Liga da Justiça # 9 – É hora de falar abertamente sobre esse reboot!

Resenha de Liga da Justiça 9, de Geoff Johns,  Jim Lee e Scott Williams (roteiro, desenhos e arte final de Liga da Justiça) Geoff Johns e Gary Frank (roteiro e desenhos de Shazam).

Contém spoilers revelações sobre a história. Continuar lendo

Filosofando sobre a natureza das mudanças: Lavoisier e Paracelsus nos ajudam a (não) entender o nUDC

Por Rodrigo “Perguntador Chato” Broilo

Todos nós sabemos que as coisas mudam. Que elas trocam de lugar. Às vezes o filme é o mesmo, só muda o elenco.

Nós mudamos. Gostávamos de certas coisas na infância que hoje não suportamos. E coisas que amávamos, hoje mal toleramos. Tudo muda. Veja como estão os gostos das pessoas hoje em dia. Não gostam mais tanto de TV, embora assistam BBB. Tem mais amor aos animais e procuram ser vegetarianos. São mais amorosos com as pessoas ditas “diferentes”, enquanto outras espancam gays. É a nossa linda sociedade de contrastes. Como diria Machado de Assis em “A Igreja do Diabo”, que já usei como referencia anteriormente aqui, somos agora “colchas de algodão, com rendas de seda”.

Lá foi se el...

Mas são ciclos, às vezes gostamos, às vezes odiamos. É assim com a música, com a moda, com tantas coisas. Lavoisier, conhecido como um dos pais da Química moderna, disse “na natureza nada se cria, nada se destrói, tudo se transforma”. Na internet, “nada se cria, tudo se copia… e cola”.

É diferente nos nossos amados quadrinhos de super-heróis? Não, as idéias são as mesmas, só são recontadas de diferentes maneiras, com diferentes pessoas. E nem quero abordar aqui o fato de que as principais editoras americanas têm sempre heróis equivalentes: o herói messiânico e invulnerável; a guerreira poderosa, destemida e gostosa; o detetive; o Golem; o herói com poderes de Mercúrio; o telepata; o que devia ser mau, mas é bom; o bad boy; entre outros. Às vezes esses heróis se repetem dentro das próprias editoras. Olhe a DC com seus trocentos velocistas, e dezenas de detetives super-sagazes. Nada se cria tudo se copia. Quantas histórias de “plágio” já não ouvimos falar nos quadrinhos? Mas esse não é meu ponto.

Meu ponto é “… tudo se transforma”. Por vezes, você pode contar uma mesma história de diferentes jeitos. Ou pode pegar as mesmas pessoas para contar histórias que não fazem parte da sua realidade. A DC fez isso com os “Elseworlds” (que mais tarde foram incorporados ao Multiverso e hoje te mandaram um abraço), e a Marvel fez isso com “What if…?”. Eles contavam histórias que não iam interferir na cronologia oficial, mas que podiam ser contadas e agradar o povo. “Nada se cria, tudo se transforma”.

Também acontece de o povo recontar toda uma história, como os ret-cons, ou como os universos zerados, ou voltas no tempo, ou realidades alternativas, ou universos Ultimate, ou como a DC teve a audácia de fazer recentemente, um reboot. Não, não! Como eles chamaram mesmo? Relaunch!

Camaradas da HIDRA, já se passaram 6 meses. Uns resmungaram, outros disseram “humm, vamos ver onde vai dar!” e outros profetizaram “pfff, não vai durar nem um ano”. Pois bem amigos, metade do tempo já passou. E o que houve?

“Tudo se transforma.” Na verdade nem tudo. A mitologia por trás de “Green Lantern: New Guardians” quase não foi afetada. É um título que caberia em qualquer universo. Mas sim, outros foram mudados. Como Superman, Batman, os Novos Titãs.

“Nada se cria.” Na verdade, foram criados alguns novos personagens, alguns novos conceitos como o Verde, para flora, e o Vermelho, para Fauna, o que vai justificar a mudança de cor de Mutano, por exemplo.

Mas o importante aqui é analisar tudo à luz de outro grande químico do passado. Químico, Médico, Filósofo, prepotente e arrogante, Paracelsus nos trouxe uma pérola sobre a dualidade da natureza: “Tudo é veneno, e tudo é remédio. A diferença está na dose”. Tudo que é demais faz mal. Toda mãe e avó sempre nos disseram isso. Funciona para cerveja, amigos, namoro, sexo, trabalho, estudos, mania de limpeza, horas na internet e, claro, quadrinhos.

Pára Celso!

Não me entendam mal, a dose letal para HQs é beeeeeeeeeeeeem alta, e os sintomas são vistos bem antes que se torne mortal. Mas me refiro aqui à natureza das mudanças. Quantas foram “demais”? Quantas, ao invés de remédio, se tornaram venenos? Digo, alguns personagens mudaram aqui e ali, ou nem mudaram, só apareceram, como a Batwoman. Mas outros causaram surtos como os Novos Titãs, por exemplo. Foram uniformes, origens, cores de pele, grupos novos. Onde devia ter parado ou até onde deve ir?

Por exemplo, Monstro do Pântano e Homem Animal estão nos introduzindo os conceitos, muito interessantes na minha humilde opinião, do Verde e do Vermelho, respectivamente. Mas precisavam usar a abusar da pequena Maxine assim?

Perguntamos-nos, sobre muitos aspectos: Precisava? Precisava o Superman matar? A Donna deixar de existir (essa aqui é só pra render comentários. Faça sua parte!)? Precisavam ter viajado tanto em Stormwatch? Precisava Liefild existir nesse novo universo? Precisava de 52 títulos, com tantos dispensáveis, e outros tantos necessários, como Sociedade da Justiça, por exemplo, ficando de fora? Precisava eu ter levantado toda essa discussão, já que o futuro do UDC não está em nossas mãos, e a nossa opinião não vale um “honolável” pouquinho?

