Resenha de Capitão Átomo # 8, de J.T. Krul (roteiro), Freddie Williams II (desenhos) e Jose Villarrubia (cores).
Por Rodrigo Garrit
No spoilers.
Uma versão futura do Capitão Átomo o sequestra, levando-o ao fluxo do tempo, onde existem diversas variáveis do herói, mas apenas um destino para a Terra: a destruição. Seus sósias atômicos revelam ser incapazes de impedir o fim do mundo, mas podem orientar o Capitão a fazer isso a partir de sua própria linha do tempo. Com isso ele é arremessado vinte anos no seu futuro, exatamente um dia antes do apocalipse. Impedir que isso aconteça pode parecer uma tarefa quase impossível… e é mesmo.
Essa edição dá uma reviravolta em tudo que vinha sido feito até aqui. Talvez, (e esse é um grande “talvez”, pura especulação minha) a essa altura, o roteirista J.T. Krull já tivesse sido informado que a série seria descontinuada depois da edição zero seguida do décimo segundo número da revista. Se foi o caso, ele finalmente colocou as manguinhas de fora e jogou seus trunfos na mesa. Eventos climáticos que possivelmente seriam inseridos com conta-gotas na história, são derramados como uma enxurrada no leitor desprevenido, que vinha pacientemente acompanhando as aventuras do herói atômico. Não temos questionamentos éticos intermináveis, crises existenciais, e definitivamente, não vemos mais a “jornada em busca de si mesmo”.
É o fim do mundo. E agora é tudo ou nada.
Por mais que o tema pareça batido… e é mesmo… o resultado ficou… como posso explicar em termos técnicos? Hmn… Ficou legal pra caramba!
Os desenhos de Freddie Williams II mantém o padrão das edições anteriores… pessoalmente, acho que seu estilo apesar de bonito peca pela falta de realismo das formas humanas, seria interessante ler essa mesma história desenhada em um traço que tivesse o desafio de colocar o homem de energia pura caminhando entre pessoas normais. Ficaria mais próximo do conceito da paródia criada por Alan Moore com seu Dr. Manhattan em Watchmen. E afinal, não foi essa a ideia para o Capitão Átomo da “nova geração”?
Mas embora não retrate as pessoas com realismo fotográfico, ele desenha cenários incríveis que condizem exatamente com o contexto da série e de modo geral, os painéis agradam bastante. Williams faz o que lhe é pedido, e dentro de sua interpretação do assunto nos leva a uma viagem através do fluxo do tempo visualmente muito bonita, e engrandecida pelas cores maravilhosas de Jose Villarrubia que faz miséria quando o assunto é lirismo visual.
É estranho acompanhar uma revista que sabidamente será descontinuada. Então fica a pergunta: por que se dar ao trabalho? Bem, vou oferecer uma possível resposta. O cancelamento foi a melhor coisa que poderia acontecer para esse título. Agora, ao invés de uma mensal arrastada, temos uma espécie de séria fechada com começo, meio e contagem regressiva para o fim. E eu posso imaginar que tenha ocorrido a J.T. Krull o pensamento de que “se é pra acabar, vamos terminar em grande estilo”. Ele está ousando mais, se soltando mais, e permitindo-se usar seus trunfos sem a obrigação de criar ganchos para novos arcos. Não haverão novos arcos, então, seria ótimo pra carreira dele fazer o melhor possível dentro do que ele tem. Será ele vai fazer um “Cavaleiro das Trevas”? Não, provavelmente não vai, mas escrever algo que mantenha o interesse dos fãs pelo personagem, pra dizer o mínimo… me parece algo bem provável.
Espero que o Capitão continue tendo destaque mesmo após o cancelamento da revista, seria interessante vê-lo atuando em alguma versão da Liga Internacional, por exemplo.
Até lá, vamos continuar na expectativa do Capitão Átomo conseguir salvar o mundo da destruição… e J.T.Krul de salvar sua reputação e seu emprego quando a poeira baixar…
O relógio está correndo.
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Estava “por fora” do que acontecia com o personagem.A historia parece boa,assim como o desenhos.A capa está muito bonita.Otmo texto!
Obrigado Luiz… a história melhorou muito e as capas são um show à parte!
Abraços!
Só tenho uma coisa a dizer o próximo número é sensacional, a maioria dos porquês das edições anteriores são respondidos. Enquanto a essa resenha muito boa como sempre.
Valeu Anderson… conto com seu comentário para a próxima resenha!
Abraços!
Eu gosto da ideia dessa revista justamente porque o personagem finalmente se aproximou da sua paródia criada por Alam Moore aqui, no Watchmen, sempre antes era limitado, mais um meta humano com raios que voava…
E outra mudança importante: a nova versão não consegue reverter a forma humana, exatamente como o Dr. Manhattan… (pensando bem, acho que ele poderia fazer isso se quisesse…). Isso o afasta ainda mais da humanidade, deixando justamente com essa cara de homem atômico….
Abraços!
Gostei muito da arte desta revista, mas sobretudo das cores do Vilarubia!!!
Estão invríveis! Se sair um OHC com a run do Krull completa, eu compro!!
Eu sou suspeito pra falar do Villarrubia… sou fã incondicional do cara… quem quiser conhecer um pouco mais do trabalho dele, eu sugiro a série Promethea de Alan Moore… é de cair o queixo!
Abraços!
O Capitão Átomo é um bom personagem, aberto a diversas possibilidades de história, seria legal um fim de título épico para ele.
Ele dá mesmo margem a muitas histórias boas, Guy… tomara que o J.T. Krul tenha percebido isso a tempo….
Abraços!
Resenha muito boa, Garrit, não estou acompanhando o Capitão, li so a primeira e desisti, acho q vou dar uma olhadinha a mais agora valeu!
Valeu mesmo, Richard… confesso que comecei a acompanhar mais pelo personagem do que pelas histórias em sim, mas a acredito que a partir desse número as coisas comecem a ficar bem mais divertidas!
Abraços!
O material parece interessante, nem sabia do destino mais recente do personagem. Mas uma coisa me intriga: esta mania de mandar o personagem de tempos em “Tempus” para saltos pela linha do tempo. Recurso batido, não acham?
Nessa linha do tempo é a primeira vez que ele viaja no tempo, Paulo…. rsrsrsrs
Abraços!
As capas de Capitão Átomo são maravilhosas, put@ que p#ri# !!! A anterior foi FENOMENAL, essa não nada mal. Sabe, o conceito do personagem no reboot foi muito inteligente, mas apesar de J.T.Krull não ser ruím (é mediano), se outro talento tivesse sido escalado, ao invés de insistirem nele e em mais uns 5 profissionais da editora, que poderiam esvaziar a cadeira para novos e promissores profissionais, talvez, talvez a revista ainda estivesse aí firme e forte por mais tempo. Sim achei duas coisas, que o enredo melhorou muito aqui no final e que sua resenha foi show como sempre!
O capista do Capitão Átomo tem aquele quê a mais que sinto falta na arte interna da revista, mas também não sei se ele aguenta o tranco de manter a qualidade num título mensal. Acho que a revista do Capitão vai terminar de forma bacana e deixar esse novo status do personagem em aberto para – quem sabe – ser melhor aproveitado no futuro.
Valeu amigo, abraços!
P.S.: “O Capista do Capitão” ficou óóótimo… rsrsrs
Há personagens que deveriam desaparecer, ou explodir de vez em uma bomba atômica…rs
Concordo plenamente… alguns “artistas” trabalhando nos EUA atualmente poderiam ir junto… rs