Resenha de “The Shade” # 12 de James Robinson (roteiro), Gene Ha (arte) e Art Lyon (cores).
Por Rodrigo Garrit
Contém spoilers revelações sobre a história. Continuar lendo
Resenha de “The Shade” # 12 de James Robinson (roteiro), Gene Ha (arte) e Art Lyon (cores).
Por Rodrigo Garrit
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Resenha de “O Sombra” 11 de James Robinson (roteiro) e Frazer Irving (arte e cores).
Por Rodrigo Garrit
Contém spoilers revelações sobre a história
Resenha de “O Sombra” 10 de James Robinson (roteiro) e Frazer Irving (arte e cores).
Por Rodrigo Garrit
Contém spoilers revelações sobre a história.
A jornada do Sombra está chegando à sua reta final. As peças estão dispostas na sua frente, e agora é uma questão de montar todas elas e descobrir o que vão formar. Ele chegou ao covil da seita organizada pelo Lorde Caldecott… ou apenas “Dudley”, seu bisneto. Desde o ínicio, Dudley vem tentando tirar seu bisavô do jogo, que começou quando ele contratou o Exterminador para mata-lo na primeira edição da minissérie. Continuar lendo
Mais uma resenha do sombrio personagem autenticamente escrito por James Robinson em seus momentos de inspiração, sozinho no escuro, e com a arte maleficamente eficaz de Frazer Irving, que num arroubo de criatividade também coloriu a edição, demonstrando a epifania proveniente de se lidar com forças ancestrais atravessando esses caminhos tão precariamente iluminados. Continuar lendo
Uma resenha da edição escrita por James Robinson, com arte de Jill Thompson.
Por Rodrigo Garrit
YES, we have SPOILERS!
Na Paris de 1901, muitos aristocratas aproveitavam os prazeres que a riqueza podia oferecer em festas privadas regadas a muito whisky e ópio, além de jovens moças e rapazes dispostos e satisfazer todos os seus desejos. Mas quando a satisfação desses entediados intelectuais parecia não poder mais ser saciada, eles preferiam juntar-se a certas seitas com objetivo de estudar o ocultismo e suas variantes.
Durante uma dessas orgias, o Sombra conhece um rapaz chamado Albert Caldecott, que em meio a privação dos sentidos provocada pela substâncias que consome, revela estar passando por uma situação de imensa gravidade, e que na verdade, buscava ali apenas algum prazer por não saber quanto tempo ainda lhe resta.
Albert envolveu-se com Otto Haddon um ocultistas que invocou um “homúnculo”… um demônio servil de baixa casta, para que os obedecesse. E eu devo concordar com o Sombra quando ele diz que “Homúnculo” é uma palavra terrível para ser escrita, e detestável para se dizer.
O problema com esse pequeno demônio é que seu controle depende da força de vontade de seu invocador. E a força de vontade é facilmente dobrada quando se é alguém inclinado a apreciar as delícias do ópio. O que é exatamente o caso de Otto. Como consequência, ele foi possuído pelo demônio que deveria ser seu criado, e está a solta cometendo atos de extrema crueldade pelas ruas de Paris, sempre voltando em seguida para Albert, obrigando-o a fazer coisas inenarráveis e sussurrando em seus ouvidos cada atrocidade medonha cometida por ele. Não importa o quanto Albert se esconda, o demônio travestido com o corpo de seu namorado Otto sempre o encontra. Até o dia que ficar entediado da brincadeira e resolver dar fim a vida do rapaz.
Quiseram o destino e James Robinson, que Albert Caldecott fosse neto do Sombra. E diante desse acaso, ele decide ir tirar satisfações com o tal homúncl… homonún… demônio!
Uma leitura agradabilíssima, repleta de diálogos inspiradíssimos. Nada do que seja dito nesta resenha fará jus a qualidade dessa história. James Robinson nos apresentou aqui um Sombra elevado a décima potência de sua adorável arrogância, no cenário e época que mais traduzem o personagem. O Sombra tem seus poderes há pouco tempo nessa história, mas já se aceitou como a criatura que será nas próxima décadas, sem culpas, sem remorso, sem lamentações infindáveis. Ele sabe que é poderoso e usa isso em seu proveito próprio, o que a maioria das pessoas na face da Terra faria se tivesse seus poderes. Muitos de seus atos são considerados criminosos, e é possível que ele tenha roubado e matado algumas pessoas… sim, ele fez isso, mas não estamos falando aqui de um psicopata doentio que mata por prazer. Ele tem seu próprio código de honra, não hesita se precisar matar alguém que mereça, ainda mais se isso contribuir com seus interesses. Mas ele não vive em função disso, sua maior preocupação é satisfazer suas vontades, viver uma vida desregrada sem pensar no amanhã. O Sombra não é o tipo de indivíduo que quer salvar o mundo… embora seu lado humano ainda exista e o faça eventualmente cometer atos de altruísmo, exatamente o que é mostrado nessa história quando ele assume o papel de protetor do seu neto.
