DISQUE “H” PARA HERÓI #1 & SURPREENDENTES X-MEN #49 – “They tried to make me go to rehab But I said no, no, no”

Por Venerável Victor “Disque “M” para macaco” Vaughan

Disque H para herói é uma revista em quadrinhos da DC comics que conta as histórias de um misterioso “disco de telefone” que permite a qualquer pessoa comum se tornar um super herói por um curto período de tempo. Cada vez que é “discado” o DIAL possibilita ao dono  transformar-se (sem poder escolher) em um novo super ser, com nome, uniforme e poderes diferentes. A série original estreou em 1966 na revista “House of Mistery” (que também publicava as histórias solo do Caçador de Marte) e teve 18 edições. Mais duas tentativas de emplacar com o título foram feitas em 1980 e em 2003.

Estreias anteriores: House of Mistery #156 (1966) – Adventure Comics #479 (1980) – H.E.R.O. #1 (2003)

Disk H for hero #1

Essa é a história de um homem tenta salvar a vida do amigo de suas péssimas escolhas, ao passo que esse amigo também faz o mesmo por ele.

Essa revista faz parte dos novos títulos pós reboot, ou a “SEGUNDA ONDA”, como são chamados. Antes de mais nada, vale lembrar que nenhum dos títulos “sombrios” dos Novos 52 lançamentos iniciais da DC  foi cancelado até hoje. Dito isso, começam os SPOILERS.

Capa do MESTRE Brian Bolland

São dois perdedores. O obeso Nelson Jent, que ainda não chegou aos trinta anos, tem problemas cardíacos e está fumando sem parar rumo a sua morte, por conta de uma maré de má sorte (no passado ele foi alguém bem diferente do que é hoje) e Darren Hirsch, sadio de corpo, mas na vida pessoal se misturou com um “bando” bem barra pesada. Quando Darren, ao sair da casa do amigo, em uma missão de resgate é agredido em um beco, por capangas que trabalham para seu misterioso empregador conhecido apenas como XN, Nelson entra desesperado em uma antiga cabine telefônica para pedir socorro, discando os números: 4376…(porque ele disca esses números e não 911…também é um mistério)

Mas não é Nelson que sai de lá em seguida, é o Boy Chimmey – Garoto Chaminé? – que parece uma versão ainda mais surreal, porém heroica do personagem “” Nick O’Teen” do filme : Estranho mundo de Bob. Esse Garoto Chaminé , é capaz de manipular cinzas e fumaça e dá conta de por os agressores para correr do beco (não sem antes dar uma surra em todos) e após isso, carrega o corpo ferido de Darren para o pronto socorro mais próximo, voltando à forma humana logo em seguida.

Nelson acreditando que sua transformação de alguma forma estava relacionada com a cabine telefônica, retorna para o beco onde ela está e busca novamente discar os quatro números que o transformaram anteriormente. Espetacularmente surge o “Capitão Lacrimoso” um super herói EMO, capaz de provocar em seus algozes a manifestação exagerada de suas maiores tristezas, dessa forma alimentando cada vez mais sua força e resistência, ele me remete a um talvez rejeitado figurante de algum clipe antigo do The Cure.

Essa é uma atualização do conceito clássico da série. O roteirista China Miévelle proporciona aos seus dois “heróis” nessa revista um agradável e distinto linguajar em suas falas. Suas naturezas emergem da cabine telefônica aparentemente de acordo com a natureza emocional na hora em que Nelson disca os números. E eles não são as únicas criaturas esquisitas por perto, já que o misterioso XN manda uma misteriosa senhora idosa que cospe “bile negra” para enfrentar o recém surgido Capitão. Outra característica merecedora de nota é que nosso protagonista aparentemente mantém sua mente consciente mesmo enquanto o seu “outro eu” está aprontando por aí.

A atmosfera da revista e seus cenários urbanos, lembram muito a arte da antiga revista do Hitman. Nelson e Darren convencem o leitor como grandes amigos, ligados um ao outro por uma afeição suprimida e grandes manifestações de desapontamento um com o outro. As cenas com os dois “heróis” são bizarras, em grande parte graças ao traço inconfundível de Mateus Santolouco. Seus personagens não são “super lindos”, nem menos grotescos, mas totalmente reconhecíveis, permitindo a criação de raízes fortes da revista com um cenário realista. E quando os momentos de fantasia chegam, Santolouco se entrega num furor de selvageria com os personagens e quadros, fazendo com que o mais cansado e incrédulo fã da DC, arregale os olhos admirados.

As cores de Tanya e Richard Horie são perfeitas na proposta da revista, repleta de tons marrons e cinzas, pontuados por instantes de luminosidade ofuscante, não deixando aqui de mencionar que a icônica editora da Vertigo, Karen Berger, volta para o Universo DC editando o roteiro inspirado de MIévelle, é a primeira vez que isso acontece desde um certo número passado da revista Hellblazer…

Uma coisa que pode certamente afastar o público desse título é que não existe de forma alguma aqui um “herói” reconhecível ou um super ser constante para que os fãs se identifiquem facilmente. Quem já conhece os trabalhos anteriores de Miévelle provavelmente embarcará na ideia de ver o que esse autor fará no universo DC provavelmente, no entanto é inegável que essa edição #1 vai fazer com que muita gente volte mês que vem para ver no que vai dar.

Não existe história pregressa sendo contada, não temos uma origem mística para o “Disque H”… você tem apenas dois amigos, um totalmente fora de seu peso e acometido de uma maré absurda de má sorte e o outro, misturado com negócios escusos. Fora isso, nós somos imediatamente arremessados no mundo deles.

Isso é o suficiente para trazer as pessoas mês que vem de volta? Sim, afinal a maioria dos fãs da DC desenvolveram ao longo dos anos um inegável amor pelos títulos “sombrios” da editora, eles são repletos de monstros e esquisitices, não exatamente do tipo de “monstros e esquisitices” que o genial Grant Morrison enfia por sua goela normalmente, mas sim um “beco” realmente sinistro desse universo de heróis que adoramos.

A capa??? A capa é de Brian Bolland, portanto só ela vale a compra da revista! Pelas minhas humildes contas, essa é a quarta tentativa de emplacar o título ”Dial H para herói” (a quinta se você quiser considerar uma participação escrota na revista do “Superboy e a Festa” na década de 90), mas agora vale muito mais a pena discar H para chamar um herói.

Astonishing X-men #49    Spoilers

Roteiros: Marjorie Liu – Arte: Mike Perkins

Capa de Surpreendentes X-men 49

A batalha da edição anterior continua sendo travada aqui. Cecília Reyes faz o possível para não se envolver com os problemas dos X-men, mas a sorte não está ao seu lado. Kyle, o namorado de Estrela Polar chega ao lugar da “pancadaria” acompanhado da jovem Karma, que usando sua telepatia descobre que Chimera está sob controle de uma força exterior. O grupo de vilões, os Carrascos que aparentemente estão ali para matar Jean Paul (Estrela Polar) é derrotado e no fim, enquanto Estrela Polar e  Kyle voltam para casa, discutem o futuro de sua relação. No fim, Karma chega a sua casa apenas para receber uma visita surpreendente. Antes de isso tudo ter início, temos mais vislumbres das visões/sonhos proféticos do Estrela Polar e para “variar”, Warbird flerta mais uma vez com o Homem de Gelo.

O roteiro da história é bom, os elementos misteriosos estão sendo colocados aos poucos na trama e a estrutura geral funciona, combinando as misteriosas visões futuras que Jean Paul tem com muita ação no presente e o terreno para uma interação maior do grupo que está se formando é colocado, mas os diálogos de Liu as vezes parecem um pouco forçados e para alguns, muito espaço é usado aqui e ali com momentos menos interessantes aos leitores.

Ambas, a vietnamita Karma e a doutora Cecília Reyes têm grandes momentos de caracterização, Wolverine não rouba a cena nessa revista em nenhum momento, o que é muito bom, mas Liu parece centrar o título até agora em Estrela Polar e seu namorado. Os leitores que não acompanharam a passagem de Greg Pak pelas duas minisséries da Tropa Alfa no passado, não tem a mínima noção de quem se trata esse “civil” e aqui pode ser um pouco difícil de pedir a eles que invistam na história pregressa de um relacionamento que eles não têm o mínimo conhecimento ou interesse. Porém, ponto para a Marvel por investir e mostrar mais uma vez com naturalidade um relacionamento homo afetivo.

A arte de Mike Perkins ainda parece que conflita com as cores de Andy Troy (não, ele não é parente de Donna Troy, pelo menos que eu saiba) principalmente nos cenas de ação que se tem mais de dois combatentes. Isso não estraga a revista, mas distrai demais dos detalhes importantes, por outro lado, funciona muito bem quando se precisa de momentos de mistério e horror no roteiro principal.

Nós temos uma porção de grandes momentos nessa edição, Karma já chega roubando a cena, Cecília está fantástica em seus conflitos internos já conhecidos de leitores mais antigos e são divertidas as investidas “amorosas” constantes de Warbird no Homem de Gelo. Liu também escreve um ótimo Gambit, fazia tempo que esse personagem era deixado de lado. Com tantos personagens interessantes, o Estrela Polar tem que agradecer todos os dias pela escritora ter escolhido se aprofundar mais na vida dele nesse arco. No entanto os fãs ainda esperam que essa revista, que desde que estreou com Joss Whedon anos atrás e sempre demonstrou bastante vanguardismo, ainda nos SURPREENDA.

