Quadrinhos que me fizeram feliz: “O que aconteceria se Conan, o bárbaro andasse por nosso mundo hoje?

por Venerável Victor  “Cala a boca, Bárbara!”  Vaughan

Quadrinhos que me fizeram feliz: parte 7

parte 6 aqui

Muitos conhecem a saudosa série da Marvel “O que aconteceria se…” Estrelada pelo cabeçudo imortal criado por Jack Kirby, o Vigia! O Maior barato dessa série é a possibilidade de se explorar determinados enredos já abandonados e dar nova visão sobre as possibilidades que cada roteiro poderia ter tomado caso os acontecimentos de certas histórias não tivessem seguido por um determinado rumo. Hoje caros devotos, vamos prestigiar um conto da vida do mestre Roy Thomas, estrelado pelo bárbaro cimério mais famoso de todos os tempos, ainda na fase em que era editado pela Marvel (Hoje seus direitos são da Dark Horse)

O que aconteceria se Conan, o bárbaro andasse por nosso mundo hoje?

escrito por Roy Thomas, Sal Buscena desenhos e arte final de Ernie Chan

O contexto até aqui: Em uma de suas inúmeras aventuras, Conan o bárbaro conheceu uma mulher chamada Alhambra. Ela deixa o guerreiro bêbado e o captura para seu mestre Shamash Shum-Ukin. Ele é um cara de outra era, que tem um poço mágico que permite viagens no tempo. Ele tenta sacrificar Conan e a vadia da Alhambra para ganhar mais poder, mas os dois conseguem escapar, Nessa história, a corda que Conan usa para pular por cima do poço, arrebenta e ele cai profundamente… emergindo nas ruas de Nova York.

Conan se materializa nos tempos atuais juntamente com uma tempestade de raios violenta que logo em seguida destrói várias linhas de energia e geradores elétricos, provocando um black-out generalizado na cidade. Isso é apenas um aperitivo para o perigo que é um malvadão seminu andando perdido pelas ruas à noite.

O bárbaro não consegue entender uma única palavra dita ali, mas compreendem coisas normalmente como ameaças imediatas. Primeiro ele coloca para correr alguns punks que tentam se meter com ele. Depois ele joga uma velha mal educada dentro de uma lata de lixo (a mocréia mereceu) pensando que ela era uma bruxa. Um policial atira para cima como aviso para ele se render e ele foge, acreditando que aquilo é mágica. Até mesmo temos uma aparição relâmpago de Peter Parker aqui, mas nada significativo. Uma vez fugindo da polícia, ele esbarra com um táxi… o que ele acredita ser alguma espécie de monstro.

Aí conhecemos Danette, a taxista em questão, ou melhor, conhecemos e nos despedimos de Dannette, ela sai do taxi gritando desesperada por ter um homem seminu com uma espada apontada para ela, ele começa a falar sem dar tempo para respirar, perguntando se ele é alguma espécie de estrangeiro com imunidade ou o quê. Ao ouvir as sirenes da polícia e por não querer ser multada, afinal estava com a licença de trabalho atrasada, ele consegue colocar Conan no banco traseiro do carro, mente para os policiais, dizendo que Conan foi por uma determinada direção e vai embora dali com Conan. (o bárbaro seminu, lembram?…safadinha)

Danette continua falando pelos cotovelos enquanto dirige de volta pra casa. Conan sente que apesar dela parecer amigável – apesar de um pouco louca – existe uma grande chance de ele ser enganado de novo. Danette leva Conan para o seu apartamento. Que fica em cima de uma loja de móveis fechada. Ela continua falando sem parar e logo nós descobrimos a razão dela estar sendo tão legal com Conan e porque ela fala o tempo todo sem parar. O fato dela não conseguir se comunicar realmente com ele faz com que ela acabe chorando e Conan finalmente entende.

Participação relâmpago de Peter Parker

“Você está sozinha aqui, nesse louco, monstruoso mundo, sem um homem para protegê-la, mas  você foi generosa comigo… eu acho que irei protegê-la se é isso que você realmente quer”

Eles se beijam por um momento, mas as luzes apagam. O blackout alcança o bairro onde estão. Conan olha pela janela e só consegue ver os “olhos brilhantes dos dragões de metal” passando pelas ruas. Danette senta em seu sofá, lembrando do grande blackout de 1965 e de que agora não está mais tão assustada como esteve no passado. Conan consegue entender em sua voz o quanto ela é solitária e decide “chegar chegando” na moça indefesa. Os dois finalmente se apresentam um para outra através de um pouco de ação adulta no sofá. Apesar de que o bárbaro não consegue de forma alguma dizer a palavra Danette.

No meio da noite, os dois são acordados pelo barulho de uma confusão na rua. Algumas pessoas estão roubando a loja de móveis embaixo do apartamento e Conan pensa que a loja pertence à Danette. Ele pula para a rua e finalmente chuta muitas e muitas bundas.

Ele arremessa os criminosos como se fossem bonecos de pano, incluindo um momento em que uns moleques drogados conseguem roubar sua espada, aqui nós temos uma referência visual do filme Star Wars e logo em seguida eles tem a cara amassada com socos com tanta força que vemos vários dentes voando. Ao virar um carro de cabeça pra baixo, Conan deixa a mensagem de que todos deveriam sair dali o quanto antes.

