GODZILLA!!! As pessoas nas cidades pira! IDW editora!

Por Venerável Victor “We can be heroes” Vaughan

IDW PublishingIdea and Design Works – fundada em 1999 é regulamente reconhecida como a quinta maior publicadora de quadrinhos dos Estados Unidos.

A empresa foi inicialmente conhecida por seus gibis de terror como 30 Days of NightDark Days e vários outros. Alguns dos mais conhecidos escritores e artistas de gibis de terror como Steve Niles e do gênero super heróis como John Byrne e sua obra autoral: Next Men.

A empresa agora se especializa em propriedades licenciadas, tendo adquirido os direitos autorais de 24 horas, Angel, CSI, Transformes, Star Trek, Dick Tracy, Doctor Who e G.I.Joe.

GODZILLA – Reino de monstros

Uma revista em quadrinhos do Godzilla é alguma coisa que você possivelmente pode não ter absolutamente nenhum interesse ou possivelmente pode ser para você a série mais aguardada do ano. Para vocês devotos que se interessam menos por esse assunto do que pelo BBB, eu pergunto: “Hey cara! O que há de errado com você, man??? Uma coisa dessas pode to be?”

Para todos os milhares de outros devotos eu digo que nada temam! Godzilla: Reino dos Monstros #1 é tudo na vida das pessoas e um pouco mais. AUAHUAHAUAHA

Se vocês estão esperando que eu fale mal de uma revista repleta de monstros gigantes destruindo tudo ao redor, podem passar para a resenha de Demon Knights logo em seguida. A melhor coisa no roteiro que conta as novas aventuras da deusa Gojira – sim, o lagartão é fêmea – é que ele não desperdiça tempo nenhum tentando explicar a possibilidade dele existir em nosso mundo ou por que o monstro despertou justamente agora.

A IDW apenas coloca esse lagarto gigante malvadão no papel e imediatamente começam a trabalhar a tradicional estória de monstros que começou isso tudo. Godzilla acorda, Godzilla começa a esmagar tudo ao redor, os militares respondem ao “ataque”, os militares falham vergonhosamente, os militares resolvem revidar com… bem, vocês já devem ter uma idéia – e não, senhor Spider-Phoenix, aqui não existem Power Rangers – e por fim a frase: “Vocês só podem estar brincando comigo” nunca foi tão apropriadamente dita. É óbvio aqui que Eric Powell e Tracy Marsh estão tendo muito prazer em escrever toda essa insanidade. E para dizer a verdade, se você tiver sido um adolescente viciado em seriados de monstros japoneses ou simplesmente tem tesão em ver as coisas sendo esmagadas, esse é um gibi que há muito tempo não se vê!

O veterano desenhista e páu para toda obra Phil Hester pilota o lápis nessa revista e sinceramente é o melhor trabalho dele nos últimos anos. Ela varia constantemente os layouts das páginas, raramente utilizando as estruturas tradicionais dos quadros, dessa forma cada página é única e um prazer aos olhos dos fãs do artista. Além de que ele faz um trabalho genial em capturar perfeitamente o tamanho épico e as expressões do monstro. Da vontade mesmo de ver o que ele vai fazer nas edições seguintes.

Para os fãs ardorosos, nessa revista também marcarão presença todos os outros monstros que eventualmente aparecem aqui e ali no planeta para cair na porrada com o lagartão, como Anguirus, Destoroyah, Rodan, Titanosaurus, Hedorah, Mechagodzilla e Kumonga. Os fãs PIRA!

Com vocês a primeira edição da revista totalmente escaneada por um fã – muito mais nerd que qualquer um de nós – e que está de babar! Abraço a todos e para quem curte carnaval, bom, carnaval, para quem não, bora pra Apokolyps comigo!

Publicado em CIDADE DO PECADO | Com a tag , , , , | 9 Comentários

Demon Knights – Corre, corre Mulher Maravilha! Exoristos tem muito mais atitude!

Por Venerável Victor  ”a Amazônia é nossa!”  Vaughan

Etrigan não se interessa por nada ali a não ser o bem estar de sua mulher e a oportunidade de ter alguma alegria causando caos e morte, Vandal Savage se mostrou um miserável vira-casaca – alguém duvidava? – e enquanto vamos conversando aqui, Exoristos brinca solta nas imagens. Bem-vindos a resenha de Demon Knights #6.

