Era uma vez… as Fábulas

Por Rodrigo “Pirlimpimpim” Broilo

Era uma vez… E assim começam os contos de fadas. Histórias contadas e passadas de geração em geração, outrora de boca a boca, depois via livros, que tinham a intenção de educar as crianças para a moralidade de uma forma dita lúdica. Embora se diga que algumas histórias no original, como Chapeuzinho Vermelho, não tinham nada de infantil, as Fábulas, ou Contos de Fadas, como chegaram a nós são historinhas de princesas, crianças boazinhas e animais falantes que comem o pão que Mephisto amassou, e no fim vencem o mau. Emocionante, não?

Pois é, desde que são histórias e personagens de domínio público, a maioria dos contos já foi explorado de diferentes formas em diferentes mídias.

Disney e os Contos de Fadas

Um exemplo? Disney, a nova mãe da Marvel, que ergueu seu império com base nos contos de fadas como Branca de Neve, Pinóquio, Cinderela, entre outros. Óbvio, que por ser uma nova forma de entretenimento para crianças, na época, Walt Disney remexeu em algumas histórias. Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, é um caso onde falas de alguns personagens do original, são ditas por outros na animação da Disney. Confesso que Alice sempre foi minha animação preferida da Disney por seus pirados personagens, alguns que até viraram inimigos do Batman. Mas recentemente, depois do filme Alice com a ótima Helena Bonham Carter (como Rainha Vermelha), a linda e talentosa Anne Hathaway (como a flutuante Rainha Branca) e Johnny Deep (como Chapeleiro Louco, onde ele, finalmente, não imprimiu uma dose cavalar de androgenia), resolvi ler os originais de Lewis Carroll, e descobri que não conhecia a história de Alice. O mesmo aconteceu quando resolvi ler Pinóquio, de Carlo Collodi, e quis matar, de novo, Walt Disney. Se por um lado o Pinóquio da Disney é um menino ingênuo e de coração puro, o original de Carlo é um “feladaputinha” de um moleque desordeiro, mau caráter e orgulhoso. Mas são os contos Disney que marcaram e deixaram aquela beleza nos contos de fadas da maioria das infâncias.

Alice

Até o seriado humorístico mexicano do Chapolin Colorado contou com versões bem humoradas de Branca de Neve e Alfaiate Valente.

A Branca de Neve do Chapolin Colorado

Porém os contos sempre foram trabalhados pela Disney separadamente, como filmes individuais e, exceto uma que outra investida como “Princesas Disney” ou o “Clube do Mickey”, os personagens viviam cada um em seu mundo.

Com a franquia divertida e bem sucedida de Shrek, o ogro que se apaixona pela princesa ogra, aconteceu a mistura de alguns elementos de contos de fadas como o Gato de Botas (que tem filme solo previsto para os próximos meses), Pinóquio, os três ratos cegos, o Lobo (nem tão) Mau e os três porquinhos, entre outros. Racho de rir até hoje quando em Shrek 2, anunciam a Bela Adormecida e ela vai ao chão ao abrirem a porta da carruagem. Pelos efeitos de animação, pela trilha sonora, pelos personagens cativantes, mas principalmente por mexer com esses personagens como ninguém tinha feito antes, é que Shrek chegou aos quatro filmes, tornando-se um clássico dessa nova forma de animação.

Shrek e os Contos de Fada

Outro a remexer com os contos de fadas, usando os personagens dos contos de fadas foi o título da Vertigo “Fables”, que foi publicado em encadernados no Brasil. Sei pouco sobre o título, pois embora o achasse interessante, não o achava com facilidade e nunca foi uma das minhas prioridades. Mas era um título que misturava diversos personagens e os ligava com o mundo real.

E eis que agora surge uma nova proposta de uso dos Contos de Fadas. O seriado da rede americana ABC, com estreia prevista para hoje, 23/10, intitulado “Once upon a time”, em bom português “Era uma vez”. Segundo os criadores da série, apesar de reunir diversos personagens de alguns contos de fadas e jogá-los no “mundo real”, a ideia não é recontar suas histórias, mas ir atrás do que não foi contado, contando novas histórias de esperança, com velhos personagens.

