Frankenstein: Agente da S.O.M.B.R.A. # 11 – O cosmos sintético da ideia

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frankContinuando a série de resenhas do título produzido por Matt Kindt (roteiro), Alberto Ponticelli (desenhos), Wayne Faucher (arte-final) e Jose Villarrubia (cores).

Por Rodrigo Garrit

Contém spoilers revelações sobre a história Continuar lendo

Liga da Justiça Dark # 11 – Todos querem os Livros da Magia!

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darkResenha de Liga da Justiça Dark # 11 de Jeff Lemire (roteiro) e Mikel Janin (arte).

Por Rodrigo Garrit

Contém spoilers revelações místicas sobre a história. Continuar lendo

Frankenstein: Agente da S.O.M.B.R.A. # 10 – No Ciclo Eterno das Mudáveis Coisas

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FRANKContinuando a série de resenhas do título (agora) produzido por Matt Kindt (roteiro), Alberto Ponticelli (arte) e Jose Villarrubia (cores).

Por Rodrigo Garrit

Contém spoilers revelações sobre a história

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Liga da Justiça Dark # 10 – Os Mistérios da Vida!

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teste02 Resenha de Liga da Justiça Dark #10, de Jeff Lemire (Roteiros) e Mike Janin (arte).

Por Rodrigo Garrit

Contém spoilers revelações sobre a história Continuar lendo

Frankenstein: Agente da S.O.M.B.R.A. # 9 – E o que vejo é apenas um homem se passando por uma abominação…


Por Rodrigo Garrit – NO Spoilers

Continuando a série de resenhas do título produzido por Jeff Lemire (roteiro), Alberto Ponticelli (arte), Wayne Faucher (arte-final) e Jose Villarrubia (cores).

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Liga da Justiça Dark # 9 – Conexões Sombrias!

Resenha de Liga da Justiça Dark # 9, com roteiro de Jeff Lemire e desenhos de Mike Janin.

Por Rodrigo Garrit

ATENÇÃO: ETSE OGITRA MÉTNOC !SRELIOPS

Capa de Ryan Sook

Steve Trevor, porta voz da Liga da Justiça, procura John Constantine e o recruta para uma missão na Floresta Amazônica, envolvendo um resgate e a apreensão de um poderoso artefato místico de posse do bruxo maligno Félix Fausto. Como recompensa, ele oferece a John dez minutos dentro da “sala negra”, um local onde é armazenado os maiores artigos mágicos do mundo. Para tanto, Constantine recorre a seus antigos “companheiros de equipe”, mas apenas o Desafiador e Zatanna aceitam a empreitada, não por acaso após algumas das habituais manipulações do mago, o que inclui a participação do vampiro Andrew Bennet, a quem o mago inglês faz questão de cobrar um favor. Steve Trevor enviou também a meta-humana conhecida como Cabeça de Repolho Roxo Orquídea Negra para garantir que Constantine andasse na linha. Com essa equipe formada eles partem em sua missão, encarando o culto de Felix Fausto numa improvável pirâmide perdida na fronteira do Brasil com o Peru, mas as coisas não saem exatamente como planejado, afinal, eles carregam um talismã de má sorte junto deles: John Constantine.

Jeff Lemire assume o roteiro da revista lhe concedendo um novo começo e abrindo novas possibilidades. Ele brinca com a possibilidade desses personagens atuando como uma clássica equipe de super-heróis, mas trata-se de uma grande ironia e revela a verdadeira natureza da história e de seus personagens sombrios.  Aliás, ironias e muitos jogos de palavras ligando essa história ao velho universo não faltam nessa história.

Os desenhos de Mikel Janín são competentes, expressivos… passam credibilidade. isso é importante para uma história que tenta tratar de forma séria o sobrenatural. Assim como as edições anteriores, essa revista é bem colorida… são incontáveis “efeitos especiais mágicos” saltando à vista do leitor… é claro, afinal ela trata de magia, mas ao mesmo tempo é sombria… mas ao mesmo tempo não é a velha Vertigo… mas ao mesmo tempo está criando um precedente dentro do universo dos super-heróis, onde o ocultismo raramente apareceu com seus requintes de crueldade  e dentes invisíveis… ou será o lado negro que baixou a guarda e deixou os heroicos e coloridos personagens do universo tradicional da DC entrarem?

Uma verdadeira visão do inferno? Pior, é o quarto do Constantine…

Conexão é a palavra que define essa edição. Steve Trevor é a ligação deles com a Liga da Justiça de Superman e cia. John Constantine ainda é uma peça chave, tudo se monta ao redor dele. Zatanna e Desafiador são elementos importantes deixados nas histórias pelos roteiristas anteriores do título. Andrew Bennet vem a somar, provando que o crossover “A Ascensão dos Vampiros” onde atuaram juntos gerou uma união bem sucedida. E temos a entrada da personagem Orquídea Negra, ainda uma incógnita nessa versão apresentada, mas os fãs da Vertigo vão lembrar que a personagem foi um marco em sua interpretação de Neil Gaiman e Dave McKean. A meu ver, Lemire está abrindo caminho para que esses personagens interajam e se estreitem ainda mais suas relações… não é difícil imaginar a participação de Frankenstein, Homem Animal e Monstro do Pântano unindo-se a essa Liga da Justiça Dark contra o Podre… sem falar no novo Shazam, remodelado agora como um personagem mais mágico do que nunca… mas estou me adiantando. Afinal, não havia nenhum motivo para que esses personagens continuassem atuando juntos após essa missão, sendo ou não bem sucedida… a não ser que um novo elemento surgisse e os colocasse nos mesmos trilhos.

