Arlequim – A hora de se fazer a fantasia

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por Carlos “ainda bobo” Lenilton

Img-de-CapaarlequinaAntes de começar a “falar” sobre o que realmente me proponho hoje, quero pedir desculpas a quem procurava uma nova resenha sobre o Questão. Preferi dar uma semana de descanso pra mim, que tenho apenas uma pauta por semana e dezenas de assuntos que gostaria de tratar, e também pra vocês, senão podem enjoar do mesmo assunto por mim trabalhado sempre.

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REVISTA PUNK – Faça você mesmo!

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Img-de-CaparevistapunkConheça a revista Punk, uma publicação totalmente independente cuja primeira edição é composta por meia dúzia de histórias com os mais variados temas e estilos, que passeiam do Terror, aventura ao Cyber Punk. Todas escritas por Adriano Sousa, o idealizador desse projeto e desenhadas por seis talentosos diferentes desenhistas e algumas com capas do talentosíssimo Eliel Ribeiro. Mas  quem são esses guerrilheiros culturais que compõe a R.P.?

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Astronauta – Magnetar

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Por Carlos Lenilton

astroDepois de ler inúmeras resenhas elogiativas e de ver circulando no Twitter outros tantos belos comentários a respeito desde álbum, eu disse a mim mesmo que precisava ler este lançamento. E que não podia deixar de falar sobre o melhor quadrinho brasileiro de 2012.

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O MYSTERIO DA GARRA CINZENTA

Por Rodrigo Garrit

Este é um momento muito especial, pois não é todo dia que se pode falar sobre aquela que é considerada a primeira HQ de terror do Brasil. Uma coleção de histórias que ficaram na história.

Esse mysterioso personagem já deu as caras aqui no Santuário, numa das mais terrificantes Sextas Malditas já publicadas. Se quiser conferir, benza-se e clique aqui.

Publicada originalmente na Gazetinha (que também foi a primeira casa de personagens como Superman e Fantasma no Brasil), era um complemento do jornal A Gazeta e tinha o formato de uma história semanal de apenas uma página, o que já era muito comparado as tiras de três ou quatro quadrinhos costumeiros. Teve forte influência dos “pulp” americanos e segundo estudiosos no assunto,  influenciou a publicação de outros personagens estrangeiros na Itália (Kriminal e Satanik) e nos EUA, o Blazing Skull (Caveira Flamejante) da Marvel Comics. Era o inconsciente coletivo viajando pela linha invisível da imaginação e tocando as mentes criativas ao redor do mundo no mesmo período de tempo, sem limites ou fronteiras. Mas esse é apenas um exemplo de uma teoria lançada por Alan Moore no documentário “The Mindscape of Alan Moore”, que não vem ao caso agora.

Teria o “Caveira Flamejante” da Marvel sido influenciado pelo Garra Cinzenta?

Com roteiros de Francisco Armond e arte de Renato Silva, “Garra Cinzenta”, além de uma leitura deliciosa é uma preciosidade imensurável. Um dos grandes mysterios fica por conta do autor, Francisco Armond. Sabe-se que usava esse nome como pseudônimo, e nunca revelou-se ao grande público. Existe uma suspeita que nunca foi de fato confirmada. Especula-se que tratava-se da jornalista e poeta Helena Ferrz de Abreu, ocultando-se para evitar o preconceito existente na época contra uma mulher escrevendo quadrinhos, e pior, de terror!

Não me aprofundarei aqui na fascinante história dessa história, isso pode ser encontrado pelo leitor na caprichada edição de capa dura publicada pela Conrad, com texto fantástico de Worney Almeida de Souza, um verdadeiro documento histórico de valor incalculável das raízes quadrinhisticas brasileiras. Uma viagem inspiradora ao passado, numa semana em mergulhei de cabeça em vários filmes de Mazzaropi (que completaria 100 anos de idade este ano) e Charles Chaplin, dois mestres distintos e unidos pela genialidade imortalizada nas projeções de cinema e sonhos que semearam em suas carreiras. E tudo isso ao som de Dalva de Oliveira, num “intercâmbio” cultural e atemporal inesquecível entre minha avó e eu.

Renato Silva (1904-1981), desenhista de A Garra Cinzenta publicou o manual “A Arte de Desenhar Histórias em Quadrinhos”. Na imagem podemos ver os comparsas do Garra, Flag e a Dama de Negro.

A Garra Cinzenta é um sinal de morte. Aqueles que recebem seu cartão, estão com os dias contados. Uma série de crimes e assassinatos assombra todo o país, fazendo desse criminoso um verdadeiro mito urbano. Cabe ao Inspector Higgins desvendar o mysterio e dar um fim aos actos do facínora.

E não penses que por tratar-se de uma história publicada entre 1937 e 1939 seu enredo será ingênuo ou pueril; o mysterio sobre a identidade e o motivo dos crimes da Garra Cinzenta não são meramente lançados ao acaso, eles têm consistência e uma razão de existir e funcionar em favor da história.

Confesso que fui narcotizado ao entregar-me a essa leitura, mas sou duro de roer, meu velho. Em alguns momentos dessa experiência surpreendi-me com a desfaçatez desse velhaco, cujas barbaridades rivalizam com as de vilões que nasceriam décadas depois. A maldade, pelo que pude constatar, não envelhece.

“Será dono do mundo quem tiver a chave”. Mas não queira ter a chave do sombrio laboratório secreto de torturas e ciências ocultas da Garra Cinzenta. Um lugar que ele apelidou de “Mansão da vida e da morte”, repleto de passagens secretas que levam a labirintos ocultos em enormes galerias sob a cidade, onde armadilhas mortais são encontradas e podem ser a última coisa que um bisbilhoteiro incauto pode descobrir. Mas se sobreviver a eles e insistir em percorrer os sinistros corredores infectos de puro mal, poderão vislumbrar algumas celas da verdadeira fábrica de monstros mantida pelo “Homem-Caveira”, como alguns também se referem ao Garra. Então, não será surpresa esbarrar em múmias e autômatos assassinos de puro aço e maldade, frutos de uma distorcida e maculada alchimia medieval e de suas terrificantes experiências.

A “Fábrica de Monstros” incluí um feroz espécime gigante de “Homem-Macaco” e uma combinação maligna de robótica com engenharia genética, que gerou seu perturbado ajudante chamado “Flag”, que não pode falar ou exprimir sentimentos… apenas enterra-los dentro de si e libera-los na forma de sua fúria assassina e incontrolável… além de outras surpresas bizarras.

Gênio do mal, Garra Cinzenta usa todo seu intelecto de brilhante cientista experimentando mutações dolorosas em seres humanos…. e não poupa requintes de crueldade contra seus inimigos e todos aqueles que obstruírem seus planos.

O objetivo máximo desse maquiavélico criminoso é reproduzir e aperfeiçoar a fórmula do “Licor da Vida” de Nostradamus… o segredo mais bem guardado e nunca revelado dos grandes alchimistas, e até mesmo negado por eles: o dom de reverter a morte. Um objetivo que pode estar bem próximo de ser alcançado na figura de sua mysteriosa Dama de Negro… e que ele não vai parar de tentar obter, não importa quantos mais tenham que morrer, não importa quantos cadáveres mais ele tenha que roubar…

Durante toda a narrativa somos iluminados com a sensatez e proeza do Inspector Higgins, que além de grande detetive, parece não ter medo da morte ou de dar sua vida em troca da solução desse mysterio.

