado aos assassinos da Corte – enquanto mais uma vez  como já de praxe, Arsenal e Estelar protagonizam grande momentos nessa batalha, pois além de terem que salvar a vida do vilão, ainda tem que se manterem vivos, afinal Frio não é conhecido por ser alguém razoável e não ficou nem um pouco feliz de receber ajuda.

Lobdell caracteriza razoavelmente o assassino “Garra” nessa revista, apesar de que Jason derrota o mesmo não com suas habilidades fantásticas como guerreiro, mas com um diálogo clichê e pobre de argumentos infantis. O  interessante no entanto é ver o encontro delicado de ânimos do Capuz Vermelho com a Batgirl, e honestamente, desde que ela voltou a andar e para sua identidade de “morcega”, Barbara Gordon nunca foi tão lindamente desenhada. De todos os personagens de Gothan, Bárbara possivelmente seria a pessoa que mais se identificaria com a mágoa que Jason sente por não ter sido vingado pelo Batman, após o ataque do Coringa…

Batgirl - “Jason, se eu te ver outra vez aqui em Gothan, você vai acabar em uma cela ao lado do Senhor Frio”.

Capuz Vermelho“Melhores “morcegos”que você já tentaram e não conseguiram isso.”

Muita gente após ler essa edição, ainda não terá comprado à ideia da volta de Jason e dele ter um título próprio na DC comics, mas a revista merece ainda a chance de nos surpreender no próximo mês agora que os personagens terão novamente liberdade editorial para progredir.

Uncanny X-men #12 SPOILERS Ou  Uncanny Namor #12

Roteiro: Kieron Gillen Arte: Greg Land

Os X-men liderados pelo líder Ciclope estão tentando rastrear “Esperança” e nessa revista nós seguimos Namor, Hepzibah e Mancha Solar em sua busca por Tabula Rasa. Essa edição é “fabulosa” por inúmeras razões, entre elas a maior sem dúvida é vermos o Príncipe Submarino se reencontrando com sua amante, a rainha monstro aquática. Kieron Gillen está fazendo um excelente trabalho a frente dos Filhos do Átomo e ele generosamente aplica toda essa experiência na caracterização da equipe de Vingadores de Luke Cage também. Aqui nós temos mais uma vez os dois grupos se confrontando e os resultados são ótimas sequências de batalhas e muito humor protagonizado na maioria das vezes pelo Príncipe Submarino. Fica agora a pergunta: por que Kieron não está participando da equipe que escreve a série principal “Vingadores VS X-men” se ele é tão competente?

Existe uma  dúvida em muitos fãs sobre a validade da luta entre o Coisa e Namor no título principal dessa saga, mas aqui a revanche do mutante aquático é algo muito bem-vinda e apreciada. O fato é que nessa revista, lógico, os mutantes são muito melhores retratados e valorizados e os breves, porém poderosos momentos de nocaute são grandiosos.

Mas nem tudo aqui é só porradaria. Nessa edição temos o retorno do morador Apex mais querido dos fãs de Tabula Rasa, que rouba um dos maiores momentos de humor de Namor. Além de Mademoiselle Hepzibah – que faz uma luxuosa participação na equipe do Rei da Atlântida – e não deixa “barato” em seus diálogos.

Dessa vez Greg Land apesar de ser “um infeliz que não sabe desenhar expressões faciais e por isso coloca a maioria dos personagens na sombra” é responsável pelos momentos de maior beleza da revista, com as sequências embaixo d’água entre Luke Cage e o Príncipe Submarino, o resultado das explosões de água são lindas e podemos sentir sensorialmente o imenso poder dos golpes. Da mesma forma diria para o brasileiro Mancha Solar, que é atingido tão fortemente que é arremessado para outros painéis da página. Mesmo com toda a ação que do roteiro , Land soube dar espaço para o humor nas suas sequências de ação.

Esse foi mais um excelente “tié-in” desse evento entre as duas equipes e para variar, como em todos os outros títulos mutantes, muito superior que a história principal. Touché!!!

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Os Simpsons, o sitcom mais duradouro da história

Por Guy Santos

Criado pelo cartunista Matt Groening, “Os Simpsons”, surgiu pela primeira vez em curtas animados para o programa “The Tracey Ullman Show”. Após um tempo “Os Simpsons” ganharam, em 1989, uma série de meia hora para a Fox Broadcasting Company.