Ora meus amigos, a essa altura do programa, com Pedro Bial chamando qualquer um de herói, vocês deviam saber que eu não vim para trazer a paz a esses corações nérdicos, e sim uma filoso-fúria interior que faz questionar: o que, porque, para que, quem, como, quando e onde.

Aproveitem que o carnaval acabou, a ressaca está passando (a alcoólica e a moral) e, além de fazerem os testes básicos para quem não usou proteção durante o “pon-farr”, pensem nisso. As coisas mudam. Tudo muda. Tudo passa (até a uva). Mas quando as mudanças são remédios e quando são venenos?

NOVA LIGA DA JUSTIÇA + JACK KIRBY + DC RELAUNCH = BOA E VELHA DIVERSÃO!!!

Ou: “Não é assassinato quando você está salvando o mundo”.

Por Henry Garrit

Comemorando os três meses de existência do Santuário, hoje teremos uma resenha tripla de Liga da Justiça #1, #2 e #3, na qual lançaremos um olhar tão minucioso quanto descompromissado naquela que é a pedra fundamental da nova estrutura da DC Comics Pós-Relaunch.

Esse artigo contém spoilers. Caso não queira saber o que vai acontecer, pegue o próximo tubo de explosão e visite nossa Sexta Maldita ou qualquer outro aposento deste humilde Santuário.

Aqui começa a base na qual se reinicia todo Universo DC. Esta é a Liga da justiça, a maior equipe de super-heróis de todos os tempos. Mas por enquanto, para o mundo eles não passam de estranhos com superpoderes. A história começa cinco anos no passado, e é quando se dá início a Era Heroica da DC. Esses são os primeiros encontros, as primeiras batalhas, as primeiras aparições. Ninguém sabe o que esperar deles, nem eles próprios. Vemos os personagens ainda dando seus primeiros passos, um pouco mais imaturos e inseguros, cometendo erros primários de julgamento e ao mesmo tempo mergulhando de cabeça na adrenalina dos acontecimentos.

“O mundo nos teme”.

“Você diz isso como se fosse uma coisa boa”.

“É necessário”.

Batman e Lanterna verde

Os novos deuses de Jack Kirby inauguram a nova era de guerras espaciais na DC Comics Pós -Relaunch. São as forças de Apokolips e seu soberano Darkseid que atacam a Terra, forçando uma aliança involuntária entre alguns recentemente intitulados super-heróis. Eles mal se conhecem, e na verdade eles nem têm certeza se querem se conhecer. Mas no meio do vendaval causado pela invasão, acabam colocando-se todos na mesma arena.

“Dark Side? O que é isso? Uma banda?”

Lanterna Verde

Batman futucando a caixa do mal...

A Terra está sendo invadida por criaturas misteriosas que atacam diversos pontos ao mesmo tempo, espalhando caixas de tecnologia estranha em diversos lugares diferentes, esses cubos explosivos plantados em vários pontos da cidade, desencadeiam terríveis tubos de explosões e abrem caminho para o exército de Darkseid na Terra. Seus objetivos ainda são incertos, mas suas intenções hostis ficam óbvias. 

 “Barry, você está expondo sua identidade”!

“E você acabou de me chamar de ‘Barry’, gênio”.

Lanterna Verde e Flash

Em meios as batalhas contra os demônios de Apokolips, o caminho de alguns heróis vai se cruzando, como foi o caso de Batman e Lanterna Verde (Hal Jordan). Depois eles decidem procurar o Superman em Metropolis, já que houve boatos de que ele era um extraterrestre, então talvez fosse uma boa ideia perguntar para ele se sabe de algo, ou se talvez ele seja o responsável por toda a bagunça. Mas não foi uma boa ideia. O tempo fecha entre eles,  e até explicar que fucinho de porco não é tomada, temos mais um clássico “heróis-lutam-e-depois-se-unem-contra-ameaça-em-comum”. O Lanterna demonstra conhecer o Flash, já tendo trabalhado com ele no passado e inclusive o chamando por seu verdadeiro nome.

“Ele me bateu de verdade. Ai”.

Flash

Novos uniformes para uma nova geração...

A Caixa nada Materna...

Batman como sempre é o personagem soturno e o único que realmente parece seguro de si. Pelo menos no time dos meninos, porque Diana está radiante, está em casa. Hal Jordan encontra-se no auge da sua inexperiência, contando vantagem e sendo muito dependente do anel. O Superman surpreendeu pela sua ferocidade ao atacar os demônios de Darkseid, arremessando carros e postes contra eles, mutilando e matando muitos. Algumas pessoas podem ficar escandalizados com a violência excessiva empregada por ele, mas eu não me surpreendi. Eu não vejo como ele pode ficar menos heroico só porque não pegou os demônios no colinho e ofereceu um leitinho com pera. Ele ainda é o Superman, porque ele pode fazer todas essas coisas… mas escolheu fazer o bem, ajudar as pessoas em vez de se voltar contra a humanidade. Não é assassinato quando você está salvando o mundo.

“Alguém anotou o número daquele trem? Aquilo estava vestindo uma capa”!

Lanterna Verde

Além do mais, as pessoas no caminho das criaturas são mortas como moscas, sem dó nem piedade, embora pareça que estão mais preocupadas em sequestrar espécimes humanos do que matar. Uma das vítimas da onda de ataques é Victor Stone, que tem seu corpo atingido por uma descarga de energia que o deixa à beira da morte. Porém, seu pai, o cientista Silas Stone, um estudioso dessa nova leva de superseres que assolam o planeta, decide não desistir de Victor e o remove para um laboratório restrito do Star, onde usa a tecnologia que reuniu em suas pesquisas para manter o jovem vivo, embora boa parte de seu corpo tenha sido severamente comprometido. É basicamente a essência da origem clássica do Ciborgue, que atacado por seres de outra dimensão tem parte de seu corpo reconstruído pelo gênio científico que é seu pai. A principal mudança fica por conta de que nesse relaunch, os seres alienígenas que causam seus ferimentos são de Apokolips e ele parece desenvolver uma espécie de ligação telepática com Darkseid, tendo visões do mesmo em seu planeta natal. Um personagem riquíssimo que merece estar no panteão da Liga da Justiça há tempos, desde que ensaiou sua entrada na equipe no clássico desenho animado “Superamigos”, mas claro sem nunca esquecer sua marcante participação nos Novos Titãs. (Que continua valendo na nova cronologia).