SPOILERS   SPOILERS   SPOILERS  SPOILERS 

Capa de Demon Knights #6

O primeiro arco de histórias de Domon Knights está chegando à sua sexta edição. Nessa altura do campeonato é muito difícil de acreditar nisso, que já caminhamos com Etrigan e seus inusitados companheiros por metade de um ano e ao chegar no fim da edição, descobrir que a pequena vila de Little Spring continua sitiada, isso é um pouco decepcionante, mas para nos consolar, vale salientar que o roteiro de Paul Cornell ainda nos promete aqui e ali, pérolas enterradas na história que irão manter o interesse do leitor mais um pouco.

A melhor parte sem dúvida desse capítulo das aventuras dos Cavaleiros Demônios é que tivemos a oportunidade de mais foco na personagem Exoristos e na Mulher-Cavalo – quase um codinome de alguma travesti performática, não? . Afinal é muito fácil manter a ação da revista em personagens já pré existentes e conhecidos da maioria dos leitores como Etrigan, Madame Xanadu e Vandal Savage, muito menos trabalho é necessário porque sabemos quem eles são e elas não precisam ser construídos na nova narrativa desde a base. Como resultado, Exoristos e a Mulher-Cavalo – assim como o árabe Al Jabr “Ah, coitado!”, que mal aparece nessa edição – sofreram um pouco no início da revista, mas é muito bom ver que cada vez mais eles estão ganhando seu espaço aqui.

Nessa altura do campeonato, pistas sobre a personalidade e passado de cada um desses novos personagens foram muito bem plantadas para que agora ao ver-mos em ação, não exista dúvida alguma de suas motivações nessa “campanha de RPG”. É muito bom começar a entender as habilidade da Mulher-Cavalo e ver Exoristos chutar centenas de bundas em toda a sua glória Amazona, não tem preço. Agora que Cornell está incrementando a participação desses personagens, parece difícil que eles caiam para posições subalternas.

Telepatia equina??? Aquaman que se cuide, vai que ela consegue controlar cavalos-marinhos?

A parte dessa edição focada em Etrigan e Madame Xanadu foi preparada para ser concluída no próximo número. Uma série de pistas e ações desenvolvidas por cada um que não chegam a um clímax real aqui, possivelmente arquitetadas para que sejam as estrelas da edição #7, caso seja mesmo, legal, e o próximo número será um dinheiro muito bem investido, mas para esse mês, não passou de um “coito interrompido”.

Você perde o inimigo, Vandal, mas não perde a piada, garanhão!

Diógenes Neves e Robson Rocha dividiram o lápis nesse mês e essa parceria foi maravilhosa. A arte de Rocha é um pouco mais simples que a de Neves, mas ambos tem um traço muito parecido e lindo por sinal.

Se tem uma coisa que eu preciso parabenizar meu amigo Neves aqui é que ele além de um dos melhores desenhistas dos últimos tempos, ele é o cara certo para conseguir fazer de alguma forma mágica a malhada e grande Exoristos parecer forte e bruta, sem perder a sensualidade, não é uma tarefa fácil.

Mas de alguma forma ele consegue essa combinação ímpar que faz com que ao mesmo tempo em que a amazona impede que seus inimigos vejam novamente a luz do dia, ela pareça engraçada e linda. É um contraste fantástico.

Demon Knights é uma bela série como um todo. Mas eu tenho certeza que não sou o único fã desesperado para ver o grupo finalmente deixar para trás Little Spring. Por sorte, a conclusão desse arco parece estar batendo nossas portas. Apesar da narrativa em vários pontos ainda arrastada, como parte do todo esse número foi muito bom. E nunca é demais vermos personagens como Madame Xanadu, o Cavaleiro Andante, Mulher-Cavalo e Exoristos nos mostrando que mesmo nos tempos medievais, a mulher nunca foi o sexo frágil.

