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As Aventuras da Liga da Justiça: Armadilha do Tempo!

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CAPA

Resenha da animação “As Aventuras da Liga da Justiça: Armadilha do Tempo” (JLA Adventures: Trapped in Time). Leia o resto deste post

Onze supergrupos muito amados pelos fãs de quadrinhos – PARTE 2

Arquivos do Cadmus

por Venerável Victor “tratador de macacos sociáveis” Vaughan

Img-de-Capasupergrupos2O que é melhor que um único super herói?… Hum…Que tal um grupo repleto deles? Ao longo dos anos a indústria dos quadrinhos apresentou aos seus leitores uma centena de equipes e suas próprias revistas no objetivo de promover mais ação e drama e dessa forma incrementar as vendas. Esses grupos podem ser compostos pelos maiores figurões das editoras ou exclusivamente de personagens classe “C”, mas todos têm em comum o objetivo de ganhar seu lugar ao sol. Qual desses onze felizardos escolhidos pelo Santuário é o seu preferido, caro devoto?

Primeira parte, aqui!

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Liga da Justiça # 0 – A NOVA história de SHAZAM!

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picasion.com_6fb6f84bca36d6e9fc8913b3bf47a02fContinuando a série de resenhas do título da Liga da Justiça, este número produzido por Geoff Johns (roteiro), Gary Frank e Ethan Van Silver (arte).

Por Rodrigo Garrit

Contém spoilers revelações de natureza mágica sobre a história. Leia o resto deste post

LIGA DA JUSTIÇA: TERCEIRA GUERRA MUNDIAL !!!

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480214_10201043641154895_345796170_nLIGA DA JUSTIÇA: 3º Guerra Mundial

De Grant Morrison – Roteiro / Howard Porter – Desenhos / John Dell – Arte Final

Do diário de guerra de Rodrigo Garrit. Contém spoilers registros históricos sobre o épico conflito. Leia o resto deste post

Liga da Justiça # 12 – No AMOR e na GUERRA!

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CAPAResenha de Liga da Justiça #12, de Geoff Johns (roteiro), Jim Lee, Ivan Reis, Joe Prado e David Finch (desenhos)

Contém spoilers revelações amorosas sobre a história

Por Rodrigo Garrit Leia o resto deste post

LIGA DA JUSTIÇA # 11 – E quem disse que quadrinhos não são coisa de menina?

0009_primeira-impressao555376_10200644109086843_282641892_nResenha de Liga da Justiça #11, de Geoff Johns (roteiro), Jim Lee (desenhos) com Scott Williams e Jonathan Glapion (arte-final).

Contém spoilers revelações além da vida sobre a história

Por Rodrigo Garrit Leia o resto deste post

AQUAMAN #16 – “É o Cetro de Poseidon no seu bolso ou você só está feliz em me ver?”

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por Venerável Victor “Tratador de macacos aquáticos” Vaughan

Img-de-Capaaqua16As águas do oceano Atlântico inundaram Gotham City, Metropolis e Boston. Tudo isso sendo parte dos planos criados por Aquaman e seu irmão, o Mestre dos Oceanos. A Liga da Justiça faz o que pode para resgatar sobreviventes da catástrofe.

AQUAMAN – criado por Paul Norris

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LIGA DA JUSTIÇA # 10 – Qual é o truque, Geoff Johns?

Resenha de Liga da Justiça 10, de Geoff Johns,  Jim Lee e Scott Williams (roteiro, desenhos e arte final de Liga da Justiça) e Geoff Johns e Gary Frank (roteiro e desenhos de Shazam).

Contém spoilers revelações sobre a história.

Agradecimentos especiais: Darkseid Club

Por Rodrigo Garrit Leia o resto deste post

Liga da Justiça # 9 – É hora de falar abertamente sobre esse reboot!

Resenha de Liga da Justiça 9, de Geoff Johns,  Jim Lee e Scott Williams (roteiro, desenhos e arte final de Liga da Justiça) Geoff Johns e Gary Frank (roteiro e desenhos de Shazam).

