MULHER MARAVILHA & LIGA DA JUSTIÇA – A primeira criança de Themyscira e o último filho de Kripton

Por Venerável Victor  “Macaco Malhado”  Vaughan

“A Terra se apaixonou pelo céu. O primeiro ato de toda a criação foi um de completa, envolvente paixão. A Terra e o céu fizeram amor”

                                                                            Mulher Maravilha #139

Liga da Justiça : Um por todos

escrita e pintada por Christopher Moeller

Da série da DC comics “Elseworlds”, aqui batizada de “Túnel do Tempo”, com vocês uma das minhas favoritas descrições da Mulher Maravilha já feita nos quadrinhos. Essa é uma história da Liga Da Justiça mas Diana é o coração, a alma e a espinha desse conto (além, claro, de ser o personagem principal); e figura não apenas como heroína, mas principalmente em seu papel de amiga e princesa. Você aqui tem todos os temas que definem essa personagem ao longo de sua criação na década de quarenta pelo psicólogo, celebridade, escritor, inventor e poliamante Willian Moulton Marston: amor, busca pela paz, esperança e amizade, até mesmo no momento que a história aborda traição, isolamento, orgulho, medo e morte.

O milenar oráculo de Delphos profetiza nada menos que a morte da Liga da Justiça quando uma antiga semente maligna do mundo, a última Rainha-dragão aprisionada há séculos numa montanha da Europa, desperta e espalha caos e destruição pelo planeta. A profecia conta que os heróis mais poderosos da Terra irão enfrentá-la e morrerão todos. Para impedir a morte de seus amigos, Diana decide enfrentar a criatura sozinha.

Moeller estabelece para os leitores quem Diana é como pessoa. O escritor nos mostra a  relação da amazona com seus aliados e como ela se enxerga. Ela tem o respeito e a confiança de seus amigos e ama seu lar. Ela é uma princesa e uma heroína que muitas vezes sente todo o peso do mundo em suas costas, mas ainda possui uma alma leve, solidária, gentil, otimista e alegre.

Um dos mais belos e icônicos painéis dessa revista é quando Diana envolve a si própria em seu laço mágico da verdade e encara frente a frente seu “eu” interior. Ela não se dá ao luxo de mentir para si própria. Pois precisa lidar com a verdade e seus maiores temores se deseja seguir o caminho da guerreira da paz ao invés da que provoca a guerra.

Diana usa sua inteligência e treinamento para individualmente derrotar ou imobilizar cada um dos integrantes da Liga da Justiça e assim tirá-los do caminho, com isso podendo enfrentar a dragonesa Drakul Karfang, sozinha. Ela acredita que a Liga da Justiça é um ideal que pode ser representado por um único integrante. Dessa forma ela pode desafiar essa profecia e livrar seus amigos de uma morte certa.

A maneira como a Mulher Maravilha derrota cada um dos integrantes de sua equipe é genial e mesmo após imobilizá-los se sentindo mal por tê-los traídos, ela faz isso com habilidade e determinação. Mas é seu confronto com o Super-Homem o momento de maior dificuldade e dor para ela.

Moeller nos deixa claro que a Mulher Maravilha e o Super-Homem tem um tipo de relação diferente do que Diana tem com os outros integrantes da Liga. É claro que ali existe um profundo entendimento por parte um do outro, além de respeito e carinho incondicionais. Isso é visto na forma como a batalha entre eles começa e termina. O que pode ser contrastado na forma como Batman brinca com a herança guerreira de Diana e demonstra o tempo todo desconfiança da colega, ele percebe que a amazona está escondendo alguma coisa, mas tenta retirar a informação, provocando Diana para que ela cometa um deslize e se abra. Enquanto Clark, sabe que algo está errado no momento que ela o ataca, mas apenas se preocupa em saber o porque que ela está sofrendo e quer a todo custo ajudá-la. Ele em nenhum momento faz pouco caso dela ou a julga levianamente. E no final, faz o que ela sabia que iria fazer. Diana o conhece muito bem, também.