A artista convidada desse número, Jill Thompson, desenha com muita volúpia… sabe expressar os momentos sérios da história com bastante realismo. O diálogo do demônio com o prefeito da cidade que ele acaba de atacar é forte e encharcado de terror psicológico. Foram as cenas mais tensas que li nos últimos tempos, e em grande parte auxiliado pelas expressões desenhadas por Jill para o texto repleto de sadismo escrito por Robinson. Por ser tão boa ao retratar a realidade, ela se perde ao desenhar o demônio em sua forma verdadeira… nada que comprometa o fluxo da cena, mas imagino que poderia ter alcançado um resultado muito mais arrepiante se não traçasse um caminho tão caricato. Com isso, o diálogo do Ser infernal possuindo Otto ficou de longe muito mais assustador do que quando ele surge de fato, em sua pele verdadeira.
Com essa edição, nos aprofundamos um pouco mais no passado do Sombra, porém dentro de fatos que já haviam sido revelados anteriormente… com isso, aqueles que como eu querem saber mais sobre suas origens, devem esperar pelos próximos números…
Essa foi a melhor edição da série até agora, e eu digo isso sabendo que todas as anteriores também foram espetaculares. James Robinson está conseguindo uma verdadeira proeza… ou então, ele mexe com ocultismo na vida real!
Resenha anterior? Clique AQUI!
Resenha das edições # 6 e # 7 da série do Sombra, por James Robinson (roteiro) e Javier Pulido (desenhos).
Por Rodrigo Garrit
NO Spoilers
Após o dramático reencontro do Sombra com seu bisneto – hoje um homem idoso à beira da morte – vários fatos importantes da vida dele vem à tona. Desesperado, o idoso pede que o Sombra lhe entregue uma amostra do seu sangue, que pode ser a chave para a imortalidade e eterna juventude, o que salvaria sua vida. O problema é que há anos não corre mais sangue nas veias dele, tendo sido substituído pela matéria sombria que lhe concede poderes. No entanto, nem sempre foi assim, e existe uma amostra antiga de seu sangue, guardada em Barcelona pela vampira La Sangre, com quem o Sombra compartilha um vínculo extremamente íntimo. Sentindo-se culpado pela negligência que sempre despendeu em relação aos seus familiares, ele viaja para a Espanha, onde procura a vampira, mas ela está envolvida em caso pessoal contra um perigoso inimigo, o Inquisidor, um terrorista que ameaça centenas de vidas. O Sombra se une a ela contra o vilão, e eles contam também com a ajuda de outro herói europeu: Montpellier, que além de meta-humano possui grandes habilidades detetivescas.
Por que uma resenha dupla? Bem essa história da busca pelo sangue do Sombra se iniciou na edição anterior, e se estende até a edição 7, onde um novo ciclo se inicia. As três edições passadas na Europa têm arte do competente Javier Pulido, que é a cara de Barcelona. Mais uma vez, James Robinson trabalha com maestria ao levantar novamente o tapete onde o Sombra esconde a poeira do seu passado, e faz ligação com tudo o que ocorre na época atual. Os personagens secundários roubam a cena, tanto La Sangre quanto Montpellier são interessantíssimos e ficamos querendo saber mais sobre suas origens e poderes, conforme Robinson vai colocando as cartas com seu jogo de mistérios. Mais um pedacinho da origem de Richard Swift, o Sombra, é revelada – pelas beiradas, pra variar – mas começa a abrir algumas possibilidades na imaginação dos leitores. Ele se lembra com carinho de sua esposa e de sua vida antes de receber os poderes. Juntando isso com as peças mostradas até agora, já é possível montar um painel mais amplo e quase formar uma linha reta ligando os pontos rumo as respostas sobre quem é o Sombra. Quase.
