BATMAN # 11 – Bem vindo ao outro lado do espelho, Bruce Wayne!

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19203_279328695529018_454477680_nResenha de Batman # 11, com a conclusão do arco com a Corte das Corujas, de Scott Snyder (roteiros), Greg Capullo (desenhos) e Jonathan Glapion (Arte-Final). A história secundária teve roteiro de Snyder com James Tynion IV, e arte de Rafael Albuquerque.

Por Rodrigo Garrit

Contém spoilers revelações sobre a história Continuar lendo

Batman do futuro… e além: uma resenha da nova revista “Batman Beyond Unlimited #1″

Por Rodrigo “Ao Infinito e ” Broilo

Quem passava algumas manhãs da década passada no SBT, já deve ter se deparado com Terry McGinnis. Conhecido no Brasil pela alcunha de Batman do Futuro (por que traduzir como Batman do Além seria muito ruim), Batman Beyond deu as caras por aqui em Liga da Justiça Sem Limites (em uma viagem ao futuro, toda trabalhada no drama), em Super Choque (em uma viagem ao futuro) e em Projeto Zeta (em uma viagem ao… bem, a Gotham, pois os dois são da mesma linha de tempo).

Mas quer saber quem é ele? Bem, Amanda Waller, a moça do Cadmus, achava que o mundo precisava de um Batman, quando Bruce já não tinha mais como fazer seu trabalho. Usando DNA do velho, e sua influência, Amanda deu vida a Terry. Aliás, uma bem semelhante a de Bruce. Sabe como é, orfandade e coisas assim. Mas as personalidades de Terry e de Bruce não são a mesma… E aí que pode morar a diversão. (Isso tudo você vê nos episódios que passaram nos desenhos animados do Brasil).

Lá fora, surge nesse novo UDC, a revista “Batman Beyond Unlimited”, que pretende juntar histórias de Batman do Futuro, Superman do Futuro e Liga da Justiça… Do Futuro. Na edição de estreia, porém, apenas Batman e a Liga aparecem. O Super vai ficar pra depois.

E as duas histórias são uma palhaçada! É sério, é “filhote” de Coringa pra todo lado.

Na primeira história, solo do Batman, alguém está enviando gangues de palhaços, os Jokerz, atrás do Batman, vindas de diversas cidades, e ele tem que dar conta disso tudo, enquanto tenta levar uma vida romântica normal ao lado de Dana. Mas ao que tudo indica, ele vai ter problemas é com o cunhado.

Já em LJB, a disputa inicial é entre a gangue de palhaços e uma gangue de híbridos humanos-animais conhecida como “O Reino Animal” (tradução minha). A Liga da Justiça chega metendo o pé na cara deles, com Kai-Ro, o lanterna verde; Barda, anunciada como Deusa exilada de Nova Genesis (?); Gavião Guerreiro (Warhawk no original), o meio Thanagariano; e obviamente, o Batman. Depois de a muvuca acabar, Bruce chama Terry a uma missão na escola de sua namorada, Dana, enquanto Aquagirl, chama a Liga para ajudar o Superman. Ai temos o primeiro, dos que parecem que serão muitos, conflitos que Terry terá que administrar.

Terry deixa o assunto da escola nas mãos de Bruce e da Comissária Barbara Gordon, e vai até o QG da Liga em Metrópolis, onde Superman traz Bizarra e Kidzarro capturados e eles começam a investigar o Kobra. Parece que o sétimo integrante, Mícron, tem algo haver com essa história.

Nessa nova leva de revistas da DC, Batman Beyond Unlimited parece ser uma das mais despretensiosas. Os desenhos e o tipo de história são típicos de desenho animado, o que a torna uma boa pedida pra quem curte esse tipo de HQ. E o Cadmus, assim como em JLU, vai ser tema recorrente.

Nota: 8.

Batman # 6: A Seita das Corujas Malditas

Ou: “Onde as corujas dormem”?

Uma resenha de Batman #6, escrita por Scott Snyder, com desenhos de Greg Capullo e arte final de Jonathan Glapion.

Leia também a resenha anterior.

Por Rodrigo “Henry” Garrit

Este artigo evita spoilers.

Pouco se sabe sobre a Corte das Corujas, uma aparente seita com séculos de tradição, que vem causando estragos em Gotham praticamente desde que foi fundada. Ao investigar mais de perto essa “seita”, Batman acabou capturado e preso em um labirinto surreal, um verdadeiro pesadelo, onde enfrenta velhos fantasmas e se vê imerso em total descontrole, que o deixa à beira a loucura. Não bastasse isso, descobre outros prisioneiros que ao que tudo indica são mantidos há anos no local, com requintes de crueldade, incluindo seu ancestral direto, Alan Wayne, que envelheceu e morreu nesse cárcere. Ou seria tudo uma grande farsa?  E como se esse ataque psicológico já não fosse o bastante, Batman também sofre um terrível espancamento nas mãos do Garra, o assassino da corte.

