ARROW – UMA RESENHA – EPISÓDIO 06: LEGACIES

Bar da Barda

Por Carlos “ainda verde e sem arco” Lenilton

394863_441581539228284_1615013992_nEis que estamos de volta à série Arrow, este enorme sucesso de público e crítica da Warner Channel. No episódio de hoje intitulado “Legacies” veremos uma interessante mudança de comportamento por parte de Oliver Queen.

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KRULL – ” Eu fui embora, meu amor chorou…”

por Venerável Victor “cavaleiro templário das galáxias” Vaughan

“Apenas unidos teremos alguma chance contra eles”

Apesar de não valorizados como poderiam ter sido na época, os lançamentos de 1980 a 1986 representam uma era de ouro em termos de grandes filmes de fantasia.

Essa era trouxe ao mundo épicos imortais de ação e super-heroísmo, diversos temas pós-apocalípticos e fantasias espaciais como “Fúria de Titãs”, “Excalibur”, “Superman II” e “Os caçadores da Arca perdida” (1981); “Conan, o bárbaro” e “Tron” (82); “História sem fim” (84), “A Lenda” (85) e por fim “Highlander” e “Labirinto” (86), além de muitos, muitos mais que não me vêm à mente agora…

Quase como um consenso, a renascença do cinema de fantasia mundial teve início com o sucesso financeiro, popular e cultural chamado Star Wars – Uma nova esperança,  do mago da sétima arte George Lucas, em 1977. Essa grande saga espacial, inspirada em inúmeros livros e filmes como “O Senhor dos anéis” (é, esta obra é bem mais antiga do que você pode imaginar), “Lendas Arthurianas” e romances como “John Carter…”  além de diversas outras fontes, e trouxe novo fôlego para o gênero.

Assim sendo, em 1983 o diretor britânico Peter Yates apresentou ao mundo sua fantasia cinematográfica nesse estilo: o belíssimo épico Krull, que como muitos outros primos do gênero foi um fracasso de vendas e nunca obteve uma audiência considerável. Apesar de em termos de visual, mesmo sendo de um momento pré-CGI, apresentar um mundo alienígena realista e legitimamente bem construído, além de efeitos especiais pobres mais limpinhos.

O roteiro de Krull nos apresenta uma reinterpretação familiar dos famosos contos de fadas com personagens clássicos como o jovem herói que se tornará rei um dia, a princesa em perigo, o velho feiticeiro que apoia e aconselha o herói, os parceiros engraçados responsáveis pela peripécia da história e a incorporação do mal encarnado definitivo, aqui conhecido como a Besta. Em poucas porém verdadeiras palavras, Krull representa a batalha pelas liberdades individuais do ser, o verdadeiro amor e blábláblá.

No distante mundo chamado Krull uma fera alienígena surge em sua aterrorizante Fortaleza Negra e libera assassinos para dominar os quase medievais reinos desse mundo. Esses aterrorizantes soldados do exército da Besta são bizarras criaturas insectóides vestidas em armaduras humanoides, carregando mortais e avançadas armas tecnológicas. Uma vez que essas armaduras são abertas, os insetos vazam como geleca, portanto, funcionam também como um exoesqueleto… Ai que medo!

A população humana de Krull bravamente resiste como pode à invasão alienígena. Em especial, dois dos maiores reinos decidem se unir através de um arranjado casamento político entre seus príncipes, a jovem Lyssa e o bravo Colwyn. E através desse matrimônio, os sábios acreditam que a próxima geração de Krull decidirá pela união das espécies ao invés da divisão por pequenas diferenças.

Mas a Besta não é besta e não fica contente ao saber dessa união entre seus dois maiores inimigos. Seus exércitos invadem o reino de Lyssa e capturam a jovem princesa no dia de seu casamento, matando seu pai e deixando Colwyn vivo por muito pouco, para enfrentar um futuro incerto.

Por sorte, um velho sábio de nome Ynyr sai de seu exílio auto-imposto na distante Montanha de Granito – pense você em Obi Wan Kenobi no deserto de areia, muito além da fazenda dos Skywalker – para instruir o jovem príncipe em como destruir a Besta e salvar seu verdadeiro amor. Apesar de que eles só se viram por uma hora antes dela ser sequestrada momentos antes da cerimônia…

A primeira missão de Colwyn é adquirir uma antigo artefato conhecido como o “Gládio”, uma arma de arremesso em forma de estrela de cinco pontas douradas, com uma joia incrustada no meio. Pense agora no frisbee destrutivo do filme Tron… o príncipe, em uma cena maravilhosa, escala perigoso paredão rochoso para remover o Gládio de um leito de lava, exatamente como na lenda da Excalibur, ao conseguir e assim mostrando o seu valor, ele suspende a arma nas alturas para que ela brilhe à luz do sol. Só faltava gritar “Eu tenho a força!”

A segunda missão de Colwyn é descobrir aonde a Fortaleza Negra irá se materializar no dia seguinte. Em uma das sacadas mais geniais do filme, a Besta faz com que sua base de operações se materialize cada dia num lugar diferente do planeta, de forma que nunca seja localizada, muito menos atacada.

Colwyn conta com a ajuda de Ergo, o magnífico (um mago transmorfo trapalhão), do ladrão Torquil e seus homens de confiança (incluindo um estreante jedi Liam Neeson e Robbie Coltrane, o gigante Hagrid de “Harry Potter”) e do ciclope Rell, o favorito de todos; segundo este último, sua raça havia sido amaldiçoada e seu único olho só conseguia lhe dar uma visão do futuro: a sua própria morte. Destemidamente o grupo vai ao encontro de um vidente cego, que os dirá a próxima localização da base do vilão.

Infelizmente o vidente é substituído por um perigoso agente da Besta em um pântano misterioso, nossos heróis são emboscados e muitos dos personagens morrem, fazendo isso com que o sábio Ynyr não tenha outra opção a não ser visitar a mística e sinistra Viúva da Teia, seu antigo e perdido amor, também chamada de Lyssa, para que adquiram a informação sobre o próximo lugar da fortaleza. Eis uma das sequências mais fantásticas da história.

Enquanto isso, na Fortaleza Negra, a Besta tenta seduzir Lyssa com ouro, riquezas e a promessa de imenso poder – uma cena que claramente inspirou o roteiro de Ridley Scott no filme A Lenda. Ela resiste a todas as tentações, Quando o vilão fala para ela que “Amor é passageiro; Poder é eterno”, ela retorna o axioma , insistindo no sentido reverso: “Poder é passageiro; Amor é eterno”.

Mas no final a obra Krull não consegue fugir do “happy end” e tudo sai como esperado, a moça prova para a besta da Besta que estava certa, claro. O vilão é derrotado pelo amor verdadeiro e todo mundo em Krull – e por consequência na galáxia – vive feliz para todo o tal do sempre! Yupi!

Se você for puro de coração acreditará que isso seria inevitável desde o início!
Mas se você for um sincero devoto, sabe que só no Santuário há finais felizes sempre!

O FEITIÇO DE ÁQUILA – “Sempre juntos, embora, sempre afastados”

por Venerável Victor “de dia tratador de noite macaco” Vaughan

Rutger Hauer É Etienne

“Um dia conseguiremos a felicidade que duas pessoas sonham mas nunca encontram.”

Michelle Pheiffer como Isabeau

Há muito tempo atrás, precisamente no século XII, havia uma cidade chamada Áquila, governada por um corrupto bispo que nutria uma paixão doentia por uma bela mulher chamada Isabeau. Esta, no entanto, amavaa e era amada por  Etienne, o belo capitão da guarda especial do bispo. O invejoso e mal amado  sacerdote descobriu a verdade sobre o amor dos dois e fez uma barganha com o demônio, que deu ao seu novo “convertido” o poder de conjurar uma terrível maldição sobre os dois amantes.

Para sempre, dali por diante, Isabel seria um belo falcão durante o dia, retornando à sua forma humana à noite. O pobre Etienne, por sua vez, permaneceria humano durante o dia, se tornando todas as noites um esperto lobo. Apenas no exato momento do nascer do Sol os dois poderiam ter por instantes o vislumbre do que outrora foram. Exilado na tristeza, Etiene cavalga em seu garanhão negro Golias pelos campos da Europa com o falcão ao braço – e à noite, na forma de lobo, seguia sua bela amada humana.

O tema universal do amor impossível é o fio condutor dessa história filmada quase que totalmente no norte da Itália. O Feitiço de Áquila foi dirigido por Richard Donner ( “Super-Homem – o filme). Com um ótimo elenco, incluindo Rutger Hauer (Blade Runner) como Etienne, Michelle “eterna mulher Gato” Pfeiffer como Isabeau, John Wood como o obsessivo bispo e Phillipe Gaston, o jovem  e ágil ladrão conhecido como “rato”, amigo de Isabel, Matthew ” Vivendo a vida adoidado e projeto secretos macacos” Broderick. Que são extremamente capazes de segurar esse roteiro nas costas, mesmo com as falas no original, muitas vezes de uma poesia exagerada.