“Eu já vi a mãe dele morrer. Me recuso a vê-lo morrer também”!

Silas Stone

A Mulher Maravilha é uma atração à parte. Diana parece ter acabado de chegar ao mundo do Patriarcado, e tudo é uma grande novidade pra ela. Ela nunca assistiu televisão nem comeu sorvete; é a guerreira amazona em seu estado bruto, pronta para se juntar aos outros guerreiros e morrer lutando se for preciso. Com um sorriso no rosto.

“Alguém viu uma Hárpia”?

Mulher Maravilha

Jim Lee homenageia Jonh Byrne, que desenhou a primeira aparição de Diana na série "Lendas", na cronologia pós Crise nas Infinitas Terras.

Mas é claro que o rei dos mares e personagem extremamente bem sucedido do relaunch, Aquaman, não poderia ficar de fora. Ele surge de forma imponente. Ele é o novo maior herói de todos os tempos da última semana. Mas pretende ficar nesse posto por muito tempo. Ele aparece logo depois que um enorme aerolito monolito se ergue do mar, fruto das maquinações de Darkseid. Aquaman não gosta nada dessa situação e vem tirar satisfações com o povo da superfície.

“Quem está no comando aqui? Eu voto em mim”.

Aquaman

Verdade seja dita, as três edições trazem histórias bem simples, então não espere mesmo um roteiro super elaborado, mas a revista é ágil e divertida, não requer nenhum esforço para compreensão nem carece de pesquisa externa para ser entendida. Não é uma obra prima literária em quadrinhos, mas é um gibi de super heróis muito bem feito, com diálogos afiados de Geoff Jonhs e os competentes desenhos de Jim Lee, que amem ou odeiem, nasceu para fazer isso.

“Quais são seus poderes afinal? Você não pode voar”.

“Não”.

“Super força”?

“Não”.

“Espera um segundo… você não é só um cara numa fantasia de morcego é? VOCÊ TÁ DE BRINCADEIRA COMIGO”?!

Lanterna Verde e Batman

Até o fechamento desse artigo, Liga da Justiça estava indo para quinta reimpressão…  uma façanha que há anos não acontecia com um gibi da DC Comics.  Com toda essa visibilidade e oportunidade, torço para que a QUALIDADE dos materiais apresentados não caia, e que os quadrinhos saiam desse perigo de quase extinção pelo qual passaram e voltem com força total, conquistando também as novas gerações.

Os ventos da mudança são bem vindos quando levam embora os erros do passado e proporcionam novos recomeços.

Homem Animal # 1 – Evolua ou Morra.

Por Rodrigo Henry  Garrit

Este artigo contém spoilers

Destrinchando a primeira edição de Homem Animal no novo Universo DC pós reboot, escrito por Jeff Lemire e desenhado por Travel Foreman.

A primeira edição das novas aventuras de Buddy Baker, o “Homem com poderes animais” não decepciona. Ele está no contexto em que mais funciona: um pai de família que sabe que não é o Superman, mas usa seus poderes para fazer o que é certo. Exatamente o contexto usado pelo escritor escocês Grant Morrison, quando assumiu a revista do personagem nos anos 90. Na época, era considerado um personagem fracassado, de quinta categoria, mas os roteiros inteligentes e a temática adulta surpreenderam e fizeram com que ele se tornasse uma das publicações mais cults da editora.  Podemos ver que sua esposa Ellen e seus filhos Cliff e Maxine continuam os mesmos, respeitando as características de personalidade das versões anteriores. Alías, a caracterização dos personagens é um ponto fortíssimo, e fica nítido que Jeff Lemire respeita os parâmetros deixados por Morrison no título. Seus poderes, por sinal, são explorados de forma fantástica nessa edição, unindo todas as boas idéias que surgiram mesmo após a saída de Morrison do título, que devido a seu teor adulto, chegou a ser publicado no selo Vertigo. Foi nessa época que o campo morfogenético do qual Buddy extrai seus poderes foi melhor explorado, fazendo um paralelo com outro importante personagem da Vertigo, o Monstro do Pântano. Segundo a diretriz criada por Alan Moore, o Monstro do Pântano que é um elemental da Terra, pode expandir sua consciência por uma linha invisível que une toda a flora do planeta, conhecida como “O Verde”. Assim, se seu corpo for destruído, ele pode lançar sua essência para qualquer outra planta, e “reflorescer”. Da mesma forma, o Homem Animal também pode lançar sua consciência por outro ramo dessa “teia da vida”, mas que o liga com toda a fauna do planeta – é a linha conhecida como “O Vermelho”, e de onde, em menor nível, ele simplesmente absorve as habilidades dos animais.

Nesta edição, vemos o novo status de Buddy. Agora, ele é um ator de cinema, embora não esteja trabalhando numa grandiosa produção hollywoodiana. A revista começa com uma entrevista dele, o que esclarece muito de sua atual situação. Ele admite que se tornou muito mais um porta voz do ativismo na luta pelos direitos dos animais do que um super-herói, mas embora não use o uniforme com a mesma frequencia de antes, ainda não pendurou as chuteiras e vez por outra atende algum chamado de emergência, para a alegria de seu filho Cliff. O garoto é quem lhe passa a notícia de um homem armado fazendo vários reféns num hospital, especificamente na ala infantil destinada aos pacientes em tratamento de câncer. Prontamente Buddy decide ir até lá, com um uniforme vagamente parecido com o que costumava usar antes, o que o deixa com um visual bacana, exceto pela “máscara/capuz”, que além de feia, não parece ter nenhuma utilidade, já que não traz os antigos óculos de proteção e nem esconde seu rosto. Em determinado momento, ele puxa esse capuz para falar cara a cara com o sequestrador, mas como o seu rosto já estava exposto, o ato não me parece ter tido muito impacto nem sentido.

