DEMON KNIGHTS – Não tem Etrigan o demônio aqui esse mês, mas é legal! Pode ler!

Por Venerável Victor “macaco demônio” Vaughan

Resenha de Demon Knights #4    Spoilers Arthurianos

Os talentosíssimos Paul Cornell, o escritor inglês grande promessa da DC comics e o brazuca Diógenes Neves – para mim um dos melhores artistas da atualidade, apesar de que os brasileiros atualmente são os melhores desenhistas do mercado quase como um todo – retornam esse mês com o auxílio luxuoso do desenhista convidado Michael Choi que incrementou a edição, dividindo com Diógenes os desenhos da revista, isso sem falar das cores de Oclair Albert, que são simplesmente um dos dois maiores banquetes visuais que o mercado pode oferecer aos nossos olhos, pois não posso esquecer-me de Joe Prado colorindo o outro grande sucesso do DC relaunch, Aquaman.

Tanto os antigos leitores do universo DC, quanto os eventuais novos fãs atraídos para esse título com a promessa de grandes aventuras e novas origens, podem estar um pouco confusos com tudo que está acontecendo na revista, pois não é certo ainda o que realmente o maligno Mordru e sua parceira de “cama e mesa” a Rainha feiticeira desejam invadindo a aldeia simples e remota de Little Springs, que nossos Cavaleiros Demônios por coincidência se encontravam e agora defendem com toda nobreza que possuem. Bom, pelo menos a nobreza da maioria, porque Vandal Savage luta pelos aldeões porque quer se divertir e odeia covardia e Etrigan , o astro da revista…bom, ele não é a criatura mais altruísta a pisar na Terra, como todos sabemos. Mas esse mistério é respondido nessa edição.

Aliás, outra dúvida que poderíamos ter também, vem respondida de lambuja na história desse mês. Será que todos os Cavaleiros Demônios nessa nova continuidade terão suas origens preservadas? Já que muitos outros sofreram atualizações ou adaptações? Etrigan continua o mesmo, talvez até porque ele é um caso inusitado, é um personagem clássico de Jack kirby e ou contrário de inúmeros outros heróis DC ainda está longe de ter seu potencial de contar histórias totalmente explorado. Mas e os outros? E Paul Cornell , parece disposto a esclarecer, começando pelo inusitado, Cavaleiro Andante!

Versão clássica de Joe Samachson e Craig Flesse

O Cavaleiro Andante – ou Cavaleiro Brilhante, sendo Shining Knight no original em inglês – foi criado por Joe Samachson e Craig Flessel, estreou em Adventures Comics #66 em 1941 e foi um membro dos Sete Soldados da Vitória. Outro grupo clássico da DC comics. Ele até hoje, após seus longos 70 aninhos de vida, teve três grandes versões, sendo duas delas as mais relevantes.

No século VI, Sir Justin, era um membro novato da Távola Redonda quando o Rei Arthur o designou para enfrentar um ogro que aterrorizava o Norte da Europa. No caminho o cavaleiro encontra uma árvore encantada e dela liberta o famoso Mago Merlin. Agradecido, o mago invoca alguns encantamentos que fazem a armadura e a espada de Sir Justin ficarem indestrutíveis, e deu asas ao cavalo do herói, que resolveu chamá-lo a partir daquele momento de Vitória Alada (Winged Victory).

Sir Justin ainda tinha que cumprir sua missão e no embate com o ogro ele e o seu cavalo são soterrados por toneladas de gelo e ambos acabam entrando em animação suspensa. O tempo passou e o nosso herói é encontrado no século XX pelo Dr. Moresby, um arqueólogo que realizava algumas pesquisas no Mar do Norte. Sir Justin fica transtornado ao saber que passou tanto tempo “dormindo”, porém o Dr. Moresby o acaba ajudando a se adaptar a vida moderna, lhe dando um emprego em um museu em Nova Iorque e a identidade secreta de Justin Arthur. Nas horas vagas, Sir Justin usa seus artefatos místicos para se tornar o combatente do crime. Estão vendo que o velinho safado da Marvel bebeu dessa fonte para explicar o ressurgimento do Capitão América, personagem clássico também de Kirby, nos dias atuais.

O Cavaleiro Andante possui uma armadura e espada feitos indestrutíveis pela magia de Merlin. A espada também pode absorver energia mágica de feitiços. O cavalo dele possui asas sendo capaz de voar. Alem disso, o Cavaleiro e um excelente lutador em combate armado e desarmado. E agora, a terceira versão do personagem, idealizada em 2005, pelo titio Grant Morrison e a talentosa desenhista Simone Bianchi.