“Cada nova geração da minha família tem uma missão para ser cumprida”

“E qual seria a sua missão?”

“Matar um homem.”

“Diga-me, esse corpo ambulante, teria um nome?”

O “rato” Matthew Broderick

O jovem Broderick parece ter tido muita liberdade para trabalhar suas tiradas cômicas que tanto eram desejadas pelo público desde suas anteriores comédias de sucesso, pois seus diálogos não sugerem um comportamento medieval, mas sim contemporâneo. Seu trabalho aqui é o contraponto cômico de todo drama e sofrimento que os protagonistas sugerem. Já no fim da história, quando as coisas já estão muito difíceis para Phillipe, Isabeau e Etienne (que acabou de invadir a fortaleza de Áquila para matar o maléfico bispo), o senhor Broderick nos brinda com um dos momentos mais  inteligentes da história, ao falar diretamente com Deus (como faz durante todo o filme) de forma irônica, mas respeitosa:

“Nós voltamos exatamente ao ponto de partida dessa história Deus  e eu gostaria de acreditar que existe nisso algum propósito superior… isso com certeza cairia bem para a sua imagem”

John Wood como o bispo de Áquila repleto de vícios

O senhor Hauer, com seus olhos de um azul pálido e na época com um físico impressionante, é um perfeito cavaleiro andante e a senhorita Pfeiffer, que provavelmente é uma das mulheres mais lindas de todos os tempos, é certamente a pessoa certa para se enfrentar a danação eterna por ela. Sua presença, etérea e erótica, é tão marcante no filme que mesmo quando está sendo representada como o falcão ela parece estar ali na tela. O senhor Wood é odiosamente perfeito como o bispo maldito e o ator Leo Mckern, que faz o velho padre Imperiux, que com a sua língua grande foi o responsável pelo inferno que os amantes passaram a viver e por isso passa seus dias afogando a vergonha em álcool, é quem no fim se torna a chama de esperança que esses jovens amantes precisavam para finalmente serem felizes, pois descobre que um futuro eclipse poderá desfazer o feitiço.

“Haverá uma noite sem um dia e um dia sem uma noite”

“Deus não deve ter perdoado você… teria Ele então o enlouquecido?”

Leo Mckern como o padre beberrão, sofrido pela culpa.

O cavaleiro e a jovem dama funcionam no filme como uma metáfora para o sol e a lua, que assim como os dois pombinhos (ou  melhor, o falcão e o lobo) nunca se encontram. Desta forma, o sempre atraente tema do amor impossível toma formas ainda mais dramáticas, impossibilitando até mesmo o contato físico entre os dois amantes. Os animais em que ambos se transformam foram cuidadosamente escolhidos, afinal o falcão é um conhecido símbolo de beleza, enquanto o lobo é um animal normalmente solitário, além do fato de ambos serem monogâmicos.

“Golias… lembre-me de te contar uma história muito antiga sobre um homenzinho chamado Davi.”

A terrível maldição que assola o casal é repleta de simbolismo e é um prato cheio para provocar lágrimas nos casais apaixonados. O previsível final feliz neste caso é muito bem-vindo e agrada em cheio quem o assiste, que testemunha durante quase todo o tempo o sofrimento quase palpável de Navarre e Isabeau, aliviado apenas pela simpatia do divertido Gaston. O Feitiço de Áquila é simpático o suficiente para atrair a atenção do espectador e a linda história de amor que o embala é inegavelmente envolvente. Além do fato, meu caro devoto, que tem a Michelle Pfeiffer!

“Meu Deus! Eu sei Que prometi nunca mais roubar de novo, mas também sei que você sabe o quanto fraco nas minhas promessas eu sou!”

ÓTIMA DICA DE SITE PARA SER VISITADO:

 ILUMINERDS

BLADE RUNNER, Os androides sonham com ovelhas eletrônicas???

Por Venerável Victor “TRATADOR IMPLICANTE”  Vaughan

E se você assim como Rachel, descobrisse um belo dia que todas suas memórias não são verdadeiras? Que tudo o que você acreditava como real e concreto não passava de experiências vividas por uma outra pessoa, algo que foi implantado em sua mente para que você acreditasse ter vivido muito mais do que realmente viveu e te desse a sensação de pertencer a sociedade, de ter vínculos e laços com uma humanidade que o criou e teme seu potencial, o escraviza e não te compreende mas no fundo é exatamente igual à você, vive a angústia de não saber de seu criador quanto tempo ainda lhe resta, viver com medo, também é ser escravo e isso nos faz iguais, andróides ou humanos.

A ficção científica tem um dos maiores desafios entre os gêneros do cinema. Não só por lidar com universos paralelos ou previsões de futuro, mas criar uma narrativa atraente na relação entre os elementos apresentados – alguns que só existem na imaginação do roteirista. Além disso, a visão do presente nesses filmes pode levar à reflexão do futuro real – nessa categoria, Blade Runner – O Caçador de Andróides de 1982 é um clássico e maior exemplo prático dessas idéias.

Hoje não se discute o fato desse filme ser um dos maiores marcos da história da ficção científica. Mas nem sempre foi assim. O filme de Ridley Scott foi uma das grandes expectativas de sucesso de bilheteria de seu ano de lançamento, mas o clima pesado e deprimente do filme, aliado à trama filosófica e hiperrealista, marcou um enorme ponto de interrogação nas cabeças dos poucos que foram assistir ao filme nos cinemas e perderam a trilha sonora espetacular composta pelo  grupo Vangelis. principalmente uma das maiores músicas de amor de todos os tempos. O Tema de amor de Rachel e o caçador de andróides.

Mas se alguém já havia percebido o potencial de Blade Runner, este alguém era o autor da obra que havia inspirado o filme. O livro O Caçador de Andróides (ou, em inglês, Do Android Dream of Electric Sheep? – Andróides sonham com ovelhas elétricas?), de Philip K. Dick, foi a primeira adaptação da obra do clássico autor de ficção científica para o cinema, apresentado pela primeira vez a seu universo de dúvidas existencialistas e questões filosóficas disfarçadas de historinhas de robôs, alienígenas e drogas sintéticas.

A história se passa na cidade de Los Angeles, no ano de 2019. Em uma breve introdução é contextualizada a relação entre a humanidade e os chamados “Replicantes”. Estes últimos eram andróides idênticos aos seres humanos, porém, mais rápidos, fortes e espertos que seus criadores. Eles eram utilizados como escravos para a exploração espacial, um serviço pesado e perigoso. Houve então uma revolta em uma colônia de Replicantes. Estes andróides foram considerados ilegais na Terra, sob pena de morte. Assim, para o controle da situação, entrou em cena a brigada especial Blade Runner, uma espécie de unidade policial com ordem para eliminar qualquer Replicante quando identificado. “Isso não se chamava execução, mas sim afastamento”, como explica o texto inicial.

Uma cidade tomada por prédios com mais de cem andares e carros voadores é o cenário apresentado, onde Deckard (Harrison Ford) é incumbido de eliminar quadro “bonecos”, da série Nexus 6 - como são chamados preconceituosamente os replicantes entre os policiais  -  recém chegados ao planeta. O que começa como uma história de gato e rato logo ganha contornos épicos sobre a natureza da consciência e o que faz de cada um de nós humanos. Nessa busca, o caçador percorre a versão futurista de muitos ambientes comuns do dia-a-dia e, em muitos deles, nem o avanço tecnológico conseguiu acabar com a pobreza e miséria. O que nós chamamos de DISTOPIA e já foi falado no Santuário, caro Devoto, em outra resenha “vaughaniana” de filme, aqui.

Na caracterização do filme, aspectos como o envolvimento da mocinha, que no caso é uma Replicante, com o protagonista e o clima noir remetem imediatamente à histórias de detetive. Diferente das outras películas do gênero, Blade Runner apresenta uma sociedade sem muitas extravagâncias, a não ser por cenas nas ruas em que, talvez como reflexo do ápice da globalização, é possível perceber Judeus, Krishnas e Islâmicos se esbarrando amigavelmente na multidão.

Mesmo com a falta de efeitos especiais sofisticados, o diretor Ridley Scott e sua equipe de produção conseguiram criar um conto em que cada personagem tem suas motivações, seja do caçador que se envolve com uma de suas caças ou dos bonecos que só querem um pouco mais de vida, assim como seus criadores.

