LIGA DA JUSTIÇA CONTRA DARKSEID: A RESENHA FINAL !

Ou: “Amadurecer é saber o momento de passar o legado adiante”.

Resenhando Liga da Justiça #6, de Geoff Johns (roteiro), Jim Lee (Desenhos), Scott Williams (Arte Final).  E Carlos D´anda (arte da história backup).

Por Rodrigo Garrit

Este artigo contém spoilers.

A batalha dos recém reunidos heróis ganha novo fôlego quando eles decidem lutar juntos conta a ameaça de Darkseid. Pessoas indefesas são vaporizadas aos montes pelas ruas, e o senhor de Apokolips não parece querer deixar pedra sobre pedra. Ao mesmo tempo, Bruce Wayne parte em busca do Superman, que foi capturado e está sendo torturado pelos acólitos do deus do mal, entre eles, Desaad. Mesmo com seus poderes reunidos, os heróis não são  páreos para Darkseid, que nem ao menos se importa com ferimentos que lhe são causados. A única esperança parece residir na memória digital de Victor Stone, uma vez que absorveu conhecimento sobre Apokolips no acidente que o desfigurou. Cabe ao coração do homem lidar com essa enxurrada de informações alienígenas malignas armazenadas em seu disco rígido interno e usá-la a favor da humanidade. Mas em seu momento de maior desespero, ele será forte o bastante? Ele se importará o bastante? E esses novos e revisados heróis, serão capazes de forjar a liga indestrutível sobre a qual as próximas gerações lembrarão em suas lendas?

Essa edição trás ainda uma história de apoio estrelada pela misteriosa Pandora, onde ela debate com o Vingador Fantasma sua função dentro do universo, e discutem o terrível “poder de mudar realidades” dela… ficam no ar as possibilidades sobre uma possível explicação do reboot ou até mesmo um retorno ao velho universo…?

“Pandora´s Matrix”? Será uma dica sobre as alterações da “realidade”?

Liga da Justiça #6 é um épico vibrante, repleto de ação e adrenalina do começo ao fim. Mesmo diante do iminente fim do mundo, nossos relutantes heróis nunca se rendem, nunca aceitam a vitória do inimigo, pois sua garra e determinação estão além de qualquer limite. Mesmo que o vilão seja DARKSEID, o maior e mais terrível déspota do universo, eles não vão se entregar. Não importa o preço, não importa o sacrifício… pois os SUPERAMIGOS estão de volta… um pouco mais desleixados desde a última vez que os vi no desenho animado dos anos 80, mas ainda estão unidos pelo mesmo ideal de verdade e justiça, combatem bravamente as forças o mal, e no final… contra todas as possibilidades, e sem maiores esclarecimentos lógicos… eles vencem.

Não meus amigos, eu não surtei de vez (desta vez). O que acontece é que essa história realmente é um “capítulo perdido” do desenho animado Superamigos, atualizado para os novos tempos, mas em nenhum momento amadurecido. Quer dizer, só porque você usa linguagem vulgar, não quer dizer que seja maduro. Na verdade é exatamente o contrário. Então, estamos vivendo esses novos e modernosos tempos de evolução, onde personagens clássicos se recriam para atender a demanda de uma nova geração internética, gamer, tecnológica e descolada. É uma batalha desleal… gibis competindo com o futuro. No papel e nos tablets.

Eu me lembro de me sentir dessa forma na primeira mudança efetivamente verdadeira da evolução dos heróis; e vou aqui relatar minha experiência pessoal sobre o assunto, expondo minha intimidade nerd. De novo. Só porque são vocês, e só porque aqui é o Santuário, o único lugar onde isso é possível.

Eu fui uma criança que adorava quadrinhos e desenhos animados. Assistia atentamente os episódios de Superamigos que passavam na tevê, e já tinha essa mania de colecionar gibis, empilhá-los em enormes torres de papel colorido. Os anos passaram e um dia passei por uma banca em que vi uma edição em formatinho do terceiro número de Crise nas Infinitas Terras. Tinha o Super-Homem na capa, com um “S”  esquisito o peito… ele estava numa esteira de metal no espaço, sendo amparado por outro Super-Homem e dois outros que pareciam o Flash. Então eu comprei esse que foi o meu PRIMEIRO gibi de super-heróis, o primeiro de uma respeitável coleção que se seguiria.