Terias essa coragem?

 

F.D.P. – Se não morrer ninguém não é notícia!

Resenha de “F.D.P.” e bate papo com o roteirista Leonardo Santana!

Por Rodrigo Garrit

Parem as prensas!

Conheça Fernando Drummond Pessoa… um jornalista que não é exatamente bem visto pelas pessoas à sua volta… na verdade, o fato de parecer estar sempre envolvido em alguma encrenca não o ajuda muito a socializar, e não é raro que seja dado um outro sentido para as iniciais do seu nome: FILHO DA PUTA!

Mas apesar de tudo ele é um adorável canalha, e busca trazer a verdade à tona com suas matérias, mesmo que seus métodos não sejam dos mais ortodoxos. Ele trabalha para mídia impressa de um grande jornal metropolitano e por causa de seu estilo “porralouca”, suas reportagens o colocam nas situações mais estressantes e perigosas que se possa imaginar… da máfia à seres sobrenaturais… mas esse F.D.P. sempre consegue um jeito de se sair bem… pelo menos até agora!

Nessa sua primeira aparição, somos apresentados ao universo do personagem, e sua rotina nada tranquila. Fernando vive cheio de hematomas, e rodeado por reclamações e gritaria, mas não foge da raia pra conseguir uma história… se bem que muitas vezes é colocado em situações de risco contra sua vontade…

Não espere “lugar comum”, ele não é o típico super-herói ao estilo americano, não tem poderes e tampouco uniforme colorido… e nem suas histórias se propõem a isso. Mas apesar de ser um roteiro “pé no chão”, o elemento sobrenatural e por que não dizer a ficção científica, também estão presentes, deixando claro o tom pelo qual será levada a história, (reparem a notícia estampada no jornal jogado no chão na primeira página da HQ) o que complica ainda mais a vida do protagonista, um homem comum colocado de frente com poderes além da compreensão… ou ele tem um ás na manga? Em se tratando do F.D.P., nunca se sabe.

A arte de J. Henrique é perfeita para o clima da história, e funciona muito bem ao retratar um canalha com o qual acabamos por simpatizar. A edição é caprichada, impressa em papel de qualidade e totalmente colorida. Vale destacar o belo trabalho de colorização de Téo Pinheiro, o que abrilhantou ainda mais essa edição.

Uma HQ divertida e descompromissada… excelente opção para quem quer ler algo de qualidade produzido no Brasil!

O autor recomenda que a leitura seja feita ao som de “A Little Less Conversation” do Elvis.

SANTUÁRIO: Quando você deixou de ser um leitor, e descobriu que era um autor, que queria escrever suas próprias histórias? Houve essa transição ou você sempre se viu como criador?

LEONARDO SANTANA: Desde a adolescência, sempre me vi desenhando. Acho que todo mundo que gosta realmente de histórias em quadrinhos, mais cedo ou mais tarde acaba se aventurando nessa arte. Os que sentem que tem algum talento, continuam (Muitos não), os outros acabam se contentando em apenas consumir passivamente as histórias. Quando cheguei ao fim de minha adolescência, me vi jogado no mundo adulto e tendo que trabalhar, formar família, etc. Isto me afastou dos quadrinhos como um todo (Tanto leitura quanto produção). Após alguns anos, com uma pequena mas certa estabilidade, resolvi me aventurar novamente na produção de quadrinhos. Logo percebi que sentar direto e desenhar a história sem ter um script pronto era improdutivo pois precisava sempre voltar e corrigir mudanças na trama. Acabei tomando gosto pela arte de escrever. Isso e a percepção de que meus desenhos sempre foram amadores, me fizeram focar apenas na parte que se refere aos roteiros, deixando a arte para pessoas mais talentosas.

S: Como foi sua trajetória como roteirista, desde o começo até hoje… quais trabalhos mais te deixaram feliz?  Fale um pouco sobre cada um dos seus prêmios que recebeu.

LS: Comecei participando de listas de quadrinhos e oferecendo meus préstimos na arte do roteiro para quem solicitava ou precisava. E como ninguém me conhecia, eu focava em duas coisas: rapidez e qualidade. Quando alguém precisava de um roteiro de, digamos, até 8 páginas, eu conseguia fazer  em 3 a 7 dias. Como os roteiros feitos nessa época agradavam aos que os liam, acabei me destacando e sendo chamado para alguns projetos. O mais importante desses foi a revista BRADO RETUMBANTE no qual participei escrevendo uma personagem de terceiros, Cabala, e, posteriormente, acabei trabalhando como editor da revista. Esse trabalho foi tão bem aceito que eu acabei ganhando o prêmio DB artes como melhor roteirista. A revista também me abriu portas para novas parcerias como, por exemplo, a P.A.D.A.. Para a P.A.D.A., através de sua revista Prismarte, publiquei vários trabalhos como colaborador o que me rendeu vários prêmios concedidos pela P.A.D.A. e intitulados, então, de OS MELHORES DA PRISMARTE. E foi um dos trabalhos publicados na Prismarte que rendeu o Trofeu Alfaitaria de Fanzines como melhor roteirista. Trata-se da História “Cláudia encontra a felicidade”, da série “Metrópoles”. Vários trabalhos que fiz me deixaram feliz. São como filhos, difícil escolher um só. Acho que, partindo da receptividade que certas histórias e personagens receberam, eu poderia listar o F.D.P., Renegado 3000, As novas amazonas e Andrômeda.

S: Como é sua relação de trabalho com os desenhistas? Vocês mantém um contato próximo, discutem o roteiro detalhadamente ou você prefere passar uma ideia geral e deixar o artista trabalhar em cima dela?

LS: Eu gosto de pensar que minha relação com os desenhistas é honesta e aberta. O contato que mantemos não é tão próximo quanto eu gostaria mas ele com certeza se estreita durante a produção de uma HQ. Meu método de trabalho é, normalmente, o seguinte: Eu escrevo um roteiro no estilo Full Script com todas as descrições de cada quadro o mais minuciosamente que seja necessário. Depois disso, passo para o desenhista que tem liberdade total para fazer o que tem no script (Tanto que não chego a aprovar cada página que vai ficando pronta). O que tento evitar é que o desenhista mude a história sem a gente bater um papo antes.  Como a história é minha, gosto de ter a palavra final sobre aquilo que vai ter o meu nome nos créditos. Mas, na maioria dos casos, a mudança que os desenhistas propõem fazer são menos traumáticas para a história e acabam melhorando o resultado final de modo que, normalmente, não temos problemas quanto a isso.

S: Falando mais especificamente do F.D.P., conte mais sobre o processo de criação do personagem… existe alguma coisa nele “emprestada” da sua personalidade ou de alguém próximo, ou ali é tudo 100% ficção?