Blade Runner agora está restrito às prateleiras mais baixas da seção dos filmes baratos nas locadoras e na grade da madrugada da televisão, mas sempre seus genes servirão de base para os clones cinematográficos da ficção científica. Vale conferir uma história envolvente e se espantar com as perspectivas de futuro daquele tempo – como o mandarim fluente nas ruas de Los Angeles – e que hoje se tornam tão presentes agora em nossa realidade com a ascendência de países como a China e o Japão no resto do mundo.

K. Dick, que morreria no mesmo ano de estréia do filme, sem conseguir assistir à sua versão final, assistiu a um trecho dos bastidores em um programa de TV e escreveu , a seguinte carta ao produtor do filme Jeff Walker que pode ser encontrada no site que a família do autor mantém sobre sua obra:

11 de outubro de 1981

Caro Jeff: Assisti ao programa Hooray for Hollywood, que passou hoje à noite no canal 7, com uma matéria sobre BLADE RUNNER (bem, para ser honesto, eu não assisto a esse programa; alguém me avisou que iriam fazer uma matéria sobre BLADE RUNNER e que seria bom se eu assistisse). Jeff, depois de assistir – e especialmente depois de ouvir Harrison Ford discutir o filme -, cheguei à conclusão que isso não é ficção científica; e que não é fantasia; isso é exatamente aquilo que Harrison disse: futurismo. O impacto de BLADE RUNNER será simplesmente surpreendente, tanto no público quanto nas pessoas criativas – e, eu acredito, na ficção científica como um todo. Desde que comecei a escrever e a vender obras de ficção científica há trinta anos que isso é algo importante para mim. Devo dizer com toda franqueza que esta área gradualmente e permanentemente vem se deteriorando nos últimos anos. Nada que fizemos, individualmente ou coletivamente, chega aos pés de BLADE RUNNER. Não é escapismo; é super-realismo, tão realista e detalhado e autêntico e convicnente que, bem, depois de assistir ao programa eu reencontrei pálida, por comparação, a minha “realidade” atual. O que quero dizer é que todos vocês podem ter criado coletivamente uma forma única de expressão artística e gráfica que nunca foi vista. E, eu acho, BLADE RUNNER pode revolucionar nossos conceitos sobre o que é a ficção científica e, mais, o que ela pode ser. Deixe-me resumir desta forma. A ficção científica preparou lenta e inevitavelmente uma morte monótona para si mesma: tornou-se senso comum, derivativa, rasa. De repente, vocês aparecem, alguns dos melhores talentos que existem hoje em dia, e agora temos uma nova vida, um novo começo. E sobre o meu papel no projeto BLADE RUNNER, só posso dizer que nunca havia imaginado que um trabalho meu – ou um conjunto de ideias minhas – poderia ser elevado a dimensões tão inacreditáveis. Minha vida e meu trabalho criativo estão justificados e completos graças à BLADE RUNNER. Obrigado… e será um tremendo sucesso comercial. Provará-se invencível.

Cordialmente, Philip K. Dick

Comunidade do Santuário no FACE

BATMAN: O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE

Ele ainda está no escuro. Parado na chuva. Observando. Vigiando.

Logo depois de sair do cinema, eu digo a um amigo que penso em escrever um artigo sobre o filme, mas não sei bem se devo, porque já existem tantos outros ótimos blogs e sites fazendo isso… o que eu posso dizer que já não tenha sido dito?

E ele me respondeu: “O que nenhum deles tem. A SUA opinião. Vai lá e escreve no estilo SANTUÁRIO”!

Meus agradecimentos a Rodrigo Pires da Fonte. Esse artigo só existe por sua causa!

AVISO 1: Contém spoilers!

AVISO 2: Sim, esse artigo foi escrito à moda SANTUÁRIO!

Por Rodrigo Garrit

Eu acredito em Christopher Nolan.

E o que eu posso dizer sobre a minha experiência pessoal ao assistir o filme Batman O Cavaleiro das Trevas Ressurge?

O filme não é feito para agradar os fãs do Batman dos quadrinhos, ou pelo menos, não está preocupado com isso, mas agrada assim mesmo. Trata-se de um enorme remendo de grandes HQs do personagem, desde “Batman: O Cavaleiro das Trevas” de Frank Miller, passando por “Batman: O Longo dia das Bruxas” de Jeph Loeb e Tim Sale, até inevitavelmente a saga  “A Queda do Morcego”, com toques também de outras sagas como “Terremoto” e “Terra de Ninguém”, além de possivelmente muitas outras referências. Então, pode-se dizer que o filme não é 100% original… mas ao misturar esses elementos, os diretor Christopher Nolan conseguiu criar algo diferente, bebendo da fonte de algumas das melhores histórias já feitas com o personagem. De fato, a trilogia pode ser entendida como uma única obra fechada, com todos os elementos de seu universo sendo relembrados ou ressurgindo quando menos se espera.

Considerando-se que os principais vilões dos filmes anteriores foram Ras Al Ghul e o Coringa, dois dos piores e mais temíveis inimigos já criados para o Homem Morcego,  a inclusão de Bane neste último capítulo da trilogia tinha tudo para dar errado. Claro, Bane é um grande vilão, e foi importantíssimo durante a saga “A Queda do Morcego”. E, durante toda a HQ, é inegável a importância dele, o abalo que causou no universo do Batman, sendo lembrado ainda depois de todos esses anos. Mas essa foi sua maior vitória e também seu maior revés, pois depois disso, ele foi perdendo a relevância, tornando-se um personagem cada vez mais sem espaço nas histórias, claro, houveram algumas tentativas de trazê-lo de volta em grande estilo, mas ele nunca mais voltou a ser o mesmo Bane, aquele que “quebrou” o Batman. Pelo menos nos quadrinhos, porque apesar de tudo, ele voltou nesse filme com todo aquele ar de vilão de primeira categoria que já teve… um inimigo a quem se deve ter medo, de verdade.

A trama começa oito anos depois do eventos mostrados no filme anterior. Depois da morte de Harvey Dent, vulgo Duas Caras, Gotham vive uma aparente paz em suas ruas, idolatrando Dent como herói e colocando Batman como um criminoso que teria sido responsável por sua morte. Mas com a chegada de Bane, as coisas começam a mudar, e ele vai forçar a verdade a sair de seu esconderijo e esfrega-la na cara de todos os cidadãos da cidade. E a vinda de Bane fecha um ciclo, iniciado por Ras Al Ghul lá no primeiro filme, “Batman Begins”. Para quem não lembra, Ras pretendia destruir a cidade.

A forma como a origem do Bane dos quadrinhos é alterada para relacioná-lo ao Ras ficou fantástica. E a história se fecha com uma trama que se encaixa perfeitamente, do começo ao fim… exceto por uma ou outra explicação não muito convincente que é apresentada, como por exemplo o motivo de Bane usar aquela máscara… que não é nem de longe o mesmo dos quadrinhos. Está mais para uma questão médica, mas imagino que pudesse existir outra forma de tratamento para ele, a menos que ele seja um caso único na medicina. Outra coisa que ficou meio estranha foi o modo como o policial John Blake descobriu que Bruce era o Batman. Tudo bem, eu admito que foi quase uma “licença poética”, e necessária para o desenrolar da trama… Nolan faz o filme de forma muito realista, dentro do possível, o tempo todo, então algumas explicações tem mesmo que ter essa “licença” para que a gente assista a um filme do Batman, a um filme de super-herói… e não mais um filme policial. Por isso, essa e outras explicações ou falta delas são totalmente perdoáveis.

A Mulher Gato é perfeita, e rouba a cena todas as vezes que aparece. Ainda amo a Michelle Pfeiffer, mas Anne Hathaway conseguiu superá-la. Não vou nem incluir Halle Berry nessa comparação, porque a Mulher Gato que ela fez não tem nada a ver com o universo do Batman. Algumas da sequencias de Selina com Bruce lembram muito umas coisas que eles viveram nos quadrinhos, como no momento em que ele a flagra roubando seu cofre e a dança deles no baile… quem leu “O Longo Dia das Bruxas”, sabe do que estou falando.

Em entrevistas, o diretor Christopher Nolan disse que a Mulher Gato merecia um filme só dela. Com Anne Hathaway no papel, eu seria o primeiro da fila.