O universo Vertigo está fortemente presente nas páginas dessa revista… as bases místicas que sustentam o universo… os Livros da Magia…

E o que vem depois? A Casa dos Mistérios? Tim Hunter? Sandman?

“E o que vem depois”?

Essa é a mágica.

Resenha anterior? Clique AQUI!

Frankenstein: Agente da S.O.M.B.R.A. # 8: “Pai, a Minha Sombra és Tu”.

Continuando a série de resenhas do título produzido por Jeff Lemire (roteiro), Alberto Ponticelli (arte) e Jose Villarrubia (cores).

Por Rodrigo Garrit

Contém spoilers

Frankenstein e sua ex-esposa são os melhores agentes da organização secreta S.O.M.B.R.A. Durante décadas eles tem enfrentado todo o tipo de ameaça sobrenatural, e como recompensa, receberam um enorme presente de casamento, que tragicamente se transformou no motivo de sua irremediável separação.

Os cientistas da organização produziram um “filho” combinando o DNA de ambos.

Não poderia ser mais desastroso.

Jeff Lemire mergulha nossas cabeças na neve gelada da Alemanha, presenteando-nos com uma visita ao ilustre Castelo Frankenstein… local onde o Dr. Victor Frankenstein desafiaria as leis divinas, e desencadearia sua própria ruína.

As coisas não ficam muito claras ainda, mas algo impensável e maligno foi libertado naquele dia, e embora muitos acreditem que esse mal seja o próprio monstro Frankenstein, a verdade é que ele é apenas uma fagulha, a ponta do iceberg de algo muito mais calamitoso… e tomou para si a missão de remediar os pecados do pai, em suas próprias palavras “Frankenstein não descansará enquanto o mal caminhar pela Terra”.

Parece que ele está fadado a nunca descansar.

Um mistério que vinha se mantendo desde a época que Grant Morrison escreveu a minissérie do Frankenstein para seu projeto “Os Sete Soldados da Vitória”, é finalmente revelado: Por que Lady Frankenstein abandonou seu marido? Os eventos ocorridos durante o “nascimento” de seu filho foram decisivos para isso. O coração do velho Frank foi quebrado, juntando-se a mais um dos incontáveis remendos do seu corpo, enquanto sua ex-esposa, a extraordinária guerreira, tornou-se apenas uma colega de equipe, uma eventual companheira de missões. E ele conheceu outros níveis de morte em vida.

Após o recente ataque dos humanitas, muitas celas de contenção de monstros e outras experiências que não deram certo no decorrer dos anos foram abertas… e de uma delas, quase esquecida, libertou-se a cria de Frankenstein… seu filho amaldiçoado.

Uma edição recheada de diálogos afiados e rápidos, verdadeiros golpes de esgrima. E é nisso que reside a beleza dessa série: um gibi de monstros, protagonizado por uma das criaturas mais famosas da literatura mundial, e que apesar de ser um gibi de monstros, encaixa discretamente entre uma ou outra cena de mutilação, traços de leveza, e por que não dizer, até mesmo poesia!

O jogo de mentiras e manipulações da S.O.M.B.R.A. chega a um momento crítico, o que desperta a revolta de Ray Palmer (o que pode comprometer a sanção da ONU para a agência), além de outras deserções. O futuro da S.O.M.B.R.A. como organização é incerto, mas a missão de Frankenstein em combater o mal é incessante, mesmo que tenha que cumpri-la com o coração mais partido do que nunca.

Eu preciso ressaltar a versatilidade do desenhista Alberto Ponticelli. É como se ele quisesse nos dizer: “Ok, vocês já viram o que eu posso fazer. Agora vou mostrar que também sei outros truques”. Seu traço está mudado, melhorado, como que absorvendo o roteiro e as emoções dos personagens. Eu fui um dos primeiros a criticar sua arte suja das primeiras edições, mas agora fui completamente conquistado pela sua narrativa visual. Seus traços não são simétricos, não têm preocupações estéticas refinadas e nem estão preocupados em retratar a realidade. Ele quer sim, esfregar na nossa cara o lado feio do mundo trágico de Frankenstein imaginado pelos autores… essa combinação alquímica de roteiro + arte, tenta  nos dizer que a monstruosidade tem várias faces, e nem todas são deformadas.

Para dar o toque final nesse caldeirão, as cores do mago Jose Villarrubia dão seu toque arrebatador, destacando detalhes nas cenas de forma lúdica e inteligente. Ele mostra a diferença entre uma pessoa que usa uma paleta de cores eletrônica e um artista que manipula essa ferramenta. O que mais eu poderia dizer de uma colorização que faz parecer que Frankenstein está chorando numa cena tensa, quando na verdade, ele não está chorando? É como se ele imprimisse um raio x da alma do monstro na página.

As ruínas do castelo “Von Frankenstein”, na Alemanha.

