EU, VAMPIRO # 3 e # 4 + JOHN CONSTANTINE: THE VAMPIRE SLAYER!

Ou: “Tinha dois caras num bar… ”

Resenhas de  EU, VAMPIRO #3 e #4

Roteiro de Joshua Hale Fialkov e Arte de Andrea Sorrentino.

“Eu, Vampiro” criado por J. M. DeMatteis e Tom Sutton

Por Rodrigo Garrit

AVISO: Este artigo contém escória e spoilers.

Uma das melhores surpresas dessa série é que nosso vampiro não é uma criatura torturada, melancólica, angustiada… ele tem suas crises sim, mas para ele, nada de amores impossíveis, idealizados, romances proibidos e desejos reprimidos. Amaldiçoado? Sim. Privado daquela que seria sua mais linda sua história de amor? Sim.

Fazendo-se de vítima? NÃO.

Assim é Andrew Bennett, o vampiro da mais nova zebra dos novos 52 da DC Comics.  Sim, zebra. No começo poucos deram algo por ele, acharam que seria mais uma dessas adaptações caça níqueis vampíricas ao estilo Crepúsculo, sem muito conteúdo, tendo um vampiro galã como um protagonista em busca de concretizar o amor com sua bela namorada…

Confesso que fui um dos que pensavam assim. Mas desde que li o primeiro número, já senti que o tom seria diferente. O protagonista de fato é um galã que sofreu uma tremenda decepção amorosa… mas a sua linda garota é uma vadia psicopata assassina, e ele não hesitaria em enfiar uma estaca em seu coração podre.

Bem, talvez ele hesitasse, afinal.

O que é bom deixar claro, é que “Eu, Vampiro”, vem na contramão das recentes produções relacionadas com as criaturas da noite. Não vou dizer que é (ainda) a redenção dos vampiros, até porque Andrew é um renegado… ele caça outros vampiros e monstros e luta incansavelmente em favor da humanidade que perdeu. Assim sendo, não temos aqui o verdadeiro vampiro, o monstro assassino do mito em sua essência, mas alguém que usa suas cores para agir como um herói. Isso mancha a reputação ou o mito? Não. Outros já seguiram esse caminho com dignidade. Eu posso citar Angel de Joss Whedon e o Blade da Marvel entre outros. Os fãs mais radicais os rejeitam como legítimos representantes da espécie, mas em vista da desconstrução que vem sendo infringida ao mito nos últimos anos, esses vampiros podem ser considerados mesmo um pequeno bálsamo.

Essa edição surpreende positivamente pela repentina elevada no nível do texto e caracterização dos personagens, algo que deixou a desejar nos números anteriores. Temos mais cenas de flashback contanto um pouco sobre o passado de Andrew, recheadas de diálogos de primeira linha.

Andrew sobrevive a última batalha com sua ex, a autodenominada “Rainha do Sangue”. Muito ferido, ele busca ajuda de um velho amigo humano a quem salvou a vida anos atrás, e hoje o ajuda na caça aos vampiros. Andrew está decidido em  ir atrás de sua Mary “Rainha de Sangue” que no momento está reunindo um verdadeiro exercito de vampiros e convencendo-os a sair do anonimato e tomar o poder. Nessa trajetória, eles conhecem Tig, uma jovem caçadora, com um passado trágico envolvendo vampiros, e que hoje dedica sua vida para elimina-los. Ela não revela muito sobre suas habilidades, apenas que foi treinada pela sua mãe após o pai ter sido morto por uma das criaturas, e está longe de ser uma donzela indesa. Não que ela seja uma “Buffy”, mas sabe se cuidar muito bem para uma humana normal. Após um combate breve, Andrew consegue convence-la de que estão do mesmo lado. relutante, ela revela que rastreou atividades vampiricas e eles decidem investigar juntos. Seguindo esse rastro, eles se deparam com uma gravura de morcego pintada à sangue, com os dizeres:

“Te encontro lá amor”.

Fica claro que o próxima alvo de Mary é Gotham City…

Andrew deixa seus amigos num motel barato em Ohio e parte sozinho para Gotham. No caminho ele encontra um homem vasculhando detritos hospitalares… em busca de sangue. Andrew fica fascinado com a possibilidade de ter encontrado outro vampiro que resista a fome e se recusa a matar pessoas. Ele têm uma longa conversa, e em determinado momento, Andrew ensina seu novo amigo a mudar de forma, liberar a fera interior e mantê-la sob controle.

“Você tem a força de vontade para fazer isso… você tem a força de vontade para fazer qualquer coisa. Lembre-se disso. Não somos animais e não temos que agir como eles”.

Andrew vai embora satisfeito, porém algo mudou no vampiro que ele deixou para trás. Ele entra num bar, onde não consegue mais resistir a sua fera interior, se transforma e ameaça se alimentar de todos no recinto. Quem não ficou nada satisfeito foi um certo inglês que tomava sua última dose de Whisky no balcão…

O vampiro ataca as pessoas ferozmente, mas Constantine o subjuga conjurando um pequeno simulacro de sol que o força a voltar a forma humana, deixando-o de joelhos diante do mago britânico. Então ele recolhe uma espingarda de cano duplo escondida atrás do balcão do bar e se prepara para estourar a cabeça do vampiro.

Constantine e Andrew

Porém Andrew surge atrás dele, e diz que não pode permitir que ele faça isso. Constantine não se intimida, mas Andrew se transforma em nevoa, misturando-se com a fumaça do cigarro dele e asfixiando-o… numa cena muito bizarra. O vampiro agradece Andrew por ajudá-lo, mas ele apenas responde que lamenta… não imaginou que ensina-lo a se transformar faria dele um monstro tão rapidamente… ele achou que se pudesse superar isso seria capaz de realmente vencer a fome… mas não foi o caso. O vampiro implora uma segunda chance, ele afirma que é forte o bastante… mas Andrew sabe que não é. Então ele entrega um colar para Andrew… diz que tem esposa e filha em algum lugar… pede que ele dê o colar a elas. Andrew recolhe o colar, saca sua espada e decepa o vampiro.

Constantine recupera os sentidos e entende de que lado Andrew luta. O vampiro avisa ao mago que uma guerra está vindo… e que ele vai impedi-la. Mas caso não consiga, pede que ele reúna todos os seus magos e amigos feiticeiros e se preparem para o pior.

Já do lado de fora do bar, Andrew abre o colar, e descobre a foto de uma garotinha com os seguintes dizeres:

“Minha querida Tig”.

A próxima edição promete, já que os vampiros trouxeram sua guerra para Gotham e é claro que Batman não vai deixar barato.

Ouso dizer que essa série tem potencial para ser tão boa quanto o que o título “Vampiro Americano”, da Vertigo, um dos melhores gibis de vampiros que já li. “Tem potencial”, não quer dizer que já chegou lá… mas existe luz na escuridão.

Nota: 10

Quer ler as resenhas anteriores? Clique em “Eu, Vampiro #1” e “Eu, Vampiro #2

É fã do gênero? Então não perca também os artigos sobre Buffy, a caça vampiros, Supernatural, Don Drácula e o especial sobre o Mito dos Vampiros!

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4 comentários sobre “EU, VAMPIRO # 3 e # 4 + JOHN CONSTANTINE: THE VAMPIRE SLAYER!

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