Elano do Santos x Rom o Cavaleiro Espacial, do Triunfo à Tragédia de Bill Mantlo

Por Venerável Victor “Cavaleiro Especial”  Vaughan

Hoje eu resolvi falar de cavaleiros, se por um lado temos  o  – agora famoso –  orgão sexual do jogador do Santos, Elano, em evidência na mídia, após a famosa atriz da Globo, Nívea Stelmann receber imagens do mesmo, via torpedo no seu celular e por a boca… na mídia. eu independente de julgar  a atitude, pouco cavalheiresca e no mínimo rude e sem noção me pergunto. O Que é nos dias de hoje, realmente um “cavalheiro”? Afinal nossos avós nos apontam que esse gênero de homens está em extinção. Será? Eu parei pra pensar e me lembrei de um exemplo perdido no tempo, na verdade dois. Bill Mantlo e seu personagem Rom! Alguém se lembra? E caso não, que tal fazermos um passeio por um momento na história de nossas vidas onde na mídia e no comportamento, o mundo era menos vulgar?

Imagino que alguém possa pensar: “… mas o Victor usou o nome do jogador como chamariz para essa matéria! E tá misturando “cavalheiro” com “cavaleiro”. Agora não! Eu quero alguma razão para esse título!”

E eu respondo : “Calma jovem Devoto(a)! Ao fim desse texto eu prometo mostrar uma imagem exclusiva da foto das partes pudentas que o famoso ex da senhorita Stelmann lhe enviou e gerou tanto alvoroço na mídia” Vamos falar primeiro de cavaleiros? E para começar… o Surfista Preteado não foi o único herói prateado de alma nobre da MARVEL comics.

A Batalha, o Triunfo e a Tragédia de Bill Mantlo e Rom

Em 17 de julho de 1992, um advogado chamado Bill Mantlo, estava andando com seus patins rollerblade por uma rua de Nova York, vindo de lugar nenhum ele foi atingido por um carro e sofreu severas injúrias, o carro – o infeliz que dirigia o veículo – nunca foi identificado, Bill Mantlo ficou dois meses em coma, mas  eventualmente despertou…

Por que eu me importo com isso? Porque esse cara, esse advogado é o co criador , juntamente com Al Milgrom e o desenhista espetacular, Sal Buscena  – que ficou famoso desenhando durante anos o também espetacular Homem-aranha –  do personagem que originalmente era vendido como uma figura de ação e fez muito mais sucesso quando virou personagem de quadrinhos: ROM,o Cavaleiro Espacial!

Na primeira edição aprendemos que Rom é um aliem do planeta Galador, um cidadão que se ofereceu para ser transformado eternamente num guerreiro ciborg – inspirando muitos outros – com a missão de caçar e eliminar os inimigos de toda vida, banindo-os para  o limbo – afinal toda tecnologia desse mundo evoluidíssimo procurava ser não letal – os Dire Wraiths (aqui no Brasil, Espectros), uma tarefa que ele vem desempenhando pelos últimos duzentos anos e o trouxe até a Terra. Não tem como não se maravilhar, babar mesmo, na arte de Buscena. Olhem isso…

Além da intrincada história e dos elementos apresentando o passado e presente da vida de Rom, enquanto Mantlo nos envolve em uma rede tão fantástica quanto qualquer outro bom roteirista de quadrinhos é capaz, ele sedimenta ali um público enorme e fiel, obsessivo com a saga desse Cavaleiro Espacial que viajou até a Terra para caçar os inimigos de seu povo – e de toda vida no universo – agora infiltrados na infraestrutura terráquea.

Primeiramente ele é visto como um inimigo da humanidade, Rom é caçado e atacado pelos exercitos do nosso planeta, que tem seus generais e comandantes substituídos pelos transmorfos “Espectros”.

Exatamente como na mítica  saga “Star Wars” de George Lucas, Rom é um produto de várias coisas que Bill Mantlo amava e o influenciaram, desde a fábula dos Cavaleiros da Távola Redonda até o clássico da ficção científica dos anos 50, “O Dia em que a Terra parou”.

A arte de Sal Buschema – volto a dizer, um grande mestre – realmente conseguia passar todo o clima de melancolia, sofrimento e desespero dos roteiros de Mantlo.

