Tokusatsu : SPECTREMAN

Por Venerável “Dominante” Victor Vaughan

“Planeta: Terra. Cidade: Tóquio. Como em todas as metrópoles deste planeta, Tóquio se acha hoje em desvantagem em sua luta contra o maior inimigo do homem: a poluição. E apesar dos esforços das autoridades de todo o mundo, pode chegar um dia em que a terra, o ar e as águas venham a se tornar letais para toda e qualquer forma de vida. Quem poderá intervir…? Spectreman!”

Essa promessa de aventuras iniciava meu tokusatsu preferido nas manhãs do SBT, no programa daquele clone maligno de Ronald Mc Donalds (sim, em algum momento entre a infância na Quinta dimensão e o exílio na Terra eu assisti ao Bozo, mas pulemos essa parte). Até o início da década de oitenta, Specterman tinha sido exibido na antiga Record sem muito sucesso.

Foram 63 episódios em duas temporadas de um clima sombrio que prenunciava o cyberpunk: visual e temática levavam a crer que o fim de tudo estava próximo, fosse qual fosse o desfecho das histórias – esta incerteza apocalíptica era o que mais me chamava atenção na série (além de ter muitos macacos, claro). Aliás, os símios eram espertamente usados na carona da lucrativa série americana “Planeta dos Macacos”, e estavam tão na moda que nos primeiros 20 episódios, Specterman se chamava “Uchu Enjin Gori” (Gori, o Homem-Macaco Espacial) até que os “poneis malditos”, ou telespectadores, reclamaram.

 

Os chamados “cliffhengers” eram vastamente utilizados, coisa rara até mesmo para as séries mais recentes: as histórias de Spectreman quase sempre eram divididas em dois episódios, chamados, no Brasil, de “Primeira Parte” e “Epílogo”. No final da primeira parte, o narrador chamava a atenção do telespectador para que ele não deixasse de conferir o desfecho da história, que viria a acontecer no capítulo seguinte

Originalmente o andróide é enviado a terra pelos Dominantes, habitantes de Nebula 71, planetóide que navega livremente pelo universo e membro da Federação Universal, com a missão de proteger os planetas subdesenvolvidos contra a destruição prematura devido a causas internas ou externas (algo como um IBAMA das galáxias).

E é aí que vemos um lado de Specterman que estava à frente de seu tempo: Sua missão na Terra era salvar a humanidade da destruição causada pela poluição. Com a capacidade de se tornar humano para realizar pesquisas e investigações, sob ordens dos Dominantes, sem levantar suspeitas, já começa empregado como membro da Divisão de Pesquisa e Controle da Poluição. Em sua identidade humana, Kenji, o herói se depara logo no primeiro capítulo com um monstro gigantesco saindo da baía de tóquio. Literalmente “tocando o terror”. Durante a batalha, ao lançar seu feixe de energia, “Spectre-Flash”, um jornalista que não era o Roberto kovalick relata em cadeia nacional: “O ser lançou um espectro em direção ao monstro. Humm, Spectreman, é isso, esse será o nome dele!”

 

Quem está por trás disso tudo? Tchan, tcham, tchan, tchan !!! O Doutor Gori, cuja inteligência supera a de qualquer homem (e cuja loiridão supera a de qualquer paquita) e seu fiel ajudante Karas, ambos fugitivos de seu planeta natal. De uma raça de simióides (homens macacos) evoluídos, eles ficaram anos vagando pelo espaço e, após uma tempestade magnética, descobrem a Terra. Gori de imediato se encanta com o planetinha azul e sua biodiversidade riquíssima; analisando de perto ele vê que os seres humanos estão destruindo seu próprio planeta com a poluição, o que é obviamente inaceitável.

Ele decide se tornar regente desse mundo, nem que para isso tenha que usar a poluição da baía de Tóquio como ingrediente para monstros muito fermentados, provocando o caos e destruição do homem. Tendo como primeira base sua nave, Gori ganha um upgrade na segunda temporada e faz um puxadinho escondido em uma montanha nos arredores de Tóquio, com gato de luz e água. Tudo porque o lixo e a poluição iam permiti-lo fazer exatamente o que os mocinhos também queriam: salvar o planeta daqueles que o estavam destruindo… Agora, imagina o que esse macaco maldito não criaria na nossa baía de Guanabara… ou com as transmissões do Big Brother! Acho até que já peguei algumas aberrações do Gori na night carioca).