Matt criou os personagens da família inspirados na sua própria família, inclusive os nomes são os mesmos: o pai de Matt se chama Homer, a sua mãe é Margaret, e ele tem duas irmãs: Lisa e Maggie. Então Bart é Matt, mas não foi batizado com mesmo nome, pois segundo Groening ficaria mais interessante Homer gritar “Bart!” que soaria como “Bark!” latido em inglês.

A cidade onde se passa a história é Springfield, por muito tempo Matt mantéu em segredo a localização da Springfield da vida real, já que existe mais de 30 cidades com esse nome nos EUA. Mas em entrevista recente Groening finalmente declarou onde fica a cidade da família amarela. Ela fica em Oregon, onde o criador passou a infância e de onde tirou muitas inspirações para criar personagens. O enderenço dos Simpsons é o mesmo da casa onde Matt morou: Evergreen Terrace, 632.

Cerca de 6 atores dublam quase todos os personagens da série. Quando a personagem Maude Flanders morreu, foi devido a sua dubladora, Maggie Roswell, que queria um aumento de salario e foi colocada para fora. Mais estimasse que os dubladores de “Os Simpsons” ganhem cerca de US$ 400,000 por episódio.

David Silverman (animador que criou a abertura da série) falou sobre o fato dos personagens da série serem amarelos, segundo ele o colorista Gyorgi Peluci, encontrou um desafio: como usar cores mais realistas em personagens como Lisa, Bart e Maggie? Já que estes personagens não tinham traços separando o cabelo da cabeça, Gyorgi decidiu usar a cor amarela para todo o corpo destes personagens.

Homer já teve mais de 40 profissões. Mais de 30 personagens já morreram. O barulho da chupeta da Maggie foi criado por Matt Groening. A expressão “D’oh” de Homer, foi incluída em 2011 no Dicionário de Inglês de Oxford. Em 2009, para comemorar 20 anos da animação, Marge foi capa da Playboy americana.

A abertura de “Os Simpsons” é uma atração à parte. Três coisas sempre mudam na abertura, são elas: Bart escreve frases diferentes no quadro-negro, Lisa toca solos diferentes no saxofone e a sequência da família se reunindo no sofá sempre muda. Com a chegada do HDTV a abertura ganhou uma nova versão em 2009, com novas cenas. Mais uma curiosidade é que quando Maggie passa pela caixa registradora, o valor mostrado de US$847,63 é igual ao valor anual médio, em 1989, de quanto custava  para se criar uma criança nos EUA.  Em um dos episódios a abertura foi criada pelo artista Banksy, que satirizou os bastidores da própria série, que tem parte da animação realizada na Coréia do Sul e seus empregados recebem por lá ¼ do que receberiam se trabalhassem em terras americanas. Banksy mostrou coreanos trabalhando de forma precária, gatinhos que são usados para rechear pelúcias, a cabeça de um golfinho é usada para lacrar caixas e até mesmo um panda e um unicórnio decadente aparecem.

 A série já passou dos 500 episódios e é a sitcom mais duradoura da história. A revista Time em 1999 elegeu “Os Simpsons” como a melhor série de TV do século 20. A família ganhou um longa animado em 2007.

VISITEM O SITE: GUY SANTOS

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EU, VAMPIRO # 7 – O Livro da Luz e das Trevas

Por Rodrigo Garrit

Resenhando “Eu, Vampiro” # 7  de Joshua Hale Fialkov (roteiros) e Andrea Sorrentino (desenhos).

Série criada por J.M. DeMatteis e Tom Sutton

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Muito se especula sobre a verdadeira história do Mito dos Vampiros. Cada autor nos joga nova luz (ou sombra?) sobre as origens das criaturas devoradoras de sangue humano. As teorias vão desde a doenças relacionadas alta sensibilidade à luz solar até alienígenas mutantes do futuro. Mas a verdade é que durante séculos essas histórias vem sendo contadas das mais diversas formas, e continuam causando o mesmo efeito hipnótico e fascinante nas pessoas, além de angariar uma legião de fãs apaixonados. Alguns preconceitos idiotas foram difundidos, como o que diz que jogadores de RPG fazem parte de seitas satânicas e/ou vampíricas. Embora algumas “tribos” escolham viver um estilo de vida alternativo, usando muito preto e maquiagem pesada, isso não faz deles criaturas da noite… ou talvez faça, mas não de uma forma ruim. Monstros existem. Assassinos, estupradores, ladrões. Eles estão em toda a parte, em todas as classes, em todas as tribos. Mas julgar alguém pelo jeito que se veste, pela música que ouve ou por tatuagens e piercings em seu corpo é um grave sinal de falta de inteligência.

