OS INVICTOS: “Como será o amanhã? Responda quem puder”!

Por Rodrigo Garrit

invictO Santuário orgulhosamente apresenta a resenha da HQ “Os Invictos – O despertar”, de Rafael Tavares, com desenhos e arte-final de Rafael, Jackson Gebien e Adriano Sapão, além de Paulo Fernando que também contribuiu com a arte final. As cores são de Alzir Alvez, Alef e Célio Cardoso. A capa é de Nel Angeiras e o design de Daniel Siqueira.

S_Final

Bem vindos ao futuro.

Preceptor, Sonoro, Esquisito, Sr. Maleável, Invicta, Expert, Princesa Luz e Peso Pesado… Os Invictos! Um grupo de super-heróis lidando com os espólios de uma guerra alienígena, onde a Terra supostamente venceu… mas pagou um preço.

Ao investigarem o interior de uma nave abandonada, a equipe entra em contato com uma estranha substância que deturpa seus sentidos e os conduz a uma realidade interna, onde enfrentam suas próprias dores e prazeres, forçando-os a encarar de frente seus demônios…

Essa é apenas a primeira de uma história de quatro partes, onde aos poucos somos apresentados a esses personagens e ficamos sabemos o que aconteceu com o mundo.

Rafael Tavares nos apresenta seus personagens de dentro para fora. Ele nos mostra seus medos, traumas e vivências que marcaram suas histórias e os fragilizaram ou os tornaram mais fortes… como acontece com qualquer um de nós, tendo ou não superpoderes. Cada drama pessoal revela um pedaço do passado de cada um e assim ficamos conhecendo fragmentos de suas biografias. Uma ótima sacada do autor, que fugiu da pura e simples pancadaria e trilhou um lado mais ameno, porém não menos aterrorizante na trama. Não que a história não prometa muita ação nos próximos números…

Desenhada por vários artistas diferentes, tinha tudo para causar estranheza ao leitor ainda não familiarizado com os personagens, porém em outra jogada de mestre dos autores, essa mudança de traço cabe como uma luva para a história, apresentando a visão do drama pessoal de cada um dos personagens interpretada por um artista diferente. Não sei se esse foi o plano desde o início, mas se não foi, deveria ter sido. Funcionou perfeitamente.

Embora seja uma HQ de super-heróis feita dentro dos padrões de diversão que se espera, existem algumas tentativas de aprofundamento nos personagens e em suas caracterizações. Claro que essa não é a preocupação principal… não espere diálogos profundos, mas sim uma história de super heróis promissora, com figuras cativantes e problemas com os quais podemos nos identificar.

Leia a HQ On Line gratuitamente clicando AQUI!

Rafael Tavares

Fiquem agora com uma entrevista exclusiva com o criador do Invictos, Rafael Tavares!

Santuário: Rafael, como você descobriu e se envolveu com o mundo dos quadrinhos?

Rafael Tavares: Minha motivação para mergulhar no mundo dos quadrinhos foi o fascínio que os personagens de desenhos animados exerceram sobre mim durante minha infância!! Lembro de colecionar gibis dos personagens da Disney, e em seguida me aventurando definitivamente no gênero de super-heróis!!

S: Quem são os Invictus? Conte-nos toda a sua trajetória, desde o surgimento deles na sua cabeça até ganharem vida nas HQs.

Rafael Tavares: Os Invictos são um grupo de super-heróis brasileiros, de um Brasil do futuro e com um contexto muito particular!! Os membros fundadores são amigos desde a infância e presenciaram nessa época o mundo passar por um capítulo horrível de sua História, mas esses eventos obscuros culminaram com uma transformação mundial nos anos seguintes, e naquilo que seria o tempo presente para Os Invictos o nosso país é a maior potência do globo!! Mas tudo isso não estava delineado na minha cabeça quando criei o grupo!! Toda essa construção  fui desenvolvendo ao longo dos anos!! Bem no início apenas os cinco membros fundadores do grupo povoavam a minha mente!! Foi durante um importante curso básico de histórias em quadrinhos que surgiu a necessidade de definir melhor o grupo e uma origem para ele!! O término do curso consistia na produção de uma HQ de poucas páginas por cada aluno para compor um fanzine, e assim Os Invictos estrearam na publicação Criogenia! #0 em 1998!! Considero toda a vivência e dinâmica de um curso de quadrinhos, que proporciona toda uma interação com outros que estão na mesma condição que você, crucial para uma série de amadurecimentos e compreensões, dentre elas o desenvolvimento de personagens!!