Drakul Karfang tem uma tonelada de personalidades, além de ser arrogante e cruel  – sua linguagem corporal foi inspirada na cadela do autor – e toda a arte de Moeller é de uma beleza singular, existe uma verdade nas expressões faciais da criatura, o que não é fácil de mostrar nesse tipo de antagonista.

Psicologicamente Diana foi retratada de forma perfeita: ela é inteligente, sensível e poderosa; pintada como o reflexo da perfeição e pureza. Apesar de que em vários momentos ela nos prova que não é tão perfeita e pura como o mundo a vê. Sua alma de guerreira é sua parte pragmática e ela fará o que tiver que fazer, mesmo que isso signifique sacrificar o que de mais sagrado ela tem nessa vida: a confiança de seus amigos.

Sem precisar estragar as surpresas da batalha final dessa linda história,  Diana derrota o dragão, colocando na linha de fogo sua própria vida e dessa forma cumprindo a profecia. Mas talvez o destino caprichoso não contasse com o fato de que a heroína que derrotou a semente do caos fosse alguém com os poderes de uma semi-deusa. E a morte não consegue colocar suas garras em nossa maravilhosa guerreira. A expressão do Super-Homem fala por si só, nesse painel onde ele implora para que Diana continue lutando, dessa vez para vencer esse novo inimigo.

Os dois próximos painéis são apenas a ponta do iceberg do quanto esses dois personagens, Clark e Diana, significam um para o outro. Os outros parecem esvanecer no fundo da imagem, enquanto o kriptoniano confronta a amazona sobre sua traição.

Ao fim do conto a dupla entende que, mesmo agir de formas muito na defesa do mundo, todos valorizam as mesmas coisas: amor, família, amizade… o que faze a vida valer a pena.

Não posso deixar de citar um dos grandes baratos dessa história, as ninfas Althea e Zoé, além do impagável gnomo Elmen. Não seria nada mal ter esses três mais uma vez serem explorados no mito da Mulher Maravilha no futuro.

“Super-Homem – Você percebeu o quanto perto de morrer você esteve? Sozinha? Você imagina o que isso resultaria para a Liga, para mim?”

“Mulher Maravilha – E se você estivesse em meu lugar? O que você teria feito? Kal…Clark…Superman…me responda!”

“Eu teria morrido lutando ao seu lado, Diana.”

Eu tiro meu boné para Christopher Moeller! Por que a DC não investe num artista como ele para nos brindar com mais histórias apaixonantes, com a amazona mais poderosa e amada do mundo?

Christopher Moeller vem trabalhando como pintor e roteirista na indústria de quadrinhos desde 1990; em 1996 foi o criador da revista mensal do universo Star Wars: “Battle of the Bounty Hunters” na editora Dark Horse. Além de seu trabalho para a nona arte, é responsável por inúmeros posteres, álbuns de arte, cartões de personagens e conceitos visuais para diversos filmes. Para quem quiser ver muito mais de sua virtuosa arte, clique aqui.

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Sobre O Santuário

EU SOU A FONTE!

Publicado em 22/03/2012, em Sem categoria e marcado como , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 27 Comentários.

  1. essa historia pra mim é como se o J.R.R Tolkien tivesse escrito uma hq da liga bwahahahahhaha roteiro e arte geniais, gostaria muito que saisse uma animação dessa historia :)

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  2. Bravo! Bravo! Linda historia, e eu amo a Mulher Maravilha! Primeira pin up da historia.
    Delicia quando os autores humanizam os herois. E Vc meu querido esta de parabens mais uma vez.

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  3. Parece que o comentário que fiz antes caiu nas frestas dos códigos e padrões sequencializados da web :)
    Gostaria então de tentar repetir, mais ou menos, a idéia do que havia falado anteriormente:
    É difícil ver artistas completos tão refinados e competentes em texto e traço. Esse é um dos casos. A versão de Mulher-MAravilha proposta por ele é uma Mulher real sem seis gigantes, sem gostosura descomunal… é o visual comum de uma mulkher simplesmente bonita que fica maravilhosa pela força de seu caráter, sua coragem e atitudes:)
    Sò achei fraco o visual do Aquaman e do Lanterna verde que são frutos da modinha de mudança de uniforme pra alavancar venda:)
    Desculpa se me estendi no comentário.