Certo, esse foi o ponto fraco da história, e foi um ponto bem perdoável. Depois disso tudo flui perfeitamente bem, tornando a leitura agradável e instigante. Alguma coisa parece estar errada com os poderes dele, alguns efeitos colaterais acontecem, e Maxine de alguma forma está envolvida. Em sonho (ou não?) Buddy vê três misteriosas criaturas habitando o campo morfogenético. Eles se denominam como “Os Podres do Vermelho”, e têm uma aparência demoniaca, com partes de seus corpos em estado de decomposição.

Ao acordar, Buddy vai até sua filha Maxine, que está no quintal, assustada. Em volta dela, vemos vários animais mortos, dilacerados. Essa HQ promete muito, e mesmo sendo suspeito para falar, digo que me surpreendi com a qualidade do texto e dos desenhos. Tem tudo para ser um dos melhores títulos dessa nova leva pós reboot. Recomendadíssimo.

Nota: 9.5

Leia a resenha de Homem Animal # 2 clicando aqui.

Que tal aproveitar a deixa para descobrir o que você pode fazer em prol dos animais? Saiba como visitando o site da Suipa e faça a sua parte!

Resenhado: Stormwatch #1

Por Rodrigo “One” Broilo

Começou!

Hoje foi lançado o primeiro numero de um dos novos 52 títulos do Novo Universo DC: o prometido Stormwatch!

E a edição começa no… ops, peraí… esqueci de ligar o alerta de fofoca…

ESTE ARTIGO CONTEM SPOILERS. OU SEJA, TEM UM NERD BABACA QUERENDO ESTRAGAR SUA SURPRESA!

Ok… Tudo certo… Prossigamos…

A edição começa nos mostrando o QG do Stormwatch, The Eye of The Storm, ou em bom Paninês “Olho do Furacão”, localizado no hiperespaço, e lá encontram-se os vigilantes a Engenheira, a pequena Jenny Quantum e Adam One (O Adão Um). Os três estão acompanhando as duas missões de Stormwatch em andamento: a missão na lua de Harry Tunner, o Eminência das Espadas, e a missão em Moscou do Caçador de Marte, a Projecionista e Jack Hawksmoor, que tentam encontrar convencer Apolo a se juntar a eles, mas encontram a resistência do mesmo; ao mesmo tempo que monitoram um estranho objeto no Himalaia. Até esse ponto os diálogos são muito “apresentativos” como é de se esperar em uma edição inicial onde novos leitores podem não conhecer todos os personagens.

Durante o encontro com Apolo ficamos sabendo um pouco dos poderes de cada um dos heróis: Jack consegue se comunicar com as cidades e manipular seus objetos, inclusive alterando sua direção, colocando-a “deitada”; Caçador de Marte continua com seus poderes telepáticos e sua habilidade de assumir diferentes formas; a Projecionista é a que parece ter, a principio, os poderes mais irrisórios, já que ela consegue acessar mídias e alterá-las com sua mente, poderes esses que ela revela não serem muito apreciados pela Engenheira, cujos poderes não foram muito revelados sobre sua pele metálica, mas aparenta ter uma espécie de contato com a estação espacial e assim consegue se comunicar com os membros da equipe.

Enquanto o trio perde Apolo, vemos Harry enfrentando… er… a Lua. Aparentemente, a lua está ganhando vida e atacando Harry, até que ele cai em uma caverna e perde seu contato com a nave. Dentro da caverna uma entidade em forma de um gigantesco olho revela ser uma força capaz de dar vida a matéria e acessa, através de um de seus tentáculos, a mente de Harry. Então descobrimos que o Stormwatch existe desde os início dos tempos, ao vermos diferentes equipes que já utilizaram esse nome. E vemos também uma sala com pessoas cujos rostos não aparecem que provavelmente são quem está por trás dessa equipe. A entidade então decide usar Harry como hospedeiro…

Enquanto isso, Adam e Jenny vão até o Himalaia localizar o objeto, um gigante chifre cheio de espinhos. Adam revela que está no mundo a séculos, e Jenny Quantum mostra um pouco dos seus poderes ao teleportar o enorme chifre.

De volta a Moscou, o trio volta a encontrar Apolo, e dessa vez Jonn tenta convencê-lo. Apolo então revela que o Caçador de Marte, fez ou faz, parte da Liga da Justiça. Jonn tenta convence-lo de como o trabalho dele pode ser maior se juntar-se a eles, quando os três são atacados… por Meia Noite, que convida Apolo a se juntar ele. E assim termina a parte um do arco The Dark Side, que nos apresentou a esse novo Stormwatch.

A edição tem um ritmo lento, até por que ela tem muito dessa intenção de nos apresentar os personagens. Porém o andamento das ações de Harry na Lua, de Jack, Jonn e a Projecionista  tentando convencer Apolo, com a interferência de Meia Noite, e a missão de Adam e Jenny com o misterioso chifre prometem render mais nos próximos meses.

NOTA: 8.

OS.: A misteriosa Observadora  da saga Flashpoint também apareceu nessa edição. Quer saber mais sobre ela?

“Stormwatch” e “Green Lantern: New Guardians”: nós prevemos…

 

Por Rodrigo “Lanterna da Tempestade” Broilo

Até poucos dias atrás o Novo Universo DC batia a nossa porta. Agora não! Ele já entrou, se jogou no sofá e tá querendo saber se tem cerveja pra beber. Último dia 31/08 ele começou pra valer com o primeiro numero da nova Liga da Justiça.

