Vida longa aos mitos!

Por Rodrigo “Agradecido” Broilo

Na última segunda-feira, dia 26 de setembro, o mundo perdia mais um grande nome dos quadrinhos. Nos deixou o multi homem dos fumetti, como são chamados os quadrinhos italianos, o senhor Sérgio Bonelli. Persona que ajudou a trazer até nós, como autor ou editor, heróis como o vaqueiro Tex, o soldado americano que entre os índios recebeu o nome de Mágico Vento, o conhecedor de tudo Martín Mystère, a criminologista Julia Kendal, o espírito da machadinha Zagor, o detetive do pesadelo Dylan Dog, o homem do futuro Nathan Never, além de Mister No e Ken Parker, também da editora de sua família.

Toda vez que ouvia falar de Bonelli e suas obras, eu voltava a minha infância…

Boa parte de minhas férias de verão, na infância, eu passava na casa de avós ou tios, no interior do Rio Grande do Sul. Em um lugar em especial, minha paixão por literatura aflorou. Na casa de um dos irmãos de meu pai, ele e minha tia, sua esposa, dedicavam uma parte da casa aos livros. Não é preciso dizer que era meu canto preferido daquele lugar…

Mesmo entre vacas, porcos, galinhas, galinhas d’angola, chinchilas e dos cachorros que tomavam conta da propriedade, eu trocava tudo por aquela sala/corredor que dava acesso aos quartos. Perdia-me naqueles livros infantis que minha tia, única professora do lugarejo, usava para dar suas aulas. Sua avó, uma doce senhora que hoje descansa entre antigos heróis, me acompanhava nessas aventuras, me contando as histórias dos livros, que nem eu, nem ela sabíamos ler. Como? Ela fez como os autores fizeram: inventava. Tudo para manter acessa a luz da imaginação daquele menino que hoje sou eu.

Mas tinha uma parte daquela estante que eu só fui ter mais acesso conforme fui ficando mais velho. Inúmeras revistas tipo formatinho onde se lia a palavra TEX. Eram duas prateleiras no alto, depois passou a ser a estante inteira. Claro que havia Novos Titãs, Aquaman e X-Men perdidos lá no meio. Mas quem reinava era Tex. Não era de se admirar. Embora aquela pequena cidade, onde o vizinho mais próximo estava a 5 minutos de distância, fosse muito mais verde que o Texas, inspirava um homem do campo como ele, a desbravar o mundo em busca de Justiça.

Confesso que foram poucas as revistas de Tex que eu li quando criança. Não tinham cores, eram histórias muito sérias e eu não estava maduro o suficiente para entender a grandiosidade dessa obra. Mas conheci também lá Zagor, Mister No, mais tarde experimentei Mágico Vento… Não desfrutei de tudo que Bonelli e seu multiverso tinham a me oferecer, mesmo tendo por ele e seu legado um grande respeito, mas sempre que me lembro dele e de seu cowboy, que tantas vezes ajudou a trazer até nós, lembro-me do doce sabor de minha infância, onde o nome Tex era frequente, quase uma presença a ser sentida.

Quem sabe agora, levemente mais adulto não tenha eu condições de adentrar nesse Bonelliverso?

Como disse muito bem meu amigo Weber Carvalho: “Se vai o homem, mas permanece o mito”.

Obrigado Mestre Sérgio Bonelli! E descanse junto a Manitu!

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2 comentários sobre “Vida longa aos mitos!

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