LIGA DA JUSTIÇA: TERCEIRA GUERRA MUNDIAL !!!

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480214_10201043641154895_345796170_nLIGA DA JUSTIÇA: 3º Guerra Mundial

De Grant Morrison – Roteiro / Howard Porter – Desenhos / John Dell – Arte Final

Do diário de guerra de Rodrigo Garrit. Contém spoilers registros históricos sobre o épico conflito. Continuar lendo

Cinco venerados quadrinhos que dariam veneráveis séries de TV

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por Venerável Victor  ”todos os macacos deviam ser venerados”  Vaughan

Img-de-CapasandCom o sucesso de Arrow nas telinhas, pensei: quais outras séries dos quadrinhos poderiam, se bem adaptadas, fazer tanto sucesso quanto ou muito mais?

Matéria originalmente publicada no site irmão: Iluminerds

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Liga da Justiça Dark # 10 – Os Mistérios da Vida!

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teste02 Resenha de Liga da Justiça Dark #10, de Jeff Lemire (Roteiros) e Mike Janin (arte).

Por Rodrigo Garrit

Contém spoilers revelações sobre a história Continuar lendo

HOMEM ANIMAL – Deus Ex Machina de Grant Morrison

por Venerável Victor  ”Macaco Humano”  Vaughan

Porque as boas histórias nunca morrem! Essa matéria foi originalmente publicada por esse sacerdote no site irmão: O Baile dos Enxutos!

Homem Animal – criado por Dave Wood & Carmine Infantino

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Quadrinhos que me fizeram feliz & “Nostalgia”: Boa ou ruim para a Indústria???

Por Venerável Victor  ”Vingador Macaco”  Vaughan

Nesses anos de ávido consumido da nona arte, uma coisa sobre a qual cada vez mais aprendo lendo quadrinhos, especialmente sobre seus fãs, é a nostalgia. Aparentemente, uma vez que um escritor(a) consegue entrar para a indústria, ele(a) irá escrever sobre personagens que cresceu lendo. Alguns leitores parecem achar que isso não é algo bom, enquanto outros clamam pela volta dos “bons velhos tempos”- o que quer que isso seja.

Os fãs que defendem a anti-nostalgia nos quadrinhos, acreditam que ela estagna a indústria como um todo. Talvez eles questionem como algo pode progredir enquanto se passa o tempo todo olhando para o passado. Ao mesmo tempo em que os que defendem a pró-nostalgia gritam e bradam por cada vez mais menções e citações sobre fatos e acontecimentos do passado de seus personagens preferidos nas histórias atuais.. Continuar lendo

AZUL PROFUNDO: “O mundo não deveria ser assim”.

Resenha da minissérie “Azul Profundo” (Dark Blue) de Warren Ellis (roteiro) e Jacen Burrows (arte).

Contém spoiles revelações sobre a história.

Por Rodrigo Garrit

O policial Frank Christchurch está obcecado em prender um serial killer que vem cometendo assassinatos bárbaros com requintes de crueldade. Mas toda a cidade vive tempos de violência extrema, e as drogas contaminam tudo o que existe. Os métodos de Frank estão ficando cada vez mais brutais, e ele se aproxima do limite entre o cumprimento da lei e a total banalização dos conceitos de civilidade. Em sua busca frenética, a solução desse caso parece ser o que dá seu sentido ao seu mundo, e quando o assassino começa a exibir habilidades inexplicáveis, a própria realidade desaba sobre ele, fazendo-o questionar o sentido de sua cruzada e o quanto será preciso sacrificar para obter êxito em seu propósito.

Essa história foi escrita por Warren Ellis para a editora Avatar Press e publicada em meados do ano 2000, depois do lançamento do filme “Matrix” que estreou em 1999, mas Ellis conta no posfácio da edição que teve a ideia cerca de dez anos antes, lendo um artigo sobre certas substâncias alucinógenas shamânicas utilizadas em alguns círculos hippies, e que curiosamente, “transportavam” o usuário da droga para o mesmo delírio… é como se a tal substância tivesse uma codificação em sua estrutura que levasse indivíduos diferentes em suas mentes anestesiadas para a mesma viagem… no mesmo lugar! Ellis admitiu ter usado drogas nesse período, mas para quem acha que isso o ajudou a ser um escritor melhor, ele explica: “Na Inglaterra, no final dos anos oitenta e início dos noventa, todos nós usávamos drogas mesmo quando não estávamos dançando…” “… (Leia acima sobre querer apenas ingerir um monte de Ecstasy e dançar a noite inteira num campo ao lado de uma rodovia. E depois ficar estropiado numa cama por três dias resmungando que não tem mais fluído em sua espinha dorsal). (Eu tenho saudades do final dos anos oitenta e início dos noventa da mesma forma que outras pessoas têm saudades do câncer)”.