Fábulas da Vertigo

Segundo a sinopse do seriado, Emma Swan (interpretada por Jennifer Morrison) é uma espécie de corretora, que é procurada por Henry (Jared Gilmore), o filho que ela deu para adoção há 10 anos atrás. Para entregar Henry de volta a sua mãe adotiva, Emma vai até a misteriosa cidade de Storybrooke. Storybrooke é na verdade um mundo paralelo onde personagens de contos de fadas vivem e parecem com pessoas normais e não se lembram de suas identidades verdadeiras, salvas algumas poucas exceções.

"Once upon a time"

O que se vem a saber sobre Emma e a importância dela para Storybrooke é que ela é a detentora da chave que vai salvar tanto o mundo real quanto a “Floresta Encantada”, que parece ser o nome do mundo mágico. A resposta para isso está no livro de contos de fadas que Henry carrega consigo e que provavelmente vai explicar o fato de que Emma é – SPOILER ALERT! SPOILER ALERT! – filha da Branca de Neve com o Príncipe Encantado.

(muito) Branca de Neve

Nesse mundo real Branca de Neve (Ginnifer Goodwin) é a Irmã Mary Margaret Blanchard, professora de Henry. Já o Príncipe Encantado (Joshua Dallas) vem a ser um homem que sofre de amnésia no mundo real.

Príncipe, Encantado!

Mas o foco da trama promete recair realmente sobre Regina (Lana Parrilla), a prefeita de Storybrooke. Regina, além de prefeita, é a inimiga da Branca de Neve, a sensacional Rainha Má. Aliás, eu fiquei sabendo dessa série em uma das revistas da DC em um anúncio com uma foto dela e a legenda “Evil Queen”, que eu achei que fosse o nome da série (¬¬’). Mas outros pontos podem fazer de Regina (do latim, ou italiano, ou algo assim, “Rainha”) a personagem principal dessa trama, entre eles o fato de ela ser uma das únicas pessoas que sabe do passado dos habitantes da cidade e (valei-me Santa Paola Bracho!) ser a mãe adotiva do pequeno Henry (Ô.Ô).

Evil Queen: a bandida!

Além desses personagens, que parecem ser o centro da história, ainda temos o autoritário e misterioso Xerife Graham (Jamie Dornan), o tutor/terapeuta de Henry chamado de Archie (Raphael Sbarge), mas que corresponde ao Grilo Falante no mundo mágico, e Sydney (Giancarlo Esposito), repórter do jornal da cidade “The Daily Mirror”, que é (adivinha, adivinha) o Espelho Mágico.

A série ainda promete apresentar Cinderella (Jessy Schram) e seu príncipe (Tim Phillips); Maléfica (Paula Marshall), a vilã de Cinderella, e principal rival da Rainha Má; os Anões Zangado (Lee Arenberg), Soneca (Faustino DiBauda), Feliz (Mike Coleman) e Dengoso (Mig Macario); Gepetto (Tony Amendola), A Fada Azul (Keegan Connor Tracy) e Pinóquio (Jakob Davies).

She is a Evil Queen

Segundo os autores Edward Kitsis e Adam Horowitz (Lost e Tron: Legacy) “Once Upon a time” é essencialmente uma história de esperança, como todos os contos de fada são. Além disso, será uma história do bem contra o mal, para salvar ambos os mundos, o “real” e o mágico.

Fico me perguntando, se é a melhor hora para uma série assim. Entre séries que retratam as dualidades divinas e demoníacas dos anjos como a já aclamada “Supernatural”, e a enxurrada de vampiros que tivemos com os filmes da série “Crepúsculo” ou de seriados como “True Blood” e “Vampire Diaries”, ou mesmo a moda zumbi de “The Walking Dead”, pode vingar uma série de pura fantasia?

Das duas uma, ou “Era uma vez” emplaca e traz um pouco de magia às nossas vidas, ou ela será uma das muitas séries de uma temporada, esquecidas pelo tempo.

No segundo caso, ela poderia dar lugar a “Cinderela: agente da S.H.I.E.L.D”? Ou “Donas de Castelo Desesperadas”? Ou uma franquia de filmes “Se Beijar, Não Case”? Ou “Pinóquio: O Caça Vampiros” que tira estacas de madeira do próprio corpo para matar vampiros (os clássicos)? #FikDik

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7 comentários sobre “Era uma vez… as Fábulas

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