The Rocky Horror Picture Show

“And Flash Gordon was there in silver underwear
Claude Raines was the invisible man
Then something went wrong for Fay Wray and King Kong
They got caught in a celluloid jam
Then at a deadly pace it came from outer space
And this is how the message ran:

Science Fiction – Double Feature”

Por Rodrigo “Time Warp Dancer” Broilo

Você pode até não curtir o gênero cinematográfico conhecido como “Musical”, mas se você curte ficção científica, assistia “Cine Trash” na Band, tem influências nérdicas e curte aquele som rock-pop dos anos 70, perder “The Rocky Horror Picture Show” é o que se chama sacrilégio.

Eu particularmente não gostava desse gênero até alguns anos atrás. Acho que foi trauma causado por “Chicago”, já que dormi nos primeiros 15 minutos de filme. Mas depois conheci outros muito legais. E recentemente, com “Glee”, fiquei conhecendo este de que vos falo, já que há um episódio inteiro dedicado a esse espetáculo musical. E como encontrei a edição de 25 anos perdida entre as prateleiras da Santa Saraiva, comprei-o(-o). Um vantajoso investimento.

“The Rocky Horror Show” foi um musical que surgiu em 1973 na Inglaterra, escrito e musicado por Richard O’Brien. Dois anos depois o musical virou o filme “The Rocky Horror Picture Show” que teve 1.2 milhões de dólares de orçamento, e não foi sucesso de bilheteria.

Tanto o filme quanto o espetáculo musical, fazem uma sátira à moralidade e sexualidade dos anos 70, já que em ambos ficam claros a perversão sexual que há em quase todos os personagens. Para isso, o enredo se pauta em uma atmosfera baseada em ficção científica e filmes de terror B, com os elementos clássicos do tipo: cientista louco, sua criatura, seus ajudantes, o casal politicamente correto que vai parar por acidente no castelo do “vilão”, alienígenas, assassinato e muito sexo implícito. Mas, claro, com algumas especificidades, uma dose de humor e muita música.

A história começa com o casamento de Ralph e Betty, onde a jovem protagonista do filme, Janet Weiss (vivida por Susan Sarandon) pega o buquê da noiva. É a oportunidade para Brad Majors (Barry Bostwick), seu namorado, pedi-la em noivado ao som de “Dammit, Janet”. Os dois decidem ir a Denton, no interior dos EUA, encontrar o professor Dr. Everett Scott, para agradecê-lo por tê-los apresentado e para convidá-lo para o casamento. Mas devido à chuva e um pneu furado, o casal vai parar no castelo do Dr. Frank-N-Furter. Lá são recepcionados pelo “faz-tudo” Riff Raff (Richard O’Brien, criador do espetáculo), pelo camareira Magenta (Patricia Quinn) e pela groupie Columbia (Nell Campbell) durante uma convenção que se realiza no castelo. Nessa cena é executada uma das melhores músicas do filme, “Time Warp”.

Logo após, chega o Dr. Frank-N-Furter (Tim Curry, no papel que Mike Jagger queria interpretar) para se apresentar aos presentes e descobrimos que ele é um transexual, ao som de “Sweet Transvestite”. Janet e Brad são convidados ao laboratório do Dr. Frank para ver o “nascimento” de Rocky (Peter Hinwood), o homem loiro e musculoso que o cientista estava criando para, como ele mesmo diz, “aliviar sua tensão”.

Após um pequeno assassinato, a história vai se desenrolando em torno da entrega a sexualidade do casal certinho Brad e Janet, enquanto outras insanidades vão acontecendo.

Ao final descobrimos o que é a “Transsexual Transilvania” de onde o Dr. Furter e os demais moradores do castelo vieram. Mas o final não será contado para não estragar o seu prazer!!!

No Brasil, o filme só estreou no inicio dos anos 80 e não foi bem recebido. O DVD da obra contém um disco só de extras.

No ano passado foi realizada uma apresentação comemorativa aos 35 anos do filme, combinando cenas do filme com algumas remontagens de números musicais, no The Wiltern Theater de Los Angeles. Na ocasião Brad e Janet foram interpretados durante as cenas musicais por Matthew Morrison e Lea Michele, da série “Glee”. Ainda tivemos Lucas Grabeel, dos filmes “High School Musical”, como Riff Raff; Melora Hardin, da série “The Office”, como Columbia; Evan Rachel Wood, de “True Blood”, como Magenta; e o ator Julian McMahon, de “Nip/Tuck”, como o cientista Dr. Frank-N-Furter. Durante a música “Time Warp”, Tim Curry e Barry Bostwick, que interpretaram o Dr. Frank e Brad no filme, respectivamente, uniram-se aos atores no palco. A renda do espetáculo foi revertida para o “The Painted Turtle”, instituição financeira criada por Paul Newman para auxiliar crianças doentes.

Além de “Glee”, a série Cold Case (Arquivo Morto no Brasil) exibiu um episódio (2ª temporada – Episódio 21: “Creatures Of The Night”) que faz referências ao filme, inclusive tocando uma de suas canções ao final: “Over at the Frankenstein Place”.

O roteiro original de “The Rocky Horror Picture Show” previa que no início, o filme seria em preto e branco, até o surgimento do Dr. Frank-N-Furter, e que após um close em seus lábios, o filme passaria a ser a cores.

O filme é considerado cult em muitos países de língua inglesa, como por exemplo no Canadá e EUA, e em Munique há um cinema onde o filme está em cartaz desde o seu lançamento, sendo o recorde mundial de maior tempo de permanência. O filme passa na sessão da meia noite, assim como muitas das sessões do musical já que a classificação indicativa é de 18 anos (pelo menos no Brasil).

Mais do que uma sátira aos filmes de ficção científica e de terror, “The Rocky Horror Picture Show” satiriza a própria humanidade, sua moralidade e seu aprisionamento de sexualidade. Durante uma das músicas finais, chamada “Super-Heroes”, ouvimos o seguinte:

“And crawling on the planet’s face
Some insects called the human race
Lost in time, and lost in space
And meaning”

Vale muito a pena conferir esse filme clássico, chorar de rir com os efeitos especiais e sentir a batida musical do rock e do pop dos anos 70.

“Rose tints my world keeps me
Safe from my trouble and pain”

Se interessou? Então aprende a dançar!

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5 comentários sobre “The Rocky Horror Picture Show

  1. Estava dando uma olhada pela internet, nada de interessante para ver, quando descobrir seu blog “sem querer”. Sou muito tímido, me sinto excluído pelas outras pessoas, sofria muito na escola devido a minha gagueira, enfim, o que importa é que através do seu blog eu descobri esse filme que me deu vontade de mudar e de ser quem eu realmente quero ser, porque na verdade é disso que ele trata, libertação. Se eu mesmo não o fizer, ninguém irá fazer por mim. Muito obrigado por esse texto, ele ficou ótimo.

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  2. Pérola! Adoro esse filme =D

    De ficar cantarolando as músicas, e pensar que na época muitos lugares só podiam passa-lo na sessão da meia noite =D

    Aqui no Brasil uma época teve um festival desse no Odeon do Rio, por umas semanas tinha sessão meia noite de RHPS! =D

    Pra dançar mais!

    E minha preferida: (não achei a cena do filme)

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