Logo de cara, comecei a perceber algumas coisas; aqueles “Superamigos” que tanto gostava existiam também em quadrinhos, e tinham histórias com um tom bem diferente do desenho. Pra começar, não se chamavam de Superamigos, mas de “Liga da Justiça” (apesar de haver uma revista em formatinho chamada de Superamigos, publicada pela Editora Abril, mas as lembranças que eu guardo dela tem a ver com Monstro do Pântano de Alan Moore, Etrigan de Matt Wagner e Novos Titãs de Marv Wolfman e George Pérez… então, penso que os pais que compraram essa revista para os seus filhos acreditando que ela tinha um conteúdo inocente, acabaram inadvertidamente criando uma geração de fãs de quadrinhos da melhor qualidade, uma geração que me orgulho de fazer parte).

Uma coisa sempre foi bem clara na minha mente: Crise nas Infinitas Terras, mudou todo o universo DC para melhor, pois antes as histórias eram bobas e infantis demais… como o desenhos dos Superamigos… mas depois da grande Crise, depois do apocalipse universal, tudo se tornou mais sombrio e interessante. (Claro que essa minha ideia era errada, pois muitíssimas grandes HQs foram feitas no pré-crise, como fiquei sabendo depois). Mas o fato é que na época eu via dessa forma, a renovação, o amadurecimento das histórias, crescendo e entrando na puberdade junto comigo, mergulhando em novas descobertas e aprendendo a ver o mundo com outros olhos. Testemunhei o nascimento do selo Vertigo, com Monstro do Pântano, John Constantine, Os Livros da Magia, Preacher e Sandman.

Aos poucos fui me distanciando dos quadrinhos mais infantis, fiz doações da minha antiga coleção aos mais jovens… esperando que eles encontrassem ali um vislumbre do sonho fascinante que tive. Me tornei um devorador insaciável de quadrinhos de super-heróis, gastava todo dinheiro disponível com isso, torrava toda a minha grana do lanche da escola com gibis.

Eu lia de tudo: Marvel, DC e qualquer outra coisa interessante que pintasse. Com o tempo acabei me distanciando da Marvel e lendo apenas DC e Vertigo, (Ei, eu precisava lanchar de vez em quando!) mas esse erro eu corrigi recentemente, graças a iluminação deste Santuário. E não fiquei apenas na Marvel, abri meus horizontes para todo e qualquer quadrinho de qualidade. O reflexo disso será sentido aqui mesmo no templo, naturalmente.

Até hoje guardo com muito carinho minhas lembranças de infância da Liga da Justiça… que é (na minha cabeça) a evolução, a REINVENÇÃO dos Superamigos depois da Crise. Uma mudança que não parou de acontecer, alternando momentos bons com ruins, mas todos acompanhados de perto por mim.  A Liga cômica de Giffen e DeMatteis, a fase com Dan Jurgens, Grant Morrison, Joe Kelly, Mark Waid, Brad Meltzer, Dwayne Mcduffie e etc… (as ruins melhor nem citar…) então quando todo esse reboot/relaunch começou na DC, algo dentro de mim relembrou aquele momento de mudança da primeira Crise, uma esperança de evolução e amadurecimento. O próximo passo.

Mas é muito complicado criar expectativas sobre qualquer coisa. Quanto as mudanças, procurei aguardar e ler primeiro antes de julgar. Muitas coisas estão me agradando muito e provam que a renovação era necessária. Outras causam certo estranhamento, mas a boa qualidade com que estão sendo tocadas me motiva a querer saber mais. E houve também coisas as quais eu não gostei, ou simplesmente achei desnecessárias. E sobre a Liga da Justiça…

Bem, a Liga precisava mesmo dessa renovação. Como fã, fiquei empolgado com a possibilidade de ver amarradas velhas pontas soltas, atualizadas as lendas, com esse frescor de juventude para competir com as outras mídias da geração internética, gamer, tecnológica e descolada. O que realmente aconteceu. Houve sim uma evolução, o interesse pelos personagens aumentou, é um sucesso absoluto de vendas, as histórias estão divertidas… cheias de ação… e muito coloridas.

