“You know it’s Thriller” – Parte II

Ou “Cientistas Loucos e seus Igores”

Por Rodrigo “Mais Louco que Cientista”  Broilo

O que é um filme de terror ou ficção científica sem um Cientista Louco?

Eu, que sou levemente cientista, e consideravelmente louco, me encanto com esses personagens de pura visão. Os cientistas loucos (ou malucos, ou doidos, ou o que mais você quiser) são injustiçados personagens tidos como vilões por seus ideais incompreendidos ou moralmente condenáveis, com incríveis habilidades em operar e criar aparatos (nano) tecnológicos de alta complexidade, bem como fórmulas químicas capazes de manipular corpos e mentes. Por vezes, os cientistas loucos têm desejos deveras malignos, mas outras não… São apenas excêntricos, como criar quimeras monstruosas, juntar pedaços de pessoas mortas para fazer um monstrinho troglodita, criar um musculoso homem perfeito, trocar cérebros de corpos, fazer o Pica-Pau “amanhã cedo parecer com a Chita”, entre outras pequenas sandices, que obviamente, não são aceitas pela comunidade científica.

O problema que geralmente ocorre com os cientistas malucos, devido à alta dominação mundial por parte dos nerds e geeks, são eles serem alvo de bullying, e serem retratados de forma caricata e humorizada.

Capazes de criar aberrações, monstros, armas de destruição em massa, e com a incrível habilidade de passar minutos preciosos contando a suas vítimas como seus planos funcionam, os cientistas loucos normalmente detêm conhecimento sobre astrofísica, bioquímica, biotecnologia, genética, eugenia, cibernética, ressurreição dos mortos, botânica, química, engenharias química, mecânica, mecatrônica e elétrica, entomologia, física (especialmente nuclear), psicologia (particularmente na sua aplicação em controle da mente e “behaviorismo”), robótica, medicina cirúrgica, teoria da relatividade (ênfase em viagens temporais) e, com menor frequência, engenharia civil de demolição, geologia para destruição do mundo, meteorologia (quando se precisa de máquinas movidas a raios), metalurgia, matemática pura, ciências sociais e arqueologia.

Cientistas loucos são psicologicamente caracterizados como tendo comportamento obsessivo (por vezes TOC) e desprovidos de escrúpulos, adeptos de métodos e práticas perigosas ou pouco ortodoxas. São normalmente movidos por desejos de vingança, por ânsia de conhecimento ou por ganância.

Cientistas loucos tem uma grande “tara” por castelos medievais, com cara de assombrados, montam seus laboratórios em masmorras (pois fica mais fácil de levar suas vítimas, presas em calabouços, para realizar seus experimentos desprezíveis), com uma grande variedade de aparatos e vidrarias de testes químicos e biológicos em constantes usos (destilações e refluxos intermináveis de líquidos e gases, por filtros, condensadores, balões, serpentinas, entre outros), além de uma infinidade de tubos de ensaios contendo líquidos borbulhantes e emissores de vapores da mais variadas (e por vezes brilhantes) cores.

Ainda é possível notar em laboratórios de cientistas loucos, um acervo considerável de cérebros, fetos, animais em suspensão aquosa ou de formal, além de alienígenas, plantas carnívoras e bichos peçonhentos. Mas um laboratório não é um laboratório, sem máquinas dotadas de luzes e botões piscantes, uma mesa de cirurgia e geradores de energia movidos carvão, raios ou tração (seja animal, não raro via hamsters, ou humana). Por vezes, na falta de cobaias, testam seus experimentos em si (próprios).

Normalmente eles são ou foram banidos de sociedades científicas, e por isso fazem uso de ciência sem medir as consequências de seus atos, que podem resultar em destruição em massa, mutações ou mutilações.

Dentre outras características frequentes de Cientistas Birutas podemos dizer que eles não são fãs de um pente ou de produtos de beleza (ás vezes nem de banhos), porém se preocupam com a segurança usando sempre seus jalecos (sujos). Por vezes tem alguma deformação física (especialmente os que não têm “Igores”), usam sotaques estrangeiros (normalmente alemão ou francês), uma risada maníaca e/ou diabólica (especialmente quando estão prestes a realizar alguma grande ação). Em contrapartida, geralmente possuem um alto título acadêmico como Doutor ou Professor.