O próximo número já não terá a arte de Javier Pulido, mas é inegável que sua rápida passagem já foi suficiente para deixar sua marca.
O Sombra não é exatamente adepto de finais felizes, mas depois de tantos séculos caminhando pela Terra, parece que o sujeito está tentando se endireitar… pelo menos até onde chegue o limite do seu tédio. Diferente de outros personagens imortais como Vandal Savage e Ras Al Ghul, por exemplo, que são insanos ou simplesmente malignos, temos na figura do Sombra uma criatura amoral, independente e fiel a seus próprios desejos. Um dos personagens ficcionais mais humanos que já vi, cuja personalidade foi (e continua sendo) lapidada por James Robinson com a perícia de um renomado joalheiro. Estamos descobrindo surpresos que debaixo da postura arrogante, sarcástica e egoísta, ele é um homem que fez muitos sacrifícios em favor de outras pessoas… e cometeu erros terríveis com outras tantas.
Espera… eu disse que os personagens secundários roubam a cena? Ah, sim, é verdade… mas só em parte. Afinal, estamos falando do Sombra, e pode ser dito que ele toma as cenas roubadas de volta. O número # 7 é onde ele possivelmente manifesta seu poder em sua totalidade máxima, algo raro de se ver. Vilões imortais, pactos com o demônio e novos mistérios são deixados para a próxima edição. Isso, e também a enorme satisfação de termos lido uma ótima história, sabendo que a seguir ainda existe muita coisa boa pra ser contada, além do fim do grande mistério. (Será)?
Onde o Sombra vai chegar com isso? O Céu é o limite… e o inferno mora ao lado.
Resenha da edição anterior? Clique AQUI!
Resenha de O Sombra # 5, de James Robinson (Roteiros) e Javier Pulido (Desenhos).
Por Rodrigo Garrit
NO Spoilers!
Após derrotar um poderoso deus lagarto, o Sombra encontra o responsável pelos recentes ataques a sua pessoa: seu bisneto, que hoje é um idoso doente e a beira da morte. Enquanto colocam seus assuntos de família em dia, mais eventos importantes do passado dele são revelados.
Essa edição é uma taça do mais puro vinho, ou da bebida mais refrescante que puder imaginar. Tudo no roteiro funciona, da primeira até a última página. É como aquele jogo de ligar os pontos, elevado a um nível muito mais alto; pouco a pouco, as peças vão se encaixando e fazendo sentido, ainda que alguns dos mistérios principais ainda não nos sejam entregues: quem é o Sombra de fato? Como ele adquiriu os seus poderes?
Mais uma vez vemos o Sombra atuando lado a lado de outros meta humanos, muito antes do surgimento da nova Era Heroica da DC… embora esses personagens vivam incógnitos e com a reputação de meras lendas urbanas. Mas é fato que o atual universo DC tem personagens muito mais antigos que o Superman, a quem agora se atribui ser o primeiro Super Humano do planeta. Etrigan e o vampiro Andrew Bennet já caminhavam pela Terra muitíssimo antes disso, e foi legal ver o Sombra fazendo referência a Andrew.
Mas pelo menos um segredo que há muito o Sombra escondia foi enfim desvendado: Como ele se tornou imortal! E sim, ter ganho os poderes e ser imortal são duas coisa diferentes, conforme nos é mostrado na história… e a solução criada por James Robinson foi surpreendente. Confesso que algo similar havia me ocorrido enquanto cogitava algumas possibilidades, mas logo abandonei a ideia. E é por isso que surpreende. A resposta dá uma volta de 360º, indo do “Até que faz sentido” até o “Ah não tem como ser isso”. Mas Robinson cria uma bifurcação nesse trajeto, colocando a resposta no centro desse pensamento, onde ela ganha o status de “Me convenceu de uma forma simples e criativa”.
Os desenhos de Javier Pulido, a primeira vista podem desagradar a maioria dos fãs de Jim Lee e seus seguidores clonados dos anos 90, mas seu estilo rústico e aparentemente simples (na verdade de simples não tem nada) é envolvente e cria uma conexão entre o leitor e a trama, principalmente nas cenas de flashback, onde o período específico e o lugar onde se passa a história têm tudo a ver com o traço e as raízes desse artista.
O grande problema desse título é ser uma série limitada em doze edições. O texto de James Robinson está afiado como nunca, sua caracterização do Sombra é perfeita, e a trama instigante e com muita profundidade. Eu já gostava do Sombra antes, de suas aparições no título do Starman, mas agora ele entrou de vez no hall dos meus personagens favoritos.