O tal artigo sobre a experiência  de uma “realidade narcótica compartilhada”, chamada por Ellis de “Narcoespaço”, foi então a semente do que viria a se tornar “Azul profundo”, dez anos depois. O Narcoespaço é o equivalente da realidade virtual apresentada no filme Matrix, embora as semelhanças terminem por aí. Mesmo que tenha havido alguma influência de uma obra sobre a outra, vale dizer que ambas têm suas características próprias e não invalidam sua qualidade mútua. Claro, existe a polêmica envolvendo o filme Matrix com a HQ “Os Invisíveis” da Vertigo, criada por Grant Morrison… há quem diga que o filme usa descaradamente os conceitos apresentados na HQ… mas isso é uma outra história…

Warren Ellis, mesmo há dez anos (ou talvez por causa disso) já era habilidoso e vanguardista. (“Vanguardista” é uma palavra que remete a modernidade, mas me soa como algo antigo, algo que meu bisavô diria… enfim…).

A Avatar Press tem sua reputação de conceder liberdade criativa total e nenhum pudor aos seus autores. Essa história não foge à regra e embora não traga cenas tão bizarras e repulsivas com as da HQ “Estranho Beijo”, também de Ellis, tem lá a sua cota de momentos “Ok, isso foi nojento”.

A minissérie foi publicada no Brasil na íntegra em um especial pela Pandora Books, e trata-se de uma história acima da média em comparação a maioria das coisas que são feitas atualmente, porém nada tão impactante como “Planetary”, que na minha opinião é o melhor trabalho da carreira de Ellis e uma das melhores HQs de todos os tempos. É possível que na época, “Azul Profundo” tenha causado muito mais alarde, mas hoje em dia o conceito “Matrix” de realidade secundária não impressiona tanto. Dito isto, é uma boa história de ação, com o selo Warren Ellis de qualidade. E isso já vale muito!

Infelizmente ela foi desenhada por Jacen Burrows… e eu gostaria de explicar isso com muita cautela: ele não é um desenhista ruim. O problema dele é simplesmente a falta de personalidade. Ele não está imitando o estilo de nenhum outro artista… simplesmente não há estilo. Sua arte é composta por um traço padrão, muito bem feito, com técnica e ótimas noções de perspectiva e anatomia humana. Só que suas histórias parecem manuais de como desenhar quadrinhos, sem nenhuma faísca de ousadia. É uma pena que com o tempo, isso não tenha mudado… cerca de dez anos depois ele desenharia a minissérie “Neonomicon” de Alan Moore, também para a Avatar…  com a mesma técnica precisa, porém ainda com ausência de uma alma nos olhos de seus personagens.

Mesmo sendo Warren Ellis, tinha minhas reservas quanto a essa história, mas por fim, o saldo acabou sendo positivo.

BATMAN # 9 – Agora é GUERRA!

Resenha de Batman # 9, de Scott Snyder (roteiros), Greg Capullo (desenhos) e Jonathan Glapion (Arte-Final). A história secundária teve roteiro de Snyder com James Tynion IV, e arte de Rafael Albuquerque.

Por Rodrigo Garrit

NO Spoilers

Com a Mansão Wayne sitiada, Bruce veste sua armadura de guerra e combate ferozmente os Garras, agentes geneticamente modificados da Corte das Corujas. Sendo praticamente cadáveres reanimados, com força e velocidade descomunais e um poderoso fator de cura, esses soldados servem fielmente a corte, e encontram-se obcecados em matar Bruce Wayne. O lado ruim é que esses “zumbis super-humanos” nunca se cansam e nunca desistem. O lado bom é que Bruce não precisa se conter.

Nos bastidores do evento, Alfred tenta desesperadamente baixar artificialmente a temperatura da caverna, pois o frio é a única coisa eficaz contra os Garras.

E nesse número fiquei sabendo a real função do dinossauro na caverna.

