Capitão Átomo # 2: Um novo herói atômico para uma nova DC!

Por Rodrigo  Garrit

Um resenha tipicamente nerd e cheia de spoilers.

Esqueçam o velho Capitão. Uma boa parte dele, pelo menos. Nessa segunda edição escrita por J. T. Krull com arte de Freddie Williams II, sua origem foi recontada brevemente pelo Dr. Megala, cientista chefe do “Continuum”, o instituto avançado de tecnologia. Esqueça também acusações de traição e saltos quânticos jogando Nathaniel Adam vinte anos no futuro. Agora, ele é um piloto voluntário de uma experiência envolvendo transferência dimensional através do campo quântico, tendo como base a “Teoria M”. Essa teoria diz que tudo, matéria e campo, é formada por membranas, e que o universo flui através de onze dimensões. Teríamos então três dimensões espaciais (altura, largura, comprimento), uma temporal (tempo) e sete dimensões recurvadas, sendo a estas atribuídas outras propriedades, como massa e carga elétrica. O piloto Nathaniel Adam deveria operar um complexo aparelho projetado pelo Dr. Megala a fim de perscrutar o mistério das barreiras que ligam não apenas as dimensões, mas todas as forças primordiais do universo e além. Um pouco ousado não? Bem, obviamente o experimento deu errado… o corpo de Nathaniel foi destruído e reconstituído na forma dessa estranha energia (me recuso a classificar isso como “energia quântica”, isso não faz sentido nenhum).

Vamos esquecer o exoesqueleto alienígena da versão anterior do Capitão Átomo também… o atual Capitão não é um homem com pele revestida de metal… ele parece mesmo ser feito de pura energia, aproximando-o ainda mais com seu gêmeo de Watchmen, fato reforçado por um dos cientistas do Continuum, que ao ser indagado onde alguém como ele poderia se encaixar no mundo, responde: “Que tal Marte? O cara parece um alien mesmo”. Pegaram a referência?

A edição abre com o personagem reconstituindo seu corpo depois do trauma sofrido na edição anterior ao evitar a explosão do misterioso vulcão que surgiu em Manhattan. Após essa reconstituição, ele se viu capaz de enxergar ondas de rádio e outros espectros eletromagnéticos… ele volta ao Continuum um tanto desorientado e após passar um tempo sendo avaliado pelo doutor Megala, responde ao chamado de um garoto com câncer que acredita que ele possa curá-lo. Átomo vai ao encontro dele, e vemos mais variações de seus poderes… ele encolhe, penetra o corpo do menino e procura pelas células cancerígenas, a fim de extirpá-las. Bom, partindo do principio que é feito de pura energia consciente e desprovido de massa, alterar seu tamanho não deve ser problema… mas ao contrário do Dr. Manhattan que era um cientista e sabia fazer um bom uso de suas habilidades, o Capitão Átomo não tem o conhecimento necessário para aproveitar 100% das possibilidades que suas habilidades podem lhe proporcionar.

Invadir o corpo do garoto doente e extirpar o câncer – com sucesso – foi uma tremenda forçada de barra. Mesmo nós que lemos gibis sabemos que existe um limite para o ridículo e o absurdo. As coisas são mais complexas do que isso, e mesmo aqueles personagens que fazem uso da magia não podem simplesmente curar todas as doenças do mundo. Existem regras e consequências para os seus atos.

É possível que nas próximas edições essa cura milagrosa se mostre um verdadeiro desastre e faça nosso herói acordar para a realidade… e não pensem que é torcida contra minha, pelo contrário… eu adoraria que as coisas pudessem ser resolvidas assim tão facilmente e num passe de mágica, mas infelizmente, não é desse jeito que devemos encarar os problemas e a vida. Então, tudo bem, isso é só uma revista em quadrinhos, não vai mudar nada mesmo, não é para mudar nada mesmo… talvez exceto pelo fato de que deve passar uma mensagem positiva para as pessoas que eventualmente identifiquem-se com os personagens. Opinião extremamente pessoal minha.

Ainda restam alguns mistérios a serem desvendados, o vulcão em Manhattan ainda não foi explicado, e as mutações que estão surgindo nos becos da cidade ainda não disseram a que vieram. Por enquanto tem sido interessante acompanhar a evolução e a descoberta dos novos poderes do personagem, e observar como ele vai lidar com eles sendo uma versão menos inteligente do Dr. Manhattan.

Fora isso sinto falta de mais ousadia, e formas mais criativas de explorar o homem atômico.

É um gibi que não vai agradar a todos de cara, e mesmo aqueles nerds fissurados em ciências ficarão um tanto desapontados.  O velho Capitão Átomo está morto, e a nova versão ainda tem muito o que provar para conquistar os fãs mais antigos.

A arte da revista continua boa, mas não excepcional, sendo muito privilegiada pelo bonito tratamento gráfico utilizado.

Quanto ao escritor, bem, vamos analisar da seguinte forma:  J.T. Krull está para Alan Moore, assim como o Capitão Átomo está para o Dr. Manhattan. Mas tudo bem, porque se começarmos a exigir que todos os escritores sejam Alan Moore, é melhor parar de ler gibis.

Ainda dando uma chance para que as histórias melhorem, estarei aqui para a próxima resenha atômica!  (nossa, isso soou muito como aquelas chamadas de seriados de ficção científica dos anos sessenta)!

Nota: 4

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5 comentários sobre “Capitão Átomo # 2: Um novo herói atômico para uma nova DC!

  1. Vc,só esqueceu q/se um ser tem energia excedida consentrada, tem q/haver capacidades naturais p/manusea las. Ou então este ser tão capaz poderia fazer mau a si mesmo…sendo assim, ele ñ propriamente precisa ser cientista p/identificar esse tipo de coisa. Pra vc, é difícil entender mas se um ser desse existe ele ñ pensará como vc e sim conforme se capacita.

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