LS: O F.D.P. é um projeto muito antigo. Acho que foi um dos primeiros personagens que criei. Ele já se chamou BASTARDO, SAFADO e outros nomes antes de eu fechar com o F.D.P.. Eu gosto de brincar dizendo que as histórias do F.D.P. são uma mistura de Charles Bukowski com Arquivo X. Quanto a personalidade do F.D.P., ela é totalmente ficcional. Eu diria que ela representa o meu lado negativo (Tudo o que eu não sou ou penso).

S: Quais outros criadores brasileiros ainda desconhecidos do grande público você apontaria como grandes apostas pro futuro? O que você está lendo atualmente em matéria de quadrinhos nacionais?

LS: Essa é o tipo de pergunta que eu normalmente faço aos outros. Eu acho que temos bons nomes despontando no cenário nacional e, embora eles façam até um certo sucesso, não chegam a ser conhecidos do grande público por que não existe um trabalho midiático e editorial por trás deles. Quero dizer, alguns deles até tem editoras por trás mas elas normalmente apenas imprimem o trabalho e o lançam sem suporte publicitário algum.  Mas eu poderia citar, mesmo nem todos sendo totalmente desconhecidos, Will, Daniel Esteves, Luciano Félix e Téo Pinheiro (Ambos da P.A.D.A.), Rom Freire, Marcos Caldas e por aí vai.

Atualmente estou lendo alguns títulos da DC (Mulher maravilha, Frankestein, Monstro do Pântano, etc), relendo a série de Hellblazer (Por que percebo que deixei passar muitos números por causa da zona que foi a publicação do título no Brasil), Walking Dead, 100 balas (Fantástica!!!!) , Sandman Mystery Theather e a fabulosa X-Force.

S: E de modo geral, que tipo de quadrinhos, livros ou filmes você tem curtido recentemente?

LS: Eu gosto de quadrinhos bem escritos e com boas tramas. Nesse meio, destacam-se 100 balas e the walking dead. O restante do que leio é o que é suficiente para não me deixar entediado e me manter minimamente atualizado.  De livros, comecei a ler Ulisses de James Joyce mas parei porque senti a necessidade de ler primeiro o livro A Odisséia de Homero para poder entender melhor as similaridades e diferenças sutis que existem entre os dois. No momento estou relendo FREE, O FUTURO DOS PREÇOS de Chris Anderson, autor do livro A Cauda Longa que explica o mercado virtual de sucesso voltado para nichos específicos. Também li A LEITURA DOS QUADRINHOS de Paulo Ramos. De filmes, tenho tido cada vez menos paciência para ficar duas horas assistindo a uma única história. Mas, do cinema, gostei muito dos Vingadores. Em casa, os últimos filmes que assisti que me deixaram com um frisson no corpo foram Drive e Projeto X.

S: Em sua opinião, existe chance de surgir um mercado editorial rentável de quadrinhos nacionais, além da franquia da Turma da Mônica? Ou isso deve acontecer somente num futuro distante? 

LS: Digamos que existe um ambiente totalmente favorável para isso. Infelizmente, as editoras não querem arriscar um centavo sequer. Preferem continuar apostando nos mesmos cavalos. Existem algumas iniciativas saindo um pouco dessa linha mas ainda são muito tímidas para dizer que estão estimulando o mercado e não apenas poucos artistas individuais. Eu diria que uma editora que estimule o mercado (de artistas) e tenha uma possibilidade (Não certeza) de almejar um patamar como o de Maurício de Sousa só teria sucesso se dependesse de alguém que juntasse a paixão pelos quadrinhos com um suporte financeiro mais uma competentíssima equipe editorial. É a famosa história do gado que só engorda perto da vista do dono. Mas eu acredito que estamos perto de ter uma editora, senão com esse modelo patriarcal, com essa mentalidade honesta de produzir material nacional para o público brasileiro e estimular a produção baseada na qualidade artística de cada um independente de o artista já ter feito seu nome ou não.

S: Um exercício de imaginação: Se você fosse o dono de uma editora e tivesse o poder de editar quadrinhos nacionais da forma que quisesse, podendo chamar qualquer escritor e artista atuando hoje no mercado brasileiro, quem você contrataria? E que personagens mereceriam revistas mensais na sua editora?

LS: Roteiristas: Com certeza absoluta Gian Danton, Abs Moraes, Daniel Esteves, José Salles, Marcelo Marat,Alexandre Lobão e JJ Marreiro. Deve ter mais mas de bate e pronto foram esses que me vieram a cabeça.

Desenhistas: Allan Goldman, Daniel Brandão, Luciano Félix, Téo Pinheiro, Nestablo ramos, Danilo Beyruth, Jean Okada, Eduardo Schloesser, Rom Freire, Marcos Caldas, Rosendo Caetano. Desenhista tem tantos que fica difícil citar todos os que eu poderia ou gostaria de colocar.

Personagens: Eu gosto de pensar em revistas voltadas para nichos. Então, teríamos uma revista de terror, uma policial e uma de super-heróis. E cada personagem se encaixaria em uma dessas revistas. Mas poderia citar o F.D.P., Renegado 3000, Andrômeda, As Novas Amazonas, Couto (de Abs Moraes), Os exploradores do Desconhecido (Gian Danton e Jean Okada), Zé gatão (Eduardo Schloesser), Comando V (Allan Goldman), Chico Spencer (José Salles), Zoo (Nestablo Ramos), Necronauta (Danilo Beyruth), etc.

Arte de Carlos Brandino

S: Voltando ao mundo real, quais os seus planos futuros? Pretende continuar estendendo o universo de seus personagens, criar novos universos, escrever no de outros…?

LS: Eu estou aberto a qualquer uma dessas possibilidades. Na verdade, eu mantenho minhas metas flexíveis para poder entrar em qualquer projeto que pareça mais promissor no momento. No momento estou trabalhando em roteiros para os outros (Mesmo por que já tenho muitos roteiros meus esperando desenhistas).

S: Deixe suas considerações finais para os leitores do Santuário!

LS: Bom, eu gostaria de agradecer pela oportunidade de falar sobre mim e meu trabalho. É um espaço muito importante que dá a possibilidade do leitor de conhecer coisas novas. Gostaria de avisar que a segunda HQ do F.D.P. está sendo publicada semanalmente gratuitamente on-line no meu blog (http://roteiristaleo.wordpress.com/). Gostaria de avisar também que quem se interessou pelos meus trabalhos (F.D.P., Space Opera, Brado Retumbante, Prismarte e outros), pode adquirir as edições na minha loja virtual de quadrinhos nacionais independentes, a Bodega do Leo (http://www.bodegadoleo.com/). Por fim, gostaria de deixar também o blog da P.A.D.A. (http://www.prismarte.com.br/pada/), grupo que já há algum tempo faço parte que tem as novidades do que estamos fazendo em matéria de quadrinhos aqui em Pernambuco. Acho que é só, pessoal. Um grande abraço a todos e nos vemos por aí.

Magia, suspense e atitude! Conheça MITOLOGIAS!

RESENHA + ENTREVISTA COM OS CRIADORES!

Uma matéria especial com a edição encadernada do álbum Mitologias, com argumento e roteiros de Luiz Augusto e Ulisses Teixeira, com desenhos do Luiz Augusto. A bela arte das capas é de autoria de Regina Alonso.