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ARTE – As mulheres de Guy Santos

Por Guy Santos  http://guysantos.blogspot.com.br/

Desenho deste sempre. Comecei com tirinhas, fiz inclusive uma pequena exposição aqui em João Pessoa, mas sempre achei que faltava alguma coisa. Como bom fã dos quadrinhos americanos tentei por algum tempo explorar o estilo comics, mas percebi que não fazia isso fluir bem, então fui atrás de outro traço, no qual me sentiria mais a vontade em desenhar. Busquei referências de Bruce Timm á Junko Mizuno, passando inclusive por Tim Burton, e chequei a meu traço atual, bastante diferente das referências.

Gosto muito da cultura japonesa e as gueixas são realmente lindas, usei muitas imagens para produzir este desenho da Gueixa. O dever dessas mulheres (não confundir com prostitutas) é de entreter os homens em uma reunião de negócios. Nos tempos passados a garota que iria se tornar uma gueixa era levada para a casa das gueixas (oky-ias como falam por lá), para começar seu treinamento (pesado) aos 6 anos, mas hoje em dia partem de suas casas aos 15 anos. No caso do meu desenho não explorei época, então optei por desenhar uma garota jovem. O penteado é algo muito importante, as gueixas não podem desfazê-lo e dormem sobre um pedaço de madeira para não desmanchá-lo. O Kimono fiz inicialmente liso, sem estampas, mas com alguns filtros no Photoshop (onde pintei o desenho) pude dar um ar diferente para ele. Gosto de usar uma longa paleta de cores, claras e escuras, o que tiver no alcance para deixar o desenho com uma cara boa.

Já o outro desenho é uma referência clara a duas grandes personalidades femininas, Marilyn Monroe e Betty Boop. Juntando estas duas beldades surge Dun Dun (não me perguntem de onde tirei este nome) com toda sua formosura. Gosto de desenhar a sensualidade feminina, a Betty Boop é uma boa referência para isso, a Marilyn então nem se fala. A Dun Dun foi desenhada á grafite e depois passada para o computador para finalizar e colorir, assim como fiz com a Gueixa. Espero que gostem dos desenhos.

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TÁ NA HORA DO PAU! FRANKENSTEIN E OMAC ESMAGAM!!!

Por Garrit

S.O.M.B.R.A. net Pergunta: O que é?

Uma resenha de Frankenstein #5. Contém spoilers. 

Quem fez?

Jeff Lemire e Dan Didio (Roteiros), Alberto Ponticelli (desenhos) e Jose Villarrubia (cores). 

Que houve?

O agente Frankenstein está em missão no Tibet quando é contado pelo Pai Tempo, seu superior na organização secreta que recruta monstros para realizar tarefas inglórias, para prestar auxílio a outra agência supersecreta, o Xeque Mate comandado por Maxwell Lord. Esse “auxílio” significa o enfrentamento solitário de Frankenstein contra o ser conhecido como OMAC.

O que realmente importa nessa edição são os fatos que ocorreram nos bastidores da batalha… essa história é simultânea a edição # 5 de OMAC,  - saiba mais – cuja resenha do ultimo número pode ser encontrada aqui. Fica a nítida impressão que Jeff Lemire foi meio que retirado dos seus planos na revista do Frankenstein para escrever esse crossover… eu estou louco ou ele expressa isso na forma de uma metáfora dentro da história, onde Frankenstein após eliminar alguns pigmeus canibais no Tibet deixa claro que iria tirar uma licença, mas é abruptamente interrompido pelo Pai Tempo. “As férias acabaram. Faça suas malas e traga sua bunda remendada para o QG do Xeque Mate agora”. Tão doce… ainda mais vindo dos lábios da garotinha cujo corpo a mente do Pai Tempo ocupa. Eu não me acostumei com isso…

O cientista Ray Palmer entra em ação e usa de toda a sua perícia em nanotecnologia para travar uma batalha interna contra a invasão remota do super computador “Irmão Olho” ao sistema da S.O.M.B.R.A. interessante vê-lo em ação, apesar de não ostentar sua identidade de “Elektron”… Ray Palmer sempre foi muito subestimado, mas muito valioso nas fileiras da Liga da Justiça. E assim como outros tantos rejeitados, acaba dando a volta por cima.

S.O.M.B.R.A. net Informa: ALERTA DE SPOILER! 

Frankenstein e OMAC, apesar de serem dois cavalheiros civilizados e de grande finesse, caem matando um para cima do outro. Sim, isso mesmo, caro devoto, você não leu errado! Eles brigam nessa edição!

S.O.M.B.R.A. net Informa: FIM DO ALERTA DE SPOILER! 

Mas nem tudo é pancadaria. Alguns dados importantes são apresentados nos bastidores da história, quase que ofuscados pelos pescotapas e chutes na virilha. A Dra. Nina se depara com uma grande descoberta e diz que pode ser capaz de identificar o DNA dos corpos dos quais Frankenstein foi constituído, proporcionando assim uma espécie de “volta as origens” ao monstro. Pode parecer bizarro, e é mesmo. Mas o Frank é um cara sentimental, de família… imagina só se ele não vai querer saber quem foram seus… hã… parentes?

O Pai Tempo como sempre age nas sombras (alerta de trocadilho infame), e sempre sabe o que fazer, nunca perde a calma… uma mente centrada e extremamente racional e analítica… a verdadeira força que sustenta a S.O.M.B.R.A e seu Comando de Criaturas, um trabalho que poucos aceitariam executar em sã consciência… então é justo entender que ele tenha escolhido viver usando o corpo de uma garotinha… não? Eu ainda não me acostumei com isso… Laerte me acuda!

OMAC foi cancelado porque infelizmente foi muito mal executado, o que é uma pena… o personagem de Jack Kirby teria muito mais potencial se tocado por criadores mais envolvidos com a obra – e não culpo Keith Giffen por nada, ele fez tudo que podia, podem acreditar.

Esse encontro com Frankenstein não salvou OMAC do cancelamento, e creio também nem era a intenção. Também não acrescentou nada a Frankenstein, apenas lhe concedeu a edição mais fraca da série até agora, apesar do esforço de Jeff Lemire e seus malabarismos em tentar tornar a história interessante. Alguns pequenos mistérios foram lançados, e ele deve conseguir executar melhor as suas ideias na edição seguinte, sem interferência editorial (será?) onde, então poderá retomar a sua programação normal.

Quem viver verá. E os que voltarem do túmulo também.

Clique para ler também as resenhas anteriores de Frankenstein  #1, #2 e #3 e #4

S.O.M.B.R.A. net Desliga. 

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O MYSTERIO DA GARRA CINZENTA

Por Garrit

Este é um momento muito especial, pois não é todo dia que se pode falar sobre aquela que é considerada a primeira HQ de terror do Brasil. Uma coleção de histórias que ficaram na história.

Esse mysterioso personagem já deu as caras aqui no Santuário, numa das mais terrificantes Sextas Malditas já publicadas. Se quiser conferir, benza-se e clique aqui.

Publicada originalmente na Gazetinha (que também foi a primeira casa de personagens como Superman e Fantasma no Brasil), era um complemento do jornal A Gazeta e tinha o formato de uma história semanal de apenas uma página, o que já era muito comparado as tiras de três ou quatro quadrinhos costumeiros. Teve forte influência dos “pulp” americanos e segundo estudiosos no assunto,  influenciou a publicação de outros personagens estrangeiros na Itália (Kriminal e Satanik) e nos EUA, o Blazing Skull (Caveira Flamejante) da Marvel Comics. Era o inconsciente coletivo viajando pela linha invisível da imaginação e tocando as mentes criativas ao redor do mundo no mesmo período de tempo, sem limites ou fronteiras. Mas esse é apenas um exemplo de uma teoria lançada por Alan Moore no documentário “The Mindscape of Alan Moore”, que não vem ao caso agora.

Teria o “Caveira Flamejante” da Marvel sido influenciado pelo Garra Cinzenta?

Com roteiros de Francisco Armond e arte de Renato Silva, “Garra Cinzenta”, além de uma leitura deliciosa é uma preciosidade imensurável. Um dos grandes mysterios fica por conta do autor, Francisco Armond. Sabe-se que usava esse nome como pseudônimo, e nunca revelou-se ao grande público. Existe uma suspeita que nunca foi de fato confirmada. Especula-se que tratava-se da jornalista e poeta Helena Ferrz de Abreu, ocultando-se para evitar o preconceito existente na época contra uma mulher escrevendo quadrinhos, e pior, de terror!

Não me aprofundarei aqui na fascinante história dessa história, isso pode ser encontrado pelo leitor na caprichada edição de capa dura publicada pela Conrad, com texto fantástico de Worney Almeida de Souza, um verdadeiro documento histórico de valor incalculável das raízes quadrinhisticas brasileiras. Uma viagem inspiradora ao passado, numa semana em mergulhei de cabeça em vários filmes de Mazzaropi (que completaria 100 anos de idade este ano) e Charles Chaplin, dois mestres distintos e unidos pela genialidade imortalizada nas projeções de cinema e sonhos que semearam em suas carreiras. E tudo isso ao som de Dalva de Oliveira, num “intercâmbio” cultural e atemporal inesquecível entre minha avó e eu.

Renato Silva (1904-1981), desenhista de A Garra Cinzenta publicou o manual “A Arte de Desenhar Histórias em Quadrinhos”. Na imagem podemos ver os comparsas do Garra, Flag e a Dama de Negro.