Publicado em Primeira Impressão | Com a tag , , , , , , , , , | 8 Comentários

Heróis que matam, o abismo de Nietzsch, a mecânica clássica de Newton e o teorema do pós-vida de Pascal: Verdade, Justiça e o Jeito Humano de Vida

Por Rodrigo “Abissal” Broilo

Dias atrás nosso irmão de fé Henry Garrit nos trouxe a resenha da recente edição de Liga da Justiça e levantou uma importante questão, a qual quero trazer novamente a tona (senão para debate, apenas para exposição), sob a macieira da vida.

Na dita resenha, levanta-se a questão sobre Superman matar vilões, ao que nosso amigo providencialmente acrescenta: “Nada mais é sagrado?”. Com base nos nossos conhecimentos super-heróicos, pressupostos filosóficos sobre moral, justiça e amor ao próximo, quero propor algumas questões para ser respondidas no íntimo de nós mesmos, já que são as perguntas, e não as respostas, que movem o mundo e que a Verdade é relativa.

Pode um Super-homem, um herói normal, ou um vigilante matar um inimigo? Muitos irão responder “Depende!”. E realmente depende. Do lugar, da ocasião, dos envolvidos, mas principalmente do conceito. Para esse herói (ou sejamos mais diretos: para nós) toda e qualquer vida é importante e deve ser preservada? Ou, se for pra salvar dezenas, centenas, milhares ou milhões de vidas, uma ou mais podem perecer? O primeiro conceito é facilmente reconhecido, pois sempre foi o norte de muitos heróis de quadrinhos, e se encontra, inclusive, em muitas correntes filosófico-religiosas. Já a segunda é o utilitarismo clássico dos Vigilantes (Watchmen) de Alan Moore.

Quantas vezes a dúvida não perpassou a mente de Bruce Wayne a cerca das vidas que ele teria salvado se tivesse matado o Coringa? Que tipo de super-herói é aquele que deixa um terrorista ou um assassino em condições de voltar a cometer seus erros? Entre matar ou não matar um inimigo, há uma intrincada e imprevisível cadeia de conseqüências, para o herói e para quem ele salvou ou deixou de salvar.

Independente de se condenar ou salvaguardar a posição de um herói que mata pelo bem maior (ou que seja em legítima defesa, como nos assegura a lei humana), deixar que um herói ou vigilante decida sobre a vida de outrem é dar a ele um poder maior que invulnerabilidade, intangibilidade, estratégia ou visão de calor. É permitir que ele seja juiz, júri e executor. É dar a ele a liberdade de escolher quem vive e quem morre e incorremos em projetar o próprio a sua queda. Alan Moore usou como epítome de sua obra, Watchmen, um dos dizeres de Friedrich Nietzsche: “Quem luta contra monstros deve tomar cuidado para que, durante o processo, não se torne um monstro também. (…) quando você olha para o fundo do abismo, o abismo também olha para você”. Não são Clark e Lex o observador e o abismo? Não seria o Batman e o Coringa faces de uma mesma moeda? Um que tem o poder e outro que o quer? O que freia a loucura e o que deixa a insanidade correr solta? Dar poder de decisão aos heróis e vigilantes é deixar que eles caminhem para serem Lordes da Justiça, como no desenho animado da Liga da Justiça. Dar aos super-heróis o comando de nossas vidas é fazer o que fazemos em nossa realidade com a política e a religião: abdicamos de nossa escolha, ou por julgar que outros o podem melhor ou para não incorrermos em erros de nossa própria culpa. Mas “quem vigia os vigilantes?”

Para um filho, um pai que rouba ou trafica, mas que trás comida a sua casa e o dá amor e carinho, é um vilão ou um herói? Para nós ele é o que? A vilania e o heroísmo batem a nossa porta e a porta do vizinnho da mesma maneira? O que é bom e justo pra mim, é para todos? Pode o Superman definir isso por mim? Albert Einstein nos diria que “tudo é relativo”. De fato.

Já Isaac Newton vai nos dizer que “toda ação gera uma reação de igual intensidade, mas em sentido contrário”, um dos postulados que revolucionou a física ao seu tempo e é a mecânica por trás do universo como o conhecemos e de muitas filosofias e/ou religiões.

