por Lucas Justino
Alguns dias atrás o Venerável Victor Vaughan fez um post muito legal sobre a fase do Grant Morrison no Homem Animal, esse realmente é um dos maiores clássicos dos quadrinhos e do personagem. Agora é a vez de falarmos de outro grande momento desse personagem nos quadrinhos! Originalmente publicado no O Baile dos Enxutos. Homem Animal criado por: Dave Wood & Carmine Infantino.
Mais depois da saída do Morrison a serie continuou, no entanto, sem aquela fama toda, Peter Milligan (Shade o Homem Mutável, X-Statix e Hellblazer) assumiu a revista por seis edições fazendo uma saga bem complexa, mas bacana.
Depois entrou o polemico Rick Veitch (Monstro do Pântano, Brath Pack e Miracleman ) e ficou dezoito edições mudando algumas coisas, mas no final foi uma fase bem chata e a DC chamou o Jamie Delano (Hellblazer , Grande Satã e Mundo sem Fim ) para a revista. E a coisa finalmente ficou seria!
Para esse que vos escreve, essa é sem duvida junto com a fase do Morrison um clássico absoluto. Só que completamente desconhecida. Era 1992 e os gibis adultos da DC estavam em alta, nessa época não existia o selo Vertigo e o Homem Animal já tinha alguns temas um pouco mais maduros em suas historias como maus tratos aos animais, criticas sócias/ecológicas e coisas bem bizarras. Quando Delano assumiu o título, elevou isso ao extremo em seu arco a frente do personagem.
“Carne e Sangue” muda o tom da revista que antes era de super-heróis para terror. Nessa época a família Baker (a família do homem animal) estava passando por tempos complicados, Cliff fugiu de casa para morar com seu tio louco Dudley (que parece um personagem que acabou sair de um conto do Stephen King ) e Buddy, nosso herói, foi morar com o restante da família na fazenda da mãe de Ellen. Tudo ia razoavelmente bem até que Maxine, sua filha caçula, começa a ter pesadelos horríveis de um homem arrancando o coração de um garoto e pessoas sendo atropeladas , mal sabia ela que tudo isso eram visões do que estava prestes a acontecer.
Buddy veste sua roupa de Homem Animal a pedido de Ellen, sua esposa, para que ele vá procurar seu filho e fazer as pazes, mas o resultado é catastrófico, pois além de não se reencontrar com Cliff, o herói acaba atropelado e estraçalhado pelo trailer do psicótico Tio Dudley.
Vocês se lembram do clássico do (Pai ) Alan Moore: “lição de anatomia” , aonde o monstro do pântano morre e descobre que ele era o avatar do verde ? Pois bem, Delano fez sua lição de anatomia aqui e isso é apenas o começo de uma longa jornada de autoconhecimento, ressurreição (mandando sua mente antes de morrer para um piolho e depois uma libélula, até ressurgir de um ovo, para uma quimera e depois para um homem) e bizarrices não só para Buddy que agora descobriu ser o avatar do vermelho , a força vital que liga seu corpo a todos os animais mais para toda sua família , principalmente Maxine que também descobre ter uma ligação com essa força vital.
Temas como fim do mundo, drogas, sexo, homossexualismo, abuso sexual ,poluição, traição, alienação causado pela mídia, amor , rebeldia na adolescência e temas religiosos como a arca de Noé e o “Messias” são explorados por Delano, seu texto esta mais caído do que nunca e ninguém é poupado , suas criticas fazem o leitor pensar no mundo ao seu redor e em suas atitudes, isso é bem claro em Maxine que vive um dilema entre ser uma simples criança e ser a nova messias. O leitor chega a sentir pena da garotinha e quer ajudar a sua igreja que idolatra o vermelho, é sério!
Buddy explora seus poderes ao limite , se antes ele podia absorver os poderes dos animais agora ele pode virar uma quimera com varias partes animais e se comunicar com os animais em todo o planeta, mas isso irá custar muito caro para ele. Delano também desenvolve muito bem Cliff, que lembra muito o Bart dos Simpsons, sua mãe Ellen e vários personagens que o autor criou para deixar a historia mais rica e complexa: as amigas lésbicas de Ellen são hilárias e o jeito que elas ajudam-na deixariam Garth Ennis orgulhoso!