A Garra Cinzenta é um sinal de morte. Aqueles que recebem seu cartão, estão com os dias contados. Uma série de crimes e assassinatos assombra todo o país, fazendo desse criminoso um verdadeiro mito urbano. Cabe ao Inspector Higgins desvendar o mysterio e dar um fim aos actos do facínora.

E não penses que por tratar-se de uma história publicada entre 1937 e 1939 seu enredo será ingênuo ou pueril; o mysterio sobre a identidade e o motivo dos crimes da Garra Cinzenta não são meramente lançados ao acaso, eles têm consistência e uma razão de existir e funcionar em favor da história.

Confesso que fui narcotizado ao entregar-me a essa leitura, mas sou duro de roer, meu velho. Em alguns momentos dessa experiência surpreendi-me com a desfaçatez desse velhaco, cujas barbaridades rivalizam com as de vilões que nasceriam décadas depois. A maldade, pelo que pude constatar, não envelhece.

“Será dono do mundo quem tiver a chave”. Mas não queira ter a chave do sombrio laboratório secreto de torturas e ciências ocultas da Garra Cinzenta. Um lugar que ele apelidou de “Mansão da vida e da morte”, repleto de passagens secretas que levam a labirintos ocultos em enormes galerias sob a cidade, onde armadilhas mortais são encontradas e podem ser a última coisa que um bisbilhoteiro incauto pode descobrir. Mas se sobreviver a eles e insistir em percorrer os sinistros corredores infectos de puro mal, poderão vislumbrar algumas celas da verdadeira fábrica de monstros mantida pelo “Homem-Caveira”, como alguns também se referem ao Garra. Então, não será surpresa esbarrar em múmias e autômatos assassinos de puro aço e maldade, frutos de uma distorcida e maculada alchimia medieval e de suas terrificantes experiências.

A “Fábrica de Monstros” incluí um feroz espécime gigante de “Homem-Macaco” e uma combinação maligna de robótica com engenharia genética, que gerou seu perturbado ajudante chamado “Flag”, que não pode falar ou exprimir sentimentos… apenas enterra-los dentro de si e libera-los na forma de sua fúria assassina e incontrolável… além de outras surpresas bizarras.

Gênio do mal, Garra Cinzenta usa todo seu intelecto de brilhante cientista experimentando mutações dolorosas em seres humanos…. e não poupa requintes de crueldade contra seus inimigos e todos aqueles que obstruírem seus planos.

O objetivo máximo desse maquiavélico criminoso é reproduzir e aperfeiçoar a fórmula do “Licor da Vida” de Nostradamus… o segredo mais bem guardado e nunca revelado dos grandes alchimistas, e até mesmo negado por eles: o dom de reverter a morte. Um objetivo que pode estar bem próximo de ser alcançado na figura de sua mysteriosa Dama de Negro… e que ele não vai parar de tentar obter, não importa quantos mais tenham que morrer, não importa quantos cadáveres mais ele tenha que roubar…

Durante toda a narrativa somos iluminados com a sensatez e proeza do Inspector Higgins, que além de grande detetive, parece não ter medo da morte ou de dar sua vida em troca da solução desse mysterio.

Terias essa coragem?

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OS VINGADORES #1 de Jack Kirby & Stan Lee – “Saudade de tudo que eu ainda não vi”

Por Venerável Victor “além de tratador de macacos, historiador”  Vaughan

1963

Onde vocês estavam nesse ano? Sabiam que nele Astro boy, foi o primeiro herói nipônico a ganhar uma série animada, os Beatles lançaram seu primeiro álbum “Please Please Me”, o Homem de Ferro apareceu pela primeira vez na revista: “Tales of Suspense”, a prisão de Alcatraz foi oficialmente fechada, o filme “Lawrence da Arábia” ganhou o Óscar de melhor filme, a Coca-Cola lançou sua primeira linha diet, nos cinemas o primeiro filme de James Bond: “Dr. No” e “Cleópatra” são sucesso de bilheterias, X-men #1 de Lee e Kirby chegou as comics shops, Fidel Castro visitou a União Soviética pela primeira vez, a russa Valentina Tereshkova foi a primeira mulher a ir ao espaço, Martin Luther King Jr falou seu famoso discurso “I have a dream” , John F. Kennedy foi assassinado e finalmente nesse mesmo ano, o mundo conhecia quem seriam os…

VINGADORES #1

Stan Lee & Jack “the king” Kirby

Loki, o meio irmão maléfico de Thor, que anteriormente na cronologia Marvel fora exilado na Ilha do Silêncio, pelo deus do trovão, vaga pelo ambiente desolado, amargurando suas últimas derrotas e tramando novas formas de vingar-se de seu irmão. Usando de seus poderes, os “olhos da mente” de Loki flutuam pela superfície da Terra, espionando Thor enquanto ele trata seus pacientes, assistido por sua jovem enfermeira Jane Foster, em sua forma mortal de Dr. Donald Blake. A partir daí a mente do deus da trapaça, avança pelo planeta.

Loki, na “Ilha do Silêncio” (lá funkeiro sem head-phone não entra)

Curiosamente ao observar o sul dos Estados Unidos, ele encontra o “Incrível Hulk”. Acreditando que seu “bruto” irmão iria buscar vingança pela morte dos possíveis inocentes, Loki tenta através de mentiras e manipulações fazer com que o gigante esmeralda destrua um trem em movimento repleto de passageiros.

O asgardiano cria a ilusão de uma quantidade enorme de explosivos em cima dos trilhos de uma ponte, num ponto onde o Hulk poderia ver. Sabendo que o monstro iria sentir a necessidade de salvar o trem dos explosivos. Loki, está certo de que ele irá destruir a ponte antes do veículo chegar, causando uma tragédia muito maior. Mas ao contrário do que  ele acreditava, essa versão do gigante verde não é tão estúpida quanto a anterior, esse Hulk ao invés do que se esperaria, através de engenhosos esforços consegue desviar os trilhos do trem, evitando a ponte e providenciando que a composição passe a salvo do perigo.

Claro que, em se tratando do Incrível Hulk, uma popularmente conhecida ameaça pública,o povo no trem passa a acreditar que ele intencionalmente destruiu a ponte e apesar da falta total de vítimas, os planos de Loki começam a gerar frutos.

Nessa época o Hulk estava trabalhando disfarçado em um Circo, vestido de palhaço, ele se apresentava como : “Mechano, o robô mais forte do mundo”!!!

Não havia a internet, muito menos o twitter, mas as manchetes de jornal de todo o país anunciam que o Hulk mais uma vez está em surto descontrolado de violência e Rick Jones, a única pessoa a esse ponto da história que sabe que o gigante verde é na verdade o bom e humano cientista Bruce Banner, busca a ajuda de seus colegas da “Brigada da Juventude” - um grupo de garotos radio amadores – para pedir o apoio do Quarteto Fantástico, no intuito de capturar ou provar a inocência do amigo.

Loki – que não pegava ninguém – e estava mentalmente observando o que acontecia nesse “pequeno drama”, temendo que a participação do Quarteto vá impedir que Thor acabe por procurar o Hulk ele usa de seus poderes místicos e desvia as ondas de rádio com o pedido de ajuda para o grupo do Senhor Fantástico, justamente para um rádio que estava ligado no consultório do Dr. Blake, que imediatamente transforma-se em seu alter-ego asgardiano, o “Poderoso Thor”!

A Brigada da Juventude – criações de Jack Kirby

O deus do trovão voa para atender ao pedido de socorro. Infelizmente para Loki, seu redirecionamento das frequência de rádio, também foram ouvidas por outros três heróis. O bilionário playboy Tony Stark, ao ouvir a mensagem imediatamente veste sua armadura dourada, tornando-se “O Invencível Homem de Ferro” e voando em direção ao sul do país. Enquanto em outro lado da cidade de Nova York, a dupla minúscula de aventureiros, Homem-Formiga e Vespa, ao captar a mesma frequência, pegam carona em formigas voadoras (controladas telepaticamente pelo capacete cibernético de Henry Pym) e vão para onde??? Daí por diante rola muita confusão.

Após mandar Loki novamente para o exílio (dessa vez algo mais definitivo), Thor e os outros heróis, inclusive o Hulk, se preparam para as despedidas, quando o Homem-Formiga e a Vespa propõem que eles permaneçam juntos  para lidarem com ameaças que nenhum herói sozinho poderia enfrentar. Eles concordam em dar uma chance para a ideia e a Vespa sugere que eles se chamem Os Vingadores. Assim nascendo o mais novo grupo de super seres da Terra (da última semana).

Um papo descontraído na mansão Maria Stark…

A Marvel selecionou seus heróis mais conhecidos que não faziam parte de um grupo e que não tinham uma revista até então com seus nomes (desculpe Homem-Aranha!), colocou eles juntos e jogou pesado na tentativa de repetir o sucesso de vendas que era o título Quarteto Fantástico.

A revista dos Vingadores foi durante todas essas décadas, um sucesso para a “Casa das Ideias” e agora com o filme recém-lançado, um sucesso global. Mas a história da origem do grupo, apesar de muito bem conhecida pelos fãs é um pouco banal e porque não dizer, pouco diferente da de seus concorrentes da DC comics, a Liga da Justiça.