Pura adrenalina do primeiro ao último quadrinho é o que podemos esperar dessa edição. Scott Snyder invoca o Cavaleiro das Trevas das profundezas mais sombrias, e desperta um guerreiro implacável, um gênio tático, e surpreendentemente humano. Esse é o Batman que vai envelhecer e viver a história imaginada por Frank Miller no clássico “The Dark Knight”. É o Batman que enfrenta o pior do mundo, e paga o preço necessário para vencer. Um estrategista nato, o maior detetive do mundo. O Batman como deve ser. Um soldado que não hesita, não se rende e não aceita a possibilidade da derrota, mesmo que tudo à sua volta esteja desmoronando, desde sua casa aos seus ideias e crenças mais sinceras. E tudo desmorona mesmo. Mas ele não vê, não ouve, não se importa. Ele vai lutar até o fim, e vai salvar o máximo de vidas que puder.

Os desenhos de Greg Capullo acompanham a dramaticidade da história, sejam nas cenas de ação desenfreada, nas pausas dramáticas, ou nos olhares de horror e medo… ele desenha quadros que nos passam velocidade, movimento e dinâmica. Poucos artistas da área de quadrinhos têm esse dom.

Na história de apoio, escrita por Snyder e James Tynior IV com desenhos de Rafael Albuquerque, temos uma pausa na ação atual, voltando alguns anos no tempo, e revelando o passado de um dos coadjuvantes mais importantes do universo do Morcego: Alfred Pennyworth. A história é narrada por Jarvis, pai de Alfred, que serviu aos Wayne antes dele, e sua possível ligação já naquela época com a Corte das Corujas e as consequências desse suposto envolvimento entre eles.

Algumas questões são propostas nessa história, tais como a verdadeira causa da morte de Thomas e Martha Wayne. Foi mesmo um assalto aleatório? E a morte de qualquer outro Wayne nos últimos séculos?

As corujas tigre são predadores naturais dos morcegos, e por muito tempo obrigou-os a esconder-se nas profundezas da caverna.

Mas agora eles estão de volta. Furiosos. É hora da vingança.

A revista do Batman nos novos 52, veio para provar que um grande clássico dos quadrinhos não precisa necessariamente ser uma edição especial fechada, como “A Piada Mortal” de Alan Moore e Brian Bolland ou Asilo Arkham de Grant Morrison e Dave Mckean, por exemplo. Não precisa ser “O Cavaleiro das Trevas” de Frank Miller, ou tantas outras grandes histórias.

Scott Snyder está escrevendo um clássico moderno, dentro de um título mensal.

Que época espetacular para ser fã do Batman…!

Resenha anterior? Clique AQUI!

ATUALIZAÇÃO: Este artigo foi escrito com antecedência e programado para ser publicado automaticamente, antes dos terríveis acontecimentos na pré-estreia do filme Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge, no cinema de Aurora, no estado do Colorado, EUA, onde um louco desequilibrado atirou contra o público matando cerca de 12 pessoas e ferindo outras tantas. O artigo na íntegra não será retirado do ar por respeito aos leitores, mas o clima no qual ele foi escrito não reflete o real sentimento de pesar que ficou após o ataque. Gostaríamos de expressar nossas profundas condolências e respeito as famílias das vítimas, que estavam em um momento de descontração e sofreram essa violência irracional e desmedida. Vamos torcer para que a justiça seja feita e que medidas sejam tomadas para que no futuro algo parecido jamais se repita.

Que Deus conforte e conceda força aos familiares dos que se foram e os sobreviventes dessa tragédia.

O PROFESSOR XAVIER É UM IDIOTA!!! – “Você não vale nada, mas eu gosto de você!”

Por Venerável Victor  “Tratador M”  Vaughan

MERCENARY CRUSADE, capítulo novo!

Professor X, criado por Stan Lee & Jack Kirby em 1963

A jovem Kitty Pryde, revoltada com seu então mentor por proibi-la de participar das aventuras da equipe dos X-men por ser muito nova, não imaginava o quanto estava certa com essa afirmação feita no auge de sua revolta. Foi durante a saga Guerra Civil que eu notei isso, mas agora estou convencido: o Professor X deve ser o pior líder dos direitos civis de sua classe na história da humanidade.

A continuidade dos X-men pode parecer grego para você, é compreensível que não se entenda perfeitamente os quase cinquenta anos de uma cronologia tão intrincada como um fractal em forma de novela. Talvez você seja mais o tipo que curte diversão leve e descompromissada, estilo “Velozes e Furiosos” e para ser totalmente honesto, mesmo que eu tivesse a pretensão de explicá-la a você, duvido que conseguisse. Mesmo o artista Escher não poderia diagramar mesmo os poucos últimos anos de eventos na vida dos Filhos do Átomo.

