CAPITÃO ÁTOMO # 11 – Aprenderemos a viver na realidade criada por nossas mentes…?

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1Resenha de “Capitão Átomo #11” de J.T. Krull (história), Freddie Williams II (desenhos) e Jose Vilarrubia (cores).

Por Rodrigo Garrit

Os spoilers existem e não existem ao mesmo tempo.  Eles são (e não são) revelações sobre a história. Continuar lendo

O Complexo de Chipanzé – “Um pequeno passo para o homem, um grande passo para a humanidade”

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por Guy Santos

Img-de-CapacxNão sou um tratador de macacos e apesar de conhecer um, devo dizer que esta não é uma resenha de uma história em quadrinhos de símios, mas sim sobre uma série francesa chamada O Complexo de Chimpanzé, escrita por Ricardo Marazano e com desenhos de Jean-Michel Ponzio. Estava eu navegando na internet, quando me deparei com está HQ, uma ficção cientifica que me parecia ser bem interessante e com uma arte que me agradou bastante.

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Umas Tiras da Pesada – Episódio V

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Img-de-CapatimtimHá alguns fins de semana o Santuário, templo  da nona arte, publicara as tiras de alguns dos melhores artistas da atualidade que temos contato em nossa comunidade no facebook. Fica aqui o convite para os devotos do site e demais ilustradores que queiram nos brindar com seus trabalhos, para que entrem em contato conosco, através do e-mail: canalsantuario@gmail.com e enviem as tiras. Estejam todos  conosco semanalmente!

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MUNDO CÃO

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por Carlos “desiludido com tudo isso” Lenilton

Img-de-Capamundo-cãoMundo Cão foi publicado no longínquo ano de 1991 e, mesmo não sendo uma obra- prima, é uma dessas publicações que não envelhecem com o tempo. Os temas abordados em seus dez pequenos contos são, ao menos aqui no nosso Brasil, intensamente atuais, pois tratam, por exemplo, do excesso de burocracia que, por vezes, “travam” nossas instituições públicas.

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MAINSTREAM X UNDERGROUND ROUND 2 ou JUSTICEIRO VERSUS UNIVERSO MARVEL X COMO UMA LUVA DE VELUDO MOLDADA EM FERRO

Terceiro Reich

por Carlos “Atordoado e Perdido” Lenilton

Img-de-CapaVSÀs vezes, uma história em quadrinhos é apenas uma história em quadrinhos, certo? Do tipo passatempo, sem nenhum compromisso com a perenidade da obra. Sem nenhuma pretensão de ser a próxima “Watchmen dos quadrinhos”. Pensando assim, Jonathan Maberry (roteiro), Goran Parlov (arte) e Lee Loughridge (cores) se uniram para contar uma nova história alternativa com o personagem Justiceiro.

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O que significa ser um herói?

por Venerável Victor  ”We can be Heroes” Vaughan

Publicada originalmente no O Baile dos Enxutos!

Fui procurar por aí na net uma definição para herói, eis a que encontrei:

Um herói/heroína, na mitologia e folclore Grego, eram originalmente semideuses e seu culto era um dos mais distintos na sua antiga religião. Após isso, heróis e heroínas, se referiam às personagens que, em face do perigo e da adversidade, ou a partir de uma posição de fraqueza, demonstravam coragem e a força de vontade para o sacrifício próprio. Essa é a definição geral de heroísmo.

Então a questão agora que vamos levantar é: como é que essa definição se encaixa no arquétipo de herói, nas famosas “jornadas” que eles em todos os meses nos quadrinhos, atravessam? Continuar lendo

O SOMBRA # 11 – Onde deidades egípcias ateiam fogo em Londres, e o destino da raça humana é discutido em um lugar que não é lugar por um herói que não é herói.

Resenha de “O Sombra” 11 de James Robinson (roteiro) e Frazer Irving (arte e cores).

Por Rodrigo Garrit

Contém spoilers revelações sobre a história

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Marvel & Caverna do Dragão, a PRISÃO SEM MUROS

Por Venerável Victor  ”Man Monkey”  Vaughan

Como um “True believer”  do bom e safado Stan Lee, o universo da Casa das Idéias não poderia estar ausente no nosso Santuário. Inspirado por duas matérias interessantíssimas do nobre colega sacerdote Henry Garrit, uma sobre Caverna do Dragão (D&D) e a última sobre o fantástico Monstro do Pântano me senti na obrigação de fazer o que mais gosto de fazer –  assim como  beber coca-cola e cuidar de macacos, além de  uma série de coisas que não posso mencionar aqui, pois envolvem fetiches –  mostrar as ligações existentes entre diversos universos e mídias!