Eu, pessoalmente, me surpreendi com a presença da personagem Tália no filme, até porque fiz questão de assistir sem ler praticamente nada que vinha saindo sobre ele, e evitando ao máximo os spoilers. Fora essa grata surpresa, o desenvolvimento da personagem deixou a desejar… suas motivações e o tempo que levou para colocar em prática seus planos… sem falar da forma como fez, ficaram meio sem sentido… mas aí a gente entra naquela coisa da licença poética que comentei anteriormente… claro que se puxar esse fio, posso chegar em várias incongruências, mas o fato é que o panorama geral do filme é tão bem construído, que eu simplesmente não quero puxar o tal do fio… Tália poderia ser muito melhor aproveitada… e a atriz Marion Cotillard já atuou infinitamente melhor em outros filmes, como em “Piaf” por exemplo, onde esbanja talento. Mas foi bom tê-la, por ter aproximado ainda mais o Batman do Nolan do Batman dos quadrinhos.

Com a aparição de Jonathan Crane, o Espantalho, fica subentendido que o Asilo Arkham foi aberto, assim como a prisão Blackgate, e todos os seus internos soltos. O Coringa teria tido importância magistral nesse filme, e imagino que tipo de cenas antológicas poderiam ter sido produzidas com ele no meio daquela “Terra de Ninguém”. Mas infelizmente com a morte do ator Heath Ledger, Nolan evitou até mesmo mencionar o palhaço do crime, em respeito a sua memória. É o tipo de situação contra a qual não se pode lutar… apenas seguir em frente e fazer o melhor que puder.

Michael Caine e Morgan Freeman voltam aos seus respectivos papéis de Alfred e Lucius Fox. E não são meros coadjuvantes preenchendo a decoração. A participação de ambos é importantíssima, em duas áreas diferentes do Batman: seu coração e sua força. Lucius tenta manter o arsenal do morcego em segurança, assim como os grandes segredos bélicos da Waynetech. E Alfred mantém a alma de Bruce inteira, mesmo depois das piores provações. Michael Caine consegue te emocionar, a ponto de você querer entrar na tela e dar um abraço nele!

Outro ponto forte foi a utilização do personagem de Joseph Gordon Levitt, que interpreta o policial John Blake. Ele funciona muito bem como o símbolo da chama esquecida por Bruce, interessado em trazer a verdade e fazer a justiça. Ele se mostra um ótimo detetive e logo ganha a simpatia do comissário Gordon. Alias, sua interação com o comissário é fantástica, e sua conversa com Bruce, algo memorável.  Se esse já não fosse o filme do Batman, John poderia ser o protagonista. Quem sabe ele ainda não seja?

O fim do filme é subjetivo e não deixa claro o que aconteceu, apenas sugere, e deixa a cargo do expectador imaginar qual foi o destino final do Cavaleito das Trevas. Ele realmente morreu e deixou um sucessor? Ele está vivo, aposentado e feliz? Então, porque forjar a morte de Bruce Wayne? Ele e Selina usaram o programa “Ficha Limpa” e desaparecem de todos os bancos de dados do planeta, para recomeçar… juntos?

Eu tenho a minha opinião sobre o destino do Batman.

Releia a primeira frase desse artigo e descubra qual é.

Christopher Nolan, o diretor.

PLANETA DOS MACACOS – do Apocalipse à distopia símia!

Por Venerável Victor “astronauta símio” Vaughan

França, o livro

Pierra Boulle  não  fazia a  mínima   idéia que  seu  romance       La  planéte  des  singes  - O Planeta dos Macacos – escrito em 1963 e que é uma grande crítica social por meia da distopia, fosse se tornar umas das obras pop de maior apelo mundial, influenciando a industria de quadrinhos  como a Marvel e outras editoras , os tokusatsus japoneses – filmes de heróis e monstros gigantes – como em Spectreman ( que nós resenhamos aqui) e o cinema scy-fi americano.

Distopia  é um pensamento,  filosofia ou discursão baseado numa ficção cujo valor representa a antítese da utopia. Se na utopia tudo é maravilhoso e perfeito, a distopiase caracteriza pelo totalitarismo , autoritalismo e controle da sociedade, nesse painel de ficção  - realidade em muitos países ainda –   as cortinas caem  e a sociedade mostra-se corruptível e muitas vezes a tecnologia é usada como forma de controle, seja do Estado ou das corporações. em grego utopia é “lugar nenhum” e distopia  significa “lugar mau”.

No romance,  um casal num cruzeiro, encontra uma garrafa com uma mensagem escrita a deriva no mar. A mensagem dentro da garrafa é o diário de bordo do astronauta Ulysse Mérou, que acredita ser o último ser humano restante no universo, mas escreveu a sua história na esperança de que alguém à ache. Esse astronauta, mas um cientista que criou a nave em que viajava, capaz de atingir velocidades próximas a da luz e mais um médico, viajaram para explorar o espaço sideral   até chegar  ao sistema solar mais próximo em que o criador da nave teorizava ser capaz de abrigar vida, que é o do sol vermelho Betelgeuse, destino esse que lhes custará 350 anos para atingir. Devido à dilatação do tempo, contudo, a viagem parecerá aos tripulantes durar somente dois anos.

Lá eles encontram um planeta muito similar ao nosso em tudo ao qual dão o nome Soror (“irmã”, em latim)  e com humanos primitivos que ajem como chimpanzés, o astronauta logo se apaixona por uma mulher chamada Nova – parece um cara que eu conheço que se amarra numa novinha – logo são caçados por gorilas e orangotangos que ajem como humanos e levados a cidade como troféus.  Ele descobrem uma civilização complexa  e evoluída dominada por símios, entre gorilas violentos, orangotangos pedantes e chimpanzés intelectuais. Depois de muita confusão, o astronauta Ulysse consegue provar seu intelecto e é libertado, Embora o tratador chimpanzé do protagonista esteja certo da sua sapiência, os orangotangos, que regem a sociedade, acreditam que ele finja entendimento da língua, porque a sua filosofia não permite pensar em humanos inteligentes.

O astronauta ao engravidar a humana primitiva que conheceu na floresta no início da sua visita ao planeta, prova aos macacos que eles são da mesma espécie, os símios começam atravéz de pesquisas a entender uma lacuna em sua história, num passado distante, o planeta era dominado por seres humanos, que construíram uma sociedade altamente tecnológica e escravizaram os macacos a trabalhos manuais penosos. Ao longo do tempo, os humanos tornaram-se mais e mais dependentes dos macacos, até serem tão desleixados e inábeis que caíram sob as mãos dos seus servos simianos, decaindo ao estado em que Ulysse os encontrou.

Enquanto alguns macacos rejeitam tais evidências, outros tomam-na como um sinal de que os humanos são uma ameaça e que devem ser exterminados. Porém, o protagonista consegue escapar do planeta com Nova e o seu filho recém-nascido, regressando à Terra na espaçonave do professor assassinado no início da aventura.

Novamente, a viagem dura muitos séculos, mas os tripulantes da nave sentem-na como apenas alguns anos. Ao pousarem na Terra, mais de 700 anos depois da sua partida primeira, aterram nas cercanias da cidade Paris. Contudo, uma vez fora da nave, o astronauta descobre que o planeta foi dominado por macacos inteligentes como os do planeta de onde acabara de fugir. Ele volta ao firmamento, escreve a sua história, põe na garrafa, e lança-a ao espaço para que alguém a encontre.

O livro conclui retornando ao casal que encontrou a garrafa, que se revelam macacos. Eles zombam da impossibilidade de humanos terem algum dia sido avançados o suficiente para construir espaçonaves, e concluem que a história toda deva ser uma piada de alguém.

USA, o filme

Baseado na obra de Pierre Boulle, Planeta dos Macacos conta a história de um astronauta norte-americano, Taylor (Charlton Heston), que pousa num planeta desconhecido e descobre uma civilização composta por macacos que evoluíram dos seres humanos e subjulgam os mesmos. Os humanos do filme não falam e são utilizados para trabalho escravo, além de servirem de cobaia para experimentos científicos realizados pelos macacos, cuja cultura e estilo de vida lembra muito os costumes dos terráqueos. Os símios, como preferem ser chamados (para eles “macaco” é uma palavra ofensiva) entram em choque ao se depararem com um ser humano capaz de falar e raciocinar, algo que até então julgavam impossível. Taylor torna-se prisioneiro ao lado dos demais humanos que habitam o planeta, embora seus dotes intelectuais gerem uma grande polêmica junto às autoridades símias, que por algum motivo consideram a presença de tal  “anomalia” uma ameaça ao futuro de sua civilização.

Ao mesmo tempo em que Taylor se vê horrorizado pela forma como os macacos tratam os seres humanos, passa a refletir sobre como sua própria raça/civilização subjulga não apenas as outras espécies, mas as culturas consideradas inferiores.  O ponto mais interessante da trama é a chamada Zona Proibida, um local distante da civilização dos símios, considerado “fora dos limites” pelas autoridades. Ao final, Taylor consegue  se libertar de sua condição de prisioneiro e chegar até a Zona Proibida, onde descobre uma terrível verdade. Ao se deparar com os destroços da Estátua da Liberdade à beira do mar, em meio a um deserto de areia, Taylor se dá conta de que o planeta que descobriu é na verdade o futuro de seu próprio planeta, a Terra, cuja civilização foi destruída em decorrência da irracionalidade do ser humano.

