“O que aconteceria SE…” Doutor Destino herói, Senhor Fantástico um babaca e QUADRINHOS QUE ME FIZERAM FELIZ parte 4

Por Venerável Victor “sempre vigilante” Vaughan

Muitos conhecem a saudosa série da Marvel “O que aconteceria se…” estrelada pelo cabeçudo Imortal criado por Jack Kirby, o Vigia! O Maior barato dessa série é a possibilidade de se explorar determinados enredos já abandonados e dar nova visão sobre as possibilidades que cada roteiro poderia ter tomado caso os acontecimentos de certas histórias não tivessem seguido por um determinado rumo. Vamos revisitar um interessante momento da vida da mais famosa família da Casa das Idéias que foi publicado logo após a maxi saga Guerras secretas, na década de 80 ???

O que aconteceria se… o segundo filho do casal Fantástico tivesse nascido?

Escrito por Jim Valentino e Ron Marz e desenhada por Dale Eaglesham e Rurik Tyler

O contexto passado: Entre ter tido Franklin e Valéria, houve uma outra vez que Sue Richards – a Mulher invisível – esteve grávida do Senhor Fantástico. Infelizmente, houveram complicações por causa de radiação, devido a uma recente aventura da equipe na Zona Negativa. Reed procurou o Doutor Otto Octavius – o supervilão Doutor Octopus e o maior expert em radiação do planeta – por ajuda. Pra variar, o coroa cheio de braços mecânicos enlouqueceu por um momento e os dois entraram na pancadaria pelos telhados de Nova Yorque. O senhor fantástico conseguiu acalmar Otto e esse finalmente concordou em ajudar. Infelizmente, eles estavam meia hora atrasados, pois Sue teve um aborto nesse meio tempo.

Então vamos imaginar que o esquizofrênico Octopus não tivesse surtado e chegado com Reed Richards em tempo de ajudar a Mulher Invisível  dar a luz. Nós teríamos duas diferentes histórias aqui, em dois lados da mesma moeda, vamos vê-las, Devotos???

A primeira história é melhor descrita como um belo conto de terror. Franklin – o filho mais velho do casal Fantástico – acorda no meio da noite após ter uma terrível visão do futuro, onde seu pai estaria morto. Seus pais acreditaram que se tratava de um simples pesadelo infantil e deixaram a coisa assim como estava. Mas Franklin agora tem certeza de que existe um monstro vivendo dentro de sua mãe. Com o tempo, a gravidez de Sue começa a ficar muito complicada, ela a cada dia fica mais fraca e quase esquelética de aparência. Logo perdendo seus poderes de invisibilidade. Quando ela finalmente dá a luz, com a ajuda do Doutor Octopus, ela morre no processo. Reed dá o nome de Sue para a criança em homenagem a sua falecida esposa. Nós aqui já sabemos por experiência em ler quadrinhos que essa história não vai acabar bem.

Flanklin nunca chega muito perto de sua irmã com o passar dos anos. Quando a pequena Sue finalmente completa três anos, o garoto repara que a babá da menina, Alicia Masters está adoecida da mesma forma que sua mãe estava, enquanto grávida. Ela logo morre da mesma forma. Johnny Storm – o Tocha Humana e namorado da moça – é o próximo da lista. O garoto tenta avisar seu pai sobre isso, mas Reed emocionalmente abalado… olhem para isso…

Ele bate em Flanklin tão forte que daqui do site nós sentimos no rosto, não? Johnny então morre e ninguém ainda acredita em Franklin.

Bem Grimm perde seus poderes e fica feliz por isso – afinal ele sempre os teve como uma maldição e não uma benção – Uma noite, fora da cidade, ele esbarra com um chefão da máfia que ele no passado encheu de bordoada e que quer vingança. Ben leva um tiro e acaba na UTI de um hospital. Apesar de parecer possível O Coisa sobreviver a esse atentado, ele acaba sucumbindo aos ferimentos após a pequena sua aparecer com seu pai para visitá-lo, e seus olhos brilham com uma intensidade vermelha. Flanklin acusa novamente a irmã de toda a desgraça e Reed enche o moleque de bordoada… de novo.