Contém spoilers revelações sobre a história. Leia o resto deste post

Liga da Justiça da América – O PREGO

Por Venerável Victor  “Tratador de macaco prego”  Vaughan

Alam Davis & Mark Farmer

Há muito tempo atrás na série “O que aconteceria se…” da Marvel discutia-se o tema de que se realmente um pequeno evento poderia mudar ou não toda a realidade de uma história. Era sabido que todo novo episódio desse famoso título começava com algo mundano acontecendo – como, por exemplo, Peter Parker pisar num pedaço de chiclete no Central Park – e sempre terminava em um final extraordinário – como, por exemplo, um buraco negro aparecendo no centro do planeta – na época não era algo popular o conceito de “Efeito Borboleta”, o que na verdade é o real mote por trás de toda a série. Costumava-se brincar com a ideia de que se por acaso Tony Stark se esquecesse de escovar os dentes uma bela manhã, esse dia terminaria de alguma forma com os Celestiais dividindo nosso mundo em dois e dando uma parte de comer como papinha para o Galactus. Claro que isso é um exagero – na maioria das histórias – pois mesmo os mais surreais episódios dessa série seguiam alguma linha racional de desenvolvimento. Alguns anos mais tarde, surgiu Alam Davis e mostrou aos fãs de quadrinhos como um simples prego pôde mudar todo o mundo.

Uma das coisas mais interessantes que a DC comics produziu nos últimos tempos e o que tristemente é algo que pertence ao passado agora era a série, batizada em português de: Túnel do Tempo (Elseworlds) que na verdade era uma grande desculpa para se produzir quadrinhos muito divertidos. Grandes e consagrados escritores tinham carta branca para mexer com os ícones da editora e fazer o que bem entendiam com o seu universo.

A série Túnel do Tempo apresentada aqui: “LJA o prego”, foi lançada em 1998 e é considerada após O Reino do Amanhã – Kingdom Come – como o melhor conto nesse estilo. Era um momento ainda de euforia do mercado de quadrinhos com títulos mutantes. Grant Morrison tinha reinventado a Liga da Justiça a sua imagem e fazia um grande sucesso com ela. Curiosamente a grande coincidência aqui é que após terminar seu trabalho duplo de roteirista e desenhista em “JLA O Prego”, Alan Davis assumiu a revista mensal dos X-men na Marvel também, exatamente como o escocês Morrison iria fazer anos mais tarde. No passado muitos fãs não gostavam do estilo de Davis, preferindo a arte de outro mestre que havia passado pela revista dos fabulosos mutantes, Adam Kubert, mas com o tempo muito desse preconceito foi extinto, com o artista adquirindo uma imensa base de fãs fiéis.

Nessa aventura, a Liga da Justiça ainda existe e possui muito do charme da fase clássica da equipe pré Crise nas Infinitas Terras do início da década de oitenta do século passado. Mas o mote desse “Túnel do Tempo” é que esse mundo é uma Terra sem o Super-Homem. A série é batizada a partir de um simples prego que na estrada fura o pneu da caminhonete de Jonathan Kent, momentos antes que a pequena nave de Krypton caia em alguma plantação perto de Smallville. Somos lembrados que essa deveria ser a viagem que o casal Kent encontraria o bebê alienígena, mas por um pequeno capricho do destino, isso nunca aconteceu.

A Liga da Justiça dessa realidade. Liderada pela Mulher Maravilha, é temida. Existe uma forte campanha anti meta-humana disseminada por Lex Luthor, o prefeito de Metrópolis, que nessa versão continua sendo o mesmo cafajeste e bilionário super inteligente. O editor do Planeta Diário, Perry White, é um completo idiota e Jimmy Olsen desempenha um papel muito maior do que alguma vez desempenhou em sua existência. Por alguma razão, a mídia sempre está presente no lugar e hora certa para capturar a cena perfeita de algum vilão sofrendo na mão de um vigilante uniformizado que abusa de seu poder. Assim sendo, Batman é flagrado em rede nacional matando o Coringa, o que por um lado parece ser um descontrole e uma inversão de valores. Mas na verdade o que as câmeras e microfones nunca captaram, foi que o palhaço do crime, instantes antes, tinha matado o Robin e a Batgirl após provocar um imenso caos no Asilo Arkham, fortalecido por uma misteriosa tecnologia kryptoniana…