Isso é o que acontece quando se tem pelo menos três revistas simultaneamente sendo produzidas todos os meses por três diferentes roteiristas: é quase uma suruba 2D. Escolha qualquer personagem que já foi um X-men e vai chorar ao tentar ler sobre ele na Wikipédia. Você sabia que o Noturno atual é de outra dimensão?

Não seria errado dizer que em termos de personagem com sérios problemas de personalidade, Charles Xavier não está muito longe do Hulk e com menos moral ainda que o gigante esmeralda na comunidade heroica. Sabe o carismático manipulador de mentes dos anos 90, ou o professor que forjou a própria morte para testar seus alunos nos anos 60? Esqueça, pois comparados ao Xavier de hoje eles parecem o Tinki-winky; e quem fez isso com ele foi a gula retroativa de alguns roteiristas como Chris Claremont, Scott Lobdell e Fabian Nicieza fizeram em seu passado, retroativamente; para citar um caso: Grant Morrison. Charles Xavier sempre foi um notável “advogado dos direitos mutantes” sem precisar jamais sair de seu armário atômico. A desculpa que o camuflava perante a sociedade era de que ele era um expert na “condição mutante”. Todo mundo sabia que ele pesquisava pessoas com o gene x positivo, só que ninguém imaginava que ele os estudava no espelho de seu banheiro todas as manhãs. Xavier era uma dessas figurinhas fáceis de ver todas as manhãs discutindo com o apresentador durante noticiários e programas de variedades.

De qualquer modo, durante a passagem do escritor escocês pela revista Novos X-men, a mente do Professor X foi controlada telepaticamente por sua irmã gêmea maligna – não me olhem dessa forma, não fui eu que escrevi esse roteiro – e sobre essa influencia foi até a TV em rede nacional e saiu do armário frente a sua condição de mutante, ele e a escola inteira! O Instituto Xavier para jovens superdotados passou de um clubinho secreto em que viviam alguns poucos escolhidos para um santuário de esperança aos perseguidos da sociedade por causa de sua e condição genética. A intenção de sua irmã era jogar a opinião pública contra o Instituto e Xavier, acontecimento que mais tarde foi superado e até usado a seu favor. Finalmente o discurso de Xavier, de líder e defensor dos mutantes sedimentou-se.

Mas então aconteceu a “Dinastia M”. Basicamente, uma mutante com o poder de alterar a realidade – poder “rameiro” que cada vez mais mutantes ao redor do mundo conseguem por qualquer $1,99  – se sentiu ameaçada e alterou ao seu bel prazer o mundo inteiro. Basicamente ela concedeu aos seus “inimigos” seus mais íntimos desejos para que eles desistissem de persegui-la.

A criatura “Massacre”, nascida das memórias ruins e frustrações da poderosa mente de Xavier

E o Professor X? Ela simplesmente fez com que ele desaparecesse da face do planeta. Porque ela não fez isso com todo mundo que a poderia perturbar, não sei, nem é da minha conta. No entanto, no final essa utopia acabou em lágrimas e mais sentimentos feridos, mas antes que pudesse ser derrotada em definitivo, ela alterou a realidade do mundo por uma última vez e 90% da população mundial perdeu completamente suas habilidades, com a simples frase: “Mutantes nunca mais!”.

Na verdade esse desejo acabou se tornando: “apenas alguns mutantes!” (ninguém queria acabar com uma franquia milionária da Marvel), nos bastidores tudo isso era o editor Chefe, Joe Quasada dizendo: ”Chega de uma penca de mutantes! Isso tá muito confuso!”

O Professor X devotou toda sua vida a defender sua espécie de ameaças como essa. Isso é exatamente o que ele mais temia e lutava para nunca acontecer desde que me entendo por gente e tenho lido essas revistas.

Então quando finalmente seu maior pesadelo acontece, o que os roteiristas mostraram ele fazendo? Nada! Após desaparecer da face do planeta, sem ao menos ninguém dizer aos fãs onde ele esteve ou o que andou fazendo, um mês ou dois depois ele apenas aparece na porta da Mansão X, como quem havia dado uma saidinha para comprar cigarros e diz: “Oi gente! Como vocês tem passado? Quem esse mês matou o Banshee?” E ninguém pressionou o careca para saber onde diabos o infeliz esteve.