Decidido, Franklin com os recursos do Edifício Baxter a disposição, consegue viajar para a Latvéria e consegue uma audiência com o Doutor Destino em pessoa. Após ouvir as evidências do menino, Victor Von Doom entende que a pequena Sue é uma súcubos – um demônio feminino – e Doom demonstra interesse em seu crescente aumento de poder, afinal, algum dia ela poderá ser uma ameaça para  seu país. Quando os dois retornam para o Edifício Baxter, Reed está os esperando.

Destino se comporta racional aqui e bastante comedido, porém Reed está super-protetor com a pequena Sue e até mesmo ameaça matar seu filho Franklin.

Destino fica chocado e também desapontado em ver tudo isso. Enquanto os dois discutem, a reação de Victor é mais ou menos assim com minhas palavras de carioca, “Não é você normalmente o racional de nós dois? Cara, o que diabos aconteceu com você, rapá? Você está me fazendo  sentir mal por ser seu rival!”. Ele derrota Reed apenas no argumento e o Senhor Fantástico perde perdão para sua filha caçula por não ser capaz de protegê-la mais. Nessa mesma hora, a menina assume sua verdadeira forma, alguma coisa como um primo do “Alien”. O babaca do Senhor Fantástico se desculpa também com Franklin por não acreditar nele todos esses anos antes de ser devorado por sua “filha”. Com o fim de Reed, Destino toma à dianteira e assume o papel de herói da vez.

Destino, protegendo Franklin.

A batalha não dura muito quando a pequena Sue descobre que pode absorver as energias da armadura de Von Doom, a força vital de Destino é drenada e a Súcubos brinca com Franklin enquanto o persegue pelo Edifício Baxter. Ela o encontra a esperando com um grande canhão, ela ri ao ver que o menino tenta feri-la com uma mera arma. Mas esse é seu grande erro, pois ele apenas usa a arma para atingi-la em direção ao portal da Zona Negativa que deu origem a ela. Franklin depois destrói o portal para que ela nunca mais retorne. Nessa mesma hora, a pequena Sue se encontra numa cilada ao dar de cara com o regente da Zona Negativa, O Anniquilador.

As páginas finais são apenas Franklin andando pelo prédio sozinho, se lamentando de como tudo isso poderia ter sido evitado se seu pai tivesse dado ouvidos a ele. Bem… Quem leu Guerra Civil sabe que o Senhor Fantástico apesar de todo seu intelecto, é um idiota.

A segunda história tem o bebê nascendo sem nenhum incidente com Súcubos.  A criança recebe o nome de Mary, em homenagem a mãe de Sue. E Reed faz experimentos com sua filha procurando mutações estranhas, apesar de ela demonstrar que pode voar, a pequena Mary passa por uma criança normal na medida do possível. Quando ela completa quatorze anos, ela presencia um cachorro sendo atropelado por um carro, Mary corre para socorrê-lo e seus poderes se manifestam, possibilitando curar o animal. Então o grande barato é que ela é uma curandeira! Mary usa seus poderes o máximo que pode, curando hospitais repletos de gente e isso amedronta o governo dos Estados Unidos por alguma razão.

Em verdade, Ron Marz – que já vai pro céu só por ter criado o Lanterna Verde Kyle Rayner – transforma esse conto no maior pesadelo do presidente George Bush pai, quando Mary se torna uma “super hippye”, lutando pelos direitos das minorias, do meio ambiente, dos blogs de notícia e todo o resto. Ela organiza um protesto na capital do país, Washington, o que faz com que o “páu mandado mais nojento do universo Marvel” o agente do governo Peter Gyrich, arquitete um plano e os Vingadores são alertados por ele para em hipótese alguma tomarem parte do protesto, fazendo com que o Capitão América abandone o grupo.