Muitos de nós aqui no Brasil, acompanhamos e  vibramos com cada vitória do nosso herói intergaláctico. Nós sentimos o sofrimento e dor de Rom, assim que se apaixonou pela humana Brandy Clark, uma mulher que ele nunca poderia amar  inteiramente como um homem, devido  a sua carapaça ciborg impenetrável que o impossibilitava de sentir o toque e calor humano. Experimentamos as belezas de seu planeta natal Galador, com seus edifícios dourados e lindas florestas exóticas…

Sentimos pena desse cavaleiro, quando seu planeta foi transportado para um lugar desconhecido e inacessivel para ele no universo por Galactus ou fomos testemunhas do horror de uma cidade inteira no Estado da Virgínia atacada pelos Spectros que mataram cada homem, mulher e criança e depois presenciamos a mesma cidade virar cinzas nas mãos dos também transmorfos Skrulls – que depois viemos a descobrir serem uma raça “prima” dos Spectros – e que também como Rom, os caçavam.

A partir daí, foi um pulo para vermos  o real impacto do personagem no universo Marvel oficial, como por exemplo, nos best sellers X-men. Quando o roteirista Chris Claremont -na época ainda com a mão boa pra escrever histórias que prestassem – aproveitou os  inimigos jurados de Galador e Rom em um arco de histórias. Sem mencionar a responsabilidade direta do Cavaleiro Espacial na fase sem poderes da Tempestade, afinal, após ser encontrada, a principal arma de Rom, o neutralizador – que como o nome mesmo já sugere, neutraliza poderes – foi copiada pelo estreante mutante Forge e usada por Peter Gyrich, para tirar os poderes de Ororo Monroe  – na verdade o tiro era para acertar a recém regenerada, vilã Vampira – Tempestade estava no lugar errado e na hora errada. Mas em virtude de toda essa quizumba, Forge e Ororo acabaram tendo um romance. Culpa indireta do “cupido” Rom.

Logo depois veio a aceitação oficial de Rom como salvador do planeta e da raça humana quando a presença dos Espectros foi revelada publicamente. e as nações do mundo e todos os super heróis se uniram ao Cavaleiro Espacial para dar um fim definitivo a essa ameaça.

E pudemos comemorar quando Rom baniu o planeta inteiro dos Espectros para o limbo, deixando todos os indívíduos dessa raça que ainda vagavam pelo cosmo sem poderes e sem defesas.

Para completar , vimos a alegria  desse cavaleiro se tornar tristeza, quando vitorioso sobre seus inimigos, voltou até seu recém encontrado planeta natal, para descobrir que toda população  de Galador foi devastada por uma segunda geração de Cavaleiros Espaciais que se disvirtuou  com a ausência da primeira para os guiar. Entretanto, nosso herói pôde ter um final feliz  – porra! – sua humanidade , antes um procedimento impossível de ser devolvida, após duzentos anos de avanços da ciência galadoriana,  foi restaurada e ele finalmente andou como um homem embaixo dos dois sois gêmeos de seu mundo com a mulher que ele amava, a humana Brandy Clarck.

Rom durou 75 edições, com quatro anuais e um imenso crossorver com todo universo Marvel, esse foi realmente um grande e verdadeiro épico dos quadrinhos, com um único  escritor a frente de tudo. Alguns problemas de continuidade? Sim alguns mas em nada desmereceu o valor da obra. Em um momento que Buscena precisou largar a revista, ninguém menos que Steve Ditko – co-criador do Homem-aranha  – assumiu a arte .Como esse personagem e essa revista podem ter sido esquecidos é um grande mistério para mim – talvez culpa de algum Espectro infiltrado na Marvel –  mas seu impacto na indústria de quadrinhos foi grande, não como o impacto de uma grande saga como “Guerra  Civil”, seu estilo foi sutil, porém poderoso e orgânico.

As pistas para o desaparecimento do personagem da continuidade da Marvel pode estar no fato de que Rom , primeiramente era um produto criado pela Parker Bros -uma  fábrica de bonecos eletrônicos –  e sua imagem era licensiada para a editora que não detinha os direitos.  Apesar de que todos os elentos do passado do personagem  – o planeta Galador, os Espectros a tradição dos Cavaleiros Espaciais – foram criação de Mantlo enquanto na Marvel e portanto , propriedade da mesma e recentemente usados na saga ANIQUILAÇÃO… mas Rom assim como todos os amigos antigos que conhecemos e amamos é insubstituível…