O que poderia acontecer de pior com os mutantes ao fim desse desastre que se abateu sobre eles, depois de serem quase extinguidos ao fim da “Dinastia M”? O governo federal americano transformou o terreno da casa de Xavier, a propriedade particular em que vive, em uma reserva mutante. Ela passou de uma linda e confortável casa de um proeminente advogado da igualdade mutante para um campo de concentração. E quem o governo colocou “guardando” esse campo, para ter certeza que ninguém entraria ou sairia indiscriminadamente – alegando que era pra sua proteção? – apenas robôs assassinos de mutantes, os Sentinelas.

Visivelmente os direitos civis daqueles poucos mutantes que sobreviveram à extinção (197 na época, alguns hoje em dia já morreram) estavam sendo revogados, a eles estava sendo imposto um estado marcial, futuro muitas e muitas vezes alar dado por Magneto e mostrado como possivelmente real pela sobrevivente e exilada temporal Rachel Grey. Qualquer porta-voz ou líder de uma organização que luta contra algo levemente parecido teria ido à luta por seu povo. E o Professor X? Ele aparentemente estava à vontade com isso tudo. O careca tinha outros assuntos mais importantes em outra galáxia ou coisa assim, isso realmente não era mais da conta dele. Você pode imaginar o que Malcolm X teria feito no lugar dele no mundo real? Onde foi parar a destemida liderança?

Quando a “Guerra Civil” eclodiu no universo Marvel, a situação estava tão preta para os X-men que era difícil envolver os personagens em uma saga sem complicar ainda mais a cronologia deles, agora com praticamente 145 cidadãos. Aquela escola é na verdade um CORTIÇO-X: as pessoas lá ficam enrolando, mas ninguém se forma e sai para ganhar a vida. Na verdade o “ato de registro” tem sido o pivô de inúmeras lutas contra o governo pelos alunos e seu professor mutante desde que eu era um moleque buchudinho que usava fraldas e carregava um macaco de pelúcia chamado Zé pela casa. E no dia que realmente esse ato se concretiza e torna-se lei, outros heróis não mutantes procuram os X-men por apoio contra essa lei arbitrária e o que Xavier fala? “Nós preferimos ficar de fora disso, pode ser?”

Imaginem só, você está prestes a entrar na puberdade, é um mutante no meio dessa atmosfera política. O quanto você se sentiria traído por esse homem? Você não é um super herói. Você é apenas um garoto que acabou de fazer quatorze anos e subitamente descobriu que pode transformar metal em banana com o toque de suas mãos; você só quer viver sua vida em paz, talvez arranjar um trabalho como representante da Avon e de repente liga a TV um dia e descobre que Tony Stark está recrutando gente como você à força e as levando a proteger o Piauí do ataque de Galactus.

Quem está cuidando de você e seu poder de transformar metal em banana? Não Charles Xavier, aparentemente! Ele treinou duas gerações de mutantes no passado para lutar por seu “sonho”, mas parece que quando a batata (ou a banana) realmente fica quente, o cara sente uma certa resistência quanto a isso e tira uns meses para refletir em alguma cabana em São Pedro da Serra, um lugarzinho lindo. E como ele nunca dá “check in” no facebook você nunca o achará. Uma vez na vida, eu gostaria de ver um mutuna que tenha perdido seus poderes únicos, dos tivesse imenso orgulhoso,  (não o de transformar metal em banana, claro) dar um soco bem dado na cara do Xavier.

Vocês estão certos, eu não deveria nunca ter dito “mutunas”, isso é preconceituoso da minha parte, peço desculpas. Os ânimos aqui se exaltaram, mas uma coisa é certa, é fácil e até medíocre desenvolver um líder perfeito; o fato do Professor Xavier ter falhas de caráter faz com que ele seja um personagem ficcional muito mais realista. Não deve ser fácil ter passado bons anos de sua vida como um aleijado careca bombardeado pelos pensamentos de meia dúzia de adolescentes excitados andando pela sua casa.

Poderia o Ciclope ser um líder ainda mais errático que o Professor X? Sim, ele comete erros, mas sempre dá a cara a tapa, Xavier faria talvez as mesmas coisas, porém apagaria da mente de todos os envolvidos qualquer lembrança que o comprometesse depois. E não vamos esquecer-nos de algumas das maiores pisadas de bola que o careca cometeu, para nossa alegria:

1-    Deixar todos os seus primeiros estudantes pensarem que ele morreu para que pudesse impedir uma invasão alienígena, trocando de lugar com um dos inimigos do grupo secretamente semanas antes.

2-    Apagar totalmente a mente de seu melhor amigo que depois se tornou o mais poderoso e irado inimigo da humanidade por causa disso.

