RESENHADO: BATMAN # 3

Ou: “O vão que existe entre a paranoia e a obsessão”.

Por Rodrigo Garrit

Gotham City é o lado negro da humanidade modelado em concreto.

Segue a investigação de Batman a respeito do assassino vestido de coruja que tentou matar Bruce na Torre Wayne e sua ligação com a Corte das Corujas.  Uma seita real ou outra lenda urbana? Numa cidade onde lendas urbanas transitam pelos becos escuros à luz da lua, isso faz alguma diferença?

Essa e mais outras toneladas de lendas formaram as espessas camadas de medo na qual a cidade de Gotham foi erigida. Ser supersticioso em Gotham é algo cultural.

Batman deduz que o assassino teve acesso à torre usando um dos túneis subterrâneos da linha de trem de Gotham, uma vez que ele não foi visto e nem foi registrado por nenhuma câmera de segurança.

Em Gotham existem cinco linhas de trem, para cinco gangues diferentes. Isso mesmo, cada gangue controla uma das linhas e com isso a entrada e saída do contrabando ferroviário na cidade. Depois de “trocar uma idéia” com quatro gangues, vemos Batman interrogando membros da última delas, a “Gangue Sussurro”, conhecida por ser a mais brutal delas. Aparentemente, eles de fato não sabiam nada sobre o assassino, fato reforçado por um avançado dispositivo detector de mentiras por meio de análise vocal embutido na máscara do Batman.  Voltando à caverna frustrado, Bruce relembra o que o assassino disse: “Adoro matar Waynes”. Uma afirmação um tanto quanto controversa, levando em conta que nenhum ancestral de Bruce fora assassinado. Além de seus pais, claro. Exceto talvez um certo Alan Wayne, cuja morte foi cercada de circunstâncias misteriosas…

Em 1922, Alan Wayne – responsável pela construção da torre Wayne e boa parte da cidade de Gotham, garantiu que a torre fosse construída com vários guardiões de pedra, de modo que vigiassem a cidade. Era muito supersticioso e foi um dos primeiros homens a construir prédios onde entre o décimo segundo e o décimo quarto não houvesse um décimo terceiro andar. Apenas um vão, um espaço vazio. Antes de morrer, Alan havia adquirido uma verdadeira obsessão por corujas. Ele temia que elas o estivessem observando e se aninhando dentro de sua própria casa.

A Morte de Alan Wayne se deu em um acidente envolvendo uma queda em um bueiro. Numa perseguição que aparentemente só aconteceu na sua cabeça. Talvez o mais supersticioso dos Wayne, ele acreditava estar sendo vigiado pela Corte das Corujas.

Corujas. Carnívoras, mestras em camuflagem e predadoras naturais dos morcegos. Elas de fato não constroem seus próprios ninhos, preferindo usar ninhos abandonados ou de aves rivais , tomando-os para si.

Batman retorna à Torre Wayne e identifica o vão que existe entre o décimo segundo e o décimo quarto andar. Ele encontra o covil do assassino. Por isso ele não o tinha visto entrando ou saindo. Ele sempre esteve ali dentro. Fez seu ninho na morada do inimigo.

Dentro do esconderijo da Corte das Corujas, Batman encontra um verdadeiro arsenal e também fotos e documentos que mostram o avanço da seita e diversos de seus seguidores, todas mascarados. Se havia alguma dúvida sobre essa lenda urbana ser verdadeira, ela cai por terra nesse momento.

Com o passar das décadas, dezenas de prédios foram construídos segundo os parâmetros deixados por Alan, inclusive sendo passado através de um fundo de auxilio a jovens arquitetos. Todos esses prédios foram construídos de acordo com o modelo de seu patrono, ou seja, nenhum deles tem um décimo terceiro andar.

Os ninhos estão em toda a parte.

Batman entra em contato com Alfred na caverna e pede que ele abra a cripta de Alan Wayne. O inimigo sempre esteve tão perto esse tempo todo…

…mas antes que consiga terminar de explicar, aciona acidentalmente uma armadilha que detona uma explosão que destrói não só o andar inteiro mas boa parte do prédio, enquanto ao longe a cena é observada pelo assassino vestido de coruja.

Agora um mega spoiler: O Batman não vai morrer nessa explosão. Desculpem estragar a surpresa, e olha que eu nem li a edição 4 ainda, mas fiquem tranquilos, ele não vai morrer mesmo. Eu já vi as solicitações da revista para os meses seguintes. Mas falando sério, é uma pena que uma história tão boa tenha terminado com esse velho clichê de “Oh, será que nosso herói vai conseguir sair dessa? Não perca no próximo Bat-episódio”…

De qualquer forma está sendo bem interessante descobrir aos poucos mais sobre o passado de Gotham e dos Wayne; entender porque a cidade tem tantos gárgulas e estátuas tétricas espalhadas, já que isso vem de uma cultura de medo e superstição antiga alimentada na cidade.

Roteiro preciso de Scott Snyder e arte matadora de Greg Capullo.

É o velho Batman em sua melhor forma.

Nota: 9

Leia a resenha anterior clicando AQUI!

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6 comentários sobre “RESENHADO: BATMAN # 3

  1. O roteirista que pegar um título do Batman e escrever uma história ruim merece uma coça…. ele é o sonho de consumo de todos os escritores de quadrinhos, até daqueles que não admitem. Scott Snyder não decepciona!

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