Por Rodrigo Garrit

Luiz Pinga e Ulisses são guardiões escolhidos por um panteão de deuses quase esquecidos. Durante uma convenção de quadrinhos em Paraty, Ulisses envolve seu amigo Társio numa conspiração mitológica, onde ele precisará da ajuda de Luiz e muita sorte para sobreviver. Mas como um nerd franzino pode lidar com as maléficas forças sobrenaturais que atuam no lugar?

Originalmente uma webcomic, Mitologias é baseada em um microconto de Társio Abraches. A partir dele, foi fundamentada toda a história e surgiu a mitologia de sua trama. Essas histórias foram compiladas em um volume único e encadernado, onde é possível acompanhar todo o desenvolvimento desse projeto numa tacada só. Trata-se de uma publicação impressa através do esforço de seus próprios autores, lançada pelo selo Atitude Independente em parceria com o selo Off Flip. E vale muito à pena conhecer esse trabalho.

O texto é descontraído e inteligente, com várias tiradas bem sacadas, principalmente quando brincam com nomes de autores reais dos quadrinhos como Neil Gaiman e Alan Moore. (“Sendman”, o carteiro dos sonhos foi impagável)! Esse jogo dos nomes ficou evidente também no que se refere aos próprios autores da HQ.

O roteiro de Ulisses Teixeira e Luiz Augusto é genuinamente instigante, não bajula os americanos e tem personalidade própria. O uso dos deuses foi abordado com muita propriedade, e a explicação para o seu atual exílio muito plausível. Luiz Pinga até mesmo recita alguns feitiços em tupi, o que mostra a preocupação dos autores com pesquisa de referências para a história. A relação de Luiz Pinga e Ulisses também é trabalhada de forma a mostrar dois aliados que se odeiam mas atuam juntos contra seus inimigos em comum. Enquanto Luiz é um mago comprometido com sua causa, inclusive fazendo papel de tutor para outros personagens, Ulisses é o típico carinha comum, suburbano entediado, apaixonado pelo seu bairro (o Meier, no Rio de Janeiro), e com o curioso poder de ver e controlar a “barra de vida” das pessoas. Isso mesmo, a barra de vida, como nos videogames. Ele pode encurtar ou prolongar essa barra de acordo com sua vontade, incluindo a sua própria, o que faz dele um imortal. Só que Ulisses não é exatamente um “bom moço”, e faz uso desse poder de formas muito “reprováveis”, para evitar termos piores.

O traço de Luiz Augusto é bem flexível; funciona para momentos de humor tão bem quanto em momentos mais tensos. Ele tem algo de underground impresso em seu estilo, e me lembrou muito alguns fanzines do gênero, no melhor sentido possível. Uma excelente opção de entretenimento em quadrinhos para um público adulto.

É possível adquirir o encadernado Mitologias clicando AQUI!

O Santuário: Como vocês se conheceram e começaram a atuar juntos nessa área?

Luiz Augusto: Somos uma família. Eu e Regina (capas) somos casados; Giu Alonso é filha da Regina e Ulisses, namorado dela. Leo Bartolo era meu amigo de trabalho. Começamos com um micro conto que um amigo nosso escreveu em seu fotolog, após uma visita a nossa casa por conta de uma FLIP. (NOTA: Festa literária internacional de Paraty. Saiba Mais). Eu e Ulisses gostamos da ideia e decidimos transformá-la num quadrinho. Quando percebemos o potencial da história começamos a torna-la mais complexa e o que era pra ser um pequeno conto adaptado virou um universo. A Regina se prontificou (leia-se foi obrigada) a fazer as capas e o site pra que a gente começasse a publicar online e a Giu que é produtora editorial fez as primeiras revisões.

Regina Alonso: Na realidade, meus conhecimentos em HQ se resumiam às Revistas da Mônica, Fantasma e Homem Aranha, que meu pai gostava. Só depois que conheci Luiz, há sete anos e passamos a assistir filmes adaptados de quadrinhos é que tive minha iniciação com todo o tipo de explicações, leituras, viagens alucinantes e imaginativas. Eu e Luiz sempre desenhamos.

O Santuário: Quais as suas referências em quadrinhos? (Tanto nacionais quanto estrangeiras).

Luiz Augusto: Mitologias tem um roteiro revisionista, usamos lendas e mitos conhecidos e damos a eles a nossa interpretação. Portanto, autores que fazem trabalhos semelhantes, como Neil Gaiman, Alan Moore, Garth Ennis, Bill Willingham são referências e uma grande inspiração. As referências nacionais estão relacionadas ao humor que colocamos nas histórias, nesse aspecto podemos citar desde os cartunistas clássicos como Laerte, Angeli e Glauco, até Cadu Simões e seu Homem Grilo.

No que diz respeito ao desenho, eu e Ulisses gostamos de quadrinhos americanos Underground dos anos 1970. Mitologias tem uma pegada de Crumb. Kevin Eastman e Peter Laird, e suas Tartarugas Ninja, também são pra mim uma grande inspiração. Tanto no roteiro (cheio de referências a cultura pop) quanto no desenho (sujo, poluído e divertido) e na trajetória (afinal eles também começaram como independentes).

O Santuário: Como foi o processo de publicação do encadernado Mitologias, desde o começo… quais as maiores dificuldades?

Luiz Augusto: Por incrível que pareça o problema maior não foi o dinheiro (risos). Moramos em uma cidade relativamente pequena e temos um bom relacionamento com os comerciantes locais. Foi só mostrar o nosso trabalho no site e pedir uma cota de patrocínio pra cada um. Conseguimos 12 patrocinadores e isso gerou uma quantia relativamente pequena pra cada um deles.

Como não tínhamos experiência na parte técnica de diagramação, tivemos muitas dificuldades nesse ponto. O pessoal da Gráfica Letras e Versos foi muito paciente e nos orientou, mas a diagramação das 168 páginas deu muito trabalho.

Regina: A diagramação foi refeita umas três vezes.

Luiz Augusto: Outra parte trabalhosa foi a questão do registro no ISBN e da Ficha Catalográfica, pois nem fazíamos ideia de como consegui-los. Quando surgiu então, a oportunidade de uma parceria com o Selo Off Flip.  Ovídio Poli Junior, editor do Selo, resolveu essa parte pra gente, embora não seja impossível pra alguém que não é editor solicitar estes registros, achamos que nosso foco deveria ficar em outros pontos do processo. Achamos importante que as publicações, mesmo independentes, tenham estas certificações literárias, pois, no caso de se conseguir um contrato de distribuição com alguma livraria, isto é necessário. Mas, essas dificuldades foram causadas pela nossa inexperiência. Nos próximos volumes não teremos mais tantos problemas.

O Santuário: Qual o tamanho da sua equipe, quantas pessoas foram necessárias até que o trabalho chegasse na fase final?