Tudo o que fazemos ou deixamos de fazer, gera uma conseqüência. Batman não matou o Coringa, mas ele matou, e até aleijou Barbara Gordon. Peter Parker não deteve o ladrão, mas o ladrão matou seu tio. Superboy morreu, mas não deteve para sempre o Primordial. Superman não matou algum vilão, mas esse matou um pai de família que deixou órfãos e viúva. Quais são as conseqüências de atos heróicos? O menino que é espancado por ajudar um mendigo é um herói ou um cumpridor do seu dever?

No campo de batalha da vida, pensar nas conseqüências de nossos atos pode ser ainda mais difícil, mas a questão é que, dada uma ou outra decisão, a reação será irremediavelmente encarada. Mesmo a omissão tem repercussão. Debater, discutir e ser auto-crítico não é de nossas maiores virtudes, admitamos. Muitos podem o ser, mas não é consenso geral. E atribuímos ações e reações a divindades.

“Deus sabe o que faz”, ou “entrega pra Jesus”, ou “Deus não mata, mas achata” são só algumas das expressões que caracterizam o quanto a sociedade, especialmente a ocidental latino-americana, acredita que há conseqüências em seus atos, mas que cabem ao Divino, e não a elas próprias. Se você comete um crime, você pode ou não pagar em vida (mesmo que aqueles que sofreram com isso queiram justiça – ou mais comumente vingança), mas a religião e a crença na pós-vida dizem que você vai arcar, seja ardendo no inferno, seja expiando em outra existência, seja reencarnando como um sapo. Tudo que vai, volta. É newtoniano, é cármico.

Qual a carga cármica de um super-herói que mata? Quantas expiações um vigilante terá? Mas o que ele fez não foi com boas intenções? A Mulher Maravilha vai pro céu?

Aqui nós chegamos a outro impasse, muito mais profundo, que é a crença em Algo Superior. Não vou discutir esses termos (religião, junto com sexualidade e futebol, é alguns dos temas que eu não me pauto a discutir). Mas aqui cabe relembrar o teorema de Blaise Pascal, grande matemático, cientista e filósofo do século XVII, sobre a fé e a conduta. Usando a figura de um cavaleiro ateu e um camponês temente a Deus, ele formula uma equação em duas variáveis, que é (1) a existência ou não de Deus e de uma vida ou compensação futura, e (2) a forma como conduzimos nossa vida na terra. Se eu acredito no, digamos, “depois” e viver dignamente, como um ser justo e moral, e estiver certo sobre o “depois” (ou seja, ele existe, a vida não acaba com a morte) meus atos de bondade em vida, podem ser recompensados. Se eu estiver errado sobre o “depois”,  eu ainda assim terei sido feliz por ter sido um bom cidadão e serei lembrado pelas duas gerações seguintes como um homem de bem. Não acreditando no “depois” e vivendo sem pensar em conseqüências e como se só a minha satisfação importasse, se eu estiver certo sobre o “depois” vou apenas ter vivido como um fanfarrão e para muitos terei ido tarde, mas se eu estiver errado e o “depois” existir, ferrou! Pascal quis defender a crença na existência do depois? Não. Pascal quis defender o raciocínio lógico em meio a um século de empirismos sobre a existência de Deus, e exortar a vivencia de maneira digna e justa, independente da existência de céus e infernos, ou de uma divindade julgadora.

Creio que, chegando aos “finalmente” deste pequeno discurso, não trouxe nada de novo, e tampouco alguma resposta. É dever (ou direito?) de cada um interpretar e responder, em seu íntimo, a essas questões. Existe UMA verdade? Vai saber?! O que podemos arbitrar é que cada um tem sua noção de verdade. Pode o Superman escolher quem deve morrer? Pode que a escolha dele gere mortes impensadas? Pode o Batman ser responsável pelos atos do Coringa? Peter Paker matou o tio Ben? Heróis e vilões vão para o céu? São ambos monstros? Quem é o observador e quem é o observado? Onde eu me encaixo nessa viagem mental? O que é justiça e moral, e o que isso tem haver com a minha vida, agora ou depois?

Pensem, ou não. Comentem. Respeitem. Posicionem. Ou deixem tudo pra depois do Big Brother.

