Frankenstein # 1:Paraíso Perdido

Ele sofrerá por vir em carne. Uma vida reprovável e uma morte amaldiçoada“.

John Milton

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Por Rodrigo Garrit

Sim, ele está vivo! Temos mais uma encarnação de Frankenstein, clássico monstro criado pela escritora Mary Shelley para o romance homônimo. O personagem já foi reinventado diversas vezes desde então. E agora a DC Comics decidiu investir na sua própria versão do personagem.

Não posso deixar de comentar que parece que estão querendo “fabricar” uma espécie de sucessor para o Grant Morrison, já que o autor escocês revitalizou o Frankenstein na minissérie “O Setes Soldados da Vitória” e esse novo título é escrito pelo mesmo Jeff Lemire de Homem Animal #1, (outro personagem notoriamente revitalizado por Morrison). Mas a DC devia saber que criar monstros pode ser algo desastroso…

Mas se em Homem Animal, ele nos deu uma das melhores revistas do reboot, agora temos uma história bem inferior, embora com vários pontos altos, que estabelece alguns padrões, e de alguma forma diz qual será o tom dessas histórias. Essa promessa do que a revista pode vir a ser me agradou mais do que essa história em si. Em uma primeira edição de um personagem ainda não muito reconhecido pelo grande público, (o Frankenstein versão universo DC, não o monstro consagrado da cultura pop) é normal que o autor se dedique a algumas explicações do status de seu protagonista. Um dos pontos altos é a interessante e engenhosa forma como a base secreta da S.O.M.B.R.A funciona, e faz todo o sentido que a mente científica por traz disso seja Ray Palmer, famoso por ser o herói “Elektron” antes do Reboot. Lemire conta com os desenhos de Alberto Ponticelli… o traço dele cumpre a função, mas pessoalmente, achei que o título merecia algo mais sofisticado.

Frankenstein foi meu título preferido da minissérie “Os Sete Soldados da Vitória”, e já ficou comprovado que pode render ótimas histórias. Aqui temos uma tentativa séria de reviver aquele clima, porém tudo na história é muito exagerado, mas claro, considerando o protagonista dessa série, não poderia ser diferente. Existem muitos monstros, o tempo todo… tanto do lado dos bandidos quanto dos mocinhos, mas isso não garante necessariamente que estejamos lendo uma revista de terror, como a ótima Monstro do Pântano #1 de Scott Synider. Na verdade o excesso de monstros acaba sendo ao mesmo tempo o mote principal da história e também seu maior problema. Existem várias situações bizarras, como pede esse estilo de história, e a primeira sequencia é sim, desconcertante…. mas ainda assim… vou me repetir: é exagerada. Pessoalmente, acho muito difícil criar uma HQ de horror, já que ela não contém os mesmo recursos de um filme, por exemplo… a começar pelo fato de você saber que está lidando com caricaturas e não pessoas reais atuando. Também não há trilha sonora, e nem aquele silêncio oportuno que muitas vezes é mais assustador que qualquer imagem monstruosa. Numa história em quadrinhos, todo o terror deve ser extraído da tensão psicológica exercida aos personagens… é preciso muita sutileza para realizar essa façanha, ainda mais tratando-se de um título mensal. Não digo que não possa ser feito… já li histórias de arrepiar… O já citado Monstro do Pântano na fase de Alan Moore, algumas edições de Sandman de Neil Gaiman, além de vários títulos da Vertigo, como Hellblazer e Preacher, além de Hellboy, de Mike Mignola, publicado pela Dark Horse Comics.

Por falar em Hellboy, não há como não pensar no personagem o tempo todo. Tudo remete a ele: um monstro que trabalha do lado dos mocinhos em uma organização secreta e conta com a ajuda de outros monstros. Temos até mesmo uma Dra. Nina Mazursky, híbrida humano-anfíbia que lembra muito o personagem Abe Sapien.

A revista nos traz Frankenstein entrando em ação contra uma ameaça cuja origem por enquanto não tem nenhuma explicação… vemos um pouco do seu conturbado sentimento por sua monstruosa esposa, e sua personalidade contraditoriamente sensível – estabelecida por Morrison e acertadamente mantida por Lemire – . Um dos pontos altos é ver a criatura citando clássicos da poesia, como o verso que abre este artigo. Também o vemos trabalhando pela primeira vez com alguns de seus companheiros da organização S.O.M.B.R.A.  É um título com grande potencial, mas infelizmente essa primeira edição foi morna, embora Lemire já tenha demonstrado ser um bom roteirista, e esse tipo de história seja a praia dele. Creio que possa nos surpreender positivamente nas próximas edições.

S_Final

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6 comentários sobre “Frankenstein # 1:Paraíso Perdido

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