Em outras palavras, aqui nós temos heróis lutando juntos contra uma ameaça em comum, mas a Marvel – por Marvel pode-se ler: Stan Lee e Jack Kirby – acabaram por ser conhecidos justamente por fazer as mesmas coisas que a “Distinta Concorrência”, só que de forma diferente.

Na época de Avengers #1, o Hulk era, para os olhos do público, uma ameaça que deveria ser caçada e aprisionada. Com essa revista, a ameaça se tornou um herói. Esse acabaria por ser um tema muitas vezes revisitado na mitologia da equipe, assim que antigos vilões e ameaças à sociedade ganham a oportunidade de se recuperarem perante aos olhos do mundo como Vingadores. E assim como muitas das coisas nessa vida, nem tudo é exatamente como parece ser, como quando verdadeiros vilões nem sempre são fáceis de distinguir entre heróis.

Loki, que nessa época era conhecido dos fãs da editora por seus encontros anteriores com seu irmão Thor na revista “Journey into Mystery” – recentemente relançada em nova roupagem pela Marvel – trava suas lutas através de truques e mentiras, raramente entrando em combates físicos se puder evitar, como visto nesse encontro com o deus do trovão. O asgardiano sempre subestima seu irmão, apesar do Hulk ser um ser que pode e já lutou com Thor diversas vezes no passado, sempre terminando em um empate técnico, o deus da trapaça acredita ter achado o perfeito veículo para a destruição de seu invejado irmão. O que provavelmente aconteceria se os outros Vingadores não tivessem interferido em seus planos. Daí seu ódio pela equipe.

Antigas batalhas entre Thor e Hulk provaram que apesar deles poderem lutar até certo ponto equiparados, como aconteceu em clássicas histórias da Marvel, não existe dúvidas de que o gigante esmeralda poderia ter destruído ou até derrotado Thor em combate mais de uma vez, mas Loki estava errado em um ponto. afinal o deus nórdico da mentira alimenta constantemente o pensamento de que seu irmão é um grande e bruto idiota, apenas uma massa de músculos que seria facilmente ludibriado. Os eventos de Avengers #1 mostram que ele estava errado oficialmente, pois Thor é esperto o suficiente para reconhecer a marca registrada das maquinações de Loki quando ele as encontra. Ou pelo menos uma vez em sua vida eterna…

O “furor uterino” da Vespa

Ao passo que nós não vemos muito da personalidade clássica do Homem de Ferro nessa edição, por sua vez a da Vespa (socialite, Fashion designer e otimista Janet Van Dine) e de seu namorado cientista, Homem-Formiga (Dr. Henry “Hank” Pym), são muito bem desenvolvidas, e parecem já demonstrar pistas de futuros conflitos que viriam a acontecer nessa relação. Afinal, mais de uma vez o Homem-Formiga se mostra agressivo, mandão e de certa forma preconceituoso com sua namorada heroína. Como é conhecido dos fãs, no futuro, esse comportamento vai evoluir até que Pym tenha um surto nervoso, agrida fisicamente Janet e tente matar seus colegas.

A Vespa por sua parte é mostrada como alguém superficial, frágil e sedenta por homens. Ela faz vários julgamentos apenas baseada na aparência, ao afirmar que o Homem de Ferro é “horrível” – mal sabe ela do contrário – e é visível o quanto a moça “perde a linha” por Thor. Fica aqui a lembrança que os futuros “flertes” da Vespa para com outros homens (ela literalmente “pega” o Magneto em Guerra Secreta, já estava separada de Pym, mas…) já acarretou muita confusão no passado.

Por tudo isso que os Vingadores são tão interessantes, eles não são seres humanos perfeitos, nem muito menos possuem afinidades uns com os outros, mas como um grupo, afinal juntos, são uma das mais poderosas e inteligentes franquias dos quadrinhos.

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Jukebox da Barda: Vai dar samba? Sambô!

Por Rodrigo “Assistiu Vingadores mas ainda não quer falar sobre isso” Broilo

A gente sabe que na política brasileira tudo acaba em pizza. Não que a gente se importe, né? Afinal, votamos pra não ter que se preocupar com isso. Não? Bom, verdade ou mentira, tem coisas que não acabam em pizza, e sim em samba!

É o país do Samba gente! Pra fugir só se mudando.

Antes, provavelmente, eu não teria as influências que estou tendo em um estado tão heterogêneo como é Minas Gerais, que além de ser receptivo a tudo e a todos, tem um pé em cada canto do mundo.

Foi assim que eu descobri “Sambô”.

Estava eu em alguma loja, nem lembro qual, e tava tocando “This Love”, originalmente do Maroon 5, numa versão samba. Eu disse: “quê é isso, produção?”. Aí passei por ignorante. “É Sambô, não conhece?” me disseram.

Comentei com uma amiga do trabalho e ela tinha ouvido algo parecido.

Numa festa de pós-casamento, finais de semana depois, eu vi o DVD. O que era possível, afinal, enquanto, em meio a litros e litros de Skol, nós nos esforçávamos para cantar “Evidências”.

Mas foi indo até que no último sábado eu encontrei o DVD+CD desse grupo em uma loja da Saraiva (aquela que toma boa parte do meu salário mensalmente). Comprei-o-o. Num ato de impulso, como quase tudo na vida desse lanterna azul.

E enquanto vos escrevo, neste final de tarde de feriado, vou assistindo e não me aguentando em mostrar um pouco a você.

Sambô, segundo o próprio site da banda, surgiu de uma roda de amigos profissionais com vontade de tocar um bom samba, em volta de uma mesa, batendo um bom papo.

A diferença de Sambô para outros grupos de samba é a influencia dos integrantes no rock e no pop. Quando, antes do fim do mundo, você pensou em ouvir “Mercedes Benz” da Janis Joplin, “Rock’n Roll” do Led Zeppelin ou “I feel good” de James Brown com um pandeiro de fundo? Agora seus medos (ou sonhos) se concretizaram.

Daniel San (não, não ele!) nos brinda com sua voz e pandeiro, acompanhadas por cavaquinho, tan-tan, rebolo…instrumentos típicos de uma verdadeira roda de samba. O Sambô ainda conta com Sudu Lisi (bateria), Ricardo Gama (teclado), Júlio Fejuca (cavaquinho, guitarra e banjo), Max Leandro (surdo e rebolo) e Zé da Paz (pandeiro).

Mas não é só de versões sambantes de clássicas e famosas músicas do pop rock que vive o Sambô. O Sambô vive de Samba, e de samba próprio até.

É uma mistura inusitada. Eu que adoro ver músicas conhecidas cantadas de novos jeitos (isso explica porque “Glee” é meu seriado preferido. Depois de “Big Bang Theory”, óbvio!), “achei um achado”, como dizem por aí.

E aí? Vai dar samba?

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Aquaman #8 & Fabulosos X-men #11 – “Depois de você, os OUTROS são os OUTROS e só”.

por Venerável Victor “apenas outro blogueiro” Vaughan

Resenha de “Aquaman #8″ SPOILERS AQUÁTICOS

Arte final:Joe Prado, Desenhos: Ivan Reis, Roteiros: Geoff Johns e Cores: Rod Reis

Falar que essa revista está entre as dez melhores do reboot, seria um pouco exagerado?

Afinal, apesar das críticas negativas que recebe por um lado ela se mantém muito bem representada em vendas e até em aceitação de pública e mídia. Seus pontos fracos seriam então, enredos pouco interessantes e diálogos banais. Mas logo em seguida você se depara com a arte espetacular de Ivan Reis e tudo fica muito aceitável. No entanto nessa edição que vos falo hoje, Geoff Johns decidiu dar ao nosso herói aquático algo que era muito pedido pelos leitores: aprofundamento. Vergonhoso isso ter levado oito números para acontecer.

Começando seis anos atras, nós vemos um Aquaman sofrendo com a morte de seu pai e em choque com a revelação de suas origens, atormentado por uma massa de repórteres do lado de fora de sua casa, sedentos por uma declaração sua. Essa foi uma grande maneira de começar a edição. Johns consegue equilibrar muito bem a qualidade de seus diálogos e permite que Reis tome completo controle da caracterização visual, tonando-a sólida e fazendo com que as primeiras páginas da revista mostrem perfeitamente o estado mental do herói.

Pulando em seguida um ano, vemos um determinado Aquaman com agora seu curioso tridente e novamente a arte fala por si só. Permitindo que aos fãs que acompanham a revista suficiente informação para que imaginem o que aconteceu com o herói em seu período desaparecido. Mas é claro que quando voltamos ao período presente, Johns retorna também a sua escrita medíocre que julga ser mais cômoda e atraente, no entanto , ao contrário de outras edições, ela agora tem bons momentos de humor e diálogos.

Sim, a revista consegue sustentar bons momentos cômicos apenas usando o recurso simples de mostrar a rainha Mera com ciúmes do passado em comum de Ya’Wara e Arthur. Esses momentos são bem construídos e não estragam o enredo como as tentativas anteriores exageradas.

Agora falando de Ya’Wara – nossa índia brasileira – ela é um personagem até agora de caracterização simplória, mas ela faz o necessário que a narrativa pede, talvez possa ter momentos mais inspirados futuramente. Também é interessante ver Mera assumindo o controle da situação e exigindo respostas de Arthur. Juntando agora um intrigante flash back que introduz o restante dos Outros – o antigo grupo secreto de meta humanos do Aquaman – e um jovem e feroz Arthur Curry em uma ação muito bem construída, essa edição se torna a mais interessante leitura da revista até agora.