Primeiro beijo “entre espécies” do cinema?

Produzido no momento histórico hoje lembrado pela Guerra do Vietnã, a Corrida Espacial o auge da paranóia da Guerra Fria e o medo de uma Guerra Nuclear, Planeta dos Macacos foi uma produção corajosa, ousando enfrentar a ideologia dominante num momento crucial da História, ao sugerir que nossa idéia de civilização poderia conduzir a humanidade ao seu fim. É justamente por isso que considero o conceito de Zona Proibida um dos pontos mais fortes do filme: a raça que passou a dominar o planeta quer esconder os resquícios da cultura humana, com medo de que sua civilização venha a cometer os mesmos erros que levaram a humanidade à ruína, o que explica também a histeria que Taylor provoca ao se mostrar capaz de falar e raciocinar.

O mais curioso a respeito dessa produção é notar que as resenhas escritas pela crítica especializada da época pareciam alheias ao conteúdo político e filosófico do filme, taxando-o de puro entretenimento descompromissado. Assim como outras grandes obras de ficção-científica do cinema, Planeta dos Macacos só foi inteiramente entendido muito depois de seu lançamento, o que o coloca ao lado de clássicos como Metrópolis, Blade Runner, 2001 – Uma Odisséia no Espaço e O Incrível Homem que Encolheu, entre outros, como obras inicialmente mal interpretadas, mas que se revelariam atemporais e fundamentais para se entender a história da humanidade.

A atemporalidade do filme não se resume à força de sua mensagem. Tecnicamente, Planeta dos Macacos também é um produção importante o que  impediu que o filme envelhecesse mal. Mas o que o elevou ao status de obra-prima sem dúvida foi o final, um dos mais chocantes, tristes e significativos da história do cinema.

As continuações dessa franquia criadas para os produtores  poderem pagar o sofrido leite de seus filhos, além dos 4 filmes iniciais uma série de bastante sucesso na tv.

De Volta ao Planeta dos Macacos (1970), de Ted Post


Fuga do Planeta dos Macacos (1971), de Don Taylor

A Conquista do Planeta dos Macacos (1972), de J. Lee Thompsom

A Batalha do Planeta dos Macacos (1973), de J. Lee Thompsom

“É! Você não está sabendo, não? Agora é lei, cada macaco no seu galho!”

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EXPLORANDO O COSMO COM O SURFISTA PRATEADO

por Guy Santos

Os super-heróis Marvel já protagonizaram muitas séries animadas, mas a melhor delas teve uma vida curta. “Silver Surfer The Animated series” (“O Surfista Prateado A Série Animada” em português) de 1998, possui-o apenas uma temporada com 13 episódios. O desenho era muito complexo e melancólico, coisas que sempre andaram ao lado do Surfista nos quadrinhos. Secundo especulações que rolam na internet, uma segunda temporada havia sido cancelada pelo fato que a Marvel, na época, estava passado por problemas financeiros, e a série era muito bem finalizada, mesclando as técnicas de animação cel (uma técnica que deixa o 3D mais próximo do 2D), usada para Galactus e nas naves por exemplo, com o convencional e refinado 2D. A  arte é exuberante, percebe-se até mesmo um pouco de Jack Kirby no design dos personagens.

Surfista Prateado, criado por Jack Kirby

Existem várias diferenças entre o gibi e o desenho animado, como por exemplo, a nave de Galactus, que em vez da famosa esfera dos quadrinhos, na série animada tem um formato de disco voador, o Quarteto Fantástico não tem parte na chegada de Galactus no planeta Terra e o Surfista Prateado não fica aprisionado em nosso mundo.

GALACTUS, criado por Stan Lee & Jack Kirby – THANOS, criado por Jim Starlin

Resumindo o início da história, que é narrada pelo Vigia, Norrin Radd, nativo do planeta Zenn-la, se oferece como arauto para Galactus em troca de seu mundo, assim sendo o gigante devorador de mundos transforma Radd no Surfista Prateado, lhe dando o poder cósmico e lhe enviando para o espaço para ele ir em busca de novos mundos para serem devorados por Galactus, que por sua vez cumpre sua parte e poupa Zenn-la. No entanto o gigante nublou a memoria do Surfista, privando-o de se lembrar de seu mundo e de sua amada Shalla-Bal.

Shalla-Bal, o eterno amor do Surfista Prateado

Na série Thanos está quase sempre falando com uma estatua da Senhora Morte, Adam Warlock vive preso em uma dimensão lutando contra os Krees e mesmo tendo a escolha, no final do episódio, de se libertar, escolhe continuar na dimensão, lutado repetidas vezes a mesma batalha, estes e outros diversos personagens do universo Marvel tornam a série ainda mais interessante, entre eles estão até mesmo Eternidade e Infinito. Muitos dos personagens explorados eram complexos, nem mesmo o próprio Surfista foge a regra.

Mesmo tendo uma vida curta “O Surfista Prateado A Série Animada”, merece sua atenção, foi inovadora e trouxe elementos nunca antes experimentados em desenhos de super-heróis. Se a série tivesse continuado, com certeza, traria mais incríveis aventuras cósmicas.

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Liberdade, Igualdade e Fraternidade, para Mutantes com Orgulho!

Por Rodrigo “With Proud” Broilo

É preciso que se repita, quase como um mantra, “eu não leio Marvel!”. Não, meus caros, eu não leio. Mas como disse anteriormente, eu assisto. Últimos dias como eu estava meio dengoso (Como eu disse “Podia ser uma Paquita, podia até ser o Praga, mas não… era Dengue”) resolvi acabar com o gap que existia entre eu e a trilogia original de X-Men. Sim, meus caros devotos, eu não havia assistido todos os filmes dos X-Men! Faltava o terceiro… Mas é sempre assim… Sempre sobra o último… O último “Matrix”… O episódio 3 de “Star Wars”… Os últimos “Harry Potter”… O último “Senhor dos Anéis”… Mas enfim… “Assisti-o-o!”

Por mais que eu não seja a pessoa mais adequada pra falar sobre cronologia e eventos “ecsmênicos”, a filosofia, sociologia e psicologia envolvidas na mitologia dos mutantes é algo que me fascina. Assim que o Pai Celestial me rebotar e eu reiniciar como um Titã original, talvez eu me dedique a esses estudos.

Mas agora eu quero só levantar algumas questões, afinal são elas que movem o mundo.

Domingo passado foi do dia da Consciência Negra; Todos os anos a maior parte das capitais brasileiras tem suas “Paradas Gays”; Dia 1º de dezembro é o Dia Mundial de Combate à AIDS; Boa parte dos brasileiros luta pelo direito de casar com quem quiser e ter seus filhos; Projetos de lei tentam não tirar os direitos que temos de possuir um Estado laico (fazendo de conta que o Brasil seja um); Mulheres no mundo todo lutam contra a desigualdade de direitos, contra a violência, a submissão e a mutilação, ditadas pela cultura e religião de seus países; Pessoas com deficiência tentam viver normalmente em um mundo que não os atende. Não tem como negar que o padrão de excelência da sociedade é o homem branco, loiro, de olhos azuis, heterossexual, católico, senhor de suas habilidades físicas e intelectuais. As outras “minorias” são degraus abaixo, às vezes muito abaixo, nessa escada evolutiva. Mulheres, negros, gays, gordos, judeus, ateus, e demais, são seres inferiores. Estou contando alguma novidade? Acho que não!

Mas os mutantes, em sua diferença, são os personagens de quadrinhos que até hoje melhor representaram, figurativamente, essa irracionalidade humana de temer e odiar o que é diferente. São a analogia “máster”. Quem lê os quadrinhos, sabe muito bem do que falo, não? Mas quem assistiu a qualquer um dos 5 filmes (X-Men, X2, X-Men: Last Stand, Origins: Wolverine ou First Class), também sabe que nós, os Homo sapiens atacamos e tememos os Homo superior. É essa nossa habilidade de nos achar importantes demais.

Não é preciso muito pra transpor o ódio dos humanos aos mutantes dos quadrinhos, para qualquer tipo de preconceito sexual-étnico-racial de nossa realidade de Crise. Mas esse é só um ponto.

O que quero abordar são conceitos que os franceses e maçons bem conhecem: você já ouviu falar em “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”?

