
Por Venerável Victor “Disque “M” para macaco” Vaughan
Disque H para herói é uma revista em quadrinhos da DC comics que conta as histórias de um misterioso “disco de telefone” que permite a qualquer pessoa comum se tornar um super herói por um curto período de tempo. Cada vez que é “discado” o DIAL possibilita ao dono transformar-se (sem poder escolher) em um novo super ser, com nome, uniforme e poderes diferentes. A série original estreou em 1966 na revista “House of Mistery” (que também publicava as histórias solo do Caçador de Marte) e teve 18 edições. Mais duas tentativas de emplacar com o título foram feitas em 1980 e em 2003.

Estreias anteriores: House of Mistery #156 (1966) – Adventure Comics #479 (1980) – H.E.R.O. #1 (2003)
Disk H for hero #1
Essa é a história de um homem que tenta salvar a vida do amigo de suas péssimas escolhas, ao passo que esse amigo também faz o mesmo por ele.
Essa revista faz parte dos novos títulos pós reboot, ou a “SEGUNDA ONDA”, como são chamados. Antes de mais nada, vale lembrar que nenhum dos títulos “sombrios” dos Novos 52 lançamentos iniciais da DC foi cancelado até hoje. Dito isso, começam os SPOILERS.

Capa do MESTRE Brian Bolland
São dois perdedores. O obeso Nelson Jent, que ainda não chegou aos trinta anos, tem problemas cardíacos e está fumando sem parar rumo a sua morte, por conta de uma maré de má sorte (no passado ele foi alguém bem diferente do que é hoje) e Darren Hirsch, sadio de corpo, mas na vida pessoal se misturou com um “bando” bem barra pesada. Quando Darren, ao sair da casa do amigo, em uma missão de resgate é agredido em um beco, por capangas que trabalham para seu misterioso empregador conhecido apenas como XN, Nelson entra desesperado em uma antiga cabine telefônica para pedir socorro, discando os números: 4376…(porque ele disca esses números e não 911…também é um mistério)
Mas não é Nelson que sai de lá em seguida, é o Boy Chimmey – Garoto Chaminé? – que parece uma versão ainda mais surreal, porém heroica do personagem “” Nick O’Teen” do filme : Estranho mundo de Bob. Esse Garoto Chaminé , é capaz de manipular cinzas e fumaça e dá conta de por os agressores para correr do beco (não sem antes dar uma surra em todos) e após isso, carrega o corpo ferido de Darren para o pronto socorro mais próximo, voltando à forma humana logo em seguida.

Nelson acreditando que sua transformação de alguma forma estava relacionada com a cabine telefônica, retorna para o beco onde ela está e busca novamente discar os quatro números que o transformaram anteriormente. Espetacularmente surge o “Capitão Lacrimoso” um super herói EMO, capaz de provocar em seus algozes a manifestação exagerada de suas maiores tristezas, dessa forma alimentando cada vez mais sua força e resistência, ele me remete a um talvez rejeitado figurante de algum clipe antigo do The Cure.

Essa é uma atualização do conceito clássico da série. O roteirista China Miévelle proporciona aos seus dois “heróis” nessa revista um agradável e distinto linguajar em suas falas. Suas naturezas emergem da cabine telefônica aparentemente de acordo com a natureza emocional na hora em que Nelson disca os números. E eles não são as únicas criaturas esquisitas por perto, já que o misterioso XN manda uma misteriosa senhora idosa que cospe “bile negra” para enfrentar o recém surgido Capitão. Outra característica merecedora de nota é que nosso protagonista aparentemente mantém sua mente consciente mesmo enquanto o seu “outro eu” está aprontando por aí.

A atmosfera da revista e seus cenários urbanos, lembram muito a arte da antiga revista do Hitman. Nelson e Darren convencem o leitor como grandes amigos, ligados um ao outro por uma afeição suprimida e grandes manifestações de desapontamento um com o outro. As cenas com os dois “heróis” são bizarras, em grande parte graças ao traço inconfundível de Mateus Santolouco. Seus personagens não são “super lindos”, nem menos grotescos, mas totalmente reconhecíveis, permitindo a criação de raízes fortes da revista com um cenário realista. E quando os momentos de fantasia chegam, Santolouco se entrega num furor de selvageria com os personagens e quadros, fazendo com que o mais cansado e incrédulo fã da DC, arregale os olhos admirados.
As cores de Tanya e Richard Horie são perfeitas na proposta da revista, repleta de tons marrons e cinzas, pontuados por instantes de luminosidade ofuscante, não deixando aqui de mencionar que a icônica editora da Vertigo, Karen Berger, volta para o Universo DC editando o roteiro inspirado de MIévelle, é a primeira vez que isso acontece desde um certo número passado da revista Hellblazer…