Luiz Augusto: A equipe inicial contava comigo, fazendo argumento, roteiro e desenhos; Ulisses Teixeira, argumento e roteiro; Leonardo Bartolo, argumento e roteiro; Regina Alonso, capas e web design; Giu Alonso, revisão. Depois entrou o Leonardo Melo, parceria de publicação online no site da Quadrinhópole e revisão. Por fim, para o volume impresso eu cuidei da diagramação e entrou o Ovídio, como editor e revisor final.

O Santuário: Existe alguma possibilidade do selo Atitude Independente continuar publicando regularmente ou Mitologias foi apenas um trabalho isolado? Já existe alguma previsão de um Mitologias volume 2?

Luiz Augusto: O Selo Atitude Independente vai continuar publicando Mitologias, tanto na sua versão digital, como na impressa em parceria com o Selo Off FLip. Como tivemos muitas dificuldades nesse primeiro volume, paramos com as publicações em nosso site, mas estamos produzindo mais edições e em Janeiro voltamos a publicar. Os demais volumes impressos devem sair numa periodicidade de seis meses, um encadernado pra cada seis edições publicadas mensalmente na web.

O Santuário: Um detalhe muito interessante é notar na história várias referências de eventos e pessoas reais, inclusive sobre os próprios autores. Foi uma forma de “entrar” na história? Isso ajudou no processo de criação?

Luiz Augusto: Como eu disse antes, nos inspiramos no micro conto de nosso amigo Társio. Como no conto eu e o Társio éramos personagens, achamos que colocar o resto do grupo na história faria sentido. Quanto ao processo de criação, isso ajudou mais no visual dos personagens, pois eles tem personalidades bem diferentes dos seus duplos no mundo real (risos). Assim como os eventos em que eles se envolvem.

O Santuário: Vocês têm outros personagens e outros universos em quadrinhos além dos apresentados em Mitologias? Fale um pouco sobre eles.

Luiz Augusto: Mitologias é um universo bem extenso, o que foi visto no Volume 1 é na verdade uma apresentação dos personagens principais. Isso nos deixa pouco tempo pra outros títulos. Mas, dentro do Universo de Mitologias teremos vários sub-títulos, como os Vigilantes Intermitentes, um grupo de combatentes do crime pouco convencionais e o S.P.E.C.T.R.O., um grupo de investigadores do paranormal. Eu gostaria de continuar publicando histórias desses grupos mesmo depois do fim de Mitologias, mas isso é um projeto futuro.

O Santuário: E sobre os deuses? Fica evidente que houve muita pesquisa, e vemos que foram usados deuses de vários panteões e culturas diferentes. Como foi trabalhar esses personagens unindo sua origem ancestral num contexto moderno?

Luiz Augusto: Foram cerca de dois anos de pesquisa pra compor personagens que fossem o mais próximo possível dos deuses segundo as suas culturas. Buscamos também representar todos os continentes (exceção da Antártida) no Conselho dos Deuses, acho que o único continente que tem apenas um representante é a Oceania, representada por Tangaroa, deus da cultura Maori, isso por que os aborígenes australianos são animistas, e não tem deuses antropomórficos. Quanto a trabalhar os deuses num contexto moderno, acho que o próprio roteiro explica bem essa ideia, afinal os deuses estão presentes em nosso cotidiano, desde os milhares de deuses hindus, os orixas afro-brasileiros e africanos, os monumentos gregos, até os personagens de quadrinhos da Marvel e da DC e em séries de ficção científica como Stargate. A teoria de Mitologias é que o fascínio que a humanidade ainda nutre pelos deuses antigos, mesmo nos tempos do Wi-fi e do Iphone, não é por acaso, e sim por vontade dos próprios deuses.

O Santuário: Acreditam que seja possível, talvez num futuro próximo, a existência de um mercado rentável de quadrinhos de super heróis brasileiros? Já que temos alguns dos melhores desenhistas do mercado aqui, o que falta para que alguma editora invista nesse seguimento?

Luiz Augusto: Não quero ser pessimista, mas acho que pra isso acontecer, seria necessário uma grande mudança cultural no Brasil. O problema é que o empresariado brasileiro tem medo do que é novo e não gosta de investir naquilo que não é lucro certo. Não apenas no mercado editorial, mas em vários setores. Nos USA, por exemplo, é muito mais fácil pra um inventor colocar um produto totalmente novo no mercado, pois os fabricantes não temem investir em novas ideias. Mesmo Delivery de Rafael Grampá só veio pro Brasil depois de ser publicado e premiado nos USA. O empresariado brasileiro não entende que o risco é parte integrante do Capitalismo. Os nossos patrocinadores aceitaram nos financiar mais por uma questão de amizade, e pelo fato de Paraty ser uma cidade com muito apelo cultural. Posso estar falando bobagem, como faço frequentemente, mas acho que pelo menos por enquanto, essa é a minha avaliação. Talvez, com a profusão de webcomics e um aumento de leitores brasileiros comentando sobre elas em redes sociais, as editoras percebam uma demanda reprimida que consumiria esse tipo de publicação.

O Santuário: A que vocês atribuem, por exemplo, a grande sucesso da franquia da Turma da Mônica que vende muito mais que Marvel e DC?

Luiz Augusto: Maurício de Souza é um gênio ou tem parte com o Demo. (risos)

Falando sério, o Maurício é um dos mais arrojados empreendedores que esse país já viu, ele começou batendo de porta em porta de jornais pra publicar suas tirinhas, até conseguir. Além disso, ele criou personagens com que o publico se identificava, e com sua visão de marketing fenomenal adaptou esses personagens a passagem do tempo. Acho que, o fator principal no sucesso da Turma da Mônica, além da incrível visão de mercado e marketing do Maurício, foi justamente sempre fazer o publico se identificar com os personagens. Que na verdade é a mesma fórmula de sucesso de outro gênio, Stan Lee. Mas o Mauricio é uma exceção e não uma regra.

O Santuário: Que tipo de dica ou conselho vocês poderiam dar para alguém que tenha personagens guardados na gaveta, mas não faz ideia de como fazer para publicá-los?

Luiz Augusto: Primeiro, tire-os da gaveta, lá eles não vão dar em nada. Depois publique seu trabalho na internet, deixe que as pessoas falem dele, assim você pode avaliar se seus personagens são realmente bons. Se a reação do público for negativa, não se preocupe, ouça as críticas veja no que você errou e crie novos personagens. E não tenha vergonha de expressar suas ideias, imagine se Kevin Eastman e Peter Laird tivessem vergonha de falar pro tio que queriam publicar uma história em quadrinhos sobre Tartarugas Adolescentes Mutantes Ninjas. Caso o seu trabalho seja bem aceito, procure pessoas que possam financiá-lo, a impressão por demanda deixou as coisas bem fáceis pros independentes, com cerca de R$ 3000,00, você já consegue produzir uns 300 exemplares. Se não encontrar patrocinadores, fale com seus parentes e amigos, se cada um der um pouco, você consegue um montão.

O Santuário: Deixem suas considerações finais para os leitores do Santuário!

Esperamos que todos leiam Mitologias Vol. 1 , e que se divirtam com ele como nós nos divertimos fazendo. Não deixem de acompanhar a partir de janeiro as novas edições online em nosso site http://revistamitologias.com. E muito obrigado àqueles que já compraram a nossa publicação e pelos elogios, o reconhecimento é o que nos estimula a continuar o trabalho. Um grande abraço a todos.