Não vou nem comentar que apesar de que Mary Richards esteja agora com seus vinte anos, o elenco dos Vingadores continua praticamente o mesmo e nenhum de seus integrantes envelheceu um ano sequer – muitas idas ao Doutor Hollywood provavelmente – e agora que eu pensei nisso… por quê o Senhor George Bush pai continua o presidente  ??? Talvez esse governo tenha algum super poder que eu nunca soube. Mas graças a Grodd, essa edição teve assassinato de Súcubos, afinal de contas. Já está valendo a leitura.

Enquanto isso, Mary faz seu grande discurso enquanto o Capitão América surge do meio da multidão e sobe no palco. Então nós temos o mais engraçado soco na boca do estômago da história dos quadrinhos. Quase um  Zinédine Zidane.

Enquanto o Capitão é preso pelas autoridades, ele pega o microfone e grita sobre o quanto essa jovem está arruinando a América. Isso acaba provocando uma grande revolta e transforma o protesto numa grande confusão. Mary usa de todos os seus poderes para limpar a mente de todos os presentes da raiva e acalma toda a população. Ela desmaia com o esforço e acorda no hospital, decidida dali por diante a ajudar todo o país e depois o mundo a seguir numa direção muito mais saudável e pacífica e todos ficam felizes.

No fim da história, Gyrich aparece muito “fulo” porque seu plano de se vestir como o Capitão América e desacreditar publicamente Mary Richards não terminou como ele esperava, alguém invade seu escritório, alguém carregando um escudo arredondado, arrebentando a porta e nocauteando Gyrich. Seus olhos estão vermelhos por alguma razão. O que leva o leitor a ver um Capitão América muito enraivecido por sua imagem ter sido usada indevidamente como também existe a possibilidade de ali ser um Justiceiro vestido de Capitão… sem brincadeira!

De qualquer forma eu sempre vou amar o primeiro conto desse capítulo, pela proposta do autor de mostrar a realidade por um outro ponto de vista sobre até que ponto alguém é totalmente mocinho ou vilão. Afinal temos um Senhor fantástico enlouquecido e envenenado pelo ego e um Doutor Destino no fim das contas, heróico.

"Nós somos uma família Reed e a família fica sempre unida!"" Arte original de Jack Kirby
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13 comentários sobre ““O que aconteceria SE…” Doutor Destino herói, Senhor Fantástico um babaca e QUADRINHOS QUE ME FIZERAM FELIZ parte 4

  1. devo dizer que, dependendo da história alternativa, até que sai legal,mas tem umas que não fazem sentido.
    Na realidade em que Wolverine se torna o rei dos vampiros e morre no fim, se transformando em cinzas, daí a questão: como o esqueleto de Wolvie, que é de o adamantium, pode virar cinza, se o adamantium é indestrutível?E o mesmo vale pro tentáculo de Octopus, que não são de adamantium, mas de metal, e metal não pode virar cinza porque não é orgânico.
    Vai ter como postar aí a realidade em que Reed Richards foi condenado a morte por salvar Galactus?
    Ah, e admito que que Reed é uma grande besta em várias realidades, como na que Flash Thompson recebeu o poder da aranha e Reed, em vez de dar o poder pra Peter, o joga pela pia, na realidade dos Zumbis Marvel, acreditando na “evolução das espécies”, se deixou zumbificar e quando ele se tornou o Agressor Negro e passou a caçar suas contrapartes dimensionais por causa do erro que ele cometeu(ser enviado a nave de Galactus pra pegar o nulificador e ficar distraído com as coisas que viu na nave, dando tempo ao Devorador devorar a Terra).