Para resenha anterior do Sombra, clique AQUI!
Resenha de O Sombra #4, de James Robinson, Darwyn Cooke e J. Bone.
Por Rodrigo Garrit
Contém spoilers
Em 1944, em plena segunda guerra mundial, uma rede de intrigas no melhor estilo de espionagem abrange alguns quase desconhecidos heróis da época, e remonta um capítulo perdido na história do Sombra.
Após a revelação familiar que acompanhamos na última edição, a história volta algumas décadas no tempo, onde algumas peças do quebra cabeças da vida do Sombra são montadas, mas não todas é claro… o mosaico da vida desse intrigante ser parece ser perfeito apenas enquanto houver lacunas entre suas peças.
A história é alinhavada pelo diário do Sombra, numa espécie de tentativa de escrever suas memórias, numa época indeterminada. Embora ele faça questão de enevoar ao máximo possível a narrativa, algumas coisas ficam claras: ele recebeu seus poderes e a imortalidade algumas décadas antes da segunda guerra, foi casado, mas abandonou a esposa temendo por sua segurança, mas deixou descendentes – que não herdaram suas habilidades sombrias. Mas ainda não foi dessa vez que tivemos uma “origem secreta”… e as circunstâncias que o levaram a adquirir os poderes ainda são um mistério.
A trama se concentra nos esforços do Sombra em auxiliar um de seus descendentes que se opunham ao regime nazista durante a segunda guerra, o que nos revela um lado mais humano do personagem. O Sombra é um sujeito muito difícil de definir. Chamá-lo simplesmente de “vilão” é uma forma muito limitada de explicar sua verdadeira essência. Chamá-lo de herói é uma heresia.
É interessante notar como ele lidava com os outros vigilantes fantasiados da época, não forjando nenhum (ou quase nenhum) vínculo de amizade, mas oferecendo trocas justas pelos seus “serviços”. Basicamente o que ele continua fazendo até hoje. James Robinson não desaponta com seu texto afiado e diálogos instigantes, embora nesse último quesito tenha deixado um pouco a desejar nessa edição. Ou talvez seja eu, que já ansioso por isso, projetei demais a expectativa…
No mais, um roteiro despretensioso e divertido, e embora o tema “espionagem na segunda guerra” esteja bem batido, a história vem com algumas surpresas interessantes de brinde. Um prelúdio para a estrada que o Sombra deve trilhar na época atual, a qual ainda deve exigir muito dele. A mente sádica de Robinson não criou apenas inimigos com quem o Sombra deve lutar e vencer ou ser derrotado, mas vai muito além disso. Ele é um homem, que como qualquer outro é capaz de atitudes de bondade ou momentos de extrema intolerância e descontrole. O fato dele ter superpoderes o obriga a se encaixar nas duas opções disponíveis: herói ou vilão. A menos que ele consiga criar a terceira categoria… e sobreviva.
Essa edição foi ilustrada pelo ótimo Darwyn Cooke, cujo estilo retrô foi uma escolha óbvia. Mas ao mesmo tempo, sua versatilidade poderia lhe conceder o cargo de desenhista regular da série facilmente.
Nem todos vão enxergar com bons olhos essa “quebrada” na história que vinha sendo contada até então, mas é certo que ao retornar ao presente, algumas coisas vão fazer muito mais sentido.
Coisas que você deve saber sobre o Sombra:
James Robinson utilizou o personagem quando escrevia a reformulação do Starman, que foi um sucesso absoluto. Ele deveria ser mais um vilão… mas o Sombra nem de longe se encaixa nessa coisa de “ser mais um”. Ele acabou se tornando amigo do protagonista.
Não confunda esse personagem (cujo nome original em inglês é Shade), com o outro famoso Sombra!
Ele não tem nenhuma ligação com a organização S.O.M.B.R.A. (S.H.A.D.E. em inglês) da qual faz parte nosso querido Frankenstein (ou será que tem?).
Clique aqui para ler as resenhas anteriores!
Por Venerável Victor ”Um tratador de macacos rebootado” Vaughan
Apesar da visão do escritor britânico James Robinson e da desenhista australiana Nicola Scott para o a nova série da DC, “Terra-2”, ser algo realmente novo e interessante; e por ter conseguido uma quantidade imensa de defensores pelos fóruns da rede, é óbvio que sua apreciação não é unânime. E pode-se claramente entender por que.