Da equipe do Selo Atitude Independente.

O Santuário: Muito obrigado e parabéns pelo grande trabalho!

Alguns dos responsáveis pelo Álbum, da esquerda para direita: Luiz Augusto, Ulisses Teixeira, Regina Alonso, Giu Alonso, Leonardo Bartolo e Leonardo Melo.

Laerte e seu Overman: O criador, a criatura e o mito!

Por Rodrigo Garrit

Laerte

Eu me lembro de ter caído na gargalhada na primeira vez que li a tirinha do Overman, no jornal “O Dia” (já que sou do Rio de Janeiro), mas originalmente eram publicadas no jornal Folha de São Paulo, e foram mais de 400 tiras lançadas….

Passei a acompanhar religiosamente, chegava a recortar o jornal e montar meu próprio painel com a “aventuras” do herói.

Eu sempre fui fã do Laerte, o pai dessa criança. Mas, como não ser? O cara é genial numa das coisas mais difíceis que existem: contar uma história em três ou quatro quadros. Laerte Coutinho é um nome consagrado dos quadrinhos brasileiros, sobre quem muito pouco é necessário dizer, pois é muito conhecido do público leitor. No fim da década de 80 publicou tiras e histórias em quadrinhos nas revistas Chiclete com Banana (editada por Angeli), Geraldão (editada por Glauco) e Circo, todas da Editora Circo, que mais tarde lançaria sua própria revista (Piratas do Tietê). Em 1985 lançou seu primeiro livro, “O Tamanho da Coisa”, uma coletânea de suas charges.

Em 2009, Laerte foi convidado para participar do álbum MSP 50 em homenagem aos 50 anos de carreira de Mauricio de Sousa, e criou uma história protagonizada por Franjinha e seu cachorro Bidu. Ele também atuou como roteirista, tendo colaborado em diversos programas da Globo. Escreveu scripts para os programas humorísticos TV Pirata e para as primeiras temporadas de Sai de Baixo. Ainda na área de humor escreveu para o quadro Vida ao Vivo que ia ao ar durante o Fantástico, em 1997, e também contribuiu com os roteiros do programa infantil TV Colosso.

O Overman de Laerte é um super herói brasileiro, apesar do nome em inglês, e é justamente nisso que mora grande parte da graça: ele é uma paródia escrachada de todo o arquétipo heroico das americanas Marvel e DC.  Ele usa uniforme colante, capa, máscara, é super forte e pode voar. E sua vida é uma sucessão de tragédias cômicas que fazem a alegria dos leitores.

A identidade do Overman é um segredo secretíssimo, tanto que nem ele mesmo sabe quem é…

Overman tem um ajudante chamado “Ésquilo” (assim mesmo, com acento), e eles dividem uma vaga de pensão no Ipiranga. É ele quem faz o remendo nos fundilhos do uniforme do herói. Overman passa os dias combatendo o crime (à sua maneira) e vivendo as desventuras de ser essa criatura incrivelmente rodeada de nonsense, mas sem nunca deixar de acreditar que é o maior dos maiores. (Embora tenha algumas crises de auto-estima, mas nada que seu terapeuta não resolva).

Como todo bom herói, Overman tem sua própria galeria de vilões, e entre eles destacam-se, o Maníaco Flatulento, o Passador de Trote, a Louva-Deusa, Grande Rabo e Super Vítima, além de ninguém mais ninguém menos que Space Ghost, embora não seja exatamente um vilão, mas Overman insiste em dizer que teve o design de seu uniforme roubado por este personagem da Hanna-Barbera.

Nas tiras do personagem, vemos que ele é imune ao sexo, exceto nas sextas-feiras, quando o herói sai a noite para aliviar as tensões. E não poupa ninguém! É um perigo!

Em 2003, foi lançado “Overman – o Álbum, o Mito”, pela editora Devir, (48 páginas coloridas), depois de dez anos sem histórias longas inéditas de Laerte.  O álbum reúne as primeiras tiras de Overman, apresentas numa seleção de 150 tiras, agrupadas segundo temas específicos, enfocando o local de moradia do herói, seus inimigos, seus vícios, suas dificuldades pessoais, sua vaidade, entre outros. Muitíssimo divertido, como não poderia deixar de ser… essencial para qualquer fã de bons quadrinhos!

Também chegaram a ser produzidas numa parceria entre a Ancine e o Cartoon Network algumas vinhetas com o personagem que foram exibidas no Adult Swim, e hoje podem ser facilmente encontradas no Youtube.

Saiba mais sobre Overman e os outros personagens do autor no site oficial dele:

http://www.laerte.com.br/

Tune 8 – Conectado.

Resenha de “Tune 8” com roteiro e arte de Rafael Albuquerque.

Por Rodrigo Garrit

Este artigo pode conter spoilers. Leia por sua conta e risco.

Um experimento de viagem no tempo com finalidades misteriosas. Um viajante perdido numa época estranha e hostil, e com uma perigosa jornada pela frente. Joshua é enviado por um suposto cientista do ano de 2343 D.C. numa expedição temporal ao passado. Seu nome é mantido sob sigilo e sua missão é incerta. Porém, algo aparentemente dá muito errado, e em vez de aparecer no local planejado, chega numa região inóspita que mescla tecnologia  e a existência de animais pré-históricos, no que pode ser chamado na falta de um termo melhor, de uma cultura Punk-Medieval. Joshua chega desorientado e antes que possa respirar é capturado por soldados empunhando espadas e cavalgando dinossauros.

Essa é a premissa da história, que conta com roteiro e arte de Rafael Albuquerque (Vampiro Americano). A publicação independente nasceu na web, foi publicado originalmente no portal IG Jovem, e agora ganha sua versão de papel.

A história tem um ou outro toque de alguns filmes pós apocalípticos, com premissas que lembram de Exterminador do Futuro a Mad Max, passando por Planeta dos Macacos. Mas essa mistura rende uma narrativa interessante, que estimula o leitor a continuar acompanhando para descobrir o que vem a seguir.

O destaque fica para o personagem Noth, que transita por toda a história através de flashbacks e inserções de acontecimentos futuros intercalados com a desventura temporal de Joshua. Muitas perguntas são lançadas… qual a sua verdadeira intenção? Com que finalidade enviou Joshua através do tempo? De que lado realmente está a tal “resistência”?

Rafael Albuquerque

Os fãs de seu traço podem esperar o mesmo estilo despojado e dinâmico, muito bom para cenas de ação e momentos climáticos. Funciona muito bem para histórias de terror, mas concedeu uma forte carga emocional a essa ficção científica. As cores são um show à parte, escolhidas com muito bom gosto, os personagens são mostrados o tempo todo em tons de azul, às vezes com alguns detalhes em branco e vermelho que se destacam. Predomina ao fundo das cenas do passado, um amarelo vivo, radiante; enquanto que as cenas no presente são mais escuras e nebulosas.