O próximo passo que eu esperava, de certa forma foi dado, mas não posso dizer o mesmo sobre o amadurecimento que ocorreu na primeira Crise. A nova Liga é (por enquanto e em essência), uma volta dos Superamigos da tevê… claro, atualizados, internéticos, gamers, tecnológicos e descolados. Esse é o novo começo da equipe, e muita coisa ainda pode acontecer. O que posso dizer, após ler os primeiros números, é que como fã veterano, estou muito decepcionado. Mas, sabendo do sucesso dessa revista, e do alcance dela a um público mais jovem e inexperiente no mundo dos quadrinhos, eu me vejo como era há alguns anos atrás, e em como eu me sentiria se, naquela época, essa revista tivesse parado nas minhas mãos. Então penso que é hora de soltar a respiração, relaxar… olhar com bons olhos aquilo de novo que as mudanças podem trazer. O que eu queria de verdade, o amadurecimento que eu tanto procurei, está em mim, e na minha capacidade de admirar outros materiais que antes passariam batido. A Liga da Justiça sempre vai estar no meu coração, e ainda posso ganhar alguns minutos do meu dia acompanhando suas aventuras. Mas é hora de deixar eles salvarem o mundo de outras pessoas. Espero que a Liga faça pelos mais jovens o que fez por mim, que desperte neles o interesse pela leitura, que motive bons valores de caráter e responsabilidades e que eles os carreguem pelo resto de suas vidas. E amadureça junto com eles.

Há muita esperança para o futuro. A criança que ainda vive em mim está radiante com as possibilidades. Ela está em paz com o adulto pleno que me tornei.  E vou continuar testemunhando tudo isso, por muito tempo ainda, espero. Feliz da vida.

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Publicado em 09/03/2012, em DC COMICS, RESENHAS e marcado como , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 19 Comentários.

  1. Hugo Vargas.

    Adorei o depoimento! Mas realmente não consigo ler estas novas histórias….

    Mas vendo por este prisma, realmente, essa nova geração precisa de motivação, como tivemos na nossa vez!

    Parabéns pelo texto, me fez me sentir menos sozinho com as mudanças! Risos.

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    • Obrigado amigo, acho que apesar dessa revista ter sido feita para atrair um público mais jovem, nada impede que os veteranos possam se divertir e também e outra coisa; não devemos pensar que nesse atual status como inabalável, a progressão natural é que o título tenha um desenvolvimento que alcance e talvez o supere o nível de antes. Nos quadrinhos tudo é possível.

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  2. Mas as antigas histórias sempre vão existir para todos nós! Os SEBOS é que não podem se infantilizar!

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  3. As histórias em quadrinhos de super-heróis, hoje em dia é produzida em foco nos jovens creio eu. Era assim no ínicio, e é assim hoje. O que acontece é que a geração antiga ainda existe e ainda gosta dos personagens que lia quando jovem. O que o Henry falou está mais que certo, os quadrinhos precisam se renovar para um publico mais jovem, é o que o mercado exige. Gostaria de ver realmente histórias mais simples nesse reboot, não estou falando de histórias bobas, mas sim do universo Dc se desenvolver aos poucos, e não voltar a ter uma cronologia complexa vista de fora. O que me preocupa é essa tal de Pandora, que começa a falar sobre realidade, o que me dá certo medo. De qualquer forma espero que a Dc continue com histórias legais para todas as gerações.

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  4. Tirando a versão inicial “clássica” do Gardner Fox para a Liga da Justiça na década de 60 contra o Starro, todas as seguintes foram imensamente superiores e mais amadurecidas: como na época pré-crise (revisitando a raça dos Appelax) sem apelar e com desenhos de George Perez (como sou cretino), depois em Lendas com um John Byrne inspirado e depois com o Grant Morrison (maravilhosa).