Hoje eu fui perguntado sobre onde as corujas dormem. O responsável pela questão, Gustavo de nove anos. “Nas árvores”? Eu respondi meio sem ter tanta certeza assim. Me dei conta de que nunca tinha pensado a respeito. “Mas por que você quer saber onde as corujas dormem”? Eu devolvi a ele, como se eu tivesse nove anos. Então ele me explicou que apareceu uma coruja numa árvore na beira de um córrego próximo a sala de aula dele, e todas as crianças fizeram um alvoroço por causa disso, amontoando-se nas janelas para ver a visitante. Ele até mesmo me mostrou uma foto da tal coruja que ele tirou com seu celular (sim, ele tem nove anos e já usa celular), mas digamos que a definição da foto e a distância de que foi tirada não ajudaram muito, então poderia mesmo ser uma coruja ali naquela imagem ou qualquer outra coisa com penas. O fato é que a professora dele ensinou que as corujas são animais noturnos, pois dormem durante o dia e à noite saem para caçar, o que ele achou muito legal. Imaginem o fascínio dele quando eu contei que as corujas são predadores naturais dos morcegos. “Coruja come morcego”? Ele arregalou dois olhos enormes. “Mas morcegos bebem sangue”!

“É mesmo”, eu falei. “E quando eles estão bem gordinhos depois de beber tanto sangue, as corujas vão lá e CRÉU”!

Ele riu.

Eu disse ao Gustavo que as corujas dormem em árvores, mas a verdade é que até onde eu sei, elas podem fazer seus ninhos e dormirem onde quiserem. Corujas são imponentes por natureza e donas de um fascínio surreal.

E surreal é a palavra que melhor pode descrever essa história do Batman, mas em seu sentido magnífico, e não pejorativo. Scott Snyder vem se firmando como um dos melhores roteiristas da atualidade, tendo em seu currículo “Vampiro Americano” e “Monstro do Pântano”, onde transita habilmente pelos recantos do terror. Em Batman, ele tem feito bonito também, com elogiadas histórias detetivescas explorando com propriedade o universo do morcego e seus coadjuvantes, proporcionando aos leitores mais exigentes uma ótima caracterização dos personagens.

Mas para essa sexta edição de Batman, esqueça tudo isso. Todo o ótimo trabalho de caracterização é desconstruído e Bruce Wayne se perdeu de si, está num castelo de cartas mental prestes a desmoronar, e tudo o que pode dar errado para o herói com certeza dá errado. Essa história não foi escrita por Scott Snyder, o fã do Batman. Essa história foi escrita por Scott Snyder, a mente doentia que mergulha nossas cabeças no mais espesso terror de Vampiro Americano e Monstro do Pântano. Mas tem um detalhe: Ele faz isso de forma magnífica, e não pejorativa.

É raro ver o Batman fora de si, e mais raro ainda isso acontecer numa história realmente digna de nota. Por falta de uma memória melhor, eu cito aqui “Batman: O Messias” de Jim Starlin e “Descanse em Paz” de Grant Morrison. Nesses dois casos, vimos o personagem que sempre tem o controle de tudo desmoronar e cair no mais completo devaneio. E mesmo assim, de uma forma quase que instintiva, retomar as rédeas da situação, mesmo sem recuperar a sanidade. O Batman de “Zur En Arrh” (ou “Zorro no Arkham”), proposto por Morrison é um ótimo exemplo disso, e em ambos os casos, o personagem torna-se apto para internação em qualquer hospício, mas ainda temos o Batman, sufocado por toneladas de tinta alucinógenas puxando as cordinhas lá do fundo e virando a maré a seu favor. Porque o verdadeiro Batman sempre tem um plano, não importa o quanto as coisas estejam ruins. Ele é o Cavaleiro das Trevas e sempre vence. E assim é retratado por Scott Snyder nesta edição.

Mas… e se, só desta vez… o plano não funcionar?

Dizem que quando se chega ao fundo do poço,  a única opção é escalar de volta. Mas o que acontece se o poço estiver lacrado por uma barreira de vidro intransponível?

Essa é a sensação claustrofóbica deixada ao ler a última página dessa edição.

Nota: 10

Batman # 1 e # 2 – Gotham City: Não há lugar como o lar!

Ou: “Quando contemplas Gotham, Gotham também te contempla…

Por Rodrigo Henry Garrit

Resenhas de Batman #1 e #2. Roteiro de Scott Snyder e desenhos de Greg Capullo

Este artigo contém spoilers

Você não conhece Gotham, ela conhece você. E no momento em que você pensar o contrário, o momento que ficar bem confortável… é quando ela te esfaqueia pelas costas”. - Harvey Bullock

Alguém está tentando matar Bruce Wayne.

O Jornal “Gazeta de Gotham” há anos pede aos cidadãos que definam a cidade. É uma coluna chamada “Gotham é…” cuja frase deve completada pelos leitores.  As palavras “segura”, “tranquila” e “pacífica” jamais foram usadas.

