Uma aluna de Hogwarts na Bienal

Por  Letícia “Nimphadora”  Fiuza

A aventura de uma devoradora de livros no meio do mundo da literatura – Crônicas de uma viciada que sobreviveu a um dia de loucuras!

Bienal do Livro 2011 – Rio de Janeiro – Rio centro – 11 da manhã às 9 da noite.

Como acontece de dois em dois anos, o Rio de Janeiro sedia a Bienal do livro, onde se aglomeram stands e mais stands de pura tentação. Eu, como uma boa devoradora de livros, não poderia deixar de comparecer, obviamente.

Domingo de manhã, contrariando meu relógio biológico e meu alelo 24, levantei cedo e fui munida apenas de dois livros para troca, dinheiro para lanche e deixando meu cartão de crédito e débito trancados dentro de casa.

Assim que coloquei meus lindos e grandes pés dentro do pavilhão laranja, meu coração saltou no peito e se dividiu em várias partes, cada uma delas apontando para direções diversas. Coloquei uma coleirinha no dito e fomos pegar a senha da primeira apresentação do “Café Literário” daquele dia, Magia da ficção, com os participantes Ondjaki (escrtor Angolano) e Andrea Del Fuego (escritora paulista).

Enquanto esperava o começo do Bate-papo, fui conhecer o espaço. De repente, ouço gritos. Sinto o chão tremer. Olho para um lado e vejo um mar de garotas enlouquecidas correndo e gritando com papeis e livros na mão. Meu primeiro pensamento foi “UATERRÉU? Justin Bieber está na Bienal e eu não estou sabendo?”. Saio do caminho para não ser pisoteada e um dos atendentes de um Stand de livros de arte e rock – Deus, como eu amei aquele lugar e bendita a hora que deixei meu cartão em casa – me disse que era a Hillary Duff (Quem? Atriz da Disney e cantora pop que recentemente lançou um livro chamado Elixir) que estava ali e seria a “autora do dia”. Se o livro é bom, não sei.

Depois de uma troca de olhares que misturavam a incredibilidade e divertimento, cada um voltou ao seu caminho. Ele de vender livros, e eu, de babar por eles.

Saio dali e logo ao lado, algo reluzente como ouro chamou minha atenção. Quando digo isso, não é metaforicamente falando. Realmente, o livro tinha detalhes em ouro. Digamos que minha paixão e devoção por aquela peça foi tão grande que o stand foi o único lugar que guardei nome. M. Moleiro, a arte da Perfeição, editora espanhola, especializada em “quase-originais” ou réplicas de livros raros e antiquissímos vindos de museus, bibliotecas e arquivos das catedrais mais importantes do mundo.  E todos os códices são feitos em poucas cópias, ou seja, você compra sua obra e sai com um atestado de “quase originalidade” numerado!

A obra dourada citada era a réplica do Atlas Vallard que foi compilado pela primeira vez em 1547, na França, usando gráficos portugueses. A obra foi mantida em residências de aristocratas franceses e, posteriormente, britânicos, antes de ser comprada pelo magnata americano Henry Huntington e adicionada à biblioteca criada por ele em Los Angeles. E a réplica era tão perfeita, tão linda, que mantinha até mesmo as imperfeições da obra original.

Eu, como uma pessoa com gostos estranhos, confesso que sou apaixonada por mapas – quanto mais antigos e desenhados, melhor. – parei em frente ao livro e fiquei o adorando até que a atendente, uma espanhola muito gentil de nome Berenice, veio me salvar e pegou o livro para que eu pudesse vê-lo melhor.

Superando meu medo de macular aquela obra, aceitei a oferta. Deus, que tesouro! Que coisa mais linda! Me senti uma criança que descobriu que o natal chegou mais cedo.

Olhei para meu amigo, com olhos brilhantes à lá Gato de botas e comecei a folhear o livro. Enfim, resumindo antes que eu molhe o teclado com lágrimas de emoção, se eu tivesse R$ 6.480,00 eu seria uma pessoa mais feliz com uma réplica do Atlas Vallard

Saindo de lá, ainda tentando me recuperar dos minutos no stand espanhol, enfim era chegada a hora do Café literário. Digo que fiquei interessada em ler as obras do Odjaki. E sobre a Magia na Ficção – tema do bate-papo -, não falaram nada. Porém, os dois convidados eram divertidos e entre histórias de suas infâncias, responderam as perguntas do público e falaram sobre seus livros.

Depois disso, à volta a peregrinação. Livros e livros!

Engraçado que um dos stands mais cheios era Saraiva. É, loucura meus amigos. Tem Saraiva em toda esquina e mesmo assim, estava lotada! Os outros eram Devir, Comix e Panini. Adolescentes, jovens e nem tão jovens assim, saiam com braçadas de Mangás, HQs e livros de RPG. E filas, muitas filas! Filas gigantescas!

Na Livraria da Travessa foi onde tive meu segundo momento de contemplação. Obras de Shakespeare, Oscar Wilde, Lewis Carroll, Virginia Wolf e Edgar Alan Poe por R$ 39,00. E os livros além de ótimos, eram visualmente perfeitos.