PS.: Quem tiver a oportunidade, se achegue da obra “Super-heróis e a filosofia: Verdade, Justiça e o Caminho Socrático” da editora Madras. Algumas das ponderações aqui apresentadas se encontram também nesse livro, de diferentes pontos de vista.

Publicado em BAR DA BARDA | Com a tag , , , , , , , , , | 4 Comentários

Wolverine e os X-men – parabéns para a mamãe Kitty!!! As Mutantes Pira!

Por Venerável Victor “encolhido mas não vencido” Vaughan

Resenha de Wolverine and the X-men #5  SPOILERS!!!

roteiro: Jason Aaron arte e arte final: Nick Bradshaw cores: Justin Ponsor

De alguma forma entre defender um ataque do novo Clube do Inferno e ter que providenciar mais uma reforma nas instalações após a emergência que foi o ataque do filho de Krakoa, a ilha viva, no solo da instituição, Wolverine esgotou todos os recursos financeiros que tinha adquirido para tocar a escola Jean Grey. Para piorar a situação, os ultra milionários que compõe o supra mencionado novo Clube do Inferno, conseguiram se infiltrar entre a diretoria das Indústrias Worthington, tomando o controle e fazendo com que o amnésico bilionário Warren “Anjo” Worthington seja considerado mentalmente incapaz de tocar as empresas.

Em outras palavras, Logan precisa conseguir algum – muito – dinheiro logo ou sua carreira como diretor da escola Jean Grey vai ser a mais curta do universo Marvel.

Para tentar resolver isso, ele carrega Quentin Quire – também conhecido como Kid Ômega – para o espaço a procura de mais fundos. Eu estou disposto a acreditar que dinheiro espacial é totalmente aceito na Terra na cronologia Marvel. Parece-me que Wolverine planeja ir na “casa” de alguém chamado Warren Buffett e lá usar o controle mental de Quentin para fazer com que esse lhe ofereça os fundos necessários. Nós vamos ver aonde isso vai dar na próxima edição, acho eu.

Enquanto isso, a barriga de Kitty Pryde, quase vindo na boca, que nós vimos na edição anterior acontecer – juntamente com ela – acaba se mostrando não ser uma gravidez afinal, mas uma infestação da Ninhada. O Fera e o resto da sua equipe logo descobrem que milhões de microscópicos indivíduos da ninhada foram lançados no sistema de ventilação da escola, geneticamente desenvolvidos tendo em mente a fisiologia de Kitty. Basicamente, essa é uma elaborada tentativa de assassinato.

A solução para resolver esse dilema foi inteligentemente plantada logo no início dessa edição, quando o fera encolheu toda sua classe, com partículas Pym, para levá-los numa aula de biologia sobre fisiologia mutante, dentro do corpo do zelador da escola, o Groxo!

Essa edição se desenvolve bastante rápido, e Jason Aaron nos arremessa em ação e mais ação sem dar muito descanso. Entre tantas coisas divertidas nessa revista posso citar a mais legal que é o mutante Doop – criação de Peter Milligan para sua finada X – force – substituindo Kitty na sua classe de “Introdução à religião” e contínuo uso do Groxo como capaxo para as invenções de Wolverine e Fera, o que seria uma espécie de castigo para ele após anos de serviço a Irmandade de Mutantes de Magneto.

A arte de Nick Bradshaw é extremamente detalhada – e mais uma vez… graças a Deus, nada de pedras voando – sempre com mais coisa acontecendo ao fundo do quadro, do que conseguimos identificar numa simples olhada e as cores de Ponsor fazem com que os personagens pulem para for a das páginas. Se você está procurando um momento parar começar a ler um título mutante, não espere nem mais um segundo.

Aaron criou algo que não se encaixa dentro do conceito que vinha sendo proposto em uma revista X, o tempo todo nos mostrando o que uma ótima aventura dos X-men deveria ser. De uma excursão da turma de alunos do Fera dentro do corpo de outro mutante, a mudança do “status quo” do Anjo no universo Marvel e o pequeno dilema da “mamãe” de primeira viagem Kitty, Aaron nos presenteia com diversas surpresas e reviravoltas que fazem nossa cabeça pirar! Wolverine e os X-men é uma grande revista que usa o caos controlado para criar algo verdadeiramente único.

