Por Rodrigo “Inspirado” Broilo
Não demora muito para Belo Horizonte conquistar seu gosto.
Morando nas redondezas a pouco mais de um ano, vindo das terras gaúchas, eu já não me sento mais tão estranho andando pelas ruas de BHZ.
Assim como o povo mineiro, meio desconfiado no início, ela logo em seguida faz você querer estar aqui.
Claro que vindo de uma temporada de pouco mais de dois anos em Porto Alegre, conviver com BH, que é muito maior e mais lotada, torna-se um desafio. E por mais que eu sempre vá sentir falta de um bom passeio pela Redenção, um domingo andando pelo Brique ou uma “ceva” (Polar, lógico!) beeeeem gelada na República, as cores de Belô já me atraem.
E, se bem acompanhado, o circuito de cultura daqui te pega “facin”, e “di cum força”. E nem to mencionando o FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos, que rolou aqui ano passado, e volta ano que vem). E menos ainda falando dos museus da Praça da Liberdade, ou dos espetáculos do Palácio das Artes ou mesmo das intervenções que ocorrem na Praça da Estação. Eu to falando do circuito alternativo. Aquele que você só fica sabendo no boca-a-boca ou no papelzinho xerocado. Pode ser uma Virada Cultural no Mercado das Borboletas ou um duelo de MC’s embaixo do Viaduto Santa Tereza.
Em andanças como essa, me “espraiando” pela cidade, cheguei ao Gruta, onde conheci a revista “Experimenta com Prosa”, em sua segunda edição, e me deparei, em suas páginas com Lacarmélio Alfêo de Araújo.
Mas se você perguntar por Celton, fica mais fácil. Nascido em Itabirinha, Lacarmélio iniciou no inicio da década de 80 a desbravar, independente, o árduo mundo dos quadrinhos. Ele criou o herói Celton, nome que hoje se confunde com ele próprio. Ele criava, elaborava, diagramava, publicava e vendia suas revistas. E embora tivesse diferentes títulos e personagens, Celton é que vingou.
O cenário de suas histórias? BH. Contando no papel histórias misturadas com a História e as lendas da cidade – caso da Loira do Bonfim, que segundo me contaram da lenda é uma mulher que ronda o Cemitério do Bonfim, atraindo homens e os matando – ele sai as ruas com placas de “Leia Celton” pelas principais ruas da cidade. É uma lenda viva. Até livro sobre esse cidadão honorário da cidade, já fizeram.
E o que move um homem assim a se dedicar a todo o processo de criação de uma revista em quadrinhos? Paixão. Nada além de amor a essa arte. E todos nós sabemos do “tantão” de Celtons e Lacarmélios que estão espalhados por esse país, acreditando em seu trabalho, lutando em um mercado independente, pelo simples prazer seu levar adiante seus heróis e suas histórias.
A todos eles, rendemos aqui esse humilde e simples tributo, com a mesma dedicação que todos esses artistas batalhadores merecem.
Quanto a Celton, pretendo conhecê-lo por essas esquinas em breve e “si pá” conseguir um autógrafo.