3-    Deixar seu amor de juventude grávida de um filho dele, que veio depois por causa disso se tornar um psicopata mutante que acabou matando Xavier e criando toda uma nova realidade alternativa. (mas depois elas melhoraram, a realidade e a mente do jovem)

4-    Apagar da memória de Ciclope que ele tinha um irmão que morreu.

5-    Se envolver com sua enfermeira, Amélia Voight após o acidente que o aleijou e tentar controlar sua mente.

6-    Abandonar seus estudantes para viver um romance com sua namoradinha alienígena, deixando a direção da escola nas mãos de seu arqui-inimigo, na época um mutante emo, ou um EMOTANTE.

7-    Escravizar por anos uma inteligência artificial e transformá-la na Sala de Perigo.

8-    Após anos suprimindo de sua mente seus desejos mais secretos, como por exemplo o amor e a atração por sua aluna adolescente Jean Grey, toda essa frustração recolhida torná-lo a criatura chamada Massacre, matando o Quarteto Fantástico, o Hulk e os Vingadores no processo. (depois todo mundo sarou da morte)

9-    Matar sua irmã gêmea no útero de sua mãe, antes de nascer. (Tá, foi em legítima defesa.)

10- Criar uma equipe inteira de destreinados mutantes e mandá-los para serem mortos numa ilha viva que já havia derrotado X-men altamente treinados.

11- Se omitir totalmente quando a alta cúpula do Santuário pediu ajuda para dominar a mente dos leitores e nerds de todo o mundo, impedindo assim que se criasse uma legião de séquitos-zumbis que compartilhariam matérias gerando milhões de acessos todos os dias, sem precisarem ser alimentados.

HOMEM ANIMAL # 9 – Olhos Sangrentos

Resenha de Homem Animal # 9 de Jeff Lemire (roteiro) e Steve Pugh (arte).

Por Rodrigo Garrit

! ESTE ARTIGO CONTÉM SPOILERS !

Já sentiu tanto ódio a ponto de enxergar tudo vermelho? Já viveu aquele momento em que uma fera toma conta do seu corpo e tudo o que você deseja é apenas sangue?

Alguma vez já foi mais ANIMAL do que HOMEM?

O Monstro do Pântano, o Homem Animal, e todas as coisas vivas têm um inimigo em comum: O PODRE.

Mas ele não é exatamente o que se pensa. Não é a encarnação da morte. O Podre não quer destruir a vida, ele precisa dela. Precisa que exista vida, para que ela MORRA, APODREÇA e lhe conceda poder. Ou até mesmo em forma apurada, apodreça em vida.

O Podre é uma das forças primordiais que regem o universo. Essas forças vivem em harmonia e isso é bom. É bom para nós, do nosso ponto de vista, é o que sustenta a nossa existência. Mas do ponto de vista elementar, o Verde prefere um planeta onde as plantas estejam no topo da cadeia alimentar, em confortável e inabalável posição. Já o Vermelho certamente gostaria de que os seres de carne prevalecessem, não necessariamente como acontece hoje, mas de forma totalmente independente de outras forças, que poderiam continuar existindo… apenas para servir.

Esse equilíbrio mantém a natureza funcionando de forma a privilegiar não tão lealmente todas as partes, já que algumas têm mais vantagens que outras, mas de forma geral, todas têm seu lugar e sua vez. Mas só isso não basta. Para nenhuma delas.

O Podre não deseja exterminar a vida, mas ele não está feliz da forma como o equilíbrio natural acontece. O Podre ama a vida. Mas em vez de um planeta repleto de coisas vivas, vermelhas, verdes ou de outras cores, que nascem ou brotam, crescem se desenvolvem, se reproduzem e morrem, para só então apodrecer, Sethe, o senhor do Podre, almeja uma desconstrução desse ciclo vital, substituindo o longo caminho do ciclo da vida até o apodrecimento por uma vida inteiramente podre… um planeta inteiro apodrecendo, mas ainda assim, onde eventualmente ocorra o milagre da vida… uma vida distorcida e miserável.

O Podre não deseja silenciar a vida. Ele quer ouvi-la gritar.

As hordas do Podre continuam seu avanço pela Terra. Seu maior objetivo é destruir Maxine Baker e Alec Holland, respectivamente os avatares do Vermelho e do Verde. Maxine tem quatro anos de idade e é filha de Buddy Baker, o herói conhecido como Homem Animal, que recentemente descobriu que recebeu seus poderes dos Totens do Vermelho com a finalidade de ser o protetor da jovem avatar. Papel que ele não tem tido muito sucesso em cumprir, apesar de seus esforços desesperados. Felizmente, a menina é tão poderosa que consegue não apenas se proteger como encarar os agentes do podre e causar grande preocupação em seus mestres.