Não seria uma atitude digna de um cavaleiro da nona arte, liberar muito dessa incrível história aqui, afinal o caro devoto que não leu essa aventura, deveria correr atrás desse prejuízo. Alam Davis definitivamente brinca em 150 páginas ou mais de sua obra com a mitologia dos queridos heróis DC e a grande maioria deles que vier a sua mente, pode ser vista aqui em um painel ou dois no mínimo. Quase como um tributo a alguma antiga “Crise” já publicada. Apesar de ter três edições, essa séria poderia contar facilmente com um quarto capítulo, afinal as revelações e desdobramentos da trama são solucionados em um ritmo muito acelerado nas páginas finais do ultimo capítulo. Um pequeno spoiler: ficamos sabendo que o pequeno Kal-El realmente cai na Terra, então não seria surpresa que ele eventualmente aparecesse em algum momento da trama, mas teria sido muito mais legal vê-lo possuir uma participação um pouco maior. Mas como é mencionado ao fim da edição, esse não é o final da história, mas o começo de uma nova aventura. Claro que anos mais tarde tivemos: JLA um outro prego.

É realmente apaixonante a forma como o senhor Davis desenha o Flash. Ele continua uma figura musculosa, porém esguia e elegante, o que é perfeitamente lógico que Barry Allen, por ser um velocista, não seja tão robusto e pesado como a maioria dos outros vigilantes.

O único desapontamento com a história seria a pouca relevância dos Novos Deuses de Jack Kirby no enredo. Esses personagens são mostrados rapidamente e uma grande guerra se inicia entre eles, provavelmente por consequência do que está acontecendo aqui no nosso planeta, mas o desenvolver desse conflito não é mais mostrado e o leitor fica o tempo todo se perguntando se de alguma forma Darkseid estaria envolvido com toda a confusão aqui na Terra, o que se revela sendo um raciocínio precipitado. Muito mais de Orion, Barda, Senhor Milagre e Cia poderiam ser trabalhados editando-se muito do espaço desperdiçado com passagens desnecessárias.

Algo muito característico e que funciona de forma fantástica é o que já se tornou uma marca registrada do trabalho de Alam Davis: quando um personagem está usando mascara com seus tradicionais “olhos brancos”, ele desenha as pupilas por detrás, de forma discreta, para que você tenha uma melhor ideia da emoção que aquela pessoa está sentindo. Muitos outros criadores passaram a fazer isso também, mas quando se trata da arte de Davis, pode-se ficar muito tempo preso em um único painel, admirando a sensibilidade e delicadeza de seu traço. Fora que esse conto é também fantástico se você buscar caracterizações fiéis de seus heróis temos o Caçador de Marte mostrado em sua rotina de assistir tudo o que pode na TV, o Eléktron mostrando toda sua inteligência e perícia ao invadir um laboratório de um vilão…

Um parágrafo de agradecimentos deve ser dedicado à Mark Farmer, o arte finalista dessa série e braço direito de Alam Davis em diversos trabalhos que comprovam um casamento artístico abençoado.

A Liga da Justiça é formada sem ter o Super-Homem como inspiração e coração da equipe, tudo isso por causa de um prego, não? Talvez. O senhor Davis poderia facilmente ter nomeado essa fantástica aventura assim: “Como o relógio biológico de Martha Kent quase arruinou todo o universo”. Porque foi realmente a senhora Kent quem quase pos tudo a perder. Sim, houve um prego que furou o pneu da velha caminhonete, mas Jonathan estava disposto a troca-lo rapidamente de modo que eles continuassem em tempo sua viagem para Metrópolis, provavelmente cruzando no caminho com o super humano mais importante da história do universo DC. Mas não! Martha queria ao invés de achar a criança das estrelas, fazer sua própria e tinha que ser naquela hora! É o que vovô sempre disse: morro fogo acima, água morro abaixo, mulher quando quer fazer neném, ninguém segura”.

ALGUNS MOMENTOS “VERGONHA ALHEIA” DOS QUADRINHOS DE SUPER HERÓIS

Por Venerável Victor  “sem vergonha nenhuma na cara”  Vaughan

Na época pareciam totalmente inofensivos…

Batman“Eu tenho novidades para você, Robin! Espera para ouvir o que o Gordon tem escondido na manga!”

Robin“Batman está fazendo o que pode para parecer feliz, mas eu sei que seu coração não está bem”

Na época em que essa história foi publicada era comum e não continha nenhuma outra conotação, que não fosse o significado de alegria, a palavra: gay. Hoje em dia, um texto como esse é um tremendo tiro no pé. Relaxem que o Homem Morcego ainda vai protagonizar a maioria dos momentos “gloriosos” dessa matéria.

