Distopia – Parte 1 “Jogos Vorazes”

por Letícia Fiuza

Olá Santos e Devotos!

 Já tem algum tempo que estou com vontade de escrever sobre um assunto que tenho visto em voga ultimamente em alguns livros, não que a idéia seja nova, não, ela já tem sido usada tem um bom tempo por escritores conhecidos, como por exemplo, George Orwell, entre outros.

Decidi fazer essa série de posts depois que percebi que tanto a Utopia quanto Distopia atraem demasiadamente o imaginário.

Distopia.

 O que seria isso? Uma doença? Ao que descobri em minhas muitas pesquisas, sim, também pode ser uma, mas como aqui somos todos santos e devotos, estamos imunes a essas coisas terrenas, então vamos ao significado que realmente interessa:

“Distopia ou antiutopia é o pensamento, a filosofia ou o processo discursivo baseado numa ficção cujo valor representa a antítese da utopia (perfeição) ou promove a vivência em uma “utopia negativa”. As distopias são geralmente caracterizadas pelo totalitarismo, autoritarismo, por opressivo controle da sociedade. Nelas, caem as cortinas, e a sociedade mostra-se corruptível; as normas criadas para o bem comum mostram-se flexíveis. A tecnologia é usada como ferramenta de controle, seja do Estado, seja de instituições ou mesmo de corporações.”

É focado nessa definição de Distopia que durante alguns “posts” falarei sobre livros que retratam esse ambiente, e começarei por “The Hunger Games” ou “Jogos Vorazes

Imagine que todos aqueles avisos sobre aquecimento global que ouvimos acabam por se concretizar e nosso mundo passa por desastres naturais tão severos que somente uma parte da população sobrevive. Passados algumas centenas de anos, em um futuro de um mundo em recuperação dessas catástrofes é que é narrada a história de Katniss Everdeen e os Jogos Vorazes.

Depois dessas catástrofes os sobreviventes se reuniram numa nova nação, onde antes existia a América do Norte e é chamada Panem. Formado por treze distritos comandados com mão de ferro pela Capital.

Um desses distritos inicia uma rebelião contra a Capital pelas condições em que viviam. Porém, não conseguem seu intuito e se antes a forma de governar era ruim, a partir disso, fica pior. Muito pior.

Como represália pelo levante, todo ano, cada distrito é obrigado a enviar um menino e uma menina entre 12 e 18 anos como tributo à Capital, para participarem dos famosos Jogos Vorazes.

As regras dos Jogos são simples: Os 24 tributos são enviados para uma arena montada especialmente com vários desafios e armadilhas e lá terão de lutar entre si até a morte, pois apenas um poderá sair com vida.  E tudo isso é televisionado 24 horas por dia durante toda duração do jogo, num reality show macabro. (O “Mito de Teseu e o Minotauro” serviu de inspiração para a nação de Panem)

 E para que a punição seja ainda mais cruel, o governo da Capital faz com que os cidadãos dos Distritos comemorem o dia da Colheita – o dia em que os tributos são “escolhidos” –  como se fosse feriado, como mostra da impotência que eles tem diante do poder central.

Toda a história mostra de forma clara uma critica a sociedade moderna, desde os costumes bizarros de modificação corporal, como o desperdício de comida e água, além da banalidade da vida humana, para a diversão publica.

O nome Panem foi tirada do ditado romano “Panem et circenses” ou Pão e Circo, pois as pessoas da capital aceitam essa barbaridade dos Jogos como se fosse uma coisa muito normal, e é bem como o ditado: Pão e Circo e ninguém vai se importar com o que é realmente importante. (Às vezes eu fico pensando se o Carnaval não é um exemplo disso…)

Os jovens são tirados de suas famílias, são montados, transformados, vestidos ou despidos, são apresentados ao público como mercadoria. Objetos belos, fortes ou fracos, feios e com isso, conseguem os torcedores, ou patrocinadores. E na verdade isso mais é como nas rinhas de galo, cão, que seja, onde se escolhe o seu vencedor e o perdedor.

