Homem Animal # 3 – A Estranha Jornada de um Estranho Homem.

Por Rodrigo Garrit

Este artigo contém spoilers.

Os que acompanharam as resenhas dos números 1 e 2, sabem que nas profundezas do Vermelho, uma caçada de proporções globais ameaça toda a vida… tanto o Vermelho quanto o Verde, enfrentam concomitante um inimigo similar, o que reforça minhas expectativas de uma interligação entre as atuais histórias do Homem Animal com as do Monstro do Pântano.

Enquanto os dois primeiros números começaram devagar, liberando informações aos poucos, essa terceira edição da revista vai direto ao ponto. É ação do começo ao fim, com Buddy e sua filha sendo atacados em plena conferência com “Os Totens” do Vermelho, algo similar ao “Parlamento das Árvores” do Verde. Os Totens são ex-avatares do Vermelho, antigos “Homens Animais” que se fundiram aquilo que, segundo os próprios, é a teia da vida que conecta todas as coisas vivas. A Fonte.

Tudo índica que a tal “podridão” que anseia eliminar Maxine seja o tal “Sethe” mencionado em Monstro do Pântano, embora isso ainda não tenha ficado esclarecido com exatidão.

Ah sim… Maxine, o filha do Homem Animal… é ela que eles querem, pois é a genuína avatar do Vermelho, e não seu pai. Essa edição revela que os tais alienígenas amarelos que supostamente deram os poderes do Homem Animal eram agentes dos Totens, apresentados de forma que sua mente pudesse assimilar mais facilmente o evento que o tornou um super-herói. (Claro, ser abduzido por extraterrestres não é surreal o bastante no mundo onde os Lanternas Verdes são públicos e notórios…).

Em sua tranquila casa no subúrbio, Ellen e Cliff também são atacados por mais seres que… como eu poderia descrever? Imagine humanos virados ao avesso usando seus intestinos como tentáculos. É uma analogia quase tão repulsiva quanto o que vemos.

Os animais semidecompostos reanimados por Maxine na edição anterior partem em seu auxílio, fazendo mãe e filho ganharem algum tempo, embora provavelmente não o suficiente. O que se seguem são cenas de pura adrenalina.

Buddy não recebe muito bem a notícia que não é de fato um “Homem Animal”, mas apenas  progenitor e protetor da escolhida, aquela que realmente está destinada a defender o Vermelho e preservar a vida na Terra… Maxine, sua filhinha de quatro anos…

Dentro do Vermelho, os poderes do Homem Animal estão mais fortes, mais “puros”, como ele mesmo menciona, mas mesmo assim ele não é páreo para os agentes da podridão. Agora ele precisa sobreviver em um mundo surreal, levando sua filha em segurança e voltar para casa a tempo de impedir que sua esposa e filho sejam devorados vivos.

Essa história não tem garantia nenhuma de ter um final feliz. Os velhos e bons tempos já passaram, então esqueça previsibilidade. Estamos falando do melhor gibi no novo Universo DC.

Com as vértebras expostas, tripas e o coração saindo pela boca, aguardo pela próxima edição.

Nota 10.

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12 comentários sobre “Homem Animal # 3 – A Estranha Jornada de um Estranho Homem.

  1. Acredito que é só uma questão de tempo até essa revista chegar no top 10 lá nos “states”. A revista é estranha, a historia é bizarra, a arte grotesca, os personagens esquisitos… 😀
    Simplesmente Sensacional!

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  2. Olha, para mim, fazer isso é quase como escrever uma resenha sobre mim mesmo, guardadas as devidas proporções do exagero. No início, quando comecei a me interessar por quadrinhos, era mais um garoto nerd que não perdia suas edições favoritas mês após mês. Mas, em uma determinada época, nos anos 90, após acompanhar algumas edições de “Homem Animal” que saíam na extinta revista “DC 2000” da editora Abril, alguma coisa mudou em mim. Essa mudança persiste até hoje. Pela primeira vez, uma história não era só uma história. Os roteiros de Grant Morrison para aquele personagem, pai de família e que por acaso era um super-herói, mudou a minha forma de interagir com a informação que eu recebia… eu não queria mais ser apenas um leitor passivo. Eu vi desperto em mim o desejo de criar minhas próprias histórias. Naquela época, e por causa disso, eu me tornei o escritor que sou hoje. E também defensor dos animais e vegetariano.(Pelo menos por um tempo. hoje em dia eu consumo carne em quantidades reduzidas. Minha natureza carnívora falou mais alto =( ).