Muitos dos estereótipos dados aos cientistas loucos são devidos à imagem que se tem de pessoas das ciências como sendo pessoas ávidas por conhecimento universais, totalmente dedicadas ao trabalho e com a ideia de mexer com o desconhecido, que para muitos deveria permanecer desconhecido. Esse medo humano de “mexer com os segredos da natureza” foi transferido aos cientistas com o avanço das ciências, especialmente durante os períodos de grandes guerras, tendo sido detido anteriormente pelos ditos alquimistas, e antes desses, por xamãs e curandeiros.

O protótipo do cientista louco fictício foi o (venerável) Victor Frankenstein, criador do monstro de Frankenstein, do romance de Mary Shelley, que atravessou as “fronteiras que não deveriam ser atravessadas”. Após Dr. Victor vieram dezenas de outros como Rotwang (do filme Metrópolis); Dr. Faust (personagem de livros e peças de Christopher Marlowe e J.W. von Goethe); Dr. Jekyll (de O Médico e o Monstro de Robert Louis Stevenson); Capitão NemoMathias Sandorf (1885); Professor Lidenbrock (de Jornada ao Centro da Terra de 1864); John Hatteras; Dr. Moreau (de “A ilha do Dr. Moreau” de H. G. Wells); Boris Karlov (de The Drums of Jeopardy de Harold MacGrath); Dr. Herbert West (do conto de H. P. Lovecraft, “Herbest West, Reanimator”); Griffin (de O Homem Invisível, de 1897, de H. G. Wells); Professor Chalenger (personagem de Arthur Conan Doyle); Phor Tak (do livro A Fighting Man of Mars de Edgar Rice Burroughs); Dr. Simão Bacamarte (de O Alienista de Machado de Assis); Dr. Caligari (do filme mudo The Cabinet of Dr. Caligari, de 1919); Dr. Mabuse, famoso pelos filmes feitos sobre ele por Fritz Lang; Dr. Julius No, de livros da série James Bond, bem como Ernst Stavro Blofeld, líder da organização criminosa SPECTRE; David Banner, pai do alter-ego de Hulk, Bruce Banner; Dr. Emmett Brown (da trilogia “De Volta Para O Futuro”, embora não fosse vilão); Dr. Eldon Tyrell (Blade Runner); Sebastian Caine (O Homem Sem Sombra, de 2000); Max Cohen (em PI, 1998); Dr. Finkelstein (Nightmare Before Christmas, 1993); Dr. Otto Frank (em Monstrosity, 1964); Dr. Frank N. Furter (em The Rocky Horror Picture Show, um dos poucos, senão único, Cientista ALoka); Dr. Putrid T. Gangreen (de Ataque dos Tomates Assassinos); Dr. Mifune (em Terror of Mechagodzilla); Dr. Edward Morbius (em Forbidden Planet, de 1956); O Abomínavel Dr. Phibes; Dr. Hannibal Lecter; Dr. Tolian Soran (do filme Star Trek: Generations); Síndrome (de Os Incríveis); Dr. Sy N. Tist (série Mad Scientist); Dr. Chaotica e Dr. Crell Moset (Star Trek: Voyager); Davros e Rani (de Doctor Who); Degra e Dr. Arik Soong (de Star Trek: Enterprise); Jha’Dur (de Babylon 5); Dr. Sparrow (de Angel); Dr. Yes (em Agente 86); Professor Maggie Walsh (Buffy); O Professor (de O Gato Félix); O Cientista Maligno (de Looney Tunes); Dr. Archeville (de Transformers); Dra. Blight (de Capitão Planeta); (óbvio) Cerébro (de Animaniacs, Pinky e o Cérebro e Pinky, o Cerébro e Felícia); Hector Con Carne e Dra. Ghastly (de Mal Encarnado); Dexter e Mandark, de O Laboratório de Dexter; Professor Hubert Farnsworth (em Futurama); Dr. Maki Gero e Dr. Wheelo (de Dragon Ball e DBZ); Washu Hakubi (em Tenchi Muyo!); Comandante Gendo Ikari (de Neon Genesis Evangelion); Dr. Jumba Jookiba, de Lilo & Stitch; Dr. Mephesto em South Park; Macaco Louco de As Meninas Superpoderosas; Dr. Slump (criação de Akira Toriyama, o mesmo de Dragon Ball); Professor Tomoe (de Sailor Moon); entre zilhares de outros.