Mas o que Caverna do Dragão tem em comum com quadrinhos? Ora… a editora de Stan Lee era uma das produtoras do desenho. Curioso que os sobrenomes dos garotos homenageiam personagens icônicos da DC… mas fetiches a parte, além de diversas referências aos monstros do jogo D&D que co-produzia a série, o Tiamat, o Observador, os Orks e tantos mais, no episódio sete da primeira temporada, batizado de Prisão sem muros, temos uma referência visual forte a um clássico da Marvel que estreiou em Savage Tales – revista de terror e ficção que vendia horrores e era o carro chefe da editora muito antes da era dos heróis  - de maio de 1971 e viria a “inspirar” a criação de seu concorrente “pantanoso” na DC, dois meses depois: eu estou falando do… Homem-Coisa!

Nesse episódio de “D&D”, O Mestre dos Magos envia os garotos para um vale onde moram gnomos. Ao chegar, eles descobrem que os gnomos foram escravizados pelo Vingador, que os obriga a trabalhar na mineração de pedras místicas. Para liberta-los, os garotos precisam procurar por Lukion, o feiticeiro cuja magia protege o vale dos gnomos por séculos, Lukion  esta aprisionado em uma prisão sem muros. Mas que raios de prisão era esta que não tinha muros? –  perguntavam os personagens. Neste ínterim eles são atacados por um monstro horrível no Pântano das Lamentações, lutam e fogem. No decorrer da história descobrem que este monstro nada mais é do que o mago que estavam procurando, ele estava naquela forma porque foi enfeitiçado pelo vilão Vingador. Ou seja, a prisão sem muros era na verdade a forma monstruosa em que ele se encontrava e não conseguia dela se libertar. E advinha com quem essa criatura se parece???

Não sou partidário dessa richa entre os fãs das duas editoras, adoro ambas, procuro é me encantar com boas histórias apenas e confesso que é visível as dezenas de imitações de personagens que o Lee fez de criações da DC…mas no caso do Monstro do Pântano do veterano Len Wein, por mais maravilhoso que ele seja, o “trombudo”  da Marvel é o original dessa vez.

Criado por Stan Lee e Roy Thomas, o Homem-Coisa é uma criatura empática de olhos vermelhos, porte enorme, movimentos lentos, vagamente humanóide e que vive nos Everglades na Flórida perto da reserva Seminole. A série é considerada um clássico e tem seu próprio culto! Influenciou escritores como Neil “Sandman” Gaiman   que posteriormente veio a escrever o Monstro do Pântano, para a DC Comics. Mas quem é essa coisa???

Na obra de Lee, O bioquímico Theodore Sallis foi contratado pelo governo para desenvolver um soro que tornasse os soldados resistentes às doenças, para estarem protegidos em caso de uma guerra biológica. Ted conseguiu desenvolver uma fórmula funcional, mas que tinha como efeito colateral transformar as cobaias em monstros. Por causa disso, o governo enviou o cientista para uma base secreta situada nos Everglades, com o objetivo de aperfeiçoar a fórmula e criar uma nova versão do soro do super-soldado, semelhante  a que  criou o Capitão América.

Quando estava quase para obter resultados, a base foi atacada por uma unidade terrorista com o objectivo de roubar a fórmula. Ted Sallis para impedir que a fórmula caísse em mãos inimigas, injetou-se com ela, sendo morto pelos terroristas e atirado para o pântano. Passado algum tempo, surgiu uma criatura de olhos vermelhos, formada por lodo e plantas, no local onde o cientista tinha sido atirado ao pântano. Esta criatura era uma simbiose do corpo e da alma de Ted Sallis com o próprio pântano produzida pela fórmula incompleta do soro do super-soldado.

O ser resultante dessa simbiose, o Homem-Coisa, é um empata com uma inteligência primária e sem traços de humanidade que queima com o seu toque as pessoas quando estas sentem medo. Quem conhece a origem do Monstro do Pântano já entendeu tudo agora, não preciso dizer mais nada… o Homem-Coisa ultimamente está sendo usado na série Thunderbolts escrita por Jeff Parker e diga-se de passagem, muito bem usado. Vale a pena conferir. Existe também um filme de 2005 feito pra TV, do trombudo.

Pra quem ficou com saudade do desenho  do Eric e sua turma e quer ver o episódio Prisão sem muros aqui está ele, vale lembrar que as  vezes as prisões da vida não tem muros, estamos aprisionados em pensamentos obscuros, idéias erradas, pensamentos fundamentalistas. Tudo isto na tola crença de achar que estamos livres, quando na realidade somos prisioneiros de nós mesmos.