    Por esses e outros motivos, é claro que o personagem significa muito para mim. O primeiro roteiro de quadrinhos que escrevi foi uma história para ele, a qual tenho guardada até hoje. claro, depois disso, criei meus próprios personagens, e tive o prazer de publicar um livro, sobre os quais falarei em outra ocasião. Mas é muito claro para mim que tudo evoluiu dali.

    Se o Homem Aranha marcou a infância de muitas pessoas (inclusive a minha de certa modo), o Homem Animal é motivo vocês estarem lendo essas palavras agora.

    Abração a todos!!

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  3. Na criação do Homem Animal, já se contemplava essas brechas para levar a personagem nessas visões surrealistas (oque sinceramente nâo se vê no Homem Aranha e tantos outros personagens). Será que a escolha da sua filha como Elemental não pode gerar um ciúme no seu filho e um possível Judas na família? Um conceito interessante que eu gostaria de ver explorado.

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  4. Será que isso chega no Basil para que grande parte desse povo tupiniquim e maravilhoso possa ver o quanto essa revista é boa?

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    1. Certamente vai ser publicado no Brasil pela Panini, Fred, mas ainda é cedo pra arriscar um palpite sobre o formato, já com a reformulação da DC americana, e Panini também terá de reestruturar toda a sua linha com os personagens por aqui. Bom, de qualquer forma, a publicação impressa é uma certeza, o que me intriga mesmo é como eles vão lidar com a publicação digital, e eu adoraria que eles disponibilizassem TAMBÉM as versões digitais de todas as revistas, devidamente traduzidas e adaptadas para o português. Embora eu não seja hipócrita de fechar os olhos para as versões scaneadas que são disponibilizadas de graça e com enorme qualidade, mas exatamente por isso não podemos cobrar deles nem periodicidade nem exatidão das traduções, embora como eu disse eles façam sim um ótimo trabalho… mas acho que seria interessante ver isso “oficializado”, sendo vendido por um preço justo e de forma profissional, e como isso afetaria o mercado pelos próximos anos.

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  5. Essa semana eu tive muita sorte, Monstro do Pântano, Stormwatch (que ta engrenando cada vez mais), Action Comics e essa revista, que é sim a melhor. Englobar o universo Wildstorm e Vertigo no tradicional DC foi no final das contas e melhor jogada de marketing pra salvar a editora. Buddy Baker é o melhor herói de todos os tempos, ele está acima de convenções do que é um personagem, DC, Marvel, Image, Valiant, CrossGen…

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    1. Victor, se analisarmos o quanto o personagem é constantemente desconstruído (as vezes literalmente) e usado de forma experimental por alguns ótimos autores, dos quais que gostaria de citar Peter Milligan, que produziu uma fase estonteante para ele já no selo Vertigo. O Homem Animal é a grande piada dos super heróis e exatamente por isso não existe nenhuma restrição ao que pode ser feito com ele. Jamais veremos o Homem Aranha ou o Superman inseridos nesse tipo de contexto bizarro, então, por essas por outras, concordo em gênero número e grau com tudo que você disse, amigo!

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      1. (tréplica vaughaniana) Os 50% divinos de minha alma, não de Mephisto, que correspondem a Marvel não concordam de todo com a parte que tange o Homem-aranha, afinal ele de alguma forma sempre foi construído e reconstruído, na medida do possível. De resto, também concordo em gênero, número e grau, com tudo que você replicou amigo.

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    2. Ih putz, Victor, fui mexer com o teioso…! Hehehhehe…. melhor nem mencionar que Peter Parker tem os poderes de uma aranha, e Buddy Baker tem o poder de TODOS os animais… não, tudo bem, não vou mencionar isso para não acalorar a discussão… rsrs
      Mas falando sério, o Homem Aranha é perfeito dentro do contexto que é usado, funciona dessa forma há anos e continuará indefinidamente, enquanto houverem fãs como nós. Na verdade, Superman e o Aranha podem sim ter essas histórias escatológicas, mas com certeza seria um “túnel do tempo” ou “O que aconteceria se…” Agora, as bizarrices dentro da sua continuidade normal, poucos podem ter, e o Homem Animal é um dos que são melhores aproveitados.
      Isso me faz pensar o quanto Alan Moore teria ido realmente longe se ao invés de usar aquelas paródias da Charlton, utilizasse de fato os personagens originais… mas é melhor nem pensar muito nisso, daqui a pouco esse comentário vira um artigo! =)

      Abraços!!!!

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