    O ponto alto dessa nova versão é associar de vez o legado do Jack Kyrbe (Darkseid e o Quarto Mundo) definitivamente com a maior equipe de heróis DC, ele sim seria a maior ameaça que a equipe poderia ter e se na década de 60, se já tivessem sido criados para a DC, o Fox teria usado sim, acredito. Byrne tentou, e Morrison usou o conceito para rebootar o universo com o Quarto Mundo em “Crise Final”, mas a covardia da DC não permitiu. Então as raízes para essa historia do Geoff johns estavam sendo plantadas desde o fim da primeira Crise, ele só aproveitou a versão do desenho dos Superamigos (a melhor e mais popular), onde já havia o casamento do Quarto Mundo com a Liga (Darkseid queria casar toda hora com Diana, parecia o Le Gambá), aproveitou e inseriu um herói negro amado de verdade pelos fãs, como a Hanna-Barbera já havia tido a sacada genial de usar e nos quadrinhos (e os fãs dos Titãs atrapalhavam o tempo todo o madurecimento dele, eu incluso) e fez um roteiro MASSAVÉIO ( fora isso ele não sabe usar a Mulher Maravilha e nem o Batman). E fora que NUMA edição única do Morrison ou Byrne aconteciam mais coisas que em 6 edições do Lee e Johns.

    O resultado, para nós mais velhos não agrada, mas para os moleques que jogam “God of War” e tantos outros games é legal ver a arte (piorada) mas que é novidade para eles. Johns sabe fazer um arco em seis partes cheio de pontos altos e de verdadeiro deslumbre? Sabe, na Sociedade da Justiça fez isso diversas vezes mas agora,Titãs e Liga são a porta de entrada para os mais jovens, vamos ler Monstro do Pântano, Homem-Animal, Batman do Scott Snider, Domon Knights e Stormwatch que a gente vai se amarrar. Essas revistas (Liga por exemplo, agora) são pra gente apenas se distrair e quem sabe com isso, a gente se diverte? Sem a obrigação de ser um arco da Liga de 96 do Morrison? adorei sua resenha psicológica, do interior da Liga e de você mesmo, Garrit

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    • O Bryne não rebootou a Liga em Lendas. Pelo menos não exatamente.

      E poxa, Victor, como foi esquecer de LJA Ano Um? Minissérie sensacional contanto a origem do grupo feita pelo Mark Waid? Essa era uma mini muito boa e eu tenho ela completa na versão que saiu na Melhores do Mundo da Abril (comprei nos sebos e por um preço até bacana hehe)

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      • Verdade, S.P., eu esqueci do fera Mark Waid e o “Ano Um” dele, mas em minha defesa digo que apesar de bem escrita e desenhada não teve o impacto icônico que a minissérie Lendas ou o primeiro arco do Morrison. Bem lembrado por você, o Mark Waid!!! (o velhinho bom!!!) vou ajoelhar no milho agora e só volto com aresenha de Omac e Fabulosos…:)

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  5. Olha, acho que o título está fraco mas não porque é “infantil”. Esse termo tem sido muito usado como forma de se referir a material ruim de forma pejorativa, mas acho incorreto. Existe material infanto-juvenil que supera o dito “amadurecido”.

    Voltando a Liga, só vi até o 4 e achei ruim. Necessário para a proposta do Relaunch, mas ainda assim não foi bem o que eu esperava. Com certeza, deve ter algo a ver com o aparente desgaste do Geoff Johns que está dando sinais de que precisa de umas férias.

    De qualquer forma, nem tudo está perdido: gostei muito da introdução do Ciborgue na equipe. É um personagem que merecia um lugar no grupo a anos.

    Em tempo:

    http://osantuario.com/2012/03/09/liga-da-justica-contra-darkseid-a-resenha-final/justice-league-garcia-lopez/

    Até pouco tempo atrás, eu usava essa imagem como wallpapper hehe

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  6. “Então penso que é hora de soltar a respiração, relaxar… olhar com bons olhos aquilo de novo que as mudanças podem trazer.” Excelente reflexão Garrit! Ainda não li nada dessa nova fase, além dos comentários, mas acredito que essa nova versão (agressiva e de poucas palavras) seja um passo sim pra novos leitores e com certeza abre portas pra novas histórias. Óbvio que como leitor veterano senti na pele a raiva pelo fim de tudo o que eu era apaixonado. De personagens à histórias… Deus sabe quanto sinto falta da Donna… Minha Renatchinha preferida… Mas não posso ignorar novas possibilidades! O novo assusta pelo simples medo de nos decepcionarmos com os heróis. É preciso ler essas novas histórias sem o véu do preconceito dos nossos dogmas particulares. Parabéns chegado!

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