Lema da Revolução Francesa, essas três palavras são para algumas vertentes ideológicas, filosóficas, ou religiosas (vai saber), pilares para se construir uma perfeita sociedade. Sem recorrer a nenhum pensador, podemos nós mesmos definir o que são cada uma delas.

Liberdade seria o uso que temos do tal “livre-arbítrio”, de escolher o que queremos para nossas vidas, de decidirmos o que queremos de nosso futuro, sem que ele fira ou interfira a liberdade de outro.

Igualdade é a noção de que, apesar de todas as diferenças físicas, morais e psicológicas que todos nós temos entre si, somos iguais em termos de direitos, sem superioridades ou relações de poder.

E, por fim, a fraternidade seria a convivência que satisfaça as intenções e necessidades de todos os envolvidos, trazendo boas relações, amizade, companheirismo e mutualismo.

Se formos analisar os líderes da pentalogia de filmes dos X-Men, Charles e Magneto, veremos que esses valores são muito divididos.

Fraternidade é algo que aparentemente ambos defendem. O Professor com seus X-Men, e Magneto com sua Irmandade de Mutantes. Mas quais são as reais intenções de Magneto ao se unir a outros mutantes? Quando da Invasão da Irmandade de Mutantes à Ilha de Alcatraz em “X-Men 3”, Eric diz a Fanático, “deixe que os peões vão na frente”.  Quando Mística é “curada”, ele a abandona, pois ela não é mais uma mutante, é uma reles humana. A lógica de Magneto é utilitarista, ou seja, os fins justificam os meios, não importa que outros mutantes padeçam, desde que seu objetivo seja alcançado. Já Charles, tem com os seus X-Men a intenção de criar um grupo que se ajude, que evolua em conjunto, e se dedique a viver em paz com a humanidade.

E é aí que entra a Igualdade. Magneto acredita na superioridade dos mutantes, e vê os humanos como inimigos, o que na verdade realmente são. Charles acredita que humanos e mutantes podem conviver pacificamente, como iguais, em uma fraternidade. Percebem? Dois dos valores são perceptivelmente as base de Charles Xavier para sua política de “boa vizinhança” entre mutantes e humanos. Mas qual o preço? A liberdade!

Nesse pilar, Magneto, à sua maneira, é muito mais “Libertário” que Charles. Xavier domou, pra não dizer dominou, os poderes de Jean Grey em X3 pela magnitude que eles possuem. Em “First Class” ele tentava convencer Mística a não mostrar sua verdadeira natureza, em nome de uma igualdade, algo que Eric era estritamente contra. Em X2, Magneto diz a Pyro que ele é “um deus entre insetos”, e que ele não deixasse que ninguém o convencesse do contrário. Charles tomou o corpo do homem sem consciência ao final de X3, como se aquele fosse uma roupa nova esperando por ele. Magneto, assim como Mística, em “First Class” defendeu o orgulho de ser mutante, querem se sobressair. Charles quer se misturar.

Se formos analisar mais, todos os filmes de X-Men são, em suma, sobre Igualdade, Fraternidade e Liberdade. A luta para se reconhecer os mutantes como tendo direitos, a busca por uma convivência pacífica e benéfica para todos, a discussão sobre o que cada lado pode ou não fazer com relação ao outro. Igualdade, Fraternidade e Liberdade.

Uns mais, outros menos, são esses (claro, só relembrando, em minha modesta e cinematograficamente limitada visão de mutantes das coisas) os motes das diferenças básicas de visões entre Magneto e Professor X. De um lado o orgulho e a visão de superioridade da raça mutante, marcada pelo utilitarismo, ou seja, não importa como, que seja; De outro a busca por uma vida tranquila, onde homens e mutantes vivam igual e fraternamente, mesmo que para isso se quebrem alguns ovos.

Agora, é difícil transpor isso para nossa realidade e pôr as nossas “páreas” no lugar dos Mutantes, e ver que eles têm diferentes formas de encarar o ódio e o medo que suas diferenças causam nos “normais”? Que uns retroalimentam esse ódio, enquanto outros só querem passar despercebidos? Tire suas próprias conclusões.

Como eu disse, vim aqui só levantar algumas questões, pois por mais que eu tenha uma preguiça enorme de começar a essa altura da vida a ler Marvel (embora seja um bom momento), a analogia que os X-Men representa de nossa sociedade, é algo que me encanta.

Liberdade, Igualdade e Fraternidade, para Mutantes com Orgulho!

Anjos Rebeldes – A guerra no Paraíso por ciúme aos macacos falantes.

Por Venerável  Victor “macaco falante”  Vaughan

Desde que você nasceu, você foi educado, normalmente, pra acreditar que existe um Deus e que os anjos foram criados por ele com a missão de nos guiar e proteger. Que existe harmonia no céu e que quando morrermos vamos para o paraíso eterno , alguns imaginam esse paraíso como um lugar onde você passa o dia inteiro deitado em uma nuvenzinha ouvindo Querubim tocar harpa (cadê o som do Red Hot Chiili Peppers, poxa!) outros vão  se deitar  nas mais belas almofadas de seda com fios de ouro, tendo rios de mel e leite em volta além  das  40 virgens é claro, como de padrão (quero ver onde eles acham essas 40 virgens, aqui no Rio que não é) Não é isso que  o autor e diretor da obra, Gregory Widen  propõe com sua elogiada e intrigante trilogia “The prophecy” , que por motivos comerciais depois foi rebatizada de “God’s Army” na distribuição mundial e no Brasil como não podia deixar de ser – por causa de um filme diferente mas também de terror que também tinha sido rebatizado aqui como A Profecia  - acabou recebendo o título de Anjos Rebeldes.

Somos ensinados e ver os anjos como mensageiros de bons presságios e detentores das mais excelças virtudes. Como o famoso Anjo  - arcanjo “wherever” –  Gabriel! O mesmo que no Novo Testamento anuncia a vinda de Jesus para sua mãe Maria e guia peregrinos e viajantes, que embala criancinhas no sono e transporta nossas almas de volta ao criador na hora de nossa “passagem ” – ai, como estou espírita! – um fofo né?  Mas ele é o mesmo que no Velho Testamento, destroi cidades, toca sua trombeta e transforma a população inteira de uma cidade em sal assim outras piores barbáries… lógico, os anjos são antes de tudo mensageiros, como nossos carteiros humanos, páus mandados de uma autoriadade maior, se em um Testamento ela é cheia de Ira e Vingança e no outro livro ela é amor total e piedade eles  provavelmente parecerão aos olhos de nós, meros mortais e inquilinos dessa bolinha de lama, uns bipolares dos infernos!!!

Mas em Anjos Rebeldes eles são muito mais que esse esteriótipo de criaturas livres de paixões e defeitos, além de que alguns, se recentem do livre arbítrio e alma – a semente/fragmento ou “mônada” divina – concedida pelo criador a todos os seres humanos, chegando mesmo a se ressentirem disso, causando uma guerra no céu por puro ciúme que dura milênios e  está longe de acabar ,escrita em capítulos ocultos e não divulgados da Bíblia Sagrada, com ambas as facções  - as dos anjos leais aos desígnios e vontades divinas e os rebeldes –  não obtendo há muitas eras, sucesso em derrotar seus rivais e com isso ninguém que morre consegue passar pro outro lado, pois o coração do conflito se dá em frente aos Portões do Céu . E Deus não é visto no conflito.

Christopher Walken

E quem é o líder e arquiteto da ideologia do lado rebelde? Gabriel, ele mesmo, tendo Miguel como opositor e fiel a vontade de Deus. E gente… Gabiel não é fraco não… ele está disposto a tudo pra vencer essa guerra e se tornar o senhor do Paraíso, impedindo que os seres humanos ou como ele mesmo fala , “todo trabalhado no despeito” : macacos falantes, tenham paz uma vez mortos.

“Sou um anjo, mato os filhos mesmo com as mães tomando conta. Eu faço as cidades virarem cinzas, eu até retiro a alma das menininhas quando tenho vontade. E até que venha o vosso reino, a única coisa com que podem contar em sua existência, é jamais entender o porquê!”  -  Gabriel

Eric Stoltz

Gabriel vem então à Terra para se apossar da alma de um psicótico coronel do exército americano, Arnold Hawthorne, conhecido por sua frieza nos campos de batalha e por praticar canibalismo com seus inimigos, que havia morrido numa reserva indígena e cuja alma, ainda presa a seu cadáver no caixão, seria fundamental para vencer sua batalha e instaurar um novo inferno nos céus (Lucifer nao vai gostar nada de ter competição nos negócios). Um outro anjo, Simão, contrário às idéias de Gabriel, desce também à Terra e após violento confronto matando outro anjo, Uziel, onde fica gravemente ferido, se apossa da alma do sanguinário coronel e antes de morrer, torturado e queimado vivo por Gabriel, a repassa para o corpo de uma jovem menina descendente de indígenas chamada Maria. Cabe a um ex seminarista, agora policial e a professora da pequena indiazinha, desvendar todos essas fatos e salvar a garota, impedindo que Gabriel se aposse da alma do velho general.