Num ato de pânico, Buddy enfrentou sozinho uma cidade inteira de criaturas dominadas pelo Podre… centenas de animais semidecompostos possuídos. Ele lutou com todas as forças, mas por fim, acabou sendo derrotado e morto.

E morto, tornou-se uma marionete do podre.

Anos atrás, um certo “escocês magrelo e intenso”, vulgo Grant Morrison, teve a coragem (ou a cara de pau) de escrever algumas cenas surreais quando assumiu o título do Homem Animal, tornando-o o personagem cult e reverenciado que é hoje. Não fosse isso, até hoje ele estaria relegado aos confins sombrios do limbo do esquecimento dos leitores (que por sinal também foi abordado por Morrison, mas isso é outra história). A cartada final do escocês foi aparecer “em pessoa”, na frente de Buddy, e se apresentar como seu roteirista.

Com essa edição de Homem Animal, Jeff Lemire reverencia o trabalho de Morrison, e com muito cuidado, relembra esse momento, o que foi sabiamente evitado por todos os escritores que se seguiram. Afinal, conduzir essa situação de forma errada poderia descredenciar todo o mérito de Morrison e também soar como falso e artificial demais. Mas não foi o caso. Lemire retorna à fonte de onde Buddy Baker renasceu, para delírio dos fãs. Então, não tenha mais dúvidas… Buddy lembra-se de tudo o que houve, embora encare como um “sonho”. Considerando que ele poderia ter mudado tudo, Lemire incorpora o passado as suas histórias, e avança, criando uma nova mitologia tendo como base tudo que se passou.

E ao mesmo tempo… ele mudou tudo!

A história se passa em três momentos: num deles temos o conflito familiar de Ellen Baker, esposa de Buddy, a bordo de um trailer dirigido por sua mãe, que odeia o genro e tenta encontrar um lugar seguro para Maxine onde ela possa levar uma vida normal, longe de tantos eventos sobrenaturais e inexplicáveis. Porém, Senhor Meias, o gato falante da garotinha acredita que eles não terão sucesso nessa busca.

Temos então mais duas cenas revezando a narrativa: Buddy Baker morto e possuído pelo Podre, devorando entranhas de cachorro repletas de vermes, e a essência do verdadeiro Buddy Baker no plano espiritual… ou melhor, nos subúrbios do Vermelho, tentando uma audiência com os grandes Totens a fim de que possam oferecer alguma ajuda… porém, Buddy não é o avatar escolhido, apenas um “mero guardião” como tantos outros, e é tratado com indiferença, até encontrar o “Pastor” que havia guiado Maxine anteriormente e se propõe a ajuda-lo. Um detalhe interessante: impossível não deixar de notar as semelhanças dos Totens com os personagens de “Sweet Tooth”, premiada série da Vertigo, também escrita por Jeff Lemire.

E enquanto Buddy passa o diabo para tentar pedir ajuda a esses totens, o seu corpo “apodrecido” planeja se aproximar de Maxine, enganá-la e leva-la ao centro do reino do Podre, onde poderá ser morta…

Ou, mais uma vez, surpreender a todos.

Resenhas anteriores? Mergulhe no Vermelho clicando aqui! Mas, se sua cor é o Verde, então pule aqui

E para quebrar um pouco esse clima tenso, não deixe de assistir as divertidas vinhetas do Homem Animal produzidas pela DC Nation!

LIGA DA JUSTIÇA: TERRA 2 – o dia em que o multiverso voltou

Por Venerável Victor  ”Anti-tratador de macacos”  Vaughan

“O mal existe, mas nunca sem o bem, tal como a sombra existe, mas jamais sem luz.”
Alfred de Musset

JLA: Terra 2 é a edição especial de Grant Morrison e Frank Quitely que conta a história de uma anti Liga da Justiça conhecida como o Sindicato do Crime da América. Eles não são personagens novos no universo DC, tendo o grupo primeiro aparecido na Era de Prata dos quadrinhos (1956-1970).

