Monstro do Pântano # 2 – Espólios do Outono.

Por Rodrigo Garrit

Existe um legado de monstros do pântano no decorrer dos anos. Sempre é preciso que haja um defensor do Verde. Nessa nossa edição do título escrito por Scott Snyder e belamente (ou deveria dizer “sinistramente”?) ilustrada por Yanick Paquette, mais revelações são feitas, e quando você pensa que os parâmetros utilizados por Alan Moore seriam definitivos, eis que novas (e muito coerentes) informações são adicionadas a mitologia do personagem.

Este artigo contém spoilers

Temos Alec Holland, um homem comum que é o personagem principal dessa revista. Ele só quer viver sua recém-restaurada vida em paz, mas é óbvio de todo seu passado e histórico ligado a criatura do pântano não seria deixado de lado impunemente.

Sempre houve um escolhido pelo Verde para representar os Elementais da Terra no mundo. Através dos anos, diversos homens foram agraciados (ou amaldiçoados) com a responsabilidade de tornar-se um com a flora do planeta. Esse fato já havia sido apresentado anteriormente por Alan Moore, que também introduziu com maestria o conceito do “Parlamento das Árvores”, seres de sabedoria imensa que cuidam para manter o equilíbrio do Verde no planeta. Esqueça a versão apresentada na resenha de Monstro do Pântano # 1, onde tudo é explicado através de acidentes aleatórios causados por produtos químicos que resultam em humanos superpoderosos. Nosso monstro foi criado pelo sábio Parlamento.

A novidade aqui é que, Alec Holland – o ultimo dos escolhidos para fundir-se com o Verde, demonstrou ser um candidato tão promissor, que mesmo suas queimaduras químicas causadas pela fórmula biorestauradora não foram o suficiente para impedir esse processo… ou melhor dizendo, foram sim. Devido a esse trauma químico e antinatural, o Parlamento não pôde concluir o processo de transformação. Mas como foi dito, ele era um candidato promissor demais, e então, numa tentativa de não se perder essa oportunidade, foi gerado um simulacro baseado no homem que Alec Holland foi. Provido de todas as suas memórias e posto em ação. Esse simulacro foi o Monstro do Pântano, conforme o conhecíamos. Mas ele não era de fato o que poderia ter se tornado se o processo fosse operado da maneira correta, ou seja, a grande verdade é que o “verdadeiro” Monstro do Pântano, detentor de todo o seu grande poder nunca existiu, nunca foi visto de fato.

Com a ressurreição de Holland, pela primeira vez essa fusão pode vir a acontecer, e o genuíno defensor do Verde pode enfim surgir em nosso planeta… desde que Alec abra mão de sua vida e escolha esse destino.

Para piorar a situação, há algo de podre à solta no mundo… algo que não é Verde nem Vermelho (nem flora e nem fauna). Uma entidade chamada Sethe, o portador da tempestade e da peste. Pura putrefação e decadência. E se Alec não decidir logo se tornar o campeão da Terra e combater essa ameaça, as consequências serão desastrosas.

Tudo isso é revelado a Holland por Calbraith A.H. Rodgers… o homem que veio a se tornar um Monstro do Pântano, em 1942. Hoje em dia ele repousa junto ao Parlamento das Árvores, mas abdica de sua vida para entregar a mensagem a Alec.

Cada vez mais as histórias do Monstro do Pântano parecem de certa forma, interligadas com as do Homem Animal, mas isso é uma impressão minha, que pode ou não ser utilizada pelos escritores Scott Snyder e Jeff Lemire, autor de Homem Animal. Torço para que essa ponte de ligação aconteça, pois seria unir duas das melhores séries atuais da nova DC Comics, na humilde opinião desse clérigo do Santuário que vos escreve.

Mais mistérios são lançados no ar quando Calbraith revela que Alec deve manter distância da mulher chamada Abgail Arcane, por quem o Monstro era apaixonado, e embora se lembre disso, Alec sequer a conheceu, fato remediado no final da edição, onde ela surge a tempo de salvar a vida dele de um exército de possuídos (com os pescoços quebrados e virados para as costas no melhor estilo “O Exorcista”), enviados por Sethe para dar cabo a vida de Holland.

Essa edição é especial em vários sentidos; além de altamente explicativa, dá continuidade a mitologia criada por Alan Moore e com uma qualidade impecável de texto. Se por algum tempo, acreditamos que certos autores são insubstituíveis (e tudo bem, talvez sejam mesmo), não podemos deixar de perceber uma nova safra de escritores que, sem comparações, fazem um trabalho digno de seus antecessores.

Tanto Scott Snyder que assumiu a grande responsabilidade de continuar o trabalho de Moore, quando Jeff Lemire que prossegue na mesma linha deixada por Grant Morrison, não decepcionam e até superam expectativas.

Eu vejo isso como um reflexo de autores que realmente são fãs de quadrinhos, que curtiram todas aquelas velhas histórias e se esforçam de verdade para manter o legado vivo.

Não posso deixar de comentar que Monstro do Pântano continua sendo um excelente gibi de terror, com direito a assassinatos bizarros, possessões assustadoras e seres semidecompostos usando faces de bebês mortos…

Certa vez ouvi dizer que os quadrinhos passam por determinados ciclos de altos e baixos, revezando péssimas fases com obras memoráveis. Ainda é cedo para dizer se essa nova leva é um renovado ciclo de histórias que farão história. Mas é um começo muitíssimo promissor.

Sempre é fascinante ver personagens que a principio poderiam ser considerados grandes piadas, renderem histórias tão cativantes.

O Santuário está acompanhado religiosamente algumas dessas séries.

E até segunda ordem, a nota ainda é 10.

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5 comentários sobre “Monstro do Pântano # 2 – Espólios do Outono.

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