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  4. Putz, estava lembrando dessa mini hoje!

    Pior que eu ia comprar quando fui em um sebo mas acabei esquecendo <_<

    Espero ter uma chance de corrigir esse meu erro :(

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  5. Uma história lindíssima mesmo… casamento perfeito de texto e arte inspiradíssimos. É a Mulher Maravilha do jeito que tem que ser!
    Parabéns pelo artigo, Victor!!!

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  6. Paulo Joubert (Pejota)

    Uma belíssima história que, depois que eu li esta matéria, irei reler com certeza! Os elementos que atraem o leitor de super-herói são muito bem explorados: heroísmo, sacrifício, pitada de fantasia, magia,… Arte pintada maravilhosa. Parabéns, VVV, ótima lembrança! Outro dia, procurando por umas revistas para comercializar, deparei-me com este exemplar, facinho de acessar para minha releitura…

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  7. Classico!

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  8. Eu amo essa história! E eu sou muito suspeito pra comentar algo sobre a Diana! ela é a minha personagem favorita! Belo texto! valeu pela lembrança Victor! :D

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  9. Essa revista e história são lindas! Como é que pode a DC não utilizar mais vezes um talento como esse em outras publicações, nem que fosse uma vez ao ano. que arte maravilhosa! E o sujeito ainda escreve! Fiquei fã desse Moeller, aliás na Marvel nós temos um virtuoso que nos brinda a cada mês com belíssimos quadrinhos, agora no universo Ultimate, o Esad Rabic, quem não conhece…conheça!

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  10. NUSSSS….TOPISSIMO… CORAJOSA EM ENFRENTAR A DRADONESA SOZINHA PARA POUPAR SEUS AMIGOS……A BRIGA DOS DOIS ELA E O SUPERMAN FOI EMOCIONANTE…RSRS……CURTI PRA CARAMBA!…

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  11. A Mulher Maravilha é uma ótima personagem, é estranho pensar que um dia a DC pensou em cancelar o seu título solo.
    Alias a arte de Christopher Moeller é maravilhosa!

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  12. Eu tenho esse arco e aí a Mulher Maravilha está ao mais alto nível!
    Como figura icónica, ela não deixa cair uma linha! A estória é fantástica e a arte de ter de puxar o queixo para cima com a mão!
    Este arco é um dos imperdíveis desta heroína! Clássico! ;)

    Abraço

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  13. Perfeito!
    Perfeito!
    Perfeito!
    Só digo isso!

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  14. Sim, essa é para mim uma das melhores histórias de minha irmã Diana, a fase de Greg Rucka , também me agrada muito, porém não tinha desenhos compatíveis com os roteiros maravilhosos.Já a de Perez, principalmente o primeiro ano é , me perdoem o trocadilho, maravilhosa!

    Love in the multiverse for all of you!

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  15. Fred Bastos

    Grandes heróis são definidos por grandes antagonistas…a Mulher Maravilha nunca teve no seu panteão de inimigos um grande rival: Ares, Cheeta, Giganta, Dr. Psyco….não! !!!E olhem só, que grandes arqui-inimigos Super-Homem e Batman tem dezenas (Lex Luthor, Coringa, General Zod, Ras Al Ghul, Brainiac,Duas-caras) ou filmes marcantes, como ambos já tiveram em épocas diferentes (Super-Homem no passado e Batman agora com o Chris Nolan) Mas ela que nunca teve nada disso (fora a série de TV da década de 60) ainda consegue ser tão icônica e insubstituível no imaginário humano como nunca, imagina então se ela tivesse tido tudo isso!