São prometidos 52 títulos mensais. Alguns são velhos conhecidos, outros são velhas promessas, alguns novidades inesperadas, e outros cheiram a desastre. De todos os títulos, os que me chamaram realmente a atenção foram apenas dois: Stormwatch e Green Lantern: New Guardians.

Stormwatch me chamou atenção não só por misturar personagens de Wildstorm com os do UDC, mas por ter uma cara mais Vertigo. (Essa é a deixa pra um “Bwahahahahaha”). Além de ter no elenco o Caçador de Marte, que é normalmente um personagem mais sério e phodástico, e os sempre casados Apolo e Meia Noite, o título tem um ar adulto, que me lembra mais Vertigo que Wildstorm, de onde esses dois últimos são. Mas no fim das contas, ele é um título do nUDC. (Fui claro?)

Stormwatch, que será escrito por Paul Cornell e desenhado por Miguel Sepúlveda, é um grupo sancionado pela ONU que surgiu antes dessa leva de super-heróis, e que os consideram “amadores incompetentes”. Segundo Sepúlveda disse em entrevistas sobre o título, Stormwatch é “muito provavelmente o maior segredo do universo DC”,  uma espécie de pedra fundamental, diz.

Já Cornell diz que foi fácil colocar Storwatch dentro do UDC, pois ele sempre esteve lá. Segundo ele, eles estão envolvidos em tudo o que ocorreu no universo DC.

Sobre os personagens, ele ressalta a apresentação ao mundo de Adam One, que “envelhece ao contrário desde o Big Bang, um mestre tático que esquece coisas e não é muito bom em convencer os outros de que sabe o que está fazendo”.

Já Meia Noite e Apolo se encontrarão pela primeira vez nessa nova série, mas continuaram sendo um casal gay. Cornell promete não mudar muito da essência dos heróis já existentes. E o Caçador de Marte, além de ter a missão de trazer Apolo e Meia-Noite para o grupo, vai ficar meio em cima do muro com relação aos “novos” heróis que surgiram nesse novo mundo.

Stormwatch fará parte Edge, e por isso terá um teor mais adulto e conspiratório.Além de Caçador de Marte, Apolo, Meia Noite e Adam One, o título trará ainda Jack Hawksmoor,  Jenny Quantum, Engineer,  Projecionista e Eminence of Blades.

Quando ouvi falar de como seria a série, inicialmente me veio a cabeça o Chequemate, depois surgiu, do nada, a clássica pergunta “Quem vigia os vigilantes?”. É esperar até quarta-feira pra ver, pois o título é um dos que estreia essa semana.

Já para acompanharmos New Guardians, título da mitologia dos Lanternas Verdes, vamos esperar um pouquinho mais, pois ele está prometido para o dia 28.

A ideia de New Guardians já é promessa velha e está pra ser lançado desde a noite mais densa. O sucesso que a tropa dos Lanternas Resta… ops… Coloridos fez durante a série, entre alguns fãs menos ortodoxos, garantiu que essa série chegaria a nós mais cedo ou mais tarde.

Há, porém, claras diferenças entre essa Tropa e a que lutou na Noite Mais Densa. Durante a referida super-saga (mega é exagero), alguns dos principais representantes de cada Tropa formavam os Power Rangers da DC, entre eles Hal, Saint Walker, Atrocitus, Larfleeze, Sinestro, Carol e Índigo-I. Claro que tivemos também a Tropa B, com Mulher Maravilha como Safira Estrela, Barry “Flash” Allen como Lanterna Azul, Lex como Agente Laranja, Mera como Lanterna Vermelha, Espantalho como um Lanterna Sinestro, Elektron representando a Tribo Índigo e mais uma vez Hal, como ele mesmo.

Neste novo título, escrito por Tony Bedard e desenhado por Tyler Kirkham e Batt, teremos Kyle Rayner como o Lanterna Verde líder dessa multicolorida equipe, ao lado de Bleez dos Lanternas Vermelhos, Arkillio da Tropa Sinestro, Glomulus um Lanterna Laranja, Munk da Tribo Indigo, e os já conhecidos Lanterna Azul Saint Walker e a Safira Estrela Carol Ferris, embora em alguns lugares se diga que será  Fatality.

Este titulo me chamou a atenção principalmente por não ter Hal, e sim Kyle como representante dos Lanternas Verdes, e por estar carregado do conceito de Espectro Emocional, na minha humilde opinião, a melhor sacada do Geoff “Orange Agent” Johns.

Mas o interessante de ambos os títulos é que nenhum deles é novo…

Stormwatch surgiu dentro da Image/ Wildstorm como criação de Jim Lee, o mesmo que agora os fez virar um grupo DC. Surgido na década de 90 do século passado (velhíssimos!), o título teve certa relevância quando no fim da década passou pela mão do elogiado Warren Ellis, e acabou dando origem ao já conhecido Authority. Ou seja, Apolo e Meia Noite já tem um passado com a equipe (um passado apagado da cronologia, mas tem). Stormwatch teve diversas equipes e formações, inclusive algumas simultâneas, até virar o título de sucesso Authority.

Já o nome New Guardians surgiu durante o evento Millenium da DC Comics, no fim da década de 80 do século passado (mais velhíssimos!), numa série escrita por Steve Engelhart e desenhada por Joe Staton. New Guardians era um grupo formado por heróis de diversas nacionalidades escolhidos pelo Guardião do Universo Herupa Hando Hu e pela Zamorana Nadia Safir (provavelmente uma tia da Sasha).

Os escolhidos para serem os “Novos Guardiões” eram Betty Clawman, Extraño, Homem Florônico, Gloss, Harbinger, Jet, Ram e Thomas Kalmaku (O.o’). A série trouxe diversas polêmicas como o vilão que ganhava poderes da cocaína e o homossexual Extraño que era portador do HIV, por exemplo.

