Viva as diferenças

Por Rodrigo Broilo

Os quadrinhos tomaram seu espaço. São arte e literatura, em uma só mídia. São a nona arte. Fato! Negado, mas fato! Há quem sequer o considere como literatura, que dirá como nona arte. Mas enfim, eles aí estão… E nós gostamos.

E embora o Brasil tenha gigantescos talentos, eles são mais reconhecidos e usados lá fora do que aqui dentro. E poucos conseguem se manter e prosperar neste solo ruim. A Turma da Mônica, por exemplo, vingou, cresceu, fala outras línguas e anda por outros territórios. Outro fato!

Mas a questão é que hoje em dia, os quadrinhos também exercem uma função social. Mais um fato!

Vide o reboot DCista. Ele não tem a pretensa intenção de ser pautado na diversidade? Não há negros e mulheres ganhando espaço e revistas próprias? Não há personagens sendo criados para suprir demandas étnicas e sexuais dentro do UDC, como Nigthwing e Bunker?

E a Marvel? Não acompanho a “Casa das Ideias”, mas houve boatos de um Homem Aranha negro. Se isso não é se “diversificar”, POHAM! Enfim… Não quero cair de novo nesse assunto.

O que eu quero dizer é que, os quadrinhos tem feito uma função social (leia-se uma “retro-influencia na sociedade”, que demanda um tipo de representação, caricata ou não, de determinado arquétipo desta dita sociedade, que em resposta é representação para aceitação, espontânea ou não, do coletivo) e não só lá fora.

Claro que Turma da Mônica é um tema dito infantil e numa sociedade com o tipo de visão que a nossa tem, não se aplicam discutir temas como homossexualidade em uma revista dita infantil. A questão feminina também não é aplicável, pois eles ainda são crianças e as mulheres só vão ser renegadas na fase adulta quando, por exemplo, entrarem no mercado de trabalho. A questão racial costuma ser menos importante quando somos crianças e seres mais humanos, embora nesse ponto caiba a dica de que TdM poderia ter mais negros além de Jeremias ou a Turma do Ronaldinho Gaúcho. A latinidade também não é um tão problema nosso afinal nós mal lembramos que somos cercados por falantes de espanhol, exceto quando tem jogo de seleções.

Longe de ter a intenção de fazer uma crítica, este ultimo parágrafo é apenas a visão de nossa sociedade (brasileira), carregada da minha opinião pessoal. Nós temos uma demanda de diversidade, que não é de todo diferente das demandas americanas, mas é trabalhada sobre outros aspectos. No caso específico, e que quero discutir, da Turma da Mônica são as diferenças físicas. E nesse ponto, Turma da Mônica tem feito bonito.

Primeiro foi Humberto, o menino “mudo”. Demorou até ele ganhar o aspecto de inclusão, mas os anos 2000 demandaram isso. E com Humberto a turminha aprendeu linguagem de sinais. A necessidade de inclusão de surdos e mudos é real. A Linguagem Brasileira de Sinais (LIBRAS) é um sistema de comunicação completo e eficaz para que haja interação entre pessoas com ou sem a fala e/ou a audição e já faz parte dos cursos superiores, principalmente as licenciaturas.

Depois foi a vez de os deficientes visuais serem representados pela doce, simpática, musical e fashion Dorinha. Inspirada em Dorina Nowill, Dorinha estreou na TdM em meados da década de 00 e é personagem recorrente aparecendo com frequência nas historinhas. Dorinha interage normalmente com as meninas, fazendo desfiles, discotecando e brincando.

Na mesma época surgiu Luca, conhecido como “Da Roda”. Luca é o menino bonito e cadeirante por quem Mônica tem uma quedinha. Luca mora em uma casa toda adaptada para suas condições especiais, com rampas, corrimãos e portas largas. Mas a condição de Luca não o impede de brincar nem de praticar esportes, sendo fera no basquete.

Pouco depois surgiu Tati, inspirada em Thatiana Piancastelli, na história promocional “Viva as diferenças”. Tati preencheu a demanda de uma criança que representasse as portadoras de Síndrome de Down. Tati, porém, não aparece com tanta frequência quanto Luca e Dorinha.

O interessante dessas personagens, especialmente as três primeiras que citei, é que elas aparecem nas histórias interagindo normalmente, dadas as suas limitações, não ficando os enredos pautados em ressaltar essas diferenças, e tampouco sendo histórias tristes ou educativas. E como não podia deixar de ser, Humberto, Dorinha e Luca cresceram e estão na Turma da Mônica Jovem!

O trabalho da Maurício de Souza Produções é encaixar as crianças, como se não houvessem as diferenças, como deve ser, e como uma indireta aos adultos que classificam e segregam, dando ou retirando valor dos seres humanos dada suas características.

Ler histórias dessas crianças me fazem pensar: que estrutura temos, física e pessoal, para dar uma vida normal para essas pessoas se nossas cidades e tudo o que fazemos é projetado para os “perfeitos”?

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5 comentários sobre “Viva as diferenças

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  2. Eu acho que é super legal esse trabalho de inclusão social que o maurício faz nos gibis,isso mostra que ele se importa em apresentar argumentos para que todas as crianças brinquem e se divirtam juntas sem se importar com as diferenças!bjs

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  3. DC/Marvel aprendam c/ a turma da Mônica o que é inclusão social! Sempre questionei pq a Oráculo, apesar de tão importante p/ o UDC, é uma personagem isolada dos outros heróis. É como se não bastasse inteligencia e sagacidade… não vejo inclusão ao retratá-la como “de novo” a Bitgirl… Jericó voltou a falar mas se tornou um psicopata… Amanda Waller agora tá enxuta e novona… a estraterrestre Kory é objeto sexual da galera (ou como pensam uns ela usa os homens… sei… aham… tá mais p/ desculpa de piriguete)… cara, o que o destino reserva ao novos párias sociais?

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