Também é muito importante falar, que o persistente perigo das constantes ações misteriosas do Arraia Negra, nêmeses histórico do nosso herói, é um ingrediente vital para esse capítulo. Johns mantém a narrativa que sustenta o quanto esse personagem deve ser temido como um perigo real e imediato.

Ivan Reis sempre que está a frente de um título, é certeza de beleza em cada quadro e aqui não é diferente. Da última página voltando para as feições de desdém de Mera pela proximidade de seu marido e a índia brasileira, ele dá show na caracterização das emoções humanas. Essa é a edição mais bem trabalhada nesse quesito sem dúvida, muito graças a esse super artista, realmente capturando o lado de Arthur que nos faz ter empatia com o personagem. Suas cenas de ação são épicas e o painel duplo que mostra os “Outros” em toda a sua glória realmente é a cena do mês.

Aquaman já está provando seu valor como um dos “setes gloriosos” no novo Universo DC há oito meses, agora finalmente Johns nos brinda com uma trama interessante e imprime ao título uma ótima caracterização, isso em troca vai se mostrar na audiência que ainda não deu uma chance ao personagem, investir na revista. Vamos torcer pela qualidade só crescer nos meses que virão, daí minha dúvida se tornará certeza.

Resenha: “Uncanny X-men #11″  SPOILERS MUTÁVEIS

“Isso é mais que uma prisão. Isso é uma tentativa de sequestro”.

Roteiro: Kieron Gillen ♦ Arte: Greg Land

Nessa edição o Extinction Team entra em um fervoroso confronto com Os Mais Poderosos Heróis da Terra, na porta da frente de sua casa. Enquanto o grupo faz de tudo para proteger a jovem Esperança, a mutante messias, dos Vingadores a qualquer preço, os mutantes se veem entre uma rocha flutuante que chamam de lar e um mundo que não os apoia.

Capa de Fabulosos X-men #11

Esse “tie-in” de Vingadores VS X-men funciona aqui muito bem, os eventos aqui narrados acontecem durante o segundo número dessa minissérie e como resultado, proporciona mais informação e complemento à história perfeitamente. Ela também funciona para mostrar aos leitores o outro lado da história, já que os “tie-in” das revistas dos Vingadores favorecem exclusivamente o seu elenco.

Apesar dessa edição continuar mostrando o confronto entre essas duas equipes em Utopia, Kieron Gillen vai mais fundo e fornece aos leitores o que realmente está se passando na mente de cada um dos aliados de Ciclope, tornando suas ações na história muito mais críveis.

Kieron aqui usa de diálogos na primeira pessoa de cada um de seus personagens, explorando um pouco mais da personalidade de Ciclope, esperança, Colossus e Namor durante esse momento decisivo. Nessa edição, ele presenteia os leitores outras camadas a essa que é “Maior saga Marvel da última semana”. Camadas essas que conferem muito mais importância ao conflito e ainda responde as perguntas que permaneciam como resultado de todas as ações que nossos heróis teriam que tomar em prol do que acreditam.

Falando agora de humor, aqui temos uma das melhores passagens da revista, apesar de ser difícil buscar um dos vários momentos interessantes seria muito deselegante da minha parte não mencionar as linhas de pensamento de Namor, fantásticas, assim como as de Colossus, apesar de que com ele, o humor é algo não intencional e de certa forma genialmente perturbador. Sem desmerecer a participação rápida e fundamental do Doutor Nêmeses nesse quesito.

Os dois ápices dessa edição #11 são, entretanto o desfecho da revista que é ao mesmo tempo inteligente e único, assim como o desenvolvimento da personalidade “Juggernaut” no Colossus. Enquanto o russo luta contra o Hulk Vermelho, os leitores tem a chance de explorar sua psique atormentada e entender o que significa para Piotr ter se tornado essa força da destruição, Sua sede por sangue e seu potencial escondido é trazido a tona aqui, fazendo desse capítulo de “Fabulosos” muito mais que um simples “tie-in”.

O desenhista Greg Land retorna nesse número e faz um trabalho acima do seu normal em termos de qualidade, seu traço é mais claro e as imagens são fáceis de acompanhar, e isso é muito bom, afinal muitos leitores estarão entrando na revista por causa dessa história. Ficou claro para mim que Land desenha melhor personagens quando menos humanos eles parecem, quanto mais únicos em anatomia eles são, melhor é o traço dele, por essa razão, Juggernaut e o Hulk Vermelho estão aqui muito bem retratados. Vale agradecer aqui as cores lindas de Guru e Fx e o nanquim do Leinsten.

Contudo, Greg Land continua a desenhar personagens em poses desconfortáveis e impossíveis e expressões faciais exageradas – já falei esse mês novamente que ele só conhece três expressões diferentes?Para quem leu a edição anterior, feita pelo maravilhoso Carlos Pacheco, pode achar essa terrível, mas os diálogos inspirados de Kieron Gillen sustentam perfeitamente a revista esse mês. Pena essa ser , como disse antes, uma história narrada totalmente na primeira pessoa, pois aí ficamos esperando expressões faciais de cada um de nossos queridos mutantes retratadas de forma mais inspirada.

Quando a revista acaba, os fãs ficam se perguntando para onde os X-men vão a partir de agora? A última página está traduzida aqui e potencialmente afetará o Universo Marvel profundamente, mas a pergunta que não quer calar é: como?

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Conto exótico – uma história real e quase erótica

Por Pablo Ramos

Eu deitado rente à parede – o lençol branco dançando com nossos movimentos desordenados – ela segurava minha mão e o mundo girando enquanto, aos gritos, eu me perdia – não sabia quem era ou onde estava – sabia o que fazia e só – às vezes distinguia a luz, a cadeira e os olhos dela, mas perdia o mundo outra vez quando uma nova onda rompia as represas do meu corpo…

Mas para as coisas chegarem a este ponto não podem ter começado daí. Eu tinha resolvido que naquela noite a faria uma surpresa, um tratamento todo especial. Comecei por baixar as luzes, casa arrumada e aconchegante. Lá fora a chuva beijava a paisagem e dentro de casa o calor não via motivos para se dispersar. Coloquei uma música relaxante, fiz um carinho de leve em sua face, cheguei perto e com um beijo a convidei para o chuveiro. Entramos juntos.

Não tive pressa alguma: molhei todo o seu corpo, ensaboando-a com desejo. O Movimentos lentos e amplos da esponja macia faziam com que ela arrepiasse empinando de leve, olhos fechados num sorriso descansado e maroto. Ela adorou o carinho com que lavei cada parte de seu belo e esbelto corpinho de dançarina, o sabonete cremoso tornava cada contato entre nós uma delícia que prolongávamos com xamêgos e apertões. Passei shampoo, limpei seus pés, demorei-me ao ensaboar as coxas que se ofereciam ao carinho.

- Nossa, ninguém nunca me deu um banho assim… – ela disse em êxtase ao perceber que além da excitação havia um carinho legítimo – o que nos excitava mais ainda.

Levei-a no colo para a cama. Incenso, música, meia-luz, ela na cama de bruços com a toalha enrolada no corpo me olhando como quem pergunta “e agora?”. Uma vela acesa no chão, dentro de uma taça quebrada, dava o toque romântico e informal para que eu apreciasse suas negras e convidativas curvas. Ah, aquelas curvas… Peguei na gaveta um frasco, ela perguntou o que era. Mostrei o rótulo: óleo de massagem.

Eu me deliciava com as seguidas expressões de surpresa e deleite que ela fazia enquanto minhas mãos a acariciavam na pressão exata: pés, pernas, coxas, ombro, braços… A cada ameaça de mais ousadia dos meus dedos, uma resposta doce: ela empinava, torcia de leve os quadris, olhos fechados em expectativa e deleite. E eu brincando de adiar mais um pouco; tudo em nós pedia por mais.

Por fim desenrolei a toalha revelando os ângulos certeiros de suas costas que convergiam para o quadril calipígio; com apenas a toalha aberta entre sua nudez e a cama, ela era inteira um só convite silencioso, explícito. Levantei, vislumbrei mais uma vez aquela obra de arte em forma de mulher e fui ao computador baixar a música, voltando para a cama aonde era esperado.

Uma dor lancinante me rasgou de baixo a cima, berrei desesperadamente acordando oito vizinhos e o mendigo do outro lado da rua, não podia ficar de pé, corri para a poltrona urrando palavrões que ainda serão inventados – o sangue jorrava do meu pé direito de onde pendia o enorme pedaço da taça quebrada que servira de pedestal para a vela, que por sua vez queimava o taco rolando para perto da cortina… Ela levantou desesperada, ainda sem entender, correu para acudir e quase desmaiou com a visão do sangue em jatos vigorosos; quase queimou o pé na vela. Fui como um saci abatido para o banheiro, deixando a trilha vermelha pela casa.