Outra coisa que o autor explora muito bem é a família , a inocência das crianças e como um adulto pode ser cruel. Mas o que é uma boa historia sem um bom desenhista? Nas dezenove edições dessa fase, vários desenhistas passam na revista, com destaque para o artista Steve Pugh , seu traço é sujo e ao mesmo tempo belo (a Ellen que ele desenha é uma milf de primeira!)
As capas também são um show a parte , as primeiras são feitas pelo mestre Brian Bolland e as outras são de vários artistas, mas quem rouba a cena é Tom Taggart, suas capas são belas e ao mesmo tempo perturbadoras com o selo Vertigo de qualidade.
Como nada é perfeito (menos a Scarlett Johansson) , em algumas partes o texto de Delano é um pouco arrastado e no meio de sua passagem acontece a interligação dos títulos com a história maior: A cruzada das crianças (pois é , até na Vertigo tem crossover , a única diferença é que esses valem a pena) e o autor faz algumas amarrações na história bem estranhas.
Em épocas de Superior Homem Aranha e reboots vale muito a pena dar uma lida nessa HQ , não irá agradar a todos, mas com certeza será algo bem diferente do que os quadrinhos de hoje em dia.
Curiosidade: a fase atual do Homem Animal escrita pelo Jeff Lemire é inspirada na fase do Delano.










Eu tenho esperança de que algum dia seja feita uma série com atores do Homem Animal e a fase do Jamie Delano para mim é perfeita como inspiração, por melhor que tenha sido a do Morrison nos quadrinhos, a dele é mais interessante para a TV.
um seriado do homem animal da fase do delano seria demais !
Boa observação pois Homem-Animal é uma hq q seria mesmo perfeita para uma adaptação, pena que faça parte do conglomerado da Warner, ai já viu, tudo meio estilo Smallville, que vá lá, até tinha bons momentos, mas não caberia para uma série adulta, a DC teria que ser da HBO, seria fantástico!
Excelente texto, Delano seguiu a tradição deixada por Morrison com muita propriedade… e Lucas, tirou onda com essa foto com o autor! Parabéns!!
valeu rodrigo !
Maravilhosa essa fase do Delano. Texto bem condensado e explivativo. Pena que quem trouxe este escritor ao Brasil é persona non grata prá mim, por isso eu nem cheguei perto dele no Fest Comix.
nem tudo é perfeito nilson e valeu pelos elogios
Cara, parabéns por sua matéria e acima de tudo, parabéns pelo ótimo gosto por literatura e quadrinhos que eu sei que você tem, amigo ao meu ver Grant Morrison está intimamente ligado ao Delano nesse projeto do Homem Animal, se ele não tivesse passado pela revista, provavelmente a fase do Delano seria a mais lembrada e cultuado, por outro lado, sem o escocês, talvez nem existisse revista e o universo do personagem para o inglês ser convidado para trabalhar.
valeu VVV e concordo plenamente , um liga o outro !
ótimo texto! Concordo que a fase do Delano foi demais e tbm concordo que a do Veicth foi uma tremenda chatice, horrivel mesmo.
valeu e a unica coisa que foi legal na fase do veicth foram as capas e a trollada que ele faz com o homem aranha
Muito bom, Homem Animal é um herói pouco conhecido para os que não possuem muito conhecimento sobre a nona arte, gostaria de ver uma saga bem escrita envolvendo personagens grandes como o batman ou o super, e talvez assim ele, que é um ótimo heroi, poderia vender mais, e ganhar mais fans
ta rolando a saga mundo podre com o homem animal lucas , esta bem legal
vou conferir amigo, obrigado
Muito querida e fantástica essa fase do Animal mesmo! Um grande barato do reboot para o personagem, fora novamente dar um título para o herói e um roteirista maravilhoso, foi colocar novamente o Steve Pugh comandando a arte da revista, nós fãs da Vertigo piramos!!!
realmente , o steve pugh desenha muito !
Valeu pessoal por publicarem meu texto
EDITORIAL SANTUÁRIO:
Segunda – All New X-men #2
Terça – Mulher Maravilha
Quarta – Arrow episódio #4
Quinta - Surfista Prateado
Sexta - Homem Animal de Jeff Lemire
Sábado – O Quarto Mundo de Jack Kirby