Tudo que importa é a imagem e é ai que a escritora Suzanne Colins mostra mais uma vez a que veio, definindo os contrastes dos cenários de sua história. Enquanto nos distritos, as pessoas trabalham sob quase regime de escravidão e constantemente morrem de alguma doença comum ou fome, a Capital é abastecida regularmente do bom e do melhor, onde  o desperdício e a futilidade imperam, dentre outras coisas.

E uma das coisas mais interessantes é que os jovens escolhidos não são transformados em super heróis honrados e cheios de ética ou vilões sem escrúpulos. Entrando na arena, cada um vai precisar lutar pela sua vida seja como for e quando se diz “como for” todas as formas mais cruéis podem ser apresentadas.

Cada momento na arena é televisionado. Transformam tudo num grande show, onde os tributos destinados ao sacrifício passam por todo tipo de tortura para que o programa seja atrativo ao publico. O livro explora pontos ambíguos relacionados à violência e os efeitos dela nas pessoas.

Jogos Vorazes é uma trilogia (Jogos Vorazes, Em Chamas, A Esperança) e no dia 23 de março chega aos cinemas.  Os livros foram muito bem aceitos, angariando fãs por todo canto do mundo, o que gera certo temor quanto ao filme, devido a vasta experiência que temos com adaptações, mas por enquanto é esperar.

A palavra que eu usaria para definir a idéia geral da Trilogia é Sacrifício. Desde as primeiras passagens entendemos que o sacrifício é algo presente na vida de cada pessoa dos distritos, e principalmente ligado à personagem principal, Katniss, que até mesmo sua ida para arena é decorrência disso. Os motivos são inúmeros, sacrifício pela sobrevivência, por um bem maior, por amizade e por amor. Principalmente por amor e não estou me referindo ao amor romântico apenas, não, é o amor incondicional.

E o melhor de toda a série é que quando chega no final reconhecemos nos personagens “pessoas  reais” que depois de passar por tantas coisas trazem consigo marcas, cicatrizes tão profundas que mesmo sendo possível se aprender a lidar com elas, não deixam de existir.

De um ponto de vista pode se dizer que “as coisas acabaram” de fato bem, mas e o custo que foi pago valeu a pena?

No próximo post sobre livros e distopia, falarei sobre a trilogia “Feios, Perfeitos e Especiais”. 

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Publicado em 19/03/2012, em BAR DA BARDA e marcado como , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 17 Comentários.

  1. Verdade li o seu post no aeroporto e chagando em Miami e a entrada das livrarias era so Suzane Collins. E mais uns livros-suportes sobre as regras do jogo, os distritos de Panem, livro-foto dos “tributos” super merchandise literario. So uma coisa… nunca pensou em mudar o titulo da sua pagina. Po! gringo da uma pescozada no q to lendo, ve aquele simbolo da aguia-nazista a palavra Reich e ja me olha torto.

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    • Leticia "Nimphadora" Fiuza

      A pagina não é minha, sabe, ela já tava aqui qdo cheguei, é que pela descrição da sessão, meus posts cabem nela, mas sua dica será enviada aos superiores XDDD

      Já viu o filme? XD

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      • Ja. Muito bom por sinal. Se nao vier a sequencia, a historia daquele evento ja se fechou. Imagino que com u sucesso que esta fazendo vao dar sequencia na trilogia. Nota: li no Popcorn Kunkie (http://wp.me/pfVql-uk) que existe um filme cult japones chamado “Battle Royale’ com uma ideia muito parecida aos jogos do filme.

