Liberdade, Igualdade e Fraternidade, para Mutantes com Orgulho!

Por Rodrigo “With Proud” Broilo

É preciso que se repita, quase como um mantra, “eu não leio Marvel!”. Não, meus caros, eu não leio. Mas como disse anteriormente, eu assisto. Últimos dias como eu estava meio dengoso (Como eu disse “Podia ser uma Paquita, podia até ser o Praga, mas não… era Dengue”) resolvi acabar com o gap que existia entre eu e a trilogia original de X-Men. Sim, meus caros devotos, eu não havia assistido todos os filmes dos X-Men! Faltava o terceiro… Mas é sempre assim… Sempre sobra o último… O último “Matrix”… O episódio 3 de “Star Wars”… Os últimos “Harry Potter”… O último “Senhor dos Anéis”… Mas enfim… “Assisti-o-o!”

Por mais que eu não seja a pessoa mais adequada pra falar sobre cronologia e eventos “ecsmênicos”, a filosofia, sociologia e psicologia envolvidas na mitologia dos mutantes é algo que me fascina. Assim que o Pai Celestial me rebotar e eu reiniciar como um Titã original, talvez eu me dedique a esses estudos.

Mas agora eu quero só levantar algumas questões, afinal são elas que movem o mundo.

Domingo passado foi do dia da Consciência Negra; Todos os anos a maior parte das capitais brasileiras tem suas “Paradas Gays”; Dia 1º de dezembro é o Dia Mundial de Combate à AIDS; Boa parte dos brasileiros luta pelo direito de casar com quem quiser e ter seus filhos; Projetos de lei tentam não tirar os direitos que temos de possuir um Estado laico (fazendo de conta que o Brasil seja um); Mulheres no mundo todo lutam contra a desigualdade de direitos, contra a violência, a submissão e a mutilação, ditadas pela cultura e religião de seus países; Pessoas com deficiência tentam viver normalmente em um mundo que não os atende. Não tem como negar que o padrão de excelência da sociedade é o homem branco, loiro, de olhos azuis, heterossexual, católico, senhor de suas habilidades físicas e intelectuais. As outras “minorias” são degraus abaixo, às vezes muito abaixo, nessa escada evolutiva. Mulheres, negros, gays, gordos, judeus, ateus, e demais, são seres inferiores. Estou contando alguma novidade? Acho que não!

Mas os mutantes, em sua diferença, são os personagens de quadrinhos que até hoje melhor representaram, figurativamente, essa irracionalidade humana de temer e odiar o que é diferente. São a analogia “máster”. Quem lê os quadrinhos, sabe muito bem do que falo, não? Mas quem assistiu a qualquer um dos 5 filmes (X-Men, X2, X-Men: Last Stand, Origins: Wolverine ou First Class), também sabe que nós, os Homo sapiens atacamos e tememos os Homo superior. É essa nossa habilidade de nos achar importantes demais.

Não é preciso muito pra transpor o ódio dos humanos aos mutantes dos quadrinhos, para qualquer tipo de preconceito sexual-étnico-racial de nossa realidade de Crise. Mas esse é só um ponto.

O que quero abordar são conceitos que os franceses e maçons bem conhecem: você já ouviu falar em “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”?

Lema da Revolução Francesa, essas três palavras são para algumas vertentes ideológicas, filosóficas, ou religiosas (vai saber), pilares para se construir uma perfeita sociedade. Sem recorrer a nenhum pensador, podemos nós mesmos definir o que são cada uma delas.

Liberdade seria o uso que temos do tal “livre-arbítrio”, de escolher o que queremos para nossas vidas, de decidirmos o que queremos de nosso futuro, sem que ele fira ou interfira a liberdade de outro.

Igualdade é a noção de que, apesar de todas as diferenças físicas, morais e psicológicas que todos nós temos entre si, somos iguais em termos de direitos, sem superioridades ou relações de poder.

E, por fim, a fraternidade seria a convivência que satisfaça as intenções e necessidades de todos os envolvidos, trazendo boas relações, amizade, companheirismo e mutualismo.

Se formos analisar os líderes da pentalogia de filmes dos X-Men, Charles e Magneto, veremos que esses valores são muito divididos.