S: A HQ “O Despertar” está sendo desenhada por vários artistas diferentes… fale um pouco sobre cada um deles e como entraram no projeto.

Rafael Tavares: Bem, são mais de vinte ao todo, mas vamos lá!! (risos) Durante os anos de 2005 e 2006 muitos artistas independentes de quadrinhos utilizaram os fotologs Terra para divulgar seus desenhos, trocar ideias e fazer planos e projetos!! Foi um período realmente empolgante e onde pude conhecer grandes talentos e bons amigos, de várias partes do país!! E me pareceu natural querer ver o máximo deles reunidos na forma de uma HQ, ver todos aqueles diferentes traços e estilos registrados em uma história!! Pra minha sorte consegui escrever uma aventura dos Invictos não muito convencional, mas que possibilitaria e justificaria a presença de tantos traços diferentes!! E assim todos foram embarcando no projeto mediante os meus convites!! Tenho grande orgulho dos nomes que consegui reunir para esse projeto!! Acho que o primeiro que convidei foi o Jackson Gebien, e ele foi fundamental para o início de tudo!! Sua colaboração foi duplamente importante, tanto que ele desenha mais da metade da primeira parte da minissérie!! Adriano Sapão era outro que não poderia ficar de fora, um amigo inestimável e que mostra sua versatilidade ao longo da HQ com estilos de traços diferentes!! Otávio Subtil, o Óqui, desenvolveu cenas grandiosas!! Marcos Gratão proporcionou um dos momentos mais intenso da HQ!!  Leonardo Rocha após desenhar a sua participação na HQ pediu para refazer quando sentiu que já havia adquirido um traço mais evoluído!! Mário Santos  foi um amigo do curso de quadrinhos que fiz e fiquei muito contente de ele ter aceito participar!! Lorde Lobo se me lembro bem estava num momento afastado dos desenhos, não dos quadrinhos, mas o convenci que ele não poderia ficar de fora!! Wilski Barbosa havia desenhando uma HQ do personagem Marreta que escrevi para a revista Arena, gostei tanto do trabalho dele que o convidei na hora e ele não decepcionou mais uma vez!! Nel Angeiras desenhou um dos pontos cruciais da trama com perfeição, inclusive tem um quadro que ele fez que não me canso de admirar!! Angelo Ron é incansável e já produziu diversas HQs sendo o seu traço adequado para a passagem da trama que se encarregou!! Luís Cláudio me confessou que não tinha experiência em desenhar roteiros escritos por outras pessoas, mas cumpriu seu papel muito bem!! Sandro Marcelo conferiu seu estilo clássico e tão admirado para a publicação!! Mario Cesar Silva trouxe um pouco do estilo mangá com a sua contribuição!! Samuel Bono quando veio de São Paulo para Fortaleza de férias pelo segundo ano seguido me deu a alegria de vê-lo desenhar sua participação!! Paulo Fernando com sua narrativa cinematográfica nas páginas soube capturar um momento bem perturbador exigido na história!! Lucas Ed por sua vez faz o contraponto a isso com suas páginas no estilo cartoon!! Daniel Siqueira já era meu amigo a mais de dez anos e com essa HQ teve a oportunidade, para minha plena satisfação, de desenhar Os Invictos pela primeira vez!! O professor Gerson Witte demonstrou todo o seu profissionalismo e conhecimento técnico em páginas belíssimas!! Lucasi se juntou ao projeto com seu traço inconfundível e único que aprecio bastante!! Edvânio Pontes é uma fonte criativa inesgotável e embora ele próprio não aprove o seu desenho eu não cogitava esse projeto sem a sua participação!! Saul é um jovem artista com muito potencial!! Jean Silva me honrou com a sua arte realizando assim um desejo antigo meu!! E acrescento que todos fizeram o seu melhor, alguns hoje já estão mais experientes e com maior prática, mas o resultado me deixou bastante envaidecido!!

S: Quais os seus planos futuros para esses personagens?