Edição #4 de Wolverine e os X-men aqui.

Publicado em MIDGARD | Com a tag , , , , , , , , , , , | 14 Comentários

Quando Os Quatro Fantásticos saltam das revistas para os desenhos animados!

Por Guy Santos     http://guysantos.blogspot.com/

O quarteto de super-heróis mais famoso da casa das ideias, ganhou sua primeira versão animada em 1967 (que durou até 1968). A animação foi criada pelo estúdio Hanna-Barbera, criadora do “Tom e Jerry”, “Space Ghost”, “Jonny Quest” e tantos outros que adoramos. Por algum motivo, quando o desenho foi traduzido para ser exibido nas terras tupiniquins, recebeu uma tradução ao pé da letra. A Ebal já publicava quadrinhos com os personagens, com o titulo “Quarteto Fantástico”, mas ignorando este fato a série chegou com o titulo “Os Quatro Fantásticos”. A editora RGE aproveitou o titulo do desenho em algumas edições. Seguindo pelos moldes dos desenhos animados antigos, das décadas de 60 e 70, diferentemente dos desenhos de hoje, a série não segue uma cronologia. A introdução do desenho conta um pouco da origem dos personagem principais, mais através de imagens do que de narração, mas existe um episodio onde Reed Richards explica não só a origem dos quatro heróis mas também a origem do Doutor Destino.

O desenho animado deixa de lado os dramas pessoais dos personagens, algo que os estúdios não se interessavam muito na época, já que os desenhos eram direcionados para as crianças, deveriam se entregar apenas a aventura. No entanto isso não impede de haver alguns pontos a se ressaltar, como Reed já está casado com Sue e o Coisa se mostrar em alguns momentos incomodado com sua aparência, falando em Ben, sua eterna rivalidade com o amigo Tocha-humana aparece bem menos (quase nada) do que no filme de 2005 (que ganhou sua continuação em 2007 com Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado) e na animação de 2006 (intitulada apenas de “Quarteto Fantástico”).

Durante os 20 episódios (de mais ou menos 20 minutos cada) existem situações um tanto quanto peculiares, a maioria delas é protagonizada pelo Senhor Fantástico. Como quando Reed explode uma ilha cheia de armas nucleares, do vilão Professor Gama, sem se preocupar com o que isto poderia causar. Mas logo descobre, pois a radioatividade nas locações da ilha transformam o vilão (que volta para ver o estrago) em uma criatura monstruosa, logo uma ameaça aos Quatro Fantásticos. Neste mesmo episodio temos um dos raros dramas do desenho animado, quando Johnny Storm se mostra está de saco cheio dos heróis, e vai embora, mas logo volta a equipe sem mais drama.

A história com participação do Surfista Prateado e de Galactus, uma das histórias mais lembradas do Quarteto, que começou na revista “Fantastic Four” # 48 (e foi até a número 50) em 1966, e foi o mote para o filme “Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado”, na série animada ganha um episódio. O Surfista, na versão dublada do desenho, é chamado de Escoteiro de Prata e o Vigia de Vigilante. Neste episódio tudo acontece muito rápido, e conta inclusive com um beijo de Sue e o Surfista Prateado (ou Escoteiro de Prata). Reed não se pronuncia sobre este fato.

Além dos filmes mais atuais, os heróis possuem um filme do ano de 1994. Existem também outros dois desenhos animados, um de 1978 (onde Johnny é substituído por um robô), e outro de 1994.

Herbie - o rob6o foi criado pelos produtores pelo receio de que o Tocha humana incentivasse que os pequenos mexessem com fogo.

Não posso dizer até onde o desenho animado, “Os Quatro Fantástico”, pode ser fiel aos quadrinhos daquela época, mas o traço da Hanna-Barbera, e as aventuras curtas e diretas, quando não absurdas demais, são muito interessantes.

Publicado em DE VOLTA PARA O PASSADO | Com a tag , , , , , , , , , , , | 11 Comentários

BATMAN: Pode o maior detetive do mundo ser passado para trás?

Ou: “Ele é apenas um pobre órfão com uma imaginação muito fértil…”

AVISO: Contém spoilers.

