ESPECIAL NOVOS TITÃS! O que os heróis adolescentes fazem no fim de semana?

Por Rodrigo “Titanista” Broilo

Eu me lembro de como foi. Não lembro o dia, nem a hora. O ano era 2004 ou 2005. Mas eu me lembro do lugar, lembro onde foi. O lugar não existe mais, mas tudo o que se desencadeou ainda está vivo. O Resultado? Quem eu sou.

Eu ainda vivia um pouco da minha fase nipônica. Também pudera! Foram tempos de mangás em alta, mais desenhos animados japoneses (animes) do que americanos (cartoons) nas manhãs da TV. Eu tinha parado minha coleção de Mangás de Dragon Ball tinha certo tempo, por falta de grana.

Mas eu havia começado a trabalhar, fazer estágio, e ter minha própria grana. E depois de um tempo de abstinência, voltei a entrar em uma banca. Não bem uma banca. Vendia-se de um tudo lá, de revistas e livros, a CDs, presentes, cigarros de vários tipos… A gente lá do sul chamava de Tabacaria. Eu já sabia o caminho, desviava alguns estandes e chegava à parede da esquerda e (como sempre) agachava. Lá encontrava meu tipo de literatura. Que pedaço do céu era aquele tanto de revista “formatinho”, de mangás a TdM.

Mas o que era aquilo? Que revista era aquela? Que tamanho profano era esse? “Novos Titãs”? Ah, eu lembro! Já tinha visto algo com esse novo nome perdido entre os milhares de exemplares de Tex na “biblioteca” de meu tio. E tinham até alguns que já apareciam lá… O robótico negro, aquele verde, a cabeluda laranja… Vou comprar…

Era a edição número 7 de Novos Titãs da Panini Comics… O início da minha peregrinação pelo mundo dos quadrinhos americanos… E dos americanos para a nona arte… (Mas isso é uma história a parte)

O importante é que os Titãs estiveram no meu cotidiano e na minha formação moral nos últimos anos… Essa fase, que havia começado há pouco, foi a melhor dessa nova geração de jovens heróis e com eles eu fui aprendendo a tentar ser alguém melhor… E principalmente a ver o mundo com outros olhos…

Geoff “Agente Laranja” Johns (que abraçou o multiverso e disse “Meu!” como as gaivotas de “Procurando Nemo”) me apresentou ao que hoje chamo particularmente de Titanismo, minha filosofia pessoal de aceitação das diferenças…

Com Johns conheci um jovem líder negro e (d)eficiente físico, forte e determinado a proteger os seus… Uma linda mulher alienígena de cabelos flamejantes que cultivava o que restara de seu planeta e era apaixonada pelos seus amigos, que considerava uma família… Um garoto de pele verde que procurava aceitação e atenção usando de seu bom humor… Uma jovem misteriosa que tentava conter o mal em suas veias com um bom coração e uma vontade de recomeçar sua nova e jovem vida de uma maneira totalmente nova… Um jovem inteligente que se viu muito cedo sem mãe, e logo depois sem pai… Um garoto poderoso de origem incomum que fez o mal contra a vontade… Uma menina mimada aprendendo sobre seus poderes e a como lidar com a vida, mesmo sem toda a maturidade que lhe era necessária… Um jovem impulsivo e ágil que ama os amigos e que precisava, mais do que qualquer coisa, estar com eles… Uma jovem insegura com sua condição estigmatizada de saúde, que buscava ter amigos e crescer como heroína… Uma garota de passado condenável que queria ser uma boa menina… Um menino de aparência diabólica que, por meios questionáveis, quis ser um herói e foi um anjo… Uma linda moça de pele mutável vinda de outro planeta com um senso de mural e justiça e uma simpatia inigualáveis… E um pouco de muitos outros…

Conheci heróis que eu queria ser… E aprendi que as pessoas são diferentes e, por isso, especiais. Deixei de lado minha visão de “Power Rangers” do mundo, onde todos são iguais, exceto pela cor. Não… Somos todos diferentes. E é ai que mora a beleza de tudo… Por Titãs abracei a ideia de diversidade e comecei a me livrar de pré-conceitos que me foram embutidos e construídos desde minha infância… Sei que posso não gostar de todo mundo, porém preciso aceitar e entender que as diferenças é que fazem nossa humanidade.