Frankenstein: Agente da S.O.M.B.R.A. se consolida para mim como uma das mais satisfatórias HQs de terror e aventura dos últimos tempos. Teve seus altos e baixos, mas ainda consegue surpreender e promete ainda manter o fôlego para muitos números.

Na próxima edição, Frankenstein bate de frente com o PODRE, e cruzará seu caminho com o Homem Animal, personagem também escrito por Jeff Lemire.

A resenha desse encontro você confere em breve aqui no Santuário!

Para ler a resenha anterior, clique aqui.

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Pai, a Minha Sombra és Tu

a cadeira está vazia, um corpo ausente
não aquece a madeira que lhe dá forma

e não ouço o recado que me quiseste dar
nem a tua voz forte que grita meninos
na hora de acordar
ouço o teu abraço, no corredor em gaia
e os olhos molhados pela inusitada despedida

o sol foge
mas o crepúsculo desenha a sombra que
tenho colada aos pés
ou o espelho, coberto com a tua face

pai, digo-te
a minha sombra és tu

Jorge Reis-Sá, em “A Palavra no Cimo das Águas”

Frankenstein, Agente da S.O.M.B.R.A. # 7 – Humanidade Descartável!

Continuando a série de resenhas do título produzido por Jeff Lemire (roteiro), Alberto Ponticelli (desenhos), Walden Wong (arte-final) e Jose Villarrubia (cores).

Por Rodrigo Garrit

NO Spoilers!

Dentro da base secreta da S.O.M.B.R.A. começa um motim organizado pelos “humanitas”, seres teoricamente sem vontade própria que são criados como trabalhadores incansáveis, cujos corpos duram apenas vinte e quatro horas, sendo em seguida reciclados e transformando-se na matéria prima de outros humanitas. Porém após a recente invasão do Irmão-Olho no confronto entre Frankenstein e OMAC, este introduziu um vírus de computador que ficou recessivo no sistema, entranhando-se na programação dos humanitas furtivamente e concedendo a eles vontade própria (ou uma falsa vontade própria que serve ao Irmão-Olho). Com isso todos os “seres de carne” e funcionários da S.O.M.B.R.A. são tomados como reféns, (incluindo Pai Tempo e Ray Palmer) enquanto eles assumem o controle da instalação e trancando Frankenstein e seus aliados do lado de fora.

A organização secreta S.O.M.B.R.A. tem como principal atividade, manter o mundo seguro de monstros e todo o tipo de aberração sobrenatural e/ou científica. Para isso, ela recruta/cria monstros, utilizando-se de métodos sobrenaturais e/ou científicos. Esses monstros passam a integrar seu seleto grupo de combate e prevenção de pragas… pragas do tipo que devoram entranhas frescas no café da manhã. Mas nem tudo é assim tão perfeito, nem todo monstro de laboratório resulta em um soldado com cem por cento de aproveitamento. A Dr. Nina foi responsável pela atual equipe do comando das criaturas, exceto por Khalis, cuja origem é misteriosa, e por Frankenstein e sua ex-esposa de quatro braços. A própria Nina tornou-se um dos membros desse monstruoso comando. Mas houveram experiências anteriores e nem todas deram certo.

Como consequência da revolta dos humanitas, os monstros que “não deram certo” são libertados… e aí a parada fica séria.

Basicamente, essa história mostra como o Dr. Victor Frankenstein deve ter se sentido ao ver sua criação maior voltar-se contra ele…

Foi muito empolgante ver o Dr. Ray Palmer acuado, usando sua tecnologia de miniaturização para se defender dos humanitas. Mas ainda não é dessa vez que veremos o cientista vestir seu uniforme de Elektron.  Na verdade, isso pode demorar muito, ou talvez nem acontecer…

Jeff Lemire começa a tocar um terror, literalmente, e faz que o até então invencível e inabalável Frankenstein sofra um tremendo baque, na parte cadavérica que mais machuca seu corpo: o coração. O final guarda uma revelação que promete abalar profundamente a cabeça remendada do velho Frank.

Os desenhos de Alberto Ponticelli parecem um pouco diferentes, tanto que à primeira vista achei que outro artista havia assumido seu posto nessa edição. Seu traço é naturalmente “sujo”, geralmente muita informação por página, mas sem a estética perfeccionista de um George Pérez dos velhos tempos. Não que isso seja ruim, é simplesmente a forma como ele imprime seu estilo e dá vida as aberrações imaginadas por Jeff Lemire. Mas nessa edição, com a parceria do arte-finalista Walden Wong, ele parece um pouco mais preocupado em “clarear” as imagens, apesar de seu traço não perder os contornos monstruosos que são necessários para essa revista; ainda podemos identificar seu estilo torto de retratar personagens não muito direitos.  Mas agora é como se ele parasse um pouco no meio de toda aquela loucura vertiginosa por um segundo e nos mostrasse que existem formas humanas debaixo de seu lápis possuído.

Eu não me canso de elogiar as cores de Jose Villarrubia, que faz miséria na revista do Capitão Átomo e em Frankenstein não deixa por menos. Fica evidente a diferença das cores quando feitas apenas seguindo um esquema programado e quando são pintadas por um artista com alma. É claro que Villarrubia também segue um esquema. Mas as cores da alma dele estão na revista, não me perguntem como. É arte.