Uma resenha das edições #4 e #5 do novo título mensal do Batman, escrito por Scott Snyder e ilustrado por Greg Capullo e Jonathan Glapion.

Por Henry Garrit

Santa duplicidade! Duas edições de Batman numa tacada só.  E o Duas Caras nem dá as caras…

Continua a jornada investigativa de Batman sobre a Corte das Corujas. O misterioso assassino “Garra” parece estar sempre alguns passos à frente de Bruce, e logo ele percebe que deve reconsiderar algumas verdades que antes acreditava serem absolutas. O passado dos Wayne é novamente revisitado, e novas armadilhas para morcegos são preparadas.

Batman é jogado nesse labirinto de intrigas, onde precisa considerar a possibilidade de ter cometido um grave erro, e descobrir que seu inimigo mantém uma vantagem tática sobre ele. Mas Bruce está perdido nesse caminho vertiginoso, sua saúde mental está seriamente comprometida. Ele foi drogado? Ou apenas agora ele percebe o real  sentido de suas motivações?

Um homem contra uma seita secreta, algo maior do que o Batman, maior do que Gotham. Algo muito mais antigo. Ele subestimou o inimigo, se deixou fragilizar demais, e agora vai pagar o preço.

Scott Snyder tem feito algumas proezas ultimamente. Co-criador e roteirista regular do título “Vampiro Americano” do selo Vertigo, sucesso de público e crítica, ele começou a escrever uma elogiada fase de Batman mesmo antes do reboot. Ele também assumiu os roteiros do Monstro do Pântano, que há tempos não chamava muita atenção, desde o sucesso que era na época em que era escrita por Alan Moore. Snyder entende de terror, e se mostrou também capaz de elaborar arcos interessantes para o Homem Morcego, introduzindo sequencias com bastante suspense e quebra-cabeças dignos do maior detetive do mundo. A nova revista escrita por ele tem sido uma das leituras mais interessantes entre os “bat-títulos”, belamente ilustrada por Greg Capullo, ex-desenhista do personagem Spawn, que emula o traço do criador do mesmo, Todd McFarlane, embora imprima nele seu estilo próprio.

Mas o que faz uma história em quadrinhos ser interessante não são apenas os belos desenhos ou autores verborrágicos, mas um conjunto de elementos que se harmonizam e conduzem juntos, texto e arte, com ritmo e fluidez. Essa parceria tem acontecido entre os autores de Batman, e tem agradado aos fãs, alternando momentos pueris com a medida certa de suspense. Não se compara ao seu trabalho atual em Monstro do Pântano, que é de longe muito superior, mas cumpre a sua função e ganha momentos realmente dignos de nota. Em outros tempos, sua passagem pela revista seria celebrada com mais entusiasmo, mas muitos bons autores têm escrito a revista do Homem Morcego com competência, salvo alguns deslizes no percurso, todos parecem querer manter o padrão instaurado por Grant Morrison, que elevou o nível das histórias desde que começou a atuar no universo do morcego.

Escrever uma mensal do Batman é uma baita responsabilidade. Mas Snyder está dando conta do recado.

Nota: 9,5

Quer ler as resenhas anteriores? Clique em Batman #1 e #2 e Batman #3

Confira também nossa matéria explicando em ordem cronológica e em detalhes o retorno de Bruce Wayne. 

Publicado em Primeira Impressão | Com a tag , , , , , , , | 2 Comentários

Homem Animal # 6: O triste fim do heroico Red Thunder.

Ou: “Todos os nuances do Vermelho”.

Uma resenha de “Homem Animal” #6, de Jeff Lemire (roteiro), John Paul Leon, Travel Foreman e Jeff Huet (Arte).

AVISO: Este artigo contem spoilers.