Viggo Mortensen

O  romance brasileiro, sucesso de vendas pro nosso mercado: A Batalha do Apocalipse, do escritor, jornalista e blogueiro Eduardo Spohr é nitidamente e assumidamente inspirado – o que não desmerece em nada o valor do livro – nessa trilogia clássica, do cinema independente. Que além de roteiro e diálogos coerentes, tem como maior mérito a atuação de Christopher Walken (que vale o filme), Eric Stoltz e Viggo Mortensen, entre outros atores muito bem escolhidos. Se o filme é  de baixo orçamento é por outro lado  infinitamente rico em talentos.

O diretor de fotografia de parte da trilogia relatou em seu blog oficial que diversos acontecimentos bizarros acontecerem durante as gravações. O primeiro filme, apesar de mais barato é o melhor, o segundo é muito bom mas nada mais é que o desenvolvimento de pontas soltas do primeiro já o terceiro apesar de novos personagens incluídos e de ser infinitamente mais bem produzido –  com orgamento mais folgado, vide o sucesso da franquia – é um pouco mais fraco, no entanto  o diretor conclui toda a historia  nos convidando assim como ao jovem ex padre e ao próprio

perturbado Gabriel, que Deus é perdão e compaixão infinita e que existe sim, a possibilidade de redenção de todas as criaturas, sejam elas macacos falantes ou anjos rebeldes!

É como eu sempre divulgo:

“Tudo está perdido mas…existem possibilidades!”

Comunidade do Santuário no FACE

SCANNERS – sua mente pode destruir…terror, ficção científica e muita ração de cachorro.

Por Venerável  ”copiadora preto e branco”  Victor Vaughan

Nossa mente pode tudo: Pode  nos distrair , em vez de eu estar trabalhando muitas vezes estou  no facebook vendo quem escreveu o quê pra quem – não, não sou fofoqueiro, só estudo a sua vida! – pode nos confundir , um grande amigo e mestre, bêbado no carnaval, paquerou num bloco de rua durante alguns minutos uma “gatinha”, ao ver que seus olhares eram retribuídos com sorrisos fartos  se aproximou e viu que  se tratava de um outro amigo nosso, fantasiado de “rapariga” e rindo muito da cara dele. Pode nos iludir , como quando contamos tanto uma mesma mentira, centenas de vezes, por tanto tempo que ela começa a fazer realmente parte das nossas memórias, nos levando a crer que é verdade. E em 1981 para um cineasta canadense cult, ela pode destruir outras mentes!

“10 segundos – a dor começa

15 segundos – você não pode respirar

20 segundos – você explode”

Não se trata da descrição do que acontece quando tomamos vodka nacional. O trecho acima está na capa da edição nacional do DVD do filme, aludindo a épica cena da cabeça que explode, e que coloca a obra que vamos falar em um curioso paradoxo: longe de ser a contribuição máxima de David Cronenberg ao cinema, possui a cena que talvez seja a mais forte expressão do propósito do diretor enquanto cinematógrafo.

Um dos filmes mais famosos de Cronenberg, , Scanners descortina para o espectador o universo dos interesses tecnocientíficos emanados pelas corporações empresariais de vigilância e comunicação.A trama aborda a existência dos Scanners, humanos dotados de terríveis poderes telepáticos (que mais tarde descobrimos serem frutos de uma experiência com drogas aplicadas em mulheres grávidas). Ao todo, são 237 Scanners espalhados pelos EUA, O filme retrata uma espécie de grande guerra telepática  e a primeira ideia de Cronenberg foi, aliás, filmá-la como uma história de espionagem com notórios ecos da “guerra fria”.

O “mocinho”,  Cameron Vale tem poderes telepáticos, mas esse dom vira um pesadelo porque ele não consegue manter sob controle sua capacidade de “escanear” os pensamentos alheios. As mentes dos outros invadem a sua sem descanso, atormentando sua vida e transformando-o num ambulante que não se adapta às exigências da vida social. Um belo dia, porém, ele é capturado pelo Dr. Paul Ruth, que lhe promete uma cura capaz de livrá-lo de seus pesares graças à reorganização de seus circuitos “neuro-telepáticos”, por meio de uma droga chamada Ephemerol. Em troca, o personagem deverá se tornar um espião: terá que usar suas capacidades paranormais como uma arma a serviço da ConSec, uma organização especializada em segurança internacional que está sendo ameaçada por um perigosíssimo grupo de telepatas. Os ataques são liderados pelo sinistro Darryl Revok, um scanner psicopata que é capaz de explodir as cabeças invadidas com seus poderes telecinéticos. Nesse peculiar enredo de saberes e poderes extremos, Cronenberg coloca em cena corpos bioquimicamente manipuláveis, capazes de se transformar nos nodos de uma rede de informações, onde a telepatia pode operar como metáfora de uma sociedade de indivíduos cada vez mais “ligados” e entregues aos imperativos das conexões com a internet.

Nesse filme de terror e ficção científica, Cronenberg fez escola, conseguiu realizar uma produção com efeitos de maquiagem excepcionais, muito antes dos atuais recursos digitais, com técnicas inovadoras que acrescentaram realismo às cenas de cabeças explodindo e às transformações das personagens. Em Scanners a cabeça explodindo por exemplo foi feita com um modelo de borracha, recheado com ração de cachorro e pedaços de carne, ativada por um tiro de espingarda calibre 12. Foi  também referência em situações hilárias, como a cena em que um carro explode segundos antes de bater contra um muro e  por ser um filme independente  - leia-se independente como de baixíssimo orçamento – não poderia ser refeita, sendo editada assim mesmo no original. Além de que a partir desse filme, todos os combates telepáticos  no cinema imitam os personagens de Cronemberg, podem reparar…

Caros DEVOTOS do nosso Santuário, não era novidade na década de 80 o clichê – que traduzindo do francês é: lugar comum –  de cabeças explodindo, Brian de Palma mais de uma década antes já tinha feito isso com outro telepata/telecinético no seu filme “A Fúria” que é infinitamente superior a Scanners . O mérito do diretor que também é o roteirista está em colocar

essa que se tornaria a cena referência de todos os tempos no gênero já no início de seu épico trash,  A partir deste trabalho, David Cronenberg conseguiu abrir as portas de Hollywood para seu ousado e insólito estilo de direção agora em grandes orçamentos .  Minha mente me enganou por anos, assisti esse filme a primeira vez ainda muito pequeno em alguma reprise da Globo e tinha uma ideia totalmente diferente… pra começar passei décadas acreditando que era o Dennis Quaid o protagonista, nunca foi… e que a história era muito mais surpreendente do que realmente é, no entanto seu valor icônico não se alterou. Filme cult obrigatório, recheado de muito sangue e miolos esvoaçantes! Afinal confessem, quem nunca desejou poder explodir a cabeça de algum infeliz pentelho, uma vez na vida?

The Rocky Horror Picture Show

“And Flash Gordon was there in silver underwear
Claude Raines was the invisible man
Then something went wrong for Fay Wray and King Kong
They got caught in a celluloid jam
Then at a deadly pace it came from outer space
And this is how the message ran:

Science Fiction – Double Feature”

Por Rodrigo “Time Warp Dancer” Broilo

Você pode até não curtir o gênero cinematográfico conhecido como “Musical”, mas se você curte ficção científica, assistia “Cine Trash” na Band, tem influências nérdicas e curte aquele som rock-pop dos anos 70, perder “The Rocky Horror Picture Show” é o que se chama sacrilégio.

Eu particularmente não gostava desse gênero até alguns anos atrás. Acho que foi trauma causado por “Chicago”, já que dormi nos primeiros 15 minutos de filme. Mas depois conheci outros muito legais. E recentemente, com “Glee”, fiquei conhecendo este de que vos falo, já que há um episódio inteiro dedicado a esse espetáculo musical. E como encontrei a edição de 25 anos perdida entre as prateleiras da Santa Saraiva, comprei-o(-o). Um vantajoso investimento.

“The Rocky Horror Show” foi um musical que surgiu em 1973 na Inglaterra, escrito e musicado por Richard O’Brien. Dois anos depois o musical virou o filme “The Rocky Horror Picture Show” que teve 1.2 milhões de dólares de orçamento, e não foi sucesso de bilheteria.