Eu era um grande fã da série Buffy, a Caça Vampiros. Adorava aquelas tramas interligadas em que eles tinham um “Big Bad” (como eram chamados todos os vilões importantes), e a luta desesperada para evitar o fim da cidade de Sunnydale… o fim do mundo… ou o apocalipse. Ah, os mocinhos venciam no final sim… claro… mas nem todos saiam vivos. E nem sempre as consequências eram fáceis de se lidar. Se você também curtia essa série criada por Joss Whedon, vai adorar também essa edição de “I, Vampire”.

O primeiro vampiro ressurgiu… Cain, um mal antigo e praticamente invencível, que só podia ser contido enquanto um velho encanto o aprisionasse nas profundezas, desde que um vampiro com alma vagasse pelo mundo. Andrew Bennet era o único vampiro que conseguia manter sua humanidade e usar suas habilidades para preservar as pessoas do mal, em vez de desfiá-las em pedaços pequenos e chupar o tutano de seus ossos. Durante sua longa trajetória, Andrew conviveu lado a lado com o Santo e o Demônio que havia em si, mas não apenas em sua consciência… ele de fato poderia ser a encarnação do mal e deixar sua história ser escrita à sangue… mas preferiu combater a fera interior e fazer sua própria história, independente do quanto fosse mais fácil ser um monstro. Esse ato de generosidade, desprendimento e altruísmo, foi a chave que manteve Cain aprisionado e adormecido.  Mas quando Andrew foi morto, a primeira trombeta do apocalipse foi soada.

Mary, a rainha do sangue e ex-amante amargurada de Andrew,  estava prestes tomar a cidade de Gotham com seu exército de vampiros quando Cain despertou, fazendo seus planos irem por água a baixo. E ela não ficou exatamente feliz por ter “concorrência”.

Agora os amigos de Andrew (inclusive Tig, a caçadora que o matou) se veem cercados por uma horda de vampiros enfurecida, contando com a ajuda de um impotente Batman e da Liga da Justiça Sombria, que por sinal está cada vez mais fraca, uma vez que Cain está absorvendo toda a magia do mundo e distribuindo-a para seus servos, tornando-os “super-vampiros”, imunes aos métodos normais de extermínio.

Andrew, por outro lado, apesar de “morto”, encontra-se em “lugar nenhum”, um imenso vazio, nem Céu nem inferno, onde uma voz misteriosa o culpa por toda a desgraça que ocorre na Terra, e revela a verdadeira natureza de Cain.

O Livro da Luz e das Trevas é real. Ele é o livro humano, escrito todos os dias, em todos os lugares. Cada olhar de indiferença acrescenta mais um parágrafo. Cada julgamento, um novo capítulo.

Luz e trevas caminham juntas, desde que o mundo é mundo, e é assim que deve ser. Mas podemos escolher qual delas traremos dentro de nós… e qual delas compartilharemos com os outros.

Ignorância, intolerância e menosprezo. Generosidade, desprendimento e altruísmo.

Quais são as palavras que constam no livro da SUA história?

Primeiro esboço de Andrew Bennet em sua versão pós reboot.

Resenhas anteriores? Prepare o alho, estaca, crucifixos… e clique aqui!  

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VIRGEM AMERICANO: Relaxa e goza…

Introduzido por Garrit

Bem vindos ao Santuário, Devassos… digo, Devotos…! Ou não-devotos, caso estejam caindo aqui pela primeira vez. Se for o caso, já fiquem sabendo de pronto que este site não é jornalístico e que aqui nós colocamos muito de nossas opiniões pessoais em nossas matérias… porque é pra ser desse jeito mesmo. Este é o Santuário, um templo nerd feito por fãs de quadrinhos e da cultura pop em geral. Estamos ampliando as instalações do templo aos poucos… tijolo por tijolo vamos crescendo, derrubando paredes e velhos preconceitos.