Demolidor“Então porque você não veste algo mais aceitável ?Eu quero que minha gata seja a mais linda da festa!”

Viúva Negra“Seu porco chauvinista…”

Demolidor - “Eu te disse para mexer esse poposão, gatinha…”

Essa imagem há algum tempo vem sendo cult nos compartilhamentos das nas redes sociais, foi também a primeira que colecionei para um dia postar nessa matéria. Acho mesmo que um tapinha não dói e Matt Murdock tem uma vida muito sofrida, um passado ainda pior, é legal poder ver esses momentos de descontração de alguém tão sério. Agora, nessa arte a Viúva parece que esqueceu a bunda na Rússia e o cara ainda empurra o que sobrou mais pra dentro… assim fica difícil. Mas eu também ia.

Vilão do mau! (que quer fazer vilanias do mau)“Não apenas vocês estão perdidos! Assim estão também todos os que vocês conhecem!”

Elektron“Jean Loring…eu assinei a sentença de morte dela!”

Flash“Eu dei para Iris West o beijo da morte!”

Lanterna Verde“Carol Ferris , em perigo iminente!”

Batman“Robin…o que foi que eu fiz?”

O Batman não cansa de queimar o próprio filme? Que vergonha alheia . Ainda bem que um certo roteirista de nome Dennis O’Neil apareceu na vida desse cara…

Batman“Robin! Obruigado! Meus joelhos ainda estão me matando!”

hummm…depois todo mundo fica abismado da onde o infeliz do psiquiatra alemão Fredric Wertham tirou as idéias para escrever o livro: A sedução dos inocentes , não ficaria impressionado se depois de ler esses quadrinhos ele não escrevesse uma nova versão do Kama Sutra…

Legenda, Tia May“Alguma coisa deve ter sido derramada aqui… de dentro do quarto do Peter, isso está vazando por debaixo da porta. Se você me trouxer um esfregão eu posso…ó céus! No momento em que eu toquei isso, olhe o que aconteceu, eu fiquei toda grudada!”

A maldade está na mente de quem lê, ou mão do Peter Parker é cabeluda que nem uma aranha caranguejeira.

Seu posto de perfuração de petróleo está em chamas?

O Super-Homem pode salva-lo, por uma quantia módica, porém adiantada.

Legenda, Robin“Essa é a primeira vez que eu tive a oportunidade de catalogar esses troféus desde que você retornou. Nossa, Batman…lembra da sunga de couro? (também a palavra THONG pode ser traduzida como chinelo de dedo, ou “tira de couro”) Ela ainda tem as suas marcas de dentes nela.”

Bom…hum, me recuso a comentar isso, constrangedor.

Legenda, Mulher Maravilha - “Se as garotas querem ser submissas, não vejo mau nenhum nisso. O ruim para elas seria se submeter a um mestre ou uma senhora má como Paula! Uma boa senhora faria maravilhas por elas”

É sabido que o William Moulton Marston criou a heroína mais icônica dos quadrinhos baseado nas personalidades de sua mulher Elizabeth e sua amante Olive Byrne, com as quais vivia na mesma casa em uma relação publicamente polígama. Sua intenção era criar uma heroína forte, mas não deixando de ser o modelo de mulher que ele julgava  convencional: poderosa e totalmente liberal sexualmente…que que é isso, novinha!!!

Olha o Batman montando o tigre mutante ! O que que é isso morcego ??? Zoofilia, não pode!

Super-Homem“Porque você está comendo em pé, Lois?”

Lois Lane“Eu acho que assim é melhor para a digestão!…Eu não posso sentar tão cedo, depois do que aquele robô fez comigo!”

O que diabos a safadinha da Lois andou fazendo com esse robô??? Nessa época a infância de muitas crianças chegou ao fim no momento que essa revista foi lida.

Lanterna Verde - “Sem o meu anel energético, eu estou super indefeso…exceto da cintura para baixo”

O que esse babaca do Hal Jordam quis dizer com isso? Que apesar de ter perdido o anel de cima o de baixo ainda está funcionando?

Legenda: ” Eles mantiveram as mãos apertadas por um longo tempo…”

Vou postar uma carinha de meme para ilustrar esse momento. Depois vocês vão dizer que nós estamos andando muito com aquele povo do O Baile dos Enxutos, que eu sei…

Tadinho do Aranha , sempre levou no toba a vida toda, até de vilão meia boca. Isso é muita humilhação, mesmo para ele.