E por falar em arte, impossível não destacar a capa desta edição, com a ilustração lindíssima de J.G. Jones. A expressão de Frankenstein, e a imagem dos humanitas logo abaixo são matadoras. Já vale o preço da revista. O bom é que, de quebra, essa capa linda vem junto com uma história muito boa.

E mantendo a promessa de encerrar essas resenhas com poemas em língua portuguesa que de alguma forma se conectem com nosso torturado monstro, fiquem abaixo com a escolha de hoje…

AD INFINITUM 

Vivo os dissabores de minha vida.
Esperança: algo fictício a que me apego,
para todo o dia ressuscitar.
E como ja dizia a grande poetisa: como odeio
a luz do sol, que revela até o possível.
Morte: como posso abraçá-la,
pois o que me prometes
é a incapacidade de expressar minha dor
“ad infinitum”.
Sinto que a voluntária degeneração se faz possível,
pois a perspectiva do fim, que por enquanto
não me exige, não passa de uma ocasião
ainda remota.
Será então que entendi a vida como uma contínua
e dedicada preparação para a morte?

Jorge Trindade

Resenha anterior? Clique AQUI!

RESENHA: Frankenstein, Agente da S.O.M.B.R.A. # 6

Continuando a série de resenhas do título produzido por Jeff Lemire (roteiro), Alberto Ponticelli (arte) e Jose Villarrubia (cores).

Contém spoilers

Por Rodrigo Garrit

Enquanto a Dra. Nina mostra o interior da Fazenda de Formigas para o Dr. Palmer, novos humanids (clones humanoides recicláveis) são produzidos e descartados em massa, para trabalharem em serviços braçais.

A Fazenda de Formigas é a base itinerante da organização S.O.M.B.R.A. (Secretaria  de Organização dos Meta-humanos em Batalha, Resgate e Auxílio), ela flutua sobre diversos pontos do globo em tamanho quase microscópico. Essa tecnologia foi viabilizada pelo próprio Dr. Palmer, especialista em miniaturização, que só agora teve a chance de conhecer o local.

Enquanto isso, Frankenstein e alguns dos outros membros do Comando das Criaturas estão em missão no Vietnã. Eles devem encontrar o Dr. Quantum, um antigo operativo da S.O.M.B.R.A. que acreditava-se estar morto, porém ressurgiu com grande poder e pode representar uma terrível ameaça.

Essa é uma das melhores edições da revista até aqui, senão a melhor. Depois dos eventos da edição passada, com a batalha entre Frankenstein e OMAC, a história volta aos eixos… Jeff Lemire fez questão de relembrar alguns pontos  importantes sobre a S.O.M.B.R.A.  e situar os leitores, preparando-os para o grande evento que está por vir, ligando Frankenstein  à ameaça que atualmente é combatida pelo Monstro do Pântano e o Homem Animal.

A história do Dr. Quantum é como se fosse um final infeliz do Dr. Manhattan, de Watchmen… a referência ao personagem é clara, e até mesmo é feita uma rápida comparação dele com o Capitão Átomo.

Jeff Lemire parece lidar propositalmente com essas “paródias”, por assim dizer. A própria mecânica da revista do Frankenstein lembra muito o universo criado por Mike Mignola para o Hellboy… mas não se trata de um plágio, no máximo uma grande homenagem e faz que funcione tão bem quanto as versões que Alan Moore criou dos personagens da Charlton para fazer Watchmen… e com isso, não estou comparando as histórias, mas sim a técnica de transpor personagens similares para um novo ambiente sem roubar as qualidades do original. Eu diria que esse Frankenstein está para o Hellboy, assim como Harry Potter está para Tim Hunter, da série Os Livros da Magia da Vertigo… a princípio, são praticamente idênticos, mas ao nos aprofundarmos nas histórias de cada um, vemos que na verdade, são totalmente distintos.

“Dr. Quantum”, baseado no “Dr. Manhattan”, baseado no “Capitão Átomo”…

Voltando à edição anterior, onde Frankenstein enfrentou OMAC, aparentemente, o Irmão Olho deixou um “presentinho” ao invadir os computadores da S.O.M.B.R.A., então, podemos esperar uma pequena revolução dos humanids para as próximas edições.

A arte de Alberto Ponticelli continua não sendo totalmente do meu gosto, mas admito que ele sabe desenhar monstros… e as cores de Jose Villarrubia são deslumbrantes, impossível não pensar no quanto ele carrega suas tintas com ironia ao fazes painéis tão coloridos para essas histórias. O resultado é diferente do que se consideraria óbvio… e positivamente surpreendente.

Se eu tivesse lido apenas a edição anterior, sem conhecer o trabalho de Jeff Lemire, teria desistido ali mesmo. Mas esse novo número recuperou o fôlego do roteiro e me deixou ansioso pelo próximo.

Jeff Lemire, Alberto Ponticelli e Jose Villarrubia

Frankenstein já citou trechos de poemas em várias ocasiões. A partir de agora, sempre vou encerrar todas as resenhas das histórias dele com uma poesia de autor em língua portuguesa, dentro de um contexto no qual eu imagino que ele citaria… e para começar…

ABERRAÇÃO

Na velhice automática e na infância,
(Hoje, ontem, amanhã e em qualquer era)
Minha hibridez é a súmula sincera
Das defectividades da Substância:

Criando na alma a estesia abstrusa da ânsia,
Como Belerofonte com a Quimera
Mato o ideal; cresto o sonho; achato a esfera
E acho odor de cadáver na fragância!

