O.M.A.C. #7 – Os embalos de sábado a noite todos os meses para você!

Por Venerável Victor “Nascido no terceiro Mundo” Vaughan

Resenha sem spoilers – sim é possível, as vezes gosto de fazer.

Considerando que a arte de Keith Giffen (desenhista e co-roteirista) para O.M.A.C. obviamente é um tributo ao grande Jack Kirby, se existir alguma justiça nesse mundo, nós vamos descobrir que os desenhos a lápis de Giffen para o rosto do Super-Homem no início dessa edição foram redesenhados por cima, por Rob Liefeld.

Atualmente e para falar a verdade, desde o início dessa série, eu só venho acompanhando essa revista por causa disso, pela homenagem a cada painel de Giffen para o “rei’Jack Kirby e as referências colocadas ali em cada página, da obra de Kirby, pelo avatar dos infernos Dan Diddio (co-roteirista e sem noção). E isso não é uma coisa ruim, O.M.A.C. vem, desde setembro do ano passado, sendo várias coisas na vida das pessoas: o título que Diddio escolheu para brincar de roteirista e aparecer ainda mais – como o Miguel Falabella faz com as narrações das novelas que escreve – , algo que da vontade de deixar de ler, uma revista agressivamente retro, deliberadamente esquizofrênico no recurso de pular a cada edição de uma situação absurda para outra situação absurda, mas também foi um dos títulos que tentou ser fiel – e foi um dos que conseguiu – com a premissa de entreter sem grandes compromissos com a qualidade, de toda a leva de novas revistas DC.

Lógico que Diddio e Giffen se empenharam em não fazer o mínimo de esforço de raciocínio para nos levar de uma edição para a outra. A formula era simples e manjada: O Irmão Olho transformou Kevin Kho em O.M.A.C. e logo em seguida Maxwell Lord e o Checkmate começam a persegui-lo. Organização essa que ultimamente só servia como desculpa para trazer a cada mês um novo “cara” para encher a cara do O.M.A.C. de porrada, sendo o Super-Homem a bola da vez. Mas nosso herói de poucas palavras – ou na verdade sua versão humana e mais interessante – passam a maior parte dessa edição com um gato falante enquanto o Super-Homem…putz! Parece que teve a cara arte-finalizada por Liefeld.

Eu reconheço que isso parece ridículo, mas é ridículo mesmo. Os roteiristas – sim, e olha que essa revista tem dois – colocam seu personagem numa luta com o Super-Homem – com aquela armadura ridícula, sou feliz pela falta da cueca por cima da calça, mas a armadura podia morrer – e depois dedicam um tempão em uma batalha com um bando de figurantes do filme “A Ilha do Dr. Moreau”. Mas essa não é uma luta qualquer! Ela é repleta de máquinas inspiradas nos conceitos visuais de Kirby e que parecem ter sido pirateadas de Apokolips, com animais gigantes pisando em um bando de criaturas de Deus. Essa revista é exatamente como um gibi de 1973, que podia ser comprado nas bancas de jornais e editado pela RGE ou Abril (minha fase), a única coisa que falta ali é a propaganda do Instituto Universal Brasileiro!

Também diria que o traço de Keith Giffen é único, se não fosse ali o traço de Kirby, imitado por Giffen, mas funciona bem pra caramba. A “velha escola” dos quadrinhos fede nessa revista toda, desde o desenho das máquinas e equipamentos com assinatura de Kirby até seus personagens do Quarto Mundo, fazendo aparições a cada capítulo, no caso aqui, do Simiano. Para alguém que cresceu lendo quadrinhos na década de 70, essa revista deve ser uma benção de pura nostalgia. Como os fãs do filme Tron devem ter sentido com esse novo filme nos cinemas.

Essa é uma revista muito, mas muito difícil de recomendar para alguém ler. Fiz isso uma vez para um colega – xiita e inflexível como adamantiun – e depois li umas quarenta e cinco linhas de reclamações em uma rede social, escritas por ele e dizendo o quanto se arrependeu de ouvir a minha sugestão. Mas o principal motivo, afinal a opinião dele é apenas dele, claro, é que no mês que vem a revista será cancelada. Mas se vocês devotos tem um fraco por quadrinhos dos anos setenta como eu tenho, essa, assim como as edições anteriores de O.M.A.C. foram, representam uma viagem sem grandes compromissos e uma diversão leve. E se você for um leitor com mais de quarenta anos, ou assim como Vandal Savage, um cro magnon que já viu de tudo nessa vida, esse mês nossas editoras grandes estão com um cardápio variado de nostalgia para entrete-lo, desde a Marvel , voltando a investir no desenvolvimento da velha amizade do Homem-Aranha com o Tocha-Humana até aqui na DC, com a penúltima oportunidade de beber um pouco do saudosismo na obra de Kirby.

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Publicado em 13/03/2012, em Sem categoria e marcado como , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 5 Comentários.

  1. Não precisava ser o conceito do Greg Rucka e ter milhões de OMACs pelo mundo … e nem o conceito futurista do Jack kirby, que também era muito melhor, mas fazer desse personagem um “Débio Mental” (desculpem os que forem , nada contra) mas não torna a revista interessante, pelo contrário, a DC faz besteira vira e mexe, vide MEU CASO!!!!

  2. Sou totalmente leigo em relaçao ao OMAC… Só acompanhei mesmo aquela saga antes da Crise maaaaaaas nem tem nada a ver com esse ai né?
    Gostei do texto porque me colocou a par um pouquinho desse Neymar de cabelo azul

  3. Morri de rir com a primeira imagem da resenha… “I’m OMAC!”…e o Superman : “” Ok, ok, and I’m Superman!” UAAAHAUHAAAHA, esse cara absurdo do Diddio sacaneia o próprio trabalho…

  4. Fred Bastos

    Eu sou leitor da velha guarda, me considero assim porque lia quadrinhos na década de setenta. É até engraçado que muita gente que estiver acompanhando essa revista vai achar que o roteirista tá inventando uma infinidade de conceitos não é? 90% disso tudo é Jack Kirby e pérolas da década de setenta! kkkkk Verdade, sinto uma leve nostalgia, apesar do desenhista se esforçar para homenagear o traço do cara, pra mim que acompanhei ali, cara a cara a arte dele, do original mês a mês é difícil de engolir, mas ele acerta na maioria das vezes. Agora…. as cores…essas nem nos melhores sonhos da galera da DC e outras editoras dessa época saudosa poderiam sonhar, os recursos hoje a disposição são espetaculares, eu babo nas cores e alguns efeitos desse novo OMAC por exemplo. Li em algum lugar que o OMAC vai continuar aparecendo por aí nas outras revistas da editora, tomara, já existe o Etrigan aí, temmos agora o Darkseid oficialmente relacionado com a origem da nova Liga, quanto mais personagens do “rei” melhor mesmo.

  5. OMACativar!!!!

    É galera, meu gigante nanotecnológico de moicano ta no fim das suas aventuras, mês que vem acaba, vamos curtir enquanto dá, fazendo sempre aquele exercício zen de abstrair a presença nos roteiros do Dan Diddio e lembrando do esforço do velinho Giffen de nos envolver com a magia do universo visual e temático do Kirby.Por ele que acompanho (afinal não acompanhei os quadrinhos na década de 70, só se fosse da colônia espiritual, Nosso Lar) AVE KIRBY!

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