Depois, num outro stand, conheci o Leandro Reis, que escreveu uma série chamada Filhos de Galagah. Algo que fiquei interessada a conhecer depois que falamos um pouco sobre a série e seus personagens. É fantasia, inspirado num mundo de RPG. Algo semelhante ao que o Eduardo Spohr (A Batalha do Apocalipse) fez.  E isso é mais um incentivo aos novos escritores, ver que mais e mais brasileiros estão conseguindo espaço no meio literário.

E falando em Eduardo Spohr, ele também estava lançando seu novo livro Filhos do Éden – Os Herdeiros de Atlântida que é o primeiro de uma série que deve ter quatro livros. Quem leu “A batalha do Apocalipse” pode ou não se interessar. Eu, particularmente, achei o primeiro um tanto mal escrito e enfadonho em algumas partes, porém, mesmo com esses obstáculos acabei gostando da história e acho que vale a pena ler essa nova série.

E ainda passeando pelos corredores, eis que encontramos o maior livro do mundo, creio que os que já foram em alguma Bienal já devam tê-lo visto.  A versão gigante do clássico O pequeno príncipe, de Antonie de Saint-Exupery, mede mais de 3 m e pesa 1.420 kg. A quantidade de papel usada na confecção das 346 páginas equivale a metade de um campo de futebol. Como esse é um dos meus livros favoritos (o 3º livro que li no começo do meu vício literário, após “Sonho de uma noite de verão”, do mestre Shakespeare e um de contos dos Irmãos Grimm) não pude deixar de parar e ficar admirando-o por uns minutos.  Andando um pouco mais, chegamos num stand onde estavam expostos mini livros, e lá encontrei o oposto do livro gigante, “O Pequeno Príncipe” medindo 6 x 3 cm. Lindo demais!

Também tive meus momentos de bobeira, parando para ver as séries de livros ruins que gosto de ler, afinal, ninguém é de ferro, né? Algumas séries de vampiros, ou monstros, ou livros para menininhas ou sobre psicopatas! Ah, gente, é bom ler coisas “leves” de vez em quando.

E por falar em vampiros, tenho de indicar: Trilogia da Escuridão, do Guilhermo Del Toro e Chuck Hogan, trazido ao Brasil pela editora Rocco.  Já tem os dois primeiros lançados no Brasil, Noturno e A Queda, superando as atuais obras dos dentuços que vemos por ai, e o melhor, eles não brilham! Vale muito à pena.

Fiquei bem interessada no livro Mentes Perigosas de Sérgio Couto. Lerei em breve.

E nas horas que passei ali, fiquei deslumbrada, emocionada, brava, alegre, cansada e saudosista, pois não tive como deixar de lembrar-me de quando ia à Bienal e ficava em busca de coisas sobre Harry Potter, como em 2007 que foi o ano do lançamento do último livro As Relíquias da Morte e em todo lugar havia menção da obra em inglês ou reservas para a cópia em Português. Ai, que saudade, pensar que não passarei por isso novamente. Mas, isso é outro assunto, para outro texto.

Minha única tristeza foi não ter podido ir no sábado, que foi quando a convidada era a escritora Audrey Niffenegger, autora de A Mulher do Viajante no Tempo e Uma estranha simetria. Obras altamente recomendadas.

E estou pensando seriamente em ir na quarta, dia 07/09, a convidada é a grande escritora, dona dos vampiros mais charmosos de toda história, Anne Rice, mesmo ela tendo abandonado os seres da noite de caninos afiados para falar sobre seres angelicais.

Foi um dia muito divertido. Companhias adoráveis e cada momento melhor que o outro, afinal, eu estava exatamente no melhor lugar em que uma devoradora de livros poderia estar. Saí com um livro da Isabel Allende, que troquei por lá: A cidade das Feras. Ótimo negócio!

Talvez volte mais uma vez, para buscar alguns dos objetos que se tornaram meus desejos. E foi lá que descobri que cheiro teria uma poção do amor para mim: Livros novos, tinta, café e… Bem, isso deixa para quando for falar de Harry Potter.

Comunidade do Santuário no FACE

Anúncios

5 comentários sobre “Uma aluna de Hogwarts na Bienal

  1. Infelizmente não pude ir, mas consegui sentir um pouco do gostinho dessa bienal… valeu mesmo Leticia! (Nossa, como eu to desatualizado… Já tem uma sequencia para “Noturno” do Guillermo Del Toro?? Tenho que correr atrás disso…)

    Curtir

  2. Morando longe do Rio não tenho a oportunidade de visitar a Bienal… por isso mesmo adorei o relato! E só quem ama livros MESMO consegue entender a importância de não se levar nenhum cartão em evento desses né?

    Ah, e também fiquei com vontade de descobrir o cheiro da minha poção do amor… mas acho que teria que pensar um tantinho bom, com grandes chances de errar =x

    Curtir

  3. Muito bom o post! Se soubesse desse stand de códices “quase originais” teria ido a Bienal. Deu uma pregui de ir só para olhar livros mais caros que na internet e ver lutar para ver autores que não amo mais…

    ps: Trilogia da Escuridão é duca, né?

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s