
Por Venerável Victor “tratador de macacos até embaixo d’água” Vaughan
Aquaman #11 SPOILERS aquáticos


Joe Prado; Ivan Reis; Geoff Johns; Rod Reis
Após a fantástica batalha entre Aquaman e o Arraia Negra na edição passada, muitos perdoaram o escritor Geoff Johns pelo ritmo lento com que vinha conduzindo essa revista, esse arco vai ser um estouro quando for copilado em um encadernado, provavelmente. Entretanto algumas vezes sofre de falta de ritmo quando cada edição é lida separadamente, mas que diabo! O cara está realmente melhorando a mão nessa revista.
As primeiras páginas desse mês provavelmente foram as de maior caracterização que Aquaman teve em anos desde a fase de Peter David, o desinteresse pelas relíquias que são a sua herança são um belo toque na dramaticidade, ao invés de realmente utilizar o seu poder, ele as usa como uma isca para atrair seu inimigo, o Arraia Negra, se tem uma coisa que essa edição sedimenta muito bem, é o ódio que o herói aquático sente por seu nêmeses, que o faz agir como um idiota na presença de seus aliados e amigos mais antigos, os Outros. Essa não é uma caracterização original no mundo dos quadrinhos, mas funciona muito bem com Arthur Curry. É bom poder ver Aquaman se expressando mais nessa edição e essa é a primeira vez que essa atitude seja um aspecto interessante em uma edição.
Os conflitos do atual rei dos mares ajuda a distrair o leitor da quantidade de explosões e ação “massavéio” que Geoff Johns coloca nessa história. Os diálogos ainda não são aquela Brastemp e a introdução (finalmente) do último personagem do Os Outros, Volstok , mesmo muito interessante, não é suficiente para melhorar esse quadro.
Dessa vez foi o Arraia Negra quem teve menos ação no título, mas felizmente ele é parte integrante de todo o barato que tem sido esse arco, é claro que o roteirista busca não gastar sua presença na história, apesar de que ele é demais interessante para não ser usado com mais frequência.
Mais uma vez é o trabalho de Ivan Reis e seus amigos de fé brasileiros, responsáveis pela maioria das caracterizações dessa revista e do sucesso que ela é. A maior parte das emoções que sentimos ao ler a edição vem de seu lápis. A chegada de Volstok é feita com grande impacto e beleza, mas é a tumba do primeiro rei atlante que merece todos os louros esse mês. A última página da edição não deve nada a um painel de algum grande romance de fantasia e termina a revista com chave de ouro.

Portanto, a revista tem sim alguns problemas, mas eles todos podem ser perdoados pela atual caracterização do Aquaman, que há anos não recebia esse valor na editora, Johns claramente tem um plano para nosso herói e está sendo muito interessante acompanhar o desenvolvimento dele. Esse mês tivemos a calmaria antes da tempestade, mas podem se preparar para algo épico mês que vem, quando a revista completará um ano!


Wolverine and the X-men #14 Spoilers

Jason Aaron & Jorge Molina


Capa de Nick Bradshaw & Justin Ponsor
No passado eles eram o sonho de casal jovem do universo Marvel. Hoje, Kitty Pryde e Peter Rasputin estão em lados opostos no conflito entre seus atuais líderes: Ciclope e Wolverine, assim como das equipes de Vingadores e X-men. Enquanto a antiga “Lince Negra” tenta manter a Escola Jean Grey funcionando com a maioria de seu quadro de professores fora dali, lutando ao lado dos Cinco Fênix, Colossus – energizado por um quinto desse poder cósmico – vem transformando o mundo “para melhor”…
Mas para que o paraíso que ele vem construindo na Terra seja completo, ele precisa ganhar novamente o coração da jovem mutante. Sendo assim ele convida Kitty para um encontro romântico e apesar dos sentimentos que ela sentia pelo jovem Russo terem mudado, ela aceita. De qualquer forma dar “um role” por aí com um ex-namorado onipotente não é tão legal assim, principalmente quando esse poder vem de uma criatura que trás consigo loucura e corrupção, como a Fênix.
As coisas não acontecem como deveriam…
Bem, não para Kitty e Peter. Por um certo lado, essa foi uma das melhores histórias relacionadas com a saga Vingadores VS X-men (esse que vos escreve está doidinho para daqui a pouco não ter mais que se referir a ela), não apenas pela difícil reunião entre esses dois ex-amantes, encontro que varia do hilário para o horrível, mas também pelo conflito do veterano X-men, Homem de Gelo, ao ver o quanto sua colega de equipe, a Magia – irmã de Colossus – já se mostra completamente influenciada pelo poder da Fênix, fazendo com que o gelado mutante, enxergue que está do lado errado do conflito.
O melhor de tudo nessa edição: as infinitas tentativas da “diretora” Kitty em coordenar seu quadro de professores precário: Escalpo, Groxo, Doop, Warbird e o “professor substituto” Deathlok, para que lecionem matérias que eles visivelmente não estão qualificados para ensinar. E aqui vemos um pouco mais do desenvolvimento no roteiro do “affair” secreto e doentio de Groxo por Escalpo.

Kitty francamente se mostra profissional e madura ao se manter calma enquanto é rodeada por idiotas, alguns deles, idiotas com o poder de um deus. E sua coragem, ao enfrentar o desequilibrado Colossus é espetacular como sempre. O que mostra o porque dela ser uma das X-womans favoritas da maioria dos fãs da revista. Aqui, Peter está tão patético quanto poderoso, é a velha história do ex que não sabe lidar com a rejeição. Esperamos que após toda essa saga ele volte a cair em si e novamente seja o guerreiro com alma de artista que os leitores amam, apesar de que mesmo sem ter mais a influência da Força Fênix, o russo ainda estará sobre a influência do demônio Cittorak. Essa alma atormentada não teve muita paz desde que voltou a vida…
O momento de maior dramaticidade da edição acontece quando Peter demonstra um comportamento já visto antes por hospedeiros anteriores dessa força cósmica, o descontrole e prazer em ser mais uma Fênix Negra do que o velho Colossus. O que vai produzir ainda mais conflito no grande esquema das coisas.

O lápis e nanquim dessa revista foram feitos por Jorge Molina e Norman Lee. A arte do desenhista mexicano é bonita, nela Kitty Pryde é mostrada como uma delicada flor, mas sua alma de aço é evidenciada também, enquanto o lado sensível de Peter conflita o tempo todo com o descontrole da poderosa Força Fênix em seu semblante. O roteiro mais intenso de Aaron é valorizado por esses artistas, enquanto as partes divertidas de sua história não perdem o efeito de alegrar. Muitos inteligentes usos de diferentes ângulos na narrativa visual nos prendem ainda mais no roteiro, enquanto as cenas de batalhas, como a de Magia-Coisa-Homem de Gelo, são muito bem descritas. Para terminar, nada como ver todo o corpo docente da escola, mais “Krakoa Jr” em destaque, na tentativa de defender a escola, contra um enfurecido Colossus de Fogo!!! Quem depois disso não gostaria de dar um grande abraço na Ilha Viva?
Para realçar ainda mais essa edição, tivemos as cores de Morry Hollowell, que provavelmente vai ter uma grande carreira nessa editora, pois sua arte só ajudou a trazer mais vida com suas intrincadas matizes para essa revista esse mês.
Se você não acompanha a saga principal da editora que pretende revolucionar o universo Marvel pela milionésima vez esse ano, vale a pena pelo menos ler esse maravilhoso “tié-in”, que nada mais é que mais um conto de uma única edição, sobre relações humanas,, com suas falhas e acertos, camuflado.