Chamo-me Aberração. Minha alma é um misto
De anomalias lúgubres. Existo
Como a cancro, a exigir que os sãos enfermem…

Teço a infâmia; urdo o crime; engendro o lodo
E nas mudanças do Universo todo
Deixo inscrita a memória do meu gérmen!

Augusto dos Anjos

 Resenhas anteriores? Basta escolher:

Frankenstein # 1

Frankenstein # 2 e 3

Frankenstein # 4

Frankenstein # 5

 


HOMEM ANIMAL # 9 – Olhos Sangrentos

Resenha de Homem Animal # 9 de Jeff Lemire (roteiro) e Steve Pugh (arte).

Por Rodrigo Garrit

! ESTE ARTIGO CONTÉM SPOILERS !

Já sentiu tanto ódio a ponto de enxergar tudo vermelho? Já viveu aquele momento em que uma fera toma conta do seu corpo e tudo o que você deseja é apenas sangue?

Alguma vez já foi mais ANIMAL do que HOMEM?

O Monstro do Pântano, o Homem Animal, e todas as coisas vivas têm um inimigo em comum: O PODRE.

Mas ele não é exatamente o que se pensa. Não é a encarnação da morte. O Podre não quer destruir a vida, ele precisa dela. Precisa que exista vida, para que ela MORRA, APODREÇA e lhe conceda poder. Ou até mesmo em forma apurada, apodreça em vida.

O Podre é uma das forças primordiais que regem o universo. Essas forças vivem em harmonia e isso é bom. É bom para nós, do nosso ponto de vista, é o que sustenta a nossa existência. Mas do ponto de vista elementar, o Verde prefere um planeta onde as plantas estejam no topo da cadeia alimentar, em confortável e inabalável posição. Já o Vermelho certamente gostaria de que os seres de carne prevalecessem, não necessariamente como acontece hoje, mas de forma totalmente independente de outras forças, que poderiam continuar existindo… apenas para servir.

Esse equilíbrio mantém a natureza funcionando de forma a privilegiar não tão lealmente todas as partes, já que algumas têm mais vantagens que outras, mas de forma geral, todas têm seu lugar e sua vez. Mas só isso não basta. Para nenhuma delas.

O Podre não deseja exterminar a vida, mas ele não está feliz da forma como o equilíbrio natural acontece. O Podre ama a vida. Mas em vez de um planeta repleto de coisas vivas, vermelhas, verdes ou de outras cores, que nascem ou brotam, crescem se desenvolvem, se reproduzem e morrem, para só então apodrecer, Sethe, o senhor do Podre, almeja uma desconstrução desse ciclo vital, substituindo o longo caminho do ciclo da vida até o apodrecimento por uma vida inteiramente podre… um planeta inteiro apodrecendo, mas ainda assim, onde eventualmente ocorra o milagre da vida… uma vida distorcida e miserável.

O Podre não deseja silenciar a vida. Ele quer ouvi-la gritar.

As hordas do Podre continuam seu avanço pela Terra. Seu maior objetivo é destruir Maxine Baker e Alec Holland, respectivamente os avatares do Vermelho e do Verde. Maxine tem quatro anos de idade e é filha de Buddy Baker, o herói conhecido como Homem Animal, que recentemente descobriu que recebeu seus poderes dos Totens do Vermelho com a finalidade de ser o protetor da jovem avatar. Papel que ele não tem tido muito sucesso em cumprir, apesar de seus esforços desesperados. Felizmente, a menina é tão poderosa que consegue não apenas se proteger como encarar os agentes do podre e causar grande preocupação em seus mestres.

Num ato de pânico, Buddy enfrentou sozinho uma cidade inteira de criaturas dominadas pelo Podre… centenas de animais semidecompostos possuídos. Ele lutou com todas as forças, mas por fim, acabou sendo derrotado e morto.

E morto, tornou-se uma marionete do podre.

Anos atrás, um certo “escocês magrelo e intenso”, vulgo Grant Morrison, teve a coragem (ou a cara de pau) de escrever algumas cenas surreais quando assumiu o título do Homem Animal, tornando-o o personagem cult e reverenciado que é hoje. Não fosse isso, até hoje ele estaria relegado aos confins sombrios do limbo do esquecimento dos leitores (que por sinal também foi abordado por Morrison, mas isso é outra história). A cartada final do escocês foi aparecer “em pessoa”, na frente de Buddy, e se apresentar como seu roteirista.

Com essa edição de Homem Animal, Jeff Lemire reverencia o trabalho de Morrison, e com muito cuidado, relembra esse momento, o que foi sabiamente evitado por todos os escritores que se seguiram. Afinal, conduzir essa situação de forma errada poderia descredenciar todo o mérito de Morrison e também soar como falso e artificial demais. Mas não foi o caso. Lemire retorna à fonte de onde Buddy Baker renasceu, para delírio dos fãs. Então, não tenha mais dúvidas… Buddy lembra-se de tudo o que houve, embora encare como um “sonho”. Considerando que ele poderia ter mudado tudo, Lemire incorpora o passado as suas histórias, e avança, criando uma nova mitologia tendo como base tudo que se passou.

E ao mesmo tempo… ele mudou tudo!