Versão "mocinha" de Morrison e Bianchi

O novo Cavaleiro andante também se chama Sir Justin – nessa reformulação, os cavaleiros de Camelot falam Celta e o equivalente ao seu nome em celta é Ystin e também usado na trama – ele também tem um cavalo alado e uma armadura e espadas encantadas por Merlin como na versão original, só que ele é muito menos adaptado e feliz na nossa era moderna que sua versão original.

Sir Ystin é claramente inspirado na mitologia Celta que a versão original que era totalmente baseada no quase medieval trabalho do autor e romancista Sir Thomas Malory. Nessa atualização ele já é um viajante do tempo muito antes de despertar na nossa era, vindo de oito mil anos antes de cristo, primeiro aparecendo na Camelot medieval e depois despertando no século vinte e um. O mais interessante é que esse Sir Justin, ou Sir Ystin, como era seu nome no período Celta é na verdade Ystina, uma jovem que se faz passar por garoto para poder ser um cavaleiro e ficar ao lado de seu amor secreto, o famoso cavaleiro Galahad. Que nada desconfia.

Agora Cornell faz o que de melhor se tem feito nesse novo começo da DC, aproveitando ambas as queridas dos fãs versões e propondo uma amalgama entre elas.

Esse novo Sir Justin ainda é uma menina que se esconde sob a aparência frágil de um rapaz, mas apesar dela vir de oitocentos anos antes da era Medieval, de uma velha Camelot, ela não viajou no tempo, mas teve a vida salva por Merlin que lhe deu de beber no Santo Graal, curando suas feridas e lhe proporcionando vida eterna, seu animal alado, também adquire a imortalidade ao receber uma transfusão de seu salgue em algum momento de sua jornada.

Sir Justin, desde que foi salvo por Merlin, de tempos em tempos dormia por séculos, para recarregar suas forças, agora que despertou, seu antigo salvador lhe incube de uma preciosa missão. Desde a última vez que o Cavaleiro viu seu salvador, Merlin por um descuido perdeu o cálice, que se encontrava preservado em uma caixa mágica criada por ele, talvez devido a alguma deficiência de memória ocasionada por sua idade avançada e é de vital urgência que a moça o ajude a encontrar.

Não é essa toda a razão e motivação dos cavaleiros da Távola Redonda desde o início? A busca do Graal, assim como a procura da mitológica Pedra Filosofal, são arquétipos milenares da procura do homem por sua vida eterna que nada mais seria que o entendimento dos segredos da vida ou no caso do artefato que transforma chumbo em ouro, a alegoria da transformação interior de nosso caráter e alma.

Agora Paul Cornell, aproveitando o momento que conta a levemente repaginada nova origem do Cavaleiro Andante, nos explica o porquê de toda essa confusão que os Bruxos vilões aprontam nessa Europa medieval. Eles assim como Merlin buscam pelo poder do Santo Graal, perdido por seu protetor eras atrás. E que sem sombra de dúvida é um prêmio e tanto para quem conseguir encontrá-lo. No fim da edição, como na anterior, somos surpreendidos por uma traição chocante. Que o mês de janeiro chegue logo! Edição anterior aqui.

"Eu sou Merlin! Eu vivo em retrocesso, eu nasci velho e estou rejuvenescendo, o foto de eu ainda ser muito velho significa que o universo ainda tem muito pela frente!"

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12 comentários sobre “DEMON KNIGHTS – Não tem Etrigan o demônio aqui esse mês, mas é legal! Pode ler!

  1. Na época em que eu parei de ler, me lembro de ter adquirido o primeiro número de Os 7 Soldados da Vitória e me intrigou bastant a nova origem do Cavaleiro Andante. Primeiro por ser uma mulher e depois pela sua adaptação ” a fórceps” no mundo moderno. Pena que nâo li todo o material.

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  2. Acho Os Sete Soldados da Vitória do Morrison, como quase tudo que ele escreve parte genial, parte confuso e absurdo, mas é inegável o quanto ele renovou a franquia, particularmente o Cavaleiro Andante/Brilhante e o Frankstain principalmente, o conceito da S.H.A.D.E. e tantas outras coisas presentes na obra do cara. O Cornell tá mandando bem mas como você mesmo disse na resenha da Liga Sombria….como tá levando tempo para as equipes se consolidadem, não é? Mas cara, que desenhos sâo esses do cara brasileiro….muito foda! E parabéns pela resenha, gosto de todas aqui do site mas você escreve concluindo que nem todos nós, na verdade…a maioria de nós nâo conhece quase nada desses títulos.

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  3. É com muito orgulho que eu volto pela quarta vez para resenhar essa revista que foi um presente de Deus e o Diabo na minha vida! De Deus (Papai do céu) e do Diabo (Dan Diddio), não o diabo rimador Etrigan. Sejam todos bem-vindos!

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