O roteiro é instigante, embora em determinados momentos se torne confuso, mas isso acontece devido ao próprio tema escolhido, uma vez que a viagem no tempo e seus paradoxos podem dar um nó na cabeça de qualquer um, e embora isso seja parte do charme desse tipo de história, as vezes se torna um pouco cansativo.  No contexto geral, temos uma boa história de ficção científica, belamente desenhada e visualmente muito atraente.

A versão impressa contém vários esboços e a descrição do processo de criação dos personagens. Mas Tune 8 pode ser lida on line e gratuitamente no portal IG Jovem, clicando aqui, inclusive com a segunda parte da história, completando assim a sua primeira temporada.

Leia Celton: um brinde aos independentes!

Por Rodrigo “Inspirado” Broilo

Não demora muito para Belo Horizonte conquistar seu gosto.

Morando nas redondezas a pouco mais de um ano, vindo das terras gaúchas, eu já não me sento mais tão estranho andando pelas ruas de BHZ.

Assim como o povo mineiro, meio desconfiado no início, ela logo em seguida faz você querer estar aqui.

Claro que vindo de uma temporada de pouco mais de dois anos em Porto Alegre, conviver com BH, que é muito maior e mais lotada, torna-se um desafio. E por mais que eu sempre vá sentir falta de um bom passeio pela Redenção, um domingo andando pelo Brique ou uma “ceva” (Polar, lógico!) beeeeem gelada na República, as cores de Belô já me atraem.

Circuito Cultural da Praça da Liberdade

E, se bem acompanhado, o circuito de cultura daqui te pega “facin”, e “di cum força”. E nem to mencionando o FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos, que rolou aqui ano passado, e volta ano que vem). E menos ainda falando dos museus da Praça da Liberdade, ou dos espetáculos do Palácio das Artes ou mesmo das intervenções que ocorrem na Praça da Estação. Eu to falando do circuito alternativo. Aquele que você só fica sabendo no boca-a-boca ou no papelzinho xerocado. Pode ser uma Virada Cultural no Mercado das Borboletas ou um duelo de MC’s embaixo do Viaduto Santa Tereza.

Duelo de MC's no Viaduto

Em andanças como essa, me “espraiando” pela cidade, cheguei ao Gruta, onde conheci a revista “Experimenta com Prosa”, em sua segunda edição, e me deparei, em suas páginas com Lacarmélio Alfêo de Araújo.

O faz-tudo, Lacarmélio Alfêo de Araújo

Mas se você perguntar por Celton, fica mais fácil. Nascido em Itabirinha, Lacarmélio iniciou no inicio da década de 80 a desbravar, independente, o árduo mundo dos quadrinhos. Ele criou o herói Celton, nome que hoje se confunde com ele próprio. Ele criava, elaborava, diagramava, publicava e vendia suas revistas. E embora tivesse diferentes títulos e personagens, Celton é que vingou.

O cenário de suas histórias? BH. Contando no papel histórias misturadas com a História e as lendas da cidade – caso da Loira do Bonfim, que segundo me contaram da lenda é uma mulher que ronda o Cemitério do Bonfim, atraindo homens e os matando – ele sai as ruas com placas de “Leia Celton” pelas principais ruas da cidade. É uma lenda viva. Até livro sobre esse cidadão honorário da cidade, já fizeram.

O livro!

E o que move um homem assim a se dedicar a todo o processo de criação de uma revista em quadrinhos? Paixão. Nada além de amor a essa arte. E todos nós sabemos do “tantão” de Celtons e Lacarmélios que estão espalhados por esse país, acreditando em seu trabalho, lutando em um mercado independente, pelo simples prazer seu levar adiante seus heróis e suas histórias.

A todos eles, rendemos aqui esse humilde e simples tributo, com a mesma dedicação que todos esses artistas batalhadores merecem.

Quanto a Celton, pretendo conhecê-lo por essas esquinas em breve e “si pá” conseguir um autógrafo.

O Transponível Super Empty

Quem pode preencher o vazio que existe no coração dos homens? O Super Empty pode… (talvez).

Por Henry Garrit

Embora eu já tenha tido o inconveniente de ler algumas obras nacionais muito fracas, algumas vezes tenho a sorte de me deparar com alguns livros em quadrinhos brasileiros de qualidade excepcional. Este é o caso de “O Transponível Super Empty”, de Luciana Pessanha e José Carlos Lollo. O livro é voltado para crianças, mas qualquer adulto de bom gosto vai devorá-lo em questão de minutos.

Imagine o desafio de escrever um livro voltado para o público infantil, onde são levantadas tantas reflexões sobre o vazio interior que existe em cada um de nós; e mostrar que nem sempre isso precisa ser uma coisa ruim. Não é fácil escrever uma obra infantil sem ser infantilizada a ponto de subestimar a capacidade de raciocínio e compreensão dos pequenos. Mas transmitir mensagens e agregar valores enquanto entretém, sem ser didático, chato e robotizado, é algo que beira a genialidade. Existe no Brasil, uma tradição de excelente qualidade na literatura infantil, de Monteiro Lobato a Ziraldo, mas essa dupla não tão conhecida de autores cativou este adulto que vos escreve com a sua forma inteligente e respeitosa de se dirigir as crianças.

Publicado pela Editora Planeta, o livro, todo ilustrado na linguagem dos quadrinhos, conta as divertidas aventuras de Super Empty, um inusitado super-herói que tem um grande vazio no peito… literalmente! O que é bom, por que as balas passam através dele, (embora palavrões possam deixa-lo magoado) e ainda existe o inconveniente dele dificilmente se apaixonar, pois o cupido tem certa dificuldade em atingi-lo…

Essas e outras situações muito engraçadas fazem valer essa deliciosa leitura, que conta a história desse jovem que sofria com um terrível buraco no peito, mas ao descobrir os livros, encontrou um novo mundo, onde ele poderia ser o que quisesse… até mesmo um super-herói!

"O Buraco na Substância"

O Super Empty  também tem seu próprio panteão de super amigos, que costuma frequentar o Bar da Justiça; entre eles o “Testa de Ferro”, “Inversão Térmica”, “Grand Cru Boudeaux (safra 62)”, “Brocha Humana”, “Invisível Mascarado”, “Axé Woman”, “ The Silver Banana”, Forty-Eight-Pencil-Color-Box” e o Coelhinho das Trevas.

Outro fator muito positivo é que ele não é retratado como algumas sátiras que já se tornaram clichês quando se fala de super-heróis brasileiros: uma versão empobrecida e fracassada dos heróis americanos, sempre envolvido com situações de humor escrachado e de cunho sexual.

Mas por que “Super Empty”? Ele não podia ter um nome em português? Os próprios autores questionam:

Mas por que será que todo super-herói tem que ter nome em inglês? Por que ele não se chama Supervazio, com um símbolo ‘º’ no peito? Seria tão mais brasileiro, contemporâneo e matemático! Por que esse nome colonizado? O que o Ariano Suassuna vai achar disso”?