A história se passa em três momentos: num deles temos o conflito familiar de Ellen Baker, esposa de Buddy, a bordo de um trailer dirigido por sua mãe, que odeia o genro e tenta encontrar um lugar seguro para Maxine onde ela possa levar uma vida normal, longe de tantos eventos sobrenaturais e inexplicáveis. Porém, Senhor Meias, o gato falante da garotinha acredita que eles não terão sucesso nessa busca.

Temos então mais duas cenas revezando a narrativa: Buddy Baker morto e possuído pelo Podre, devorando entranhas de cachorro repletas de vermes, e a essência do verdadeiro Buddy Baker no plano espiritual… ou melhor, nos subúrbios do Vermelho, tentando uma audiência com os grandes Totens a fim de que possam oferecer alguma ajuda… porém, Buddy não é o avatar escolhido, apenas um “mero guardião” como tantos outros, e é tratado com indiferença, até encontrar o “Pastor” que havia guiado Maxine anteriormente e se propõe a ajuda-lo. Um detalhe interessante: impossível não deixar de notar as semelhanças dos Totens com os personagens de “Sweet Tooth”, premiada série da Vertigo, também escrita por Jeff Lemire.

E enquanto Buddy passa o diabo para tentar pedir ajuda a esses totens, o seu corpo “apodrecido” planeja se aproximar de Maxine, enganá-la e leva-la ao centro do reino do Podre, onde poderá ser morta…

Ou, mais uma vez, surpreender a todos.

Resenhas anteriores? Mergulhe no Vermelho clicando aqui! Mas, se sua cor é o Verde, então pule aqui

E para quebrar um pouco esse clima tenso, não deixe de assistir as divertidas vinhetas do Homem Animal produzidas pela DC Nation!

FRANKENSTEIN # 5: TÁ NA HORA DO PAU! FRANK E OMAC ESMAGAM!!!

Por Rodrigo Garrit

S.O.M.B.R.A. net Pergunta: O que é?

Uma resenha de Frankenstein #5. Contém spoilers. 

Quem fez?

Jeff Lemire e Dan Didio (Roteiros), Alberto Ponticelli (desenhos) e Jose Villarrubia (cores). 

Que houve?

O agente Frankenstein está em missão no Tibet quando é contado pelo Pai Tempo, seu superior na organização secreta que recruta monstros para realizar tarefas inglórias, para prestar auxílio a outra agência supersecreta, o Xeque Mate comandado por Maxwell Lord. Esse “auxílio” significa o enfrentamento solitário de Frankenstein contra o ser conhecido como OMAC.

O que realmente importa nessa edição são os fatos que ocorreram nos bastidores da batalha… essa história é simultânea a edição # 5 de OMAC,  - saiba mais – cuja resenha do ultimo número pode ser encontrada aqui. Fica a nítida impressão que Jeff Lemire foi meio que retirado dos seus planos na revista do Frankenstein para escrever esse crossover… eu estou louco ou ele expressa isso na forma de uma metáfora dentro da história, onde Frankenstein após eliminar alguns pigmeus canibais no Tibet deixa claro que iria tirar uma licença, mas é abruptamente interrompido pelo Pai Tempo. “As férias acabaram. Faça suas malas e traga sua bunda remendada para o QG do Xeque Mate agora”. Tão doce… ainda mais vindo dos lábios da garotinha cujo corpo a mente do Pai Tempo ocupa. Eu não me acostumei com isso…

O cientista Ray Palmer entra em ação e usa de toda a sua perícia em nanotecnologia para travar uma batalha interna contra a invasão remota do super computador “Irmão Olho” ao sistema da S.O.M.B.R.A. interessante vê-lo em ação, apesar de não ostentar sua identidade de “Elektron”… Ray Palmer sempre foi muito subestimado, mas muito valioso nas fileiras da Liga da Justiça. E assim como outros tantos rejeitados, acaba dando a volta por cima.

S.O.M.B.R.A. net Informa: ALERTA DE SPOILER! 

Frankenstein e OMAC, apesar de serem dois cavalheiros civilizados e de grande finesse, caem matando um para cima do outro. Sim, isso mesmo, caro devoto, você não leu errado! Eles brigam nessa edição!

S.O.M.B.R.A. net Informa: FIM DO ALERTA DE SPOILER! 

Mas nem tudo é pancadaria. Alguns dados importantes são apresentados nos bastidores da história, quase que ofuscados pelos pescotapas e chutes na virilha. A Dra. Nina se depara com uma grande descoberta e diz que pode ser capaz de identificar o DNA dos corpos dos quais Frankenstein foi constituído, proporcionando assim uma espécie de “volta as origens” ao monstro. Pode parecer bizarro, e é mesmo. Mas o Frank é um cara sentimental, de família… imagina só se ele não vai querer saber quem foram seus… hã… parentes?

O Pai Tempo como sempre age nas sombras (alerta de trocadilho infame), e sempre sabe o que fazer, nunca perde a calma… uma mente centrada e extremamente racional e analítica… a verdadeira força que sustenta a S.O.M.B.R.A e seu Comando de Criaturas, um trabalho que poucos aceitariam executar em sã consciência… então é justo entender que ele tenha escolhido viver usando o corpo de uma garotinha… não? Eu ainda não me acostumei com isso… Laerte me acuda!