Essa visão do autor é na superfície muito mais sombria que a do universo oficial – que aqui chamaremos de Terra-1 – e que por controvérsia também é muito mais sombria que a anterior ao reboot. E se os leitores da editora não apreciam na sua totalidade o Novo Universo DC mais sombrio – não me refiro a linha Dark, que é um sucesso de crítica, leitores e vendas – como é que poderiam apreciar a série Terra-2 sem ressalvas? Aqui o Santuário oferecerá aos seus devotos razões para se dar uma chance ao novo título.

A primeira aparição da Sociedade da Justiça, na Era de Prata após serem substituídos pela “nova” Liga da Justiça e a capa número #1 da atual revista: Terra-2
Primeiro de tudo, Terra-2 é um dos melhores títulos da editora atualmente por se tratar de ser o verdadeiro reboot, algo que, apesar de todo o barulho e marketing, os “Novos 52” nunca foram realmente. “Esse relaunch não é um reboot!” eles disseram, então seria injusto acusar a DC por isso. Exceto que sim em alguns sentidos e não em outros, alguns personagens e revistas foram “rebootadas” e outras não… alguns títulos foram realmente re-imaginados, outros ordinariamente apenas recontaram os velhos conceitos com novas cores. No todo, a iniciativa foi extremamente confusa e covarde, não se pode dizer que foi realmente um novo começo e desaponta pela falta total de verdadeira ambição artística.
Terra-2, por outro lado é um reboot completo. Essa de forma alguma é a clássica Terra-2 da antiga Sociedade da Justiça, Corporação Infinito ou do All-Star Squadrão. Esse certamente não é um universo onde os heróis da Era de Ouro lutaram contra “comunistas sujos” e criminosos comuns da década de 40, e onde seus filhos cresceram embaixo de suas asas para se tornarem uma nova geração de heróis. Melhor deixar isso de lado, esquecer, ou muitos leitores vão começar a chorar e alguns irão mencionar até o nome de Donna Troy (que não tem nada a ver, mas sempre vem a tona)…
Não! Essa é uma completamente nova reinvenção, daquele tipo que nunca foi realmente feita na Terra-1. E isso tem muito do trabalho e contexto do que a DC fez com a Terra-1 e a Terra-2 após a Crise original em 1986. Essas duas “Terras” após essa mega saga, foram mescladas em uma única Terra. Os heróis da Era de Ouro começaram a compartilhar uma história com os “heróis modernos”, sendo os responsáveis pelo surgimento de uma Era Heroica que inspirou os justiceiros da atualidade. Barry Allen se chama Flash por causa de seu predecessor Jay Garrick e até mesmo personagens como o Super-Homem pôde olhar para trás e dizer que foi inspirado por esses grandes feitos históricos de heróis mais velhos (a Marvel fez a mesma coisa com o Capitão América). Eventualmente, os heróis da Era de Ouro foram trazidos para o presente e cada um, por artimanhas aqui e ali de roteiristas criativos e muito safados, continuaram servindo a sociedade como justiceiros ativos e em outros casos representados por jovens heróis descendentes ou não deles, que passaram a defender seus legados. A Terra-1 está mais pobre por não tê-los mais? Sim, mas não estamos aqui para falar dela.
A nova Terra-2 usa o mesmo tema original de sua homônima pré-crise, mas agora totalmente atualizada e ironicamente ao contrário da sua versão anterior, os leitores foram apresentados a um Super-Homem (Clark Kent), Mulher Maravilha (Diana) e Batman (Bruce Wayne) que aqui representam os legados originais, mas a revista rapidamente os mata no melhor estilo “O que aconteceria se…” num último sacrifício para derrotar a invasão de Darkseid a Terra, porém com a fantástica exceção que não tivemos que esperar seis edições para isso acontecer.
Os membros sobreviventes herdeiros de seus legados, Supergirl e a filha de Batman: a Robin, foram acidentalmente enviadas para a Terra-1 para se tornarem a Poderosa e Caçadora respectivamente, emergindo aqui cinco anos depois, sincronizadas assim com a cronologia vigente do Novo Universo DC.