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  2. Bom, eu vim aqui só porque é aniversário do Victor…
    Mentira…kkkk
    Eu nao gosto dessas histórias do estilo ” O que aconteceria se…”
    Todas que eu li eu não gostei.
    Tá, confesso que não li tantas assim porque fico perdido no Universo Marvel, mas sobre essa acima eu realmente não gostei. Gosto do Quarteto “normal” : Sr Fantástico, Coisa, Mulher Invisivél, Tocha Humana…

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  3. Essas histórias sairam no Brasil? Onde?

    Fiquei bastante interessado. Gosto do Franklin e fico feliz de que tenha ganhado um destaque nessa trama.

    Aliás, ver o Doutor Destino dando uma de herói também não tem preço hehe.

    Mas minha dúvida: se o Reed morreu (?) na história, com quem o Franklin vai morar? Afinal, naquela época o Reed não tinha reencontrado o seu pai (que estava em outra dimensão) e esses eventos podiam inibir isso de acontecer. Fora que até onde eu sei, Reed e Sue não tinham mais parentes disponíveis. A única opção na qual consigo pensar é ser adotado pelo Professor Xavier e virar um X-man Jr. hehe

    Outra hipótese (e bem doidona) que me ocorreu agora é ele ser adotado pelo Aranha, que na época em que se passa esses eventos, já estaria casado com a MJ hahah

    Sobre What ifs vs Elseworld, vou ser “do contra” e dizer que eu prefiro os da DC. Acho que é porque muitos dos What ifs que eu vi terminam com finais tristes ou mais trágicos enquanto os elseworlds me soam mais como “personagens jogados em outras situações sem interferência editorial” e os que eu li tinham finais mais positivos.

    Eu adorei “O prego” do Alan Davis e sugiro ao pessoal do Santuário que, um dia, faça uma matéria sobre a saga. Isso se quiserem, claro.

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    1. Sua sugestão é uma ordem! Aliás acho “O prego” uma releitura interessante para o Garrit fazer (sem nenhuma conotação errada, Garrit!) Para mim é um dos melhores Elseworlds que já li e olha que li trocentos (ai ai, tempos que meu avô era vivo e eu ganhava um cheque em branco para pagar todas as edições importadas do mês que comprava na gibiteria…). Sabe S.P., suas idéias de com quem o Franklin fosse morar são todas pertinentes, o Aranha é uma espécie de “tio” também do garoto, me corrija o lucas, mas acho que o Xavier nunca deixaria o mutante mais poderoso da Terra ( que deixa o Legião, Magneto, Proteus, Natan Grey e Feiticeira Escarlate no chinelo) a solta por aí sem seu direcionamento moral e treinamento. O Franklin mais cedo ou mais tarde vai parar no Xavier, com “What If” ou não. agora, se Victor von Doom tivesse sobrevivido… ia ser “osso ” tirar o garoto da sua guarda.

      Ah, fera, eu tenho 100 edições do segundo volume dessa revista e todas são americanas, aqui no Brasil, penso eu, a Abril publicava uma ou outra vez ou outra, quando tinha que tapar algum buraco numa edição nacional da Marvel. E mesmo assim, eram do primeiro volume, que pegou década de setenta e início de oitenta. Essa por acaso é da década de 90.

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      1. Eu adoraria Victor, mas por incrível que pareça nunca cheguei a ler “O Prego”, embora tenha ouvido falar muitissimo bem e tenha procurado por ela, mas ela parece estar esgotada… enfim, agora com esse incentivo a mais vou me esforçar um pouco mais e passar minhas impressões para vocês, ok? Ah eu adoro esse emprego……. !

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  4. What If…. Já tive a oportunidade de ler vários. Sinceramente, este não é o que mais me agrada, mas outros virão. O destaque aqui fica para a inversâo Reed X Von Doom que é ótima!

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  5. Cara, muito bom você trazer essa série para cá, sim, também acho essa uma das melhores idéias da Marvel. Muitas vezes as histórias era mais geniais que as revistas regulares, justamente porque possibilitavam total liberdade editorial para os autores. Depois a DC veio com os Elsewords dela, mas de longe não chega perto dessa proposta do safado do Stan Lee.

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