Rafael Tavares: Diferente de como ocorre no mercado americano, que é uma indústria, tudo relacionado a produção de aventuras dos super-heróis brasileiros se configura como algo custoso e demorado, principalmente quando se passa a priorizar a qualidade!! Por isso, apesar de Os Invictos já existirem há alguns anos, muito pouco de suas histórias foram mostradas e produzidas!! Acho que eles ainda tem mais para oferecer, e pretendo seguir agregando a maturidade e experiência que venho adquirindo como autor em favor dos personagens e suas tramas para melhor atender ao público alvo de minhas criações!! Portanto, meus planos consistem em seguir produzindo HQs cada vez mais interessantes e aproveitar as oportunidades que elas me trouxerem!! Muita coisa bacana vai acontecer para as produções de quadrinhos nacionais que se destacarem na qualidade e pretendo ver minhas histórias figurando nesse cenário!!

S: Você tem outros projetos, outros personagens em que esteja trabalhando?

Rafael Tavares: Por uma questão prática com o passar do tempo fui aglomerando todas as minhas criações em um único contexto ficcional, no caso o Universo Invictos!! Adotei essa política em decorrência da demora que se leva na condição de produtor independente para se investir em uma criação!! No momento meu projeto mais ousado é uma HQ especial d’Os Invictos reunindo dezenas de super-heróis nacionais que está em produção!! Mas um projeto que tenho muito carinho é o das HQs de humor do Mói da Justiça, uma paródia nordestina da Liga da Justiça que criei em parceria com Adriano Sapão!! Como roteirista ainda tenho algumas HQs inéditas que irão sair na revista do Penitente, editada por Lorde Lobo, estou escrevendo com base em um brilhante argumento de Maurício Ado para uma outra HQ importante que irá reunir alguns super-heróis nacionais, tem também uma HQ dos Jovens Heróis que está sendo desenhada por Sapão e colorida por Marcos Gratão!!

S: Acredita que já existe um tipo de quadrinho de heróis feito no Brasil que tenha a nossa identidade ou acha que influência estrangeira ainda é muito forte?

Rafael Tavares: Acho que o super-herói de quadrinhos brasileiros precisa acima de tudo de boas histórias!! Se o autor focar nesse objetivo e batalhar para obter isso a medida em que for dominando as técnicas narrativas da linguagem e do gênero, e quando tivermos isso bastante difundido em uma quantidade considerável de títulos, iremos garantir o patamar para se poder avaliar essa questão da influência e do estabelecimento de uma identidade!! Ainda temos carência de ver nossos heróis brasileiros em grandes histórias, e elas precisam ser produzidas e contadas, cada vez mais, para que dentro desse processo essas questões tenham a oportunidade de ainda serem respondidas!! Diante do cenário que sempre se desenhou para a produção nacional é injusto se obter essa resposta hoje!! Mas analisando de forma crua, sim a influência estrangeira ainda é muito forte, mas em compensação traços de uma identidade particular nossa também já pode ser sentida em muitos casos, mesmo que sútil!!

Invicta!

S: Você lê outras HQs nacionais? Que leitura você recomendaria aos leitores do Santuário?

Rafael Tavares: Por mais que eu me vincule ao gênero de super-heróis ainda não consigo me me cansar dele, logo minhas opções de leitura se remetem a esse universo!! Recomendo a revista do Maximus de Allan Yango, que nos trás um herói nos molde clássicos, o Comando 5 de Alan Goldman, uma publicação que consiste em um projeto ousado e muito bem vindo, com uma arte espetacular, a revista Campana de Sandro Marcelo, que segue trazendo a saga de seus personagens do riquíssimo Saniverso, Penitente de Lorde Lobo, que me levou a apreciar um anti-herói, Crânio de Francinildo Sena, que já tem tradição no meio!! Procuro manter-me de olho no que é lançado dos super-heróis nacionais e sempre que possível estou aumentando minha coleção de publicações deles!!

S: Qual foi a história escrita ou desenhada por você que mais te deixou orgulhoso? Por quê?

Rafael Tavares: Aí está uma pergunta um tanto difícil, pelo menos dentre as histórias dos Invictos que escrevi!! Do meu supergrupo acho que vou escolher “O Despertar”, pois em muitos dos casos escrevi as páginas pensando nos artistas que escolhi para elas!! Agora fora do universo dos Invictos preciso destacar o meu roteiro da terceira edição do Penitente, de Lorde Lobo!! E a razão é bem simples, além de ter sido uma publicação especial para mim por si só, e por eu ter conseguido transmitir um ponto de reflexão com a história, o elogio que recebi do grande mestre Júlio Shimamoto em decorrência dessa história será algo que jamais irei esquecer!!