O grande barato dessa série é a ambiguidade… Apesar de suas ideias imperialistas o doutor Gori justificava seus planos de invadir e dominar a Terra com um argumento muito racional e atual: os seres humanos estão destruindo o planeta com a poluição e, por isso, não merecem viver nele. Gori queria recriar as belezas naturais para mandar nelas. Pensando por esse viés, ao defender a Terra dos ataques do inimigo — que criava monstros ecologicamente corretos reciclando lixo — Spectreman estaria, mesmo sem querer, defendendo as grandes corporações poluidoras e causadoras do aquecimento global (vejam só, um papo desses em mil novecentos e vovó gatinha). Na verdade o herói entendia a triste consequência de suas intervenções: várias vezes se questionava por proteger seres que não cuidavam de sua própria sobrevivência. Mas mesmo assim os defendia (afinal essa não é a característica dos heróis?).

… e viva os macacos do mau !!!!

 

Acompanhe entrevista exclusiva do Dr. Gori concedida ao Santuário em troca de uma ponta no último capítulo de Insensato Coração.

“Meu objetivo é a conquista! Meu objetivo é a conquista! Meu objetivo é a conquista! Não se ensinam coisas novas para um macaco velho! O mal é sempre lembrado e o bem é tão díficil de ser reconhecido! A morte é a solução!” Com essas palavras e esse pity de viadinho, partia da vida para entrar nas historinhas o Doutor Gori, (62 anos bem vividos no mal) maior vilão da série Spectreman e do universo símio. De seu exílio em algum ponto da galáxia Gori nos recebeu à vontade, de pantufas e charuto venuziano. Com seus gestos exagerados, jurou que nunca teve Parkinson e galanteou nossa editora, Raíssa, que sempre atraiu macaco

Santuário: Dr. Gori É um prazer estar com o senhor pra esse pequeno Bate papo.

Gori: Pequeno? Nada meu é pequeno! Meu objetivo é a conquista! Mas Imagino que seja mesmo um prazer, além de um privilégio; não costumo dar entrevistas para terráqueos. Aliás, nunca dei (entrevistas). E queria aproveitar pra acabar de vez com esses rumores sobre minha relação com meu fiel lacaio Karas. Fofocas da revista Karas!

Santuário: Como se deu sua ascensão como Gênio do mau?

Gori: Eu era um mutante, renomado cientista em meu planeta natal, Épsilon, naturalmente dono de uma inteligência muito acima a de qualquer ser humano ou macaco. O ápice de minha carreira foi o momento em que fui escolhido líder de minha sociedade… Mas digamos que minha ascensão no mal se deu… fazendo maldades!

Santuário: O que o senhor pode nos falar de Épsilon?

Gori: Épisilon fica na Constelação de Sagitário, e é habitado por uma raça de simióides muito adiantados e detentores de uma tecnologia superior a da Terra. hunf… como se isso já não fosse óbvio. Temos paisagens incríveis, vale à pena levar a família a Épsilon nas férias…

Santuário: Mas suas relações com o status quo de Épsilon não foram sempre amigáveis… E aqueles atritos com a comunidade científica? Acusaram o senhor de querer subverter o conhecimento para conquistas expansionistas e aniquilação da vida, isso é sério…

Gori: Não é nada disso… Eu só acredito que tamanha tecnologia é desperdiçada em projetos inúteis, monótonos e pacíficos; pretendia fazer algo mais produtivo com o potencial espsiliano, como construir armas mortíferas para a conquista do universo… O problema é que o governo central de Épsilon se sentiu… ameaçado, só isso…

Santuário: Mas o que o senhor descreveu não é conquista expansionista com aniquilação da vida?

Gori: Meu objetivo é a conquista! Meu objetivo é a conquista!

Santuário: Mas seus planos não saíram exatamente como planejava, não é Doutor?

Gori: Não sei o que saiu errado, devo ter publicado alguma coisa no Spacebook que saiu de controle… Sei que acabei injustamente preso! Como não existe pena de morte em Épsilon (aqueles idiotas…) minha mente seria alterada de forma que minha maldade seria eliminada…em outras palavras, aqueles mentecaptos queriam me transformar no Tink Wink dos Teletubbies! Pior que a morte! Mas Para infelicidade daqueles macacos de visão curta um general chamado Karas, simpatizante das minhas idéias – macaco de bom gosto, logo se vê, (hoje meu fiel servo e provavelmente o infeliz que não teve a noção apagar minha mensagem na rede) me libertou e assim partimos em uma nave…o resto é história

 

Santuário: O senhor tem alguma última mensagem para os milhões de leitores e seguidores do Santuário?

Gori: Meu objetivo é a conquista!

ficha completa do Spectreman aqui
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3 comentários sobre “Tokusatsu : SPECTREMAN

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