O assunto da vez é Virgem Americano, ótima série da Vertigo que estreou já tem um tempinho mas que sempre me pareceu não ter a repercussão que merecia. Mas acho que posso entender isso. Quando li Virgem Americano pela primeira vez, gostei bastante da história, e a curiosidade que me levou a começar a ler foi justamente como esse tema seria abordado. Sim, eu tive esperança de encontrar alguma pornografia… esperem, já dei o alerta? Putz, foi mal gente…

ESTE ARTIGO CONTÉM SPOILER.

Pronto, agora a gente pode continuar. Bem, como eu estava dizendo, trata-se de uma história muito bem escrita e melhor, muito bem conduzida por Steve T. Seagle, que francamente, nunca tinha me impressionado muito com nenhum de seus trabalhos anteriores. Não estou dizendo que ele seja um mau escritor, estou dizendo apenas o que eu já disse.

Pois bem, o fato é que Virgem Americano, apesar de ter me impressionado (não do tipo “Uau! Mudou minha vida”, mas sim do tipo “Putz, até que essa ideia funcionou”) eu não tive nenhuma intenção de resenhar o gibi para o Santuário.

Ah sim, deixem eu explicar. Desde que adentrei esse templo onírico de pura ralação diversão, basicamente 11 entre 10 coisas que vejo/leio/ouço entram para o meu JUSTO JULGAMENTO, que é como eu chamo o critério que criei para decidir se determinada coisa merece ou não fulgurar nos salões do Santuário. Sabem como é, o chão daqui é tão limpinho… não custa escolher com cuidado quem a gente vai colocar aqui dentro para alegria de nossos queridos devotos e visitantes.  E claro, também PARA NOOOOOOSSA ALEGRIAAAA…!

Então, simples assim, Virgem Americano não passou pelo crivo do meu JUSTO JULGAMENTO, não por ser uma história ruim como expliquei acima, mas pelo fato de que para mim, não havia uma forma interessante de falar sobre ela. Não havia um “start” por assim dizer.

(Quem pensou que eu ia fazer uma piadinha com o Restart não vai ganhar de brinde uma linda calça comprida cor de abóbora quando foge).

Então o tempo passou, o vento ventou e minhas sinapses deram curto. E, não me perguntem porque, mas eu estava tomando banho, e de repente lembrei de “Y, o último homem” de Brian K. Vaughan. E, com a cabeça branca de shampoo eu assenti para mim mesmo que essa série era boa pra caramba… e eu tava lendo! Coisa de nerd… mas isso acontece com vocês também não? Quer dizer, isso é super normal e tudo, certo? Ok, deixem pra lá.  O grande lance foi que, ao pensar em “Y, o último homem”, me ocorreu que sendo o último homem, ele tinha um planeta inteiro de mulheres com quem poderia transar. Uma enorme abundância de mulheres… claro, quem lê a série sabe que as coisas não são exatamente um paraíso pornô para Yorick, o protagonista de “Y”, mas de fato me chamou a atenção o fato de que o personagem de Virgem Americano escolheu ser virgem… tem essa convicção firme em sua mente… então… e se fosse ele o último homem? Ainda seria um planeta repleto de mulheres, mas ele permaneceria casto, e talvez num futuro distante, se casaria, e teria uma única esposa para o resto da vida. Em “Y, o último homem”, Yorick é apaixonado pela sua noiva, Beth, mas já deu suas escorregadelas e ficou com outras meninas… já em “V de Virgem”, a parada ia acabar ficando no zero a zero mesmo.

Então, sagaz devoto,  você me pergunta: “Por que raios você não resenha ‘Y’ logo de uma vez”? Ora, por muitos e bons motivos… mas o principal deles é preguiça esperar que a obra de Brian K. Vaughan seja poeticamente resenhada pelo seu primo, o Venerável Victor Vaughan (acham que é a toa que o Yorick tem um macaco? Isso é de família…).

Em Virgem Americano, acompanhamos a história de Adam Chamber, um jovem de 21 anos de idade, convicto de que ouviu de Deus que deveria guardar sua virgindade para o momento certo, o que seria para depois do casamento com sua namoradinha de infância, Cassandra, que não pôde comparecer à sua palestra porque está no Canadá numa missão de paz na África. Enquanto isso, o jovem Adam nem ao menos se masturba! (Tem algum médico presente? Alguém pode confirmar se isso é fisicamente possível)?