S: Você busca inspiração em outros autores? Existe algum autor em especial que admire?

Rafael Tavares: Pode parecer petulância o que vou responder, mas acho que não chego a buscar inspiração não!! Conscientemente não pelo menos, mas explico isso!! Sempre fui alguém muito ligado aos personagens que curto!! Vejo muitos afirmando que compram tudo o que sai de determinado escritor ou desenhista!! Eu não consigo ser assim!! Eu sou fiel ao personagem, coleciono as HQs dos personagens que gosto!! Mas o fato de não fazer essa busca consciente por inspiração não quer dizer que eu não tenha sido e continue sendo influenciado por tudo aquilo que vi e gostei produzido por uma série de autores distintos!! E além dessa conexão maior que sempre tive com os personagens, acho que essa minha característica também se deve por sempre ter me decepcionado menos com os personagens do que com os autores!!

S: Fala-se muito sobre uma grande barreira entre os editores americanos de quadrinhos e os artistas nacionais… você acredita que essa distância esteja diminuindo ou apesar de grandes desenhistas brasileiros fazendo sucesso lá fora, ainda exista essa resistência?

Rafael Tavares: Os desenhistas brasileiros estão ditando a moda dos quadrinhos americanos!! O bom profissional de desenho de quadrinhos se cair nas graças de uma das grandes editoras tem total condição de se estabelecer por lá!! Agora o lado profissional pesa, e isso implica no cumprimento dos prazos, na manutenção da qualidade, até na escolha do agente!! Uma boa escola para o aprimoramento desse lado profissional são as editoras menores que também consistem em uma boa vitrine lá fora!! Por sua vez a barreira permanece inalterada para os roteiristas profissionais de língua não inglesa!!

S: Houve um tempo em que parecia ser importante para os artistas nacionais serem notados por algum editor de quadrinhos estrangeiro para conseguir uma vaga no disputado mercado americano… isso ainda é algo imprescindível ou já chegamos em um nível em que é possível viver de quadrinhos no Brasil?

Rafael Tavares: Enquanto o mercado americano permanecer sendo o que ele representa sempre teremos grandes talentos nossos visando um lugar nele, e não vejo isso como um problema da forma como as coisas se mostram ainda hoje!! Não possuímos um mercado para chamar de nosso, portanto, não faz sentido manter um discurso para privar esses profissionais de fazer bonito lá fora e levar o nome do nosso país, até porque eles não encontrariam os mesmos privilégios e vantagens produzindo nacionalmente, não de modo imediato e sem maiores custos!! Mas é preciso fazer a distinção entre dois tipos de artistas relacionados aos quadrinhos no Brasil!! Existem os artistas profissionais e os artistas independentes!! São universos distintos e com interesses distintos!! Os primeiros tem como objetivo se consolidar profissionalmente no mercado de quadrinhos, e irão mirar nos mercados mais expressivos, ou seja, pela qualidade técnica que oferecem e pela adequação profissional ao sistema visado acabam encontrando um lugar no mercado de quadrinhos mundial!! Os artistas independentes por uma série de outras razões visam estabelecer um mercado de quadrinhos no Brasil!! O termo independente considero apropriado devido a ausência de um mercado propriamente dito em nosso país, ou seja, compete a esses artistas realizar associações entre eles e promover suas produções, na maioria dos casos arcando com os custos!! É bom ressaltar que esse caráter independente não significa desprovido de uma postura profissional, não é isso!! Acredito que justamente está atitude mais profissional dos artistas independentes é que irá gerar a mudança de nosso contexto, inclusive a mudança do próprio status desses mesmos artistas, realizando consolidações e atraindo olhares certos para a conquista de novos espaços comercialmente falando!!

S: Em sua opinião, o que falta para os quadrinhos nacionais “decolarem“? Ou esse é ainda um sonho quase impossível?