Frank Quitely & Grant Morrison

O Sindicato vem da antiga Terra 3 onde tudo é o oposto da nossa própria Terra. Um Colombo americano descobriu a Europa, o bem é o mal, Chuck Norris é um grande merda que não sabe lutar, o guaraná Dolly tem os melhores comerciais e por aí vai…

Então em 1985 veio a  maxi série da DC comics conhecida como Crise nas Infinitas Terras, que seria a primeira grande iniciativa de reorganizar o universo da editora, tão confuso para novos leitores. Com isso as infinitas Terras paralelas foram descartadas e apagadas da cronologia – o que significa que “em teoria” o universo inteiro teve um novo início – e o multiverso teve o seu fim, com todos os personagens que habitavam as diversas versões paralelas do nosso planeta convivendo em uma única Terra. Portanto não existia mais uma Terra 3 para se usar? Ah! Mas isso nunca impediria Grant Morrison.

Primeira aparição do Sindicato do Crime nas páginas da LJA #29 & LJA: Earth 2 de 1999

Na nova ordem mundial – da editora – a dimensão paralela conhecida como Terra-3 existe no universo de anti-matéria onde você dificilmente por mais que reclame da sua vida aqui gostaria de viver. O coração das pessoas fica no lado direito do peito e Gothan City é dominada pelo chefão do crime, Gordon.

Através do espelho…

Quando o bom Alexander Luthor descobre nossa nossa Terra e escapa para a nossa realidade com o intuito de conseguir a ajuda da nossa Liga da Justiça para consertar o seu mundo, foi apenas questão de tempo para o Sindicato do Crime vir também. E todos acabam aprendendo a lição do quanto é melhor que cada um fique do seu lado da “cerca”.

O Sindicato do Crime é composto por: Ultraman (que precisa estar perto da sua anti-kryptonita para se manter poderoso), Super-Mulher (que nessa realidade é a Lois Lane); Homem-Coruja (o que aconteceria se Bruce Wayne culpasse seu pai – agora o comissário de polícia – pela morte de sua mãe?); Johnny Quick (que precisa se drogar para ter supervelocidade) e Anel de Poder (não exatamente o oposto, tão babaca quanto Hal Jordan).

A arte de Frank Quitely nunca foi a mais linda do mundo, os personagens costumam ser extremamente feios e todos tem a mesma cara, até mesmo a Mulher Maravilha (que deveria ter a beleza de Afrodite, não?), mas é apaixonante a quantidade de detalhes que ele adiciona em seus trabalhos. Basta dar uma olhada na Fortaleza de Ultraman para percebermos as piadas plantadas no cenário.

O tempo todo a história deixa clara a visão do autor sobre a mecânica humana, o mal se opondo ao bem e o fato de não se poder mudar a natureza de uma pessoa. A primeira “Crise” é homenageada com planetas colidindo e o Flash correndo até que seus pulmões comecem a queimar, Jimmy Olsen aparece sendo um viciado (uma homenagem clara ao arco de histórias do Arqueiro Verde descobrindo que seu parceiro mirim era usuário de heroína), algumas cenas clássicas de escatologia, que Morrison sempre arranja um jeito de inserir, também influencias visuais desde Star Trek até Watchmen, um pouco de sexo entre super heróis, abusando do fetiche em couro e sadomasoquismo entre o Homem–Coruja e a Super-Mulher, tudo aqui funciona como uma homenagem do autor aos clássicos  momentos da editora.

Uma coisa precisa ser valorizada acima de todas as outras na obra desse autor, nossos “justiceiros” são muito poderosos! Isso é uma das características mais importantes do trabalho de Grant Morrison a frente do título da Liga da Justiça, é inegável. Ele não poupa espaço para deixar claro o quanto os “Sete magníficos” são icônicos e deuses entre os demais mortais. O Lanterna Verde envolve a Lua com mãos verdes gigantes, o Flash se torna o maior detetive do mundo por poder pensar a uma velocidade de setenta mil quilômetros por hora, o Aquaman é forte e eficiente e o Caçador de Marte dele é uma criatura insuperável. JLA: Terra 2 já valeria o preço de capa só pela maneira como J’onn J’onzz derrota o arrogante Ultraman.

“Cacador de Marte - Isso não é um combate, você já estava derrotado no momento que decidiu me enfrentar.”  

No fim de tudo, a Liga da Justiça nunca poderia vencer na sua “Terra paralela” pelo simples fato de que o bem nunca triunfa lá, exatamente como o mal nunca triunfaria aqui e apenas fazendo as coisas de forma errada, do ponto de vista de caráter e moral, que eles teriam alguma chance de vitória. Mas não se preocupe, jovem devoto do Santuário, o escocês Morrison flertando sempre com a esperança, sua velha companheira de diversos outros memoráveis contos, nos deixa ao fim dessa história, a satisfação de saber que existe uma Gothan City, que é o exato oposto da do nosso mundo.