OMAC foi cancelado porque infelizmente foi muito mal executado, o que é uma pena… o personagem de Jack Kirby teria muito mais potencial se tocado por criadores mais envolvidos com a obra – e não culpo Keith Giffen por nada, ele fez tudo que podia, podem acreditar.

Esse encontro com Frankenstein não salvou OMAC do cancelamento, e creio também nem era a intenção. Também não acrescentou nada a Frankenstein, apenas lhe concedeu a edição mais fraca da série até agora, apesar do esforço de Jeff Lemire e seus malabarismos em tentar tornar a história interessante. Alguns pequenos mistérios foram lançados, e ele deve conseguir executar melhor as suas ideias na edição seguinte, sem interferência editorial (será?) onde, então poderá retomar a sua programação normal.

Quem viver verá. E os que voltarem do túmulo também.

Clique para ler também as resenhas anteriores de Frankenstein  #1, #2 e #3 e #4

S.O.M.B.R.A. net Desliga. 

Homem Animal # 8 – Vermelho Vivo

Resenha de Homem Animal # 8, de Jeff Lemire (Roteiros), Travel Foreman e Steve Pugh (Desenhos) e Jeff Huet (Arte Final).

Por Rodrigo Garrit

SPOILERS SPOILERS SPOILERS SPOILERS SPOILERS SPOILERS SPOILERS 

Há uma guerra invisível sendo travada há milênios. De um lado, o Verde e o Vermelho, basicamente, a vida. E de outro, o Podre. Basicamente… a morte.

Recentemente essa guerra deixou de ser assim tão invisível. Esta é a Era em que os avatares de cada lado se erguerão em sua força total e lutarão a fim de decidir definitivamente o destino do mundo.

A gente pode imaginar essa batalha da seguinte forma: Alan Moore é como se fosse o Verde. Grant Morrison, o Vermelho. Tecnicamente, eles estão do mesmo lado, mas não são amigos. Não, na verdade eles se odeiam profundamente, mas se toleram. E o Podre seria… Rob Liefeld! Contaminando tudo que desenha e escreve, transformando aos poucos o mundo num lugar muito mais deplorável do que já é.

Uma família sozinha dentro de um trailer cercado por centenas de animais semi-decompostos e sob total controle do Podre, com o claro objetivo de eliminar Maxine Baker, a maior ameaça a sua vitória definitiva. A menina é corajosa e sua ligação com o Vermelho é intensa. Ela se oferece para ir lá fora e lidar com os monstros. Seu pai, que diferente do resto da família, já presenciou o que ela é capaz de fazer, meio que concorda, apesar dos protestos desesperados de sua esposa, mas é censurado pelo Sr. Meias.

Você é o protetor. Foi pra isso que fizemos você do jeito que é, Buddy Baker”.

Cabe ao Homem com poderes animais preservar aquela que será a avatar mais poderosa do Vermelho, e que junto com o rei guerreiro do Verde – Alec Holland, o Monstro do Pântano – poderá exterminar de uma vez por todas o Podre.

Mas Alec está longe de ser encontrado, muito provavelmente já tenha sido morto. As chances não são muito favoráveis.

É muito difícil resenhar essa edição, uma vez que ela é repleta de pequenos clímax, do começo ao fim.  Uma sinopse pode ser encontrada no site oficial da DC Comics. E minhas opiniões sobre os autores envolvidos já são de conhecimento de todos, uma vez que já deixei a mesma bem clara nas resenhas anteriores. Os comentários que tenho a fazer estão intimamente ligados aos acontecimentos dessa história. O spoiler a seguir é forte, então se realmente não quer saber o que acontece, pare agora mesmo a leitura, clicando na SAÍDA DE EMERGÊNCIA ANTI-SPOILER.

Daqui pra frente o bicho pega. Mesmo.

Maxine não perde tempo com discussões morais sobre a irresponsabilidade de se colocar crianças em perigo; elas mesma se desvencilha dos braços de sua mãe e vai ao encontro dos monstros do Podre.

E é dilacerada por eles.

Buddy se torna por algum tempo apenas ANIMAL, deixando o HOMEM de lado. As cenas de violência são de arrepiar qualquer membro do PETA ou da SUÍPA (instituições protetoras dos animais). Mesmo se tratando de animais zumbis, a selvageria é perturbadora.

A essa altura, Buddy já não mais se refere a fonte de seu poder como o “campo morfogenético”, ao qual teria sido ligado por alienígenas amarelos que lhe deram poderes, conforme foi explicado de forma muito interessante na fase em que Grant Morrison era o roteirista regular do título nos anos 90. Entendam, naquela época o gibi era ainda uma história de super-herói, mas com todo um pano de fundo voltado para a ficção científica, algo que o tornou o clássico que é hoje. Naquela época, tínhamos a noção de que Buddy havia morrido e tido seu corpo reconstruído pelos tais alienígenas amarelos, que o ligaram ao “campo morfogenético” da Terra e o colocaram em sintonia com todos os animais vivos do planeta, possibilitando que ele colocasse uma cueca por cima das calças e começasse a combater o crime como o “Homem Animal”? Não é o que qualquer um faria? Enfim…

