TIM KRING E OS PRIMEIROS “HEROES”

Por Venerável Victor  “desajustado da ciência”  Vaughan

Praticamente todo mundo que curte nos quadrinhos o gênero super heróis, ou acompanha séries de televisão, já viu pelo menos um episódio do fenômeno (não o Ronaldinho!)… HEROES. Tendo estreado na NBC em 2006 nos EUA esta criação de Tim Kring abalou os índices de audiência e downloads mostrando ao público um mundo tão fantástico quanto parecido com o nosso, aonde pessoas reais, com vidas e problemas reais, adquirem poderes e os usam com caráter ou não, como os nossos parlamentares. Heroes for marcado pela falta de uniformes, ênfase nas limitações humanas dos personagens e um clima de segredo de estado em torno da existência de super-seres. Como diria o Vigia, da Marvel, era algo do tipo “O que aconteceria se existissem super-poderes no mundo real”. As conseqüências políticas, sociais e humanas de tais “aberrações” genéticas provaram ser tão eficientes na conquista do público como capas esvoaçantes, sungões por cima da calça e batalhas épicas destruindo cidades.

Mas, vinte e um anos antes, Kring trazia para a mesma NBC sua primeira visão de um universo de super heróis do cotidiano: Misfits of Science, conhecido nas tardes da Rede Globo como CURTO-CIRCUITO (uma alusão aos poderes de um dos heróis ou, menos provável, a Debbye Gibson e o hit da época, “Eletric Youth”, Juventude Elétrica).

Em temporada única de 17 episódios, Kring apresentou, em plenos anos 80, jovens heróis vivendo num mundo normal, se bem que duas décadas menos complicado, menos ambíguo e ainda regido pela sombra bipolar da guerra fria, onde heróis e vilões não se misturavam nem nos roteiros.

Abertura do programa, aqui.

Os Misfits eram compostos pelo

Doutor Billy Hayes, sem poderes e líder do grupo, cientista que trabalhava no Humanady institute, laboratório que dava algum suporte indireto às atividades do grupo. Vivido pelo ator Dean Paul Martin , sempre muito atrapalhado mas bem intencionado, dava o tom leve do grupo.

Seu melhor amigo, o Dr Elvin “El” lincoln, na tentativa de criar um soro que o tornasse um pouco menos alto (ele media 2m 20 e ODIAVA basquete…) e assim mais adequado à vida social, acidentalmente desenvolve a capacidade de encolher ao tamanho de 10 centímetros, toda vez que uma glândula em sua nuca era pressionada. Vale lembrar que para evitar maiores constrangimentos, ele sempre trazia consigo no bolso da calça uma muda de roupa de bonecos “ken” e a audiência torcia pra ver que novo figurino “El”  usaria ao encolher e se trocar – sim, como estamos no mundo real as roupas não encolhiam junto com o personagem,  Reed Richards e suas moléculas instáveis não existem aqui. Vivido por Kevin Peter Hall, que encarnaria, anos mais tarde, o Predador no filme de Arnold Schwarzenegger.

O roqueiro Johnny Bukowsky, ou Johnny B. após ser eletrocutado no palco em uma de suas apresentações adquiriu incriveis poderes elétricos, possibilitando que disparasse rajadas de suas mãos além de lhe conceder supervelocidade, infelizmente com esses poderes Johnny ganhou imensa vulnerabilidade a água e muitas e muitas vezes descarregava baterias de objetos elétricos onde estava. Um perigo para nossos novos Laps e Ipads…

A delinquente juvenil, Gloria Dinallo, telecinética – que posteriormente na série seria levantada a hipóteses dela ser filha de um alienígena com uma mulher terráquea –  era interpretada pela atriz Courteney Cox, que muito antes de fazer sucesso muldial na série FRIENDS, como a Monica, era também conhecida como a garota do filme Coccoon.O colírio teen do programa.

O interessantíssimo Arnold Beifneiter, o “Homem de Gelo” da série, que só pronunciava uma única frase o tempo todo: “Amélia!” (possivelmente um grande amor de sua vida pregressa ao acidente em 1937 que o congelou até ser desperto em 85 e que viera a lhe transformar num zumbi glacial, capaz de congelar instantaneamente tudo que tocava) Ele era o motivo pelo qual o grupo se deslocava em um carro de sorvetes – afinal Beifneiter precisava ser mantido em temperaturas muito baixas para poder sobreviver – por  objeções legais entre a Marvel Comics e a NBC , após o piloto da série, o ‘Homem de Gelo” dos Misfits, seria deixado de lado mas hironicamente eles continuaram se locomovendo no esdruchulo carrinho de sorvetes !!! Totalmente sem sentido se o objetivo era não chamar a atenção… rá!

E por fim, Dick Stetmeyer (Max Wright o pai de família da sérire ALF, o ETeimoso), o diretor do instituto, era obcecado em ver resultados por parte dos pupilos do Dr. Billy Hayes, para mostrar a seus superiores.

 

Nos 17 episódios os heróis impediram o fim do mundo por uma bomba de neutrons (no piloto da série), ajudaram um aborígene perdido na costa da Califórnia a liberar a alma de seu finado filho, guardada num totém de barro, pondo o totem num ônibus espacial para que chegasse ao céu (uau!); salvaram golfinhos super inteligentes que seriam usados por traficantes de cocaína como “mulas”, ajudaram um arqueólogo amigo a encontrar o tesouro de uma cidade perdida localizada no subsolo de Los Angeles, impediram que três velinhos que ganharam super força ao ingerir hamburgueres radioativos se ferirem e causassem maiores problemas e se infiltraram na liga estadual de basquete para desmascarar um gangster que chantageava os jogadores para influenciar os resultados das partidas… Essas e outras aventuras eram ilimitadas na criatividade, como se vê, mas esbarravam no parco orçamento do programa. Com a morte do ator Dean Paul Martin após um acidente com o avião que pilotava, a séria foi cancelada.

“Misfits” quer dizer desajustados… Já no título se explorava a idéia de párias no papel de heróis; Reparemos que hoje, depois de Blade Runner, Mad Max, Cabeça Dinossauro, Sin City, Tropa de Elite e Nikita, depois de tantos heróis suspeitos, sujos e condenáveis, é familiar a idéia de um protagonista menos palatável, desses que não estão nem aí se você vai torcer por ele ou se o final vai ser feliz. O baixíssimo orçamento certamente tem sua parcela de culpa na não continuidade de Curto-Circuito, mas é possível que naquele momento o espectador/consumidor/gado ainda preferisse o “bem contra o mau”. Vejamos Mistfits of Science como um ensaio da tendência narrativa que ainda estava para nascer, e cujo legado foi a mensagem: mesmo que você seja estranho, porque não tentar salvar o mundo?

 

Ser diferente é normal!

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Um comentário sobre “TIM KRING E OS PRIMEIROS “HEROES”

  1. Quando eu era criança, eu queria ser o cara com poderes elétricos. Cansei de encostar em postes de luz e fingir que roubava a eletricidade para abastecer meus poderes. Na minha imaginação, já deixou a cidade no apagão várias vezes…………..
    …..que bom que eu não morri eletrocutado né? Mais uma nerdice de que consegui sobreviver…..

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