É chegado um novo tempo para essa realidade alternativa, uma nova era heroica na Terra-2 é apresentada, mas dessa vez, Jay Garrick, Alan Scott, Al Pratt e muitos outros serão a nova geração a surgir dos escombros dessa tragédia. Para muitos fãs do trabalho do antigo roteirista Roy Thomas a frente da Terra-2 isso pode ser um susto, mas é tão “assustador” como foi para os leitores da Era de Prata quando viram pela primeira vez o “novo” Flash Barry Allan surgindo em 1956.
Apesar dos leitores não entrarem num consenso a respeito de um reboot, relounch ou louchboot, não sei mais, James Robinson está fazendo o que faz de melhor em Terra-2: pegar personagens da antiga e longe de interessar à editora e dar-lhes a chance de uma nova vida, enquanto presta tributo ao que eles costumavam representar.
Aqui nós temos inúmeras pistas que dão aos fãs esperança de que isso não será esquecido, afinal temos um Super-Homem admitindo que a Mulher Maravilha é “sensacional”, o uso dos deuses romanos ao invés dos Gregos, o “pequeno” sargento Pratt protegendo uma “bomba atômica”… esses são tributos a conceitos clássicos da Era de Ouro que provocaram sorrisos de canto de boca em leitores muito mais antigos que a maioria de nós. E apesar de Terra-2 ser agora um conceito contemporâneo, os heróis da Era de Prata serão o Legado que a “antiga/nova” Sociedade da Justiça, a partir de agora seguirá com orgulho.
Nessa matéria foi mencionada a palavra “esperança” e é válido ressaltar que esse é o sentimento que difere esse título das demais 51 revistas da “Terra-1”. Sim, a revista Terra-2 começou de cara com um tragédia, mas o conceito fundamental trata-se exatamente disso, todo a reconstrução de um universo a partir daí. O lado sombrio da Terra-1 remete ao modo como as pessoas enxergam seus heróis (não injustamente, lógico), desacreditadas de seus ícones e esses mesmos sendo “escrotos” que não verdadeiramente buscam algum tipo de redenção, essa nova continuidade tenta se assemelhar com a de Authority ou Watchmen, universos que não necessariamente inspiram esperança. Na Terra-2, ao contrário, é nítido o potencial para uma positiva ficção, a partir do momento que boas pessoas foram chamadas para assumirem mantos heroicos inspirados pelo sacrifício dos maiores heróis daquele mundo.

Os antigos herdeiros dos heróis da Era de Ouro: A “Corporação Infinito” com seus mentores da Sociedade da Justiça.
NOTA: Morreu ontem, dia 6 de Junho, aos 91 anos, o americano Ray Bradbury. Autor de 11 romances e mais de 400 contos publicados. Ficou conhecido principalmente pelas suas obras de ficção científica, como as “Crônicas marcianas” e “Farenheit 451″. Na próxima quinta-feira o Santuário, em homenagem a esse que é considerado o maior autor de ficção científica/fantasia do mundo moderno, resenhará sua obra mais popular.
Ray Bradbury
Ou: “Eu podia estar matando, eu podia estar roubando… mas em vez disso, virei super-herói”.
Uma resenha das edições 2 e 3 da nova série do Sombra!
A resenha de Sombra #1 pode ser lida aqui.
AVISO: Este artigo contém spoilers, mais nebulosos mistérios e trocadilhos sombrios. Onde não temos a participação especial do Starman. Nenhum deles.
Por Rodrigo Henry Garrit
O amor muda um homem. O amor, essa força primordial do universo que nos domina e nos faz querer sermos pessoas melhores… ignorar os erros do passado, e sossegar, levar a vida na flauta, só na tranquilidade…
Ah esse maldito do amor…
O Sombra está em pedaços, do jeitinho que o deixamos na edição anterior, após o ataque implacável do Exterminador que deixou nosso protagonista em mil pedaços. Mas o Sombra, sabem, não é exatamente feito da mesma fôrma que eu e você, já faz alguns séculos… tudo nele é falso. Sua pele, sangue e ossos… seus sistemas digestivo e respiratório. Seu coração. Tudo são fumaça e espelhos, matéria sombria concentrada, simulando o humano que ele foi. Ele pode estender essa matéria de forma mais primitiva, criando seus construtos de sombra, e também portais sombrios por onde pode se teleportar. Apesar disso tudo e sua suposta imortalidade, (bom, ele tá por aí desde 1838) ele criou um “fac-símile” de si mesmo, e este foi esquartejado pelo androide que se passava pelo Exterminador. Foi uma luta quase conceitual, eles não estavam de fato lá, em carne, ossos ou sombras.