Link para a matéria sobre Caverna do dragão aqui.

Mercenary Crusade

GAROTAS PERDIDAS de ALAN MOORE – “Pornografia e heroínas cheias de charme e malevolência”

Por Venerável Victor “tratador de macacos perdidos na selva de pedra” Vaughan

Quero indicar o texto AS AVENTURAS SEXUAIS DAS GAROTAS PERDIDAS… E AS NOSSAS? no Blog Lado B.

Palitos Nerds :   Neeb de Eduardo Medeiros

“Por que devemos somente nos sentir desconcertados quanto ao que causa prazer? Se fôssemos capazes de nos envergonhar pela miséria, o mundo seria plenamente mais agradável”.   Alan Moore

Estava na rua, fazendo hora para voltar aos portões do Iinferno onde Mephisto me esperava com mais uma das suas brincadeiras de mau-gosto, quando entrei numa livraria e… aconteceu: uma moça loira, borboleta azul no pescoço, manejava displicentemente uma pilha de quadrinhos encadernados: Lost Girls – Garotas perdidas. ao abrir o tal ”livro”; Imediatamente seu rosto ficou vermelho e seus olhos arregalaram! Colocou a obra no lugar e se afastou apressada.

As surpresas, no simples folhear da obra por um leitor desavisado, são principalmente três: aquilo que parecia um livro é uma história em quadrinho; não é uma simples história em quadrinhos, mas uma história pornográfica.

Alan Moore & Melinda Gebbie

Mas como a boa arte erótica, Lost Girls transcende a pura e simples sacanagem (que de ruim não tem nada, diga-se de passagem). Escrita pelo mago (ou “bruxo”, como ele prefere) britânico Alan Moore e desenhada por sua esposa, Melinda Gebbie, a HQ (ou BD para nossos amigos de Portugal) consiste numa verdadeira reflexão sobre a hipocrisia dos nossos valores morais relativos ao sexo. Até aqui nada de novo, nem o sexo nem a hipocrisia humana, afinal milhares de obras já F com o tema ao fazer o mesmo, por diferentes caminhos. O inusitado do trabalho de Moore e Gebbie está justamente nesse “caminho” que eles escolheram. Para libertar nossos sentidos e desejos sexuais das invisíveis e inescapáveis normas morais, os dois começaram a subverter nossas certezas desde a raiz: as personagens centrais da trama pornográfica são justamente ícones que nossa tradição literária fixou como protótipos da ingenuidade e simplicidade.

Independente de qualquer liberdade poética, qualquer autor que selecionasse contos infantis tradicionais – como Alice no País das MaravilhasPeter Pan O Mágico de Oz – e os transformasse em “histórias de sacanagem” seria acusado de perversão. Mas no caso do desse premiado quadrinista, que fez exatamente isso em Lost Girls, o resultado foi além: trata-se de uma subversão, em todos os sentidos permitidos pela palavra…

Na história de Moore, as protagonistas dos três contos – Alice, Wendy e Dorothy, todas já adultas – se encontram em um hotel austríaco no ano de 1913, às portas da I Guerra Mundial, e começam a trocar confidências (e muito mais) sobre suas vidas sexuais. E é neste ambiente idílico e isolado que elas se tornarão amigas e amantes umas das outras e partilharão suas histórias de descobertas de um mundo fantástico, superior à mediocridade de uma sociedade regida por leis ascéticas. O acesso a este mundo superior, de fantasia e felicidade, e que conhecemos tão bem pelas histórias clássicas, se dá, nas três garotas, invariavelmente pela descoberta do prazer sexual.

A grande sacada de Moore é que as tais confidências, altamente eróticas, estão exatamente ali, nos livros infantis. Com muita habilidade e sutileza, o autor enxerga os contos de fadas como metáforas para o sexo.

Assim, o famoso jardim das flores de Alice é, na verdade, uma forma de se referir aos prazeres da menina com as colegas de internato, todas elas com nomes de flor. O Espantalho, o Leão e o Homem-de-lata, por sua vez, são os diferentes homens que passaram pela vida de Dorothy. E o Capitão Gancho é na verdade um pedófilo, que tem medo de crescer e enfrentar mulheres adultas.

Aliás, diga-se de passagem, leitores e leitoras jamais conseguirão pensar
novamente com inocência no tal crocodilo que perseguia Gancho após ver o desenho abaixo, que mescla a criatura à uma parte particular da anatomia feminina e foi feito para ilustrar essa passagem por Melinda –  a esposa de Moore e desenhista de toda a obra.

