Sexy Nerds

oculos

Ou: “O Objetivo é a Conquista da diversão”.

Por Rodrigo Garrit

Havia um tempo em que ser chamado de nerd era motivo de briga. Um nerd era a pior coisa que você poderia ser, ainda mais se fosse um adolescente numa escola cheia de valentões. Usar a palavra “Bullying” é redundante. Os nerds eram desprezados… não tinham grandes atribuições físicas, usavam óculos de lentes grossíssimas, eram ruins nos esportes e usavam roupas totalmente fora de moda. Mas eram inteligentes, tiravam as melhores notas nas provas e entre uma bateria de xingamentos e outra, serviam para fazer os deveres de casa ou os trabalhos escolares dos valentões.

Ser um nerd costumava ser um suicídio social. No máximo você podia se relacionar com outros nerds, e então ficavam estabelecidos os grupos. Enquanto se evitava ao máximo o contato com os valentões da escola, esses grupos nerds formavam suas próprias reuniões, onde discutiam muito cinema, música e quadrinhos. E claro, games, RPG e informática.

Mas tudo isso que eu citei acima são estereótipos e como tal, não devem ser usados para generalizar qualquer classe que seja. O Ser Humano é muito mais complexo que isso. A verdade é que temos muitos valentões que leem gibis, e tantos outros nerds que jogam muito futebol. Só para ficar nesses exemplos.

Nerds são pessoas complicadas, retraídas e tímidas… ou apenas têm medo de expressar o que sentem e sofrerem mais repressão? Na verdade, qual pessoa no planeta não é complicada? E quantas trazem para si os próprios problemas, fazem tempestade em copo d’água, criam seus próprios pesadelos internos… por medo, culpa ou sabe-se mais o que as vivências e traumas a levaram a acreditar inconscientemente que precisam ser punidas?

Não importa o quanto tenham dito que você não é ninguém. Não importa quem tenha dito. Você é alguém. E não está sozinho.

Seja nerd, valentão, gay, estrábico, judeu ou vegetariano… não importa a sua raça, suas crenças e nem o seu sorvete favorito. A primeira pessoa de quem você precisa se libertar, é você mesmo. Depois disso, vai ser bem difícil encontrar outro adversário à altura…

Mas a palavra nerd deixou de ser pejorativa. Ao contrário, ser nerd virou até moda. Mas não necessariamente o estereótipo nerd, aquela caricatura que é usada de forma a se generalizar as pessoas. Hoje em dia, os nerds são pessoas bem sucedidas, têm ótimos empregos, ocupam cargos de grande relevância… e não perdem as reprises de Harry Potter. Podemos observar em todas as esferas sociais, eles estão criando grandes avanços tecnológicos, trabalhando no ramo das animações por computador e games de ultima geração… depois de ter passado algumas horas fazendo musculação na academia.

Não se enganem, hoje em dia os nerds estão azarando as meninas na balada, e algumas garotas até criaram uma certa preferência por caras nerds…. é, meu amigo, lembra daquelas humilhações no colégio? Como o mundo dá voltas, né?

Eu poderia citar vários exemplos de nerds que sofreram todas as angustias de ser um nerd na juventude e que deram a volta por cima, sendo hoje consagrados como grandes empresários, cientistas, artistas e quem diria? Esportistas!

Por que hoje em dia, é sexy ser nerd. Não julgar um livro pela capa nunca foi tão verdadeiro. Não é difícil encontrar diversos nerds descolados pelas ruas… não existem mais barreiras entre a livraria e a academia! Ser nerd é cool. Foi criado atém mesmo um “dia do orgulho nerd”!

As pessoas começaram a entender, que ser inteligente é ser admirado a longo prazo, talvez pelo resto da vida. A beleza dos corpos deve ser buscada sim, claro que todos têm o direito de sentirem-se bem consigo mesmo. O culto ao corpo, a busca incessante pela silhueta perfeita é que não é algo saudável, assim como a obsessão pela internet, por comida, álcool, remédios e todas essas outras neuroses. E não adianta mudar só pra ganhar a aprovação dos outros. No fundo, você vai saber que não é real.

Todos queremos ser bonitos e saudáveis. Não há nada errado nisso. Mas alguns limites precisam ser observados, para evitar que a pessoa se torne a mais gostosa ou o mais sarado do manicômio…

A diversidade humana permite que exista um sem número de variações do mesmo tema. Classificar é limitar. Não deixe que ninguém rotule você pelo que acham que deve a sua “classificação”. O Ser Humano não nasce com manual de instruções, logo, também não deve ser etiquetado. Não deixe que imponham o ritmo da sua vida. Esse ritmo pertence somente a você. Pare. Avance. Recue. Mas esteja certo que é você que decide isso.

