PORNO – FAXINEIROS & A BUSCA DO ARQUEIRO VERDE

Por Venerável Victor   “Green Monkey”  Vaughan

Assim como o Homem-aranha e Buddy Baker, o Homem-animal, Oliver Queen, o Arqueiro Verde, é um dos personagens mais humanos dos quadrinhos. Criado em 1941 por Mort Weisinger e Greg Papp, esse playboy milionário e fanfarrão, primeiramente, foi definido como uma cópia do Batman que agia na luz do dia, recebeu roteiros e arte posteriormente do “rei dos quadrinhos” Jack kirby e nos anos setenta ressurgiu como o liberal supremo, mulherengo e por muitas vezes negligente, que ao contrário de suas contrapartes heróicas da Liga da Justiça, que combatiam ameaças alienígenas e déspotas fantasiados, pensava e agia localmente, sendo conhecido como o  herói do povo.

O Arqueiro sempre foi um personagem muito a frente de seu tempo. Foi um dos primeiros heróis da DC a ter sua personalidade civil, com defeitos e qualidades, melhor exploradas e a trabalhar com um parceiro mirim – o antigo Ricardito, agora Arsenal – . Então com Dennis O’Neil , estrelou a  fase em que junto com Hal Jordan, o Lanterna Verde, largou o Satélite, quartel general dos mais poderosos justiceiros do planeta e juntos  em uma pick up, foram “fazer a América”, conhecer de perto as pessoas que eles salvavam todos os dias e que durante anos não tinham rostos e nem nomes e por fim com Mike Grell foi novamente remodelado para uma versão mais urbanizada e violenta (reflexos dos vindouros anos 90).

Mas inevitavelmente nesses mesmos anos 90, onde os heróis DC, os medalhões intocáveis, estavam sendo mortos ou aleijados  um a um e substituídos por versões mais agressivas e parecidas com personagens da IMAGE comics, chegou a vez do bom e velho Arqueiro Verde bater as botas e ser substituído também.  Não por seu ex-parceiro mirim, Roy Harper (Arsenal), como todos esperariam, mas como o Arqueiro sempre foi o inovador, mesmo depois de morto essa característica não se desfez e Conner Hawke, um filho que ninguém sabia que existia – inclusive Oliver Queen – assumiu o manto do Arqueiro Esmeralda, sendo um dos primeiros a quebrar a hegemonia dos pupilos que herdavam os “capuzes”.

Acontece que o nerd Kevin Smith (também diretor de cinema, da trilogia: O Balconista, Procura-se Emy e Dogma), graças a Deus, trouxe ele de volta. Foi uma das ressureições mais escrotas já imaginadas nos quadrinhos em todos os tempos, mas com certeza, a mais bem-vinda e feliz. E, após os dois  primeiros arcos de sua revista que abordavam justamente esse retorno, vamos falar aqui da história seguinte, agora escrita pelo premiado Brad “Crise de Identidade” Meltzer,  autor de diversos best sellers lá fora.

Arqueiro Verde, a busca

Vocês sabem o que é um porno-faxineiro? Não? Não se sintam culpados por não saberem, eu mesmo não sabia até ler esse arco de histórias do Meltzer em 2001. Mas por favor, não entrem no google digitando esse termo na esperança de descobrirem, o site de buscas vai simplesmente inundar seu monitor com dezenas de vídeos pornôs de serventes fazendo “amor”  com atrizes  “adultas”. O Termo que citei é uma tradução livre de uma profissão que parece ter sido criada na Inglaterra (uma das terras onde se mais valoriza manter as aparências) e vem se espalhando pelo mundo. O profissional “porno-faxineiro” é o indivíduo que você contrata “na encolha, óbvio”, para após a sua morte, garantir que todo o material indecente, de conteúdo sexualizado ou inaceitável pela sua família e amigos, seja destruído. Ele vai ter acesso às suas senhas, chaves de cofres e afins, através de uma procuração feita por você mesmo, assim que sua morte for oficial e acabará definitivamente com aquelas revistinhas, videos, fotos, brinquedinhos e cartas (ou o que mais a sua imunda criatividade lhe permitiu juntar). Poupando sua mulher, filhos, parentes e amigos de surpresas e mantendo seu nome livre da desgraça. E não… o porno-faxineiro não poderá chantageá-lo antes de sua morte, pois apesar do pagamento ser antecipado, ele só terá acesso a esse conteúdo após o atestado de óbito ser oficial e sim…o serviço pode não ser feito  mas os profissionais garantem o contrário!