“Nós temos pornografia em todo lugar. O problema é que a qualidade dessa pornografia está bem distante do padrão estético daquela época que existe agora apenas na memória. A pornografia que temos hoje parece não ter nenhum valor artístico, parece criada para estimular as pessoas a qualquer outra coisa que não sexo. Uma das melhores coisas da arte, da arte genuína, é que quando vemos uma imagem ou descrição de algo que se relacione com um sentimento que temos e não conseguimos expressar, ela nos faz sentir menos sozinhos. E o que a pornografia de hoje faz é o exato oposto. Faz com que você se sinta envergonhado, mais sozinho do que nunca. Vemos ou lemos pornografia sozinhos, como se o nosso prazer fosse algo para se envergonhar, algo deplorável. E isso é uma tremenda pena se pensarmos que se trata de uma atividade humana tão prazerosa. Praticamente todos os diferentes gêneros de ficção que temos hoje são baseados nessas áreas improváveis da atividade humana, como caubóis, detetives e monstros. Enquanto aquilo que mais temos em comum, que é algum tipo de prazer sexual, só pode ser abordado nesse gênero grosseiro, tolo e por baixo do pano pelo qual todos se sentem culpados e envergonhados. O que pretendíamos com “Lost girls” era eliminar essa relação imediata entre pornografia e vergonha. Pensamos que se pudéssemos produzir uma pornografia que fosse bela o suficiente e inteligente o suficiente e séria em sua aplicação, então talvez fosse possível que pessoas civilizadas e dignas não se sentissem envergonhadas de ter uma obra pornográfica em suas casas.”  A.M.

Se há certa sutileza nas metáforas enxergadas por Alan Moore nos contos, os desenhos de Melinda nada têm de sutis. À exceção poética de uma cena de Alice com suas amantes no jardim, comparada e sobreposta a uma borboleta retirando o néctar das flores, as ilustrações do livro são absolutamente explícitas.

E o próprio Moore, por sua vez, se ora brinca com o erotismo supostamente oculto nos contos de fada, ora intermedia as histórias com verdadeiras orgias no tal hotel onde as moças se encontram e se encoxam.

Com um conteúdo desses, não é de se surpreender que a obra – lançada em 2006 – tenha causado polêmica nos Estados Unidos e na Inglaterra. Nas terras do Tio Sam, a editora Top Shelf, responsável por Lost Girls, recebeu críticas duras e muitos lojistas não aceitaram vender as garotas perdidas com medo de serem acusados de comercializar pornografia infantil.

No Reino Unido os livros só puderam ser lançados ha pouco tempo, pois o Great Ormond Street Hospital – instituição médica que deteve os direitos de Peter Pan até o ano passado – entrou na Justiça para impedir a publicação, com medo de que uma repercussão negativa fosse causada aos personagens da Terra do Nunca.

Este é Alan Moore, tentando recusar nossas arbitrariedades morais. Quanto a você leitor e devoto do Santuário, é válido perguntar: o quanto de você existe de parecido com aquela mulher com tatuagem de borboleta no pescoço que folheou Lost Girls e a devolveu ao seu lugar, envergonhada?

OS SEGREDOS DE ALAN MOORE, por Venerável Victor

Chapéu – o chapéu de Moore impede que seu cérebro se expanda para além de seu crânio e devore todos os sonhos da humanidade.

Olhos – seus olhos são capazes de quebrar qualquer matéria até sua partícula fundamental, descobrir como ela funciona e reuni-la novamente de uma forma reconhecível e única.

Barba – a barba de Moore na verdade é uma sombra da quinta dimensão, ele a mantém aprisionada, alimentando-a com críticos de quadrinhos, fãs de Novos Titãs (fase Perez&Wolfman) e advogados.

Anéis – ninguém ao certo sabe o verdadeiro poder dos anéis de Moore. Dizem que existe um homem que chora todas as noites em um pub no interior de Londres, se você capturar suas lágrimas e as ferver, elas lhe dirão sobre as capacidades dos artefatos.

Calça – ali sua mulher diz haver um monstro. (foi comprada na C&A londrina)

Sapatos – é conhecido que bruxos não mantém seus corações no mesmo lugar que mortais, muitos acreditam que é ali em um dos sapatos que fica o seu.

Jaqueta – é ali que Moore guarda a maioria de seus encantamentos e o cigarrinho do “Capiroto”que fuma quando vai escrever uma nova série.

Capa – um verdadeiro pedaço do firmamento a noite, qualquer outra pessoa que usar ficará eternamente louca.

QUEM TEM MEDO DE ALAN MOORE??? Por Rodrigo Garrit, clique aqui.