Ela não sabia o que fazer, pedi calma e disse que ia arrancar o pedaço de vidro – ela gritou NÂO! mas eu já arrancava – o sangue avermelhou todo o chão do banheiro e a pia, um vermelho vivo, pulsante, urgente (foi uma artéria, pensei) – pedi que ela pegasse uma muda de roupa, dinheiro e minha carteira do plano de saúde – rasguei a camisa, amarrei fazendo pressão – ela repetia MeuDeusMeuDeusMeuDeus enquanto me ajudava a me vestir. Pedimos um táxi – previsão para chegada: 20 minutos – não podíamos esperar – dor, muita dor – descemos e fomos pegar um na rua – toca para a Policlínica, dor, muita dor, abre isso, dor, xiii… vai ter que levar ponto! Anestesia, dordordor, desinfeta, dor, calma meu filho, dor, vamos dar os pontos – o enfermeiro pacientemente aguentando meus lamentos na maca…

Eu deitado rente à parede – o lençol branco dançando com nossos movimentos desordenados – ela segurava minha mão e o mundo girando enquanto, aos gritos, eu me perdia – não sabia quem era ou onde estava – sabia o que fazia e só – às vezes distinguia a luz, a cadeira e os olhos dela, mas perdia o mundo outra vez quando uma nova onda rompia as represas do meu corpo… uma dor mais aguda que gilete na língua, mais profunda que desamor, mais inclemente que mísseis americanos no deserto do Paquistão. Anestesia? A anestesia tinha tomado o caminho errado e foi parar na mão, que acertava a parede de azulejos da enfermaria com a força e o ritmo de uma britadeira descontrolada.

Voltamos para casa de manhã. Eu havia perdido muito sangue e atingido um nervo delicado, fiquei três meses usando bengala e até hoje sinto reflexos no pé direito. Demos uma rapidinha sem jeito – dor, muita dor – e fomos dormir – exaustos, não saciados e felizes.

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ANTES DE WATCHMEN E DEPOIS DO CAVALEIRO DAS TREVAS: Por que as histórias são feitas?

E eu volto a perguntar: Quem tem medo de Alan Moore ?

Por Garrit

Se você é um leitor que só quer ver seus personagens prediletos eternamente à sua disposição e não dá a mínima para quem os criou, provavelmente você não é o leitor que eu quero. Tenho um respeito imenso pelo meu público. Sempre que encontro estas pessoas, presumo que seja gente inteligente, com escrúpulos. Mas quem quiser comprar esses prelúdios de Watchmen estará me fazendo um grande favor se parar de comprar minhas outras obras. É óbvio que não tenho como controlar isso. Mas espero que você não vá querer comprar uma HQ sabendo que o autor tem desprezo total pela sua pessoa. Espero que isso baste.”

Alan Moore

A DC Comics anunciou o lançamento de “BEFORE WATCHMEN” – uma série de histórias com prólogos da trama principal, focando em alguns de seus personagens mais significativos:  Rorschach e Comediante  terão roteiro de Brian Azzarello e arte de Lee Bermejo e J.G. Jones respectivamente, Minutemen, roteiro e desenhos de Darwyn Cooke,  Coruja, roteiro de J. Michael Straczynski e arte de Andy e Joe Kubert, Ozymandias, roteiro de Len Wein com desenhos de Jae Lee, Dr. Manhattan, roteiro de J. Michael Straczynski e arte de Adam Hughes e Espectral com roteiros de Darwyn Cooke e desenhos de Amanda Conner. Cada edição contará ainda com histórias secundárias de duas páginas de Curse of the Crimson Corsair, (algo como “A Maldição do Corsário Rubro”) com roteiros de Len Wein (o ilustre criador de Monstro do Pântano, diga-se de passagem) e arte do ótimo John Higgins (colorista original de Watchmen).

Esse anúncio gerou grande controvérsia nos meios quadrinhísticos, pois o autor da obra original, Alan Moore, cortou relações com a DC há anos e sempre se mostrou contrário a tudo que se pensou em fazer baseado em sua obra máxima.

Os autores se defendem das críticas alegando que Moore também já usou personagens criados por outras pessoas (o próprio Monstro do Pântano de Len Wein), e isso é uma prática normal e corriqueira nos quadrinhos. Na minha humilde opinião, Moore deveria resolver suas questões judiciais fora da mídia e não gastar essa energia na tentativa de boicote à série. Bem, obviamente Moore não tem o poder de impedir que cada fã que leia Before Watchmen não leia mais nenhuma obra dele, a menos que ele conheça algum feitiço arcano de manipulação mental, o que eu não duvidaria. Mas o fato é que a briga é entre ele e a DC, então deveria deixar os leitores fora disso. As pessoas vão escolher ler aquilo que elas quiserem, e vão gostar dos autores e das histórias que quiserem. E se houver alguém convicto de que realmente é preciso ouvir o apelo de Moore e não leia o prelúdio por causa disso, eu só posso dizer, faça aquilo que acha correto… mas se pergunte se está fazendo pelo motivo certo.

Mas vamos entender melhor o plano geral e os fatos que geraram toda essa discussão.

Antes de mais nada, quero deixar claro que sou um fã incondicional de Alan Moore. Como poderia não ser? Dentro da mídia a qual sou apaixonado, as Histórias em Quadrinhos, não é segredo que ele é um gênio. Escreve roteiros com maestria, leva seu trabalho muito a sério, é extremamente detalhista e minucioso. Suas histórias nunca são obvias, sempre desmontam nosso pensamento e nos surpreende, além de oferecer reflexão sobre os temas abordados, e nos inspirar a aprender mais sobre os assuntos que usa. Alan Moore é admirável quando escreve histórias de terror, aventuras de super-heróis, comédia ou erotismo. Tudo é feito com a precisão cirúrgica de um mestre.

Todos os trabalhos de Moore em quadrinhos se transformam em clássicos automaticamente e nunca passam despercebidos. Mesmo assim, existe um trabalho que fulgura entre as suas maiores criações e apesar da passagem das décadas, continua sendo sua obra máxima. Eu estou falando de WATCHMEN que foi publicada pela DC Comics em 1985, com desenhos de Dave Gibbons e cores de John Higgins.

Watchmen tem sua continuidade própria, independente das outras publicações da editora. Na história, passada também nos anos 80 (embora repleta de flashbacks), a sociedade evoluiu de forma diferente da nossa devido ao surgimento do Dr. Manhattan. Ele era um cientista que sofreu um acidente que o tornou virtualmente indestrutível, capaz de manipular a matéria e fazer praticamente tudo o que quiser, exceto ao que parece, manter sua própria humanidade.

Devido a intervenção do Dr. Manhattan nessa sociedade, a ciência adquiriu novas perspectivas, e atingiu avanços que vão desde a tecidos de moléculas estáveis (que um certo vigilante usaria como máscara), até a carros elétricos e outras soluções não poluentes para o crescimento urbano. Claro que a influência do avanço científico do Dr. Manhattan foi decisiva para que Daniel Dreiberg, o segundo Coruja pudesse desenvolver vários de seus apetrechos tecnológicos, o que inclui uma nave capaz de planar silenciosamente pela cidade. Mas nesse contexto também temos como pano de fundo o medo de um inimigo oculto; a guerra fria era algo vivo no inconsciente coletivo das pessoas que acreditavam que poderiam ser invadidas e atacadas pelos russos a qualquer momento, sendo Dr Manhattan sua maior segurança… desde que ele ainda se importasse… desde que ainda estivesse entre eles. Embora ele seja o único que realmente tenha superpoderes, existem dezenas de outros assim chamados “vigilantes” ou “super-heróis”, que usam trajes de combate, máscaras e contam com treinamento, coragem (e loucura?) para combater o crime.

Watchmen trata, basicamente, do fim dos super-heróis, sua decadência… suas fraquezas e sua humanidade levadas ao limite. E as consequências devastadoras de uma mente brilhante capaz de sacrificar milhares pelo bem de bilhões…

Repleta de referências, é preciso ler Watchmen várias e várias vezes para administrar todas as informações colocadas ali propositalmente pelos autores, e aquelas que acabaram por surgir espontaneamente… como ocorre frequentemente na literatura.

Durante toda a obra, Moore cita várias personalidades, de músicos a poetas, sempre no fim de cada capítulo, cujo título é um fragmento da mesma citação, e ela por sua vez, embora fora de seu contexto original, abrange os eventos relatados na narrativa.

Os personagens de Watchmen, ainda que sejam criação de Moore, foram todos propositalmente baseados nos heróis da Charlton Comics, que deveriam ter sido as estrelas do livro, mas devido a problemas relacionados aos direitos autorais, não puderam ser usados. Assim sendo, Moore adaptou a história utilizando paródias de cada um deles, alterando seus nomes e origens, mas mantendo a essência do que eles representavam.

Os heróis da Charlton Comics

Ele não poderia ter sido mais bem sucedido, e pensando bem, não consigo imaginar essa história sem os personagens tal qual foram apresentados.

Mas Alan Moore se desentendeu ferrenhamente com a DC por conta dos direitos dos personagens… naquela época, quando um escritor criava personagens para a editora, os mesmos automaticamente pertenciam a ela, conforme sempre havia sido até então, inclusive sendo previsto em um contrato que Moore admitiu ter assinado sem ler.  Um dos motivos desse grande desentendimento se dá por conta de que o tal contrato que assinou na época, estipulava que ele e Dave Gibbons teriam os direitos da obra de volta assim que Watchmen ficasse fora de catálogo, mas isso nunca aconteceu… Watchmen sempre vendeu muito e até hoje é o encadernado mais vendido da história… é relançado praticamente todo ano e sempre quebra recordes.

Curiosamente, as histórias de Moore com sua versão do Monstro do Pântano e depois as de Neil Gaiman com seu Sandman impulsionaram a criação do selo Vertigo, com histórias maduras voltadas para um público adulto, e do sistema “Creator-owned” no qual os autores ganharam participação parcial ou total sobre os personagens criados.

Quem vigia Alan Moore?