Escrever quadrinhos era para Manto também uma forma de ganhar dinheiro para entrar para uma escola de Direito. No meio dos anos de 1980, quando ele juntou capital suficente, ele matriculou-se numa escola desse tipo. Continuou a escrever para a Marvel, mas seu ritmo diminuiu. Ele chegou a trabalhar na DC Comics em 1988, roteirizando a mini-série Invasão!. Mas ao passar nos exames, ele começou a atuar em período integral na Legal Aid Society como defensor público no Bronx. Desde a tragédia,  Mantlo é paciente do Centro de Reabilitação e Enfermagem Nassau no Queens,onde recebe assistência 24 horas. Em 2007 o desenhista David Yurkovich escreveu um livro chamado Mantlo: A Life in Comics, cuja renda foi para o irmão de Mantlo, Michael Mantlo, como forma de manter a assistência ao artista. A Floating World Comics, lançou Spacenight: A Tribute to Bill Mantlo, na qual vários artistas desenharam Rom, outra forma de ajudar na arrecadação de fundos para o escritor, um dos grandes cavaleiros da nona arte, que assim como seus heróis dos quadrinhos tinha a nobre missão de defender seus iguais na vida real.

E quanto a promessa feita no inicio dessa matéria…que saudade do tempo onde tirar uma foto do pinto era fotografar o bichinho que a gente trazia da feira anual de filhotes, no Rio Centro. Pra todos que tem curiosidade de ver a imagem que a Nivea Stelmann teve o desprazer de (re)ver – afinal foi ela quem dispensou – aqui vai o pinto do Elano.

Comunidade do Santuário no FACE

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25 comentários sobre “Elano do Santos x Rom o Cavaleiro Espacial, do Triunfo à Tragédia de Bill Mantlo

  1. Meus caros colegas… quero deixar aqui o meu reconhecimento pela sua iniciativa de conteúdo “ROM,o Cavaleiro Espacial!” eu sempre fui fã, e estava perdido em algum lugar no passado, que viajando pela net, reconheci a imagem da HQ que devo ter em alguma caixa na casa de minha mãe – hoje sou veterano, mais ainda tenho o gosto pela leitura de HQs, e além de curtir a rede social, agradeço a aceitação minha neste seleto grupo de apreciadores da 9ª arte ou mesmo Nerds de um mundo paralelo. Li, pesquisei e a partir de hoje, se assim o permitirem, serei um “membro” do santuário, se preciso for com foto do pinto hehehe.

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  2. Foram os quadrinhos que me levaram à literatura, a porta aberta para mil aventuras, para o conhecimento e à cultura. É claro, que sem os hérois e grandes cavaleiros, que começavam lá nos quadrinhos do Príncipe Valente, evoluiram para os Batman e Superhomens da vida, eles não existiriam! Sempre haviam o Mandrake e o Fantasma, que nos faziam crer que, em um dia mágico, encontraríamos alguém que nos redimisse e fizesse valer à pena essa nossa aventura aqui no planeta Terra. Mas só vc que pode vasculhar a história de todo essa emoção de imagens contida nos quadrinhos, e que me orientam cada vez que faço um storyboard para algum filme, para me fazer voltar àquela adoração pelos gibis e revistinhas ! Salve Lord Cavalheiro Venerable – vc é o máximo!

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  3. As coisas mudam porque tem que mudar,o tempo todo, precisamos nós é lembrar de mudar com elas.

    Excelente matéria, elevado público, blog incomparável – se eu não tivesse repassado a matéria sob ameaça de vida, certamente teria feito de livre e espontanea vonade kkkk

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  4. Que tempo bom! Como falar de Rom e não lembrar do triângulo amoroso: Rom X Starshine I X Brandy Clark? E do seu sacrifício se toenando a Starshine II? Ou do eterno sideckick Rick Jones ou do tosco mas divertido Torpedo que também eram presenças garantidas? Confesso que não gostei do final de Rom e muito menos da mini série (não publicada no Brasil) que foi feita depois, mas mesmo assim não desmereço o trabalho da dupla Mantlo/Buscema que fizeram meus olhos brilharem quando mais novo.

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  5. Nossa, muito bem escrito Victor, eu não entendo muito das histórias sobre as revistas, mas a forma com que escreve prende a atenção no texto! Parabéns querido!