Tanto o filme quanto o espetáculo musical, fazem uma sátira à moralidade e sexualidade dos anos 70, já que em ambos ficam claros a perversão sexual que há em quase todos os personagens. Para isso, o enredo se pauta em uma atmosfera baseada em ficção científica e filmes de terror B, com os elementos clássicos do tipo: cientista louco, sua criatura, seus ajudantes, o casal politicamente correto que vai parar por acidente no castelo do “vilão”, alienígenas, assassinato e muito sexo implícito. Mas, claro, com algumas especificidades, uma dose de humor e muita música.

A história começa com o casamento de Ralph e Betty, onde a jovem protagonista do filme, Janet Weiss (vivida por Susan Sarandon) pega o buquê da noiva. É a oportunidade para Brad Majors (Barry Bostwick), seu namorado, pedi-la em noivado ao som de “Dammit, Janet”. Os dois decidem ir a Denton, no interior dos EUA, encontrar o professor Dr. Everett Scott, para agradecê-lo por tê-los apresentado e para convidá-lo para o casamento. Mas devido à chuva e um pneu furado, o casal vai parar no castelo do Dr. Frank-N-Furter. Lá são recepcionados pelo “faz-tudo” Riff Raff (Richard O’Brien, criador do espetáculo), pelo camareira Magenta (Patricia Quinn) e pela groupie Columbia (Nell Campbell) durante uma convenção que se realiza no castelo. Nessa cena é executada uma das melhores músicas do filme, “Time Warp”.

Logo após, chega o Dr. Frank-N-Furter (Tim Curry, no papel que Mike Jagger queria interpretar) para se apresentar aos presentes e descobrimos que ele é um transexual, ao som de “Sweet Transvestite”. Janet e Brad são convidados ao laboratório do Dr. Frank para ver o “nascimento” de Rocky (Peter Hinwood), o homem loiro e musculoso que o cientista estava criando para, como ele mesmo diz, “aliviar sua tensão”.

Após um pequeno assassinato, a história vai se desenrolando em torno da entrega a sexualidade do casal certinho Brad e Janet, enquanto outras insanidades vão acontecendo.

Ao final descobrimos o que é a “Transsexual Transilvania” de onde o Dr. Furter e os demais moradores do castelo vieram. Mas o final não será contado para não estragar o seu prazer!!!

No Brasil, o filme só estreou no inicio dos anos 80 e não foi bem recebido. O DVD da obra contém um disco só de extras.

No ano passado foi realizada uma apresentação comemorativa aos 35 anos do filme, combinando cenas do filme com algumas remontagens de números musicais, no The Wiltern Theater de Los Angeles. Na ocasião Brad e Janet foram interpretados durante as cenas musicais por Matthew Morrison e Lea Michele, da série “Glee”. Ainda tivemos Lucas Grabeel, dos filmes “High School Musical”, como Riff Raff; Melora Hardin, da série “The Office”, como Columbia; Evan Rachel Wood, de “True Blood”, como Magenta; e o ator Julian McMahon, de “Nip/Tuck”, como o cientista Dr. Frank-N-Furter. Durante a música “Time Warp”, Tim Curry e Barry Bostwick, que interpretaram o Dr. Frank e Brad no filme, respectivamente, uniram-se aos atores no palco. A renda do espetáculo foi revertida para o ”The Painted Turtle”, instituição financeira criada por Paul Newman para auxiliar crianças doentes.

Além de “Glee”, a série Cold Case (Arquivo Morto no Brasil) exibiu um episódio (2ª temporada – Episódio 21: ”Creatures Of The Night”) que faz referências ao filme, inclusive tocando uma de suas canções ao final: “Over at the Frankenstein Place”.

O roteiro original de “The Rocky Horror Picture Show” previa que no início, o filme seria em preto e branco, até o surgimento do Dr. Frank-N-Furter, e que após um close em seus lábios, o filme passaria a ser a cores.

O filme é considerado cult em muitos países de língua inglesa, como por exemplo no Canadá e EUA, e em Munique há um cinema onde o filme está em cartaz desde o seu lançamento, sendo o recorde mundial de maior tempo de permanência. O filme passa na sessão da meia noite, assim como muitas das sessões do musical já que a classificação indicativa é de 18 anos (pelo menos no Brasil).

Mais do que uma sátira aos filmes de ficção científica e de terror, “The Rocky Horror Picture Show” satiriza a própria humanidade, sua moralidade e seu aprisionamento de sexualidade. Durante uma das músicas finais, chamada “Super-Heroes”, ouvimos o seguinte:

“And crawling on the planet’s face
Some insects called the human race
Lost in time, and lost in space
And meaning”

Vale muito a pena conferir esse filme clássico, chorar de rir com os efeitos especiais e sentir a batida musical do rock e do pop dos anos 70.

“Rose tints my world keeps me
Safe from my trouble and pain”

Se interessou? Então aprende a dançar!

O Super-homem da contracultura, GODSPELL – O Musical

Por Venerável Victor  ”O filho do Homem”  Vaughan

“Se Deus é brasileiro, o Papa é carioca!”. Assim dizendo, João de Deus, ou João Paulo II (“O papa é pop”), em sua visita à Cidade Maravilhosa, arrebatou de vez o coração dos brasileiros com o carisma de praxe. Enquanto os EUA sobreviveram a tragédia anunciada do furacão Irene, é inevitável pensar mais uma vez que nosso país é abençoado pelo “cara lá de cima” (desculpe Xuxa, te roubei essa)… mas espere aí: E os deslizamentos na serra? E as secas e enchentes no norte/nordeste/sul? E o furacão Catarina? E a Furação 2000 ? Tati quebra Barraco, Leandro e as Abusadas, Sertanejo Universitário e seus incalculáveis prejuízos à nação???

No coração dos anos 60 um furação cultural arrebatou, principalmente, o país do Tio San: A Contracultura que, retroalimentada nos então novos meios de comunicação de massa, repercutia e se reproduzia globo afora. No rastro de contestações, liberação sexual, paz e amor, diversas obras de arte foram propaganda das novas idéias, entre essas obras o musical “GODSPELL” que, em 1972 dizia que não, Deus não é brasileiro.

De Stephen Schwartz e John-Michael Tebelak, o musical bebia no cálice do Evangelho de São Mateus pra nos brindar com uma mensagem cristã e bem política. Amar uns aos outros, não saber uma mão o que faz a outra, oferecer a outra face, entre tantas outras regras de convivência harmônica com o semelhante, são tratadas com delicadeza e humor no filme. Sem humor, aliás, Godspell não poderia ser tão fiel aos preceitos cristãos; é evidente em quase todas as sequências a alegria que a “boa Nova” promove ao ser transmitida.

Na tumultuada Nova York dos baby-boomers um saltimbanco andarilho arregimenta alguns cidadãos que, ao ouvirem o som de sua corneta, deixam o tédio para trás e seguem seu chamado. A bailarina, o cozinheiro, a bibliotecária, o taxista, a atriz aspirante e a garçonete se reunem no Central Park para serem batizados no chafariz principal. Neste momento fica evidente o paralelo do

movimento hyppie com os primeiros seguidores de Jesus, rebeldes do amor de seu tempo. Esta metáfora, nada sutil e bem proposital, dita a obra. Como no Batismo de João, o saltimbanco mergulha as almas na nova vida enquanto avisa que os está batizando com água, mas que no futuro o Messias os iria batizar com fogo e com o Espírito Santo.

E eis que ninguém menos que um PALHAÇO surge e pede pra ser batizado; o João Batista hyponga se recusa, diz que ele é quem deveria se-lo… Estava apresentado ao mundo um Jesus renascido da contracultura, circense, libertário e com um baita brasão de “S” amarelo e vermelho na camiseta azul… Um Super Jesus, um Deus americano.

Na parte técnica a obra também não deixa a desejar: Canções como “Day by Day”, que alcançou o número 13 na lista da revista Billboard no verão de 1972, é de tirar o fôlego; os intérpretes dão show, a fotografia é espetacular e o ator principal, Victor Garber, que anos depois foi o construtor do Titanic no filme de James Cameron, está bem… bem Jesus.

Godspell é como um “Evangelho segundo os novos tempos” que, dos milagres à crucificação e ressurreição, de Madalena a Judas, reenvia as mensagens em parábolas, músicas e encenações comoventes. O Jesus-palhaço é um arauto do amor, cujo símbolo leva pintado ludicamente na testa. Às vezes parece que o filme foi feito por uma criança… uma criança genial!

Vencedores de vários Gremmys com este e outros trabalhos, Schwartz e Tebelak, ao

mesmo tempo que redimiam o movimento hyppie defendendo sua legitimidade moral, sacudiram a poeira de séculos que se acumulava sobre o próprio cristianismo esquecido de suas origens.

“You are the light of the world!”

               Mateus 5:14