Claro que é difícil… a sociedade é hipócrita, e regida por um sistema obsoleto, mesclado a crenças religiosas e direitos constitucionais, subvertendo valores e impondo padrões de comportamento. Todas as religiões merecem respeito, mas devem também respeitar os que escolheram crenças diferentes ou mesmo crença nenhuma. Para os religiosos, a afirmação de que “Deus está acima de tudo” é perfeitamente aceitável desde que se entenda que nem todos têm a mesma definição de Deus. Mas se todos concordam que a base principal é o amor, então não é difícil praticar um pouco tolerância, certo?

O que deveríamos buscar é o equilíbrio, fazer aquilo que gostamos e viver intensamente, desde que isso não prejudique os outros.  O melhor que podemos fazer é sermos nós mesmos. Todas as nossas tentativas de fugir disso, sem exceção, serão uma fraude. E entre ser uma fraude que agrada a maioria, ou um ser genuíno que reflita aquilo que eu sou… nem preciso dizer, eu prefiro a segunda opção.

Sabe aquela coisa de ”O objetivo é a conquista”? Não contem pra ninguém, mas é mentira.

Na verdade, o objetivo é ser feliz.

 

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12 comentários sobre “Sexy Nerds

  1. Na minha infância e adolescência eu sempre fui “guria diferente” . Usava o famoso óculos redondo – mas de aro vermelho. Cabelo estranho – curto e arrepiado. Me vestia fora da moda, mas do jeito que eu gostava. Era a melhor aluna da classe e também a mais capeta. Era sim, estigmatizada em muitas coisas, mas era querida. Nunca fui a cdf puxa saco, mas meus boletins eram sempre lindos, e dos meus amigos melhoravam muito por meu intermédio. Onde eu morava, um bairro classe media do interior, eu era constantemente chamada de burguesinha, por que meus passa-tempos era viver dentro das locadoras – sócia com carteirinha de fidelidade – e na biblioteca municipal. Ainda lembro quando com 13 anos peguei livros de Shakespeare para ler e sai de lá ao som de “Ahh que linda, tão novinha…”
    E nunca mudei. Ainda uso cabelo estranho, ainda uso roupas estranhas, ainda sou uma capeta, ainda me chamam de metida, e dai? Sou eu e pronto. Ame-me ou me deixe.

    Acho que que as pessoas esquecem é que não importa se os outros vão aceita-los ou rotula-los, e sim, VC é que precisa se aceitar. O seu lugar no mundo está ai.

    Hoje estamos infestados de pseudo-nerds, e na verdade, nem sabem o que é direito e isso me irrita muito! Só pq veem TBBT, ou é fodão em um jogo. Meu, ql a importância agora desse titulo? Moda, só isso. Moda.

    Se sou nerd? Sei lá, sou? Eu amo Harry Potter, amo ler, escrever, ver desenho animado, fui fã do NKOTB. Cinema para mim é tudo! Não sei muita coisa de PC, qdo preciso comprar componentes peço ajuda, se o meu desliga eu entro em surto pq não sei o que houve. Adoro jogar, mas sou mega noob e só me dou bem no Mortal Kombat e no WoW qdo jogo sozinha. Estou há quase um mês tentando passar da primeira parte da primeira fase do Donkey Kong. Detesto politica, ideias formadas e musicas do EMF. E ai, qual meu rótulo? Apenas Leticia. Obrigada 😉

    Ah sim, falo demais… 😛

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    1. Letícia, muito obrigado por dar esse depoimento aqui, isso junto com outras opiniões que recebi sobre esse artigo só reforçam minha vontade de continuar nesse caminho e renovam minha vontade de fazer cada vez melhor meu “trabalho” aqui no Santuário… houve um tempo que seria impensável para mim escrever um texto como esse publicamente, mas graças a Deus as coisas mudam, e embora ainda não seja um mundo perfeito, talvez possamos ver o dia de hoje como um pouco melhor do que foi ontem.
      É bom estar entre amigos.

      Bjs!!

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    2. Concordo contigo Le, metade do caminho pra qualquer coisa (aceitação por parte dos outros, principalmente) é a atitude. Eu era pessoa mais nerd do colégio e a mais popular, ao mesmo tempo. Faz sentido?

      Também concordo que parte da aceitação do nerd seja porque virou moda, mudou de nome e virou chic, mas isso não me incomoda. Ser geek é o must, logo ninguém precisa mais esconder que passou a noite de sexta jogando boardgame ¬¬

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