Adam viaja pelo país promovendo palestras religiosas onde fala de modo descontraído sobre sua virgindade e de como a pureza pode ser o caminho da salvação. Ele também apresenta um programa religioso na tevê e tem um enorme carisma, convencendo de fato vários adolescentes a assinar o seu “juramento de virgindade”. Mas é claro que as coisas nunca são tão boas quanto parecem… o sucesso parece sempre vir acompanhado de inveja alheia e pessoas dispostas a tudo para derrubá-lo. Além disso, existe aquela velha questão: O quanto as suas decisões e suas escolhas de conduta podem inflamar as reações mais adversas nas pessoas? Ser gay, negro, judeu, ateu, vegetariano, escrever para um site de quadrinhos ou virgem… não importa… as pessoas vão te julgar, caro devoto…

Essa primeira edição serve mais como apresentação dos personagens, como deve ser, (destaque para os irmãos de Adam, Kyle, o maconheiro e  Cyndi, a “moderninha”) mas não deixa de ter sua dose de emoções. O que inclui um sequestro armado envolvendo uma prostituta numa tentativa de estupro e terrorismo internacional. E uma tentativa de masturbação.

Steven T. Seagle conseguiu prender minha atenção e me envolver de modo a querer continuar lendo. E isso sem usar pornografia de verdade. O cara é bom.  A arte de Becky Cloonan é simples e agradável aos olhos… combina com o clima da série. Agora, as capas de Frank Quilety… são um ORGASMO!

Virgem Americano foi publicado pela Vertigo entre 2006 e 2008 e teve 23 números. A série terminou conforme planejada por Steve T. Seagle, embora ele tenha dito que as baixas vendas já no período final não sustentariam a continuidade da mesma. Ele a definiu como uma história fora do contexto comum, e que algo assim ainda não tem muito espaço nas grandes comic shops.

Seria muito interessante se esse material fosse publicado no Brasil… a Panini tem feito um ótimo trabalho com a Vertigo, e esse título só viria a somar.

Então… para a resenha do segundo número da série… bom, vamos fazer um trato? Só vai ter resenha do próximo número se pelo menos 15 pessoas diferentes comentarem esse artigo aqui no site. O quê? Não gente, não é chantagem…! Não, também não é uma forma desesperada de aumentar os acessos…  até porque nós temos sido prestigiados por vocês de forma muito empolgante… mas nem todo mundo que acessa comenta, então seria só pra gente conversar melhor, trocar ideias… !

E aí? Alguém se convenceu?

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PARA O HOMEM QUE TEM TUDO – Quem tem amigos, tem tudo?

Por Venerável Victor  ”o homem que tem todos os macacos”  Vaughan

Hoje vamos a fundo de uma história sem spoilers, novidades ou crises globais. O argumento básico  é conhecido, e nem por isso menos surpreendente e cativante: Super-Homem, o último filho de Kripton, mimguém menos que o onipotente Kal-El, recebe um… presente de aniversário! Que por sinal é um parasita mental, que suga o ser do hospedeiro enquanto o encarcera numa realidade sugestionada que é tão somente… o maior sonho da pessoa! E qual seria o maior sonho do Super-Homem, o homem que tem tudo? Alan Moore trabalha esse tema de maneira sublime, criando uma emoção ímpar no leitor ao descobrirmos o real sonho do alienígena e depois a raiva do mesmo ao ser obrigado a renunciar a esse sonho.

Super-Homem: Levante-se verme! Você percebe o que fez comigo?

Mongul: Perfeitamente! Eu elaborei uma prisão que você não poderia abandonar sem abrir mão de seu maior desejo. Escapar dela deve ter sido como arrancar o próprio braço…

O “Passado”

Entre 1980 e 1984, Alan Moore se tornou uma presença recorrente nos créditos das revistas em quadrinhos publicadas na Inglaterra, tanto que a divisão britânica da Marvel e outras editoras do país contrataram-no para roteirizar histórias publicadas em suas revistas.

O início da década de 80 é apontado por estudiosos como um período marcado pelo aumento da popularidade dos quadrinhos no Reino Unido. Um público cada vez menos infantil estava consumindo as revistas e Moore era o escritor mais produtivo e conceituado dessa época. Em mais de uma oportunidade seria Dave Gibbons quem desenharia suas histórias, numa parceria que vinha agradando ambos.