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        • Leticia "Nimphadora" Fiuza

          Então, vai ter sequencia sim, roteiro já está sendo preparado e dps do sucesso de bilheteria, não resta duvidas (record em fim de semana de estreia e coisa do genero)

          Batle Royale, só tem de semelhante o lance dos jovens serem forçados a se matar, mas a temática e ideia é bem diferente. Não tem como te explicar com poucas palavras, seria mais vc ver ou ler sobre, mas o mote de JV é muito mais interessante e digamos, chocante. =)

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  2. BAcana essa abordagem, me abriu os olhos para essa franquia. Achei o Trailler legal, mas a abordagem parece bem mais profunda do que parece. Parabéns pelo belo texto.

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  3. Muito boa a matéria.
    Não sabia da existência desse livro, até surgirem as primeiras notícias sobre o filme.
    A história parece ser interessante.

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  4. Massa, li um pouco do primeiro livro e gostei apesar de ser em primeira pessoa. Estou meio sem tempo(R$) pra conseguir a trilogia agora, mas está na minha lista hehe.
    Eu também gosto de histórias assim, até estou trabalhando em uma história nestes moldes de futuro distópico. E outra coisa, pra mim o carnaval é com certeza algo feito para desviar a atenção do povo do que realmente importa.

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  5. Essa história é muito legal, provavelmente vou acabar fazendo o caminho inverso, vendo o filme primeiro nesse caso, o que sei que é bom para quem vai ver o filme mas péssimo quando você vai ler o livro….

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  6. Confesso envergonhado que não li os livros, mas agora com esse incentivo, vou correr atrás do prejuízo… Letícia, você é puro adianto na vida das pessoas! Bjs!!

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  7. Fred Bastos

    Jogos Vorazes é um livrão, se o filme for metade, vamos todos nos divertir horrores, Que venha a segunda parte do seu ensaio, moça.

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  8. Nossa, esse é um filme que eu aguardo a um tempinho (não li os livros) mas já tinha me informado da trilogia e do barato que é a série.Por alguma razão não clara eu acredito que o estúdio que fez, acertou bem a mão na versão cinematográfica. Mentira!!!Eu vi o trailer e gostei…. não sou vidente nem Pai tratador de macacos.

    Meu filme preferido de distopia é “Planeta dos Macacos” apesar de que Matrix e Equilibrium também tenham um lugarzinho no meu coração.

    Vou buscar ler esses livros da Suzanne Collins, é quase obrigatório para quem se encanta com o tema Utopia/Distopia e para quem se interessar, aproveito essa dica maravilhosa da Bruxinha Letícia e indico também do Ira Levin (autor do “O bebê de Rosemary”) o livro :” Esse mundo perfeito”. Foi uma viagem maravilhosa a outro futuro distópico, indicação e cortesia de meu macaco 1. Outra criatura distópica.

    Parabéns, Bruxinha!

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    • Leticia "Nimphadora" Fiuza

      Anotado! Eu gosto de assuntos assim. Decidi começar essa série com uns livros mais recentes e dps outros um pouco mais antigos. Quem sabe não encaixo “Esse mundo…”

      E o filme parece que vai ser legal, mas os livros são muito, muito bons! Se quiser, tenho pra emprestar =D

      E brigada *-*

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  9. danamartins

    Muito bom o texto :D Vou ficar de olho pra ver os próximos *-* eu quero ler Feios, tá até aqui na estante. vai ser um dos próximos

    E adorei você falando sobre sacrifício, eu ainda não tinha visto com essas palavras. Eu já costumava dizer e até vi a Suzanne Collins falar que o objetivo dela é mostrar o efeito nas pessoas, a realidade. E acho que grande parte dessas mudanças é por causa desses diversos sacrifícios pelos quais a pessoa passa. Muito bom mesmo :)

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    • Leticia "Nimphadora" Fiuza

      Pra mim desde que eu li a 1ª vez, veio isso, Sacrifício. Tudo que ela teve de fazer, viver, foi em prol do bem de outros, e mesmo assim, nem sempre deu certo, né?

      Assim que eu postar sobre “Feios, Perfeitos e Especiais” eu aviso =D

      E obrigada =D

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  10. Texto foda, como sempre.

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