É com inspiração nessa premissa que esse arco de histórias premiado foi escrito. Quando o Lanterna Verde Hal Jordam morreu, anos antes do Arqueiro Verde, Oliver Queen, agindo na surdina, vai à casa do amigo e destrói, uma a uma, todas as evidências que ligariam a identidade de Jordam a sua persona heróica, dessa forma preservando além de sua identidade a vida de seus familiares e entes queridos. Era evidente que essa função ficasse a cargo de Oliver, como parceiro e melhor amigo do Lanterna e vice-versa… mas quando Oliver Queen morreu, seu amigo há muito tinha passado dessa pra melhor e um “profissional” anteriormente escolhido pelo playboy de barbicha, logo assim que este saiu  da casa de  Hal, anos antes, o vilão  Sombra,  jurou realizar a missão… ou não.

Acontece que agora Oliver Queen está vivo… e quer os objetos por todo o valor afetivo que eles representam de volta. E assim se inicia uma BUSCA que nada mais  é do que uma jornada ao passado do Arqueiro, a objetos que não fariam nenhum sentido se fôssemos pensar sob o ponto de vista  de uma lógica utilitarista  e esta é justamente a armadilha da história !!!

Outra grande presença marcante nesta historia: a figura de Roy Harper, o Arsenal, outrora um saltitante sidekick chamado Ricardito. Roy foi uma figura pioneira dos quadrinhos, com pouco receio de estar exagerando, foi um ponto de cisão, marcando o fim da inocência dos quadrinhos com seu vício em heroína.

Meltzer aproveita todos os ganchos possíveis para inserir uma saraivada de recentes e antigos heróis, heroínas e vilões do Universo DC.  Por meio de todo esse panteão de personagens, secundários ou não, que passam pelas mãos do autor, há aqui outro grande mérito: enriquecendo a obra com importantes elementos como amor, amizade, acertos, erros e valores familiares, em momento algum fica a impressão de se estar lendo algo piegas.

Na busca empreendida por Oliver Queen atrás de diversos objetos nada é ao acaso. E cada objetivo realizado revela uma faceta deste controverso herói.

Quanto à boa arte de Phil Hester, ela é mais que adequada ao texto, tendo o grande mérito de ter captado as nuances que o roteirista queria passar em momentos importantes, mantendo, assim, a qualidade da obra de uma maneira geral.

Quando acaba a leitura, fica uma sensação agradável de se ter em mãos uma ótima história, que não menosprezou em nenhum momento a inteligência do leitor. E fica aquele desejo de “quero mais”. Depois de uma série de decepções, está de volta a esperança nos bons quadrinhos de super-heróis!

Enumerar todas as qualidades de Arqueiro Verde: A Busca seria perda de tempo, uma vez que a revista, como toda boa história, parece ter significados diferentes para muitos, os mais velhos, irão se sentir  confortáveis ao enxergarem novamente o mundo com o qual aprenderam a sonhar quando crianças, e os mais novos irão entender o lado lúdico dos quadrinhos em contraste com a necrorealidade costumeira das historias atuais.

Durante as 5 edições do arco dessa encantadora história, Meltzer nos faz achar que o Arqueiro era um “velho sentimental”  apenas para, nas últimas páginas, revelar toda uma motivação, muito mais profunda do que nostálgica e ESTARRECEDORA. O escritor nos revela o medo do personagem em ser descoberto, afinal, como dizem os detetives, se quer descobrir quem alguém realmente é  , verifique o lixo desta pessoa!

Vocês já tem seus porno-faxineiros? Eu tenho um macaco fiel pra essa função.