ENXUTO CAST #34 – ROTEIRISTAS DE QUADRINHOS – eixo Marvel/DC

Caros devotos, nesse programa o intrigante, criativo, divertido e porque não dizer vanguardista O Baile dos Enxutos, nas pessoas dos bailantes enxutos CkreedMoe, Joker e Sorg  convidam o paladino da nona arte e supremo tratador de macacos , Venerável Victor Vaughan  para mais uma gravação onde debatem, discutem (a relação entre eles) e argumentam sobre quais os melhores e piores roteiristas das histórias em quadrinhos do mercado estadunidense. Fora, lógico, a Trindade Santíssima: MooreGaiman e Miller (para os amigos do BdE) ou Ennis (para os sacerdotes do Santuário) Basta clicar na imagem abaixo para acompanhar e digam sempre NÃO ao  abuso infantil,

A MAIOR REVISTA EM QUADRINHOS DA HISTÓRIA: TEX WILLER – Bang Bang nos quadrinhos !!!!

Por Venerável Victor “Tratador procurado vivo ou morto” Vaughan

O título da matéria é provocador mesmo e é dessa forma que os fãs e muitos criadores da indústria da Nona Arte se referem a essa revista fantástica em todos os sentidos. O ano era 1948, o Estado de Israel se tornava independente, surgia o primeiro disco de vinil, Dennis Gabor, Nobel de física, concebia a holografia (afinal sem ela como o povo em STAR WARS iria se comunicar???) e a  Assembléia Geral das Nações Unidas aprovava a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Em setembro de 1948 a primeira edição do cowboy Tex chegou às bancas italianas e rapidamente se tornou uma mania nacional, um vício, uma lenda, passando a ser referência no mundo dos quadrinhos. O formato da revista criada por Gian Luigi Bonelli nos textos e Aurelio Galleppini nos desenhos era o mesmo de um talão de cheques! Contendo, pasmem,  32 páginas de três desenhos cada, em episódios conclusivos e continuados, podendo ter ou não ligação entre si e de periodicidade semanal. As revistinhas formavam séries, que iam recebendo nomenclaturas do oeste.

Tex Willer foi apresentado como um cavaleiro solitário que fazia justiça com as próprias mãos e por isso era taxado de fora-da-lei. Mas logo com a evolução do personagem entrou para a corporação dos Rangers do Texas – uma espécie de polícia especial dos Estados Unidos - e tornou-se um temido defensor da lei e da ordem oficial. Assim conheceu Kit Carson, um outro Ranger competente e amigo, com quem travou uma amizade firme que se prolongou por toda a sua vida. Carson que também é muito conhecido e querido por sua impagável característica: um mau humor e pessimismo intermináveis, ele é o fiel escudeiro de Tex na maioria das centenas de aventuras que já foram publicadas.

Já na primeira aventura como Ranger, Tex contracena com os índios Navajos e acaba casando com a filha do chefe, Lilith, que queria a paz com os brancos. E pouco depois ganha o apelido de Águia da Noite, que o acompanhará por toda a vida. Sua esposa morreu, deixando-lhe um filho, Kit Willer, que também se tornará um parceiro. Tex conheceu depois  o índio Jack Tigre, fechando assim o time de justiceiros que cobre o território selvagem. Apesar de que sempre que pode, prefere agir sozinho, com seus amigos apenas dando cobertura.

Nessa incrível saga, Águia da Noite ganhou notáveis inimigos. Nosso  herói passou momentos difíceis devido às ações de antagonistas do calibre do terrível Mefisto (não o vermelho e chifrudo da Marvel, calma), Jack Thunder, O Mestre, Tigre Negro, Ruby Scott, Yama, O Dragão, Macredy, James Parker, Cruzado, Cobra , entre outros.

Juntos: Kit Willer, Kit Carson, Jack Tigre e Tex

Em outubro de 1958, a revista passou do formato talão de cheques para o atual, medindo 21 x 16 cm e trazendo a aventura “A Mão Vermelha”. Com o tempo, devido ao aumento de folhas e tamanho das histórias, a editora teve novos colaboradores, tanto para as aventuras, como para a arte final e os desenhos. Essas histórias até hoje foram contadas por mais de 40 profissionais. A Sergio Bonelli Editore (nome do filho do criador) tornou-se a maior editora de quadrinhos de aventura do mundo e ainda continua firme, 64 anos depois de sua fundação.