LIGA DA JUSTIÇA # 8 – Shazam e o prenúncio da tempestade!

Resenha de Liga da Justiça # 8, de Geoff Johns (roteiro), Carlos D´Anda, Ivan Reis e Joe Prado (desenhos).

Por Rodrigo Garrit

NO Spoilers. Leia o resto deste post

Liga da Justiça # 7 – O Retorno do Menino Velho!

Resenha de Liga da Justiça # 7, de Geoff Johns (roteiro) e Gene Ha (arte).

Por Rodrigo Garrit

Contém spoilers. Leia o resto deste post

LIGA DA JUSTIÇA: TERRA 2 – o dia em que o multiverso voltou

Por Venerável Victor  “Anti-tratador de macacos”  Vaughan

“O mal existe, mas nunca sem o bem, tal como a sombra existe, mas jamais sem luz.”
Alfred de Musset

JLA: Terra 2 é a edição especial de Grant Morrison e Frank Quitely que conta a história de uma anti Liga da Justiça conhecida como o Sindicato do Crime da América. Eles não são personagens novos no universo DC, tendo o grupo primeiro aparecido na Era de Prata dos quadrinhos (1956-1970).

Frank Quitely & Grant Morrison

O Sindicato vem da antiga Terra 3 onde tudo é o oposto da nossa própria Terra. Um Colombo americano descobriu a Europa, o bem é o mal, Chuck Norris é um grande merda que não sabe lutar, o guaraná Dolly tem os melhores comerciais e por aí vai…

Então em 1985 veio a  maxi série da DC comics conhecida como Crise nas Infinitas Terras, que seria a primeira grande iniciativa de reorganizar o universo da editora, tão confuso para novos leitores. Com isso as infinitas Terras paralelas foram descartadas e apagadas da cronologia – o que significa que “em teoria” o universo inteiro teve um novo início – e o multiverso teve o seu fim, com todos os personagens que habitavam as diversas versões paralelas do nosso planeta convivendo em uma única Terra. Portanto não existia mais uma Terra 3 para se usar? Ah! Mas isso nunca impediria Grant Morrison.

Primeira aparição do Sindicato do Crime nas páginas da LJA #29 & LJA: Earth 2 de 1999

Na nova ordem mundial – da editora – a dimensão paralela conhecida como Terra-3 existe no universo de anti-matéria onde você dificilmente por mais que reclame da sua vida aqui gostaria de viver. O coração das pessoas fica no lado direito do peito e Gothan City é dominada pelo chefão do crime, Gordon.

Através do espelho…

Quando o bom Alexander Luthor descobre nossa nossa Terra e escapa para a nossa realidade com o intuito de conseguir a ajuda da nossa Liga da Justiça para consertar o seu mundo, foi apenas questão de tempo para o Sindicato do Crime vir também. E todos acabam aprendendo a lição do quanto é melhor que cada um fique do seu lado da “cerca”.

O Sindicato do Crime é composto por: Ultraman (que precisa estar perto da sua anti-kryptonita para se manter poderoso), Super-Mulher (que nessa realidade é a Lois Lane); Homem-Coruja (o que aconteceria se Bruce Wayne culpasse seu pai – agora o comissário de polícia – pela morte de sua mãe?); Johnny Quick (que precisa se drogar para ter supervelocidade) e Anel de Poder (não exatamente o oposto, tão babaca quanto Hal Jordan).

A arte de Frank Quitely nunca foi a mais linda do mundo, os personagens costumam ser extremamente feios e todos tem a mesma cara, até mesmo a Mulher Maravilha (que deveria ter a beleza de Afrodite, não?), mas é apaixonante a quantidade de detalhes que ele adiciona em seus trabalhos. Basta dar uma olhada na Fortaleza de Ultraman para percebermos as piadas plantadas no cenário.

O tempo todo a história deixa clara a visão do autor sobre a mecânica humana, o mal se opondo ao bem e o fato de não se poder mudar a natureza de uma pessoa. A primeira “Crise” é homenageada com planetas colidindo e o Flash correndo até que seus pulmões comecem a queimar, Jimmy Olsen aparece sendo um viciado (uma homenagem clara ao arco de histórias do Arqueiro Verde descobrindo que seu parceiro mirim era usuário de heroína), algumas cenas clássicas de escatologia, que Morrison sempre arranja um jeito de inserir, também influencias visuais desde Star Trek até Watchmen, um pouco de sexo entre super heróis, abusando do fetiche em couro e sadomasoquismo entre o Homem–Coruja e a Super-Mulher, tudo aqui funciona como uma homenagem do autor aos clássicos  momentos da editora.