Alam Moore & Dave Gibbons

O talento de Gibbons chamou a atenção da DC ainda em 1982, e já naquele ano o lendário Len Wein o contratou para desenhar a revista Green Lantern Corps. No ano seguinte seria a vez de Moore ser contratado por Wein, que buscava um escritor que pudesse assumir a função de roteirista da revista Swamp Thing, que vinha enfrentando baixas vendas. Moore não apenas faria o título voltar a ter bons resultados de vendas, como seria o responsável, ao lado de outros artistas, por reinventar o personagem Monstro do Pântano, introduzindo em suas tramas uma temática até então inédita, tratando de forma experimental questões sociais e ambientais. Moore assumiu a revista em 1984 e seus roteiros logo atraíram a atenção de público e crítica, impulsionando a editora a contratar outros roteiristas europeus, como Grant Morrison, Peter Milligan e Neil Gaiman, para escreverem outras séries de apelo similar que posteriormente marcariam o início do selo Vertigo de quadrinhos adultos.

Publicada originalmente em Superman Annual 11 de 1985, e recentemente aqui em Grandes Clássicos DC, “Para o Homem que tem tudo” é uma das histórias do britânico que, sempre à frente de seu tempo, também esteve à frente do Homem de Aço.

Considerada uma obra-prima e certamente uma das melhores histórias em quadrinhos já publicada (assim como A Piada Mortal), foi magistralmente ilustrada por Dave Gibbons, o mesmo de Watchmen, parceiro recorrente de Moore.

Tanto antes quanto enquanto trabalhava com o Monstro do Pântano, Moore submeteu à editora inúmeras propostas, buscando trabalhar com personagens como o Caçador de Marte e os Desafiadores do Desconhecido , uma das criações de Jack kirby para a DC, mas todas acabavam rejeitadas por já estarem sendo desenvolvidos projetos com outros escritores envolvendo esses personagens. Pouco depois, o editor Julius Schwartz questionou Gibbons sobre a possibilidade de desenhar uma história de Super-Homem. Gibbons declarou-se disponível, mas perguntou a Schwartz quem ele colocaria para roteirizar a história. Quando lhe foi dito que ele poderia escolher quem escreveria , imediatamente apontou Moore, e rapidamente For the Man Who Has Everything começou a ganhar forma.

Essa história faz parte da cronologia pré-Crise nas Infinitas Terras e prova o argumento de Moore de que o problema da DC não era a cronologia zoada e nem o Multi-verso, e sim a falta de criatividade . For the Man Who Has Everything é vista como uma obra representativa na ”Era de Bronze” dos quadrinhos -  entre 1970 a 1986 – por sua abordagem e ineditismo, vindo a ser quase vinte anos após a sua publicação, adaptada pelo também genial escritor J. M. DeMatteis para a série de animação Liga da Justiça Sem Limites.

Participam da história Batman, Robin – aqui o insuportável Jason Todd que substituía Dick Grayson – e a Mulher-Maravilha, todos em suas encarnações pré-crise, ou seja, não espere um Batman sombrio, no entanto esse Batman funciona maravilhosamente, como Dennis O’Neal e Neal Adams tinha mostrado em Contos do Demônio, é um Batman mais detetivesco, como o que Grant Morrison tenta recuperar nos quadrinhos atuais

Repleto de cenas memoráveis, diálogos sublimes, como de praxe nas obras de Alan Moore, além da arte fenomenal de Gibbons, essa é uma leitura obrigatória para qualquer fã de quadrinhos, pois se configura como uma das maiores obras-primas do gênero. E se isso não o convenceu a ler, um último argumento: Moore deve ser o único roteirista a utilizar Jason Todd de maneira inteligente antes da morte do pivete.

O “Presente”

Em 29 de fevereiro, no Círculo Polar Ártico, Batman e Jason Todd, o novo Robin, encontram-se com a Mulher-Maravilha na frente da Fortaleza da Solidão. Batman apresenta Jason a Mulher-Maravilha.  Ao entrarem no local, deparam-se com Super-Homem num estado vegetativo e com uma grande planta alienígena presa ao seu peito, com tentáculos em volta de seu corpo.