Mas tudo no Sombra é falso? Até mesmo o sorriso que escorre pelo seu rosto quando está
com a policial Hope O´Dare?
O Sombra teria uma alma?
Segundo o mago indiano Diablo Blacksmith, ele tem sim, uma alma que está em crescimento, mudando, tornando-se algo que pode levá-lo a grandes realizações… desde que ele se mantenha nesse caminho. Seus dias de criminoso ficaram para trás… sem mais roubos, assassinatos e torturas.
Será mesmo?

Seguindo uma pista sobre quem está interessado em sua morte, o Sombra chega a Hamburgo, Alemanha, onde conhece o detetive fodão (desculpem o mau termo, mas ele é fodão mesmo, têm massacrado constantemente todos os agentes que vêm tentando eliminá-lo) Will Von Hammer. Nesse momento em especial, Will estava sendo atacado por um chefão mafioso e seus capangas. Existem outras criaturas das sombras pelo mundo e um deles é esse chefão, um francês que se chama “Ovelha Negra”, mas o trocadilho é ruim. O Sombra salva Will do Ovelha, e este lhe revela um nome: Darnell Coldecott, bilionário das industrias farmacêuticas Caldecott, atualmente usando o nome de John Cross. Onde encontra-lo? Uma gigantesca fortaleza remota numa montanha plana nos arredores de Alice Springs, Austrália. Quantos guardas fazem a segurança dele? Apenas um. Ele atende pela alcunha de Mangar Kunjer Kunja e é um gigantesco demônio mitológico que cospe labaredas infernais.
Para enfrentar um ser dessa maginitude, o Sombra vai buscar conselhos do maior especialista em magia que ele conhece, mas como a Zatanna não retorna as ligações, ele decide procurar um velho ex-inimigo –atual amigo – que pode vir a se tornar inimigo de novo, chamado Diablo Blacksmith, o já citado mago. Entre um e outro papo entediante sobre o zen, Blacksmith fala sobre o antigo ritual do “Tempo dos Sonhos”, mas quase faz com que o Sombra caia em sono profundo. Em seguida ele segue até a fortaleza de Coldecott, onde encontra Mangar Kunjer Kunja, que além de ser um gigantesco demônio mitológico que cospe labaredas do inferno, é imune aos poderes sombrios. Uma batalha de Davi e Golias é travada, até ele perceber que é inútil tentar derrotar a criatura. Ele então tenta lembrar-se das sábias palavras de Blacksmith, mas lamenta amargamente por ter desprezado todo o seu ensinamento.
Agora crianças, uma lição valiosa: Os argumentos que NÃO devem ser usados ao tentar convencer um gigantesco demônio mitológico que cospe labaredas do inferno a não te matar, segundo o Sombra:
- Bem, sim, escuridão. Sou sombrio… digo, meu nome é Sombra, isso deve dizer alguma coisa. E eu posso ter sido mau no passado… “posso”? Não, nenhuma dúvida… eu fui mau… um homem muito mau, mas…
E toma-lhe labaredas do inferno.
Mas no calor da batalha, uma coisa ele consegue lembrar: algo que Blacksmith falou sobre o tal “Tempo dos Sonhos”, – o eterno espírito-criança que existe em nós, junto com todo mundo, antes de nascermos e depois de nossa morte. A grande chave interior, a busca de si próprio, algo capaz de revelar sua verdadeira persona diante do demônio. Num ato de fé, o Sombra invoca um enorme ícone de “Cisne Negro”, no melhor estilo “Fênix Negra”, mas de uma forma máscula, nada que comprometa sua dignidade. Ao se deparar com a imagem, o demônio compreende a verdadeira natureza do Sombra… e, bem, se essa natureza é boa ou má eu não sei, mas a criatura o deixa passar.
Ele adentra então a enorme mansão do suposto mandante de seu assassinato, e sente um nervosismo incomum, revelando então aos leitores já conhecer a verdadeira identidade de seu inimigo.
Ao entrar num quarto, ele se depara com um senhor de idade fragilizado e ligado a aparelhos.
O velhinho fita seus olhos e cumprimenta seu avô.
História de James Robinson com desenhos de Cully Hamner.
E a propósito: James Robinson… você errou sim, mas você mudou. Eu te aceito de volta.
Nota: 10
Ou: “Ele voltou, mas não está nem aí pra você”.