Rafael Tavares: Falta organização e a adequação da percepção do artista!! O sonho existe, mas sem o produto de qualidade e sem o aparato para viabilizá-lo de modo a chegar ao seu público continuaremos distantes desse objetivo!! Mas isso não quer dizer que iniciativas já não estejam sendo feitas para se mudar isso!! De uns anos para cá surgiram grupos comprometidos com a ideia de fornecer a base para se instaurar uma mudança nesse sentido!! Os quadrinhos nacionais são em via de regra produções independentes, mas muitos estão adotando uma postura profissional, iniciando os primeiros passos nesse sentido, pelo menos!! E esse é o caminho!! É algo que precisa ser levado a sério por quem faz para vir a ser levado a sério por quem consome!! Com relação a adequação da percepção do artista também me refiro a um certo desapego com relação a sua obra ou personagem de modo a visualizar nele um produto que deve atender as necessidades de seu público!! Esse tipo de percepção muitas vezes não pode ser obtida por parte do artista do dia para noite, mas deve ser trabalhada!!

S: Temos algumas editoras publicando quadrinhos, mas a maioria é estrangeiro. (Com raras exceções como a Turma da Mônica e a Turma da Mônica Jovem, que são um sucesso estrondoso). Certamente temos muitos talentos à disposição no país. Em sua opinião, as editoras não investem em quadrinhos brasileiros (principalmente de super-heróis) por medo de perder dinheiro ou por falta de pessoas comprometidas em criar esses quadrinhos? 

Rafael Tavares: De certa forma creio que as duas coisas!! Mas a principal razão é sim o medo das editoras de investir em algo desconhecido do grande público!! Se houvesse esse interesse por parte das editoras ocorreria uma mobilização dos artistas, não de modo imediato para atender uma grande demanda, mas a médio prazo seria possível sim essa transformação, pelo menos é a forma como percebo!! Claro, já temos gente talentosa e comprometida com os quadrinhos que já poderiam estar servindo com prontidão tais editoras que se predispusessem   a encarar esse investimento!!

S: Acredita que exista um preconceito auto-imposto dos próprios brasileiros, que denigrem tudo o que é feito no Brasil muitas vezes antes mesmo de conhecer o material? Já sofreu esse tipo de julgamento?

Rafael Tavares: Essa é uma realidade desfavorável e concreta!! Mas compete a nós nos comprometermos com o que estamos fazendo e oferecer um produto atrativo para que possamos mudar tais concepções!! Devemos trabalhar para cada vez mais nos aproximarmos desse objetivo!! A prática irá nos guiar para isso!! Acho que o maior julgamento que percebo é das pessoas considerando o meu trabalho com os quadrinhos nacionais como algo infrutífero, que não irá se sustentar diante do cenário que vigora!! É uma forma de preconceito considerar que as coisas devem permanecer sempre como tal no tocante a esse assunto!!

S: Como você descreveria uma HQ de sucesso, campeã de vendas… o que ela precisaria ter?

Rafael Tavares: A HQ em si precisaria falar a linguagem e oferecer os interesses de seu público-alvo e ao mesmo tempo ser honesta para com ele!! Agora para ela chegar a esse público e encontrar o sucesso é um dos maiores problemas que enfrentamos!! Isso precisa ser superado!! Todo o aparato para distribuição, divulgação, locais para vendas, todos esses fatores que de certa forma ainda se mostram inacessíveis mantendo distante do leitor as boas ideias dos autores independentes!!

S: Falando de quadrinhos de uma forma geral… acha que daqui há alguns anos, essa será uma mídia obsoleta? Ou vê os quadrinhos digitais como uma evolução? Os tablets substituirão o papel?

Rafael Tavares: Quadrinhos são um tipo de arte, são uma forma de se expressar, e como tal nunca será abandonada!! Será sim reinventada no sentido de melhor se adequar para fins comerciais!! Todas essas novas plataforma são bem vindas, mas teremos sim espaço para o bom e velho gibi de papel!!

S: Falando em quadrinhos digitais, é mais fácil publicar uma HQ virtual na internet do que os antigos fanzines xerocados… mas existe um público significativo para consumir esse conteúdo?