Paralelamente, é retratado o que passa no interior da mente de Super-Homem… como “Kal-El”, ele vive feliz em um planeta Krypton que jamais foi destruído. Casado com a ex-atriz Lyra Lellol e pai de duas crianças, Van e Orna. Kal-El trabalha no Instituto de Geologia da cidade. Para seu aniversário, seus entes queridos lhe fazem uma festa surpresa, no qual estão presentes sua prima Kara Zor-El, e quase todos os seus familiares, mas não seu pai, Jor-El. No dia seguinte, Kal vai ao trabalho de seu pai, e o encontra em reunião com Lor-Em, líder de uma seita nomeada “Espada de Rao” e Dax-Ar, major do exército kryptoniano. Jor-El pretende se aproveitar do prestígio dos dois para obter maior poder político. Pai e filho começam a discutir, e enquanto Kal tenta expor que se associar com grupos extremistas pode ser ainda mais prejudicial para a já debilitada carreira de Jor-El, este começa a reclamar da deteriorização dos valores em Krypton, com o aumento do tráfico de drogas e o surgimento de problemas raciais com os imigrantes da Ilha Vathlo. É revelado que Lara, a mãe de Jor-El, havia falecido anos antes e que Jor-El havia sido expulso do Conselho de Ciência de Krypton após sua previsão de que o planeta iria explodir se mostrar uma inverdade.

Na Fortaleza da Solidão, Batman analisa a situação, e presume que o embrulho com o “presente” deve ter chegado pelo Canal de teletransporte, enviado por um dos muitos mundos agradecidos pela ajuda de Super-Homem, que não devia saber dos efeitos da planta. Nesse instante, Mongul surge, e revela-se o responsável pelo envio do presente, cuja nome é “Clemência Negra”. Ele explica que a Clemência atraca-se à sua vítima de forma simbiótica, alimentando-se de sua aura e, em contrapartida, provocando um transe que havia colocando o kryptoniano num estado comatoso, vivendo um sonho extremamente realista e plausível com base em seu “desejo do coração”. Mongul, então, ironiza os três heróis, perguntando para Batman qual deles deveria morrer primeiro: “Sei que sua sociedade faz distinções com base em gênero e idade. Talvez, então, devam me orientar sobre qual de vocês a etiqueta pede que morra primeiro!“. Batman e Mulher-Maravilha se entreolham, e ela avança contra o monstro. Enquanto a Mulher-Maravilha tenta conter o vilão, Batman e Robin buscam uma forma de remover a Clemência de Super-Homem

Em seu sonho, “Kal” vê-se parte de uma sociedade kryptoniana cada vez mais polarizada, vítima de forte agitação política. Enquanto Jor-El tornou-se líder de um movimento reacionário extremista, buscando um retorno ao Krypton “nobre e imaculado” do passado, um grupo rival, contrário à existência da Zona Fantasma - a dimensão paralela que serve de sistema prisional perpétuo para os condenados kryptonianos – agride brutalmente Kara Zor-El e começa a manifestar-se cada vez mais contra “o clã dos El”. O momento em que Batman consegue remover a Clemência do peito de Super-Homem coincide com o instante em que o sonho de “Kal” se dissolve: durante uma visita à cratera de Kandor, um pressentimento lhe faz questionar se seu filho, Van-El, era mesmo real.

A Clemência solta o corpo de Super-Homem, agarrando-se ao de Batman, que começa a viver o seu “desejo do coração”: Quando criança, ao invés de ver seus pais serem assassinatos na sua frente durante um assalto, o jovem Bruce Wayne apenas presencia seu pai desarmar o assaltante, e a partir daí passa a viver uma vida relativamente normal, chegando a se casar e ter uma filha. Clark pergunta para Robin quem foi o responsável pelo ataque. Enfurecido ao saber quem havia enviado o “presente”, ele voa através da Fortaleza, avançando contra o vilão enquanto Jason usa o equipamento esquecido por Mongul para retirar de Batman a Clemência que o controlava.

Super-Homem esmurra o rival buscando vingar-se pelo que havia passado, numa emblemática sequência. Conforme os dois trocam ataques tão fortes que interferem em sismógrafos, Mongul detalha a perversidade de seu plano. O combate entre os dois persiste, destruindo largas porções da Fortaleza da Solidão, mas como ambos são virtualmente indestrutíveis, o embate se torna frustrante para os dois.

Por um segundo, Super-Homem fraqueja, ao lembrar de Krypton e nesse instante Mongul tenta matá-lo, mas é então surpreendido por Robin, que solta sobre o corpo do vilão a Clemência Negra.

Enquanto Mongul, dominado pela planta, começa a viver o seu sonho de conquistar o universo, Super-Homem joga-o num buraco negro e Batman e Mulher-Maravilha enfim entregam seus presentes.