Tex e seu cavalo Dinamite

Apesar de inúmeras injustiças e corrupções que se apresentam no velho oeste, Tex sempre faz prevalecer a justiça. O domínio tanto da pistola quanto do rifle, somado à força do seu braço e sua habilidade com a faca e o laço são as ferramentas utilizadas pelo cowboy para alcançar seus objetivos. O bacana dos quadrinhos Tex é o conhecimento que as contextualizadas histórias oferecem ao leitor. A ação tem como plano de fundo a cultura indígena, episódios marcantes da história dos EUA, os hábitos de uma época. Com a intenção de alcançar um resultado verossímil, pesquisas minuciosas foram feitas para compor com fidelidade as histórias e desenhos que transportam o leitor para o ambiente do personagem. O resultado é um quadrinho que incorpora cultura e diversão, o que explica seu sucesso. Então o que está fazendo aí parado meu caro? Suba em seu cavalo e venha comigo em mais uma aventura!

♦ Essa foi uma pequena homenagem do Santuário para esse grande personagem. ♦

TEXBR.COM

Aqui em cima temos o maior site sobre Tex em língua portuguesa, vale a pena dar uma conferida no trabalho espetacular que eles realizam com o universo do herói e abaixo a primeira parte de uma das histórias do personagem disponibilizadas no site youtube, lá vocês encontrarão as restantes assim como outras mais. Lembro que nada substitui a experiência com a revista nas mãos , mas quem sabe essas páginas digitalizadas não despertam o interesse do eventual leitor nesse grande universo?

Marvelman ou Miracleman?

Ou: “Paródias que deram certo…”

Por Henry Garrit

Tudo começou com Superman. O sucesso do personagem inspirou a criação do Capitão Marvel cerca de um ano depois. Estava consolidada a nova era heroica, com seres superpoderosos, com capa e símbolos em destaque em seus peitorais.

A editora Fawcett Comics foi processada pela National Periodical – futura DC Comics – por plágio, alegando que o Capitão Marvel era uma cópia do Superman. O fato é que o campeão do mago Shazam tinha uma revista que vendia horrores… e todo esse sucesso começou a incomodar. A Fawcett perdeu o processo e foi obrigada a suspender a revista do personagem. Anos depois, a própria DC adquiriria os direitos do Capitão Marvel e o integraria ao seu universo.

Mas o Capitão Marvel era um sucesso enorme não apenas na América, mas em diversos outros países, principalmente na Inglaterra, onde era editado pela L. Miller & Son. Com a suspensão da publicação do personagem, eles temeram perder sua “galinha dos ovos de ouro”, já que além de ter altas vendas, já tinha uma legião de jovens fãs. Numa tentativa se manter no mercado, a editora contratou Mick Anglo, e propôs a ele a criação de um personagem que ocupasse o vazio deixado pelo Capitão Marvel. O autor aceitou o desafio, e assim, em fevereiro de 1954, nasceu Marvelman, o super herói britânico mais famoso de todos os tempos!

O novo personagem se chamava Mike Moran.  Era loiro e não usava capa. Seu uniforme era azul, com duas letras “eme” estilizadas no peito. E ele tinha uma palavra mágica: KIMOTA!

Suas histórias eram ingênuas, bem ao estilo da série do Superman da Era de Ouro. E a exemplo da “Familia Marvel”, Marvelman também tinha seus próprios companheiros superpoderosos: “Young Marvelman” e “Kid Marvelman”.

A revista do Marvelman foi um sucesso absoluto, ultrapassando as 350 edições, fora especiais e edições anuais. Mas com o passar do tempo, o público aos poucos começou a abandonar o personagem, trocando suas pueris aventuras editadas em preto e branco, pelos coloridíssimos super heróis americanos que desembarcavam aos montes na Europa.

O personagem chegou inclusive a ser publicado aqui no Brasil, ironicamente dentro da revista do Capitão Marvel, na época publicada pela RGE. Ele foi rebatizado por aqui como “Jack Marvel”.

Em 1963, a L. Miller & Son foi à falência, e seu personagem de maior destaque caiu no esquecimento. Ou quase. Alan Moore era fã do personagem e declarou numa entrevista que adoraria que ele fosse publicado de novo, pois tinha algumas ideias para usar nele.

O editor Dez Skinn da Quality Comics leu essa entrevista e entrou em contato com Moore, oferecendo a ele a revitalização do personagem. Moore propôs uma total desconstrução do mesmo… era o fim da ingenuidade nas histórias de Marvelman. Então, em março de 1982, o heroi voltava à ativa, a princípio como um homem de meia idade vivendo uma existência cinza e entediante. Ele havia esquecido sua palavra mágica anos atrás, e tinha apenas alguns flashes de memória, tidos por ele como devaneios onde ele podia voar… até que durante um ataque terrorista a uma usina nuclear, Mike Moran inadvertidamente relembra a palavra mágica Kimota, ao vê-la refletida em um espelho (“Atomik” ao contrário), e com isso reinicia sua carreira de super herói!