Uma coisa precisa ser valorizada acima de todas as outras na obra desse autor, nossos “justiceiros” são muito poderosos! Isso é uma das características mais importantes do trabalho de Grant Morrison a frente do título da Liga da Justiça, é inegável. Ele não poupa espaço para deixar claro o quanto os “Sete magníficos” são icônicos e deuses entre os demais mortais. O Lanterna Verde envolve a Lua com mãos verdes gigantes, o Flash se torna o maior detetive do mundo por poder pensar a uma velocidade de setenta mil quilômetros por hora, o Aquaman é forte e eficiente e o Caçador de Marte dele é uma criatura insuperável. JLA: Terra 2 já valeria o preço de capa só pela maneira como J’onn J’onzz derrota o arrogante Ultraman.

“Cacador de Marte - Isso não é um combate, você já estava derrotado no momento que decidiu me enfrentar.”  

No fim de tudo, a Liga da Justiça nunca poderia vencer na sua “Terra paralela” pelo simples fato de que o bem nunca triunfa lá, exatamente como o mal nunca triunfaria aqui e apenas fazendo as coisas de forma errada, do ponto de vista de caráter e moral, que eles teriam alguma chance de vitória. Mas não se preocupe, jovem devoto do Santuário, o escocês Morrison flertando sempre com a esperança, sua velha companheira de diversos outros memoráveis contos, nos deixa ao fim dessa história, a satisfação de saber que existe uma Gothan City, que é o exato oposto da do nosso mundo.


MULHER MARAVILHA & LIGA DA JUSTIÇA – A primeira criança de Themyscira e o último filho de Kripton

Por Venerável Victor  “Macaco Malhado”  Vaughan

“A Terra se apaixonou pelo céu. O primeiro ato de toda a criação foi um de completa, envolvente paixão. A Terra e o céu fizeram amor”

                                                                            Mulher Maravilha #139

Liga da Justiça : Um por todos

escrita e pintada por Christopher Moeller

Da série da DC comics “Elseworlds”, aqui batizada de “Túnel do Tempo”, com vocês uma das minhas favoritas descrições da Mulher Maravilha já feita nos quadrinhos. Essa é uma história da Liga Da Justiça mas Diana é o coração, a alma e a espinha desse conto (além, claro, de ser o personagem principal); e figura não apenas como heroína, mas principalmente em seu papel de amiga e princesa. Você aqui tem todos os temas que definem essa personagem ao longo de sua criação na década de quarenta pelo psicólogo, celebridade, escritor, inventor e poliamante Willian Moulton Marston: amor, busca pela paz, esperança e amizade, até mesmo no momento que a história aborda traição, isolamento, orgulho, medo e morte.

O milenar oráculo de Delphos profetiza nada menos que a morte da Liga da Justiça quando uma antiga semente maligna do mundo, a última Rainha-dragão aprisionada há séculos numa montanha da Europa, desperta e espalha caos e destruição pelo planeta. A profecia conta que os heróis mais poderosos da Terra irão enfrentá-la e morrerão todos. Para impedir a morte de seus amigos, Diana decide enfrentar a criatura sozinha.

Moeller estabelece para os leitores quem Diana é como pessoa. O escritor nos mostra a  relação da amazona com seus aliados e como ela se enxerga. Ela tem o respeito e a confiança de seus amigos e ama seu lar. Ela é uma princesa e uma heroína que muitas vezes sente todo o peso do mundo em suas costas, mas ainda possui uma alma leve, solidária, gentil, otimista e alegre.

Um dos mais belos e icônicos painéis dessa revista é quando Diana envolve a si própria em seu laço mágico da verdade e encara frente a frente seu “eu” interior. Ela não se dá ao luxo de mentir para si própria. Pois precisa lidar com a verdade e seus maiores temores se deseja seguir o caminho da guerreira da paz ao invés da que provoca a guerra.

Diana usa sua inteligência e treinamento para individualmente derrotar ou imobilizar cada um dos integrantes da Liga da Justiça e assim tirá-los do caminho, com isso podendo enfrentar a dragonesa Drakul Karfang, sozinha. Ela acredita que a Liga da Justiça é um ideal que pode ser representado por um único integrante. Dessa forma ela pode desafiar essa profecia e livrar seus amigos de uma morte certa.