O presente de Batman – uma rosa produzida em laboratório chamada “Krypton” – havia sido destruído durante o combate, e o da Mulher-Maravilha – uma réplica da cidade miniaturizada de Kandor, feita pelas “projetistas de joias” da Ilha Paraíso para lembrar Super-Homem da verdadeira, que havia sido ampliada e enviada para outra dimensão nessa época da cronologia . No entanto era algo que Clark Kent já tinha. Sem que ninguém perceba, ele, fazendo uso de sua super-velocidade, esconde a réplica que já possuía e gentilmente agradece o presente, afirmando ser aquilo “o que sempre quis”. O “homem que tem tudo”, então, abraça seus amigos e diz: “Alguém prepara café enquanto eu dou um jeito na casa?

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Ele e a união dos seus poderes

Por Rodrigo Broilo

 

Ele estava viajando pela internet. Sabe aqueles dias em que você entra no YouTube e um vídeo vai puxando outro? Foi assim com ele…

Foi semana passada, nisso de pular de vídeo em vídeo que ele relembrou um desenho da sua adolescência: Monster Rancher. Quase ninguém lembra ou conhece, por isso ele gostava tanto. Ele gostava de ser diferente, Do Contra.

Ele lembrou o quanto ficava fascinado com a ideia de cinco seres tão diferentes se unirem em um só. A ideia de inexistir dentro de algo maior, mais forte, invulnerável, era para ele um bálsamo. Um delírio. Um desejo.

A malandragem de Hare, a revolta e sagacidade de Tigre, a força de Golem, a desconfiança de Suezo e a amabilidade de Mochi. Tudo junto pra formar um ser superior, a entidade Fênix, a única capaz de combater o mal daquele mundo mítico.

Então ele começou a lembrar da união dos poderes para formar o Capitão Planeta. Da união de zords para formar um Poderoso Megazord. Ou do recente Capitão Marvel, no evento Flashpoint, onde vários jovenzinhos se uniam para formar um poderoso super herói.

Ele sempre quis algo assim. Se conectar com alguém, ou alguéns, para se sentir melhor. Para não se sentir. Pensou, esse seria o seu Santuário. Ele até fez uma série de amigos, mas eles nunca o completavam.

Tinha descoberto, a pouco, em terapia, que quem tem que se completar é ele próprio. Ninguém pode ocupar ou eliminar suas imperfeições. Ele não pode mergulhar em um oceano, esperando ser água.

Então ele fez o caminho inverso. Ao invés de se unir a vários, ele foi se dividindo em seres que unidos, o formavam.

Na primeira noite, ele expeliu de suas entranhas a Mulher Velha: com seu andador, reclamando da vida, da sorte e do destino. Ela tinha a aparência da velha Bruxa do Mar, do Popeye, mas com um toque da personalidade da Hiena, de Hanna-Barbera: Oh azar! E a velha saiu reclamando da dor, da exclusão, da vizinhança e do tempo.

Na segunda noite, ele eliminou de si uma Pequena Fada, que via e pintava o mundo em cores novas. Que deixava tudo alegre, que dançava e fazia tudo ser um sonho, por pura vontade. Alguém que perfumava o mundo de irrealidades cheias de júbilo, onde ela e todos eram felizes sempre, e sempre.

Na terceira noite, ele excretou um Monstrinho Azul gosmento que usava óculos e que tinha uma sede enorme por saber. Saber para discutir, saber para não passar vergonha, saber por saber. E por onde o monstrinho passasse agarrava palavras, soltas ou em conjunto, prosa, poesia e dissertações de até 5 parágrafos. Um sugador egoísta de verborreias.

O quarto ser eliminado dele, foi um gordo Jogador de Xadrez. Um estrategista, um manipulador. Um infame canalha que não se importava em perder cavaleiros, bispos ou rainhas, se o rei alheio fosse derrotado. Uma criatura grotesca que ia fazendo o oponente, ou aliado, sentir que estava vencendo, para ser vencido quando ele quisesse, e assim descartado.

Por fim, sobrara apenas um quinto ser. Um que agora era um pobre e solitário Bebê, querendo colo.

E todas essas criaturas que ele foi deformando, nunca mais se encontraram para ser ele novamente. Ele se descontruiu. Mas quem sabe um dia, um mal absurdo não os juntará novamente, para que ele possa ver seu reflexo novamente e voltar a se reconhecer?

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