Marvelman passou a ser publicado dentro da revista “Warrior”. O título impressionava tanto pela qualidade dos roteiros como dos desenhos de Garry Leach, que misturavam aventura e ficção científica. O personagem chegou a ser desenhado por Alan Davis, quem também colaborou com Moore na série do “Capitão Britânia” para a Marvel UK. (Divisão europeia da Marvel).

O sucesso de Marvelman chamou atenção… e a história se repete, quando a Marvel Comics decide intervir judicialmente devido ao nome do personagem. Eles haviam adquirido os direitos sobre a marca “Marvel” (“eles podem fazer isso”? Você pergunta… aparentemente sim…) e embora não se importassem que o personagem fosse publicado como Marvelman dentro da revista Warrior, exigiam que nenhum publicação tivesse a palavra “Marvel” como título. Por esse motivo, até hoje, todas as revistas do Capitão Marvel da DC não podem ter o nome dele no título, que sempre é substituído por algo relacionado a palavra  ”Shazam”. Some a isso desavenças entre Alan Moore e o editor da revista, que resultaram no cancelamento das histórias de Marvelman no número 21 da Warrior, que sem o herói, só durou até o número 26. (deixando inacabado o “livro II” da série).

O personagem chegou a ter muitos fãs também nos Estados Unidos, (onde foi publicado inicialmente pela Pacific Comics, que acabou falindo, e depois pela Eclipse Comics, com o nome de MIRACLEMAN para evitar os já citados problemas judiciais com a Marvel Comics). Essa nova versão trouxe o material da Warrior colorizado, até a edição 6. Daí em diante, Moore produziu material inédito, com arte de Chuck Beckum, Rick Veitch e Jonh Totleben, onde pôde demonstrar a aplicação de uma estrutura narrativa mais voltada ao “o que aconteceria se os super heróis existissem no mundo real?” . Essa estrutura abriu caminho para obras que seguiram essa mesma linha, como “O Cavaleiro das Trevas” de Frank Miller e “Watchmen” do próprio Moore, e mais recentemente em séries como “Rising Stars”, ‘Poder Supremo”, “O Reino do Amanhã” e “The Authority”.

Moore ficou no título Miracleman até o número 16, sendo substituído em seguida por Neil Gaiman, que ficou até o número 24. O 25 chegou a ser completado, mas com o colapso da Eclipse Comics, nunca foi lançado.

Na época do fim da Quality, parte dos direitos do personagem foram para Moore e outra parte foi adquirida por Todd Mcfarlane (vocês sabem, o criador do Spawn… um outro plágio que não vem ao caso agora…). Porém, Todd não conseguiu sequer publicar o personagem, já que não se entendia com Alan Moore, devido a problemas anteriores, onde Moore e Neil Gaiman escreveram histórias para o Spawn, mas entraram em desacordo sobre os direitos de alguns personagens utilizados, principalmente “Ângela” de Neil Gaiman, o que gerou um processo que durou alguns anos.

Para evitar mais dores de cabeça, McFarlane passou os direitos de Miracleman para Gaiman, e em troca, ele extinguiria o processo pela personagem “Ângela”. Porém, Mike Anglo, criador do Marvelman, encontrava-se idoso e com sua esposa doente. Assim sendo, Moore e Gaiman repassaram os direitos do personagem para ele, a fim de que uma antologia fosse publicada e a renda toda revertida para ele. No entanto, Joe Quesada, editor chefe da Marvel, comprou os direitos de Miracleman diretamente do Mick Anglo. Obviamente, o personagem voltou a se chamar Marvelman e algumas antologias estão sendo lançadas, mas é um material clássico do personagem, e por enquanto, não há nenhum anúncio sobre o lançamento da cultuada e já lendária passagem de Alan Moore e Neill Gaiman pelo personagem. Talvez por cautela, a fim de se evitar novos processos por direitos autorais…

Marvelman, ou Miracleman… não importa o nome, não importam as acusações de plágio ou a guerra pelos direitos… o personagem é um marco nos quadrinhos, e só podemos desejar que ele tenha um retorno a altura… e quero estar aqui e escrever sobre isso quando acontecer.

Laerte e seu Overman: O criador, a criatura e o mito!

Por Rodrigo Garrit

Laerte

Eu me lembro de ter caído na gargalhada na primeira vez que li a tirinha do Overman, no jornal “O Dia” (já que sou do Rio de Janeiro), mas originalmente eram publicadas no jornal Folha de São Paulo, e foram mais de 400 tiras lançadas….