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  6. Victor, não faz isso não amigo, cara já passei dos 40!
    Também chorei lendo isso e vou falar o porquê.
    Lendo esse post maravilhoso feito por você, fica a pergunta:
    – Porque as coisas tem que mudar, hein? Me fala?
    Se você não fez isso propositalmente, para os dinos chorarem, pelo menos parece! rsrs…
    Aqui, você aborda três ou quatro assuntos diferentes em uma matéria só (eis o motivo do meu choro) , nostalgias, histórias, passado, saudades, revolta, remorso….enfim…chamem o que quiser, pois são várias as sensações lendo esse post.
    Aqui você fala primeiramente do grande Bill Mantlo, que foi um dos mais notáveis escritores de quadrinhos da década de 70, escreveu para várias revistas como Homem de ferro, Demolidor, Hulk, Thor entre outras, ele escreveu até para um personagem que eu acho ridicúlo que a Marvel, insiste em ter que o Pato Howard, oh! coisa dificil de engolir, viu? Mais isso fica para outra
    oportunidade..rsrs…
    Pois é! voltando, voltando… acho amigo Victor, que não são muitos que lembram dele por aqui.
    Sofreu uma brutal fatalidade na vida, atrapalhando a sua maravilhosa e competente carreira, fazendo-o hoje se encontrar em uma situação não tão confortavél ,vamos dizer assim!
    Isso prova que não só no Brasil temos imbecis no transito mas também em paises de primeiro mundo .
    Depois você cita um mestre que me arrepio só de falar , Mestre Buscema que olhando as sua páginas a gente viaja no tempo e consegue perceber como tudo mudou.
    Era quando ainda pequeninhos pegavamos um gibi e conseguiamos nos divertir de verdade(nem que fosse viajar nos desenhos que também tinham um enquadramento, sequência, clima totalmente diferentes de hoje), porém por favor Victor me ajude a entender, eu não sei decifrar se era porque eramos pequenos e tinhamos outra visão das coisas ou porque as coisas eram realmente diferentes com esses caras Jack Kirby, John Birne, Will Weisner, Steve Ditko, Stan Lee, Alex Raymond…e por aí vai.
    As histórias Victor rechadas de ficção cientifica pois era tudo o que gostamos e já gostavamos é só procurar as histórias fantasticas da época( quarteto fantastico, surfista prateado, homem de ferro, etc…) filmes(O Elo Perdido, o filme citado por você, Jornadas nas Estrelas e etc…) Cara…nossa…que saudades! Da minha mãe me levando pequeninho pra ver King Kong com a Jéssica Lange, linda de viver sendo apanhada pelo macacão…que saudades dos meu álbuns de figurinhas de herois da Marvel, que saudades dos desenhos com temas espaciais onde sempre que aparecia o espaço e tocava uma musiquinha de mistério como se fosse uma distorção aguda….cara chorei de saudades, chorei pelas postadas páginas que tem uma composição que não farão mais….é por essa matéria e outras que temas recentes nos gibis como falado por nós em posts atrás sempre serão dúvida na minha cabeça….Agora, quanto ao Elano e Nivea Stelmann, quem são esses mesmo? Parabéns Victor, valeu por trazer nostalgia e ótimo post para o SANTUÁRIO.

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    1. Claudio, eu acho que as coisas mudaram porque esses caras que você citou, eram os MESTRES, os criadores e consolidadores da indústria, eles realmente eram inovadores e precursores, não era porque a gente era criancinha buchuda e aceitava qualquer coisa. HOJE, se tem o computador e as cores são lindas, um deslumbre muitas vezes, temos desenhistas fantásticos, novas técnicas foram mescladas na composição das páginas mas não se inovou realmente como esses caras na filosofia que cada história carregava. Eram muitas vezes quadrinhos que valiam como pequenas obras de arte de vinte páginas. Hoje essas revistas entretém antes elas inspiravam! É essa a diferença.

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      1. Putz! Cara disse tudo! Mano cê é FODA! tá matando a pau! Nossa cara,
        “Hoje essas revistas entretém antes elas inspiravam! É essa a diferença”
        Cara! Cê tirou hoje pra fazer o titio aqui chorar, né? Demais a matéria e
        a resposta foi na mosca! Victor isso não é resposta é poesia cara! Tô falando sério!
        Putz!

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  7. Chorei. De verdade.

    Esse quadrinho me acompanhou na infância, me lembra meu pai, casa da avó, do avô, o tio piadista… todos hoje muito distantes, em outro plano, talvez vivendo em seus mundos idílicos. Vai saber…

    E eu não sabia dessa parte da vida do criador do Room… triste, como seus enredos para sua obra prima.

    A matéria foi o que eu esperava. Fantástica.

    Bjus

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    1. E agora boto minha viola no saco…a Marvel tesá bem representada aqui! Parei de pilhar, afinal a pilha surtiu efeito… rsrs Rom é muito bom, parabéns!!!!

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