Fullmetal Alchemist – Ação + drama + humor = A Alquimia perfeita!

Por Venerável Victor  “Alquimista de ouro, se derreter dá um anel”  Vaughan

“Nada pode ser obtido sem uma espécie de sacrifício. É preciso oferecer algo em troca de valor equivalente. Esse é o principio básico da Alquimia, a lei da troca equivalente, naquela época acreditávamos que essa lei fosse absoluta…

Essa é a narrativa inicial de Fullmetal, falada em todos os capítulos pelo personagem principal. Nesse anime a Alquimia é uma ciência e ela também obedece às leis da natureza, essa regra é a Lei da Troca Equivalente (baseada na versão da lei de conservação da massa de Antoine Lavoisier). Em essência a Troca Equivalente diz que para se criar qualquer objeto, tende-se a apreender outro objeto de igual valor. Dessa forma, podem-se criar objetos a partir de outros, apenas com uma simbologia chamada de Círculo de Transmutação e um toque de mão.

Existe uma crença de que um objeto muito poderoso pode até mesmo quebrar a Troca Equivalente, a Pedra Filosofal, algo buscado por vários Alquimistas tanto no Anime como no nosso mundo dito “real”. Rumores dizem que ela só leva os Alquimistas à morte, já que muitos morrem sem achá-la, enlouquecem ou desaparecem misteriosamente.

Num mundo fantasioso, onde a Alquimia tem papel científico e prático na vida humana e que exércitos de países são fortalecidos por regimentos de agentes especiais alquimistas, esse fantástico anime baseado no mangá de sucesse de mesmo nome tem ação. A primeira vez que vi, em 2005 na RedeTV mesmo com diversos cortes de edição me encantei de imediato, seja pela luz e cenários deslumbrantes do desenho, seja pelo tema inusitado e diferente que é essa junção de Alquimia e Mangá mas principalmente pelo fio condutor de toda a trama, o amor. Na mitologia Judaico Cristã com Cain e Abel, na Literatura de Machado de Assis ou mesmo nas novelas que acompanhamos com devoção ficou tão comum vermos irmãos inimigos. Mas em Fullmetal, não! O desenho fala essencialmente de amor, amor incondicional entre irmãos.

 

Fullmetal Alchemist da autora Hiromu Arakawa é a saga dos irmãos Elric no mundo da Alquimia buscando conseguir o conhecimento e a Pedra Filosofal para trazer sua mãe de volta a vida por meio da transmutação humana. Ele com certeza está na lista dos melhores animes que eu já vi na minha vida e dos melhores mangás já escritos. A série tem ação, drama, humor, enredo envolvente e um mundo original repleto de alquimia e das trocas equivalentes.

Em Resenboot, uma cidade do interior – o país não importa- , vivem os irmãos Edward Elric e Alphonse Elric, filhos de Van Hohenheim  e de Trisha Elric. Quando eram pequenos os irmãos Elric foram misteriosamente abandonados pelo pai. Logo depois, Trisha ficou doente e morreu. Desde então, Edward, o irmão mais velho, passou a culpar o próprio pai pela morte da mãe. Arrasados com a morte de quem tanto amavam, tentam revivê-la, utilizando uma técnica proibida da qual tomaram conhecimento lendo um dos livros que o pai havia deixado em casa, sobre Alquimia.

Na  Alquimia  pode-se conseguir qualquer coisa, desde que se pague o que se deseja tanto com um valor equivalente. É a lei máxima da Alquimia, a “Lei da Troca Equivalente”. Transmuta-se um objeto reorganizando e recombinando seus átomos. Como um corpo humano é composto por diversos elementos químicos, em teoria, pode-se criá-lo misturando os elementos certos e em suas devidas proporções. Pondo esta teoria na prática, os irmãos utilizam a receita do livro para trazer a mãe de volta a vida – interessante a nomenclatura RECEITA, afinal a Alquimia tem raiz na culinária- e, como último ingrediente, acrescentam uma gota  de sangue de um deles, pois carrega as lembranças genéticas da mãe. Assim, é quebrado o maior tabu da Alquimia: a Transmutação Humana. Entretanto, os irmãos conseguem reviver apenas o corpo da mãe, sem alma. E por terem praticado a transmutação humana, são levados até a Porta da Alquimia – o Portal  contém um conceito chamado de Verdade, uma infinita fonte de conhecimento sobre alquimia e sobre a vida – onde o preço do corpo da mãe é cobrado: Edward perde sua perna esquerda, enquanto seu irmão Alphonse perde todo o seu corpo. Edward então sacrificou o seu braço direito em troca da alma do seu irmão, que ele selou em uma armadura.

Edward usa Automails – próteses mecânicas –  implantadas no lugar dos membros perdidos, no início eles passam a viver junto com a família Rockbell, vizinha, que por ser especialista em automail, lhe dá as próteses necessárias. Mas logo depois os irmãos Elric partem em busca da lendária Pedra Filosofal, a qual, reza a lenda, amplia os poderes de um Alquimista  através dela, fazendo com que possam ignorar a lei da troca equivalente, de modo que eles poderiam de alguma forma, recuperar seus corpos. Porém, eles não são os únicos interessados no artefato, os Homunculus (seres humanos artificiais), também estão atrás da pedra. Para facilitar a sua busca, Edward entra para o exército, tornando-se um Alquimista Federal – por muitos denominados “cães do exército” – e passa a ser conhecido pela alcunha de Alquimista de Aço. Eles ainda cruzam constantemente o caminho de Scar, um sujeito de poderes misteriosos que busca se vingar de todos os Alquimistas Federais que encontra pela frente. Em sua jornada em busca da Pedra Filosofal, os irmãos Elric descobrem conspirações e ligações entre o exército e os homunculus. Cada episódio muitas vezes melhor que o anterior.

Na Alquimia clássica a busca da Pedra Filosofal é um paradigma, pois consista na metáfora que muitos levam ao pé da letra equivocadamente, Conseguir achar os meios de transformar chumbo em ouro nada mais é que encontrar a iluminação, transmutando um corpo e alma imperfeitos e brutos em algo de valor inestimável!

Nesse mundo em que vivemos, assim como nessa terra fantasiosa dos irmãos Elric, o amor ainda é mais poderoso e eficaz que qualquer Pedra Filosofal jamais encontrada. Não é preciso  de Alquimia para entender que  a regra da “Lei da Troca Equivalente” é muito simples para explicar o mundo, complexo e imperfeito do jeito que é. Uma regra nunca poderá explicar tudo. E existem coisas que não têm preço, como uma vida humana.

O lema e orgulho dos Alquimistas:

“Que a Alquimia seja usada para o bem do povo”

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