Por Rodrigo Garrit
Contém spoilers of the darkness.
Uma das melhores HQs de super-heróis dos últimos anos se chamava “Starman”, era escrita por James Robinson e desenhada magistralmente por Tony Harris (Ex-Machina). Nela víamos as aventuras de Jack Knight, filho de Ted Knight, o Starman original da Sociedade da Justiça. Jack assume involuntariamente o manto de Starman após a morte de seu irmão, David, que teria sido o sucessor natural de seu pai, empolgadíssimo em vestir o manto, mas que infelizmente acabou baleado e morto nas ruas de Opal City.
Nesse ótimo título, James Robinson resgatou o vilão Shade, conhecido no Brasil como Sombra; misterioso, irônico e indiferente à maioria das pessoas. Mas um vilão tão bem construído e cheio de reveses interessantes e virtudes duvidosas, não passou incólume pelos leitores, e acabou roubando mesmo foi a cena. Tornou-se um dos personagens mais atrativos da série, e por vezes acabou sendo mais heroico do que perverso, embora nunca tenha deixado de agir em favor de seus próprios interesses.
O Sombra agora retorna em revista própria, com a bela arte de Cully Hamner e escrita pelo responsável a tirá-lo do limbo no
passado; um inspirado James Robinson, livre do toda e qualquer amarra imposta aos grandes heróis com anos de tradição. Alias, “herói” é algo que o Sombra não é. Sua personalidade peculiar continua intacta e isso provavelmente faz dele um dos personagens mais humanos dos quadrinhos, uma vez que não dedica sua vida a salvar o mundo, mas também, não planeja elaborados planos de vingança nem atos hediondos de violência. (Na maioria das vezes). Ele continua morando na charmosa cidade de Opal City, e hoje em dia está regenerado e devidamente aposentado de sua vida criminosa. É um homem culto, e aparentemente está andando pelas sombras há muitas e muitas décadas, embora não envelheça. Sua origem, a forma como ganhou seus poderes e os eventos que o levaram a ser o que é hoje continuam enevoados, mas nessa edição, temos um avanço na solução desse mistério. Claro que em se tratando dele, não seria um especial de “Origem Secreta”. Mas são reveladas algumas palavras chave, dando a deixa para que se liguem os pontos. Outubro. Aniversário. Crianças. Melancolia.
A edição abre com o Sombra conversando cordialmente com Mikaal, o alienígena azul que atualmente ostenta a alcunha de Starman. Diálogos afiados e inteligentes, marca registrada de Robinson marcam presença, tornando a leitura muitíssimo agradável.
Paralelamente, o leitor acompanha a perseguição de um homem chamado Willian Von Hammer, um alemão que é atacado por uma equipe de assassinos meta-humanos, mas ele acaba com a raça deles, matando-os sem dó nem piedade. Antes do ultimo deles morrer, deixa escapar o nome do mandante, mas só consegue pronunciar: “Foi Cald…”.
Isso parece ser o bastante para Willian saber que precisa avisar o Sombra sobre o perigo. Mais mistérios…
O Sombra, por sinal está namorando com a policial Hope O´Dare, com quem trava um diálogo esclarecedor; Hope diz que ele não é mais o mesmo homem de antes, e precisa voltar a encontrar a velha diversão… não uma volta ao mundo do crime, mas ele precisa se aventurar.
O gibi é um poema visual moderno, é James Robinson rejuvenescido, voltando à fonte
de suas melhores histórias da época em que fazia Starman, depois de passar por uma fase apenas regular (alguns diriam “muito ruim” na Liga da Justiça). É o que foi dito antes sobre a diferença entre escrever histórias para personagens com muitas amarrações de anos de cronologia e a liberdade de roteirizar um título sobre um ser amoral movido a sarcasmo e que pode ser o seu pior pesadelo ou salvar sua vida, dependo do seu humor.
Quem de fato é o Sombra? Quem de fato somos cada um de nós? Se nossa vida fosse um gibi seriámos heróis ou vilões? Que personagem você interpreta na sua vida?
A trama conta ainda com a participação especial do Exterminador, que cara a cara com o Sombra, revela que foi contratado para mata-lo.
Então o poema moderno termina de forma cíclica, com folhas de outono e o contraste de um final que invoca uma cena dramática, violenta e chocante, na intenção de prender o leitor para a próxima edição.
Desnecessário. Eu voltaria do mesmo jeito.
Nota: 9