Quem teve a oportunidade de ler a última edição de “Monstro de Pântano” escrita por Moore, viu o maior tapa na cara que um homem poderia ter dado na empresa. Com argumentos brilhantes, ele desabafou tudo o que sentia e despejou todo o seu descontentamento com a administração vigente naquela época.

Mas mesmo após a mudança de administração da DC, onde foi oferecido a Moore os direitos dos personagens de volta e inclusive feitos vários outros convites, ele continuou irredutível. Existia uma condição de que ele voltasse ao universo de Watchmen, coisa que ele sempre foi contra. O que aconteceu de verdade nunca ficou muito claro, pois Moore já cedeu dezenas de entrevistas acusando a DC de não respeitar seus artistas… basicamente, ao que parece, vale aquele velho conselho: nunca assine contratos sem ler, ou sem orientação de um agente ou advogado.

Recentemente o escritor Chris Robertson, autor de “Izombe” da Vertigo, também cedeu várias entrevistas com o mesmo argumento da falta de respeito de DC com seus contratados e citou até mesmo a publicação de Before Watchmen como um dos motivos principais de seu descontentamento. Ele anunciou que terminaria apenas os projetos que havia iniciado e deixaria a empresa, mas após essas declarações públicas, acabou sendo demitido antes de finalizar suas séries. Estranho ouvir isso de alguém que é dono e tem todos os direitos de seus personagens dentro do selo Vertigo… na entrevista ele não deixa claro o motivo exato de seu descontentamento, não cita nenhum fato específico, apenas as mesmas acusações  genéricas. Então… ele apenas tomou as dores de Moore, se posicionou contra a empresa que trabalha e acabou perdendo o emprego? Eu acredito em lutar por ideais, nunca perder os princípios… mas os argumentos dele não me convencem… não estou defendendo a DC, mas quero entender o que de fato está acontecendo. Ser fã de um artista não significa que vou acreditar e apoiar tudo o que ele disser sem provas ou ao menos um testemunho de algo concreto. Ter consciência de que Alan Moore é um gênio dos quadrinhos não vai me fazer concordar instantaneamente com tudo o que ele diz sem nenhum questionamento.  O barbudinho é humano também, não vamos esquecer esse detalhe…

Conforme amplamente noticiado em vários sites especializados, Jim Lee e Dan Didio estiveram presentes durante o Los Angeles Festival of BooksJim, e Lee falou  sobre a reação negativa de Alan Moore a Before Watchmen:

“Nós não tiramos nada de Alan. Ele assinou um acordo e ainda ele diz: “Eu não li o contrato”. Não posso forçá-lo a ler contratos. Ou seja, tem muita coisa que as pessoas não sabem e Alan falou explicitamente. Tem muitos atenuantes e coisas que merecem análise. Não é tão óbvio e aparente como alguns querem ver… Não estamos usando os personagens sem pagar ao Alan. De tudo que fizemos com Watchmen, das HQs até o filme, mandamos dinheiro para ele. A quantia que lhe era devida, conforme o contrato. Honramos esta parte do acordo. É claro que podemos discutir isso, mas quando se diz que só existe um lado certo, eu não concordo”.

O filme baseado em Watchmen foi totalmente ignorado por Moore, que pediu que seu nome não aparecesse nos créditos e não recebeu nenhum pagamento pelo uso dos personagens, cedendo sua parte para o parceiro Dave Gibbons, que colaborou com o design do filme e em respeito aos fãs, cedeu uma ótima entrevista nos extras do DVD, um verdadeiro presente para os fieis admiradores do seu trabalho, que na verdade são as pessoas que de fato consomem o produto e realmente se importam com Watchmen e tudo que o rodeia. Hoje em dia, Alan Moore mantém relações cortadas com Dave Gibbons. O motivo: ele não ligou agradecendo por ele ter cedido a parte dele do dinheiro no filme. Moore chegou a proclamar  que nunca mais escreveria gibis, depois que nunca escreveria para a DC… quando voltou aos quadrinhos, criou o selo American Best Comics, onde obviamente nos brindou com novas joias para os quadrinhos… Top 10, Tom Strong, A Liga Extraordinária (onde ele mistura e REINVENTA clássicos da literatura… isso sem falar em seu projeto “Lost Girls“, onde narra as aventuras eróticas da Wendy de Peter Pan; Alice do País das Maravilhas e Dorothy do Mágico de Oz),  e etc… o selo ABC foi incorporado à Wildstorm que na época era parte da Image Comics. Nesse período ele trabalhou também no título Wildcats de Jim Lee, numa das melhores, senão a melhor fase do grupo e também escreveu histórias curtas para a personagem Vodu e Majestic (mais um Superman genérico). Ironicamente, a Wildstorm foi vendida para a DC, e de certa forma, ele acabou indiretamente publicando quadrinhos pela editora que jurou nunca mais trabalhar. Hoje em dia ele deixa claro em todos os seus contratos de trabalho que caso escreva uma história para uma editora e eventualmente ela seja comprada pela DC, o contrato deve ser anulado. Isso parece um pouco rancoroso pra vocês?

O Supremo, de Rob Liefeld, teve ótimas histórias escritas por Alan Moore, baseado na mitologia clássica do Superman.

Embora realmente tenha cumprido sua promessa, acabou escrevendo histórias para o Superman de uma forma diferente… usando o personagem “Supremo” de Rob Liefeld… uma cópia escancarada do ultimo filho de Krypton… são histórias fantásticas usando toda a mitologia do Superman, desde o conceito da Supergirl até a Legião dos Super-herois e a fortaleza da Solidão… claro, tudo devidamente alterado e adaptado, da mesma forma que ele fez com os personagens da Charlton para Watchmen. Eu, como fã confesso do Superman, não fiquei ofendido nem revoltado com essa “homenagem”. Não achei que foi uma falta de respeito com todos os autores da Era de Ouro, embora todas as ideias deles tenham sido usadas ali sem nenhuma menção deles nos créditos. Boas histórias sempre são bem vindas.

Trilogia nova ou clássica? Choque de gerações...

Agora a DC está lançando “Before Watchmen”… e apesar deles terem o direito de fazer uma continuação e até mesmo lançar novas versões ou REINVENTAR a mesma, não fizeram isso… preferiram lançar histórias com eventos anteriores à série principal, mostrando aos leitores a história pregressa e nunca contada dos mesmos. Não vejo motivo para tanto alarde sobre isso… Prelúdios não são novidade na cultura pop, mas geralmente criam essa polêmica… afinal, por que retornar a universos já em tese fechados e bem resolvidos? Por que George Lucas fez o prelúdio de sua Guerra nas Estrelas? Por que o seriado televisivo Smallville preferiu contar a adolescência de Clark Kent em vez de mostrar as aventuras do Superman? E, voltando aos quadrinhos, por que Frank Miller teve a ousadia de fazer uma CONTINUAÇÃO do seu Cavaleiro das Trevas? Cavaleiro das Trevas é monumental, Watchmen é monumental, nenhum prólogo ou poslúdio pode mudar isso. Então por que isso incomoda tanto? Eu não sou fã da nova trilogia de Star Wars, mas gosto muito do terceiro filme que mostra a transformação de Anakin em Darth Vader… achei acertada a inclusão do personagem Dath Maul e algumas outras ótimas cenas envolvendo Obi Wan e Yoda. Mas isso não muda em nada o fascínio que continuo tendo pela trilogia original.

Smallville durou muito mais do que deveria. Esse esticamento da série a jogou em situações que beiravam o ridículo. Mas as três primeiras temporadas foram muito boas e merecem crédito. De certa forma, influenciou o resgate de alguns elementos clássicos, como a convivência de Clark e Lex em Smallville… a amizade que se tornou uma relação de ódio profundo. O desenvolvimento de Lionel Luthor, que roubou a cena e se tornou um vilão de primeira… considerando que antes ele foi explorado muito pobremente nos quadrinhos. E a inclusão da personagem Chloe Sullivan, criada especialmente para a série e que cativou muitos fãs, sendo depois inserida nos quadrinhos.

Batman: O Cavaleiro das Trevas

Já sobre Frank Miller, a polêmica foi talvez maior, porque ele não fez um prelúdio… em vez disso ele seguiu a diante. Primeiro ponto positivo: a coragem. Afinal, mesmo que a nova trilogia de Star Wars tenha tido seus bons momentos, o que eu queria mesmo ter visto era George Lucas levando a história para um novo patamar… uma nova geração de Jedis, as consequências diretas dos esforços de Luke Skywalker. Frank Miller foi ousado no sentido de seguir em frente, mas sua abordagem foi totalmente inesperada e nem sempre no melhor sentido. A principio me pareceu um grande deboche à indústria, da exploração da imagem da mulher, ao apelo sexual e a violência excessiva deflagrada principalmente pelos maus imitadores dele e de Watchmen. Analisando bem, não tenho certeza se foi exatamente isso ou na verdade uma grande ironia de Miller com todos os leitores que consomem qualquer porcaria que lhes é despejada pela garganta… seu traço está desleixado e exagerado, as cores, super vivas e vibrantes… existe revolta ali, mas contra quem? Contra o que?