Mas a grande verdade é que o protagonista é um herói bem diferente de todos os estereótipos… certo, ele tem mesmo um nome em inglês… e sim, ele tem uma letra “E” no peito (ela fica flutuando no vazio do peito dele), mas ao mesmo tempo, ele prefere dialogar a sentar a porrada nos inimigos. Discutir racionalmente os problemas dos super-vilões a destruir meia cidade em batalhas cinematográficas. Não é muito “superprodução”, mas com certeza bem mais civilizado. Tanto que sua maior vitória, foi descobrir que não é preciso que haja um herói para salvar as pessoas dos buracos de suas vidas… basta que elas mesmas aprendam a olhar por eles e tentar enxergar o caminho certo. Um buraco vazio pode ser uma janela por onde é possível descobrir outras possibilidades, outras respostas… e outras pessoas com vazios ainda maiores que o seu… com as quais você pode aprender e ensinar.

Tem filhos? Sobrinhos? Afilhados? Não importa. Senta com eles para ler esse livro. A recompensa não tem preço.

OS INVICTOS: “Como será o amanhã? Responda quem puder”!

Por Rodrigo Garrit

invictO Santuário orgulhosamente apresenta a resenha da HQ “Os Invictos – O despertar”, de Rafael Tavares, com desenhos e arte-final de Rafael, Jackson Gebien e Adriano Sapão, além de Paulo Fernando que também contribuiu com a arte final. As cores são de Alzir Alvez, Alef e Célio Cardoso. A capa é de Nel Angeiras e o design de Daniel Siqueira. Continuar lendo

Surgem novos heróis no céu: Comando V!

Por Rodrigo “Pilha” Broilo

O Santuário tem a pretensão de ser um espaço de ecumenismo e para ecléticos, porém se conseguimos ou não, cabe aos nossos devotos avaliar. O que sabemos é que falamos do que gostamos, do que queremos que o mundo saiba e acreditamos que “o objetivo é a conquista da diversão”.

Dito isso, quero dar mais um pouco de espaço ao quadrinho nacional. Mas dessa vez de um jeito diferente. Não vou revisitar heróis já conhecidos ou estabelecidos. Quero trazer algo novo, uma galera nova. E eis que trago a vós, COMANDO V!

Comando V é uma criação do desenhista brasileiro Allan Goldman, que já fez sucesso lá fora com Superman, Teen Titans, Liga da Justiça, entre outros títulos da DC Comics, junto com JJ Marreiro. Comando é um trabalho que vinha sendo elaborado desde 2004, e que sai agora em 2011 para alegria dos fãs de coisas novas.

Ambientado no Brasil, o Comando V não é uma equipe, não são super-amigos, eles são um esquadrão, uma força-tarefa, heróis unidos pelo serviço ao governo. Como o nome mesmo chega a sugerir são cinco os integrantes desse batalhão: o líder Alfa Negro, o gigante peludo Yeti, o alienígena Oculto, o jovem velocista Pilha e a bela e doce Taqui (de Taquicardia!).

Esses personagens têm características tão diversas que já no início fica claro que eles são colegas de trabalho, ainda mais sob a liderança de alguém tão antipático quanto Alfa Negro.

Mas vamos explicar um pouco sobre quem são esses personagens…

Alfa Negro

Alfa Negro é o líder, tem uma força considerável e habilidade de luta. Já fora conhecido outrora como Alfa Branco, quando tinha gosto por ser um herói. Hoje ele encara tudo como um trabalho, e nem pensa em ser heroico em seus dias de folga. César, seu verdadeiro nome, simplesmente se entrega a bebida. Algo ainda não revelado, potencialmente uma tragédia, causou essa mudança na conduta de Alfa Negro. Em alguns momentos você o lê e só pensa “feladaputim”! Ele tem tudo pra ser um anti-herói, ou até vilão, mas tem seus momentos de moral e bons costumes.

Pilha

Pilha, conhecido por Carlinhos pelos membros da equipe, é um jovem negro capaz de mover-se à grandes velocidades. É o integrante mais jovem da equipe, e um dos que mais sofre psicologicamente nesses dois primeiros números já publicados. Sempre se inspirou em Alfa, mas percebe que ele não pode salvar o mundo inteiro.

Yeti

Yeti é um cara grande pra caracoles, peludo, forte, com facilidade de se curar dos seus ferimentos. Ele se refere aos demais como humanos, por isso talvez ele seja mesmo um Yeti. Provavelmente mais pra frente saberemos mais sobre ele. O que se sabe é que ele gosta de ler, especialmente quando está nervoso, e que não conhece muito sobre vídeo-games.

Oculto

Oculto é um alienígena que adotou a Terra como seu lar, considera que todas as vidas são importantes, usa um capacete (ou talvez seja sua face real. Vai saber de qual planeta ele veio?), e é capaz de ler mentes, sentir emoções e criar campos de força. Está um pouco Oculto ainda (rá!).

Taqui

Taqui, que é abreviação de Taquicardia, parecia que seria uma badgirl assim que a vi, com seu visual “street”. Puro preconceito! Taqui é doce como melancia madura, é atenciosa com seus colegas, e parece ser, assim como Carlinhos, uma dos únicos envolvidos como time.  Ela consegue atuar sobre os demais aumentando ou diminuindo suas capacidades, como quando aumentou o fator de cura de Yeti, ou a velocidade de Pilha, ou quando deixou um vilão mais, digamos, relaxado! Taqui é o toque feminino como estamos acostumados no nosso dia-a-dia. Sem aquela coisa de piriguete, de interesses dúbios, sem orgulho, sem chiliques, como já apareceram tantas heroínas por aí. Pra mim, a mais grata surpresa desse grupo.

O Comando V ainda conta com as participações de Palhares, uma espécie de administrador do comando, Júlio, o mecânico, Dona Ana, a governanta e enfermeira da equipe. No início da segunda edição chega Ângelo, que vai ser uma espécie de novo chefe, de supervisor, que fará a nova ponte entre o Comando e o Governo Brasileiro.

Comando V em ação!

A primeira missão deles envolve um grupo de neo-nazistas que está recrutando adolescentes para seus ideais. O Comando V enfrentará a líder Suástica, o seu braço direito Panzer, o vingativo Incêncio, outrora o jovem Fogaroto, entre outros.

O que chama a atenção em Comando V é o que vemos na introdução de Allan Goldman na edição 1, e pode ser visto durante as duas edições. Segundo Allan, ele acredita na inocência e na bondade dos heróis e na simplicidade das histórias. E tudo corre por aí. Comando V é inovador? Não totalmente. São típicos personagens, em novas roupagens e em território nacional. Mas as histórias são bem contadas, os desenhos um deleite a parte, e os personagens, mesmo ainda não tendo sido todos apresentados completamente, são bem trabalhados. E quem não é fã de boas histórias, com personagens bem trabalhados?

Ponto para Allan Goldman e JJ Marreiro!

As edições 1 e 2 podem ser baixadas da internet pelos seguintes blogs:

www.vcomando.blogspot.com

www.goldmanpenciller.blogspot.com

www.laboratorioespacial.com.br

Estão em formato .zip de imagens .jpeg. Ou podem ainda ser adquiridas conforme orientações dos blogs acima por R$3,00, mais despesas de postagem, publicados pela Jupiter II.

Quem curte o que o povo brasileiro tem a oferecer, essa é uma leitura mega indicada. E olha que eu quase nem larguei SPOILERS! Então aproveitem!