Rafael Tavares: O problema dos antigos fanzines xerocados é justamente esse, o caráter de algo antigo em virtude dos novos recursos que hoje dispomos!! As publicações independentes passaram a oferecer uma qualidade de impressão cada vez maior e o leitor com essa tendência vai ficando naturalmente mais exigente!! Os velhos fanzines xerocados ainda tem o seu valor, é claro!! Consistem em experiências importantes que garantem uma série de aprendizados, mas não é mais visto como algo que desperte o interesse do leitor diante do que anda sendo oferecido atualmente!! As HQs virtuais contam com a vantagem de não possuir o custo das impressões, e no virtual se pode oferecer a HQ colorida, o que em muitos casos é praticamente impeditivo devido aos custos de impressão colorida!! Tudo no final das contas sobre esse tipo de escolha depende dos recursos e objetivos de quem produziu a HQ!! O importante é ter a certeza de ter oferecido o melhor conteúdo possível dentro de sua obra, pois será justamente isso que o leitor irá levar do seu trabalho!! E com isso assegurado tenha certeza que o seu público existe e se formará cada vez mais!!

S: Com todas as dificuldades, o preconceito vindo de alguns próprios leitores, a falta de recursos, a falta de reconhecimento… ainda vale à  pena lutar pelo quadrinho nacional?

Rafael Tavares: Ótima pergunta!! Só de ler a lista de coisas desfavoráveis que encontramos como obstáculos já fiquei mais disposto para lutar!! Vale à pena porque não faz sentido continuar assim!! Não existe razão para isso!! São muitos aqueles que procuram produzir seus quadrinhos no Brasil, desenvolver seus personagens, contar suas histórias, e tudo o que nos resta é nos organizarmos e priorizarmos por um produto válido e de qualidade!!

S: Muito obrigado pela entrevista. Deixe suas considerações finais aos leitores do Santuário!

Rafael Tavares: Bem, eu que agradeço imensamente essa oportunidade de falar um pouco sobre Os Invictos e da perspectiva que possuo dos nossos quadrinhos nacionais!! Quero aproveitar para agradecer também todos aqueles que são fundamentais na divulgação e produção das HQs d’Os Invictos!! Nessa minha jornada conheci excelentes amigos, todos com talentos incríveis e cada um soube trazer uma importante colaboração para o meu supergrupo!! E o que desejo para os leitores do Santuário é que permaneçam atentos as mudanças que irão acontecer no cenário dos quadrinhos nacionais e participem delas!! Será um período excitante de se presenciar e vivenciar!! Muito Obrigado!!

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21 comentários sobre “OS INVICTOS: “Como será o amanhã? Responda quem puder”!

  1. Mais do mesmo, futuro pós- apocalíptico, o grupo preenche cada clichê exigido(a gostosa, o fortão, o líder, etc), dá uma dor no coração ver que os quadrinhos brasileiros da nova geração são meras cópias dos americanos.

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  2. Que grata surpresa a sua entrevista aqui no Santuário Rafael!

    Parabéns à você e a toda equipe pela dedicação com os Invictos!
    O Brasil precisa de bons exemplos como vocês! 🙂

    Mais uma prova que determinação e paixão dão resultados!

    Vida longa aos quadrinhos nacionais!

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  3. Parabéns pela entrevista! E os parabéns vão para o entrevistador e entrevistado!
    Os quadrinhos nacionais merecem ser divulgados e o Santuário acaba de prestar um grande serviço para as HQBs!!!
    Abraço!

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  4. Que trabalho bacana esse do Rafael. E o time que acompanha ele. Só os feras do lápis atual nacional. Sinceramente, ele está muito bem situado e o seu universo não deixa a desejar nenhum material que eu já conheci. Vou aproveitar minhas férias prá cair de cabeça nele!!!!!

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  5. Muito bom! parabéns Rafael pela iniciativa! Os Invictos tem tudo para dar certo, vamos mostrar o Brasil que aqui tambem tem heróis!

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  6. Se depender to talento do Rafael, Os Invictos serão mais famosos que a Liga da Justiça, com certeza! AHHH mulke talentoso e safado! 🙂 😉 😉 Como é a vida!!!
    Obs.: O personagem com poderes elásticos não está ali a toa…

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    1. Eu sou fã do design dos Híbridos, Léo.

      Estou na torcida pra um dia ter a oportunidade de lê-los. Que tal um conto deles aqui no Santuário? A Pierrette tem tudo pra ganhar espaço no coração da galera!
      Obs.: acho digno o nome dela ter 2 erres e 2 tês! rsrsrs

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