Fabulosos X-men #4 – “Et! Minha casa!”

Por Venerável Victor ” Fabuloso X-monkey” Vaughan

Resenha  de Uncanny X-men #4 SPOILERS

Eu ainda estou tentando entender qual a razão de colocar uma história “one-shot”  – aquelas que são criadas para começar e terminar na mesma revista – logo nos primeiros números de uma série e ainda mais com tanta coisa para se esclarecer nos poucos três números já lançados. O roteirista Kieron Gillen tenta até conectar esse conto com seu primeiro e até agora único arco nessa revista, mas o resultado é tangencial, apenas leves referências. Essa edição é boa, mas se for comparada com as anteriores, é um tanto quanto perdida.

Essa edição inteira é sobre um indívíduo da raça de alienígenas Phalange – que compartilham uma consciência coletiva e são portadores do famoso vírus tecno-orgânico que ao menor contato, transforma todo tecido orgânico em tecnológico e consequentemente incorpora o novo organismo para sua coletividade . Esse indívíduo em especial teve seu vínculo com  sua raça forçadamente desligado e foi literalmente sequestrado pelo Senhor Sinistro, anos atrás, passando muito tempo após o rapto, como cativo no laboratório do vilão, em uma mesa de operações a princípio e num tubo de extase muito tempo depois. Lógico que isso serve para mostrar o que Sinistro andou fazendo nos últimos meses e como ele mudou tanto desde suas últimas aparições públicas. Muito além disso, nós temos uma edição de Fabulosos X-men narrada do ponto de vista de um vilão, a partir do momento que o membro isolado da Phalange escapa e tenta de toda forma recriar o contato com sua coletividade a tanto desejada, absorvendo e transformando todo infeliz humano que encontra em uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos.

Os nossos queridos mutantes não aparecem até quase o fim da edição e mesmo quando finalmente entram na ação, a narrativa continua sendo do ponto de vista do indíviduo da Phalange. Numa história em que o vilão é, se não o herói, pelo menos o personagem com que o leitor vai mais se identificar, os X-men fazem as vezes dos vilões. O que não é algo totalmente inapropriado para um grupo que tem Magneto, Namor, Colossus como o novo Juggernaut e Emma Frost – não consigo engulir ela como heroína –  e isso diz muito sobre a situação precária e delicada  que Ciclope  se meteu. Dá para ficar com dó do alienígena quando ele descobre ser impossível retornar para sua coletividade absorvendo indívíduos humanos, agora que sua raça não mais existe na Terra.

Falando agora sobre o final do conto, apenas quando os X-men neutralizam  a “ameaça”, que Tempestade questiona se eles deveriam ter antes de tudo, tentado estabelecer um diálogo com a criatura. Essa atitude de primeiro “cair matando” e depois fazer alguma pergunta sempre foi muito mais a cara de uma equipe como os Vingadores. No final da edição, vemos Ciclope respondendo à Tempestade que o importante foi que eles venceram… é claro que na tentativa de ao invés de convencer Ororo, convencer a si próprio.

A Arte de Brandon Peterson é legal e focada em detalhes, mas de loge também não supera Carlos Pacheco. Mas como ele presta bastante atenção nas expressões faciais, ela se encaixa perfeitamente nesse conto melancólico e o cara sabe retratar o Senhor Sinistro dos anos noventa, de forma perfeita, o quadro que ele aparece em flashback é realmente uma viagem no tempo para os fãs.

Devotos, essa edição é divertida de sua forma peculiar, mas ainda não entendi o por que de sair tão drasticamente do enredo principal, já que Gillen tem tanta coisa para fundamentar no título e tão pouco tempo (eu particularmente to achando que ele vai ser tirado do revista e vem apenas cumprindo prazos, sem expectativa de poder desenvolver o que realmente quer). Mas o que esperamos para os próximos números, é que ele pare de ataque para valer, mostrando sua força e objetivo para essa série.

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13 comentários sobre “Fabulosos X-men #4 – “Et! Minha casa!”

  1. Ótima resenha.Serviu para tirar da cabeça a situação complexa dos heróis na Guerra Civil:Marvel.
    A resenha foi excitante.Incita e causa interesse no leitor:sou a prova viva disso;li vários números por mera influência das resenhas desse humilde blog.Mas voltando ao tema.Não gosto muito dessa fase,onde temos Ciclope com líder.Por apresentar uma postura fraca e até mesmo questionável em certos momentos.
    Mas o desenho é muito bacana.Divertido e metódico.Não chega a ser chato,como o traço dos novos números da DC.

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  2. Colocaram logo o “Colonático” na capa. Aliás, achei essa ideia meio cretina.

    No mais, também me surpreende que lancem um one-shot logo no quarto número. Normalmente os roteiristas esperam terminarem as seis ou quatro partes de um arco para começar a pensar em histórias intermediárias para completar o espaço no encadernado hehe

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  3. Phalanx Convenant. Foi o que eu li de mais intenso envolvendo essa comunidade coletiva. Teve momentos divertidos com o Warlock em New Mutants e de reflexão com o Douglock em Excalibur e a sofrível X-Cutioner Song, já citada anteriormente. E prá quem falou na Emma, só lembrando que a redenção dela, inclusâo do Instituto Massachusets como escola X e a aparição da Generation X, se deu em Convenant. Bons tempos aqueles…..

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  4. Já não tá na hora de trazer a Jean Grey de volta? Colocar ela do lado do Wolverine na escola que ele batizou com o nome dela e deixar o Ciclope maluquinho? Ele e aquela vagaba da Rainha Branca?

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  5. Não é o Pacheco,Victão, mas eu curti muito os desenhos do cara. Olha, a fase da Phalange nas revistas X na década de 90, junto com o Strife (acho que é assim que se escreve) o tal clone do Cable que achava que era o verdadeiro e o outro o clone, são justamente os momentos que adoraria que ficassem para sempre enterrados no passado. Porém, da forma como foi usado em um conto fechado, eu gostei de ver a Phalange, medo de virar recorrente. Se virar, que se dane, o mundo vai acabar mesmo…

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