Independente de nem tudo ser novíssimo, esses dois títulos, segundo nos revelam os Antigos Espíritos do Bem, são os que mais prometem e são os que vocês acompanharão pelas minhas mãos e opiniões mensalmente.

Novo ThunderCats: Nós prevemos…

Por Rodrigo  ”O de vida eterna”  Broilo

Sabe quando você vê uma notícia e a primeira coisa que vem a sua cabeça é: “Medo!” (E a segunda é “Eike Absurdo”)? Essa é a reação que a notícia de uma novo desenho dos ThunderCats causou em muitos fãs do desenho oitentista que marcou toda uma(s duas) gerações de nerds, geeks e assemelhados, bem como seres normais e sociáveis.

Mas convenhamos que esse é o sentimento normal da maioria dos seres humanos quando algo ameaça mexer nas bases de nossas sagradas infanto-juventudes. Somos dominados pelo poder de Parallax e rejeitamos o novo, então abraçamos tudo, e como Larfleezes, gritamos “Meu!”. Como diria a filósofa Santa Paciência: “Fiel é phod@!”

Mas está na moda revisitar universos e histórias bem contadas para reescrevê-las, como num reboot, ou relaunch, ou restart (esse eu, particularmente, dispenso).

E foi assim com ThunderCats. Ou melhor, está sendo! (“Adoro Gerúndio! Acho Digno” Betina Botox).

O remake de ThunderCats, produzido pela Warner Brothers Animation, estreou no Cartoon Network Americano em julho passado. E está chegando ao seu sétimo episódio com críticas positivíssimas (abusando do superlativo absoluto sintético).

E está tudo lá. Snarf, Mumm-Rá, WillieKit e WillieCat, o quarteto da primeira temporada. Tudo no seu lugar. Claro, com uma pegada levemente mangá e com uma repaginada no ‘visu’, pois a moda retrô dos anos oitenta não está tão na moda assim. Panthro está maior e mais vestido, Lion-O abandonou o maiô (O maiô, apesar da terapia, passa bem), Cheetara está menos mulherão, enfim. É o que se faz para adaptar a coisa pra gurizada nova que tá começando a se perder por esse universo obscuro das artes nérdicas.

O sétimo episódio, que está pra estrear nos EUA, terá a participação dos SilverHawks? Lembra deles? São as influências dos anos 80 voltando com força!

Segundo críticas, o novo ThunderCats tem um roteiro bacana, bem contado e sem final clichê. A animação é normal, sem nada que seja muito apoteótico. O visual, os desenhos e as vozes parecem ser bem bacanas. Mas muito disso é o que dizem, pois eu só vi alguns teasers, que estão no youtube, já que por aqui o desenho só chega em 2012. Adivinha onde? No SBT, lógico, que arremata tudo o que é do Cartoon.

Quem sentir um gostinho desse novo Thunder? Sente aí!

O Santuário pressente que será bom para todos!

Quer saber mais sobre os personagens de Thundercats? Clique aqui!

Quer ler sobre o desenho clássico? Clique aqui.

Reboot, Recomeço, Reinicio. 52 Novas possibilidades.

A DANÇA DE SHIVA.

Por Rodrigo Garrit

…então houve um reboot, e Jerry Siegel  e Joe Shuster criaram o Superman. Defensor dos fracos e oprimidos, ele venceu a guerra e as injustiças. Conheceu outros como ele, e juntos se tornaram uma “Sociedade” de amigos, com roupas coloridas e superpoderes: Flash, o corredor com capacete em homenagem ao deus grego da velocidade, Lanterna Verde com seu anel de poder mágico, Mulher Maravilha, a princesa feminista e o sombrio Batman, além de vários outros. Juntos eles salvaram gatos presos em árvores, donzelas indefesas e venceram o mal.

…então houve um reboot, despois de anos de esquecimento, o Flash ressurgiu, com mesmo nome, mas com novo traje sendo usado por um novo corredor. Logo, fomos apresentados a outro Lanterna Verde também, mas o seu anel não era mágico; era fruto de uma tecnologia alienígena superior e havia uma tropa de lanternas. Vinda de uma ilha de guerreiras amazonas, a Mulher Maravilha aportou no mundo do patriarcado. E também o sombrio Batman, entre outros. Juntos eles formaram uma “Liga” de amigos, com trajes coloridos de batalha, derrubaram invasões alienígenas, vampiros cósmicos e feiticeiros do mal.

…então houve um reboot, os amigos da Sociedade e da Liga, que descobriu-se viviam em Terras diferentes, enfim se encontraram e forjaram uma poderosa aliança. Enquanto em uma Terra, alguns já eram mais velhos, casados e pais de outros jovens heróis, em outra viámos apenas seus jovens pupilos aprendendo a arte de ser um herói. Então criaram-se novas associações: Corporações, Patrulhas, Legiões, Renegados e Titãs uniram-se à Liga e a Sociedade na luta contra o mal. Sempre com o mesmo intuito de justiça.

…então houve um reboot, na aurora dos tempos, o início do universo, onde o acesso é proibido, Krona, quebrou as regras, contemplou a mão do destruidor, que liberou o grande mal. Os habitantes do planeta Maltus, conterrâneos de Krona, sentiram-se culpados, e para se redimir criaram os Caçadores Cósmicos, androides que patrulhavam o universo com o objetivo programado de desfazer o caos. Os habitantes imortais de Maltus se autoproclamaram “Guardiões do Universo”, e se transferiram para o planeta OA, de onde dividiram o cosmos em setores… mas quando tudo deu errado, ninguém escapou dos Caçadores, da morte e destruição. “É preciso destruir o caos, mas a vida é caos, logo é preciso acabar coma vida”. O setor 666 foi devastado antes que os androides fossem contidos. Os Guardiões decidiram fazer um experimento com seres vivos, coletaram as energias do espectro emocional, separaram a magia e a baniram, forjada em um Coração Estelar. Escolheram a força de vontade para moldar soldados sem medo que dessem suas vida pelo bem maior, e esconderam as outras cores do espectro. Os sobreviventes do setor 666 proliferaram uma profecia como vingança contra os Guardiões. A Noite mais Densa viria.