Uma coisa que pode certamente afastar o público desse título é que não existe de forma alguma aqui um “herói” reconhecível ou um super ser constante para que os fãs se identifiquem facilmente. Quem já conhece os trabalhos anteriores de Miévelle provavelmente embarcará na ideia de ver o que esse autor fará no universo DC provavelmente, no entanto é inegável que essa edição #1 vai fazer com que muita gente volte mês que vem para ver no que vai dar.
Não existe história pregressa sendo contada, não temos uma origem mística para o “Disque H”… você tem apenas dois amigos, um totalmente fora de seu peso e acometido de uma maré absurda de má sorte e o outro, misturado com negócios escusos. Fora isso, nós somos imediatamente arremessados no mundo deles.

Isso é o suficiente para trazer as pessoas mês que vem de volta? Sim, afinal a maioria dos fãs da DC desenvolveram ao longo dos anos um inegável amor pelos títulos “sombrios” da editora, eles são repletos de monstros e esquisitices, não exatamente do tipo de “monstros e esquisitices” que o genial Grant Morrison enfia por sua goela normalmente, mas sim um “beco” realmente sinistro desse universo de heróis que adoramos.
A capa??? A capa é de Brian Bolland, portanto só ela vale a compra da revista! Pelas minhas humildes contas, essa é a quarta tentativa de emplacar o título ”Dial H para herói” (a quinta se você quiser considerar uma participação escrota na revista do “Superboy e a Festa” na década de 90), mas agora vale muito mais a pena discar H para chamar um herói.


Astonishing X-men #49 Spoilers

Roteiros: Marjorie Liu – Arte: Mike Perkins

Capa de Surpreendentes X-men 49
A batalha da edição anterior continua sendo travada aqui. Cecília Reyes faz o possível para não se envolver com os problemas dos X-men, mas a sorte não está ao seu lado. Kyle, o namorado de Estrela Polar chega ao lugar da “pancadaria” acompanhado da jovem Karma, que usando sua telepatia descobre que Chimera está sob controle de uma força exterior. O grupo de vilões, os Carrascos que aparentemente estão ali para matar Jean Paul (Estrela Polar) é derrotado e no fim, enquanto Estrela Polar e Kyle voltam para casa, discutem o futuro de sua relação. No fim, Karma chega a sua casa apenas para receber uma visita surpreendente. Antes de isso tudo ter início, temos mais vislumbres das visões/sonhos proféticos do Estrela Polar e para “variar”, Warbird flerta mais uma vez com o Homem de Gelo.
O roteiro da história é bom, os elementos misteriosos estão sendo colocados aos poucos na trama e a estrutura geral funciona, combinando as misteriosas visões futuras que Jean Paul tem com muita ação no presente e o terreno para uma interação maior do grupo que está se formando é colocado, mas os diálogos de Liu as vezes parecem um pouco forçados e para alguns, muito espaço é usado aqui e ali com momentos menos interessantes aos leitores.

Ambas, a vietnamita Karma e a doutora Cecília Reyes têm grandes momentos de caracterização, Wolverine não rouba a cena nessa revista em nenhum momento, o que é muito bom, mas Liu parece centrar o título até agora em Estrela Polar e seu namorado. Os leitores que não acompanharam a passagem de Greg Pak pelas duas minisséries da Tropa Alfa no passado, não tem a mínima noção de quem se trata esse “civil” e aqui pode ser um pouco difícil de pedir a eles que invistam na história pregressa de um relacionamento que eles não têm o mínimo conhecimento ou interesse. Porém, ponto para a Marvel por investir e mostrar mais uma vez com naturalidade um relacionamento homo afetivo.

A arte de Mike Perkins ainda parece que conflita com as cores de Andy Troy (não, ele não é parente de Donna Troy, pelo menos que eu saiba) principalmente nos cenas de ação que se tem mais de dois combatentes. Isso não estraga a revista, mas distrai demais dos detalhes importantes, por outro lado, funciona muito bem quando se precisa de momentos de mistério e horror no roteiro principal.

Nós temos uma porção de grandes momentos nessa edição, Karma já chega roubando a cena, Cecília está fantástica em seus conflitos internos já conhecidos de leitores mais antigos e são divertidas as investidas “amorosas” constantes de Warbird no Homem de Gelo. Liu também escreve um ótimo Gambit, fazia tempo que esse personagem era deixado de lado. Com tantos personagens interessantes, o Estrela Polar tem que agradecer todos os dias pela escritora ter escolhido se aprofundar mais na vida dele nesse arco. No entanto os fãs ainda esperam que essa revista, que desde que estreou com Joss Whedon anos atrás e sempre demonstrou bastante vanguardismo, ainda nos SURPREENDA.