No apartamento novamente, Danette abre alguns livros e mapas no esperança de que Conan possa apontar nas imagens de onde ele veio. Ela mostra uma imagem com a foto do Museu de Arte Guggenheim e pelo ponto de vista de Conan, a foto de cabeça pra baixo, lembra exatamente a cidadela do feiticeiro Shamash Shum-Ukin. Acreditando que Conan provavelmente tem alguma idéia do que está falando, ela o leva em seu taxi até o museu. Curiosamente, está é a mesma noite de blackout que cinco criminosos decidiram roubar o mesmo museu.

Conan e Danette encontram um guarda morto. Eles investigam, apesar de que Conan não consegue entender por que algum ladrão diabos ia querer aquele tipo de arte.  Eles encontram os criminosos e após um quebra-pau, um deles consegue atirar no braço do bárbaro. Danette tenta fugir dali, gritando para Conan que ele não vai conseguir vencer essa luta e logo em seguida é atingida por um tiro.

É… isso faz com que Conan fique muito…puto.

Apesar de estar armado apenas com uma espada, ele ainda enfrenta a gangue por ter machucado sua garota com suas armas de “fogo mágico”. Dois deles são arremessados pela janela, outra ganha a espada todinha enfiada na sua barriga, que o estaca numa pintura. Outro tem seu crânio esmagado por uma escultura. O último é cortado ao meio após tentar atira em Conan de novo. O Bárbaro corre até Danette e descobre que ela continua viva.

Conan escuta novamente trovões e sente que deve voltar para o telhado, os dois tem aqui um breve tempinho para se entenderem e tirar um atraso de leve, com momentos de ternura ciméria. Danette dá para Conan seu boné e Conan lhe presenteia com sua pulseira. A polícia finalmente aparece na entrada do museu e Conan corre para o telhado. Uma vez lá, ele empunha sua espada para o alto e um raio ao atingir a lâmina – ao invés de fazer churrasquinho de cabeludo – envia o bárbaro de volta para o passado.

Quando um policial pergunta para Danette onde Conan está, tudo o que ela fala é, “Apenas…um cara. Ele não é daqui…”

Conan reaparece na cidadela em seu tempo e corre para o deserto. Normalmente, Conan deveria ter acreditado que essa aventura nada mais foi que uma alucinação, mas o chapéu azul que ele trás em sua mão faz com que ele saiba da verdade.

Eu sei que esse não é de longe a melhor história da série “O que aconteceria se…” , mas é uma aventura divertida. Também não é um roteiro com grandes encontros entre heróis de realidades diferentes ou transformações definitivas no planeta, mas o personagem o tempo todo foi retratado  com perfeição, apesar de todo o conceito da história ser fraco, o lance do relâmpago no fim da edição e ele sentir que esse seria seu passaporte de volta para casa fazer pouco sentido – apesar de que o bárbaro está acostumado a ver mágica e feitiços o tempo todo -, eu gostei de como foi retratado a relação entre ele e Danette. De qualquer forma, eu sou um fã de romances onde a barreira é a diferença de línguas e os amantes mostram que existem outras formas de se comunicar com exatidão.

De qualquer forma o grande problema é o final, eu gostaria mesmo de ver o que aconteceria se ele tivesse ficado mais tempo aqui no nosso presente e se envolvido de fato com alguns dos nossos heróis Marvel… mas isso nós vamos ver semana que vem no: “O que aconteceria se Conan ficasse preso no século XX ?”

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13 comentários sobre “Quadrinhos que me fizeram feliz: “O que aconteceria se Conan, o bárbaro andasse por nosso mundo hoje?

  1. Cara, muito legal a sua matéria. Nunca li essa HQ, mas sou um fã de Conan. ESC, Conan O Bárbaro, Conan o Aventureiro, Conan Saga, Rei Conan, e mais alguns gatos pingados foram lidos por mim há alguns anos atrás. Obrigado por nos fazer reviver isso!

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  2. Ainda bem que ele foi embora pra casa logo, porque com essa moda de homem saradão a concorrência ia ficar desleal !
    Agora perai, esse negócio de “ficasse preso no sec XX” é de verdade? hahahaha

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  3. Ação adulta no sofá? hahahahhahaha

    Só vocês….

    De qualquer forma gostei do “cameo” do Aranha. Como a MJ estava como ele, suponho que a história se passe na época em que o casamento existia, estou correto?

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  4. Ah meus tempos de Heróis da TV!!!! Só quem passou por isso consegue entender!!! Aliás e aquela história do Kulan Gath, Homem-Aranha e Sonja, tá na manga???(apesar de não ser da série What If…)

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  5. O que é aqui a influência pop do filme! No quadrinho em que ele está andando pelas ruas uma piriguete pensa que é o Arnold Schwarzenegger aqui andando! Muito bom!!!

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  6. Mas esse Conan é muito prosa! Nossa é o maior pegador da editora! O que eu achei mais interessante nessa história é que todo mundo leva tiro e fica numa boa… agora, não vou julgar a Danette, se eu estivesse em algum apagão aqui em Sampa com esse carinha de sunga de pele de urso (espero que seja de urso e não de veado, nada contra, mas ia ser anti-clima) eu também ia acabar falando cimério rapidinho!!!

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