Para entendimento da série atual, nada ou quase nada do que foi feito naquele período foi desconsiderado. Mas agora existe a explicação de que sempre foram os Totens do Vermelho por trás dos poderes do Homem Animal… eles o prepararam para ser o guardião de sua maior avatar, a sua filhinha Maxine. As lembranças que ele tem dos aliens amarelos foram um meio dos Totens do Vermelho se apresentarem de forma que a mente humana e limitada de Buddy pudesse compreender o que estava ocorrendo. Afinal, ele vivia em um mundo onde havia o Superman, um notório alienígena, além de heróis portando anéis energéticos vindos de outros planetas. A própria existência de aliens não seria grande novidade, se considerarmos que a invasão de Darkseid à Terra e seu primeiro contato com a Liga da Justiça se deu cinco anos atrás dos eventos agora mostrados nas HQS do Homem Animal. Mas é complicado tentar decifrar a continuidade dos eventos pré ou pós reboot… ainda existem muitas inconsistências que deixariam até mesmo Reed Richards confuso, coisas que só devem ser elucidadas no futuro… ou não.

O fato é que agora Buddy tem a plena consciência da verdadeira fonte de seus poderes, e o verdadeiro motivo deles terem lhe sido concedidos. Trocou definitivamente o termo “Campo morfogenético” por “Vermelho” (mais prático assim, não?) e sabe a extensão de sua responsabilidade. E sofre o peso dela. Teme não ser capaz de cumprir a função de proteger sua filha e sente falta da época em que brincava de ser um super-herói, com a cueca por cima das calças, prendendo criminosos comuns e vez por outra se unindo a outros super heróis e salvando o mundo em grandes aventuras em que ele na maioria das vezes não passava de um coadjuvante. Aquele vulto atrás da foto de primeira página de jornal onde o destaque é Superman, Batman e Mulher Maravilha.

A grande verdade é que ele mesmo não se vê como um super-herói… tudo o que ele sente é a necessidade de aventura, a emoção e a boa intenção de ajudar as pessoas. É seu lado dublê, realizando as cenas perigosas mas nunca sendo o centro dos holofotes. Mas essa é a sensação que ele se projeta. Porque na minha opinião pessoal, isso faz dele um herói sim… talvez até melhor do que os outros.

A possibilidade de falhar em sua missão se torna realidade quando vê o cadáver esquartejado de sua filha. Mas quando a fúria assenta por um momento, e não há mais nenhum agente do Podre para derrotar, o inesperado esperado se apresenta. Vejam, tecnicamente, Maxine morreu sim. Seu corpo pelo menos.

Nas antigas histórias do Monstro do Pântano na fase escrita por Alan Moore, ele era capaz de projetar sua essência pela flora, sua mente viajava pelo Verde e poderia se materializar em qualquer organismo vegetal, o qual sofria uma mutação instantânea gerando um novo corpo para que ele ocupasse.

E para espanto até mesmo do sabido gato falante Senhor Meias, Maxine já é capaz de fazer o mesmo, mesmo sendo tão jovem, inexperiente e sem nenhum tipo de treinamento. O fato é que ao ser morta pelos agentes do Podre, sua mente instantaneamente se transportou para o Vermelho, de onde entrou em contato com uma raposa que generosamente cedeu seu corpo para a menina. Ao ocupar esse corpo, a raposa simplesmente sofreu uma metarmofose, transformando-se numa nova Maxine. Que ficou de pé olhando para seu antigo corpo em pedaços…

Buddy, e claro, toda a família, apesar de felizes pela menina estar viva, não ficaram nada satisfeitos de a verem tão perto da morte, sem falar no choque de ver uma garotinha ser despedaçada e em seguida reconstruir um novo corpo a partir de uma raposa. Embora isso me soe como uma bela fábula oriental nunca escrita.

Decidido a proporcionar uma vida normal a sua família, Buddy pára de fugir parte com tudo em direção ao local onde o Podre se encontra, uma cidadezinha próxima, onde toda a população foi dizimada. Ele luta ferrenhamente com todas as suas forças e até consegue boa vantagem durante algum tempo, mas as coisas ficam feias quando nosso descontrolado, protagonista se depara com a versão zumbi do filme “Os Pássaros” de Alfred Hitchcock.

Eu mencionei que os “aliens amarelos” (ou Totens do Vermelho, como preferirem) reconstruíram o corpo de Buddy após sua morte e lhe deram os poderes animais. Eu perdi as contas de quantas vezes Buddy morreu em suas histórias, principalmente em sua fase na Vertigo (que ocorreu após a saída de Grant Morrison, mas nem por isso deixaram de ser histórias sensacionais). Claro, as muitas mortes do Homem Animal sempre tinham uma boa (ou nem tanto) explicação posterior para o seu retorno. Sempre era conceitual, ideológico, metafísico, metalinguístico, transcendental, surrealista ou até mesmo banal. Mas vira e mexe tínhamos a clássica cena da morte do Homem Animal. E sabem, confesso que senti um pouco falta disso! Depois de tanta nostalgia, depois de tantos conceitos antigos retornando com força total e de forma tão bem feita… por que não?

Bom, se você é leitor das antigas como eu, e também sentia falta disso, pode comemorar. Se é leitor novato, bem vindo ao mundo maluco das HQs do Homem Animal.

Buddy Baker está morto.

E, hoje em dia, tudo o que morre está automaticamente em poder do Podre.