SCANNERS – sua mente pode destruir…terror, ficção científica e muita ração de cachorro.

Por Venerável  “copiadora preto e branco”  Victor Vaughan

Nossa mente pode tudo: Pode  nos distrair , em vez de eu estar trabalhando muitas vezes estou  no facebook vendo quem escreveu o quê pra quem – não, não sou fofoqueiro, só estudo a sua vida! – pode nos confundir , um grande amigo e mestre, bêbado no carnaval, paquerou num bloco de rua durante alguns minutos uma “gatinha”, ao ver que seus olhares eram retribuídos com sorrisos fartos  se aproximou e viu que  se tratava de um outro amigo nosso, fantasiado de “rapariga” e rindo muito da cara dele. Pode nos iludir , como quando contamos tanto uma mesma mentira, centenas de vezes, por tanto tempo que ela começa a fazer realmente parte das nossas memórias, nos levando a crer que é verdade. E em 1981 para um cineasta canadense cult, ela pode destruir outras mentes!

“10 segundos – a dor começa

15 segundos – você não pode respirar

20 segundos – você explode”

Não se trata da descrição do que acontece quando tomamos vodka nacional. O trecho acima está na capa da edição nacional do DVD do filme, aludindo a épica cena da cabeça que explode, e que coloca a obra que vamos falar em um curioso paradoxo: longe de ser a contribuição máxima de David Cronenberg ao cinema, possui a cena que talvez seja a mais forte expressão do propósito do diretor enquanto cinematógrafo.

Um dos filmes mais famosos de Cronenberg, , Scanners descortina para o espectador o universo dos interesses tecnocientíficos emanados pelas corporações empresariais de vigilância e comunicação.A trama aborda a existência dos Scanners, humanos dotados de terríveis poderes telepáticos (que mais tarde descobrimos serem frutos de uma experiência com drogas aplicadas em mulheres grávidas). Ao todo, são 237 Scanners espalhados pelos EUA, O filme retrata uma espécie de grande guerra telepática  e a primeira ideia de Cronenberg foi, aliás, filmá-la como uma história de espionagem com notórios ecos da “guerra fria”.

O “mocinho”,  Cameron Vale tem poderes telepáticos, mas esse dom vira um pesadelo porque ele não consegue manter sob controle sua capacidade de “escanear” os pensamentos alheios. As mentes dos outros invadem a sua sem descanso, atormentando sua vida e transformando-o num ambulante que não se adapta às exigências da vida social. Um belo dia, porém, ele é capturado pelo Dr. Paul Ruth, que lhe promete uma cura capaz de livrá-lo de seus pesares graças à reorganização de seus circuitos “neuro-telepáticos”, por meio de uma droga chamada Ephemerol. Em troca, o personagem deverá se tornar um espião: terá que usar suas capacidades paranormais como uma arma a serviço da ConSec, uma organização especializada em segurança internacional que está sendo ameaçada por um perigosíssimo grupo de telepatas. Os ataques são liderados pelo sinistro Darryl Revok, um scanner psicopata que é capaz de explodir as cabeças invadidas com seus poderes telecinéticos. Nesse peculiar enredo de saberes e poderes extremos, Cronenberg coloca em cena corpos bioquimicamente manipuláveis, capazes de se transformar nos nodos de uma rede de informações, onde a telepatia pode operar como metáfora de uma sociedade de indivíduos cada vez mais “ligados” e entregues aos imperativos das conexões com a internet.

Nesse filme de terror e ficção científica, Cronenberg fez escola, conseguiu realizar uma produção com efeitos de maquiagem excepcionais, muito antes dos atuais recursos digitais, com técnicas inovadoras que acrescentaram realismo às cenas de cabeças explodindo e às transformações das personagens. Em Scanners a cabeça explodindo por exemplo foi feita com um modelo de borracha, recheado com ração de cachorro e pedaços de carne, ativada por um tiro de espingarda calibre 12. Foi  também referência em situações hilárias, como a cena em que um carro explode segundos antes de bater contra um muro e  por ser um filme independente  – leia-se independente como de baixíssimo orçamento – não poderia ser refeita, sendo editada assim mesmo no original. Além de que a partir desse filme, todos os combates telepáticos  no cinema imitam os personagens de Cronemberg, podem reparar…

Caros DEVOTOS do nosso Santuário, não era novidade na década de 80 o clichê – que traduzindo do francês é: lugar comum –  de cabeças explodindo, Brian de Palma mais de uma década antes já tinha feito isso com outro telepata/telecinético no seu filme “A Fúria” que é infinitamente superior a Scanners . O mérito do diretor que também é o roteirista está em colocar

essa que se tornaria a cena referência de todos os tempos no gênero já no início de seu épico trash,  A partir deste trabalho, David Cronenberg conseguiu abrir as portas de Hollywood para seu ousado e insólito estilo de direção agora em grandes orçamentos .  Minha mente me enganou por anos, assisti esse filme a primeira vez ainda muito pequeno em alguma reprise da Globo e tinha uma ideia totalmente diferente… pra começar passei décadas acreditando que era o Dennis Quaid o protagonista, nunca foi… e que a história era muito mais surpreendente do que realmente é, no entanto seu valor icônico não se alterou. Filme cult obrigatório, recheado de muito sangue e miolos esvoaçantes! Afinal confessem, quem nunca desejou poder explodir a cabeça de algum infeliz pentelho, uma vez na vida?

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3 comentários sobre “SCANNERS – sua mente pode destruir…terror, ficção científica e muita ração de cachorro.

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