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  16. história fantástica! na arte e no tema. não li o texto todo (q me pareceu levemente spoiler.. rs) e nem as 20 paginas postadas aí pq espero ler a hq completa um dia desses. Saiu no Brasil pela Mithos, né?! vi no submarino em partes um e dois, mas indisponível. uma obra como essa vale a pena ter impressa! grande post mr vaughan!

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    • Nobre Artmann (o rapaz com arte no nome) como por TUPI eu posso fazer spoiler de uma história lançada há mais de dez anos atrás aqui no Brasil ainda (lá fora antes) ??? Apesar da série se chamar aqui de “Túnel do tempo” nem se você entrasse em um agora, daria pra ser… :) Aliás… eu tenho ela impressa! Eu tenho impressa!!!! Foi a Mithos sim, brother.

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  17. Eu li esta revista, e vou dizer…. É FENOMENAL ! Sou fã da mistura de quadrinhos e tinta óleo desde os tempos de Elektra Assassina, e confesso que, apesar de não ser fâ de DC, AMEI a forma como a Mulher Maravilha foi retratada (ou pintada?) nestas opáginas. Além disso, é a publicação que trouxe a melhor expressão do Super-Homem já vista na Terra e em Krypton!

    Mil salvas de palmas para o Santuário e para aqueles que fazem dos quadrinhos algo delicioso de se curtir em qualquer idade.

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  18. Uma obra prima, sem sombra de dúvidas. Poucos autores conseguem aflorar uma relação tão complexa e intensa quanto C. Moeller. Faço coro com o autor, aguardando mais trabalhos assim, cada dia mais raros.

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  19. Linda matéria escrita por um lindo escritor para uma linda personagem e para uma linda história!

    The League of One retrata a Diana em sua verdadeira essência, uma guerreira estrategista que tem que contrabalançar o fato de ser uma pacifista e uma princesa. Suas escolhas nunca são fáceis, tudo tem um peso, e as consequencias nunca podem ser ignoradas por quem possui o laço da verdade.

    Diana mostrada em sua intimidade tanto como mulher, estadista e guerreira como poucas vezes mostrada foi o maior mérito desta história, que é altamente recomendável não só para quem é um fã da Amazona como eu, mas para todos os amantes de um bom gibi!

    E agradeço muito sua dedicatória para mim, fiquei muito feliz, de verdade. :)

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  20. Eu tenho essa obra e realmente é maravilhosa, ou melhor, Wonderful!!
    Minha paixão por Diana é além do que eu guardo de memória! E não tenho receio de dizer que ela é uma da mais fodásticas do heróis hoje que constam no Panteão da DC Comics.
    Já matou (Max Lord), para evitar um mal maior… Já mutilou-se, arracando os próprios olhos, para defender o que era certo!
    Além de que um Superman ou Batman já puderam fazer…
    Obrigado Victor, matérias como essas no mínimo me emocionam!

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  21. Diálogos inteligentes que realmente exploram a relação entre os personagens! Deus, como eu amo isso nas HQ! Pena estar ficando tão escasso esse tipo de caracterização na DC… Os desenhos realmente são lindos, não pela anatomia mas sim pela narrativa quase cinematográfica!!! A exploração consciente do ambiente e do movimento dos heróis!!! Fico grato de conhecer mais essa obra que emoldura a personalidade da Diana!!! Grato Victor por nos proporcionar esse momento de satisfação com a DC!!! Ah, e adorei o cartoon no final!!! Quem fez tá de parabéns!!! Merece os créditos na postagem também!!!

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  22. Homenageio aqui a arte maravilhosa de Christopher Moeller, também um dos contos mais lindos do Túnel do Tempo, ao senhor William M. Marston (criador desse ícone de beleza, poder, compaixão e poder feminino) e como não podia deixar de ser, aos meus amigos que amam Diana de Themyscira de todo o coração… e eu a eles: Eder Souza, Aloísio Alves de Andrade, Weber Carvalho, Deo C’sar e Elvis Moura.

    PAZ, FELICIDADE & AMOR

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