Eu, Vampiro # 2 – As garotas só querem se divertir!

Por Rodrigo Garrit

Este artigo contém cenas de sangue, violência e spoilers.

Alguns relacionamentos não terminam muito bem.

Mary e Andrew podem dizer que seu romance foi regado a sangue, suor e lágrimas… com muito mais sangue do que suor e lágrimas.

Os romances vampíricos atualmente então na moda. Mas quando eu penso em coisas como “Crepúsculo” e “Vampire Diaries”, acho que houve uma completa subversão do conceito original do vampiro. Como fã desse gênero, fico buscando algo que faça sentido nesse tipo de história, mas o que vejo é uma adulteração equivocada da mitologia original.

Não digo que vampiros com alma e até mesmo com interesses românticos não possam render boas histórias. Eu sempre gostei da relação controversa de Buffy, a caça vampiros e seu amado Angel, vampiro altruísta, e como ele era incapaz de concretizar esse amor, devido a uma maldição que o transformaria em “Angelus”, o sanguinário. Por mais que tenha tido seus momentos “água com açúcar”, víamos vampiros de verdade, assassinos se alimentando de sangue, sem piedade, sem reticencias. E sem brilhar ao sol.

Felizmente existe a série “Vampiro Americano”, onde o mito é levado a sua verdadeira essência. As criaturas são elevadas ao seu status de predadores, estando no topo da cadeia alimentar. Existem vampiros que preferem não demonstrar a sua natureza e seguir uma não-vida quase normal. Mas mesmo assim eventualmente caem em tentação.

Eu, Vampiro # 2 continua nos mostrando a contenda entre Mary, a rainha do sangue, contra seu ex, Andrew Bennett, o vampiro com valores contrários aos de sua antiga namorada, que prefere lutar contra sua própria espécie em prol da raça humana.

Mary, por outro lado, não tem alma. Para ela humanos não são nada além de comida. É uma autêntica representante da espécie.

A batalha deles, mais do que física, é moral. Um tentando provar ao outro que o seu ponto de vista é o correto. Exatamente como ex-amantes fazem ao terminar um relacionamento. Só que nesse caso, com muito mais sangue e vísceras do que o normal. A segunda edição estaciona onde a história parou, explorando melhor a batalha entre Andrew e o exército de vampiros comandado por Mary. Um verdadeiro massacre é promovido, apenas para que ela tenha o prazer de humilhar seu antigo namorado.

Andrew é um vampiro muito mais forte do que a maioria, é mais antigo e experiente, e apesar de destroçar a maioria dos soldados sanguessugas, é incapaz de cumprir seu objetivo de salvar os humanos atacados.

Eu considero essa edição como o número #1.2 da revista, uma vez que apenas complementou os eventos do primeiro número. A terceira edição será a verdadeira # 2. Na minha cabeça, pelo menos.

O gibi tem ótimos desenhos, que te colocam dentro do clima da história. A trama de uma forma geral é boa, mas sinto falta de um aprofundamento maior nos personagens. Alguns flashbacks da época em que Mary e Andrew eram amantes (que foram bem aproveitados na edição passada) teriam causado uma reação mais impactante ao leitor, ao observar como uma relação romântica pode regredir para um ódio imensurável.

Uma curiosidade: como já havia mencionado na resenha de Eu, Vampiro # 1, esse título já foi publicado nos anos 80, na revista “Casa dos Mistérios”. A série foi criada por J. M. DeMatteis (Liga da Justiça Internacional), que também utilizou o personagem Andrew Bennett na época que escreveu a revista do Senhor Destino. (Procurem edições antigas da “DC 2000” publicadas pela Editora Abril). Nessas histórias do Sr. Destino, Bennett buscava desesperadamente morrer, pois  a fonte de seu poder veio quando este esteve presente na crucificação de Cristo e se alimentou de algumas gotas de Seu sangue. Por esse motivo, ele se tornou um vampiro imune a qualquer método de morte. Obviamente essa não é a mesma versão do personagem usada no reboot, mas fica registrado a título de curiosidade.

Nota: 7

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5 comentários sobre “Eu, Vampiro # 2 – As garotas só querem se divertir!

  1. Gostaria que Crepusculo nunca tivesse sido escrito, mas como não posso voltar no tempo, não leio nada escrito sobre Vampiros se contiver as palavras “amor” ou “adolescente” no texto. Existem obras produzidas depois desse fiasco que valem a pena: I, Vampire é uma delas (com ressalvas, pois ainda é produto do nosso tempo). Minha única ressalva é que a guerra entra ex namorados, um protetor da humanidade, e outro que os trarta como gado não é nada novo. Essa mesma trama aparecia em Moon Light (seriado sobre vampiros).

    Para conhecer coisas com teor mais “fresh meet” sugiro a trilogia da Escuridão , que trata de vampiros como criaturas cruéis; e os filmes As donas da Noite (parece ruim, mas é surpreendente) e Noite do Espanto (o atual, ainda deve esar no cinema).

    Das obras velhas considero o A ùltima Esperança da Terra como um dos melhores livros escritos sobre o tema. Acabei de comprar 3 por 5,00 (ainda tem 2 para doação aqui em casa…).

    Bjus

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    1. Perfeitas suas sugestões, Thais. Eu incluiria também “Noturno” de Guillermo del Toro e suas continuações (ainda inéditas para mim…). Quero muito assistir a nova versão de “A Noite do Espanto” (ou seria “A Hora do Espanto”? Ou são duas coisas diferentes?)
      É bem possível que saia um artigo fazendo um apanhando de obras vampíricas……bem possível mesmo…

      Bjs!

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