…então houve um reboot, do ventre da aurora dos tempos um multiverso nascia, já sob a ameaça da Grande Crise. E nas luas de OA, dois seres surgiam, duas forças iguais e opostas, o bem e o mal. Matéria e Antimatéria. Monitor e Antimonitor. E na aurora dos tempos, foi a mão dele que Krona, o guardião renegado, viu aos quebrar as regras, a mão do Antimonitor, esmagando as possibilidades, até ser contrariado pela vida que insistia em existir. O Supeman da Terra 2 e o Superman Primordial travaram a batalha no limite da existência. Era a história sendo reescrita.

…então houve um reboot, com o futuro sendo apagado pela entidade do medo há tempos reprimida pelos Guardiões do Universo, e agora possuindo o maior dos Lanternas Verdes, Parallax conduzindo uma hora zero, do fim à  aurora do tempos, mesclando a alquimia quântica do que “poderia ser” e do que “será”.

…então houve um reboot, e os sobreviventes de uma realidade alterada, Supermen, o bom e o primordial, Alexander Luthor, e novas Terras sendo moldadas, 52 novas possibilidades… novas costuras no tecido frágil da realidade. Um tecido prestes a se romper…

…então houve um reboot, o mal venceu, Darkseid de Apokolips trava sua batalha final com seu filho Órion, conforme previram as profecias. Com um tiro certeiro ele o alvejou , um tiro com uma bala conceitual, uma bala disparada no início dos tempos, uma bala que não deu a ele chance de fuga. Vitorioso mas enfraquecido, Darkseid renasceu na Terra, promovendo a Antivida em meio a crise dos Monitores do Multiverso, onde Mandrakke o vampiro cósmico, se pôs a absorver e perverter toda fagulha de energia vital já criada, embora nessa Crise Final, o Superman de todas as Terras, imaginado de todas as formas tenha impedido que o vampiro concretizasse seus planos. E o sombrio Batman atirou a bala deotóxica no novo deus de uma Terra condenada, salva apenas pelo canto de um Superman na Máquina dos Milagres.

…então houve um reboot. Flashpoint.

E então…

Shiva, na qualidade de Nata-Rája ou “Senhor da Dança”, cria perpetuamente, com o seu dançar, os ritmos do universo - os ciclos de criação (sarga) e destruição (pralaya).  Shiva é o mestre tecelão do espaço e do tempo. É com o som do damaru (espécie de tambor) que Shiva marca o ritmo do universo e o compasso de sua dança. As vezes, ele deixa de tocar por um instante, para ajustar o som do tambor ou para achar um ritmo melhor e, então, todo o universo se desfaz e só reaparece quando a música recomeça.

Por que o mundo precisa de Donna Troy?

Por Henry Garrit

Não é novidade que de tempos em tempos uma onda da antimatéria ou os socos de um supermenino mimado alteram a realidade dos quadrinhos da DC Comics. Crise nas Infinitas Terras, Crise Infinita, Zero Hora e o escambau.  Quando um universo fica muito complicado, os fãs perdem o interesse, as vendas caem, e então é preciso fazer algo. Simplificar. (Ou “Ultimizar” no caso da Marvel, embora eles separem os brinquedos em caixas diferentes).

O mais recente “reboot” da DC acontecerá logo após a saga “Flashpoint”, quando as revistas serão reiniciadas, e os personagens reformulados… e outros nem chegarão a existir nessa realidade, como é o caso da já citada no título deste post: Donna Troy.  (Título, aliás, que foi inspirado na matéria que Lois Lane escreveu no filme Superman Returns. Mas não vamos perder o foco…)

Assim são os quadrinhos, nossos queridos personagens ficcionais vivem a mercê de editores malignos que tramam constantemente a sua “não existência”, ou a sua “existência

"Dianinha" estreia seu novo traje de Moça Maravilha...

compacta”. Ainda bem que, embora muito queridos, a gente saiba que eles não são de verdade… quer dizer, se um personagem morre nos quadrinhos, ele sempre pode voltar. (E acaba voltando mesmo, mesmo que demore um pouco). Na vida real, se perdemos alguém, isso sim é pra sempre. Isso sim é motivo de tristeza e até revolta. Embora a morte seja algo que queiramos evitar ao máximo possível, no fundo todos sabemos o quanto ela é inevitável e necessária. Parafraseando a famosa canção da banda Queen,   - “Quem quer viver para sempre”?

Mas esse não é o ponto. Não é o motivo desse texto ter sido escrito.

Sabe, eu andei pensando… na vida real, quantas vezes a nossa realidade é alterada? Quantos “reboots” nós passamos? Quantas transformações? Você muda de escola, de bairro, de cidade, de amigos… pessoas chegam, outras vão embora… você se apaixona, se decepciona, se apaixona de novo…

...e deixa de ser Moça Maravilha para assumir o manto de "Tróia".

Quanto eu tinha nove anos, ficava esperando o ônibus da escola me buscar. Durante o trajeto, conhecia outras crianças, de outras salas, mais novas, mais velhas. Tinha uma menina chamada Emanuelle. Ela era a minha melhor amiga. A gente conversava e ria muito durante o caminho de ida e volta pra escola. Durante aquele ano letivo, fomos inseparáveis.

Depois disso, nós nunca mais nos vimos.

Quantas outras crianças havia no mesmo ônibus? Elas também foram minhas amigas em algum momento, embora eu não me lembre mais do rosto de nenhuma delas. Pessoas de verdade, com sonhos, defeitos e virtudes. Mas elas foram apagadas da minha realidade.