Muitos cientistas loucos são baseados em cientistas reais (alguns um pouco loucos) como Albert Einsten (que ajudou no visual arrojado dos cientistas loucos); B. F. Skinner (criador do behaviorismo); Edward Teller, físico nuclear que ajudou a desenvolver a bomba de hidrogênio; Francis Galton, cientista inglês que desenvolveu a eugenia; Dr. Gunther von Hagens, inventor da plastinação (que impede a decomposição do corpo após a morte), e responsável por necropsias públicas; Harry Harlow, psicológo que buscava estudar o amor através da sua depravação; Dr. Henry Cotton, diretor médico de vários manicômios, disse que estava deixando um “legado de centenas de fatalidades e milhares de pacientes mutilados”; Dr. Ishii Shiro, general da Unidade 731 do Exército Imperial Japonês; Jack Parsons, pesquisador da propulsão de naves espaciais e ocultista; Jeremy Bentham, filosófo inglês que se mumificou; Dr. Josef Mengele, o Anjo da Morte nazista, médico no campo de concentração Auschwitz que realizava experiências com seres humanos; Nikola Tesla, físico, matemático, inventor e engenheiro elétrico sérvio-americano, famoso pelos seus hábitos altamente excêntricos; Oliver Heaviside, cientista inglês que substituiu toda a mobília de sua casa por blocos gigantes de granito; Philo Farnsworth, inventor da televisão e do primeiro gerador de fusão nuclear; Thomas Alva Edison; Wernher von Braun, desenvolvedor da tecnologia dos foguetes na Alemanha e nos Estados Unidos; entre outros grandes gênios das nossas ciências que alimentaram o arquétipo do cientista como alguém que nós, reles mortais, não entendemos, e por vezes tememos.

Mas um cientista não é nada sem seus ajudantes (ou IC’s). Os ajudantes de Cientista Louco são normalmente baixinhos (quando não anões), corcundas ou com outras deformações físicas, nem sempre muito inteligentes, usam farrapos como roupas, tem hábitos de alimentação e higiene horrendos, andam aos saltos e grunhem ou riem se babando. Outra importante constatação sobre esses pequenos ajudantes é que eles, com frequência, recebem o nome de “Igor” (ou Ygor, ou Eye-gor, ou coisas parecidas e/ou semelhantes).

Um dos primeiros “Igores” foi o assistente de laboratório anão corcunda, sem créditos, do filme Metrópolis, assistente do já citado Dr. Rotwang em 1927.

Mais tarde, no filme de 1931 de Frankenstein, o assistente recebeu o nome de “Igor”, embora este personagem recebesse o nome de Fritz nos originais. As continuações “Filho de Frankenstein” (1939) e “O Fantasma de Frankenstein” (1942) apresentavam um personagem chamado “Ygor”, interpretado por Bela Lugosi, porém ele não é nem corcunda, nem um assistente de laboratório, mas um louco de pescoço quebrado que reanima o Monstro como um instrumento de vingança contra os habitantes da cidade que tentaram enforcá-lo.

Em 1933, no clássico de terror “Mistério do Museu de Cera”, “Ivan Igor” é o nome do curador louco do museu. O filme foi refeito como “House of Wax” em 1953, mas o nome “Igor” foi dado a um capanga do curador (interpretado por um jovem Charles Bronson), em vez de o curador si mesmo. Apesar de não ser um corcunda, o “Igor” deste filme é surdo e mudo e é retratado como um servo dedicado incondicionalmente.

Em 2008 surgiu uma animação sobre um personagem de nome Igor, que apesar de feio e corcunda, era inteligente e tinha o sonho de entrar para uma Sociedade de Cientistas Loucos.

Em The Rocky Horror Picture Show, o assistente do Dr. Frank-n-Furter é o servo corcunda e semi-careca Riff Raff (interpretado por Richard O’Brien).

Em The Nightmare Before Christmas, o cientista louco da cidade, Dr. Finkelstein, tem um assistente corcunda chamado Igor que age como um cão, trabalhando por “Biscoitos Caninos”.

Além desses, milhares de outras representações de cientistas loucos e seus ajudantes (normalmente Igor’s) já assustaram ou divertiram você.

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