Passei a acompanhar religiosamente, chegava a recortar o jornal e montar meu próprio painel com a “aventuras” do herói.

Eu sempre fui fã do Laerte, o pai dessa criança. Mas, como não ser? O cara é genial numa das coisas mais difíceis que existem: contar uma história em três ou quatro quadros. Laerte Coutinho é um nome consagrado dos quadrinhos brasileiros, sobre quem muito pouco é necessário dizer, pois é muito conhecido do público leitor. No fim da década de 80 publicou tiras e histórias em quadrinhos nas revistas Chiclete com Banana (editada por Angeli), Geraldão (editada por Glauco) e Circo, todas da Editora Circo, que mais tarde lançaria sua própria revista (Piratas do Tietê). Em 1985 lançou seu primeiro livro, “O Tamanho da Coisa”, uma coletânea de suas charges.

Em 2009, Laerte foi convidado para participar do álbum MSP 50 em homenagem aos 50 anos de carreira de Mauricio de Sousa, e criou uma história protagonizada por Franjinha e seu cachorro Bidu. Ele também atuou como roteirista, tendo colaborado em diversos programas da Globo. Escreveu scripts para os programas humorísticos TV Pirata e para as primeiras temporadas de Sai de Baixo. Ainda na área de humor escreveu para o quadro Vida ao Vivo que ia ao ar durante o Fantástico, em 1997, e também contribuiu com os roteiros do programa infantil TV Colosso.

O Overman de Laerte é um super herói brasileiro, apesar do nome em inglês, e é justamente nisso que mora grande parte da graça: ele é uma paródia escrachada de todo o arquétipo heroico das americanas Marvel e DC.  Ele usa uniforme colante, capa, máscara, é super forte e pode voar. E sua vida é uma sucessão de tragédias cômicas que fazem a alegria dos leitores.

A identidade do Overman é um segredo secretíssimo, tanto que nem ele mesmo sabe quem é…

Overman tem um ajudante chamado “Ésquilo” (assim mesmo, com acento), e eles dividem uma vaga de pensão no Ipiranga. É ele quem faz o remendo nos fundilhos do uniforme do herói. Overman passa os dias combatendo o crime (à sua maneira) e vivendo as desventuras de ser essa criatura incrivelmente rodeada de nonsense, mas sem nunca deixar de acreditar que é o maior dos maiores. (Embora tenha algumas crises de auto-estima, mas nada que seu terapeuta não resolva).

Como todo bom herói, Overman tem sua própria galeria de vilões, e entre eles destacam-se, o Maníaco Flatulento, o Passador de Trote, a Louva-Deusa, Grande Rabo e Super Vítima, além de ninguém mais ninguém menos que Space Ghost, embora não seja exatamente um vilão, mas Overman insiste em dizer que teve o design de seu uniforme roubado por este personagem da Hanna-Barbera.

Nas tiras do personagem, vemos que ele é imune ao sexo, exceto nas sextas-feiras, quando o herói sai a noite para aliviar as tensões. E não poupa ninguém! É um perigo!

Em 2003, foi lançado “Overman – o Álbum, o Mito”, pela editora Devir, (48 páginas coloridas), depois de dez anos sem histórias longas inéditas de Laerte.  O álbum reúne as primeiras tiras de Overman, apresentas numa seleção de 150 tiras, agrupadas segundo temas específicos, enfocando o local de moradia do herói, seus inimigos, seus vícios, suas dificuldades pessoais, sua vaidade, entre outros. Muitíssimo divertido, como não poderia deixar de ser… essencial para qualquer fã de bons quadrinhos!

Também chegaram a ser produzidas numa parceria entre a Ancine e o Cartoon Network algumas vinhetas com o personagem que foram exibidas no Adult Swim, e hoje podem ser facilmente encontradas no Youtube.

Saiba mais sobre Overman e os outros personagens do autor no site oficial dele:

http://www.laerte.com.br/

GUGA – HÁ MONSTROS NA FESTA – Carlos Rocha

Carlos Rocha é um dos artistas mais interessantes e talentosos no mercado. Escritor, desenhista, arte finalista e editor de seus próprios trabalhos, não é a primeira vez que o Santuário tem o prazer de publicar suas histórias, que são verdadeiros acréscimos de vida. Muitas de suas artes podem ser apreciadas no  LEITURAS DE BD. que essa semana completa 5 anos de vida, parabéns ao ótimo site e seu capitão, Nuno Amado!!! Clicando aqui podemos curtir a página do Leituras  e a do Santuário no facebook.