Comunidade do Santuário no FACE

Anúncios

18 comentários sobre “PORNO – FAXINEIROS & A BUSCA DO ARQUEIRO VERDE

  1. Meltzer é um excelente roteirista. Simplesmente adorei o jeito como ele escreveu a Liga da Justiça. Ele sempre consegue evocar linhas de história românticas e sentimentais sem parecer datado e nem apelão.

    Espero que um dia volte a escrever quadrinhos da DC. E de preferência, que seja a Liga.

    Curtir

  2. Tenho um programa em que dois amigos leais confirmam minha morte e ele apaga algumas configs do pc 😉 (tudo via internet). Mas diferente do Hal e do Ollie não tenho nada a esconder e acho que meus amigos viriam aqui é mais pegar uns joguinhos de lembrança ;P.

    Curtir

  3. O Arqueiro é o melhor. No desenho da Liga da Justiça Ilimitada esse carinha verde foi a principal estrela. Essa história aí, nunca sairá da posição de honra da minha estante. Smallville ajudou a popularizar ainda mais o personagem porém prestou um desfavor em popularizar uma versão “modelinho fotográfico” do cara. O Meltzer e antes o KS mostraram o quanto esse personagem é de uma riqueza sem igual.

    Curtir

  4. apesar de nao ser fã da DC (só admiro o Batman nessa casa), fiquei até curioso em conhecer mais sobre o arqueiro. nao sabia dessas características todas aí.
    e valeu a aula sobre pornô-faxineiro. não sabia que existia essa “profissão”. só não acho que dê certo em todas as ocasiões. imagina minha mulher abrindo a porta para um estranho dizendo que foi contratado para apagar umas pastas desinteressantes em meu computador e dar sumiço em alguns CDs de dados…

    Curtir

  5. Essa sequência (primeiramente com o K S na minissérie e o Meltzer num volume único) foi a melhor coisa que saiu no Brasil nesta última década Oem se tratando do Oliver Queen, apesar de eu não ter gostado da sua contribuição na Liga). A volta do Sombra (para os órfâos de Starman) foi fenomenal também, mostrando que uma editora pode arriscar em material bom, não mutilar e se dar bem.

    Curtir

  6. No OMAC eu expressei minha raiva quanto a paranóia do Batman, agora chega o momento de eu expressar o oposto… Eu adoro o Oliver.
    Ele se fode, perde a paciência , xinga, erra… É como se fosse o Pato Donald da Liga.
    Adorava as brigas dele com o Gavião Negro , a parceria com o Hal, o romance com a Dinah…
    E esse Porno-Faxineiro ( Que eu imaginei que fosse o cara que limpasse os estúdios de certos filmes) realmente é uma sequencia excelente, daquele estilo que você nao consegue parar de ler e fica louco pra ver o final que não era o que vc esperava… Vem nos surpreender.
    Sem falar nos momentos divertidos em que a Bárbara e o Roy fazem hora com a cara do velhote… Mas é ótimo quando o Flash e o Lanterna Verde se dão conta que foram enganados pelo Arqueiro…
    É isso aí, Oliver é fodão #fato.

    Curtir

  7. HAHAHAHA O Arqueiro é o maior canalha verde que eu já vi .E o safado é muito amado!!! Essa história é espetacular, lembro que lia bons roteiros nessa época com ele, essa é acima da média, concordo, aliás, tínhamos o Aquaman do Peter David também nessa mesma fase, lembram de quando eles se encontraram após a volta de Oliver? Ri muito… e quanto ao porno-faxineiro, Venerável, depois de você me relembrar dessa necessidade, o “cachorro São Bernardo” aqui, precisa mesmo ir pensando sobre isso mais pra frente…

    Curtir

  8. Dou aula para crianças, sou ator profissional, exímio cozinheiro, escritor eventual e tratador de macacos premiado mas se quiserem, posso ser porno-faxineiro de algum de vocês também, entrem em contato (por scrap, detesto telefone celular e zumbis).

    Curtir

  9. Mais uma indecência deste blog maldito! Vocês só conseguem falar dessas coisas apelativas, para conseguir mais visitas… O Santuário devia se preocupar menos em ser um bom blog e mais em defender os valores!
    Vergonha!

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s