Por Henry Garrit

(Agradecimentos especiais à Pablo Ramos e Victor Vaughan da “Tropa Gorila”)

Uma coisa pode ser boa demais a ponto de ser insuperável? Digo, quando a gente gosta muito de alguma coisa; qualquer coisa, um filme, um gibi, um livro, um autor… no fundo você sabe: nunca ninguém vai ser ou fazer melhor. Falando em filmes, vamos colocar os clássicos de Hitchcock ou Charles Chaplin nesse exemplo. Dois gênios de gêneros distintos, o suspense e a comédia (de repente me pareceu errado classificar Chaplin como “comédia”… não que não fosse, em seu mais fino trato, e nem denegrindo os grandes mestres da comédia… mas ele me parece estar alguns passos além… pelo menos eu me sinto assim a respeito dele). Pois bem, é possível que os privilegiados que acompanharam esses dois cineastas achassem que ninguém nunca faria filmes tão bons ou melhores do que os deles. E talvez estivessem certos. Ou quem sabe houve aqueles que odiavam filmes. Gosto é gosto.  Mas o tempo passou e nos trouxe outros ventos, outras mentes e outras formar de criar, mas sempre trabalhando em prol da arte. Eu citaria como exemplo… Woody Allen e Ridley Scott… e não quero comparar “Alien, O Oitavo Passageiro” com “Disque M Para Matar”. O que eu quero é colocar todos esses mestres sentados na mesma mesa, olhando-se como iguais. É pedir muito?

E onde eu quero chegar com toda essa conversa?

Havia um cão morto na estrada por onde eles passaram. E sua carcaça já estava podre.

Estava ficando bem escuro do lado de fora, e só havia incerteza quando se olhava pela janela do trailer que seguia lentamente e sem destino. O único que parece manter a razão é Sr. Meias, o gato falante. Ele diz que a esperança da humanidade frente à extinção de todos os seres vivos, é encontrar o homem chamado Alec Holland, pois ele tem grande poder e também combate o Podre.

Como vimos anteriormente, existem forças invisíveis que comungam com a vida. Uma delas é o Verde – regido pela vida vegetal, e o Vermelho, pela animal. E existe também aquela que é oposta a ambas: o Podre.

No interior do veículo, a família Baker tenta manter a calma e a normalidade apesar situações bizarras pelas quais acabaram de passar, conforme visto na edição anterior. Cliff, por exemplo, assiste a um filme de super herói em seu celular, mas infortunadamente, a bateria acaba. Maxine, a garota mais importante do mundo segundo Sr. Meias, segue tranquilamente observando a tudo com seus olhos infantis.

Dentro do trailer, a família reunida foge de forças que não compreende, experimenta outros níveis de medo e nos deleitam com o mais puro e refinado terror.

O que mais pode ser feito no título do Homem Animal? O que Grant Morrison, Peter Milligan e os outros autores que trabalharam nele durante sua estadia no selo Vertigo não desconstruíram no personagem? Qual teoria metafísica não foi experimentada, qual dose de ópio ou magia? Qual mensagem pertinente ainda não foi passada, qual exemplo não foi dado? Qual suspense e diversão não nos foi apresentado? O que ainda não nos surpreendeu?

Como inovar quando se trata do herói mais experimental, cult e bizarro dos quadrinhos?

Simples. Coloque Jeff Lemire para escrever a revista.

Quando se pensa que nada mais pode ser feito, que nada mais pode superar suas expectativas… o que foi desconstruído? Fui eu, leitor. Pego de calças curtas, processando a informação. Pensando coisas do tipo: “É tão simples… como não pensei nisso antes”?

Mas as coisas mais inteligentes são assim mesmo. Simples e sensacionais. Como essa edição de Homem Animal, sobre a qual vou evitar dar mais spoilers. É um presente meu para vocês: tenham o prazer de ler essa revista, acompanhem essa série.

Quando eu li “Homem Animal” de Grant Morrison, eu já gostava de quadrinhos, mas a partir dali, eu deixei de ser apenas um leitor. Foi quando eu decidi que queria escrever quadrinhos. Tá, eu sei que já contei essa história antes, então não vou aborrecer vocês com isso de novo. O que eu quero dizer, é que naquela época, eu achava que nunca ninguém escreveria melhor o Homem Animal do que Grant Morrison. Era algo insuperável. Mas hoje eu tenho o privilégio de viver numa época em que posso acompanhar as aventuras do homem com poderes animais, escritas por Jeff Lemire.

Nota: 10

Publicado em Primeira Impressão | Com a tag , , , , , , , , | 9 Comentários