Depois de Johns vieram outros escritores. Ele partiu para outros projetos e revolucionou outros universos. E quanto aos Titãs, além de Cyborg, Estelar, Ravena, Mutano, Robin, Superboy, Moça Maravilha, Kid Flash, Ricardita, Devastadora, Kid Demônio e Miss Marte, conheci e aprendi com Besouro Azul, Supergirl, Granada, Aquagirl, Kid Eternidade, Super Choque e Solstício. E provavelmente aprenderei com Bugg, The Wall e Charcoal-Girl nesse rebootworld.  Por que o Titanismo é pra sempre.

Os Titãs de Johns também me fizeram conhecer muitas pessoas, a maioria delas, hoje, grandes amigos. E me fizeram ter o gosto de escrever, que hoje pratico neste Santuário. Como não dizer que não tem um pouco de Titãs em quem eu sou?

E você, o que aprendeu com seus heróis preferidos?

TITÃS JUNTOS !!!

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Um comentário sobre “ESPECIAL NOVOS TITÃS! O que os heróis adolescentes fazem no fim de semana?

  1. Bem, não vou dizer que achei os Titãs do Johns a coisa mais incrível do mundo. Para ser sincero, as vezes até achava chatinho com aquela melação de “mal posso esperar para voltar pra torre”. Mesmo assim, é inegável (IMHO) que ele foi o mais próximo de trazer o grupo ao destaque que tinham na época de Wolfman/Perez. Pena que o Aqualad II não tinha sido criado nessa época. Gostei tanto do personagem no desenho da Justiça Jovem que gostaria de ver sua interação com os Titãs.

    Quanto a minha história com os Titãs, não vou dizer “ah, mudou minha vida!”, mas posso dizer que foi uma das melhores portas de entrada para o universo DC que eu já tive. Começou com os Titãs e alcançou o seu ápice em “Último Filho” do Geoff Johns. Aqui, abre-se um parentêses: até então, eu não era muito fã do Superman. Só o respeitava por ter lançado a tendência que criaria meus personagens favoritos (na época, os X-men). Mas depois desse arco em particular passei a gostar do personagem. Sempre tive um fraco por histórias que falavam sobre sonhos, família, o clichê do irmão caçula e adoção. Ver o primeiro super herói de todos fazendo este último ítem, junto ao conceito de “legado” trazidos pelos Titãs, me fez curtir a DC de vez. Por isso, sou muito grato, pois agora me livrei da ignorância de viver em rotulos tão ridiculos quanto “marvete” e “decenauta”.

    Posso dizer que uma das vantagens dos Titãs é que os membros “sidekicks” são tão carismáticos, que por vezes se tornam mais interessantes que seus próprios mentores. Dos novos personagens, o maior destaque é o Cyborg sem dúvida. Claro, que posso dar preferência a ele graças ao desenho dos Super Amigos, onde formou amizade com o Nuclear (na época chamado de… Tempestade. Como zuei na época rsrsrs). Estelar, serei sincero e direi que nunca fui com a cara dela e sou neutro em relação a Mutano/Ravena.

    Enfim, um dos melhores grupos dos quadrinhos sem dúvida e que, infelizmente, sofrem muito por culpa de interferências editoriais e roteiristas medianos.

    A gente lá do sul chamava de tabacaria

    Por aqui em SP, também já vi esse termo sendo usado em uma loja. O mais curioso era que tal loja ficava no shopping local hehe

    Deixei de lado minha visão de “Power Rangers” do mundo, onde todos são iguais, exceto pela cor.

    Uai, mas mesmo sendo estereotipados, os Rangers sempre tiveram personalidades distintas. E a diversidade racial deixava o grupo bastante heterogêneo. Fora que depois de “No Espaço” os integrantes passaram a contar com personalidades bem variadas e os personagens não eram tão “samaritanos” quanto em MMPR. Claro, ainda eram heróis com fortes ideias de heroísmo mas não eram passavam a sensação de serem “perfeitinhos”, o que era um defeito de MMPR (por mais que eu gostasse). Se quiser ver uma versão mais contemporânea de Power Rangers e que traz um toque de nostalgia, sugiro tentar o Dino Trovão, que volta a alguns elementos básicos e dá uma nova roupagem, além de ter episódios bem diferentes. Pode tentar RPM também, mas tenha em mente que ela foi produzida para ser a “última série” que enterraria a franquia (o que não aconteceu, mas enfim) e isso fez a série ter liberdades para contar uma história mais elaborada.

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