A Trajetória de um Novo Deus

 

Por: Venerável Victor  “the monkey friend”  Vaughan

Jacob Kurtzberg

Para os que curtem um bom rock n’ roll, vale à pena ouvir MELT, da banda Monster Magnet, que homenageia Jacob Kurtzberg, o nosso Jack Kirby, com o refrão “I was thinking how the world should have cried / On the day Jack Kirby died” (Pensava como o mundo deve ter chorado no dia em que Jack Kirby morreu).

Quero aqui escrever sobre o LEGADO do cara, Jack “The King” Kirby, apelido dado por ninguém menos que Stan Lee, com quem formou uma das parcerias mais prósperas que a indústria da nona arte já viu. Em diversos blogs é possível conhecer a carreira do corôa ranzinza e encrenqueiro que não media esforços pra ajudar seus amigos em apuros e que começou seu trabalho na década de trinta, desenhando arte sequencial, nos Estúdios Fleischer, pro desenho do Popeye.

Depois , com seu primeiro grande parceiro, Joe Simon, na Timely (futura Marvel) vislumbra o mundo com variadas perspectivas, técnicas cinematográficas e sequências de ação – além do recurso ainda não explorado na época de páginas duplas. Nascia assim seu sucesso icônico Capitão América. Os nomes Simon & Kirby tornaram-se sinônimo de histórias e personagens empolgantes.

Durante a guerra, Eisner foi convocado e Kirby chegou a desenhar um número do Spirit! No fim do conflito, o mercado de super heróis americano não ia bem das pernas, era uma época negra para as revistas em quadrinhos que sofriam de baixa popularidade e a péssima fama de desvirtuar crianças inocentes (!). Mesmo assim, Kirby continuou escrevendo: se reinventou e, junto com Joe Simon, lança a revista YONG ROMANCE, sucesso absoluto de vendas. Assim como contos de supense, terror, crime e faroeste. O cara era bom em tudo…

No início da década de 60, com o novo parceiro Stan Lee, construiu as bases do universo Marvel com os diversos personagens que vemos aqui. Colocou o primeiro tijolo de diversidade na “Casa das Idéias” quando, inspirado pelo movimento dos Black Panthers, apresentou ao público um super herói negro, o Pantera Negra:  africano de linhagem nobre, hábil e inteligente, oriundo de uma civilização muito mais avançada do que todas, Wakanda (epa! Cadê os estereótipos que estavam aqui?)

Também propôs a releitura de mitos gregos com o projeto Cadmus e seus segredos recheados de criaturas monstruosas e fantásticas, na DC.

Na Marvel , assim como Zeus, deu vida a Hércules, além de divindades nórdicas como Thor, de Asgard; seus personagens viviam intrigas shakespeareanas e do universo Arthuriano (com Etrigan, o demônio, sua última criação para a Distinta Concorrência, com uma narrativa visual medieval). Levantou também a discussão do preconceito e da aceitação das diferenças, com os X-men e Magneto. Como se não fosse o bastante, criou sua própria mitologia única com os Novos Deuses e os Eternos.

Quer mais?

Trafegando sempre bem na descrição visual de mundos incríveis na DC com os clássicos Sci-fi, Os Desafiadores do Desconhecido e Kamandi, o último garoto da Terra. Revitalizou o Arqueiro Verde; profetizou os smartphones de hoje e do futuro com a CAIXA MATERNA e o surgimento da internet com a Uni Mente dos Eternos; homenageou artistas notórios como Harry Houdine em seu Senhor Milagre; foi responsável pela reação da Marvel ao sucesso de vendas da DC, que garfava o mercado com a Liga da Justiça (o Quarteto Fantástico de Kirby era a resposta à altura que consolidou a Marvel); Criou o golias verde, de imenso poder e coração puro de criança e propôs um debate filosófico e poétíco com a personalidade nobre do Surfista Prateado; na DC, década de 70, criou todo o QUARTO MUNDO e OMAC, uma saga autoral onde deixa o legado de Apokolips e Darkseid para todo o sempre, forjando em adamantium o imaginário coletivo. Na mesma década, rompendo com a DC, foi novamente acolhido por Stan Lee na Marvel onde produziu Homem-Máquina, Devil Dinosaur, Os Eternos e uma adaptação de 2001, Uma Odisséia no Espaço; fechou sua participação nos quadrinhos das principais editoras voltando a seu primeiro grande sucesso: o Capitão América. No início dos anos 80 foi para a Pacific Comics, onde pôde ficar com os direitos de suas criações (coisa rara no mundo dos quadrinhos, apesar de estar aumentando o número de autores que conseguem essa proeza).

Este criador de personagens, que é um incrível personagem por si só, ganhou diversos prêmios de quadrinhos, fascinou e influenciou gerações (dos baby boomers americanos aos jovens plugados do século XXI globalizado), criou muitos dos maiores ícones em décadas e dá nome ao Kirby Awards”, uma das maiores premiações de quadrinhos.

Em 1994, após tocar tantos corações com sua arte, foi vítima do próprio e nos deixou, talvez rumo a mundos tão fantásticos como os que criou.

Esse Jack Kirby : O Rei

 


					
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3 comentários sobre “A Trajetória de um Novo Deus

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