A maneira como a Mulher Maravilha derrota cada um dos integrantes de sua equipe é genial e mesmo após imobilizá-los se sentindo mal por tê-los traídos, ela faz isso com habilidade e determinação. Mas é seu confronto com o Super-Homem o momento de maior dificuldade e dor para ela.

Moeller nos deixa claro que a Mulher Maravilha e o Super-Homem tem um tipo de relação diferente do que Diana tem com os outros integrantes da Liga. É claro que ali existe um profundo entendimento por parte um do outro, além de respeito e carinho incondicionais. Isso é visto na forma como a batalha entre eles começa e termina. O que pode ser contrastado na forma como Batman brinca com a herança guerreira de Diana e demonstra o tempo todo desconfiança da colega, ele percebe que a amazona está escondendo alguma coisa, mas tenta retirar a informação, provocando Diana para que ela cometa um deslize e se abra. Enquanto Clark, sabe que algo está errado no momento que ela o ataca, mas apenas se preocupa em saber o porque que ela está sofrendo e quer a todo custo ajudá-la. Ele em nenhum momento faz pouco caso dela ou a julga levianamente. E no final, faz o que ela sabia que iria fazer. Diana o conhece muito bem, também.

Drakul Karfang tem uma tonelada de personalidades, além de ser arrogante e cruel  - sua linguagem corporal foi inspirada na cadela do autor – e toda a arte de Moeller é de uma beleza singular, existe uma verdade nas expressões faciais da criatura, o que não é fácil de mostrar nesse tipo de antagonista.

Psicologicamente Diana foi retratada de forma perfeita: ela é inteligente, sensível e poderosa; pintada como o reflexo da perfeição e pureza. Apesar de que em vários momentos ela nos prova que não é tão perfeita e pura como o mundo a vê. Sua alma de guerreira é sua parte pragmática e ela fará o que tiver que fazer, mesmo que isso signifique sacrificar o que de mais sagrado ela tem nessa vida: a confiança de seus amigos.

Sem precisar estragar as surpresas da batalha final dessa linda história,  Diana derrota o dragão, colocando na linha de fogo sua própria vida e dessa forma cumprindo a profecia. Mas talvez o destino caprichoso não contasse com o fato de que a heroína que derrotou a semente do caos fosse alguém com os poderes de uma semi-deusa. E a morte não consegue colocar suas garras em nossa maravilhosa guerreira. A expressão do Super-Homem fala por si só, nesse painel onde ele implora para que Diana continue lutando, dessa vez para vencer esse novo inimigo.

Os dois próximos painéis são apenas a ponta do iceberg do quanto esses dois personagens, Clark e Diana, significam um para o outro. Os outros parecem esvanecer no fundo da imagem, enquanto o kriptoniano confronta a amazona sobre sua traição.

Ao fim do conto a dupla entende que, mesmo agir de formas muito na defesa do mundo, todos valorizam as mesmas coisas: amor, família, amizade… o que faze a vida valer a pena.

Não posso deixar de citar um dos grandes baratos dessa história, as ninfas Althea e Zoé, além do impagável gnomo Elmen. Não seria nada mal ter esses três mais uma vez serem explorados no mito da Mulher Maravilha no futuro.

“Super-Homem – Você percebeu o quanto perto de morrer você esteve? Sozinha? Você imagina o que isso resultaria para a Liga, para mim?”

“Mulher Maravilha – E se você estivesse em meu lugar? O que você teria feito? Kal…Clark…Superman…me responda!”

“Eu teria morrido lutando ao seu lado, Diana.”

Eu tiro meu boné para Christopher Moeller! Por que a DC não investe num artista como ele para nos brindar com mais histórias apaixonantes, com a amazona mais poderosa e amada do mundo?

Christopher Moeller vem trabalhando como pintor e roteirista na indústria de quadrinhos desde 1990; em 1996 foi o criador da revista mensal do universo Star Wars: “Battle of the Bounty Hunters” na editora Dark Horse. Além de seu trabalho para a nona arte, é responsável por inúmeros posteres, álbuns de arte, cartões de personagens e conceitos visuais para diversos filmes. Para quem quiser ver muito mais de sua virtuosa arte, clique aqui.

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