"Cavaleiro das Trevas 2"

No mais, gosto da história de Cavaleiro das Trevas 2, mas odeio o que ele fez com Dick Grayson. Transformar o garoto num mini psicopata alterado geneticamente por um suposto envolvimento homossexual mal resolvido entre eles foi um grande tiro no pé; foi como dizer que o Doutor Fredric Wertham autor do livro “Sedução do Inocente” estava certo em suas teses equivocadas… uma verdadeira crítica a esse e outros assuntos foi conduzida muito bem por Rick Veitch em sua obra Brat Pack, em que mostra mais ou menos a mesma coisa, só que em outro contexto e muito melhor explorado. (Brad Pack saiu bem antes de Cavaleiro das Trevas 2). A meu ver foi o começo de um declínio criativo (salvo algumas exceções) em tudo que Frank Miller produziu depois. Hoje em dia ele segue o caminho oposto de Alan “não quero royalties desse filme” Moore. Ele parece escrever quadrinhos já pensando na franquia cinematográfica… num efeito “Mark Millar” (autor que já conseguiu projetar várias de suas obras para os cinemas, como “Kick Ass, “O Procurado” e está sempre em negociação com alguma coisa do seu “Millarverso”) Eu acredito que possa existir harmonia entre bons quadrinhos e suas adaptações cinematográficas (a MARVEL tem sido responsável por vários bons momentos de seus personagens no cinema) mas transformar isso em processo de produção em massa gera um efeito que a longo prazo só tem perdido em qualidade do material. Quadrinhos bons são aqueles que são encarados como arte… não são poemas, não são livros… são outra coisa, mas são arte. E a motivação para criar algo realmente belo vem de outros lugares, não do interesse mesquinho de obter lucro rápido. Quem trabalha com arte sabe do que falo; claro que todos temos nossas contas pra pagar, mas o dinheiro é consequência, não motivação.

Cavaleiro das Trevas 2.  Smallville e nova trilogia de Star Wars… precisavam ter existido? Talvez não, mas a pergunta certa é: com que finalidade foram feitas?

E quanto a Before Watchmen? É claro que isso só poderá ser julgado corretamente após o lançamento do mesmo. Existem grandes autores envolvidos, pessoas que já provaram seu comprometimento com a história, reconhecem a responsabilidade e a necessidade de respeitar o material original. Alguns podem afirmar que só o fato de aceitarem trabalhar nesse projeto já é um desrespeito. E todos têm direito a ter a sua opinião. Eu me pergunto se na época do lançamento de Watchmen, alguém tenha pensado que talvez isso não fosse um desrespeito com os personagens da Charlton. Se talvez alguém tenha perguntado, antes de ler Watchmen, se era mesmo necessário que ele fosse feito. Passoalmente, após ler Watchmen, a única coisa que me ocorre é: “ainda bem que foi feito”.  E se ele tivesse desrespeitado ou manchado de alguma forma os heróis da Charlton? Bem eu apenas ignoraria Watchmen, e me apegaria a velhas edições de Besouro Azul, Capitão Atomo e Questão… e me deliciaria com suas incríveis histórias.

Porque antes que me esqueça, é pra isso que elas foram feitas.

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RAPINA E COLUMBA # 7 – Tá de deboche?

OLÁ DEVOTOS! BEM VINDOS A MAIS UMA ESTONTEANTE RESENHA DA SUA REVISTA EM QUADRINHOS FAVORITA… O QUÊ?  OS X-MEN NÃO ESTÃO DISPONÍVEIS HOJE?  TUDO BEM ENTÃO, NESSE CASO, APRESENTAREMOS…. RAPINA E COLUMBA!

Roteiro e arte de Rob “É você Satanás”? Liefeld e Marat Mychaels.

CONTÉM SPOILERS!

Por Garrit

Rapina e Columba em suas identidades civis, Hank Hall e Dawn Granger, tentam levar uma vida normal.  Mas após saírem de uma balada, são atacados por um caçador misterioso que parece saber mais sobre eles do eles próprios. Diga-se de passagem, todo mundo nesse gibi parece saber tudo sobre a verdadeira fonte do poder dos avatares da paz e da guerra, menos eles…

E a novela continua.

Como visto anteriormente, Dawn foi abandonada por seu namorado, Boston Brand, o Desafiador. E como está muito triste e deprimida, ela dá uma de piriguete e cai toda noite na balada, dando molinho pros caras que chegam junto… só pra serem espancados em seguida por Hank, que não é namorado dela, mas não foge nem sai de cima.

Vale salientar que Boston Brand é um fantasma, então o namoro dele com Dawn não era exatamente carnal… ela com certeza é fã do filme “Ghost – do outro lado da vida”. As mina que se amarra em Patrick Swayze pira. – Que Deus o tenha.

Para os leitores de primeira viagem, um aviso: não é que todos os personagens da história sejam gêmeos ou clones… é que o Liefeld desenha todos os homens e mulheres com a mesma cara mesmo, só mudando detalhes de cabelo e etc… faz parte do “estilo” dele. E, não ele ainda não aprendeu a desenhar pés e mãos.

Nossa amada revista abre com uma cena de página inteira com a personagem de… Jem e as Hologramas? Ah não, é só a avatar da paz soltando a franga na buaty.

O inimigo desta edição é uma criação muito original de Rob liefeld… um caçador que é um verdadeiro plágio descarado e mau feito uma homenagem a Kraven, o caçador das HQs do Homem Aranha, só que com a cara de Slade Wilson, o Exterminador… inclusive sem um olho. MAS É DIFERENTE! Slade não tem o olho direito. E o Caçador não tem o olho esquerdo. Não é plágio quando você fura o olho errado. (Apesar que em algumas cenas, dá a impressão que o tampão do olho dele foi inserido depois da arte pronta… como se alguém tivesse usado um simples efeito do Paintbrush, por exemplo… será que ele teve “genial” ideia de fazer o personagem ser caolho depois de tudo pronto?) Outro detalhe: Teria Liefeld inspirado-se na tenra cultura do folclore brasileiro para “criar” o seu caçador? Sim, por que em dado momento, é impossível saber se seus pés estão virados para o lado certo… exatamente como o CURUPIRA!

Da esquerda para direita: Kraven, o Caçador. Caçador, o... hã.. caçador. E Slade Wilson, o Exterminador.

Observem a cena abaixo. O Caçador corta o dedo de Rapina. E no quadrinho seguinte… ele corta o dedo do Rapina! Não, não é outro dedo, mas o mesmo! Repetição dramática de cena em câmera lenta? Aham Rob, sentá lá. Bom vamos dar um desconto, pode ter sido uma falha de comunicação entre o roteirista e o desenhista… a não ser que o mesma pessoa tenha escrito e desenhado a história, AÍ SIM poderia encomendar as ferraduras e mandar ele pastar.

Mas para dar uma quebrada no gelo, eis que surge… “Queda Livre”, aquela integrante do grupo Gen 13? Faria sentido, já que a Wildstorm se integrou ao universo DC… mas não, não é ela meus amigos, apenas uma moça idêntica… seria pedir demais pro Liefeld apresentar alguém diferente… Apesar que ela poderia muito bem ser a Mulher-Elástica também… o torso da guria parece que não acaba mais, como se ele tivesse literalmente sido esticada como uma bala puxa-puxa. O nome dela é Xyra (Não confundir com She-Ra), mas na minha cabeça ela continua sendo a fabulosa Mulher Puxa-Puxa.

Separadas na maternidade: Mulher-Puxa-Puxa e Queda livre

Agora, um detalhe intrigante: Dawn Granger é ESTRÁBICA? Meu Deus… tudo bem que algumas pessoas nascem com essa alteração genética… mas as pessoas estrábicas FICAM estrábicas em tempo integral, não se revezam a cada minuto que a gente olha não é? Alguém pode dar uma régua de presente pro senhor Liefeld?

Se tem uma coisa que eu conheço bem (infelizmente) é o traço do Liefeld… e algumas cenas parecem NÃO TER sido desenhadas por ele… não que tenha feito alguma diferença, porque ainda assim ficaram uma porcaria. Mas será que ele teria a cara de pau de usar um “desenhista fantasma” para cobrir a sua incapacidade de cumprir prazos? Mesmo com todos os seus já públicos defeitos, seria capaz de tamanha desfaçatez? É CLARO QUE TERIA, ingênuo, leitor!

Ok, os créditos mencionam que ele teve ajuda do Marat Mychaels na arte… como se fosse possível ajudar a melhorar aquilo. Tá explicado então, Rob. Mal aí.

Por que me olhas assim, com esses olhos de guaxinim?

Por que me olhas assim, com esses olhos de guaxinim?

O que não dá pra explicar é o sucesso de Liefeld… ou dá? Vejamos, dentro de uma HQ de 20 e poucas páginas, ele se dá ao trabalho de desenhar umas duas ou três cenas bem “massavéio”… páginas duplas com personagens raivosos  mostrando os dentes… só pra encher os olhos dos leitores. Recebendo um forte tratamento gráfico com cores digitais, tais cenas ficam até bonitas… pronto. Acabou o trabalho dele aí. O resto das paginas é desenhado à moda baralho, igual a cara dele.

Mês que vem será o último número da revista… PARA NOOOOOSSA ALEGRIAAAAA… mas será que nossos heróis conseguirão sobreviver ao seu pior inimigo de todos os tempos? Haverá Rapina e Columba depois do estrago feito por Rob Liefeld?

Façam suas preces.

Mas espere fiel devoto. Não se vá ainda antes de conferir a bela imagem abaixo.

NÃÃÃÃOOOOO!!!!! ELE FEZ DE NOVO….!!!!!!

Resenha anterior de Rapina e Columba? (tem certeza?) Clique aqui.

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