Machado de Assis e a sua Igreja do Diabo: quando as Popozudas vão à Biblioteca?

Por Rodrigo “Segue sua nau” Broilo

Quando você está em época escolar, você é obrigado a tragar muitos textos que, naquela ignorância juvenil (época de lobisomens), não temos saco para aturar. E por não ter saco, acabamos odiando. Especialmente quando se trata de literatura brasileira, que é rebuscada demais para a maioria do povo que tem 13 a 16 anos. Falo por mim! Detestava muita coisa. Mas teve um conto de Machado de Assis (sempre ficou a famigerada pergunta: “Quem afiou o Machado de Assis?”… Mas essa é velha… “Eça é de Queiróz”), chamado “A Igreja do Diabo”. Posso te dar 10 minutinhos pra ir baixar ele na internet, senão continue ligado na nossa programação que eu faço um resumão.

(…)

Mentira! Nem é tudo isso! Só tem... fogo!

Bom, “Igreja do Diabo” começa com (É vc?) Satanás indo “ter com” Deus. O pobre diabo estava com umas ideiazinhas “megalô” de abrir sua própria igreja. Os argumentos foram bem válidos, já que o Capiroto diz que ele também tem o direito de abrir sua igreja, e as pessoas tem o direito de escolher se querem seguir a Deus ou ao diabo. Sabe aquele papo do Livre-arbítrio? É bem nessas…

Segundo o The Devil, nós (os humanos… macacos estão liberados) somos “uma colcha de seda com franjas de algodão”. Sempre curti essa analogia… Significa mais ou menos que “esses ‘feladaputim’ bancam uma de bons e bonitos, mas eles têm o lado podre deles”… E é por essas pontas frágeis que o Coiso quer nos puxar para sua igreja. God permite e promete não interferir no processo. #Meda!

E não é que o Deabo consegue angariar muitos devotos? Ele faz sua própria Bíblia, prega os sete pecados… E a igreja cresce exponencialmente, e o povo vai frequentando e “não-sei-o-que-sei-o-que-lá”… E o Demo vai ficando feliz, pois conseguiu pegar muitas boas almas do bom Deus.

Igreja do Diab... Ei, 'peraí! É isso mesmo produção?

Com o tempo o Encardido começa a ver alguns de seus devotos ajudando mendigos nas ruas, sendo menos egoístas, dando esmolas, etc. O Diabo fica pluto da vida, monta num porco ensaboado e vai tirar as caras com o TP (sigla super-carinhosa para “Todo Poderoso”).

Diabo expõe suas mágoas porque acha que o Pai Celestial está jogando sujo e roubando seus seguidores (não, não é no Twitter, porque nem tinha isso naquela época… E se tivesse, óbvio que o Cão ia xingar muito lá!). Depois de descascar o Bom devido à sabotagem que ele acha que O Cara fez, Deus, “todo trabalhado na serenidade”, joga na lata do Queimadinho: “Antes a humanidade era uma colcha de seda com franjas de algodão. Agora ela é uma colcha de algodão… Mas ganhou franjas de seda”

=O

Deus arrasou, né?! É uma alegoria à ideia (sem acento, viu Word?) de que nós temos a bondade e a maldade convivendo dentro de nós. E como meu cérebro é muito doido, há uns dias atrás eu lembrei de “colcha de algodão com franjas de seda” ao ouvir Gaiola das Cabeçudas. Hein? Eu “se” explico!

Zatanna? Que "Avada Kedavra" foi esse?

O funk nasceu na Terra do Tio Sam e chegou a terras brazucas há certo tempo. Fez sucesso na sua versão light e “livre para todos os públicos” na década de 90 do século passado (velho!), especialmente com a dupla Claudinho e Buchecha. Mas aí veio os Bondes, as Gaiolas e tudo ficou mais hard, “todo trabalhado no sexo”… A batida não é ruim, mas as letras não são mais pra qualquer idade (o que não impede de ver crianças indo até o chão). Enfim…

“Depois que a put@ria começou rolar no mundo”, os comediantes do humorístico Comédia MTV resolveram “fazer algo diferente”. Pegaram alguns funks ‘famosos’ e deram uma intelectualizada. Pegaram as roupas mais ‘perigas’ do acervo da MTV e criaram a “Gaiola das Cabeçudas”. O sucesso, inclusive na Infernet, foi tanto que rendeu uma continuação, um acústico e uma apresentação no VMB de 2010, com ninguém menos que Waleska (é assim?) Popozuda, a mulher com a ‘buzanfa’ que vale mais do que dinheiro.

Pode isso Arnaldo?

"Ypisilone" é o cromossomo que não tem na mulher!

Pode, pois graças a isso, houve boatos que crianças (de várias idades) começaram a jogar o Foucault no Google, a ouvir quem era mesmo esse tal Vivaldi, a reler Machado de Assis, a saber quem é o tal Maurice Bejart, a ler 1984, entre outras tantas coisas…

“Colcha de algodão com franjas de seda”. Rolou um entendimento? Meu Cérebro é tão Pinky assim que eu viajei até Vila Velha pra chegar a Brasília? Acho que a ideia é meio essa, ou como diria um ‘chegado’…

“Tudo está perdido, mas existem possibilidades!”

E aí? ‘Bora discutir Foucault?

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6 comentários sobre “Machado de Assis e a sua Igreja do Diabo: quando as Popozudas vão à Biblioteca?

  1. É um ótimo conto.O tema é bastante expressivo.Os tracadilhos foram as melhores coisas do post.A foto da suposta Zatana,me causou ânsias.E Aloísio,garanto uma coisa.O local onde moro é muito pior.MUITO PIOR.Seu problema é a música sertaneja?Meu caro,por 24 horas,isso diariamente,aturo a péssimo gosto dos forrozeiros.
    Voltando ao tema.Gosto bastante do livro Dom Casmurro.É um grande trabalho do “machadinho”.E agora,vejo o Satuário com “olhos de ressaca”.

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  2. Broilo, ri alto aqui com sua matéria… faz tempo que não leio nada tão divertido! A literatura está mesmo passando o diabo que o pão amassou (Heins?) mas no final tudo acaba em funk e vai descendo até o chão. Segue a sua nau!

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