Depois da fuga em massa dos internos do Asilo Arkham ser contida pela lenda urbana mais famosa da cidade, com ajuda do – segundo fontes não confirmadas – Coringa, notório homicida esquizofrênico, os ânimos dos cidadãos parecem mais calmos – dentro dos padrões de Gotham – mas não demorou para que novas notícias alarmantes voltassem a estar no centro das atenções. Não é novidade que Bruce Wayne promove algumas das mais badaladas festas e eventos da cidade, os quais sempre se espera, seja invadida por algum dos malucos fantasiados da semana, fazendo reféns, explodindo coisas e sendo preso pelo Batman no final. Mas o ultimo evento foi tão tranquilo que chegou a dar nos nervos. Contando com a presença da repórter da Gazeta de Gotham, Vicki Vale, o comissário Gordon e os filhos de Wayne; Richard, Damian e Timothy, além do candidato à prefeitura Lincon March; o que tivemos foi um verdadeiro sucesso com a apresentação de Wayne para a reconstrução e renovação da cidade.

Não, nenhum maluco quebrou o telhado e planou com um guarda-chuva gigante durante a festa. Desta vez.

Contudo, fica registrada essa mensagem ao digníssimo comissário James Gordon: Crepe NÃO é panqueca.

E o que isso tudo tem a ver com alguém estar tentando matar Bruce Wayne?

Batman está investigando um caso peculiar de assassinato. Um homem esfaqueado cuidadosamente para que nenhuma artéria seja afetada é pregado numa parede de hotel. O cuidado do assassino preservou a vida e o tormento dele ao máximo, proporcionando uma morte extremamente cruel. O homem é uma incógnita. Sem identificação, sem registro de digitais ou no banco de DNA do FBI.  Havia pago sua diária no hotel em dinheiro vivo. As facas, meticulosamente cravadas em seu corpo, eram do tipo que se usa em apresentações circenses do famoso número do “atirador de facas”. Cada uma delas tinha estampado o desenho de uma coruja. O Homem Morcego agora conta com um equipamento experimental de lentes de contato holográficas com acesso remoto a Batcaverna. Pode colher informações com o olhar e mandar para análise imediata no computador central da caverna, recebendo uma resposta quase que imediata do teste realizado. Isso permite que ele faça uma autópsia a distância do corpo encontrado, graças a instalação de equipamentos no necrotério e o apoio do comissário. Feita essa análise, é encontrado debaixo das unhas do cadáver, material genético com 100% de compatibilidade com o de Dick Grayson. E no local onde o misterioso homem foi encontrado sem vida, havia uma mensagem: “Bruce Wayne morre amanhã”

Existem algumas lendas urbanas em Gotham, mitos que se espalham pelos becos e se transformam em histórias de terror capazes de assustar desde os meninos em suas camas quentinhas até os marmanjos que abusam da sua força nas ruas escuras da cidade.

A maioria são só isso mesmo, lendas. Como aquela sobre a Corte das Corujas:

Cuidado com a corte das corujas, que vigia o tempo todo, governando Gotham de seu poleiro, atrás dos granitos e concretos. Eles lhe vigiam em seu lar, em sua cama. Nem mesmo sussurre sobre eles ou eles cravarão a garra em sua cabeça”.

É claro que Batman tem uma opinião bem contundente sobre essa e todas as outras histórias de terror de Gotham: “Eu sou a única lenda que essa cidade precisa”.

Mas a história da “Corte das Corujas” foi levada à sério quando o milionário Bruce Wayne foi atacado por um homem misterioso que usava um eficiente traje de batalha, e o esfaqueou diversas vezes, arremessando-o do alto da Torre Wayne. O playboy só não encontrou seu destino final porque milagrosamente agarrou-se ao décimo terceiro gárgula – ou guardião – que se encontra no centro da Torre desde 1930, quando foi construído por Henry Wayne, bisavô de Bruce.  Enquanto caía  junto com o milionário, o estranho disse: “Como adoro matar Waynes”!

O homem deixou Bruce ferido, mas levou a pior com a queda, ficando estirado em um carro, vítima de sua própria tentativa de assassinato… Bruce, sem seu traje, nenhum apetrecho e ainda fingindo não ser um lutador de primeira linha, teve certa dificuldade para conter o desconhecido, apesar de ter sido uma luta interessante. Vocês sabiam que basta aplicar onze pontos de pressão para colapsar uma traqueia? Eu também não… mas vou tentar me lembrar disso. O agressor de Bruce, contudo, não se tratava de um assassino qualquer, mas alguém que sabia o que estava fazendo. Enquanto seu “corpo” era levado, ele se levantou, matou os paramédicos e roubou a ambulância. Esse mistério não termina aqui. Será um novo inimigo, aproveitando-se da lenda urbana da “Corte das Corujas” ou um verdadeiro representante dessa história sinistra? Mais um enigma para a sombria cidade do morcego…

E aproveitando a deixa, o que você leitor, responderia para a Gazeta de Gotham ao ser perguntado sobre como definiria a cidade com uma palavra? Na sua opinião, Gotham é…?