Donna Troy foi criada na época da clássica Turma Titã. Aqui no Brasil, ela chegou a ser

A evolução do uniforme.

chamada de “Dianinha” em suas primeiras aparições. Com o passar dos anos, a personagem cresceu, em idade e importância. Teve sua origem recontada algumas vezes, sendo a mais famosa a clássica história “Quem é Donna Troy”? de Marv Wolfman e George Pérez. Embora seja a mais empolgante, não foi a definitiva. Donna foi muitas mulheres e nenhuma. Viveu várias vidas… irmã mais nova da Mulher Maravilha, réplica mística da Mulher Maravilha, órfã salva por Diana da morte e criada como amazona na Ilha Paraíso, órfã salva da morte pelos deuses Titãs e criada como uma de suas “sementes” no planeta Nova Chronos. Foi dito até mesmo que ela teria sido uma espécie de “Precursora”, salva pelo ser conhecido como Monitor, numa tentativa de encaixar a personagem no contexto da Crise Infinita. Um grande equívoco. Em certo momento, fomos apresentados a personagem “Anjo Negro” que perseguia Donna, fazendo-a morrer e reviver milhares de vidas… enfim, não resta dúvida do quanto ficou complexo explicar a existência dela em um universo DC que anseia por zerar e simplificar todos os seus personagens.

Moça Maravilha, Tróia, Darkstar, Deusa da Lua, Mulher Maravilha e etc… Donna era muitíssimo querida especialmente pelos fãs mais antigos dos Novos Titãs. Fica difícil imaginar a trajetória da equipe sem ela.

Ela foi princesa, heroína, mãe, esposa, guerreira, deusa e mulher. Porém, quando o universo mudou novamente, os editores e roteiristas precisaram se perguntar: “Por que precisamos de Donna Troy”? E a resposta, prática e cruel não foi outra:

“Não precisamos”.

Por todas as pessoas que passaram pela minha vida, as quais eu não posso reencontrar em edições antigas de gibis, eu sinto essa pontinha de tristeza e saudade, e torço para que todos estejam bem e felizes.

Por Donna Troy, personagem com quem vibrei, admirei e me emocionei só fica um único pensamento: “Bom descanso. E até o próximo reboot”.

 

Nova DC: um mundo novo e diverso. Ou não?

Por Rodrigo Broilo

Capa da nova "Stormwatch" pós reboot, que traz o heróico casal gay Apollo e Meia Noite.

Há meses atrás a DC Comics prometeu para este setembro um novo Universo. De lá pra cá diversas polêmicas rolaram em torno desse reboot, que segundo eles é um relaunch, com cara de restart, que provavelmente causará um recall. Primeiro foi o fato de reiniciar todos os números, depois o de sumirem alguns personagens, depois algumas histórias serem apagadas, depois personagens novos tomarem espaços em detrimento de outros que sumiram, depois o fato de que todas as histórias já contadas cabem em 5 anos, tempo em que Superman atua como herói, e que Batman já teve 4 (ou 5) Robins. Ou seja, tá confusa essa bagaça. E A última San Diego Comic Con não esclareceu muita coisa. Pelo contrário…

Aliás, parece que os fãs não estão perdoando o mínimo deslize, até nos mínimos detalhes. Coisas para a qual, parece que a editora não estava preparada. Principal, e especialmente, com relação a promessa de um mundo pautado na diversidade. Aí ferrou!

Primeiro que este novo mundo não está tão diverso assim. Colocar uns personagens com meia vertente gay como Voodoo, e mais alguns negros como Batwing, não foi suficiente, ainda mais quando a editora diminuiu drasticamente o numero de escritoras e desenhistas femininas em seu quadro. Os títulos com personagens femininas, dentre os 52 títulos, também são poucos, se a pauta é diversidade. Por que não há mais mulheres? Mais Negros? Mais Mulheres Negras? Mais latinos? Árabes? Judeus? Indianos? Gays? Gordos? Deficientes físicos (já que Babs foi reabilitada)? E os outros tipos de minorias etno-sexual-religioso-condicionadas? Porque não podemos ter um herói com síndrome de Down? Onde anda Mia, a soropositiva?

O povo questionou um pouco de tudo isso na SDCC 2011. O que prova que diversidade não é o foco da editora, e sim as vendas. O que não é questionável, afinal esse é o negócio dos caras. Mas aí a tentarem isso vendendo uma falsa ideia de um mundo diverso que reflita as ansiedades de um mundo com as nossas nuances, fica chato pra eles.

Essa promessa de um mundo multicolorido e multirepresentativo certamente não terá tanto efeito, pois quem compra esse material não tem esse anseio. Nerds, ainda mais agora que estão no topo da cadeia alimentar, não se preocupam assim com minorias. Eles querem boas histórias, se eles serão de brancos, pretos, verdes ou mulheres, exploda-se. O fato é que, títulos de mulheres não vendem muito, heróis negros funcionam mais em equipe, e gays são, na quase totalidade, secundários, ou até terciários.

Embora eu seja um grande fã da diversidade, cultural, sexual, religiosa, de condições físicas, e defenda o uso dela em um mundo tão cheio de pré conceitos, dogmas, e ignorâncias como o nosso, não boto muita fé que esse novo mundo fará muita diferença. Se a DC tem essa altruística missão dentro do mundo dos quadrinhos, eu não sei. O que eu sei é que nós não estamos preparados para isso. Vamos comprar Batwoman por ela ser mulher e lésbica? Não. Compraremos se as histórias forem boas. Compraremos Mr. Terrific por ele ser negro e o único sobrevivente da Sociedade da Justiça? Se as histórias forem boas, talvez. Estamos abertos a um mundo de diversidade? Não. Pois se estivéssemos, não seria preciso ressaltar alguns poucos personagens renegados para dar um ar de politicamente correto aos quadrinhos. O dia em que não precisarmos ressaltar um personagem como gay, mulher, negro, judeu, ou qualquer outro, aí a diversidade estará instaurada.