Fraternidade é algo que aparentemente ambos defendem. O Professor com seus X-Men, e Magneto com sua Irmandade de Mutantes. Mas quais são as reais intenções de Magneto ao se unir a outros mutantes? Quando da Invasão da Irmandade de Mutantes à Ilha de Alcatraz em “X-Men 3”, Eric diz a Fanático, “deixe que os peões vão na frente”.  Quando Mística é “curada”, ele a abandona, pois ela não é mais uma mutante, é uma reles humana. A lógica de Magneto é utilitarista, ou seja, os fins justificam os meios, não importa que outros mutantes padeçam, desde que seu objetivo seja alcançado. Já Charles, tem com os seus X-Men a intenção de criar um grupo que se ajude, que evolua em conjunto, e se dedique a viver em paz com a humanidade.

E é aí que entra a Igualdade. Magneto acredita na superioridade dos mutantes, e vê os humanos como inimigos, o que na verdade realmente são. Charles acredita que humanos e mutantes podem conviver pacificamente, como iguais, em uma fraternidade. Percebem? Dois dos valores são perceptivelmente as base de Charles Xavier para sua política de “boa vizinhança” entre mutantes e humanos. Mas qual o preço? A liberdade!

Nesse pilar, Magneto, à sua maneira, é muito mais “Libertário” que Charles. Xavier domou, pra não dizer dominou, os poderes de Jean Grey em X3 pela magnitude que eles possuem. Em “First Class” ele tentava convencer Mística a não mostrar sua verdadeira natureza, em nome de uma igualdade, algo que Eric era estritamente contra. Em X2, Magneto diz a Pyro que ele é “um deus entre insetos”, e que ele não deixasse que ninguém o convencesse do contrário. Charles tomou o corpo do homem sem consciência ao final de X3, como se aquele fosse uma roupa nova esperando por ele. Magneto, assim como Mística, em “First Class” defendeu o orgulho de ser mutante, querem se sobressair. Charles quer se misturar.

Se formos analisar mais, todos os filmes de X-Men são, em suma, sobre Igualdade, Fraternidade e Liberdade. A luta para se reconhecer os mutantes como tendo direitos, a busca por uma convivência pacífica e benéfica para todos, a discussão sobre o que cada lado pode ou não fazer com relação ao outro. Igualdade, Fraternidade e Liberdade.

Uns mais, outros menos, são esses (claro, só relembrando, em minha modesta e cinematograficamente limitada visão de mutantes das coisas) os motes das diferenças básicas de visões entre Magneto e Professor X. De um lado o orgulho e a visão de superioridade da raça mutante, marcada pelo utilitarismo, ou seja, não importa como, que seja; De outro a busca por uma vida tranquila, onde homens e mutantes vivam igual e fraternamente, mesmo que para isso se quebrem alguns ovos.

Agora, é difícil transpor isso para nossa realidade e pôr as nossas “páreas” no lugar dos Mutantes, e ver que eles têm diferentes formas de encarar o ódio e o medo que suas diferenças causam nos “normais”? Que uns retroalimentam esse ódio, enquanto outros só querem passar despercebidos? Tire suas próprias conclusões.

Como eu disse, vim aqui só levantar algumas questões, pois por mais que eu tenha uma preguiça enorme de começar a essa altura da vida a ler Marvel (embora seja um bom momento), a analogia que os X-Men representa de nossa sociedade, é algo que me encanta.

Liberdade, Igualdade e Fraternidade, para Mutantes com Orgulho!

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5 comentários sobre “Liberdade, Igualdade e Fraternidade, para Mutantes com Orgulho!

  1. Bom, eu também não leio Marvel, mas é possível que tenha lido “por engano” um edição antiga em formatinho da editora Abril onde fui apresentado a Rachel Summers, futuros alternativos cheios de ódio e pichações nas paredes do tipo “Mutuna maldito queima no inferno”… ou seja, o resultado da total desconstrução dos pilares abordados no texto: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Por isso precisamos sempre estar alertas, atentos as mudanças que ocorrem a nossa volta, às leis que são aprovadas, os direitos que são adquiridos ou perdidos. “Dias de um Passado Futuro” podem ser hoje… se a gente deixar acontecer. Tá, mas você pode dizer: “QUAL É? SOU EU QUE VOU SALVAR O MUNDO? FALA SÉRIO!!”, e vou dizer que está certo. A gente não pode salvar o mundo todo, mas podemos salvar a nós mesmos. Mudando NOSSO mundo, revendo velhos conceitos e aceitando que Liberdade, Igualdade e Fraternidade são possíveis sim. Para todos. Eu acredito.

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  2. Interessante reflexão! Principalmente vinda de alguém que ainda insisti em não ler Marvel… mas não podemos nos fechar! Afinal, eu gosto de super-heróis mas nada me impede de conhecer os mangás, mesmo que sejam os hentai (ok, ok eu admito: prefiro os yaoi). rsrsrs

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